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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Irã lança mísseis contra bases militares dos EUA no Bahrein e Kuwait após bombardeio

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Guarda Revolucionária do Irã afirma ter atingido aeronave americana, do modelo MQ-9, no sul do país.
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Por Redação g1

Postado em 08 de Julho de 2.026 às 05h00m
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 Explosão em Bandar Abbas, no Irã, após bombardeio dos EUA
Explosão em Bandar Abbas, no Irã, após bombardeio dos EUA 

Irã lançou ataques retaliatórios contra o Bahrein e o Kuwait na madrugada desta quarta-feira (8). A ofensiva de Teerã é uma resposta imediata aos bombardeios aéreos realizados horas antes pelos Estados Unidos contra o território iraniano, após o regime persa ser acusado de atingir três navios comerciais no Estreito de Ormuz.

Ambos os países árabes atingidos abrigam bases militares de Washington: o Bahrein é a sede da 5ª Frota da Marinha dos EUA, enquanto o Kuwait serve de quartel-general para as forças do Exército americano na região. Os dois governos acionaram alertas de mísseis para a população no início da manhã.

O comando militar central do Irã confirmou a reação e alertou que "responderá de forma decisiva a essa agressão e ato terrorista" dos Estados Unidos. Até a última atualização desta reportagem, a mídia estatal iraniana havia reconhecido explosões nas regiões de Bandar Abbas, Qeshm e Sirik, mas não divulgou informações sobre baixas ou a extensão dos danos no Bahrein e no Kuwait.

Segundo a Guarda Revolucionária do país, 85 instalações militares dos EUA foram atingidas nos dois países.

EUA bombardeiam alvos no Irã após navios serem atacados no Estreito de Ormuz
EUA bombardeiam alvos no Irã após navios serem atacados no Estreito de Ormuz

A nova escalada militar coloca em xeque o acordo provisório de cessar-fogo na região, costurado após a guerra iniciada no fim de fevereiro. Os ataques ocorrem no momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, cumpre agenda na Turquia para a cúpula da Otan.

EUA bombardeiam o Irã

De acordo com o Centcom, a ofensiva tem como objetivo impor "custos elevados" ao Irã por atacar embarcações comerciais tripuladas por civis em uma das principais rotas marítimas do mundo.

"O Irã demonstrou uma agressão injustificada, perigosa e que representa uma clara violação do cessar-fogo", afirmou o comando militar americano em comunicado.

Uma fonte americana ouvida pela Reuters disse que os ataques miraram sistemas de defesa aérea do Irã, além de lançadores de drones e mísseis.

A TV estatal iraniana informou que várias explosões foram registradas em Sirik, cidade portuária no sul do Irã, próxima ao Estreito de Ormuz. Até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre a causa das explosões nem sobre possíveis vítimas.

Ainda segundo a mídia estatal, o chanceler iraniano disse que os ataques violam o cessar-fogo e provocarão ações "decisivas".

Mais cedo, a agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que três navios foram atingidos por projéteis no Estreito de Ormuz. Ninguém ficou ferido.

O governo do Catar afirmou que uma das embarcações atingidas era o petroleiro "Al Rekayyat" e responsabilizou o Irã pelo ataque. Segundo a Reuters, nos bastidores, autoridades dos EUA também culpavam Teerã.

Os ataques ocorreram apesar do cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã após a guerra iniciada no fim de fevereiro.

Apesar da nova escalada, as negociações continuam. Um funcionário do governo americano disse à Reuters que representantes dos dois países seguem atuando "de boa-fé" para tentar chegar a um acordo de paz definitivo.

A segurança de navegação e o controle sob o Estreito de Ormuz é um dos principais pontos de atrito nas negociações entre Teerã e Washington.

Após os ataques à embarcações no Estreito de Ormuz, os Estados Unidos voltaram a impor sanções sobre o setor de petróleo do Irã. O governo americano revogou nesta terça-feira uma licença que havia suspendido temporariamente as restrições às exportações de petróleo iraniano.

A isenção, anunciada em junho como parte do acordo de cessar-fogo entre os dois países, permitia que Teerã produzisse, vendesse e entregasse petróleo bruto e derivados até 21 de agosto.

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou a decisão e afirmou que a medida viola o Memorando de Islamabad, firmado para encerrar a guerra entre os dois países.

Teerã também responsabilizou Washington pelas consequências da decisão e disse que adotará "todas as medidas necessárias" para proteger seus interesses e a segurança nacional.

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terça-feira, 7 de julho de 2026

Procuradores democratas contestam tarifaço dos EUA que atinge o Brasil

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Grupo se opõe às taxas de até 12,5% a dezenas de países acusados de não combater trabalho forçado
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Mariana Catacci, da CNN Brasil
06/07/26 às 20:23 | Atualizado 06/07/26 às 20:23
Postado em 07 de Julho de 2.026 às 06h00m
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Miniatura do presidente dos EUA, Donald Trump, em ilustração diante da bandeira do Brasil com a palavra "tarifas"  • 23/07/2025. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File photo

Um grupo de 22 procuradores-gerais democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta ao representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, nesta segunda-feira (6), criticando as tarifas de até 12,5% a países acusados de não combater o trabalho forçado, incluindo o Brasil.

Os procuradores afirmam que as tarifas, se concretizadas, teriam efeitos abrangentes e prejudiciais à economia, além de permitirem ao "Poder Executivo usurpar o poder de tributar do Congresso, ao exceder os limites da Seção 301".

O USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) recomendou tarifas de até 12,5% ao Brasil e outros 58 países, além da União Europeia, por supostamente não agirem para combater o trabalho forçado. A recomendação do órgão americano veio após investigações no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA retaliar supostas práticas comerciais desleais de outros países.

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Na carta, o democratas condenam veemente o trabalho forçado e reconhecem que produtos fabricados a partir de práticas ilegais devem ser impedidos de entrar nos EUA. No entanto, alegam que o USTR "utilizou o trabalho forçado como pretexto para manter um esquema tarifário ilegal".

As autoridades estaduais afirmam, ainda, que o efeito provável da tarifa não seria a redução do trabalho forçado, mas sim o aumento dos preços nos estados americanos e a "devastação econômica que tarifas anteriores causaram".

"O presidente Trump demonstrou que deseja ter autoridade ilimitada para impor tarifas à maior parte do mundo. Mas a Constituição garante ao Congresso, e não ao Presidente, o poder para instituir e cobrar impostos, direitos, taxas e tributos", diz a carta.

O documento assinado pelos democratas cita o que considera como contradições na recomendação do USTR e dá destaque ao exemplo do Brasil. Segundo a carta, o relatório do órgão comercial dos EUA cita a carne bovina congelada do Brasil como um dos produtos associados ao trabalho forçado, mas isenta boa parte desses produtos logo no Anexo A da proposta. Outros produtos, como café e minérios, também são citados e depois isentos.

Os procuradores consideraram que o relatório do USTR "não explica de forma satisfatória por que a importação desses produtos sem tarifas é justificada, ao mesmo tempo em que se impõem tarifas a inúmeros outros produtos que não apresentam risco de terem sido produzidos com trabalho forçado e que, por sua vez, não distorcem o mercado".

Além da taxa de 12,5%, os EUA também ameaçar aplicar uma outra tarifa de 25% ao Brasil. Entre as razões, estão o suposto favorecimento do Banco Central ao Pix, em detrimento de outros serviços de pagamento oferecidos por companhias americanas. Além disso, o USTR cita o fim da cooperação bilateral sobre etanol, o desmatamento, a pirataria e a corrupção como outras justificativas para a nova barreira comercial.

O prazo final para que o governo americano decida sobre a aplicação das tarifas é 15 de julho.











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segunda-feira, 6 de julho de 2026

China testa míssil balístico lançado de submarino e alerta países vizinhos

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Marinha do Exército de Libertação Popular afirma que lançamento foi parte do cronograma anual de treinamento militar e em conformidade com o direito internacional
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Brad Lendon, da CNN
06/07/26 às 09:18 | Atualizado 06/07/26 às 09:18
Postado em 06 de Julho de 2.026 às 14h20m
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O sistema HQ-9, um míssil de defesa aérea de longo alcance em serviço, é retratado no Airshow China em Zhuhai, província de Guangdong, China, 9 de novembro de 2022  • CFOTO/ Publicação futura via Getty Images

A China realizou nesta segunda-feira (6) um raro teste de um míssil balístico lançado por submarino no Oceano Pacífico, gerando críticas da Nova Zelândia e da Austrália por ações que, segundo elas, ameaçavam a paz e a estabilidade na região.

Um submarino da Marinha do Exército de Libertação Popular lançou um míssil estratégico carregando uma ogiva falsa em direção ao alto mar relevante do Oceano Pacífico, que pousou precisamente dentro das águas designadas, disse um comunicado do capitão Wang Xuemeng, porta-voz da Marinha do ELP.

Este teste de lançamento fez parte da rotina do cronograma anual de treinamento militar da China, disse Wang, acrescentando que as nações envolvidas foram informadas com antecedência sobre o exercício.

A operação estava em conformidade com o direito e as práticas internacionais, sem visar nenhum país ou objetivo específico, afirmou o capitão. A CNN solicitou um comentário ao Ministério da Defesa da China sobre o teste. Pequim não informou que tipo de míssil foi testado.

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A Marinha do ELP (Exército de Libertação Popular) opera dois tipos de mísseis balísticos lançados a partir de submarinos: o JL-2 e o JL-3.

Este último possui alcance suficiente para atingir o território continental dos Estados Unidos a partir de águas próximas à costa da China, incluindo o Mar do Sul da China, segundo especialistas em mísseis.

O principal submarino lançador de mísseis balísticos da China é o Tipo 094, também conhecido como classe Jin; o país opera seis unidades dessa classe.

Pequim raramente divulga seus testes de mísseis, mas, de acordo com o Projeto de Defesa contra Mísseis do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), o JL-3 foi testado pela primeira vez em 2018 e, posteriormente, mais uma vez um ano depois.

"Indesejável e preocupante"

O ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, afirmou que a China disparou o míssil na segunda-feira em direção a águas da Zona Livre de Armas Nucleares do Pacífico Sul, estabelecida em 1986 pelo Tratado de Rarotonga. A China assinou os protocolos II e III do pacto em 1987.

O Protocolo II determina que os signatários não utilizem nem ameacem utilizar armas nucleares contra outras nações ou seus territórios dentro da zona; o Protocolo III proíbe testes nucleares na região.

Mais cedo hoje, a China nos informou sobre seus planos de lançar um míssil balístico de longo alcance no Pacífico Sul, disse Peters.

A Nova Zelândia considera esse um desdobramento indesejável e preocupante. Nós, assim como nossos vizinhos de outros países do Pacífico, não temos interesse em que a China utilize o Pacífico Sul como local de testes para capacidades de mísseis, afirmou o ministro.

Peters, da Nova Zelândia, afirmou que o teste chinês trouxe à tona lembranças de 2024, quando o Exército de Libertação Popular realizou um teste de lançamento de um míssil balístico intercontinental na região.

Nós, como região, não devemos ficar de braços cruzados e permitir que tais testes se tornem normalizados ou rotineiros, continuou ele.

No entanto, testes de mísseis são rotina para as potências nucleares.

Por exemplo, a Marinha dos EUA realizou, em setembro passado, quatro testes de seu míssil balístico Trident — lançado de submarino — ao largo da costa da Flórida, segundo um comunicado à imprensa.

A Índia testou um míssil balístico lançado por submarino em dezembro, e a Rússia realizou um teste de lançamento desse tipo de míssil em outubro passado.

A China vem expandindo sua frota de submarinos de propulsão nuclear como parte de um reforço geral de suas forças nucleares.

O teste mais recente de um míssil balístico intercontinental (ICBM) lançado pela China em direção ao Pacífico ocorreu em setembro de 2024, quando o país disparou um míssil DF-31B com capacidade nuclear da Ilha de Hainan, no Mar do Sul da China, em direção a águas abertas do Pacífico, próximo à Polinésia Francesa.

Foi o primeiro teste chinês de um ICBM em oceano aberto em 44 anos.

O relatório do Departamento de Defesa dos EUA afirma que a China geralmente realiza testes de mísseis dentro de suas próprias fronteiras, observando que, em dezembro de 2024, lançou vários mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) em rápida sucessão a partir de uma base de treinamento no oeste do país, "indicando a capacidade de lançar rapidamente múltiplos ICBMs baseados em silos".

O relatório de dezembro de 2025 do Departamento de Defesa dos EUA sobre o poder militar da China afirma que o ELP encara tais testes como "uma opção para operações de dissuasão nuclear de média a alta intensidade".

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Stellantis, dona da Fiat, inicia produção do Jeep Avenger no Brasil e prepara estreia neste semestre

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SUV compacto começa a ser produzido na fábrica de Porto Real (RJ), estreia uma nova plataforma eletrificada da Stellantis no país e deve chegar às concessionárias ainda neste semestre.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 06 de Julho de 2.026 às 13h10m
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Novo Jeep Avenger inicia produção no Polo Automotivo de Porto Real — Foto: Divulgação
Novo Jeep Avenger inicia produção no Polo Automotivo de Porto Real — Foto: Divulgação

A Stellantis, grupo responsável pelas marcas Fiat e Jeep, iniciou a produção em série do novo Jeep Avenger na fábrica de Porto Real, no sul do Rio de Janeiro. O SUV compacto será o primeiro modelo fabricado na unidade com sistema híbrido leve de 12 volts e também inaugura uma nova plataforma de produção de veículos eletrificados da companhia no Brasil.

O início da fabricação foi anunciado durante a comemoração dos 25 anos do Polo Automotivo de Porto Real. Segundo a montadora, o Avenger é um dos principais projetos do ciclo de investimentos de R$ 3 bilhões destinado à modernização e à ampliação da fábrica até 2030.

O valor integra um plano de R$ 32 bilhões previsto pela Stellantis para a América do Sul.

"Num momento em que a categoria de B-SUVs dá um salto e cresce quase 80% no nosso país, nós assumimos novamente o protagonismo e iniciamos hoje um novo capítulo para a marca e para a Stellantis: o início de produção do Novo Jeep Avenger, disse Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul.

O modelo será equipado com motor 1.0 turbo flex e um sistema híbrido leve (MHEV 12V). Nesse tipo de tecnologia, uma pequena bateria auxilia o motor a combustão em situações como partidas e retomadas de velocidade, contribuindo para reduzir o consumo de combustível e as emissões de poluentes.

Ao contrário de um híbrido convencional, porém, o veículo não consegue rodar apenas com energia elétrica.

De acordo com a empresa, o início da produção do Avenger também representa a adaptação da fábrica para uma nova geração de veículos eletrificados, em linha com a estratégia global da Stellantis de ampliar a oferta de modelos com menor emissão de carbono.

Fábrica terá dois períodos de trabalho por dia

Para atender ao aumento da produção do Jeep Avenger, a Stellantis informou que implantará um segundo turno na unidade de Porto Real.

Segundo a empresa, a medida deve gerar 800 empregos diretos na fábrica e outras 450 vagas entre as empresas fornecedoras.

A montadora também anunciou a instalação de oito novos fornecedores no complexo industrial. Com isso, o polo automotivo passará a reunir 13 empresas responsáveis pelo fornecimento de componentes para a fabricação dos veículos.

De acordo com a Stellantis, a ampliação da rede de fornecedores deve reduzir a necessidade de transportar peças de outras regiões, aumentar a participação de componentes produzidos no país e reforçar a cadeia automotiva instalada no estado do Rio de Janeiro.

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domingo, 5 de julho de 2026

Atentado abala imagem de Mônaco, um dos países mais seguros do mundo

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Chefe de estado de Mônaco classificou o ataque como um ato odioso e mobilizou forças para localizar o responsável, que continua foragido
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Rupert Neate, da CNN
05/07/26 às 10:00 | Atualizado 05/07/26 às 10:00
Postado em 05 de Julho de 2.026 às 10h20m
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  • Getty Images

A reputação de Mônaco como um dos países mais seguros do mundo foi abalada pouco antes das 21h de segunda-feira (29) no horário local, quando uma bomba explodiu na entrada de um dos edifícios residenciais mais luxuosos da cidade-Estado.

O explosivo detonou no momento em que o oligarca de origem ucraniana Vadym Yermolaiev, de 58 anos, morador do prédio, saía para a rua. Ele ficou gravemente ferido.

Uma mulher e uma criança de 13 anos também sofreram ferimentos graves no que foi a primeira tentativa de assassinato com bomba já registrada nas ruas de Mônaco, conhecidas por seu intenso sistema de vigilância.

O príncipe Albert II, chefe de Estado de Mônaco desde 2005 e filho do príncipe Rainier III e da princesa Grace Kelly, classificou o atentado como "um ato odioso". Ele mobilizou as forças policiais e os serviços de segurança do país para localizar o responsável pelo ataque e determinou o reforço das patrulhas nas ruas, que já eram frequentes, para tranquilizar os moradores mais ricos do principado.

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A polícia abriu uma investigação por "tentativa de homicídio premeditado e colocação de artefato explosivo em área pública".

O ministro de Estado de Mônaco, Christophe Mirmand, afirmou que foi "a primeira vez na história que um ato desse tipo ocorreu no principado" e acrescentou que imagens das câmeras de segurança mostram que o suspeito "circulou várias vezes pela região enquanto aguardava a chegada das vítimas".

O pequeno principado, isento de imposto de renda, cercado pela França em três lados e pelo Mar Mediterrâneo no outro, sempre se orgulhou de seu elevado nível de segurança e tranquilidade.

Com uma população de 38.857 habitantes, isso significa que há um policial para cada 70 moradores, segundo o Instituto Monegasco de Estatística e Estudos Econômicos.

Nos Estados Unidos, a média é de aproximadamente um policial para cada 400 pessoas, embora essa proporção varie bastante entre estados e cidades. Em Washington, D.C., a cidade com maior concentração de policiais do país, a relação é de um agente para cada 185 habitantes. No Reino Unido, a média é de um policial para cada 425 pessoas.

Além da força policial, Mônaco conta com 125 militares de elite da Compagnie des Carabiniers du Prince (Companhia dos Carabineiros do Príncipe), responsáveis pela proteção do príncipe e de sua família.

O principado também dispõe de uma rede de 1.387 câmeras de vigilância com reconhecimento facial, monitoradas 24 horas por dia por um centro de comando e supervisão operacional. Fiscalizações aleatórias de identidade também são frequentes: mais de 134 mil verificações foram realizadas no ano passado.

O governo ainda está investindo milhões de euros para reforçar a segurança na fronteira norte com a França. Não existem barreiras físicas entre Mônaco e a cidade francesa de Beausoleil, e é possível atravessar de um lado para o outro a pé sem perceber.

O suspeito de colocar a bomba no edifício residencial Sun's Palace, um prédio de fachada creme construído na década de 1920 e localizado na Rue Révérend-Père-Louis-Frolla, foi registrado pelas câmeras de segurança caminhando pela rua e, em seguida, cruzando para o território francês. Apesar de uma caçada envolvendo as polícias de Mônaco e da França, ele continua foragido.

O governo de Mônaco destaca o "nível único de segurança pública" como um dos principais motivos pelos quais tantas pessoas ricas e celebridades decidiram se mudar para o principado.

Entre os moradores famosos estão os pilotos de Fórmula 1 Lewis Hamilton, Jenson Button e Max Verstappen; os tenistas Novak Djokovic e Björn Borg; além do ex-baterista dos Beatles, Ringo Starr, e da cantora Shirley Bassey.

Nick Edmiston, fundador e presidente da fabricante de superiates Edmiston & Co e morador de Mônaco desde 1989, afirmou que a sensação de segurança é o grande diferencial do país.

"Você pode andar pelas ruas usando joias caras e se sentir seguro", disse. "Muitas pessoas muito ricas estão acostumadas a viver cercadas de seguranças, mas isso não é necessário em Mônaco."

Segundo um estudo da consultoria imobiliária Knight Frank, cerca de 35% dos moradores de Mônaco são milionários.

Além da segurança, o sistema tributário também é um dos grandes atrativos do principado. O país não cobra impostos sobre renda, patrimônio, imóveis nem ganhos de capital. Empresas registradas em Mônaco também são isentas de impostos, desde que a maior parte de suas atividades seja realizada no próprio principado. O único tributo aplicado é o IVA (Imposto sobre Valor Agregado), equivalente ao imposto sobre consumo, com alíquota de 20% sobre a maioria dos produtos e serviços.

Para solicitar residência em Mônaco, os candidatos precisam abrir uma conta bancária no principado e depositar pelo menos 500 mil euros (cerca de R$ 3 milhões, na cotação atual).

O governo recebe tantos pedidos de pessoas interessadas em morar no país que investiu 2 bilhões de euros (cerca de R$ 12 bilhões) em um projeto de recuperação de 6 hectares de terras do mar.

No local, estão sendo comercializados 120 apartamentos, com preços superiores a US$ 100 mil por metro quadrado — valores mais altos do que os praticados em empreendimentos de luxo como o 15 Central Park West, em Manhattan, e o One Hyde Park, em Londres.

Segundo o relatório da consultoria imobiliária Knight Frank, US$ 1 milhão é suficiente para comprar apenas 16 metros quadrados de um imóvel residencial de alto padrão em Mônaco — menos de um terço da área que o mesmo valor permitiria adquirir em Paris.

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