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sábado, 13 de junho de 2026

Exclusivo: Irã sela estoque de urânio após temor de ação dos EUA

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Governo iraniano isolou material enriquecido próximo ao nível necessário para uma bomba nuclear
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Katie Bo Lillis, Davis Winkie, Zachary Cohen e Natasha Bertrand, da CNN
13/06/26 às 03:52 | Atualizado 13/06/26 às 07:40
Postado em 13 de Junho de 2.026 às 07h55m
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2/3/2026 Vantor/Divulgação via REUTERS
Imagem de satélite mostra visão mais próxima da instalação nuclear de Natanz com novos danos  • via REUTERS

Nas últimas semanas, o Irã intensificou drasticamente seus esforços para isolar seu estoque de urânio enriquecido próximo ao nível necessário para uma bomba nuclear, provocando deliberadamente o desabamento de túneis e armando entradas com minas explosivas, segundo cinco fontes familiarizadas com informações de inteligência dos Estados Unidos.

Chegar ao estoque de meia tonelada de urânio altamente enriquecido agora é muito mais difícil, perigoso e demorado do que era há apenas um mês, quando o presidente americano, Donald Trump, sinalizava publicamente que poderia ordenar que as Forças Armadas americanas apreendessem o material, disseram as fontes.

As novas fortificações erguidas pelos iranianos acrescentam uma camada extra de complexidade ao acordo proposto pelo governo Trump com Teerã para remover e destruir o urânio do país, além de levantar dúvidas sobre quem assumirá a perigosa tarefa de escavá-lo.

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A missão diplomática iraniana junto à ONU não respondeu imediatamente a um pedido de comentário, e a Casa Branca também não respondeu de imediato aos questionamentos da CNN.

Trump afirmou repetidamente que garantir o controle desse material é uma prioridade dos EUA nas negociações em andamento para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, que o Irã fechou de fato.

Segundo uma autoridade de alto escalão do governo que conversou com jornalistas na sexta-feira, os dois lados estariam se aproximando de um acordo que exigiria que o Irã entregasse seu urânio enriquecido aos Estados Unidos. O material seria destruído no local e depois retirado do país, afirmou a autoridade.

No entanto, autoridades americanas e iranianas apresentaram versões conflitantes sobre o acordo preliminar, e seus termos exatos permanecem obscuros. O suposto texto de uma minuta do acordo vazou para uma agência semioficial iraniana na sexta-feira (12), provocando uma reação furiosa de Trump nas redes sociais.

Mesmo para os próprios iranianos, segundo várias das fontes, remover o material enriquecido agora seria difícil e perigoso. A operação exigiria equipamentos pesados de escavação e trabalhos de desminagem, procedimentos complexos e arriscados.

"Se essas informações forem verdadeiras, isso certamente complicaria a recuperação do urânio altamente enriquecido", disse Scott Roecker, que chefiou o Escritório de Remoção de Material Nuclear da Administração Nacional de Segurança Nuclear dos EUA entre 2017 e 2021.

A situação também poderia abrir espaço para que o Irã dificultasse a verificação de seu cumprimento do acordo.

Caso os negociadores "exijam que o Irã leve todo o estoque para um local central para verificação e eventual remoção ou diluição do material", caberia a Teerã acessar e "fornecer o inventário completo" do urânio enriquecido, afirmou Roecker.

"Mas, nesse cenário, eu me preocuparia que o Irã alegasse que parte do urânio altamente enriquecido é irrecuperável", disse. "Não teríamos plena confiança de que o Irã não poderia voltar a ter acesso a esse material no futuro."

A comunidade internacional acredita que a maior parte do estoque esteja em túneis desabados no complexo nuclear de Isfahan, no centro do Irã, com quantidades adicionais armazenadas em outros locais.

Em maio, os militares americanos estavam preparados para realizar uma operação para apreender o material nuclear, mas ela acabou sendo considerada arriscada demais, segundo informou anteriormente a CNN.

Desde então, o Irã reforçou ainda mais as instalações onde se acredita que seu urânio altamente enriquecido esteja enterrado no subsolo.

Trump já reconheceu anteriormente os riscos envolvidos em recuperar o urânio pela força e afirmou, em entrevista à Fox News em maio, duvidar que os iranianos conseguissem acessar e retirar o material enterrado sem serem detectados pela inteligência americana.

"Sabemos exatamente o que está acontecendo", disse Trump ao apresentador Sean Hannity sobre o local. "Ninguém sequer chegou perto dele."

Mas, ao discutir publicamente o urânio como possível alvo, observam duas das fontes, o presidente pode ter dado ao Irã um incentivo para reforçar a proteção de seus ativos.

Agora, mesmo que o acordo entre Teerã e Washington seja assinado na próxima semana, são esperadas negociações técnicas adicionais para definir os detalhes do futuro programa nuclear iraniano.

A retirada do urânio do país provavelmente exigiria o envio de uma instalação móvel especializada em processamento de urânio, vinculada à Administração Nacional de Segurança Nuclear e sediada no Laboratório Nacional de Oak Ridge, no Tennessee. A CNN informou anteriormente que os principais negociadores americanos, Jared Kushner e Steve Witkoff, visitaram o laboratório neste mês.

Mas mesmo os maiores especialistas do mundo em remoção de material nuclear precisariam de um tempo considerável para concluir a tarefa. Trump afirmou a jornalistas neste mês que a operação levaria pelo menos duas semanas para ser concluída.

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