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quinta-feira, 16 de julho de 2020

Missão Orbiter envia fotos inéditas de 'fogueiras' do Sol após superar dificuldades operacionais da Nasa na quarentena

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Cientistas dizem que captaram imagens mais próximas do Sol até o momento. 
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Por G1*  
16/07/2020 15h28  Atualizado há uma hora
Postado em 16 de julho de 2020 às 16h35m

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Setas brancas indicam 'fogueiras' solares captadas por sonda Orbiter, da Nasa — Foto: NasaSetas brancas indicam 'fogueiras' solares captadas por sonda Orbiter, da Nasa — Foto: Nasa

Com uma semana de pausa total e uma equipe em home office, a agência espacial americana (Nasa) precisou superar as dificuldades para manter a missão Orbiter em pé. Enviada em fevereiro de 2020, a viagem até o Sol conseguiu capturar imagens inéditas da estrela do nosso sistema. As 'fogueiras' solares, que ainda precisam ser pesquisadas para saber a origem e mecanismo, foram captadas pelos instrumentos da sonda.
"A pandemia exigiu que algumas operações fossem realizadas de forma remota. É a primeira vez que fizemos isso", disse Russel Howard, pesquisador da missão.

A equipe se adaptou e a sonda conseguiu chegar até o Sol de acordo com o cronograma previsto. Os 10 instrumentos da sonda conseguiram tirar as fotos mais próximas até o momento. Outras naves chegaram a se aproximar mais da estrela, mas nenhuma fizeram imagens tão perto, de acordo com a Nasa.

Entre esses 10 instrumentos na Orbiter, seis são de imagem - e cada um deles estuda um aspecto diferente do Sol. As primeiras fotografias geralmente servem para saber se tudo está funcionando, mas os pesquisadores dizem estar surpresos com os níveis de detalhe já captados.
"Estas imagens sem precedentes do Sol são as mais próximas que já conseguimos", disse Holly Gilbert, cientista da Nasa. "Elas são surpreendentes e ajudarão os cientistas a reunirem as camadas atmosféricas do Sol. Isso é importante para entender como ele conduz o clima espacial próximo à Terra e em todo o sistema solar".

O cientista David Berghmans, de Bruxelas, é um dos principais astrofísicos da missão. Ele encontrou "fogueiras" solares nas imagens produzidas na sonda.

"As fogueiras são parentes das explosões solares e são pelo menos um milhão e até um bilhão de vezes menores", disse. "Ao olhar para as novas imagens de alta resolução, elas [as fogueiras] estão literalmente em todos os lugares que olhamos".
Imagens feitas pela missão Orbiter, com destaque às 'fogueiras' solares — Foto: Nasa

Os cientistas ainda precisam investigar a formação dessas fogueiras e se elas já foram observadas por outras naves espaciais. É possível que elas sejam mini-explosões conhecidas como nanoflares, faíscas minúsculas que ajudam a aquecer a atmosfera externa do Sol.

"Estamos aguardando ansiosamente pelo novo conjunto de dados", disse o pesquisador francês Frédéric Auchère, parte da Orbiter. "A esperança é detectar os nanoflares com certeza e quantificar seu papel no aquecimento do Sol".

A missão

Lançamento da Sonda Solar Orbiter em 9 de fevereiro de 2020 — Foto: Handout / NASA / AFPLançamento da Sonda Solar Orbiter em 9 de fevereiro de 2020 — Foto: Handout / NASA / AFP
Lançada em 9 de fevereiro de 2020, a missão solar Orbiter pretende explorar os ventos solares - um fenômeno carregado de partículas potencialmente perigosas para as telecomunicações - e capturar imagens inéditas da estrela (o que já começou a acontecer).

A sonda é uma parceria da Agência Espacial Europeia (ESA) com a Nasa. Ela precisou passar pelas órbitas de Vênus e Mercúrio e tem uma velocidade máxima de 245.000 km/h, podendo se aproximar até 42 milhões de quilômetros do Sol (um terço da distância da Terra).

A Orbiter é protegida por uma blindagem térmica, já que é exposta a temperaturas que podem chegar a 600°C. "Quando se aproxima do Sol, não existem problemas de energia, mas há um problema de temperatura", disse Ian Walters, chefe do projeto da Airbus, que construiu o dispositivo.

Meteorologia espacial

A missão pretende mostrar também pela primeira vez os polos solares. Quatro instrumentos de medição permitirão sondar o entorno do sol. O principal objetivo da missão é "compreender como o Sol cria e controla a heliosfera", a bolha magnética que circunda todo o sistema solar, resume Anne Pacros, gerente de missão pela ESA.

Essa bolha é impregnada de um fluxo ininterrupto de partículas chamado vento solar. Às vezes, os ventos solares são perturbados por erupções que lançam partículas carregadas que se propagam no espaço. Essas tempestades, difíceis de prever, têm um impacto direto na Terra: quando atingem a magnetosfera, causam as belas e inofensivas auroras polares. Mas o impacto também pode ser mais perigoso.

A maior tempestade solar conhecida é o "evento Carrington", ocorrida em 1985. O fenômeno destruiu a rede de telégrafos nos Estados Unidos, causou choques elétricos a vários agentes, queimou papel nas estações e a aurora boreal ficou visível de latitudes sem precedentes, até América Central.

*com informações da RFI
Vídeo da Nasa condensa uma década de imagens tiradas do Sol em 61 min; trecho
Vídeo da Nasa condensa uma década de imagens tiradas do Sol em 61 min; trecho

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Meteoro brilhante é visto no Sertão de Pernambuco e especialistas explicam fenômeno

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Fenômeno surgiu entre Carnaíba, em PE, e Princesa Isabel, na PB. Grande bólido também foi visto no Ceará e na Bahia. Doutor em astrofísica explicou ao G1 que o objeto não apresenta risco.  
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Por Joalline Nascimento, G1 Caruaru  
16/07/2020 11h05 Atualizado há 50 minutos
Postado em 16 de julho de 2020 às 1200m

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Meteoro brilhante foi visto no Sertão de Pernambuco na noite da quarta-feira (15) — Foto: Atel Telecom/Clima Ao VivoMeteoro brilhante foi visto no Sertão de Pernambuco na noite da quarta-feira (15) — Foto: Atel Telecom/Clima Ao Vivo

Um grande bólido, um meteoro brilhante que explode na atmosfera, foi visto na noite da quarta-feira (15) no céu do Sertão de Pernambuco, a cerca de 400 km de Recife, capital do estado. De acordo com a Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (Bramon), o fenômeno ocorreu às 18h59 (horário de Brasília).

Ainda segundo a Bramon, o meteoro surgiu entre Carnaíba e Princesa Isabel, no Sertão de Pernambuco e da Paraíba, respectivamente. Conforme análise, o bólido seguiu na direção sudeste e desapareceu no céu na região sul de Arcoverde, também no Sertão pernambucano. O fenômeno ainda foi visto no Ceará e na Bahia.

"O objeto, o clarão que foi visto, foi com certeza um meteoro. Quando ele é muito brilhante, nós também chamamos de bólido. Esse tipo de fenômeno se forma quando um fragmento de rocha espacial atinge a atmosfera da Terra em uma velocidade muito elevada. Devido à essa alta velocidade, o gás atmosférico na frente dessa rocha acaba aquecendo e esse aquecimento gera o brilho que a gente vê e também faz com que esse fragmento de rocha acabe se vaporizando", detalhou o diretor técnico da Bramon, Marcelo Zurita.

A estudante Jaciara Costa mora no sítio Santa Tereza, em Matureia, no Sertão da Paraíba. Ela viu o momento no qual o meteoro passou no céu. "Eu estava na calçada e vi um clarão no céu, uma bola de fogo. Em seguida, escutei um barulho. Se não observasse direito, parecia um avião caindo. Foi bem rápido", relatou ao G1.
Diretor técnico da Bramon fala sobre meteoro visto no Sertão de Pernambuco
Diretor técnico da Bramon fala sobre meteoro visto no Sertão de Pernambuco

O meteoro foi registrado por pelo menos sete câmeras do portal Clima Ao Vivo. Até a publicação desta matéria, a Bramon ainda não tinha a definição da órbita do fenômeno, bem como estimativas de tamanho e massa. As pesquisas devem ser retomadas nesta quinta (16), conforme Marcelo Zurita informou ao G1.

"No caso de ontem, a gente ainda não calculou o tamanho e a massa, mas acreditamos que tenha sido um pedaço de rocha de meio metro. E, pelas imagens, a gente acredita que alguns fragmentos dessa rocha tenham resistido à passagem atmosférica, chegando ao solo. Esses fragmentos nós chamamos de meteorito", detalhou o diretor técnico da Bramon.
O funcionário público Antônio Carlos mora em Sertânia, no Sertão de Pernambuco, a 87 km de Carnaíba, onde o meteoro surgiu. No momento no qual o bólido passou no céu, Antônio estava na casa dos pais, na zona rural. "Nós tivemos a impressão de que era um avião passando, porque não vimos o clarão, mas ouvimos o barulho. Depois pensamos que era um trovão, mas aí veio a explosão", contou.

Conforme o funcionário público informou ao G1, "o barulho da explosão foi fora do normal, maior que um trovão". "Meu pai ficou procurando para ver se alguma coisa tinha caído. Descobri por meio das redes sociais que tinha sido um meteoro", pontuou Antônio.

Marcelo Zurita ainda informou que a Bramon ainda está trabalhando na análise do vídeo para obter mais detalhes e saber quanto desse fragmento de rocha espacial foi preservado na queda. "É um trabalho que requer tempo", disse.
Grande bólido foi visto em vários municípios do Sertão pernambucano — Foto: Atel Telecom/Clima Ao VivoGrande bólido foi visto em vários municípios do Sertão pernambucano — Foto: Atel Telecom/Clima Ao Vivo

O fenômeno apresenta risco?


O G1 conversou por telefone com o mestre em astronomia, doutor em astrofísica e professor de astronomia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Thiago Signorini Gonçalves, que explicou o que é o fenômeno.

"Um bólido é um objeto particularmente brilhante, algo comparável com a lua cheia no céu. Esses objetos são bastante comuns, acontecem alguns milhares por ano, mas a gente nem sempre consegue detectar eles", afirmou.

"Nesse caso, acabou chamando muita atenção porque foi visto em algumas regiões, em várias cidades no Nordeste. Mas são coisas relativamente comuns, não representam qualquer risco. Qualquer meteoro que pudesse apresentar risco, seria detectado antes de chegar à Terra", explicou Thiago.
Professor de astronomia da UFRJ explicou fenômeno registrado no Sertão de PernambucoProfessor de astronomia da UFRJ explicou fenômeno registrado no Sertão de Pernambuco
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quarta-feira, 15 de julho de 2020

Ao menos 6 linhagens do coronavírus circularam no Brasil entre fevereiro e abril, diz Fiocruz

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Cientistas da fundação também identificaram a sub-linhagem principal de transmissão comunitária do vírus no país. 
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Por G1  
15/07/2020 15h32  Atualizado há 1 horas
Postado em 15 de julho de 2020 às 16h35m

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Foto de 1º de abril mostra placas de sinalização no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, depois que voos foram cancelados por causa da pandemia de Covid-19. — Foto: Pilar Olivares/ReutersFoto de 1º de abril mostra placas de sinalização no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, depois que voos foram cancelados por causa da pandemia de Covid-19. — Foto: Pilar Olivares/Reuters

Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificaram pelo menos 6 linhagens (cepas) do novo coronavírus (Sars-CoV-2) que circularam no Brasil entre fevereiro e abril, anunciou a fundação na terça-feira (14). Também foi identificada a principal sub-linhagem do vírus em circulação no país.
Os cientistas analisaram 95 genomas completos do Sars CoV-2 coletados em pacientes de 9 estados (Rio de Janeiro, Espírito Santo, Acre, Amapá, Pará, Alagoas, Bahia, Maranhão e Santa Catarina) e no Distrito Federal, e acharam as 6 linhagens (A.2, B.1, B.1.1, B.2.1, B.2.2 e B.6).

O fato de haver diferentes "tipos" em circulação não implica em possibilidade de reinfecção por pessoas já afetadas por outra cepa. O vírus sofre mudanças mas, em essência, mantém nas diferentes linhagens suas características principais. As mutações são comuns em todos os vírus.

Os resultados do estudo da Fiocruz ainda estão sendo avaliados para publicação em revistas científicas (ainda não passou pela revisão de outros especialistas).
Micrografia eletrônica de uma célula infectada por partículas do SARS-CoV-2 (amarelo). A área preta é espaço extracelular entre as células. — Foto: Integrated Research Facility (IRF)/NIAIDMicrografia eletrônica de uma célula infectada por partículas do SARS-CoV-2 (amarelo). A área preta é espaço extracelular entre as células. — Foto: Integrated Research Facility (IRF)/NIAID

Origem europeia
A pesquisa aponta para uma possível sub-linhagem europeia do vírus que, chegando ao Brasil, sofreu mutações e deu origem ao subtipo brasileiro responsável pela maior parte das transmissões comunitárias.

O mais provável, segundo os cientistas, é que essa "versão" europeia tenha chegado ao Brasil antes do dia 2 de fevereiro. Em solo brasileiro, o vírus sofreu duas mutações, em sequência, que deram origem ao subtipo que se tornou mais frequente nas transmissões locais. O primeiro caso de Covid-19 no Brasil foi confirmado no dia 26 do mesmo mês.

Outra possibilidade, remota, é de que o vírus tenha sofrido uma primeira mutação ainda na Europa, antes de chegar ao Brasil, e só depois tenha passado pela segunda. O que torna isto improvável, entretanto, é que há pouca prevalência do vírus na Europa com a primeira mutação apontada pela pesquisa.

A sub-linhagem B.1.1 brasileira (B.1.1.BR) foi a única encontrada em 18 pessoas que não tinham feito viagem internacional recente. Foi assim que os pesquisadores concluíram que este subtipo é, provavelmente, o responsável pela maior parte da transmissão comunitária do vírus no país.

Além disso, essa sub-classificação também pode ter sido exportada para países vizinhos e outros, mais distantes, antes que restrições aéreas fossem implementadas no Brasil.

Outro estudo brasileiro
Em 13 de junho, um esforço colaborativo entre Brasil e Reino Unido divulgou o resultado do sequenciamento de 427 genomas completos do Sars CoV-2 encontrados no Brasil. Destes, 102 foram detectados como cepas iniciais, ou seja, mais de 100 linhagens que entraram no país logo no começo da pandemia.

Neste estudo, os pesquisadores apontaram que apenas três linhagens conseguiram se espalhar, apontando que o isolamento social pode ter ajudado a reduzir a diversidade das cepas com maior circulação.

Ester Sabino, uma das autoras, explicou ao G1 na época que as três cepas do começo - sequências genéticas diferentes do novo coronavírus - que conseguiram se espalhar pelo Brasil foram transmitidas antes da confirmação do primeiro caso. Sem medidas de isolamento implementadas, como o fechamento das escolas e do tráfego aéreo, a transmissão delas foi mais fácil.

Pesquisa mostra o efeito do coronavírus sobre os jovens brasileirosPesquisa mostra o efeito do coronavírus sobre os jovens brasileiros


Pesquisadores baianos estudam o agravamento do coronavírus em pessoas com obesidadePesquisadores baianos estudam o agravamento do coronavírus em pessoas com obesidade

CORONAVÍRUS

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Cientistas identificam anticorpos capazes de bloquear infecção pela Covid-19

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Anticorpos diminuíram inflamação nos pulmões de camundongos e protegeram macacos da infecção. Estudo foi divulgado na revista científica 'Nature', uma das mais importantes do mundo. 
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Por G1  
15/07/2020 09h10  Atualizado há 2 horas
Postado em 15 de julho de 2020 às 11h15m

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Foto microscópica mostra célula humana sendo infectada pelo Sars Cov-2, o novo coronavírus — Foto: NIAID via NasaFoto microscópica mostra célula humana sendo infectada pelo Sars Cov-2, o novo coronavírus — Foto: NIAID via Nasa

Cientistas de universidades nos Estados Unidos e na Alemanha identificaram dois anticorpos potentes em bloquear a infecção pela Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, que agem impedindo que o vírus se conecte às células humanas e entre nelas.

A pesquisa com a descoberta foi divulgada nesta quarta-feira (15) na revista científica "Nature", uma das mais importantes do mundo.

Os anticorpos (COV2-2196 e COV2-2381) foram capazes de reduzir a inflamação no pulmão, a carga viral e a perda de peso de camundongos infectados pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2). Em macacos-rhesus, o uso de cada um dos anticorpos protegeu os animais de serem contaminados pelo vírus.
"Juntos, esses resultados sugerem que os anticorpos, sozinhos ou em combinação, são candidatos promissores para a prevenção ou o tratamento da Covid-19", dizem os pesquisadores no estudo.

Eles destacam, entretanto, que a atuação conjunta dos dois anticorpos em conjunto deve ser considerada para o desenvolvimento de técnicas contra o coronavírus. Isso por causa de possíveis mutações: mesmo que o vírus "mude" em determinado lugar, ele continuaa sendo atacado por outro anticorpo.
"Eles testaram tanto de forma profilática [preventiva] e terapêutica [para tratamento]. Quando se usa um anticorpo como terapia, é interessante que você use dois anticorpos diferentes combinados, para evitar mutações de escape que possam acontecer no vírus – e a mesma coisa para vacinas", explica a microbiologista Natália Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência.

A pesquisadora lembra, entretanto, que o novo coronavírus não tende a sofrer muitas mutações.

O biológo Julio Lorenzi, que pesquisa o vírus HIV e agora estuda a resposta imune à Covid-19 na Universidade Rockefeller, em Nova York, concorda que o uso de ambos os anticorpos ajuda a atacar diferentes pontos do vírus.
Ele avalia que a pesquisa é interessante porque conseguiu demonstrar a eficiência dos anticorpos em animais – tanto para a prevenção da doença quanto para melhorar os danos causados por ela.

Ele explica, entretanto, que esse tipo de intervenção é diferente de uma vacina. "Os anticorpos da vacina não são dessa classe. Esses funcionaram para tratamento e prevenção – para bloquear o vírus. Com a vacina, você induz a produção de anticorpos", diz.

Para Lorenzi, todos os mecanismos de combate à Covid-19 são importantes, mas ele pondera que a busca da vacina pode ser mais relevante do que os testes com anticorpos – inclusive porque a imunização pode ajudar milhares de pessoas.

"A questão é por quanto tempo você vai ter os anticorpos circulando. A vacina induz a produção de anticorpos por muito tempo", explica.
Pesquisadores brasileiros desenvolvem tecido contra coronavírus
Pesquisadores brasileiros desenvolvem tecido contra coronavírus

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