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Em um ano, o coronavírus mostrou causar muito mais do que uma doença respiratória: ele afeta diferentes partes do corpo por uma mistura de ataque direto a células, alterações na circulação de sangue e uma reação inflamatória exagerada.
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Por Mariana Alvim, BBC
09/01/2021 08h18 Atualizado há um dia
Postado em 10 de janeiro de 2021 às 09h20m

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Principais alvos da Covid-19 são o pulmão e as vias respiratórias, mas
vírus tem surpreendido por seu variado ataque, do cérebro aos rins —
Foto: Getty Images via BBC
Embora ainda haja muitas perguntas em aberto sobre o coronavírus que
parou o mundo há quase um ano, cientistas conseguiram neste período
correr contra o tempo e trazer muitas respostas sobre a nova doença —
algumas delas surpreendentes.
Por exemplo, a de que a Covid-19, descrita desde o início como uma doença respiratória, não ataca apenas os pulmões.
Conforme o coronavírus foi se espalhando pelo mundo e adoecendo mais pessoas — até aqui, infectando pelo menos 88 milhões no planeta —, médicos e pesquisadores começaram a constatar que órgãos tão diferentes como coração, cérebro e rins também podiam ser afetados, às vezes fatalmente, pelo coronavírus.
O patógeno também já causou problemas em dedo dos pés, foi detectado no
testículo e ainda nas lágrimas de pacientes — mas é importante lembrar
que ser encontrado em uma parte do corpo ou no ambiente não
necessariamente significa adoecimento ou transmissibilidade.
Em relação aos chamados órgãos vitais, porém, a doença tem gerado
incógnitas, pesquisas científicas e, em alguns casos, grande
preocupação. Por isso, a BBC News Brasil procurou artigos científicos e
pesquisadores brasileiros para responder o que se sabe até aqui sobre as
consequências da Covid-19 em cinco órgãos fundamentais para a nossa
sobrevivência: pulmões, coração, rins, fígado e cérebro.
Vale lembrar que a definição de quais são os órgãos vitais é variada,
mas de acordo com os entrevistados, estes cinco estão mais perto de um
consenso de serem fundamentais para a continuidade da vida e
insubstituíveis, considerando as intervenções médicas existentes.
1. Pulmões
Falta de ar é sinal de que pulmão foi afetado, explica pesquisadora — Foto: Getty Images via BBC Apesar de afetar outras partes do corpo, ainda são "as vias respiratórias e os pulmões"
os principais alvos da Covid-19, lembra a pesquisadora Marisa
Dolhnikoff, professora associada da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (FMUSP) e coordenadora dos Estudos em Autópsia
da Covid-19 no Hospital das Clínicas da faculdade.
Tudo começa quando uma pessoa sadia entra em contato com gotículas do
vírus, como através da tosse ou espirro de alguém infectado, ou ainda
por meio do contato com uma superfície contaminada com essas partículas.
A partir daí, o vírus começa a "hackear" as células das vias
respiratórias (canais que conduzem o ar aos pulmões, como o nariz e a
traqueia) e dos pulmões, transformando-as em fábricas de coronavírus que
se espalham por mais células.
Tosse, coriza e espirros podem surgir por conta do ataque às vias respiratórias.
Esses sintomas também podem ser reflexo do acometimento dos pulmões —
mas, segundo Dolhnikoff, o sinal mais claro de que este órgão vital foi
afetado é a falta de ar.
Um estudo publicado em junho na revista científica Lancet, com dados de 257 pacientes em Nova York (EUA), mostrou que a falta de ar foi o sintoma mais frequente na entrada no hospital, registrado em 74% dos infectados, seguido por febre (71%) e tosse (66%).
Ainda segundo a pesquisadora da USP, um outro sinal importante vem das tomografias — quando elas mostram mais de 50% da área dos pulmões acometida pelo coronavírus,
este é um indicador de gravidade e de insuficiência respiratória, que
demanda suporte como a ventilação mecânica. Ambos pulmões costumam ser
afetados juntos.
Tanto nas vias respiratórias quanto nos pulmões, o coronavírus encontra
um facilitador — células contendo receptores da proteína ECA-2, uma
espécie de chave que permite o início da infecção.
"Nos
casos mais graves, há também infecção dos alvéolos, estruturas
responsáveis pela troca gasosa nos pulmões — a captação de O2 do ar para
o sangue, e liberação de CO2", explicou por e-mail à BBC News Brasil a
pesquisadora.
É por isso que os pulmões são vitais — eles nos dão, literalmente, o ar que respiramos.
O órgão absorve o oxigênio externo e o distribui para todo o corpo
através do sangue e, na via contrária, recolhe o gás carbônico
dispensado após vários processos dentro do corpo.
"Quando infectadas, as células dos alvéolos sofrem alterações
importantes que levam à sua morte, desencadeando um processo de
inflamação e edema pulmonar (excesso de líquido) que impedem as trocas
gasosas, culminando com a insuficiência respiratória", completa
Dolhnikoff, cuja equipe no Hospital das Clínicas está realizando desde o
início da pandemia um método inovador de autópsias minimamente
invasivas, de forma a evitar o contágio no contato com corpos, para fins
de pesquisa.

Entenda como a Covid-19 pode afetar outros órgãos, além dos pulmões
Além da infecção das células das vias respiratórias e dos alvéolos, em
uma segunda frente, os vasos sanguíneos também são atacados. Isso leva
ao aumento da coagulação e à formação de trombos (conjunto de sangue
coagulado), que dificultam a passagem de sangue nos alvéolos. Com isso,
as trocas gasosas são mais uma vez comprometidas.
Ainda no início da pandemia, em abril, a equipe que está trabalhando
com autópsias na USP publicou no periódico científico Journal of
Thrombosis and Haemostasis os resultados destas análises em dez
pacientes, demonstrando alvéolos amplamente danificados e pequenos
trombos no pulmão — cuja formação devido à Covid-19 era pouco conhecida
naquele momento.
Quando o quadro pulmonar é muito grave, incluindo um conjunto de
indicadores como a insuficiência respiratória e a inflamação sistêmica,
ele pode configurar a síndrome do desconforto respiratório aguda (ARDS,
na sigla em inglês).
2. Coração
Se os pulmões realizam as trocas gasosas, é o coração que bombeia o sangue com oxigênio para o corpo e que volta para os pulmões com sangue repleto de gás carbônico.
E, nos quadros mais graves, este órgão muscular e vital é significativamente afetado — podendo levar a óbito.
Um estudo de referência, publicado em fevereiro de 2020 com dados de
138 pacientes hospitalizados em Wuhan, mostrou que 16,7% deles
desenvolveram arritmia e 7,2% lesão cardíaca aguda — ou seja, dois
problemas de saúde atingindo o coração. Aqueles que precisaram ir para
uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) apresentaram estes quadros com
mais frequência.
"Na Covid-19, o coração pode ser atingido em até 40% dos casos graves",
aponta Marisa Dolhnikoff, acrescentando outras consequências da
covid-19 no coração como a miocardite (inflamação no coração), tromboses
arteriais e infarto do miocárdio.
"Pessoas
com comorbidades — diabetes, hipertensão, obesidade e cardiopatias
prévias — têm maior risco de manifestação cardíaca na Covid-19."
Estudos de várias partes do mundo mostram problemas no coração como uma
das comorbidades mais comuns entre pacientes graves infectados — um
boletim do Ministério da Saúde de dezembro revelou que, no Brasil, as
cardiopatias (doenças no coração) foram o fator de risco mais frequente
entre pessoas que morreram por covid-19 no país, seguidas por diabetes.
Dolhnikoff explica que as células cardíacas também têm receptores da proteína ECA-2, ativadas no ataque direto do vírus ao órgão.
Mas o órgão pode ser afetado também pela inflamação sistêmica, reação
exagerada do corpo que leva a diversas alterações prejudiciais como a
baixa de oxigênio e à chamada tempestade de citocinas — substâncias
agressivas que o sistema imunológico libera para atacar um invasor, mas
que, em excesso, podem acabar atacando partes vitais para nossa
sobrevivência, como o coração.
A partir da autópsia e de exames referentes ao caso de uma menina de 11
anos que perdeu a vida para a Covid-19, Dolhnikoff e sua equipe
conseguiram demonstrar o ataque do vírus a diversas células do coração,
nas quais foram encontradas partículas do vírus. A resposta inflamatória agravou o problema, levando à falência cardíaca e morte.
O pulmão da criança também foi afetado, mas os cientistas identificaram o coração como o órgão mais comprometido pelo vírus
Os resultados foram publicados no periódico internacional Lancet Child & Adolescent Health.
3. Rins
Assim como acontece com o coração, quando os rins são afetados pela Covid-19, o nível de alerta é aumentado.
"A lesão renal é incremental, compõe o quadro de um doente mais
complexo. São doentes muito graves. Quando a doença é avassaladora, ela é
avassaladora", resume o nefrologista José Suassuna, chefe do Setor de
Nefrologia do Hospital Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio
de Janeiro (Hupe/Uerj).
Os rins são vitais por regularem a concentração de água no sangue e por eliminarem detritos tóxicos do corpo.
No artigo publicado no periódico Lancet envolvendo 257 pacientes em
Nova York, 31% desenvolveram lesões agudas neste órgão e precisaram das
chamadas terapias de substituição renal, que incluem intervenções como a
hemodiálise — este procedimento, em linhas gerais, substitui o órgão no
trabalho de filtrar o sangue.
Neste grupo nos Estados Unidos, 14% já tinham alguma doença crônica afetando os rins antes da Covid-19.
"Grupos de risco como obesos, diabéticos, pessoas com doenças
cardiovasculares e idosos muitas vezes já têm algum grau de
comprometimento renal — então, quando infectados pelo coronavírus, não
partem do 0. Eles já estão na metade do caminho e caminham mais
rapidamente para a insuficiência renal aguda e para a necessidade de
suporte", explica Suassuna, destacando porém que há casos em que o
paciente não tem fatores de risco mas tem os rins comprometidos.
De acordo com o nefrologista, os rins também têm receptores ECA-2, mas
as evidências até agora indicam que possivelmente não é este ataque
direto do vírus ao órgão o principal motivo de acometimento dos rins.
Mais uma vez, a inflamação exacerbada do corpo ao coronavírus parece ter um papel importante.
Uma evidência disso é a conexão entre os pulmões e o rins, a chamada cross talk entre os órgãos.
"É uma ligação cruzada, a situação em que o acometimento de um órgão
determina o de outro. Na covid-19, isso tem se mostrando entre rins e
pulmões, assim como pulmões e coração. O envolvimento pulmonar mais
grave se associa a um risco muito maior para os rins. Há uma associação
grande entre entubar e a insuficiência renal", aponta Suassuna,
explicando que quando há esta insuficiência nos rins, o paciente deixa
de urinar, precisando de suporte.
Além
disso, outra explicação para o acometimento simultâneo de vários órgãos
na fase mais avançada da infecção é a baixa oxigenação.
"A Covid-19 nos deixa com uma oxigenação como se estivéssemos subindo o
Himalaia, mesmo estando a nível do mar. Uma parte funcional do rim, que
ajuda a produzir a urina, já vive como se estivesse no Everest — no que
a gente chama de hipoxia, uma oxigenação muito baixa", diz o médico,
também professor da UERJ.
"O rim é um órgão muito sensível às quedas de oxigenação prolongadas porque já vive na beira do precipício. E à piora da oxigenação se soma a tempestade de citocinas, um mecanismo importante da disseminação do dano da covid do pulmão para o resto do corpo."
Apesar de seu adoecimento ser um indicador de gravidade, os rins também
podem ser afetados em casos mais leves, explica Suassuna. Entretanto,
talvez isso nunca se manifeste em sintomas, mas apenas exames
específicos de urina e de alteração da função renal.
"Os rins, em qualquer doença, sofrem em silêncio — e Covid-19 não é uma exceção",
explica Suassuna, acrescentando que esse órgão é afetado
bilateralmente, ou seja, adoece tanto do lado esquerdo quando direito.
"Não tem grande manifestação de sintomas, a maior parte dos sinais só
aparece no laboratório. Temos pacientes iniciando diálise que não sentem
nada, apenas quando já têm menos 10% da função renal. De repente, param
de urinar."
4. Fígado
Exames também já detectaram, em alguns pacientes, alterações no fígado —
que tem entre suas funções eliminar toxinas do corpo, regular o açúcar
no sangue e ajudar na digestão de gorduras.
Entretanto, diferente de outros órgãos, tais alterações não necessariamente significam o adoecimento do órgão.
"As enzimas hepáticas (substâncias produzidas pelo órgão) estão
elevadas em cerca de 15 a 60% dos casos de COVID-19, o que sugere
acometimento do fígado. Porém, estas alterações das enzimas em geral não provocam sintomas",
explica o hepatologista Edmundo Lopes, médico do Hospital das Clínicas e
professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
"Apesar destes distintos mecanismos de agressão ao fígado durante a
Covid-19, ele não é comumente nem intensamente comprometido, como ocorre
com outros órgãos, como os pulmões, o coração e os rins", diz. "As
explicações para esta 'menor' agressão ao fígado ainda não estão bem
elucidadas."
Os distintos mecanismos de agressão mencionados por Lopes passam, mais
uma vez, pelos efeitos da inflamatória sistêmica no corpo e também, no
caso desse órgão responsável por lidar com substâncias potencialmente
tóxicas, por eventuais danos provocados pelos medicamentos usados contra
a Covid-19.
A
ação direta do vírus sobre o órgão também é uma possibilidade, até
porque as células hepáticas chamadas de colangiócitos têm receptores
ECA-2. Entretanto, segundo o professor da UFPE, essa via direta "nunca
foi muito bem demonstrada" na ciência.
"As evidências sugerem que o processo inflamatório (tempestade de
citocinas) parece ter um papel relevante na agressão ao fígado, já que
os pacientes mais graves e que apresentam maiores indícios de atividade
inflamatória nos exames laboratoriais são os que apresentam mais
frequentemente e mais intensamente alterações das enzimas hepática",
escreveu o hepatologista por e-mail à BBC News Brasil.
5. Cérebro
Covid-19 leve tem deixado efeitos neurológicos como maior ansiedade e
cansaço e, nos casos graves, derrame e convulsões — Foto: Getty Images
via BBC Se tem um órgão que os entrevistados dizem estar rodeado de incógnitas sobre seu acometimento pela Covid-19, é o cérebro.
Fato é que diversos estudos e relatos de casos já mostraram que ele pode ser afetado, dos quadros leves aos graves.
A pesquisadora Clarissa Yasuda, médica e professora do departamento de
neurologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que o diga:
ela mesma teve Covid-19 em agosto e conta ainda sentir consequências relacionadas ao cérebro, como sono, fadiga e alterações na memória.
Ela e colegas publicaram em outubro um estudo em estágio pré-print (sem
a chamada revisão dos pares, etapa padrão em que outros especialistas
analisam um estudo e decidem se ele será publicado ou não em uma revista
científica) com dados sobre 81 pessoas que tiveram Covid-19 leve e se
recuperaram.
Esses voluntários foram submetidos a exames de ressonância magnética,
que detectaram alterações no córtex, a parte mais externa do cérebro e
fundamental para processos envolvendo a memória, linguagem, entre
outros.
Questionários e testes cognitivos também mostraram que, em média 60
dias após o diagnóstico da covid-19, os pacientes ainda apresentavam dor
de cabeça (40%), fadiga (40%), alteração de memória (30%), ansiedade
(28%), depressão (20%), perda de olfato (28%) e paladar (16%), entre
outros.
Aliás, Yasuda lembra que a perda destes sentidos é considerada pelos
especialistas um sintoma neurológico — precisamos do cérebro para sentir
gostos e cheiros.
"Acho que não estava na conta de ninguém imaginar que pessoas que não
foram internadas, que seriam quadros 'leves', pudessem ficar com uma
gama de alterações neurológicas incapacitantes, como observamos não só
aqui mas no mundo inteiro", diz a neurologista, fazendo a ressalva de
que o grupo de voluntários estudados foi formado por pessoas que já
estavam relatando sintomas neurológicos, então há uma inclinação de que
estes sejam mais frequentemente registrados do que se o estudo
envolvesse uma população mais ampla.
"Além desses casos leves (que estão mostrando consequências
prolongadas), há o grupo de alterações neurológicas por Covid-19 que
surgem na fase aguda e que podem ser bem graves — como derrame, encefalite, convulsão e redução do nível de consciência.
Em alguns casos, os derrames aumentam a chance de AVC (acidente
vascular cerebral). Não sabemos se estes efeitos serão transitórios ou
se deixarão sequelas."
Parte da equipe que está trabalhando com autópsias no Hospital das
Clínicas da FMUSP, o médico Amaro Nunes Duarte Neto relata que uma
alteração muito comum observada nos cérebros de pessoas que morreram
após a infecção pelo coronavírus é a lesão dos neurônios.
"São
lesões cerebrais decorrentes da hipóxia (oxigenação diminuída) pelo
acometimento pulmonar grave na covid-19, não atribuídas diretamente ao
vírus", explicou por e-mail o pesquisador.
Isto porque, como em outros órgãos, os efeitos da Covid-19 não
necessariamente ocorrem devido ao ataque direto do coronavírus, mas sim
pelas consequências da resposta inflamatória do corpo e de alterações na
circulação do sangue, entre outros.
Por exemplo, Duarte Neto relata também a observação, nas autópsias, de
microsangramentos nos vasos que irrigam o órgão, além da hipertrofia dos
astrócitos — células em torno dos vasos cerebrais e que dão suporte
fundamental para os neurônios.
Na publicação em pré-print da qual Yasuda foi uma das autoras, a equipe
demonstrou que os astrócitos foram o principal alvo do coronavírus no
cérebro. Isto também a partir de 26 autópsias minimamente invasivas,
realizadas por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
da USP.
Mesmo
que nem todo efeito neurológico do coronavírus seja atribuído ao seu
ataque direto, os pesquisadores entrevistados dizem que há sinais de que
o patógeno chega até o cérebro através do nariz, pelo mesmo caminho que
um aroma "faz" para chegar até lá.
Ainda assim, "o conhecimento sobre o mecanismo de lesão do vírus
Sars-CoV-2 no sistema nervoso central ainda é pouco esclarecido", diz o
pesquisador da USP.
A professora Clarissa Yasuda concorda.
"É muita coisa que a gente não sabe, muita coisa para ser estudada: o
quanto desses quadros neurológicos tem um componente inflamatório, o
quanto é autoimune, o quanto é um ataque direto do vírus. Ninguém tem
uma resposta, mas acho que é uma combinação disso tudo."
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