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sábado, 16 de junho de 2018

Perdido em Marte

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Por Cassio Barbosa, G1 








Há em Marte, hoje, uma quantidade admirável de naves e jipes a estudar o planeta. Do espaço, são 5 satélites, três da NASA, um europeu e uma nave da Índia. Em solo, são dois jipes da NASA: o Curiosity e o Opportunity.

O Curiosity pousou em 2012 e carrega um verdadeiro laboratório de análise fisico-química de dar inveja a muitos laboratórios da Terra. No post da semana passada eu falei de alguns dos resultados mais importantes destes quase 6 anos de atividades. Já o Opportunity está na superfície de Marte desde 2004.

O Opportunity, chamado carinhosamente de Oppy, pousou em janeiro de 2004 junto com seu irmão gêmeo Spirit. Ambos são bem menores e mais simples do que o Curiosity, mas fizeram muitas pesquisas importantes que abriram o caminho para as experiências mais complexas do jipe mais moderno. Ambos os jipinhos foram projetados para durar 90 dias macianos, chamados de sóis. Um sol equivale a um pouco mais do que um dia terrestre. Todavia, ambos duraram mais muito mais que isso.

O Spirit parou de funcionar em 2010 ao ficar atolado em uma camada de areia mais fofa. Nessa situação ele foi transformado em uma base permanente de pesquisas, após ter percorrido 7,7 km, mas sua posição era desfavorável para receber luz solar. Com isso suas baterias recebiam menos energia do que o necessário para manter seu sistema de aquecimento interno, situação que se agravou no inverno. 

Nesse período, tanto a incidência de luz diminui, o que prejudica a recarga das baterias, quanto a demanda por eletricidade para os aquecedores internos funcionem aumenta. Resultado, os sistemas eletrônicos não suportaram as temperaturas abaixo dos 50 graus negativos e o Spirity silenciou definitivamente no inverno marciano de 2010.
Dois jipes da NASA estão estudando Marte hoje (Foto: NASA)
Todavia a situação com o Oppy é bem diferente. O jipe já dura 14 anos, plenamente funcional. Na verdade, uma das suas 6 rodas travou e não gira mais. Como é uma das rodas dianteiras, jipe então passou a andar de ré e simplesmente a arrasta pela superfície marciana. Com essa estratégia, o Oppy se tornou o veículo a percorrer a maior distância fora da Terra, num total de mais de 45 km.

Durante esse tempo todo o jipe passou por poucas e boas, enfrentando momentos em que seus painéis solares estavam tão cobertos de areia que não estavam dando conta de recarregar plenamente as baterias. Mas os próprios ventos marcianos se encarregaram de dar uma limpada neles, afastando o perigo de uma falha. Em outras vezes o jipe enfrentou tempestades de areia que diminuíram muito a incidência de luz sobre os painéis. Em 2007, durante uma severa tempestade de areia, ambos os jipes só funcionaram alguns minutos or dia, o suficiente para se comunicarem com a Terra, apenas. 

Agora o Oppy está enfrentendo outra tempestade em Marte e essa pode ser fatal.
Tempestades de areia em Marte são comuns, especialmente quando o planeta fica mais próximo do Sol. Essa em específico foi detectada pelos satélites em órbita de Marte no finzinho de maio e no dia 31 ela já aparecia nas imagens. De lá para cá ela só fez crescer e atingiu a posição onde está o Oppy uns 5 dias depois, como você pode ver nessa animação com imagens obtidas dos satélites.

Atualmente a tempestade já encobriu quase metade do planeta, inclusive o local onde opera o Curiosity a mais de 5 mil km de distância!

Esta tempestade de areia é talvez a mais intensa jamais vista. Os satélites em órbita, assim como o Curiosity em solo, têm um instrumento capaz de medir a opacidade da atmosfera, ou seja, a medida de quanto a atmosfera absorve a luz. Durante a grande tempestade que aconteceu em 2007, a medida da opacidade chegou em 5,5, no último domingo (10/06) a medida chegou a 10,8!
E aí o tempo fechou para o jipe, literalmente.

Essa outra imagem representa uma simulação de como o Oppy enxerga o Sol em sua posição conforme a tempestade foi se intensificando até atingir o valor observado no domingo. A quantidade de poeira levantada na tempestade é tão alta que ficou praticamente noite no local onde o jipe está. E pouca luz é problema.

O jipe não está recebendo energia suficente para uma plena recarga das baterias e desse modo o jipe precisou ser colocado em modo de proteção. Nesse modo, todas as atividades científicas estão suspensas e apenas o relógio interno está funcionando. O relógio está programado para acordar o computador de bordo periodicamente no horário que o Sol está mais alto no céu para checar o nível da bateria e mandar uma mensagem para a Terra. Se ele estiver abaixo do nível crítico, o computador volta a hibernar e a rotina se mantém até que as baterias estejam com carga suficiente para acordar o computador, mas também com carga para sustentar a eletrônica do jipe, principalmente os aquecedores.

Atualmente, o nível de insolação no sítio do jipe está no nível suficiente para manter o relógio interno funcionando apenas, mas se a tempestade se intensificar e ficar mais escuro, o relógio deixará de funcionar. Se isso acontecer, o computador perderá a noção do tempo e vai ligar de forma aleatória procurando saber se a quantidade de luz é suficiente para recarregar as baterias.

A falta dos aquecedores nem é tanto um problema, pois Marte está quase no verão e apesar de bloquear a luz do Sol, a tempestade de areia forma um cobertor cobrindo a superfície. O pouco de calor que atinge a superfície acaba retido pela capa de poeira e a temperatura acaba se mantendo em níveis elevados, comparativamente é claro.

A última vez que a NASA conseguiu contato com o Opportunity foi no domingo dia 10/06 e, baseado nos dados dos satélites, acredita que o jipe ainda tenha carga para manter o relógio interno funcionando e sabe também quais os horários que ele vai tentar se comunicar. Mas, por precaução, a rede de antenas da NASA foi colocada em prontidão para tentar ouvir o jipe a qualquer hora, caso o nível das baterias tenha caído abaixo do crítico.

Tristeza de uns, alegria de outros.
Enquanto a tempestade ameaça a sobrevivência do jipe Opportunity (o Curiosity funciona com baterias nucleares, então está a salvo) ela está fazendo a alegria de outros tantos cientistas. Essa é talvez a mais intensa tempestade jamais vista e pode durar até meses, mas justamente agora nunca houve tantos instrumentos em Marte para estudá-la. É uma oportunidade fantástica para se estudar a dinâmica da atmosfera e permitir melhorar os modelos que façam a previsão de novas tempestades no futuro. E isso será fundamental quando estivermos a ponto de colonizar Marte, como bem sabe o Matt Damon.
NASA 
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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Em clima de Copa do Mundo, más notícias sobre o aquecimento em relatório do IPCC vazado para a imprensa

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Por Amelia Gonzalez 





















Soldados do exército patrulham uma rua com decoração para a Copa do Mundo durante uma operação antidroga na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro (Foto: Ricardo Moraes/Reuters) 

A cidade, que andava tristonha, já está de cara nova. Vuvuzelas habitam sem cerimônia as portas das estações de Metrô mais movimentadas e, mesmo com o frio que pegou o carioca de surpresa (cariocas nunca se acostumam ao frio), há uma energia mais positiva nas feições, nas conversas. Caminhando hoje ali pelo Centro, pela Rua Sete de Setembro, nem mesmo o estreito caminho deixado pelas novas obras para consertar a calçada do VLT pareciam incomodar os transeuntes. É preciso estar atento para não ser atropelado pelo trem, que agora deixa aos pedestres pouco espaço. Mas, importante mesmo, hoje, é combinar de se encontrar para assistir ao jogo de domingo. Os cariocas precisavam desse alento.

Nos sites e jornais, ao lado de notícias tão grosseiras e desalentadoras sobre política, economia e afins, o leitor agora tem uma chance de ter esperança. O verde do gramado, as camisas coloridas, os rostos sorridentes depois de um gol, tudo isso alegra um pouco a vida. Os brasileiros andavam mesmo merecendo um pouco de paz, mesmo que seja fugaz, mesmo que não seja inteiramente verdadeiro porque daqui a pouco vai ser preciso encarar a dura realidade dos nossos desgastes diários. Mas já dá para arrancar um sorriso, e os encontros sempre serão saudáveis.

Neste sentido, caro leitor, não me sinto muito apropriada porque, ao desviar seu olhar para a página da Natureza, quem sabe em busca de imagens bonitas e relaxantes, cá estarei a lhes dar notícias pouco alvissareiras que vão tirá-lo da zona de conforto. É que, como já noticiamos aqui no G1, novos dados mostram novamente que a Antártida está degelando mais depressa do que o previsto.

Uma onda de dèja vu pode assaltar a mente. Quantas vezes você já leu algo parecido? Além disso, não será o único a pensar, seriamente, que já temos problemas demais agora para ficar preocupado com o resultado de um dos estudos publicados nesta semana na Nature afirmando que, caso o ritmo atual de emissões de gases de efeito estufa persita, a Antártida terá contribuído com 27 centímetros para a elevação do nível do mar em 2070. 2070! Dependendo da sua idade, caro leitor, este não será mais seu problema, certo?

Não, errado. Porque estes 27 centímetros não vão acontecer de uma hora para a outra. O mar está subindo (assim mesmo, no gerúndio), e o fenômeno já está perturbando a paz das cidades costeiras. E, aqui, preciso cutucá-lo ainda mais, tirá-lo do modo offline para lembrá-lo de um certo acidente que aconteceu no Rio de Janeiro pouco antes das Olimpíadas de 2016, o desabamento da ciclovia Tim Maia, construída por R$ 44 milhões à beira-mar ligando Leblon a São Conrado. Se o então prefeito Eduardo Paes, que à época era presidente do C-40 (grupo de 40 cidades do mundo que respeitam o meio ambiente a ponto de se enquadrarem no nicho cidades sustentáveis) tivesse ouvido seus pares com mais seriedade, não teria construído a ciclovia. Cidades costeiras não devem construir nada à beira-mar porque o aumento do nível do mar trará, com certeza, ondas que podem derrubar tudo.
Ciclovia Tim Maia tem trecho afundado em São Conrado após temporal (Foto: Bárbara Carvalho/GloboNews)
Os detalhes sobre o estudo da Nature estão na reportagem publicada aqui no site. Noves fora, o lado bom dessa informação é que as eleições estão perto, logo ali, depois da Copa. E já é hora de os brasileiros cobrarem, para valer, que as plataformas dos candidatos levem em consideração o meio ambiente. Com equipe séria a conduzir estudos para políticas públicas diferentes.

Sim, o tempo é hoje, não dá mais para postergar o assunto. É exatamente esta a mensagem de uma parte do novo relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) que acaba de ser vazado para a agência Reuters de notícias. Para os cientistas que elaboram o estudo, é necessário que os líderes das nações tomem medidas rápidas e de longo alcance para combater as mudanças climáticas, já que o mundo está a ponto de exceder os 1,5 grau de aquecimento. O relatório final será divulgado em outubro na Coreia do Sul, após revisões e aprovação dos governos.

O aquecimento induzido pelo homem ultrapassará os 1,5 grau aproximdamente em 2040 se as emissões de carbono continuarem no ritmo atual, diz o relatório vazado. 


















Tartaruga nada sobre corais descoloridos na ilha Heron, englobada pela Grande Barreira de Coral na Austrália. A Grande Barreira passa pelo mais grave processo de branqueamento já registrado, com 93% dos recifes afetados (Foto: AFP/XL Catlin Seaview Survey) 

É mais ou menos assim: se a Terra ficar dois graus mais quente, os recifes tropicais não vão ter a menor chance de sobrevivência. Já com 1,5 grau, suas chances são modestas. Para evitar isso é preciso mudanças radicais nos níveis de produção e consumo, sobretudo na agricultura. Tem que mudar a fonte energética também, o que quer dizer que as energias renováveis teriam que ser usadas para que, em 2050 , passassem a ser fonte principal por mais da metade do mundo.

Segundo a reportagem assinada por Alister Doyle, o relatório diz que os governos vão ter que encontrar maneiras de extrair grandes quantidades de carbono do ar, por exemplo, plantando vastas florestas. E dá como incertas algumas medidas até então consideradas eficazes por quem aposta na geoengenharia, como pulverizar produtos químicos na atmosfera para reduzir a luz solar, por exemplo.

Essas soluções quase mágicas serviram, durante algum tempo, para justificar o descaso com o sério problema que a humanidade já está enfrentando por causa das mudanças climáticas. No fim das contas, com tecnologia (e dinheiro, claro), as coisas poderiam se resolver.

Já não é mais assim, pelo que se vê nesse pequeno flash do relatório do IPCC. A tarefa exige mais empenho, participação de todos, enfrentamento do problema com seriedade. Se, mesmo nesse tempo de euforia construída pela Copa, você, leitor, chegou até aqui, é sinal de que se envolve com a questão e não vai se espantar se eu lhe informar que, mesmo diante de todo esse quadro, a petroleira BP, uma das maiores do mundo, lançou seu relatório anual dando conta de que a demanda global por petróleo aumentou 2,2%. Segundo o economista chefe da gigante, Spencer Dale, nos últimos vinte anos não fizemos nenhum progresso em diminuir o uso de combustíveis fósseis, apesar do crescimento de 17% das energias renováveis.

O Acordo Climático conseguido em Paris em 2015 durante a COP-21, por 200 países, poderia ser um bom caminho para a mudança necessária se não estivesse ameaçado por Donald Trump, que retirou os Estados Unidos do trato de diminuir as emissões. A divulgação de estudos e artigos como os publicados pela Nature podem servir como meio de pressão. Nosso papel, como mídia, é dar espaço a eles. Mesmo correndo o risco de empanar o brilho da festa, portanto, aqui estou a cumprir minha missão. E que no domingo a gente consiga vibrar com uma bela vitória. Estamos merecendo, sim. 
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Árvore coberta por teias de lagartas surpreende na Inglaterra

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Policial se deparou com estranho fenômeno durante passeio às margens de rio no interior da Inglaterra: 'árvore parecia estar se movendo'.
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BBC
Por BBC 



































Policial afirmou que árvore foi uma das coisas mais estranhas que já testemunhou durante a carreira (Foto: Rich Sutcliffe) 

Era para ser apenas mais um passeio comum às margens do rio Wharfe, no condado de North Yorkshire, na Inglaterra, mas a natureza revelou ao policial Rich Sutcliffe uma de suas faces esquisitas.

Um árvore, toda coberta por teias brancas, estava tão infestada por lagartas que, para Sutcliffe, "parecia estar se mexendo".
"Eu já vi algumas coisas misteriosas, mas isso me surpreendeu hoje", escreveu o policial no Twitter.

Ele afirmou nunca ter visto nada do tipo em 45 anos vivendo na região.
"As lagartas estavam literalmente cobrindo todos os galhos e o tronco da árvore".
  Segundo a organização Butterfly Conservation, teias podem esconder centenas e até milhares de lagartas (Foto: Rich Sutcliffe) 

O fenômeno é causado por pequenas lagartas do tipo das traças, que se abrigam sob as teias para se alimentar e se proteger de pássaros e vespas - até deixarem de ser lagartas para virarem mariposas. 

O professor David Chesmore, da União de Ciência Natural de Yorkshire, diz que estes insetos vivem em ninhos feitos de seda, mas que podem se expandir de tal forma a cobrir árvores.

Já houve relatos de até mesmo carros serem cobertos por elas.
Segundo a organização pela conservação da biodiversidade Butterfly Conservation, as teias podem abrigar centenas e até milhares de lagartas.

Elas podem chegar a cobrir também objetos próximos, como cercas e bicicletas.
No Hemisfério Norte, as teias e suas "moradoras" costumam durar de maio a junho. 
INGLATERRA
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