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quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

EUA precisam do Brasil ou não? Veja dados de comércio e investimentos de empresas americanas no país

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Os investimentos e as relações comerciais mostram que os EUA precisam do Brasil, mas a dependência do Brasil é maior, já que os EUA são os maiores importadores do mundo.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 23 de Janeiro de 2.025 às 05h50m

#.* Post. - Nº.\  11.479*.#


Donald Trump diz que Estados Unidos não precisam do Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou um novo mandato nesta semana anunciando profundas mudanças, como a saída do país do acordo climático de Paris, combate à imigração ilegal, menos moderação nas redes sociais e taxação de países estrangeiros, por exemplo.

Uma declaração que chamou a atenção por aqui, entretanto, foi a de que o Brasil e a América Latina precisam "mais dos EUA do que os EUA precisam deles". E que os Estados Unidos não precisariam do Brasil e da América Latina.

"A relação [dos EUA com Brasil e América Latina] é excelente. Eles precisam de nós, muito mais do que nós precisamos deles. Não precisamos deles. Eles precisam de nós. Todos precisam de nós", disse Trump ao ser perguntado se iria falar com o presidente Lula e como seria a relação com o Brasil e com a América Latina.

A ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, declarou que a diplomacia brasileira trabalhará para encontrar convergências na relação com o novo presidente dos EUA.

O presidente Trump pode falar o que ele quiser. Ele é presidente eleito dos Estados Unidos. Nós vamos analisar cada passo das decisões que forem tomadas pelo novo governo. Mas acredito que, como somos um povo que tem fé na vida, que tudo vai dar certo sempre. Vamos procurar trabalhar as nossas convergências, que são muitas, declarou a ministra.

Os números de investimentos e das relações comerciais entre o Brasil e os EUA, relacionamento que completou 200 anos em 2024, indicam que os Estados Unidos precisam do país. No entanto, como os norte-americanos são os maiores importadores e os segundos maiores vendedores do mundo, a dependência brasileira é maior.

Imagem de arquivo mostra navio carregado com mercadoria — Foto: Divulgação/FIEP
Imagem de arquivo mostra navio carregado com mercadoria — Foto: Divulgação/FIEP

Comércio entre os países

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) mostram, por exemplo, que em 2024, o fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos chegou a cerca de US$ 81 bilhões.

Os números indicam equilíbrio na relação comercial com os Estados Unidos.

Em 2024, foram registrados:

  • US$ 40,33 bilhões em exportações brasileiras para os EUA, novo recorde;
  • US$ 40,58 bilhões em importações brasileiras dos EUA.

Números do Ministério do Desenvolvimento mostram os principais produtos exportados aos Estados Unidos em 2024.

Se destacaram produtos básicos ou semimanufaturados, como petróleo, aço, ferro, café, carnes, mas também produtos de maior valor agregado, como suco de laranja e aviões.

Veja abaixo:

  1. Óleos brutos de petróleo
  2. Outros produtos semimanufaturados de ferro ou aço não ligado
  3. Café não torrado, não descafeinado, em grão
  4. Pastas químicas de madeira
  5. Ferro fundido bruto
  6. Aviões e outros veículos aéreos, de peso superior a 15 mil kg, vazios
  7. Gasolinas, exceto para aviação
  8. Aviões e outros veículos aéreos, a turbojato
  9. Carnes desossadas de bovino, congeladas
  10. Produtos semimanufaturados, de outras ligas de aços
  11. Suco (sumo) de laranja
  12. Bulldozers e angledozers, de lagartas (máquinas pesadas usadas principalmente em construção, mineração e outros projetos de infraestrutura. O termo "de lagartas" representa máquinas com esteiras em vez de pneus).
  13. Carregadoras e pás carregadoras, de carregamento frontal
  14. Açúcares de cana
  15. Pedras de cantaria, trabalhadas de outro modo e obra
  16. Preparações alimentícias e conservas, da espécie bovina
  17. Querosenes de aviação

Ao mesmo tempo, as vendas dos Estados Unidos para o Brasil se concentram em produtos industrializados, combustíveis, produtos químicos, óleos lubrificantes e aviões, entre outros.

Ao todo, em 2024, foram importados mais de 6 mil tipos diferentes de produtos dos EUA.

Veja os destaques:

  1. Partes de turborreatores ou de turbopropulsores
  2. Turborreatores
  3. Gás natural liquefeito
  4. Óleos brutos de petróleo
  5. Gasóleo (óleo diesel)
  6. Naftas para petroquímica
  7. Hulha betuminosa (carvão mineral)
  8. Copolímeros (utilizados na fabricação de brinquedos, eletrodomésticos e autopeças)
  9. Óleos lubrificantes sem aditivos
  10. Polietilenos
  11. Adubos e fertilizantes
  12. Hidróxido de sódio (soda cáustica)
  13. Propanos liquefeitos
  14. Aviões e outros veículos aéreos, a turbojato
  15. Inseticidas
  16. Partes de aviões ou de helicópteros
  17. Medicamentos
Mulher com máscara do Brasil e uma pequena bandeira dos Estados Unidos vai a reunião nomeada "Go Trump, Go", em frente à embaixada dos EUA em Brasília, em defesa à reeleição do presidente americano — Foto: Eraldo Peres/AP
Mulher com máscara do Brasil e uma pequena bandeira dos Estados Unidos vai a reunião nomeada "Go Trump, Go", em frente à embaixada dos EUA em Brasília, em defesa à reeleição do presidente americano — Foto: Eraldo Peres/AP

De acordo com o presidente-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, o Brasil, de fato, precisa mais dos Estados Unidos — o maior comprador mundial.

Mas ele ponderou que muitas empresas norte-americanas têm representação no Brasil, e que as trocas comerciais acontecem, neste caso, entre matrizes e filiais.

"O que o Trump falou tem uma certa razão, mas na prática não se aplica. É mais uma frase de efeito. Pode se dizer que eles precisam um pouco da gente, é uma verdade. Pergunta a uma matriz americana que exportam para o Brasil o que eles acham. Acham ótimo. No fundo no fundo, precisam", avaliou José Augusto de Castro, da AEB.

O executivo afirmou que a corrente de comércio (exportações mais importações) com os Estados Unidos pode crescer nos próximos anos, e avaliou que o Brasil precisa reduzir custos para melhorar sua competitividade.

Ele citou a importância da reforma tributária, que terá impacto gradual ao longo dos próximos anos, e elogiou a postura do presidente Lula de adotar um tom de evitar atritos.

"Lula sabe muito bem que precisa deles. Tudo o que Lula falar não será bem recebido [pela posição ideológica diferente]. Tem que ficar quieto mesmo, não dar frase negativa. Deixa assentar o pó, pois muitas coisas estão sendo faladas e nem tudo avaliado com a devida atenção", declarou.

Empresas norte-americanas e investimentos

Quando se considera o investimento realizado no Brasil por outros países, os Estados Unidos lideram, de acordo com relatório divulgado pelo Banco Central no final do ano passado com dados relativos ao ano de 2023.

A liderança dos EUA ocorre tanto no conceito de "investidor imediato" (domicílio da empresa não residente que investiu diretamente na subsidiária ou filial) quanto no de "controlador final" (residência do investidor que detém o efetivo controle e interesse econômico na empresa investida no Brasil).

Os dados referem-se à participação no capital, que considera as entradas de recursos em moeda ou bens relativos à aquisição, subscrição ou aumento total ou parcial do capital social de empresas residentes.

Investimentos diretos de empresas estrangeiras no Brasil em 2023 — Foto: Reprodução de estudo do Banco Central
Investimentos diretos de empresas estrangeiras no Brasil em 2023 — Foto: Reprodução de estudo do Banco Central

Dados do Banco Central citados pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) mostram o crescimento do número de empresas norte-americanas no Brasil, e também da participação dessas empresas no país.


Crescimento do número de empresas dos EUA e investimentos no país — Foto: Reprodução de estudo da Amcham (com base em dados do BC)
Crescimento do número de empresas dos EUA e investimentos no país — Foto: Reprodução de estudo da Amcham (com base em dados do BC)

A Amcham também detalhou setores ligados a investimentos recentes no país, assim como informações sobre marcas norte-americanas e patentes no país. Os dados são do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Investimentos, patentes e marcas dos EUA no Brasil — Foto: Amcham e INPI
Investimentos, patentes e marcas dos EUA no Brasil — Foto: Amcham e INPI

De acordo com Abrão Neto, CEO da Amcham Brasil, os Estados Unidos e o Brasil têm uma relação econômica que gera benefícios para ambas as economias, que se caracteriza pelo alto valor agregado das trocas, complementariedade e diversificação no comércio bilateral.

"Os Estados Unidos são, para o Brasil, o principal mercado de exportação de bens industriais e de serviços. E os Estados Unidos são também o principal investidor estrangeiro no Brasil, com um estoque de mais de US$ 350 bilhões e quase quatro mil empresas americanas operando no país", destaca Abrão Neto, da Amcham Brasil.

"É uma relação mutuamente benéfica, bastante longínqua, com um número considerável de empresas brasileiras nos Estados Unidos e americanas no Brasil", prosseguiu.

Ele lembrou que os Estados Unidos tiveram superávit comercial com o Brasil, pelo menos, nos últimos dez anos, sendo que, apenas em 2023, o saldo positivo em favor das empresas norte-americanas foi de quase US$ 24 bilhões — o sexto maior superávit que os EUA tiveram com qualquer outro parceiro individual.

"É importante destacar também que há uma integração muito saudável entre a economia brasileira e americana, que se reflete no perfil do comércio bilateral", acrescentou.

Na prática, "existem exportações brasileiras de insumos, partes e peças e bens de capital e da mesma forma, o Brasil importa não só bens acabados, mas um número bastante considerável de insumos para o seu setor produtivo".

Para o CEO da Amcham Brasil, um bom exemplo da ligação comercial entre os países é o setor aeronáutico, no qual o Brasil exporta e importa bilhões de dólares em partes e peças de naves e aeronaves acabadas.

"Então essa integração mostra uma interdependência e uma complementariedade no comércio entre os dois países", concluiu.

Entenda as relações econômicas entre Brasil e EUA; possíveis tarifas de Trump preocupam

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Dólar tem forte queda e fecha a R$ 5,94, com política tarifária de Trump no radar

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Moeda norte-americana recuou 1,40%, cotada a R$ 5,9455, menor valor desde o fim de novembro. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores, opera entre altas e baixas.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 22 de Janeiro de 2.025 às 09h25m

#.* Post. - Nº.\  11.478*.#

Notas de real e dólar — Foto: Amanda Perobelli/ Reuters
Notas de real e dólar — Foto: Amanda Perobelli/ Reuters

O dólar fechou em queda nesta quarta-feira (22), enquanto investidores precificavam os possíveis rumos da política tarifária dos Estados Unidos com a chegada de Donald Trump à presidência.

A moeda norte-americana encerrou o dia cotada a R$ 5,94, menor valor desde 27 de novembro, quando ficou em R$ 5,91. Na mínima da sessão de hoje, chegou também a R$ 5,91.

Na terça-feira (21), Trump reforçou a promessa de impor tarifas de 10% à China e à União Europeia. Também considerou alíquotas de até 25% contra o México e o Canadá.

Apesar das afirmações do republicano, a falta de medidas concretas sobre o tema beneficiou o real e outras moedas ao redor do mundo.

"A abordagem de Trump de primeiro ameaçar e depois estudar se realmente vai implantar alguma tarifa sobre as outras economias tem levado a um movimento de enfraquecimento global do dólar", disse Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX, à agência de notícias Reuters.

"Visto o que se antecipava, o receio era de que ele teria uma postura agressiva já no seu primeiro dia de mandato", completou. Esse cenário, no entanto, não aconteceu.

Nesta quarta, o mercado também monitorou as discussões no Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) em Davos, na Suíça, e seguiu atento aos desdobramentos das contas públicas brasileiras.

Na agenda, balanços corporativos e dados econômicos locais e internacionais ficaram no radar.

Diante do cenário, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, oscila entre altas e baixas.

Veja abaixo o resumo dos mercados.

  • SAIBA MAIS:
  • ÚLTIMO PREGÃO DE 2024: Dólar acumulou alta 27% no ano; Ibovespa teve recuo de 10%
  • DE R$ 5,67 PARA ACIMA DE R$ 6: Entenda a disparada do dólar desde o fim de 2024
  • O TOM DE LULA: Falas do presidente impactaram a moeda em 2024; entenda

Dólar acumula alta de quase 28% em 2024

Dólar

O dólar recuou 1,40%, cotado a R$ 5,9455. Na mínima do dia, foi a R$ 5,9154. Veja mais cotações.

Com o resultado, acumulou:

  • queda de 1,98% na semana;
  • recuo de 3,79% no mês e no ano.

Na véspera, a moeda norte-americana recuou 0,18%, cotada a R$ 6,0302.

Ibovespa

Por volta das 17h, o Ibovespa recuava 0,05%, aos 123.273 pontos.

Na véspera, o índice avançou 0,39%, aos 123.338 pontos.

Com o resultado, acumulou:

  • alta de 0,81% na semana;
  • ganho de 2,54% no mês e no ano.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O que está mexendo com os mercados?

Os efeitos da posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos continuam a influenciar os mercados nesta quarta. Além das ordens executivas assinadas no primeiro dia de mandato, novas declarações de Trump sobre um possível "tarifaço" a outros países geraram incertezas sobre os impactos no comércio global.

Na terça-feira, durante um evento na Casa Branca, Trump prometeu impor tarifas à União Europeia e afirmou que seu governo já está discutindo uma alíquota de 10% sobre produtos importados da China a partir de 1º de fevereiro.

O republicano também ameaçou impor tarifas para o México e para o Canadá, afirmando que há preocupação com o fluxo de drogas provenientes desses dois países.

Sobre a relação de Trump com o Brasil, continuam a repercutir as falas recentes do republicano, quando afirmou que a relação dos Estados Unidos com a América Latina e com o Brasil "é excelente", mas destacou que a região "precisa mais dos Estados Unidos" do que o contrário.

"A relação é excelente. Eles precisam de nós, muito mais do que nós precisamos deles. Não precisamos deles. Eles precisam de nós. Todos precisam de nós", respondeu Trump ao ser perguntado se iria falar com o presidente Lula e como seria a relação com o Brasil e com a América Latina.

A frase foi dita em resposta a uma pergunta da repórter da TV Globo Raquel Krähenbühl sobre se Trump falaria com o presidente Lula e como seria a relação com o Brasil e a América Latina, feita enquanto o presidente americano assinava os primeiros decretos do novo mandato no Salão Oval da Casa Branca

O presidente Lula afirmou que torce por uma "gestão profícua" (ou seja, proveitosa) por parte de Trump, afirmando que o Brasil "não quer briga" com os Estados Unidos.

"Tem gente que fala que a eleição do Trump pode causar problema na democracia mundial. O Trump foi eleito para governar os EUA e eu, como presidente do Brasil, torço para que ele faça uma gestão profícua para que o povo americano melhore e para que os americanos continuem a ser histórico ao que é do Brasil", disse Lula.

"Da nossa parte, não queremos briga. Nem com a Venezuela, nem com os americanos, nem com a China, nem com a Índia e nem com a Rússia", seguiu.

Desde sua campanha, o novo presidente dos EUA tem sinalizado uma agenda mais protecionista, priorizando o fortalecimento da atividade doméstica e limitando a concorrência estrangeira.

Por isso, investidores estão incertos sobre os impactos econômicos das medidas do republicano e os efeitos que essas propostas podem ter no Brasil.

Por aqui, o mercado está atento ao cenário fiscal, especialmente porque o Orçamento ainda não foi aprovado.

Nesta semana, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, listou as prioridades do governo na política econômica para este ano, destacando a necessidade de fortalecer o arcabouço fiscal e mencionando a reforma do Imposto de Renda.

Na agenda doméstica, o Banco Central informou que o Brasil registrou um fluxo cambial total negativo de US$ 3,804 bilhões em janeiro até o dia 17, em um movimento puxado tanto pela via financeira como pela via comercial. Os dados são preliminares e fazem parte das estatísticas referente ao câmbio contratado.

Além disso, o investidor também segue na expectativa pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país e que será divulgado na próxima sexta-feira. A estimativa é que o indicador traga mais indicações sobre o futuro da taxa básica de juros, a Selic.

*Com informações da agência de notícias Reuters

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terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Importação de veículos cresce mais de 140% em 2024, puxada por elétricos e híbridos chineses

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A chegada de carros eletrificados de marcas chinesas, impulsionou a importação de veículos em 2024 e resultou no melhor desempenho dos últimos 10 anos.
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Por André Fogaça, g1

Postado em 21 de Janeiro de 2025 às 12h35m

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Mercado de veículos importados cresce, mesmo com alta do dólar e de juros — Foto: Roosevelt Cassio/Reuters
Mercado de veículos importados cresce, mesmo com alta do dólar e de juros — Foto: Roosevelt Cassio/Reuters

O Brasil registrou um aumento de 141,1% no número de carros importados em 2024, com destaque para a chegada de veículos eletrificados. Os números foram divulgados nesta terça-feira (21) pela Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa).

No ano passado, foram importados 104.729 veículos, alcançando o melhor resultado desde 2014, quando chegaram 93.685 carros fabricados em outros países.

Em 2024, 94.930 dos importados eram carros elétricos ou híbridos. Isso representa 90,6% das importações.

Dos 178.430 veículos eletrificados emplacados no Brasil em 2024, 53,2% foram importados. A Abeifa destaca que, apesar do crescimento significativo, os veículos importados ainda representam apenas 4,2% de todas as vendas de automóveis no Brasil.

A divisão por marca mostra como a BYD dominou o mercado de importados, e comercializou quase 2,8 vezes mais que todas as outras 10 maiores montadoras somadas. (veja no gráfico abaixo)

Como trocar o filtro de ar?

Projeções para 2025 e efeito Trump

Marcelo Godoy, presidente da Abeifa, acredita que o mercado de veículos importados deve crescer 5% em 2025, e alcançar cerca de 130 mil unidades, mesmo com o início de fabricação de eletrificados chineses no Brasil.

A BYD, por exemplo, vai montar o Dolphin Mini e o Song Pro em Camaçari (BA) a partir de agosto, com capacidade de produzir até 300 mil veículos. O ponto servirá tanto para exportação, como para fornecer os carros vendidos no Brasil.

A GWM também começará a produção nacional durante o primeiro semestre de 2025, em Iracemápolis (SP). O primeiro carro será o SUV Haval H6, mas existem promessas de mais modelos, incluindo até a picape Poer, que terá como maior concorrente a BYD Shark.

A marca promete contratar 700 funcionários durante o primeiro semestre de 2025, e deve atingir 60% dos itens do carro com fabricação local. A capacidade da fábrica será mais modesta, com 20 mil veículos por ano. Uma ampliação e modernização já estão prometidas para os próximos três anos, passando para 50 mil carros fabricados.

GAC Motors, Omoda e Jaecoo, todas chinesas, também estão na lista das marcas com fabricação no Brasil prevista para 2025.

O futuro próximo do setor de importação veicular ainda está incerto. Mas arrisco a dizer que podemos prever um crescimento de 5% em 2025, alicerçado em bases factíveis como o aumento expressivo de novos produtos, recheados de novas tecnologias", aponta Godoy.

"De qualquer maneira, registro aqui o nosso desagravo em relação às medidas alfandegárias e suspensão de incentivos de impostos municipais de veículos importados eletrificados, já que estes são os primeiros a contribuir com o processo de descarbonização do setor automotivo brasileiro, complementa o executivo.

Desde o início de 2024, o imposto de importação incidente sobre veículos elétricos e placas solares aumenta gradualmente até 2026. A ideia do governo federal é tornar a mercadoria nacional mais atraente, uma vez que o custo deverá ser menor ao consumidor final.

Sobre a posse de Donald Trump, junto da promessa de taxar produtos diversos de muitos países, Marcelo Godoy não acredita que as falas do novo presidente dos Estados Unidos deve afetar negativamente o mercado de carros importados do Brasil.

As taxas dos EUA podem afetar nosso país ao trazer mais carros importados até em preços menores, para desovar a produção com dificuldade de entrar no mercado americano, que também vende pouco na Europa já saturada, além da complexidade de engatar na China, comenta Marcelo Godoy.
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