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sábado, 8 de abril de 2023

Como celulares mudaram nossos cérebros

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Um estudo recente concluiu que os adultos norte-americanos consultam seus celulares, em média, 344 vezes por dia – uma vez a cada quatro minutos
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TOPO
Por Amanda Ruggeri, BBC

Postado em 08 de abril de 2023 às 15h10m

 #.*Post. - N.\ 10.751*.#

Pessoas na frente do celular — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Pessoas na frente do celular — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Como muitos de nós, passo tempo demais no meu celular. E, como muitos de nós, sou totalmente consciente e costumo me sentir culpada por isso.

Às vezes, deixo o telefone no outro lado da casa ou o desligo, para usar menos. Mas, no fim, acabo atravessando o corredor mais cedo do que gostaria de admitir, para fazer algo que só posso fazer com o celular – ou que ele me permite fazer com mais eficiência.

Preciso pagar uma conta? Celular. Marcar para tomar café com uma amiga? Celular. Mandar mensagem para a família que mora longe? Celular.

Verificar a previsão do tempo, anotar uma ideia de reportagem, tirar uma foto, fazer um vídeo, criar um álbum de fotos, ouvir um podcast, pegar indicações de trajeto, fazer um cálculo rápido... até acender a lanterna? Celular, celular e celular.

Um estudo recente concluiu que os adultos norte-americanos consultam seus celulares, em média, 344 vezes por dia – uma vez a cada quatro minutos. Ao todo, eles passam quase três horas por dia nos aparelhos.

O problema, para muitos de nós, é que uma tarefa rápida no celular leva a uma rápida verificação do e-mail ou das redes sociais. Até que, de repente, você acaba sendo sugado pela tela que rola sem parar.

É um círculo vicioso. Quanto mais úteis são os nossos celulares, mais nós os usamos. Quanto mais os usamos, mais caminhos neurais criamos no nosso cérebro para nos fazer pegar o telefone para qualquer tarefa que surja – e mais vontade sentimos de consultar o aparelho, mesmo quando não precisamos.

Há 50 anos, Martin Marty Cooper fez a primeira chamada de um telefone móvel. Ele mesmo fabricou o aparelho – um telefone bege, do tamanho de um tijolo, muito diferente dos smartphones atuais, que são finos e revestidos de vidro.

O aparelho de Cooper não tinha câmera e não enviava mensagens de texto. Sua bateria permitia apenas 30 minutos de conversa – e levava 10 horas para carregar. Hoje, ele não pensa nos smartphones modernos como um aparelho para fazer chamadas telefônicas.

Realmente, ele não é um telefone muito bom em muitos aspectos, afirma Cooper. Pense um pouco. Você pega um pedaço de plástico e vidro, que é plano, e coloca contra a curvatura da sua cabeça. Sua mão fica em uma posição desconfortável.

Deixando de lado essa dificuldade e as preocupações com aspectos específicos do nosso mundo hiperconectado (como as redes sociais, com seus filtros de beleza cada vez mais realistas), o que a nossa dependência do telefone celular está fazendo com os nossos cérebros? Tudo é ruim ou existe algum aspecto positivo?

Cérebro ‘drenado’

É fácil imaginar que, com a nossa dependência dos aparelhos cada vez maior ano após ano, as pesquisas enfrentem dificuldades para acompanhar esse crescimento. O que sabemos é que a simples distração de verificar o celular ou observar uma notificação pode trazer consequências negativas.

Também não é algo muito surpreendente, mas já que sabemos que, em geral, a realização simultânea de várias tarefas prejudica nossa memória e desempenho.

Um dos exemplos mais perigosos é o uso do celular ao dirigir. Um estudo concluiu que o simples ato de falar ao telefone, sem enviar mensagens de texto, é suficiente para reduzir a velocidade de reação dos motoristas na estrada.

E isso também é válido para as tarefas menos arriscadas do dia a dia. Em um estudo, ouvir um simples sinal sonoro de notificação fez com que os participantes apresentassem desempenho muito inferior em uma determinada tarefa. Eles se saíram quase tão mal quanto os participantes que falavam ou enviavam mensagens de texto no celular durante o trabalho.

E não é apenas o uso do celular que traz consequências. Sua simples presença pode afetar a forma como pensamos.

Em outro estudo recente, os pesquisadores pediram aos participantes que colocassem seus celulares ao lado deles para que ficassem visíveis (sobre uma mesa, por exemplo), perto e fora de vista (como em uma bolsa ou no próprio bolso) ou em outra sala. Em seguida, os participantes realizaram uma série de tarefas para testar sua capacidade de processar e relembrar informações, de se concentrar e de resolver problemas.

Concluiu-se que o desempenho foi muito melhor quando os telefones estavam em outra sala e não próximos, quer estivessem eles visíveis ou invisíveis, ligados ou não. O mesmo resultado foi obtido até quando a maioria dos participantes afirmava não estar pensando conscientemente nos seus aparelhos.

Aparentemente, a simples proximidade do celular contribui para a drenagem do cérebro.

O nosso cérebro parece trabalhar muito no subconsciente para inibir o desejo de verificar o celular ou acompanhar constantemente o ambiente para saber se devemos pegar o telefone — por exemplo, quando esperamos uma notificação. De qualquer forma, esse desvio de atenção pode dificultar a realização de qualquer tarefa.

Uma rápida tarefa no telefone celular, muitas vezes, pode nos levar a um buraco de minhoca digital que consome nosso tempo e aumenta nossa carga mental — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Uma rápida tarefa no telefone celular, muitas vezes, pode nos levar a um buraco de minhoca digital que consome nosso tempo e aumenta nossa carga mental — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Os pesquisadores concluíram que a única solução é colocar o aparelho em uma sala totalmente diferente.

Estas são as más notícias, ou parte delas. Mas os pesquisadores concluíram mais recentemente que também pode haver um lado positivo na nossa dependência do telefone celular.

É uma crença comum, por exemplo, que depender do telefone para tudo atrofia nossa capacidade de memória. Mas esta pode não ser uma conclusão tão simples.

Em um estudo recente, voluntários receberam uma tela com círculos numerados que eles precisavam arrastar para um lado ou para o outro. Quanto maior o número no círculo, mais os voluntários receberiam se o movessem para o lado certo.

Metade dos participantes pôde anotar na tela quais círculos deveriam ir para qual lado. A outra metade precisou confiar apenas na memória.

É claro que o acesso aos lembretes digitais ajudou no desempenho. O surpreendente foi que os participantes que usavam os lembretes não recordavam melhor apenas os círculos anotados (os que tinham valor mais alto), mas também os círculos que não haviam sido registrados!

Pessoa ao celular — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Pessoa ao celular — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Os pesquisadores acreditam que, ao confiar as informações mais importantes (os círculos de valor mais alto) ao aparelho, a memória dos participantes ficava liberada para armazenar as informações de menor valor.

A desvantagem foi que, quando os participantes não tinham mais acesso aos lembretes, a lembrança dos círculos de valor mais baixo persistiu, mas eles não conseguiam mais se lembrar dos valores mais altos.

Muitos anos de pesquisa ainda serão necessários para podermos saber exatamente o que a nossa dependência do telefone celular está fazendo com a nossa força de vontade e com a nossa cognição a longo prazo. Até lá, existe outro caminho para tentar reduzir seus efeitos nocivos. E tem a ver com a forma como pensamos sobre o nosso cérebro.

Como meu antigo colega David Robson escreveu no seu livro The Expectation Effect (“O efeito da expectativa, em tradução livre), pesquisas recentes questionaram a crença de que, se exercitarmos nossa força de vontade de certa forma (por exemplo, resistindo subconscientemente a verificar nosso celular), nós esgotamosnossas reservas gerais, o que dificultaria substancialmente nossa concentração em outras tarefas.

Isso pode ser verdade, mas Robson escreve que depende muito daquilo em que acreditamos.

Indivíduos que acreditam que o nosso cérebro tem recursoslimitados — ou seja, que pensam que resistir a uma tentação diminua nossa resistência à próxima — de fato são mais propensos a exibir este fenômeno durante os estudos.

Mas existem pessoas que acham que, quanto mais resistirmos às tentações, mais fortalecemos nossa capacidade de continuar resistindo – em outras palavras, que o nosso cérebro tem recursos ilimitados. Para eles, exercer o autocontrole ou a fadiga mental em uma tarefa não prejudica o nosso desempenho na tarefa seguinte.

O mais fascinante que é a visão limitada ou ilimitada do cérebro, em grande parte, pode ser cultural. E que as pessoas de países ocidentais podem ter maior tendência a acreditar que a mente é limitada do que as que vivem em outras culturas, como a Índia, por exemplo.

Mas o que podemos tirar de tudo isso? Bem, para reduzir a quantidade de vezes que verifico meu celular, vou praticar deixá-lo em outra sala.

Mas também vou me lembrar que o meu cérebro tem mais recursos do que imagino – e que, sempre que eu resistir à tentação de consultar meu celular, meu cérebro irá criar novos caminhos neurais que vão tornar cada vez mais fácil resistir a esta e talvez a outras tentações no futuro.

OBS: Ao preparar esta reportagem, a autora parou de escrever para verificar seu celular apenas uma vez e acabou rolando a tela por cerca de cinco minutos. Considerando a frequência com que ela pensou em celulares enquanto escrevia, ela considera este índice uma vitória.

Texto originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/articles/c6pln490eleo

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sexta-feira, 7 de abril de 2023

Bacalhau vive a 200 m de profundidade e dá nome a dois tipos de peixes; prato é tradicional na Páscoa

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Podcast 'De onde vem o que eu como' explica por que o bacalhau não é produzido no Brasil. Saiba como dessalgar a carne.
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Por Carol Lorencetti, g1

Postado em 07 de abril de 2023 às 07h00m

 #.*Post. - N.\ 10.750*.#

Bacalhau é peixe ou modo de preparo?
Bacalhau é peixe ou modo de preparo?

Há quem diga que bacalhau é modo de preparo. Mas, na verdade, bacalhau são dois tipos de peixes, que vivem no oceano profundo (leia mais abaixo).

O podcast De onde vem o que eu como explica como escolher, dessalgar e preparar o bacalhau no forno. 🎧OUÇA (acima) e, na sequência, saiba quais espécies são chamadas de bacalhau:

São dois peixões

A bióloga Amanda Gomes explica que duas espécies de peixes podem ser chamadas de bacalhau: o gadus morhua, que vive no Oceano Atlântico, e o gadus macrocephalus, encontrado no Oceano Pacífico.

  • O bacalhau pode atingir 1,5 m de comprimento;
  • É encontrado em águas frias, abaixo dos 200 metros de profundidade;
  • É carnívoro, gosta de comer camarões e outros crustáceos;
  • Vive em cardumes e pode pesar até 90 kg.
Bacalhau-do-Atlântico ou bacalhau-da-Noruega (Gadus morhua) é o maior exemplar. — Foto: Divulgação/Redes Sociais
Bacalhau-do-Atlântico ou bacalhau-da-Noruega (Gadus morhua) é o maior exemplar. — Foto: Divulgação/Redes Sociais

O modo de preparo do bacalhau recebe o nome de salga. O processo ficou popular por volta do ano 1000, quando os europeus começaram a vender bacalhau em larga escala.

A conservação do peixe no sal permitia que ele fosse levado em navios, durante longas viagens. O sal desidrata a carne e faz com que ela fique preservada por mais tempo.

No Brasil, o hábito de comer bacalhau começou com a chegada da coroa portuguesa, no século 19.

Salga faz o bacalhau durar mais tempo. — Foto: Reprodução/TV Diário
Salga faz o bacalhau durar mais tempo. — Foto: Reprodução/TV Diário


Bacalhau da Noruega. — Foto: Mônica Sanches/TV Globo
Bacalhau da Noruega. — Foto: Mônica Sanches/TV Globo

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quinta-feira, 6 de abril de 2023

Descoberto no Vaticano fragmento do Evangelho de 1.750 anos

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Com ajuda de fotografia ultravioleta, pesquisador encontra um dos manuscritos mais antigos do Novo Testamento encoberto sob outros textos.
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TOPO
Por Deutsche Welle

Postado em 06 de abril de 2023 às 18h35m

 #.*Post. - N.\ 10.749*.#

Palimpsesto: texto escondido sob outras duas camadas de manuscritos foi revelado por foto ultravioleta — Foto: Vatican Library
Palimpsesto: texto escondido sob outras duas camadas de manuscritos foi revelado por foto ultravioleta — Foto: Vatican Library

Um pesquisador da Academia Austríaca de Ciências (ÖAW, na sigla em alemão) descobriu na Biblioteca do Vaticano um fragmento único de uma tradução de 1.750 anos do Novo Testamento.

Um pequeno fragmento de manuscrito – uma tradução siríaca do grego, escrita no século 3 e copiada no século 6 – foi encontrado encoberto sob outros manuscritos com a ajuda de fotografia ultravioleta.

A língua siríaca é um dialeto aramaico que surgiu durante o século 1 d.C. de um dialeto aramaico local, tendo papel importante na literatura religiosa e em textos cristãos.

Cerca de 1.300 anos atrás, um escriba na Palestina pegou um livro dos Evangelhos inscrito em siríaco e o apagou", afirmou o comunicado da ÖAW. O pergaminho era escasso na Idade Média, então os manuscritos eram frequentemente reutilizados. Esses documentos sobrescritos são chamados de palimpsestos.

Palimpsesto duplo

"A tradição do cristianismo siríaco conhece várias traduções do Antigo e do Novo Testamento", afirmou o especialista em história medieval Grigory Kessel, responsável pela descoberta e cujo trabalho sobre o achado foi publicado na revista especializada New Testament Studies.

Graças à tecnologia moderna, Kessel identificou o texto como a terceira camada de escrita, ou seja, um palimpsesto duplo.

De acordo com o historiador, o manuscrito oferece uma "abordagem única para a fase inicial da história da transmissão textual dos Evangelhos". Conforme a ÖAW, quanto mais traduções são conhecidas, mais a ciência aprende sobre o texto original dos Evangelhos.

"Até recentemente, apenas dois manuscritos eram conhecidos por conter a tradução siríaca antiga dos evangelhos", ressalta Kessel.

Enquanto um deles está agora preservado na Biblioteca Britânica em Londres, outro foi descoberto como um palimpsesto no Mosteiro de Santa Catarina, no Monte Sinai. Fragmentos de um terceiro manuscrito foram recentemente identificados pelo Sinai Palimpsests Project.

Descobrindo velhos escritos

O Sinai Palimpsests Project visa tornar novamente legíveis e disponíveis em formato digital os valiosos manuscritos de palimpsestos centenários do famoso Mosteiro de Santa Catarina no Sinai, Egito. Até agora, 74 manuscritos foram decifrados.

Claudia Rapp, diretora do Instituto de Pesquisa Medieval da ÖAW e também integrante do Sinai Palimpsests Project, destacou que a tradução siríaca do século 3 foi escrita pelo menos um século antes dos mais antigos manuscritos gregos remanescentes, como o importante Codex Sinaiticus.

"A descoberta de Kessel prova quão produtiva e importante pode ser a interação das tecnologias digitais mais modernas na pesquisa ao encontrar manuscritos medievais", disse Rapp.
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quarta-feira, 5 de abril de 2023

Vicky Safra é a mais rica do Brasil, segundo lista da Forbes; quatro brasileiros estão no 'top 200'

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Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Eduardo Saverin também aparecem no ranking.
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Por Isabela Bolzani, g1

Postado em 05 de abril de 2023 às 05h45m

 #.*Post. - N.\ 10.748*.#

Quem é a Vicky SafraQuem é a Vicky Safra

A Forbes divulgou a lista anual dos mais ricos do mundo nesta terça-feira (4). No Brasil, Vicky Safra, a viúva de Joseph Safra - o fundador do Banco Safra - lidera a lista dos mais ricos do país. A lista completa conta com mais de 50 brasileiros.

Veja abaixo os principais nomes que ocupam o "top 200" da Forbes, sua posição no ranking mundial e sua fortuna aproximada.

Vicky Safra, viúva e herdeira do fundador do Banco Safra
Foto de arquivo de maio de 2014 mostra Vicky e Joseph Safra no Teatro Municipal de São Paulo durante a pré-estreia da ópera Carmen. O evento foi realizado em Prol da Congregação Israelita Paulista — Foto: Silvana Garzaro/Estadão Conteúdo
Foto de arquivo de maio de 2014 mostra Vicky e Joseph Safra no Teatro Municipal de São Paulo durante a pré-estreia da ópera Carmen. O evento foi realizado em Prol da Congregação Israelita Paulista — Foto: Silvana Garzaro/Estadão Conteúdo

Vicky Safra é uma mulher de origem grega e tinha apenas 17 anos quando se casou com Joseph Safra, o homem que viria se tornar o banqueiro mais rico do mundo.

A fortuna da família tem raízes na Síria, com a criação de uma empresa que operava como casa bancária em 1800, e só começou a fazer parte da história do Brasil em 1953, quando o pai de Joseph Safra, Jacob Safra, se mudou com a família para o país.

Por aqui, a fundação da Safra Financeira veio em 1967. Com as compras de outras instituições financeiras, em 1972 o Banco Safra se estabeleceu no Brasil. Juntos, Vicky e Joseph Safra tiveram quatro filhos e 14 netos. Joseph Safra morreu em 2020, aos 82 anos, por causas naturais.

O episódio mais recente envolvendo o nome da família aconteceu no começo deste ano, quando um dos filhos, Alberto Safra, processou a mãe e dois irmãos, acusando-os de diluir de propósito sua participação na holding do Safra National Bank, em um esforço para expulsá-lo do império da família.

O empresário Jorge Paulo Lemann, em foto de novembro de 2013 — Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo/Arquivo
empresário Jorge Paulo Lemann, em foto de novembro de 2013 — Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo/Arquivo

Nascido no Rio de Janeiro em 26 de agosto de 1939, Lemann é filho de suíços que imigraram para o Brasil no começo do século XX. Nos primeiros anos em solo brasileiro, o pai de Lemann trabalhou em uma fabricante de sapatos antes de retomar a produção de laticínios, negócio que a família mantinha na Suíça – ele fundou em Resende, no Sul fluminense, a Lemann & Company – ou, simplesmente Leco, fabricante de laticínios.

Órfão de pai aos 14 anos, Lemann foi um estudante dedicado e, seguindo os passos de um primo, se formou em economia em Harvard, nos Estados Unidos.

Iniciou sua carreira atuando em bancos e financeiras até começar a atuar no mercado de capitais, o que o levou a se tornar, em meados da década de 1960, sócio da financeira Invesco, que quebrou em 1966. Lemann se tornou sócio, então, da corretora Libra, da qual tentou comprar o controle.

No começo de 1970, o empresário vendeu sua participação na corretora Libra por US$ 200 mil. No ano seguinte, comprou título da Corretora Garantia, na qual viria a conhecer Telles e Sicupira e dar início à sociedade na 3G Capital Partners.

O episódio mais recente envolvendo o nome do bilionário aconteceu no começo deste ano, quando uma de suas controladas, a Americanas, foi pivô de um dos maiores escândalos financeiros do Brasil nos últimos anos. A empresa entrou em recuperação judicial, com dívidas que somavam mais de R$ 40 bilhões.

Marcel Herrmann Telles, também sócio-fundador da 3G Capital Partners

Carlos Alberto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Herrmann Telles são os maiores acionistas do negócio — Foto: 3G Capital
Carlos Alberto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Herrmann Telles são os maiores acionistas do negócio — Foto: 3G Capital

Filho de um piloto de avião e de uma ex-secretária da embaixada americana que virou dona de casa, Marcel Herrmann Telles nasceu no Rio de Janeiro em 23 de fevereiro de de 1950, e é o caçula do trio de bilionários sócios da 3G Capital Partners (além de Telles e Lemann, também integra o grupo o empresário Carlos Alberto Sicupira).

Telles estudou economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nos últimos períodos do curso, passou a direcionar sua formação profissional rumo ao mercado financeiro ao notar a ascensão econômica dos colegas de faculdade que já trabalhavam na área.

Começou sua carreira trabalhando de madrugada para a corretora Marcelo Leite Barbosa, uma das maiores do país naquela época, conferindo boletos da bolsa de valores entre meia-noite e 6h da manhã. Pouco tempo depois, pediu transferência para a área de open market da corretora, mas lhe ofereceram uma vaga na área comercial.

Decidiu, então, procurar outro emprego, cuja busca o levou ao Banco Garantia, onde conheceu os dois empresários com os quais viria a formar, anos depois, um dos maiores impérios empresariais no Brasil.

Eduardo Saverin, o brasileiro que ajudou a criar o Facebook

Eduardo Saverin, cofundador do Facebook — Foto: Reprodução/Facebook
Eduardo Saverin, cofundador do Facebook — Foto: Reprodução/Facebook

Na lista dos mais ricos do país, Eduardo Saverin é conhecido por ser um dos cofundadores do Facebook, junto com Mark Zuckerberg, a quem conheceu enquanto estava na faculdade.

Saverin nasceu em 1982 na cidade de São Paulo, mas foi criado nos Estados Unidos. Ele se formou em economia em Harvard, onde conheceu Zuckerberg. Sua fortuna veio de uma participação minoritária do Facebook, que viria a crescer anos mais tarde.

Nos anos seguintes, Saverin e Zuckerberg discordaram sobre os rumos da empresa. O embate foi parar na Justiça e foi retratado no filme "A Rede Social" (2010), em que Saverin é interpretado pelo ator Andrew Garfield.

O empresário vive com a mulher e o filho em Singapura desde 2012, quando renunciou a sua cidadania americana e, desde 2016, é responsável pelo fundo de risco B Capital, criado com o Boston Consulting Group e o investidor Raj Ganguly.

Veja a lista dos 10 brasileiros mais ricos, segundo a Forbes

  1. Vicky Safra e família (Banco Safra): US$ 16,7 bilhões
  2. Jorge Paulo Lemann e família (3G Capital): US$ 15,8 bilhões
  3. Marcel Herrmann Telles (3G Capital): US$ 10,6 bilhões
  4. Eduardo Saverin (Facebook): US$ 10,2 bilhões
  5. Carlos Alberto Sicupira e família (3G Capital): US$ 8,6 bilhões
  6. Alexandre Behring (3G Capital): US$ 5,2 bilhões
  7. Andre Esteves (BTG Pactual): US$ 4,7 bilhões
  8. João Moreira Salles (Itaú): US$ 4,1 bilhões
  9. Walther Moreira Salles Junior (Itaú): US$ 4,1 bilhões
  10. Jorge Moll Filho e família (Rede D'Or): US$ 3,9 bilhões
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