Já a taxa média de 2021 foi de 13,2%, o que indica uma tendência de recuperação frente à de 2020 (13,8%). Mesmo recuando, foi a segunda maior da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012.
"Embora o cenário tenha melhorado em 2021, o patamar pré-Covid ainda não foi recuperado", destacou o IBGE.
Apesar dos indícios de melhora no mercado de trabalho, o rendimento dos
trabalhadores encerram 2021 no menor nível da série histórica do IBGE,
situação que é agravada pelo número recorde de informais, alta da
subocupação e inflação persistente, acima de dois dígitos.
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Evolução da taxa de desemprego — Foto: Economia g1
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
Contínua (Pnad). No levantamento anterior, referente ao trimestre
encerrado em novembro, a taxa de desemprego estava em 11,6%, atingindo 12,4 milhões de pessoas.
“É um ano de recuperação para alguns indicadores, mas não é o ano de
superação das perdas, até porque a pandemia não acabou, e seus impactos,
ainda em curso, afetam diversas atividades econômicas e o rendimento do
trabalhador. Há um processo de recuperação, mas ainda estamos distantes
dos patamares de antes da pandemia”, destacou a coordenadora de
Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy.
O resultado veio um pouco melhor que o esperado.
A mediana das previsões em pesquisa do Valor Data era de que a taxa
ficaria em 11,2%. O intervalo das projeções era 11,1% a 11,7%.
Evolução do número de desempregados — Foto: Economia g1
Ocupação cresce, mas renda segue encolhendo
A população ocupada cresceu 3% frente aos três meses anteriores, para 95,7 milhões de pessoas.
Na comparação com o mesmo trimestre de 2020, a alta foi de 9,8% (8,5
milhões a mais de pessoas). Com o crescimento, o nível de ocupação
chegou a 55,6%. Na máxima histórica, em 2013, chegou a 58,5%.
Apesar
da queda do desemprego, o rendimento real habitual caiu 3,6% frente ao
trimestre anterior e 10,7% em relação a igual trimestre de 2020, para R$
2.447 – o menor rendimento da série histórica do IBGE. A média anual
foi de R$ 2.587, queda de 7% para 2020 (ou, menos R$ 195).
Ou seja, há mais pessoas trabalhando no país, mas com rendimentos cada
vez menores e abaixo dos registrados antes mesmo da pandemia, em razão
do aumento do número de brasileiros na informalidade, que atingiu o número recorde de 38,9 milhões.
Já a massa de todos os rendimentos do trabalho ficou estável no 4º
trimestre, mas caiu 2,4% (menos R$ 5,6 bilhões) na média anual, na
comparação com 2020. Ou seja, as famílias brasileiras ainda não
recuperaram o seu poder de compra.
“Muitas
pessoas ao longo dos dois anos perderam suas ocupações e várias delas
interromperam a busca por trabalho no início de 2020 por causa da
pandemia. Depois houve uma retomada dessa busca, ainda que o panorama
econômico estivesse bastante desfavorável, ou seja, não havia uma
resposta elevada na geração de ocupação. Em 2021, com o avanço da
vacinação e a melhora no cenário, houve crescimento do número de
trabalhadores, mas ainda persiste um elevado contingente de pessoas em
busca de ocupação”, avaliou a coordenadora da pesquisa.
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Trabalho por conta própria atinge número recorde — Foto: Economia g1
Destaques da pesquisa
- Na média anual, o número de desempregados totalizou 13,9 milhões, contra 13,8 milhões de pessoas em 2020
- As maiores taxas de desemprego no 4º trimestre foram as do AP (17,5%), BA (17,3%), PE (17,1%) e as menores, de SC (4,3%), MT (5,9%) e MS (6,4%)
- A taxa de informalidade subiu
para 40,7% no 4º trimestre, se aproximando da máxima histórica. Número
de brasileiros na informalidade alcançou marca recorde de 38,9 milhões
de pessoas.
- Número de trabalhadores por conta própria saltou 11,1% na média anual e atingiu no 4º trimestre o recorde de 25,9 milhões de brasileiros
- Os trabalhadores com carteira assinada cresceram 2,6% em 2021, enquanto os que não tinham carteira aumentaram bem mais, 11,1%
- População subutilizada diminui 1,2% frente a 2020, para 31,3 milhões de pessoas.
- População desalentada caiu de 5,5 milhões em 2020 (recorde da série) para 5,3 milhões de pessoas em 2021
- Subocupados por insuficiência de horas trabalhadas saltou 18,1% na comparação com 2020, atingindo 7,5 milhões na média anual
- Aumento da ocupação foi puxado pelo comércio e pela construção, que ocuparam 3 milhões de pessoas a mais em 1 ano, no comparativo com o 4º trimestre de 2020
- Número de trabalhadores domésticos aumentou 6,6% contra 2020, alcançando 5,2 milhões de pessoas
- A taxa de desemprego foi de 9% para os homens e 13,9% para as mulheres no 4° trimestre; na análise por cor ou raça ficou abaixo da média nacional para os brancos (9%) e acima para os pretos (13,6%) e pardos (12,6%).
- Desemprego é mais alto na faixa etária de 25 a 39 anos (35,2%) e de 18 a 24 anos (30,8%)
Evolução da população ocupada por segmento de atividade — Foto: Economia g1
Para 2022, os analistas projetam que a população ocupada continue se
recuperando, porém, a um ritmo menor, principalmente devido à elevação
dos juros e as incertezas políticas relacionadas à corrida presidencial.
A XP, por exemplo, estima o desemprego atingirá 11% no 2º trimestre e
subirá ligeiramente ao longo da segunda metade de 2022. Para a taxa
média anual de desemprego, a instituição projeta taxa de 11,6% em 2022 e
10,5% em 2023.
Desemprego faz crescer número de famílias com dificuldades para pagar a conta de luz