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segunda-feira, 13 de maio de 2024

Maior aspirador do mundo vai sugar poluição do ar; veja como funciona

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Captura direta de ar é uma tecnologia projetada remover o carbono usando produtos químicos.
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Laura Paddisonda CNN
13/05/2024 às 11:54
Postado em 13 de maio de 2.024 às 13h00m

#.*Post. - N.\ 11.200*.#

O design modular do Mammoth permite que as unidades sejam empilhadas e movidas pela fábrica.
O design modular do Mammoth permite que as unidades sejam empilhadas e movidas pela fábrica. Climeworks via CNN Newsource

A maior usina do mundo projetada para sugar da atmosfera a poluição que aquece o planeta como um vácuo gigante começou a operar na Islândia na quarta-feira (8).

Mammoth é a segunda planta comercial de captura direta de ar inaugurada pela empresa suíça Climeworks no país e é 10 vezes maior que sua antecessora, Orca, que começou a operar em 2021.

A captura direta de ar, ou DAC, é uma tecnologia projetada para sugar o ar e remover o carbono usando produtos químicos. O carbono pode então ser injetado nas profundezas do solo, reutilizado ou transformado em produtos sólidos.

A Climeworks planeja transportar o carbono para o subsolo, onde será naturalmente transformado em pedra, retendo o carbono permanentemente. A empresa está trabalhando em parceria com a empresa islandesa Carbfix para este chamado processo de captura.

Toda a operação será alimentada pela energia geotérmica abundante e limpa da Islândia.

As soluções climáticas de última geração, como o DAC, estão recebendo mais atenção dos governos e da indústria privada, à medida que os humanos continuam a queimar combustíveis fósseis. As concentrações de dióxido de carbono na atmosfera, que aquece o planeta, atingiram um nível recorde em 2023.

À medida que o planeta continua aquecendo – com consequências devastadoras para os seres humanos e para a natureza – muitos cientistas dizem que o mundo precisa de encontrar formas de remover carbono da atmosfera, além de reduzir rapidamente os combustíveis fósseis.

Mas as tecnologias de remoção de carbono, como o DAC, ainda são controversas. Elas foram criticadas por serem caros, consumidoras de energia e não comprovadas em escala. Alguns defensores do clima também estão preocupados com a possibilidade de desviarem a atenção das políticas de redução dos combustíveis fósseis.


A fábrica Mammoth da Climeworks será capaz de capturar 36.000 toneladas de carbono do ar. / Climeworks via CNN Newsource

Esta tecnologiaestá repleta de incertezas e riscos ecológicos, disse Lili Fuhr, diretora do programa de economia fóssil do Centro de Direito Ambiental Internacional, falando sobre a captura de carbono em geral.

A Climeworks começou a construir Mammoth em junho de 2022, e a empresa afirma que é a maior fábrica desse tipo do mundo. Ela possui design modular com espaço para 72 recipientes coletores – as peças de vácuo da máquina que capturam o carbono do ar – que podem ser empilhados uns sobre os outros e movimentados facilmente. Existem atualmente 12 deles em vigor e mais serão adicionados nos próximos meses.

Mammoth será capaz de extrair 36 mil toneladas de carbono da atmosfera por ano em plena capacidade, de acordo com a Climeworks. Isso equivale a tirar cerca de 7.800 carros movidos a gasolina das estradas durante um ano.

A Climeworks não forneceu um custo exato para cada tonelada de carbono removida, mas disse que estava mais próximo dos 1.000 dólares por tonelada do que dos 100 dólares por tonelada – o último dos quais é amplamente visto como um limiar fundamental para tornar a tecnologia acessível e viável.

À medida que a empresa aumenta o tamanho de suas fábricas e reduz os custos, o objetivo é atingir US$ 300 a US$ 350 por tonelada até 2030, antes de atingir US$ 100 por tonelada por volta de 2050, disse Jan Wurzbacher, cofundador e co-CEO da Climeworks, em uma ligação com repórteres.

A nova central é um passo importante na luta contra as alterações climáticas, disse Stuart Haszeldine, professor de captura e armazenamento de carbono na Universidade de Edimburgo. Ela vai aumentar o tamanho do equipamento para capturar a poluição por carbono.

Mas, advertiu ele, isso ainda é uma pequena fração do que é necessário.


A fábrica Mammoth da Climeworks em Hellisheiði, Islândia, começou a operar em 8 de maio. / Climeworks via CNN Newsource

Todos os equipamentos de remoção de carbono do mundo só são capazes de remover cerca de 0,01 milhões de toneladas métricas de carbono por ano, muito longe dos 70 milhões de toneladas por ano necessárias até 2030 para cumprir as metas climáticas globais, de acordo com a Agência Internacional de Energia.

Já existem fábricas DAC muito maiores em obras de outras empresas. O Stratos, atualmente em construção no Texas, por exemplo, foi projetado para remover 500 mil toneladas de carbono por ano, segundo a Occidental, a empresa petrolífera por trás da usina.

Mas pode haver um problema. A Occidental afirma que o carbono capturado será armazenado nas profundezas, mas seu site também se refere ao uso do carbono capturado pela empresa em um processo chamadorecuperação aprimorada de petróleo. Isto envolve empurrar carbono para os poços para expulsar os restos de petróleo de difícil acesso – permitindo que as empresas de combustíveis fósseis extraiam ainda mais de campos petrolíferos envelhecidos.

É este tipo de processo que deixa alguns críticos preocupados que as tecnologias de remoção de carbono possam ser utilizadas para prolongar a produção de combustíveis fósseis.

Mas para a Climeworks, que não está ligada a empresas de combustíveis fósseis, a tecnologia tem um enorme potencial e a empresa diz ter grandes ambições.

Jan Wurzbacher, cofundador e co-CEO da empresa, disse que Mammoth é apenas o estágio mais recente no plano da Climeworks de aumentar até 1 milhão de toneladas de remoção de carbono por ano até 2030 e 1 bilhão de toneladas até 2050.

Os planos incluem potenciais fábricas de DAC no Quênia e nos Estados Unidos.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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sexta-feira, 10 de maio de 2024

Por que a receita de cerveja mais antiga do mundo voltou a ser produzida

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Uma antiga receita de cerveja da Mesopotâmia, feita com restos de pão, ressurgiu milênios depois para reduzir a pegada de carbono da bebida.
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TOPO
Por BBC

Postado em 10 de maio de 2024 às 11h05m

#.*Post. - N.\ 11.199*.#

Por que a receita de cerveja mais antiga do mundo voltou a ser produzida — Foto: TOM MOGGACH
Por que a receita de cerveja mais antiga do mundo voltou a ser produzida — Foto: TOM MOGGACH

Quando as pessoas experimentaram pela primeira vez a espuma da cerveja – provavelmente, muito mais quente e densa que nos padrões atuais –, o mundo era muito diferente de hoje.

As pessoas que produziram as primeiras cervejas moravam na Mesopotâmia, onde hoje fica o sul do Iraque. Eram os sumérios, a primeira civilização conhecida da região. Eles moravam em cidades antigas, cerca de 4 mil a 6 mil anos atrás.

Uma antiga receita foi descoberta em uma tábua de argila, escrita na forma de poema para a deusa da cerveja, Ninkasi.

"Ninkasi, é você quem prepara [a] massa com uma grande pá, misturando, em um fosso, o pão de cerveja com doces aromáticos", diz o poema.

"É você quem assa o pão de cerveja no grande forno e coloca em ordem as pilhas de grãos descascados."

O poema revela que a cerveja que eles bebiam não era feita apenas com ingredientes comuns, como cereais, levedura e água. Ela também levava pão.

Os sumérios adoravam a cerveja: seu pictograma é um dos mais usados na escrita desse povo.

E, ao contrário da maior parte da cerveja produzida hoje em dia, ela usava "pão de cerveja" — um pão de cevada assado duas vezes, para fornecer parte dos açúcares necessários para iniciar o processo de fermentação.

Milênios depois, em 2016, os fundadores da cervejaria Toast Brewing, em Londres, decidiram recuperar essa receita antiga ao verificar os imensos volumes de alimentos desperdiçados pelas fábricas e pelos supermercados.

Tristram Stuart é ativista ambiental da organização Feedback, e Louisa Ziane é especialista em sustentabilidade da consultoria The Carbon Trust. Surpresos com as possibilidades apresentadas pelo humilde alimento, eles decidiram produzir cerveja com restos de pão.

Em todo o mundo, estima-se que 900 mil toneladas de pão industrializado acabem no cesto de lixo todos os anos. São 24 milhões de fatias de pão jogadas fora todos os dias.

Por que a receita de cerveja mais antiga do mundo voltou a ser produzida — Foto: TOM MOGGACH
Por que a receita de cerveja mais antiga do mundo voltou a ser produzida — Foto: TOM MOGGACH

Stuart teve a primeira noção da escala desse desperdício em 2013, durante uma visita a uma fábrica que fornecia sanduíches embalados para um supermercado britânico.

"Havia um grande recipiente lá fora, simplesmente repleto de fatias de pão", conta Ziane.

Stuart conversou com a empresa a respeito. Eles estimavam que houvesse 13 mil fatias de pão naquele recipiente. A discussão revelou que as pontas dos pães e, muitas vezes, as primeiras fatias perto das pontas costumam ser jogadas fora porque não são perfeitamente quadradas.

Pouco tempo depois, uma visita casual à Bélgica – onde ele provou uma cerveja feita com pão no Projeto de Cerveja de Bruxelas – inspirou Stuart a transformar pães desperdiçados em cerveja de alto valor.

"A ideia de que os povos antigos reverenciavam o cereal e o usavam para criar uma bebida que ajudava a enaltecer a origem daquele grão conta a história da cerveja", explica Ziane.

A Toast Brewing foi lançada em 2016, oferecendo garrafas de cerveja produzida com resíduos de pão das padarias londrinas.

Por que a receita de cerveja mais antiga do mundo voltou a ser produzida — Foto: TOAST BREWING
Por que a receita de cerveja mais antiga do mundo voltou a ser produzida — Foto: TOAST BREWING

O lançamento da Toast foi recebido calorosamente, transformando a cerveja em uma forma inovadora de despertar as pessoas para uma questão planetária.

Cerca de um terço de todos os alimentos produzidos no mundo são perdidos ou desperdiçados. E este desperdício representa até 8-10% das emissões globais de gases do efeito estufa.

"Para nós, esta é uma forma muito interessante de ajudar a indústria britânica da panificação a combater o desperdício de alimentos e a aumentar a consciência entre os consumidores de cerveja", afirma Ziane.

Fabricar cerveja com pão também traz os seus desafios.

"As primeiras cervejas provavelmente eram um pouco granuladas e talvez se parecessem com um mingau alcoólico", explica Ziane.

O método exigiu um pouco de adaptação, incluindo um triturador industrial para picar as fatias de pão e cascas de arroz para evitar que o pão se transformasse em uma esponja impenetrável dentro do tanque.

A receita final da Toast substitui 25% dos grãos por pão. Com isso, ela economiza 25% do carbono, água e terra necessária para cultivar os cereais.

Conheça todos os processos para se fazer cerveja

O impacto ambiental, do cultivo à embalagem

Stefan Schaltegger é o fundador do Centro de Gestão da Sustentabilidade da Universidade Leuphana de Lüneburg, na Alemanha. Ele é consultor de sustentabilidade da Krombacher, o maior fabricante de cerveja do país.

O professor afirma que o cultivo de cereais prejudica o meio ambiente de diversas formas.

"Uma categoria importante de impacto é a contribuição para as mudanças climáticas, com as emissões de gases do efeito estufa", explica Schaltegger. "Outra categoria de impacto importante é o uso da água e a terceira é... a perda da biodiversidade."

Cerca da metade do impacto ambiental da cerveja ocorre durante a produção do cereais. E o uso de resíduos de pão reduz este impacto.

A Toast calcula que, entre 2016 e 2022, o uso de resíduos de pão na sua fábrica evitou emissões equivalentes a 61 toneladas de CO2 (CO2e).

O processo de produção é outro fator importante para o impacto ambiental da cerveja.

"A principal questão é o uso de energia, tipicamente de combustíveis fósseis", explica Schaltegger.

"São quantidades imensas, pois são necessárias temperaturas muito altas e você precisa resfriar a cerveja com relativa rapidez, dependendo do tipo que estiver produzindo."

A cervejaria da Toast usa gás e eletricidade pública, mas a migração para fontes renováveis é uma prioridade imediata da empresa. Sua pegada de carbono em 2022 foi de 206 toneladas de CO2e, que eles pretendem reduzir para zero até 2030.

Evitar que o pão vá para os aterros sanitários também evita a emissão de metano, que é produzido quando o pão (ou qualquer outro alimento) se decompõe em ambientes com baixo teor de oxigênio.

Por que a receita de cerveja mais antiga do mundo voltou a ser produzida — Foto: TOAST BREWING
Por que a receita de cerveja mais antiga do mundo voltou a ser produzida — Foto: TOAST BREWING

O metano é um gás altamente poderoso. Seu impacto no aquecimento global é mais de 80 vezes maior que o do CO2 ao longo de um período de 20 anos. Por isso, é importante evitar que os pães e cereais tenham esse mesmo destino, depois que seus açúcares forem extraídos para a produção da cerveja.

A Toast encaminha todos os cereais e resíduos de pão usados para uma fazenda no sudeste da Inglaterra. Lá, eles são consumidos como ração animal.

Este subproduto "começa a criar cheiro de queijo em poucas horas, de forma que ele realmente precisa ser coletado diariamente", explica Ziane.

Ou seja, o agricultor responsável pela coleta precisa ficar próximo da fábrica – da mesma forma que, em um mundo ideal, o pão viria da padaria ao lado da cervejaria.

"Se você examinar os tempos pré-industrialização, quando você tinha diversos pequenos negócios em locais próximos, você costumava ter um cervejeiro local e uma padaria na porta ao lado", prossegue Ziane.

"A padaria usava a levedura excedente do cervejeiro e o cervejeiro podia usar sobras de cereais da padaria."

"Hoje em dia, é muito mais difícil operar desta forma. Mas existe algo realmente encantador no potencial de resiliência criado por esses relacionamentos."

A Toast agora compra pão das maiores padarias comerciais do Reino Unido, mas procura manter suas vendas perto da fábrica de cerveja.

Em outros países, como a Bélgica, a Holanda e a Austrália, a Toast mantém parcerias com cervejeiros e padarias locais para comprar pão e vender cerveja localmente.

O resultado é que a pegada de carbono da cerveja da Toast é de 604g por litro, em comparação com a média de cerca de 700 g por litro da bebida convencional no Reino Unido e de 900g por litro nos EUA.

Mas os números da Toast incluem parte do carbono associado à produção de pão, mesmo considerando que o pão usado na fabricação de cerveja seria descartado.

Ainda há trabalho a ser feito para reduzir essa pegada de carbono.

A embalagem, por exemplo, é responsável por uma boa parte do impacto ambiental das cervejas – cerca de 19 a 46% no Reino Unido. E a Toast não é exceção. A embalagem é responsável por até 56% da pegada de carbono da empresa.

Por isso, a Toast está em processo de substituir suas garrafas de vidro por latas no Reino Unido. Segundo a companhia, a mudança irá reduzir pela metade a pegada de carbono das suas embalagens.

A melhor opção de embalagem de cerveja depende das opções de reutilização e reciclagem disponíveis em cada local.

Em países como o Reino Unido, que só usam latas ou garrafas descartáveis, o impacto ambiental é substancialmente maior do que em países como a Alemanha, que dispõe de um programa de devolução de garrafas, segundo Schaltegger.

Aproveitar resíduos ou reduzir a produção?

É claro que é mais ecológico usar um produto residual no lugar de matéria-prima nova, mas Schaltegger recomenda cautela no uso desses produtos.

"Do ponto de vista mais amplo dos sistemas, seria este o melhor lugar para usar o pão velho?", questiona ele.

"Ou haveria outros lugares onde você poderia usar o pão residual e reduzir ainda mais CO2?"

Garantir que todo o pão seja consumido na alimentação – e, portanto, evitando a produção de mais pão – pode ser a solução ideal, segundo o professor.

Mas, enquanto não existirem sistemas que eliminem o desperdício de alimentos, criar novos propósitos para o pão indesejado é uma ideia inteligente.

"Você não precisa produzir a quantidade correspondente de cevada e malte e, é claro, o processo de maltagem consome muita energia", explica Schaltegger.

Para que os benefícios ambientais da cerveja produzida com resíduos de pão realmente causem impacto, é preciso que o processo se torne padrão.

Já existem outros cervejeiros usando pão no seu processo de produção, como a Crumbs Brewing no Reino Unido, a Modist e a Jester King Brewery nos EUA, a Breer em Hong Kong e a Nääs Fabriker, na Suécia.

A Toast também elaborou uma receita de fermentação doméstica, que está disponível online para qualquer pessoa interessada em fazer experimentos com o pão velho da sua cesta. Mas o principal avanço será convencer as grandes cervejarias comerciais a incluir pão nas suas receitas.

"Considerando a quantidade de cerveja produzida no Reino Unido, estimamos que, se conseguirmos fazer com que os fabricantes substituam apenas 10% da sua base de malte por restos de pão, poderemos diminuir pela metade o desperdício de pão no país", afirma Ziane.

"É claro que este é um enorme desafio, já que a receita de cerveja é quase sagrada."

Esse volume de pão desperdiçado significa que encontrar matéria-prima nesta escala dificilmente será um problema. A disponibilidade de pão residual, infelizmente, é constante, segundo Ziane.

"Temos um suprimento bastante confiável, infelizmente. O que acontece é que as padarias... Costumam planejar assando um pouco a mais, para evitar multas ou perda de clientes se não atenderem aos pedidos", explica ela.

"Por isso, costuma sempre existir excesso de produção."

Este sistema garante que sempre haverá pães suficientes nas despensas e resíduos aguardando a oportunidade de serem transformados em cerveja – pelo menos, até conseguirmos enfrentar o problema da superprodução.

É por este motivo que a Toast doa 100% dos seus lucros para organizações ambientais, como a Feedback, que defendem o fim da produção excessiva.

A criatividade da antiga receita dos sumérios, acima de tudo, é um lembrete do valor dos alimentos, que acabou esquecido.

"O motivo que nos leva a desperdiçar tanta comida é porque perdemos essa conexão às origens dos nossos alimentos, essa consideração pela natureza e por tudo o que entra na produção da nossa comida, antes de tudo", afirma Ziane.

Com a Toast e seus parceiros tentando fazer com que a cerveja produzida com pão passe a ser o padrão, talvez a cerveja do futuro venha a se parecer mais com a do passado. Menos granulosa, um pouco mais gelada, mas tão adorada quanto a bebida dos sumérios.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Innovation.

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IPCA: preços sobem 0,38% em abril, puxados por medicamentos e alimentos

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País tem uma inflação acumulada de 3,69% em 12 meses. Resultado veio acima das expectativas do mercado financeiro, que esperavam alta de 0,35% no mês.
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Por Bruna Miato, g1

Postado em 10 de maio de 2024 às 10h00m

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Inflação sobe 0,38% em abril

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, mostra que os preços subiram 0,38% em abril, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O aumento dos preços no mês passado foi puxado, principalmente, pelos produtos farmacêuticos e alimentos. O grupo de Saúde e cuidados pessoais foi o que apresentou a maior alta, de 1,16%, enquanto Alimentação e bebidas subiu 0,70%.

A inflação brasileira voltou a acelerar em relação ao mês anterior. Os preços haviam subido 0,16% março. No entanto, esse é o menor percentual para abril desde 2021. No mesmo mês do ano passado, o IPCA havia subido 0,61%.

Com os resultados, o IPCA acumula 3,69% em 12 meses. No ano, a alta é de 1,80%.

A inflação de abril veio acima das expectativas do mercado financeiro, que esperavam uma alta menos acentuada, de 0,35%.

Entre os nove principais grupos de produtos e serviços medidos pelo IPCA, sete apresentaram alta em abril.

De acordo com André Almeida, gerente da pesquisa do IBGE, os maiores vilões da inflação no mês passado foram os medicamentos, alimentos e a gasolina. Em contrapartida, a passagem aérea foi destaque entre as quedas.

Veja o resultado dos grupos do IPCA:

  • Alimentação e bebidas: 0,70%;
  • Habitação: -0,01%;
  • Artigos de residência: -0,26%;
  • Vestuário: 0,55%;
  • Transportes: 0,14%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 1,16%;
  • Despesas pessoais: 0,10%;
  • Educação: 0,05%;
  • Comunicação: 0,48%.
Medicamentos e alimentos lideram as altas

Os produtos farmacêuticos foram os que apresentaram a maior alta dentro do grupo de Saúde e cuidados pessoais: um avanço de 2,84% nos preços, correspondendo a um peso de 0,10 ponto percentual na alta geral do grupo.

Essa alta é sazonal, e pode ser explicada pelos reajustes de até 4,50% nos preços dos medicamentos, válidos a partir de 31 de março.

Entre os medicamentos, as maiores altas vieram das classes de do antidiabético (4,19%), de anti-infeccioso e antibiótico (3,49%) e de hipotensor e hipocolesterolêmico (3,34%).

Grupo de Saúde e cuidados pessoais foi o que teve a maior alta nos preços em abril. — Foto: Reprodução/RBS TV
Grupo de Saúde e cuidados pessoais foi o que teve a maior alta nos preços em abril. — Foto: Reprodução/RBS TV

Os alimentos também voltaram a pesar sobre a inflação de abril. A Alimentação no domicílio teve alta de 0,81% (contra 0,59% em março), enquanto a Alimentação fora do domicílio avançou 0,39% (versus 0,35% no mês anterior).

Entre os alimentos in natura que tiveram as maiores altas de preços, destaque para o mamão, que subiu 22,76%, para a cebola, com 15,63%, para o tomate, com 14,09%, e o café moído, com 3,08%.

Já na Alimentação fora do domicílio, o subitem lanche teve uma desaceleração em abril, caindo de 0,66% para 0,44%. Por outro lado, a refeição avançou 0,34%, contra alta de 0,09% em março.

No grupo de Transportes (0,14%), o subgrupo de combustíveis teve alta importante, de 1,74% em abril. O gás veicular foi o único a apresentar deflação, com queda de 0,51%. O etanol (4,56%), óleo diesel (0,32%) e a gasolina (1,50%) subiram. A gasolina, inclusive, foi o subitem com o maior impacto no IPCA de abril, com força de 0,8 ponto percentual no índice geral.

Por outro lado, os preços da passagem aérea despencaram 12,09%, o que ajudou a amenizar a alta do grupo de Transportes.

Visão do mercado é otimista, mas com cautela

Apesar da aceleração do IPCA, especialistas destacam que o resultado não reflete um cenário ruim, ao olhar para a composição da inflação de abril. As médias dos núcleos da inflação, que descontam choques sazonais sobre os preços, continuou recuando na comparação anual.

No acumulado em 12 meses, a média dos núcleos recuou de 3,74% em março para 3,49% em abril.

Para Rafael Costa, analista de estratégia macro da BGC Liquidez, o resultado foi favorável, apresentando medidas importantes de tendência de baixas na inflação dos núcleos e dos serviços subjacentes.

"Temos apenas que tomar cuidado para não extrapolar o otimismo que pode ser gerado devido à boa leitura dessa divulgação. Particularmente, estamos preocupados com o efeito altista nos preços da alimentação que pode ocorrer pela triste destruição provocada pelas chuvas no Rio Grande do Sul", destaca o analista.  
INPC tem alta de 0,37% em abril

Por fim, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) — que é usado como referência para reajustes do salário mínimo, pois calcula a inflação para famílias com renda mais baixa — teve alta de 0,38% em abril. Em março, a alta foi de 0,19%.

Assim, o INPC acumula alta de 1,95% no ano e de 3,23% nos últimos 12 meses. Em abril de 2023, a taxa foi de 0,53%.

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