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quarta-feira, 15 de março de 2023

Entenda por que o Credit Suisse fez bancos europeus despencarem e o risco de crise no setor bancário

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Preocupação de investidores puxam índices de ações para baixo dias depois da quebra de dois bancos norte-americanos assustarem o mercado financeiro.
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Por Isabela Bolzani, g1

Postado em 15 de março de 2023 às 14h45m

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Fachada do banco suíço Credit Suisse em frente a uma filial em Berna, Suíça, em 29 de novembro de 2022. — Foto: REUTERS/Arnd Wiegmann/File Photo
Fachada do banco suíço Credit Suisse em frente a uma filial em Berna, Suíça, em 29 de novembro de 2022. — Foto: REUTERS/Arnd Wiegmann/File Photo

O mercado de ações global começou o dia em queda nesta quarta-feira (15), com um novo temor de crise no sistema bancário. Depois das turbulências causadas pela quebra do banco norte-americano Silicon Valley Bank (SVB), os ânimos voltaram a azedar com notícias ruins envolvendo o suíço Credit Suisse.

Depois de resultados ruins apresentados no trimestre passado, o banco foi informado que seu principal acionista, o Saudi National Bank, da Arábia Saudita, não vai apoiar a instituição com um aumento de sua participação no capital.

As ações do Credit Suisse despencaram mais de 20% nesta quarta e trouxeram temores ao mercado sobre uma situação generalizada de crise bancária internacional. Além do Credit, concorrentes europeus viram as ações despencarem nesta manhã, também acima dos 10%.

Para especialistas, a expectativa é que haja poucos efeitos diretos da crise para os bancos brasileiros. (saiba mais abaixo)

O movimento vem depois de dois bancos norte-americanos terem a falência decretada em um intervalo de três dias, aumentando as incertezas sobre a saúde do sistema bancário global.

Nos EUA, o resgate veio a galope: o Federal Reserve permitiu, por exemplo, que os bancos pudessem emprestar quantias "ilimitadas", desde que os empréstimos possam ser garantidos por títulos do governo seguros. Além disso, os reguladores também prometeram recuperar todos os depósitos de clientes do SVB e do Signature Bank mesmo acima do limite padrão de US$ 250 mil.

As medidas conseguiram estabilizar um pouco os mercados na terça-feira, mas a situação voltou a se complicar. Entenda abaixo a cronologia dos fatos e como essas notícias têm movimentado os mercados acionários ao redor do mundo.

Especialista diz se crise dos bancos nos EUA pode chegar no BrasilEspecialista diz se crise dos bancos nos EUA pode chegar no Brasil

Sexta-feira, 10 de março – Silicon Valley Bank

Na última sexta-feira, o Silicon Valley Bank, banco norte-americano voltado para startups de tecnologia, foi tomado por reguladores bancários da Califórnia, que colocaram a instituição em recuperação judicial e liquidaram seus ativos.

A decisão dos reguladores veio após o SVB Financial Group, que tem o Silicon Valley Bank como segmento operacional, anunciar um aumento de capital por meio de venda de ações no valor de US$ 1,75 bilhão, na quarta-feira da semana passada (8).

Foi uma tentativa de driblar os efeitos da queda nos depósitos de startups em meio ao menor volume de financiamento disponível em venture capital — modalidade de investimento em que o dinheiro é aplicado em companhias em estágio inicial, esperando forte valorização no futuro.

"Isso só assusta as pessoas porque o Silicon Valley, historicamente, tem sido um banco muito forte e bem administrado. Se estão tendo problemas neste momento, as pessoas estão se perguntando o que dizer de outros bancos que são de menor qualidade e que não têm a reputação que o Silicon Valley Bank tem, afirmou R.J. Grant, chefe de trading da Keefe, Bruyette & Woods, em Nova York à Reuters.

O quadro teve um impacto imediato nas ações do setor financeiro, com investidores já acendendo alertas sobre o sistema bancário internacional. Na própria sexta-feira, as bolsas europeias encerraram em baixa, com a queda liderada por ações de bancos — naquele dia, grandes bancos da Europa, como HSBC, Deutsche Bank, Barclays, Unicredit e Commerzbank registraram perdas de 2,6% a 7,4%.

Domingo, 12 de março – Signature Bank

Não suficiente, as preocupações dos investidores com o segmento deram uma escalada ainda maior durante o final de semana, quando reguladores norte-americanos fecharam mais um banco, o Signature Bank, de Nova York — marcando a terceira maior falência da história dos Estados Unidos.

O resultado foi explícito nas bolsas globais na segunda-feira (13), que recuaram mesmo após o Fed e o Tesouro dos EUA anunciarem uma série de medidas para estabilizar o sistema bancário do país: tanto os índices norte-americanos quanto os europeus fecharam o pregão em queda, mais uma vez puxados por ações do setor financeiro.

Terça-feira, 14 de março – Credit Suisse

O que parecia ser um dia um pouco mais calmo para os mercados acionários, com dados da inflação ao consumidor nos Estados Unidos reforçando a perspectiva de um aumento mais brando de juros por parte do Fed, logo tomou outro rumo.

Depois de seu balanço referente ao quarto trimestre do ano passado, o banco suíço Credit Suisse afirmou ter identificado fraquezas materiais nos controles internos de divulgação de resultados financeiros e disse que ainda não conteve a saída de clientes de sua base, que aumentaram para mais de 110 bilhões de francos suíços (o equivalente a US$ 120 bilhões).

Essa, no entanto, não foi a primeira adversidade enfrentada pelo banco, que já vinha de uma sequência de escândalos e questões legais há anos. Um dos eventos veio em 2021, por exemplo, quando o colapso da empresa britânica de serviços financeiros Greensill já havia levado US$ 10 bilhões de clientes do Credit Suisse.

Outro acontecimento veio no mesmo ano, quando o Archegos Capital Management deu um prejuízo de mais de US$ 5 bilhões ao banco suíço, após ter feito investimentos na ViacomCBS com recursos tomados por meio de empréstimos bancários feitos também com o Credit.

O banco ainda enfrentou uma investigação independente que concluiu que houve falhas na gestão de riscos da instituição e passou por fases de instabilidade e demissões de funcionários.

Mas a cereja do bolo veio nesta quarta-feira (15), com a notícia de que o maior investidor do Credit Suisse não poderia fornecer mais assistência financeira à instituição por questões regulatórias.

Não podemos porque iríamos acima de 10%. É uma questão regulatória, disse o presidente do conselho de administração do Saudi National Bank, Ammar Al Khudairy.

O banco saudita havia se comprometido a investir até 1,5 bilhão de francos suíços (US$ 1,5 bilhão) no Credit, após ter adquirido 10% de participação na instituição no ano passado por meio de um aumento de capital.

"Após o Saudi National Bank, principal acionista do Credit Suisse, descartar a hipótese de assistência financeira ao banco, o mercado passou a se preocupar ainda mais com a possibilidade de insolvência da instituição", afirmou o analista da Terra Investimentos, Luis Novaes.

Com isso, os papéis do Credit Suisse derretiam mais de 20% na manhã desta quarta-feira (15), e levaram junto os principais nomes do setor na Europa, como BNP Paribas e Deutsche Bank.

Fechamento de 2 bancos em 3 dias nos EUA coloca mercado financeiro internacional em alertaFechamento de 2 bancos em 3 dias nos EUA coloca mercado financeiro internacional em alerta

O impacto nos mercados

Diante de todo o cenário, as bolsas de valores ao redor do planeta foram penalizadas nesta quarta-feira (15). Na Europa, a queda era generalizada entre os índices acionários da região, que mais uma vez eram pressionados por ações do setor financeiro.

As bolsas de Londres, Frankfurt, Paris, Milão e Madri caíam mais de 2%. O quadro ainda se repetia nos Estados Unidos, com os três principais índices de Wall Street operando no vermelho. O Ibovespa também se contaminou com o clima de aversão a risco e cai mais que 1%.

Segundo Novaes, da Terra Investimentos, apesar da impressão de que os acontecimentos envolvendo o SVB e o Signature Bank estão contidos após o Fed ter anunciado medidas para aumentar a liquidez do sistema bancários norte-americano e de os grandes bancos ao redor do mundo parecerem "protegidos contra esse tipo de risco", a situação do Credit Suisse ainda preocupa investidores.

De acordo com o analista, o Credit é um dos cinco maiores bancos da Europa, considerado sistematicamente importante, e sua insolvência poderia ter grandes impactos no sistema financeiro.

"Apesar do SVB também ser um banco grande, sua exposição estava concentrada em um setor e suas perdas se tratam, sobretudo, de marcação a mercado de títulos públicos. O Credit Suisse é um banco muito maior e suas perdas são mais complexas, gerando dúvidas sobre a capacidade do governo suíço em 'salvá-lo' dessa situação", afirmou Novaes, da Terra Investimentos.

"Tendo em vista que seu fechamento daria início a uma série de eventos de grande prejuízo para o sistema financeiro e economia global, houve um aumento significativo do receio entre os investidores."

Outra preocupação, segundo os analistas consultados pelo g1, viria em eventuais efeitos desse cenário no quadro de juros de grandes economias, que há meses têm subido as taxas para tentar controlar a pressão inflacionária.

"O BCE [Banco Central Europeu] também enfrenta uma inflação persistente e o que pesa é que, ao mesmo tempo em que, por um lado, há um cenário que pressiona os banqueiros centrais a subir juros, por outro há uma instabilidade financeira que pede um corte de taxas", explica o economista-chefe do Banco Original, Marco Caruso.

"Então, imagino que o BCE deve fazer algo muito parecido com o que o Fed tem feito, de assegurar que qualquer eventual dificuldade que possa existir, como uma possível corrida bancária e um aumento de pedidos de retirada, serão garantidas pelo próprio banco central. É o que chamamos de emprestador de última instância: no limite da situação, o BC vai lá e honra os depósitos", completa Caruso, reiterando que uma solução privada — como um eventual aporte de capital — não é descartada.

Reflexos no Brasil

Apesar da pressão nos mercados acionários, os analistas consultados pelo g1 reforçam que a crise não deve respingar nos bancos brasileiros.

"Uma coisa que precisa ficar clara é que o nosso sistema financeiro é muito robusto, com um grau de alavancagem muito menor para os bancos. Aqui, então, o problema é mais indireto, mais no sentido de afetar preços de ativos, com um dólar mais forte, commodities em queda e bolsa caindo", diz Caruso.

Ontem [terça] vimos uma recuperação de ações de bancos americanos regionais, que tiveram uma queda muito forte na segunda-feira. Hoje, esse setor bancário volta a ser pressionado, afirmou a estrategista de ações da XP Investimentos, Jennie Li.

Segundo a analista, apesar de o evento do Credit Suisse não estar relacionado diretamente aos acontecimentos envolvendo o SVB, o banco já vinha tendo problemas há algum tempo e, diante das notícias recentes, as preocupações dos investidores com o setor financeiro mundial voltam a crescer. "Há o medo de que gere algum contágio também para outros setores ou mesmo para os grandes bancos americanos."

"Na nossa opinião, quando olhamos para os indicadores do setor, os bancos continuam com níveis de indicadores bastante saudáveis. A percepção é que SVB e Credit Suisse são eventos específicos. Mas, mesmo assim, o mercado volta a se preocupar com isso", disse Li.
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terça-feira, 14 de março de 2023

Sonda da Nasa flagra dunas de areia 'atípicas' em Marte

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Formações quase que perfeitamente circulares foram encontradas no final do ano passado durante passagem da Mars Reconnaissance Orbiter (MRO).
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 14 de março de 2023 às 08h35m

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As dunas de areia circulares vista em uma imagem da Mars Reconnaissance Orbiter — Foto: Nasa/Divulgação
As dunas de areia circulares vista em uma imagem da Mars Reconnaissance Orbiter — Foto: Nasa/Divulgação

A Nasa, a agência espacial norte-americana, divulgou nesta semana a imagem de uma formação "atípica" na superfície marciana: dunas de areia quase que perfeitamente circulares.

Embora não seja díficil encontrar no planeta vermelho montes dos mais variados tipos e formatos, a foto, capturada pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) em novembro do ano passado, surpreendeu os cientistas pela sua aparência especial.

Ainda que ligeiramente assimétricos, os montes foram encontrados numa região ao redor de dunas bem mais irregulares, perto de uma cratera em Utopia Planitia, no hemisfério norte do planeta (veja na imagem mais abaixo).

Região onde as dunas de areia circulares foram encontradas. Formações podem ser vistas no topo da imagem, logo acima das dunas maiores. — Foto: Nasa via Reuters
Região onde as dunas de areia circulares foram encontradas. Formações podem ser vistas no topo da imagem, logo acima das dunas maiores. — Foto: Nasa via Reuters

A diversidade das formas e texturas na superfície de Marte é algo que sempre despertou a atenção dos cientistas.

A foto das dunas, inclusive, faz parte de uma série de imagens de um projeto que monitora como o fim do inverno influencia essas formações do planeta.

De acordo com Alfred McEwen, geologista planetário da Universidade do Arizona integrante da pesquisa, as áreas íngremes nas extremidades suis das dunas circulares indicam que os montes foram formados por ventos que nessa época geralmente se movem para o sul.

Em uma imagem anterior, é possível ver até mesmo a superfície das dunas coberta por uma geada marciana (veja abaixo).

Dunas circulares cobertas em Marte cobertas por uma geada no planeta vermelho. — Foto: Nasa/Divulgação
Dunas circulares cobertas em Marte cobertas por uma geada no planeta vermelho. — Foto: Nasa/Divulgação

(VÍDEO: Nasa divulga som do impacto de rochas espaciais em Marte).

Agência espacial dos EUA também revelou fotos de ao menos três crateras criadas pelo impacto.Agência espacial dos EUA também revelou fotos de ao menos três crateras criadas pelo impacto.
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segunda-feira, 13 de março de 2023

Se faz de morto pra viver: cientistas descobrem estratégia de lagarto 'ator' que só existe na Mata Atlântica

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O pequeno réptil já tinha outras estratégias defensivas conhecidas, mas a partir de fotos os pesquisadores conseguiram ver que ele também fica de barriga para cima fingindo a própria morte.
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Por Viviane Lopes, g1 ES

Postado em 13 de março de 2023 às 09h15m

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Pesquisadores descobrem que lagarto se finge de morto para fugir de predadoresPesquisadores descobrem que lagarto se finge de morto para fugir de predadores

Pesquisadores descobriram durante um trabalho de campo em Santa Teresa, na Região Serrana do Espírito Santo, que um lagarto que só existe na Mata Atlântica, apresenta uma estratégia defensiva curiosa: ele se finge de morto para escapar de predadores.

A estratégia defensiva nunca havia sido registrada para a espécie Leposoma scincoides. O pequeno réptil tem cerca de 5 centímetros e ocorre exclusivamente em áreas de floresta da Mata Atlântica, desde Teresópolis (RJ) até Salvador (BA). O bichinho tem hábitos diurnos, vive no chão das florestas, entre folhas, troncos e raízes.

Pesquisadores do Projeto Bromélias e do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) estavam em trabalho de campo na cidade quando capturaram dois lagartos da espécie e observaram a estratégia defensiva e viram que o animal virava de barriga para cima para afastar possíveis predadores.

Ao serem manuseados para avaliar suas estratégias defensivas, imediatamente viraram-se de barriga para cima, colocando-se em uma postura na qual fingiram-se de mortos, retornando à posição normal cerca de quatro minutos depois, relata Cássio Zocca, pesquisador do INMA e um dos autores do estudo.

Lagarto da Mata Atlântica se finge de morto para fugir de predadores — Foto: Reprodução/Cássio Zocca
Lagarto da Mata Atlântica se finge de morto para fugir de predadores — Foto: Reprodução/Cássio Zocca

Intrigados, os pesquisadores realizaram registros fotográficos do lagartinho. Após buscas na literatura científica, a equipe constatou que se tratava de uma nova estratégia defensiva nunca registrada para a espécie.

O estudo com a descoberta foi publicado no dia 1º de março desse ano, na revista britânica The Herpetological Bulletin.

Cássio Zocca, pesquisador do INMA e um dos autores do estudo, destacou que compreender as estratégias defensivas das espécies de lagartos é importante pois muitas ainda permanecem com seus aspectos ecológicos desconhecidos.

Os lagartos adotam uma variedade de estratégias defensivas para evitar ataques de predadores na natureza, incluindo colorações e exibições posturais. Assim, espécies diferentes podem exibir estratégias diferentes diante do risco da predação. Há espécies que podem desferir mordidas, inflar o corpo, usar a descarga cloacal e a autotomia da cauda, que é a habilidade de liberar total ou parcialmente a cauda, como uma automutilação, explica Zocca.

Lagartinho só aparece em áreas de Mata Atlântica e descoberta foi feita em Santa Teresa, no Espírito Santo — Foto: Reprodução/Cássio Zocca
Lagartinho só aparece em áreas de Mata Atlântica e descoberta foi feita em Santa Teresa, no Espírito Santo — Foto: Reprodução/Cássio Zocca

A simulação de morte é uma exibição postural frequentemente usada após contato físico com um predador.

O pesquisador destaca que o réptil tem outras estratégias para fugir dos predadores que já são conhecidas, como a camuflagem e as tentativas de fuga. Mas, quando todas essas opções falham, o lagartinho parte para a "encenação".

No estudo, os autores sugerem que essa estratégia defensiva foi desenvolvida para evitar predadores visualmente orientados, como aves que geralmente se alimentam de presas em movimento, incluindo espécies de lagartos.

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sábado, 11 de março de 2023

A nova aposta de cientistas para capturar CO2 da atmosfera e reduzir aquecimento global

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Cientistas apresentam nova maneira de remover o dióxido de carbono da atmosfera, transformando-o em bicarbonato de sódio — um projeto até três vezes mais eficaz do que a tecnologia atual.
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TOPO
Por BBC

Postado em 11 de março de 2023 às 12h40m

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Uma nova maneira de capturar dióxido de carbono da atmosfera e armazená-lo no mar foi apresentada por cientistas.

Os autores da proposta, publicada na revista científica Science Advances, dizem que a nova abordagem captura o CO2 da atmosfera de forma até três vezes mais eficiente do que os métodos atuais.

O dióxido de carbono, que contribui para o aquecimento global, pode ser transformado em bicarbonato de sódio e armazenado de maneira segura e barata na água do mar.

O novo método pode acelerar a implantação da tecnologia de remoção de carbono, segundo especialistas.

Enquanto o mundo se esforçava para limitar e reduzir as emissões de dióxido de carbono nas últimas décadas, várias empresas se concentraram no desenvolvimento de tecnologias para retirar CO2 da atmosfera.

A Climeworks, na Suíça, talvez seja a mais conhecida. Nos últimos dez anos, a companhia desenvolveu máquinas para absorver o ar da atmosfera que filtram e retêm as moléculas de dióxido de carbono.

A Climeworks criou a maior usina de captura direta de ar do mundo na Islândia.  — Foto: Getty Images via BBC
A Climeworks criou a maior usina de captura direta de ar do mundo na Islândia. — Foto: Getty Images via BBC

Em uma usina na Islândia, o CO2 capturado é injetado nas profundezas do subsolo, onde é permanentemente transformado em rocha.

A empresa começou recentemente a vender um serviço de remoção de carbono certificado para grandes clientes corporativos, incluindo Microsoft, Spotify e Stripe.

Mas o grande desafio para a maioria das abordagens atuais de captura direta do ar é o custo.

O CO2, embora seja um poderoso agente do aquecimento global, está relativamente diluído na atmosfera em cerca de 400 partes por milhão (ppm).

São necessárias então máquinas enormes que requerem grandes quantidades de energia para absorver e descarregar o CO2.

Essa nova abordagem, que utiliza resinas e outras substâncias químicas já disponíveis, promete uma eficiência muito maior e um menor custo, segundo os cientistas envolvidos.

A equipe de pesquisa recorreu a uma abordagem usada para aplicação na água e "ajustou" os materiais existentes para remover CO2 da atmosfera.

Plantar árvores em larga escala, como é feito na China, é uma forma barata de captura direta do ar, mas requer grandes áreas de terra.  — Foto: Getty Images via BBC
Plantar árvores em larga escala, como é feito na China, é uma forma barata de captura direta do ar, mas requer grandes áreas de terra. — Foto: Getty Images via BBC

Nos testes, o novo material de absorção híbrido foi capaz de retirar até três vezes mais CO2 do que as substâncias existentes.

"Que eu saiba, não há material de absorção que, mesmo a 100.000 ppm, mostre a capacidade que obtivemos na captura direta de ar de 400 ppm", afirmou o principal autor do estudo, Arup Sengupta, que é professor da Universidade de Lehigh, nos EUA.

"Essa capacidade simples de capturar CO2 em alta quantidade em um pequeno volume de material é um aspecto único do nosso trabalho."

O desenvolvimento, que está em estágio inicial, foi bem recebido por outros representantes do setor.

"Fico feliz em ver este artigo publicado, é muito emocionante e tem uma boa chance de transformar os esforços de captura de CO2", disse a professora Catherine Peters, da Universidade de Princeton, nos EUA, especialista em engenharia geológica, que não estava envolvida no projeto de pesquisa.

"O que é inteligente nisso é que o ponto de partida foi uma tecnologia projetada anteriormente para uso na água. Esse avanço aplica essa tecnologia à fase gasosa — uma ideia nova."

"O desempenho demonstrado para a captura de CO2 é promissor."

Um dos grandes desafios na captura de CO2 é o que fazer com o gás retido.

Armazená-lo sob o solo ou mar nos antigos poços de petróleo é uma abordagem amplamente utilizada. Mas o novo artigo sugere que, com o acréscimo de algumas substâncias químicas, o CO2 capturado pode ser transformado em bicarbonato de sódio e armazenado de maneira simples e segura na água do mar.

Apesar da rápida implantação da energia renovável, controlar o aumento das temperaturas globais provavelmente vai exigir também uma ampla remoção de carbono da atmosfera.  — Foto: Getty Images via BBC
Apesar da rápida implantação da energia renovável, controlar o aumento das temperaturas globais provavelmente vai exigir também uma ampla remoção de carbono da atmosfera. — Foto: Getty Images via BBC

Sengupta contou que quer criar uma empresa spin-off para desenvolver ainda mais a tecnologia.

Ele acredita que a remoção de CO2 dessa maneira será não só fundamental para limitar o aumento das temperaturas globais, como também poderá ser diretamente empoderadora para os países em desenvolvimento.

"Temos que levá-la a lugares como Bangladesh, Barbados ou Maldivas, eles também têm um papel a desempenhar, não podem ser apenas espectadores que continuam sofrendo."

Alguns cientistas são relutantes em colocar muita ênfase em tecnologias novas e emergentes, como a captura direta do ar, porque temem que possam diluir os esforços de redução das emissões de carbono por parte de governos e indivíduos.

Mas com os limites de temperatura estabelecidos pelo acordo climático de Paris ameaçados pelas crescentes emissões, muitos outros sentem que a rápida implantação da captura direta do ar, além da redução drástica no carbono, é a melhor chance de evitar mudanças climáticas perigosas.

"Se tornou ainda mais importante agora que definitivamente passamos do ponto, em que temos que recuperar o carbono do meio ambiente", afirmou o professor Klaus Lackner, pioneiro no campo da remoção do CO2.

"A captura direta do ar terá que ficar mais barata para ser uma contribuição útil. Estou otimista de que se possa fazer isso."

Sengupta compartilha desse otimismo, acreditando que a nova abordagem pode remover o CO2 da atmosfera por menos de US$ 100 por tonelada.

Este texto foi publicado originalmente em https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3gdg70ye3ro

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Vulcão entra em erupção na Indonésia e cobre vilarejos de cinzas

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Nenhuma vítima foi registrada. Vulcão Merapi expeliu fumaça e cinzas de até 7 quilômetros neste sabado (11).
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Por g1

Postado em 11 de março de 2023 às 10h25m

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Vulcão entra em erupção na Indonésia
Vulcão entra em erupção na Indonésia

O vulcão Merapi, na Indonésia, entrou em erupção neste sábado (11), expelindo fumaça e cinzas sobre os vilarejos próximos à cratera, disse a agência de gerenciamento de desastres do país em um comunicado.

O vulcão localizado na região de Yogyakarta entrou em erupção por volta das 12h do horário local (2h da manhã em Brasília) e expeliu nuvens quentes de até 7 quilômetros, informou a agência de notícias Reuters.

Nenhuma vítima foi registrada, segundo agência indonésia de gestão de desastres (BNPB).

Vulcão entra em erupção na Indonésia e cobre vilarejos de cinzas — Foto: Reuters
Vulcão entra em erupção na Indonésia e cobre vilarejos de cinzas — Foto: Reuters

Moradores da comunidade próxima foram avisados ​​para interromper qualquer atividade nas zonas de perigo, que variam entre três a sete quilômetros de raio da cratera, disse o comunicado.

O Merapi tem 2.963 metros de altura e é um dos vulcões mais ativos da Indonésia. Ele já estava no segundo maior nível de alerta do país.

Yulianto, um oficial do posto de monitoramento local, disse que nenhum morador foi evacuado.

Região ficou coberta de cinzas, mas não houve vítimas, segundo a agência de notícias France Presse. — Foto: Reuters
Região ficou coberta de cinzas, mas não houve vítimas, segundo a agência de notícias France Presse. — Foto: Reuters

"Isso só foi observado como um evento único, houve 5-6 avalanches. Se a cobertura continuar a aumentar e a distância for superior a 7 quilômetros, é provável que os moradores sejam recomendados a evacuar", disse ele.

Localizada no Círculo de Fogo do Pacífico, a Indonésia tem mais vulcões do que qualquer outro país. A última erupção violenta do Merapi foi em 2010, matando mais de 350 pessoas.

Vulcão entra em erupção na Indonésia e cobre vilarejos de cinzas — Foto: Reuters
Vulcão entra em erupção na Indonésia e cobre vilarejos de cinzas — Foto: Reuters


O Merapi tem 2.963 metros de altura e é um dos vulcões mais ativos da Indonésia. Ele já estava no segundo nível de alerta mais alto do país. — Foto: Reuters
O Merapi tem 2.963 metros de altura e é um dos vulcões mais ativos da Indonésia. Ele já estava no segundo nível de alerta mais alto do país. — Foto: Reuters


Mulher observa erupção do vulcão Merapi, na Indonésia. — Foto: Reuters
Mulher observa erupção do vulcão Merapi, na Indonésia. — Foto: Reuters

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