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quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Conheça o Overture, projeto de avião supersônico que terá o dobro da velocidade das aeronaves atuais

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Modelo está sendo desenvolvido pela startup americana Boom Supersonic e reduzirá pela metade o tempo de viagens em relação aos modelos comerciais mais rápidos em operação. O primeiro voo está previso para ocorrer apenas em 2026, mas já há 130 encomendas de companhias aéreas.
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Por g1

Postado em 17 de agosto de 2022 às 14h15m

 #.*Post. - N.\ 10.428*.#

Conheça o Overture, projeto de avião supersônico que pode chegar a 1.800 km/hConheça o Overture, projeto de avião supersônico que pode chegar a 1.800 km/h

Viajar de Miami para Londres em somente 5 horas. Esta é a promessa da Boom Supersonic, startup americana que trabalha no projeto do avião supersônico Overture, que, segundo ela, poderá alcançar cerca de 1.800 km/h.

A aeronave ainda não existe, mas já atrai o interesse de companhias aéreas. Segundo a Boom, entre compras confirmadas e opções de compra que poderão ser feitas no futuro, já há 130 encomendas pelo avião feitas por American Airlines, United Airlines e Japan Airlines.

A fabricante já divulgou algumas especificações planejadas para o Overture. Confira:

  • Velocidade máxima de 1,7 Mach (ou 1,7 vez a velocidade do som), o que na altitude de cruzeiro (60 mil pés ou cerca de 18 km) representa aproximadamente 1.800 km/h;
  • 7.867 km de autonomia;
  • Capacidade para transportar de 65 a 80 passageiros;
  • 61 metros de comprimento e 32 metros largura;
  • O primeiro voo está previsto para 2026, e os primeiros passageiros serão transportados em 2029;
  • 130 unidades encomendadas por American Airlines, United Airlines e Japan Airlines.

Cada aeronave é vendida por US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bilhão), segundo a Bloomberg.

A expectativa da Boom Supersonic é de que seu avião vai reduzir pela metade o tempo em mais de 600 rotas pelo mundo. Além do trajeto de Miami para Londres, que cairia de 10 para 5 horas, a empresa dá como exemplo uma viagem de Los Angeles para Honolulu, que passaria de 6 para 3 horas.

De acordo com a fabricante, o Overture alcançará o dobro da velocidade dos aviões comerciais mais rápidos em operação quando estiver sobrevoando o mar. Em terra, a aeronave terá desempenho 20% superior aos demais.

A American Airlines anunciou na terça-feira (16) que fez um pagamento não-reembolsável à Boom Supersonic por 20 unidades do avião. O acordo prevê ainda a opção de compra de mais 40 unidades no futuro.

Conceito do avião supersônico Overture — Foto: Divulgação/Boom Supersonic
Conceito do avião supersônico Overture — Foto: Divulgação/Boom Supersonic

Possível sucessor do Concorde

O Overture poderá ser um sucessor para o Concorde, avião supersônico comercial que voou durante 27 anos até sair de operação em 2003. Mas a antiga aeronave teve apenas 14 unidades em operação comercial.

O objetivo da Boom Supersonic é levar seu avião supersônico para uma base mais ampla de clientes, de acordo com a Bloomberg.

A empresa também estuda criar uma versão militar da aeronave após firmar um acordo em julho deste ano com a Northrop Grumman, empresa americana do ramo de defesa.

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terça-feira, 16 de agosto de 2022

Praia rochosa aparece em lago por causa da seca intensa na Itália

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Imagens de drone mostram o fundo rochoso do lago Garda, um importante destino turístico do país.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 16 de agosto de 2022 às 14h20m

 #.*Post. - N.\ 10.427*.#

Praia rochosa aparece por causa da seca intensa na ItáliaPraia rochosa aparece por causa da seca intensa na Itália

Imagens feitas por drone nesta terça-feira (16) mostram o fundo rochoso do lago Garda, na Itália, em um resort turístico próximo às margens norte do lago.

O lago Garda, o maior da Itália é um importante destino turístico, bem como muitos lagos e rios no norte da Itália. Eles sofrem com a seca severa que atinge a Europa.

Há muito menos água, então você pode ver as pedras. No passado, às vezes a água praticamente submergia todas as pedras", disse a turista Barbara Bazzoli.

Há entre 20 a 25 metros de pedras descobertas e isso é uma coisa sensacional. Isso não acontece há anos, pelo menos eu, nos anos em que estive aqui, nunca vi um espetáculo assim", acrescentou.

O leito de rochas, semelhante a uma praia, surgiu devido à falta de chuvas e ao constante uso de água para irrigar campos agrícolas durante o verão.

Estou preocupada porque acho que levará pelo menos alguns anos para voltar ao normal depois da situação deste ano. Na minha opinião, teria que chover muito por alguns anos para resolver a situação", acrescentou Bazzoli.

A Itália declarou estado de emergência em julho para áreas ao redor do Po, que é o rio mais longo do país. O rio Po é responsável por cerca de um terço da produção agrícola italiana e está sofrendo sua pior seca em 70 anos.

Veja abaixo mais imagens da praia rochosa no lago Garda:

Leito rochoso do lago Garda aparece com a seca e forma uma praia em Sirmione, na Itália — Foto: REUTERS/Flavio Lo Scalzo
Leito rochoso do lago Garda aparece com a seca e forma uma praia em Sirmione, na Itália — Foto: REUTERS/Flavio Lo Scalzo


Leito rochoso do lago Garda aparece com a seca e forma uma praia em Sirmione, na Itália — Foto: REUTERS/Flavio Lo Scalzo
Leito rochoso do lago Garda aparece com a seca e forma uma praia em Sirmione, na Itália — Foto: REUTERS/Flavio Lo Scalzo


Leito rochoso do lago Garda aparece com a seca e forma uma praia em Sirmione, na Itália — Foto: REUTERS/Flavio Lo Scalzo
Leito rochoso do lago Garda aparece com a seca e forma uma praia em Sirmione, na Itália — Foto: REUTERS/Flavio Lo Scalzo


Leito rochoso do lago Garda aparece com a seca e forma uma praia em Sirmione, na Itália — Foto: REUTERS/Flavio Lo Scalzo
Leito rochoso do lago Garda aparece com a seca e forma uma praia em Sirmione, na Itália — Foto: REUTERS/Flavio Lo Scalzo


Leito rochoso do lago Garda aparece com a seca e forma uma praia em Sirmione, na Itália — Foto: REUTERS/Flavio Lo Scalzo
Leito rochoso do lago Garda aparece com a seca e forma uma praia em Sirmione, na Itália — Foto: REUTERS/Flavio Lo Scalzo



 Itália

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Historiador desvenda origem de povo escravizado na mineração de ouro e diamante no Brasil

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Os courás, foram escravizados pelos portugueses em cidades de Minas Gerais. Também conhecido por 'courano', o grupo fazia parte de um importante reino da África, mas acabou capturado e vendido aos europeus.
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TOPO
Por BBC

Postado em 16 de agosto de 2022 às 09h00m

 #.*Post. - N.\ 10.426*.#

Imagem de cerimônia da população do Reino de Ajudá, em Benim — Foto: Divulgação
Imagem de cerimônia da população do Reino de Ajudá, em Benim — Foto: Divulgação

Um historiador brasileiro desvendou a origem histórica dos courás, um dos povos mais singulares e enigmáticos da escravidão. Também conhecidos como couranos, eles foram traficados da África para as Américas — e, no Brasil, habitaram diversas regiões, principalmente cidades de Minas Gerais.

Até então a história desse grupo de africanos sequestrados e trazidos à força para o Brasil era incerta, segundo o historiador Moacir Rodrigo de Castro Maia. "Esse era um mistério dos estudos sobre a escravidão. Embora eles fossem muito presentes em Minas, não se sabia muito sobre a origem dos courás", diz ele.

Milhares de couranos foram traficados para as Américas — dos Estados Unidos e Caribe à América do Sul —, e parte significativa desembarcou na colônia portuguesa para trabalhar nas primeiras décadas da produção de ouro e diamantes em cidades como Diamantina, Ouro Preto e Mariana — há também registros deles no sul da Bahia, em Goiás, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Quando chegavam, eles eram batizados por outros courás que já estavam por aqui (ao entrar no Brasil, os escravizados eram obrigados a trocar de nome). Viravam Francisca ou João Mina, por exemplo — e Mina era uma referência à chamada Costa da Mina, região africana que abrigava um forte português e onde hoje ficam os países de Gana, Togo, Nigéria e Benim.

A pesquisa de Maia apontou precisamente o litoral da República do Benim, país da região ocidental do continente africano, como o local de origem dos courás.

"Essa descoberta pode abrir uma série de possibilidades de estudos sobre a escravidão, o tráfico de africanos e esse povo tão conhecido na época. A história dos courás é trágica e surpreendente", diz Maia, que atua no Núcleo de Pesquisa em História Econômica e Demográfica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Na verdade, a palavra "courá" foi a chave para o pesquisador desvendar o mistério. O povo vivia no chamado Reino de Uidá—- também conhecido pelos portugueses como Ajudá —, que por alguns séculos ocupou a região litorânea do Benim até ser conquistado por outro reino africano, o Daomé.

"A palavra courá era como traficantes e os próprios africanos traduziram para o português a identidade da população do Reino de Ajudá", explica Maia.

O historiador encontrou referências ao reino em documentos históricos de outros Estados europeus que exploraram o comércio de escravos nos séculos 17 e 18.

O Reino de Ajudá era chamado de Whydah pelos ingleses, Judá ou Juidá por franceses, e Fida pelos holandeses.

Mapa mostra localização de Ouidah. — Foto: BBC
Mapa mostra localização de Ouidah. — Foto: BBC

"Um documento português contava que os couranos invadiram um forte durante um conflito com membros do Reino de Daomé. Cruzando a documentação, descobri que aqueles courás eram o povo chamado de judaiques pelos franceses e whydahs pelos britânicos. Eram do mesmo local", explica Maia.

No Brasil, tanto os huedas quanto os hulas (os dois povos habitantes de Ajudá), passaram a se declarar como "nação courá".

Essa união dos dois povos revela que, no Brasil, a população de parte do Golfo do Benim teceu uma identidade própria e lutou para reconstruir suas vidas sob uma mesma identidade.

O estudo de Moacir Maia sobre o grupo, em princípio uma tese de doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), deu origem ao livro De Reino traficante a povo traficado: a diáspora dos courás do golfo do Benim para Minas Gerais (Arquivo Nacional), vencedor do prêmio Arquivo Nacional de Pesquisa de 2019 e lançado recentemente.

A pesquisa mostra que os courás viveram e sofreram com escravização, conflitos e violências na África e no Brasil, mas também lutaram para manter sua identidade, história e religiosidade mesmo em terras estrangeiras.

A história da "nação courá" trafega da fartura de um reino rico e poderoso para a decadência de um povo conquistado por invasores africanos e vendido como escravo aos europeus.

O tráfico de pessoas da África para as Américas durou mais de três séculos — Foto: Getty Images
O tráfico de pessoas da África para as Américas durou mais de três séculos — Foto: Getty Images

História de violências

No século 17, o pequeno Reino de Ajudá, casa dos couranos, tinha um importante porto (na atual cidade de Ouidah), utilizado por algumas nações europeias para exportar especiarias e principalmente traficar pessoas.

"Ajudá conseguiu negociar uma trégua entres Estados europeus que estavam em conflito na época, como Inglaterra e França. Naquele domínio, eles atuavam lado a lado", diz Moacir.

Esse comércio duplo na África, de produtos agrícolas e de pessoas, rendeu a Ajudá um período de prosperidade econômica.

"Importante dizer que, na época, os reinos não capturavam o próprio povo para a escravidão, mas sim gente de outros lugares, de regiões mais distantes que eram conquistadas... Estrangeiros eram capturados e vendidos aos europeus", afirma.

Mas o aumento desse comércio escravista acirrou a violência e as tensões na região, diz Maia.

E uma derrota mudou para sempre o destino do Reino de Ajudá e de sua população.

No início do século 18, a região foi invadida e conquistada pelo Reino de Daomé, que estava em expansão por conta de sua estreita e lucrativa parceria com o comércio escravista comandado pelos europeus.

"Daomé se transforma em uma potência escravista servindo como intermediário dos europeus. Os courás então se transformam de uma população que comercializava escravos em um povo escravizado nas Américas. Esse tráfico aconteceu ainda por mais um século, e só diminuiu em meados do século 19", diz Maia.

Nascido em Mariana (MG), o historiador Moacir Maia estuda a origem do povo courá, que foi escravizado na mineração de ouro e diamante — Foto: Eduardo Tropia
Nascido em Mariana (MG), o historiador Moacir Maia estuda a origem do povo courá, que foi escravizado na mineração de ouro e diamante — Foto: Eduardo Tropia

A mestra das feiticeiras

Na África, os courás viviam principalmente da agricultura, da pesca e da produção de sal marinho. Mas, no Brasil, ficaram conhecidos como "bons mineradores" por conta de sua ampla atuação na produção de ouro e diamante em Minas Gerais.

Segundo Maia, eles apreenderam o ofício ao entrar em contato com outros africanos que já trabalhavam na área.

O modelo escravista incentivava o apagamento da história e da identidade dos africanos que entravam aos milhares no Brasil — essa é uma das razões da mudança obrigatória dos nomes em um batismo cristão, por exemplo.

Temia-se que a preservação do senso de identidade e laços comunitários poderiam ensejar revoltas contra os senhores de escravos.

Porém, segundo o historiador, a "nação courá" conseguiu de certa forma preservar sua história e cultura na colônia portuguesa, pelo menos na geração dos próprios traficados.

"Vários courás que chegavam ao Brasil eram batizados e acolhidos por outro courano. Dessa forma eles conseguiam manter um senso de identidade, de comunidade, pois eram da mesma região e partilhavam a convivência e uma história de violências", conta Maia.

Os courás ocuparam principalmente as regiões de produção de ouro e diamantes em Minas Gerais — Foto: Rugendas/Villa Rica 1825
Os courás ocuparam principalmente as regiões de produção de ouro e diamantes em Minas Gerais — Foto: Rugendas/Villa Rica 1825

A religiosidade foi outro fator que mantinha viva a identidade e a cultura dos filhos do Reino de Ajudá no Brasil.

O livro de Moacir Maia conta a história da sacerdotisa africana Ângela Maria Gomes, uma mulher negra liberta, dona de casa própria e padeira em Itabira do Campo — hoje município de Itabirito, a 57,5 km de Belo Horizonte.

Nascida no litoral do Benim, a courana Ângela Maria se reunia secretamente com mulheres em noites de "lua branca" na cidade mineira. Famosa na região, chegou a ser denunciada à Inquisição como uma "mestra das feiticeiras".

Ela era adepta do vodúnsi, uma prática religiosa comum no Golfo do Benim. "Para muitos seguidores das divindades voduns, o indivíduo encontraria equilíbrio e proteção ao respeitar e incorporar outros protetores sobrenaturais", escreve Maia.

Por outro lado, a padeira Ângela Maria também era uma destacada devota de Nossa Senhora do Rosário, fazendo parte da irmandade da santa em Minas Gerais — essa informação, no entanto, não constava na denúncia à Inquisição.

"Muitos sacerdotes e adeptos dessa religião chegaram por aqui. Embora o homem fosse o sacerdote supremo, quem incorpora a divindade no vodum eram as mulheres", diz Maia.

Segundo ele, a religião, a cultura e o modo de vida dos courás têm "grande importância" na história do Brasil, ainda que mais estudos sejam necessários para entender melhor essa influência.

"Quando se fala que o indivíduo era escravizado, normalmente a gente não sabe qual é a história dele, de onde ele vinha, como era sua sociedade e o que aconteceu para que caísse na teia do tráfico humano. A história dos courás é global, está em vários países da América e da Europa. Todos somos herdeiros dessa história e, por isso, precisamos entendê-la", completa o historiador.

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segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Perereca amazônica possui interior da boca azul e é vendida como pet no exterior

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'Trachycephalus resinifictrix' tem ainda os ossos e os músculos azuis; espécie ocorre na Amazônia não só do Brasil; pesquisadores não sabem motivos e possíveis consequências dos tons azulados no interior do anfíbio.
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Por Nicolle Januzzi, Terra da Gente

Postado em 15 de agosto de 2022 às 10h15m

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Parte interna da boca também é azulada — Foto: Divulgação Internet
Parte interna da boca também é azulada — Foto: Divulgação Internet

A natureza nunca cansa de surpreender. Dos maiores animais até os pequenos seres vivos, as cores, os detalhes e até os comportamentos das mais variadas espécies do Planeta Terra dão um show que sempre se renova.

No palco da Amazônia um anfíbio nem precisa de performance, já que a própria fantasia encanta por si só. O milk-frog (Trachycephalus resinifictrix), conhecido como perereca-de-leite, chega a medir nove centímetros e se destaca pelos tons azuis. Mas a surpresa maior está dentro do corpo da espécie: os ossos, os músculos e até a parte de dentro da boca também são azuis.

Motivo da cor azulado nos ossos e músculos ainda é desconhecida pelos pesquisadores — Foto: Eva Herbst
Motivo da cor azulado nos ossos e músculos ainda é desconhecida pelos pesquisadores — Foto: Eva Herbst

Alguns anuros (sapos, rãs e pererecas) podem apresentar coloração diferente nos ossos, como é o caso da perereca-de-leite. Só que até hoje o motivo para isso acontecer não é bem conhecido e também não se sabe as possíveis consequências que pode acarretar, é um mistério que intriga a comunidade científica, explica o especialista em anfíbios Diego Santana.

Em contrapartida, cores chamativas que ficam a vista têm explicação. Cores vibrantes na natureza podem significar que a espécie é tóxica, que é o caso dos Trachycephalyus. A "cola" (substancia grudenta que eles soltam quando são capturados) é tóxica. Muitas vezes essas cores mais fortes podem servir de alerta para os predadores, complementa.

Essa espécie ocorre em grande parte da floresta Amazônica e por conta disso ultrapassa as fronteiras brasileiras sendo encontrada em alguns outros países da América do Sul como Guiana, Suriname, Equador e Colômbia

A perereca-de-leite é um anfíbio do gênero Trachycephalus, da família Hylidae  — Foto: Divulgação
A perereca-de-leite é um anfíbio do gênero Trachycephalus, da família Hylidae — Foto: Divulgação

A toxina expelida pela perereca-de-leite não traz riscos à saúde dos humanos. O que ela faz é deixar o anfíbio com gosto ruim e forte, e ainda causa um tipo de urticaria na região da mucosa do possível predador, como répteis, aves, mamíferos e até mesmo outros anfíbios.

A cor da pele da espécie pode variar entre tons marrons, azuis e brancos, sendo geralmente os indivíduos juvenis mais brilhantes e os mais velhos mais opacos.

Essa espécie é muito procurada como pet. É proibida a comercialização no Brasil, mas por ela ocorrer em outros países, a perereca-de-leite é comercializada e está em diversas casas, zoológicos e criadores dos Estados Unidos e da Europa, principalmente. Nesses casos, a cor dos indivíduos pode variar com esses diferentes tipos de ambientes externos, diz Santana.

Apesar da espécie não constar como ameaçada nem na lista internacional (IUCN), nem na lista brasileira do ICMBio (MMA), o fato dela possuir um apelo no mercado pet gera um alerta para o tráfico de animais, o que pode vir a impactar populações desse animal, de acordo com o especialista.

A perereca-de-leite geralmente fica perto de riachos, mesmo que raramente desça para o chão da floresta. Está quase sempre no topo das árvores e graças aos discos adesivos (estrutura parecida com ventosas) nas pontas dos dedos, consegue escalar os troncos. Essas estruturas são tão fortes que, estima-se, que possam suportar até 14 vezes o peso do anfíbio.

Uma curiosidade é que quatro espécies de pererecas da Amazônia, sendo a milk frog a mais conhecida, são chamadas pela população local de "cunauaru" que é uma palavra indígena usada para esses anfíbios que cantam no alto das árvores

Coloração do corpo pode ser sinal de alerta para predadores — Foto: Kurita Sheen
Coloração do corpo pode ser sinal de alerta para predadores — Foto: Kurita Sheen

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