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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Bactérias podem sobreviver 3 anos no espaço, mostra experimento japonês

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Superinteressante
Guilherme Eler 20 horas atrás
Postado em 27 de agosto de 2020 às 14h00m

            .      Post.N.\9.465     .        
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© Wikipédia/Wikimedia Commons
Bactérias extremófilas são capazes de sobreviver em ambientes completamente inóspitos. Existem, por exemplo, as que se dão muito bem no frio ou conseguem se multiplicar em regiões escaldantes. Há, ainda, as que não se importam com um ambiente super ácido ou as que, por se esconderem no leito dos oceanos, vivem sob uma pressão altíssima.
Na lista de micróbios com habilidades extremas, porém, um tipo se destaca: as bactérias do gênero Deinococcus. Não existe na Terra um local radioativo o suficiente para fazer frente a elas. Por suportarem doses de radiação 3.000 vezes maiores que os humanos, já foram encontradas vivendo numa boa em áreas que foram palco de acidentes nucleares, como Chernobyl e Fukushima.
Essa habilidade incomum fez cientistas japoneses questionarem se as Deinococcus estariam aptas a viver numa região onde a radiação pode ser ainda mais intensa: o espaço. Em maio de 2017, eles descobriram que sim, tais bactérias não apenas sobrevivem na órbita da Terra como permanecem vivas por pelo menos um ano.
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Agora, a mesma equipe tem evidências para afirmar que essa meta de vida pode ser ainda maior. Bactérias do gênero Deinococcus, durante um experimento, resistiram por mais de 3 anos no espaço. O estudo que comenta a descoberta foi publicado na revista científica Frontiers of Microbiology.
A descoberta é assinada pela missão Tanpopo, lançada em 2015 e mantida por pesquisadores de universidades do Japão e pela Jaxa, a Nasa japonesa. Seu objetivo é investigar, usando as instalações da ISS (Estação Espacial Internacional), a chamada teoria da panspermia.
Trata-se de uma teoria controversa, que sugere que micróbios são capazes de migrar de um planeta para o outro grudados em asteroides e cometas. Assim, podem dar origem a vida em locais antes inóspitos. Mas para saber se isso é mesmo uma possibilidade é preciso entender, primeiro, a tolerância que micróbios possuem a mudanças drásticas de temperatura e altos níveis de radiação, condições que eles encontrariam em viagens espaciais.
No mais novo estudo, iniciado em 2018, cientistas reuniram colônias de bactérias desidratadas de três espécies do gênero Deinococcus, e as posicionaram em placas de alumínio. Essas placas, depois, foram colocadas do lado de fora da ISS, e acompanhadas ao longo dos últimos 3 anos.
Após trazerem as amostras de volta à Terra e hidratarem as bactérias, cientistas perceberam que os micróbios que estavam na superfície da colônia morreram por conta da radiação. Mas aquelas que estavam em camadas inferiores, porém, tiveram seu DNA protegido – e ainda estavam intactas depois de 3 anos.
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E, de acordo com estimativas dos cientistas, sua expectativa de vida fora da Terra pode ser ainda maior. Em colônias com espessura maior que 0,5 milímetro, bactérias poderiam viver mais de 8 anos no espaço – um tempo suficiente para sobreviver a uma eventual mudança interplanetária, argumentam os pesquisadores.
Os resultados sugerem que as Deinococcus poderiam sobreviver à viagem entre Terra e Marte e vice-versa, uma missão que poderia durar meses ou até anosdisse em comunicado Akihiko Yamagishi, professor da Universidade de Tóquio que lidera a missão Tanpopo. Se a panspermia é mesmo possível, a vida pode existir com uma frequência muito maior do que imaginávamos.
Ainda é cedo para cravar que a vida na Terra tenha começado com um micróbio alienígena que veio parar por aqui na cauda de um cometa, é claro. Segue sendo mais provável que as primeiras formas de vida terrestre tenham despontado com a combinação de moléculas orgânicas da chamada sopa primordial.
Mesmo assim, o que a missão Tanpopo mostra é que humanos precisam ter cuidado redobrado em viagens espaciais futuras. Vai que, ao colocar os pés em outro planeta, levamos de carona um micróbio terrestre ultra-resistente?
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quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Rússia divulga vídeo da explosão da maior bomba de todos os tempos

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A Bomba Czar foi detonada em 1961 em um arquipélago no Círculo Ártico pela antiga União Soviética. O filme da explosão foi tornado público pela primeira vez.  
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Por G1  
26/08/2020 17h20 Atualizado há 1 hora
Postado em 26 de agosto de 2020 às 18h25m

            .      Post.N.\9.464     .        
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Imagens da detonação da Bomba Czar divulgadas pela Rosatom, a agência nuclear russa — Foto: Divulgação/Rosatom

Imagens da Bomba Czar, a maior bomba de todos os tempos, foram divulgadas pela Rosatom, a agência atômica russa, recentemente. A detonação foi um teste que aconteceu no dia 30 de outubro de 1961, em um arquipélago da Rússia no Círculo Ártico.
A União Soviética e os Estados Unidos estavam em uma corrida armamentista e faziam testes de bombas cada vez mais poderosas.

Essa arma, uma bomba de hidrogênio RDS 220, liberou energia equivalente a 57 milhões de toneladas de TNT. O poder destrutivo dela era mais de 700 vezes maior que o da bomba que destruiu a cidade de Hiroshima, no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial.
Agência russa divulga vídeo de detonação de bomba mais potente de todos os tempos em 1961
Agência russa divulga vídeo de detonação de bomba mais potente de todos os tempos em 1961


A diferença entre uma bomba de hidrogênio e uma bomba atômica é o processo de detonação. Nessa última, a explosão resulta da liberação repentina de energia após a separação (fissão) do núcleo de um elemento químico pesado, como o plutônio.

O processo de detonação de uma bomba de hidrogênio inclui várias etapas, começando com a detonação de uma bomba atômica. A primeira explosão gera temperaturas de milhões de graus, criando energia suficiente para forçar a aproximação dos núcleos de elementos leves -- no caso, de isótopos de hidrogênio --, combinando-os num segundo estágio conhecido como fusão nuclear.

A bomba Czar explodiu a 4 mil metros acima do solo. Segundo a BBC, a nuvem em forma de cogumelo atingiu 64 quilômetros de altura, e a luz pôde ser vista a mil quilômetros de distância. Uma vila a 54 quilômetros do ponto de detonação foi completamente destruída.

O vídeo divulgado pela Rosatom tem 40 minutos. Ele mostra as preparações para a detonação, as imagens da nuvem de fumaça e o estrago causado pela detonação.

A União Soviética, a antiga federação de países socialistas liderados pela Rússia, começou a testar bombas nucleares em 1949. Em 1958, a URSS fez 36 detonações controladas.

Para que os pilotos dos aviões que derrubaram a Bomba Czar tivessem chance de viver, ela foi solta com um paraquedas no ar.
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terça-feira, 25 de agosto de 2020

Vale da Morte: por que o 'lugar mais quente da Terra' não necessariamente é o mais perigoso

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Localidade na Califórnia (EUA) registrou temperatura mais alta já aferida de forma confiável na Terra: 54,4 graus Celsius. Saiba como é a vida por lá - e por que o clima no local não é necessariamente o mais perigoso. 
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Por BBC  
23/08/2020 11h14 Atualizado há um dia
Postado em 25 de agosto de 2020 às 10h00m

            .      Post.N.\9.463     .        
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Vale é conhecido como "lugar mais quente do mundo" — Foto: ReutersVale é conhecido como "lugar mais quente do mundo" — Foto: Reuters

"Já perdemos a paciência com o calor que faz", diz Brandi Stewart, que trabalha no Parque Nacional do Vale da Morte, na Califórnia (Estados Unidos). "Quando você sai de casa é como ser atingido no rosto pelo ar vindo de secadores de cabelo."

O Parque Nacional do Vale da Morte é uma vasta área deserta cheia de desfiladeiros e dunas de areia que se estendem pela fronteira com o Estado vizinho de Nevada.

No domingo (16), o parque registrou a temperatura de 54,4°C — que pode ser a mais alta já aferida de forma confiável na Terra. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) afirma que ainda está verificando o registro.
No entanto, na foto de Brandi, a placa que mostra a temperatura parece ter superaquecido.

Brandi é uma das poucas pessoas que se consideram em casa no local. O vale é conhecido como o "lugar mais quente do mundo" — nos EUA, ao menos (embora o parque possa ter batido o recorde de temperatura mais alta já registrada, o lugar com temperatura média mais alta ao longo do ano é Dallol, na Etiópia, no leste da África).
Homem tenta fritar ovo na rua de região considerada muito quente — Foto: ReutersHomem tenta fritar ovo na rua de região considerada muito quente — Foto: Reuters

Brandi Stewart vive intermitentemente no Vale da Morte há cinco anos, trabalhando no departamento de comunicação do parque.

"É tão quente que demorei um pouco para me acostumar com o fato de que você não consegue sentir o suor na pele porque ele evapora muito rápido", diz ela à BBC. "Você pode sentir nas roupas, mas não sente o suor na pele. Seca muito rápido."

Brandi diz que passa muito tempo no verão dentro de casa, onde tem ar condicionado, mas algumas pessoas optam por ir às montanhas, onde as temperaturas são um pouco mais baixas.

"Assim que as pessoas se acostumarem com o calor, começam a normalizá-lo, e qualquer coisa abaixo de 26°C parece frio", brinca ela.

Apesar das altas temperaturas, o Vale da Morte não é um dos lugares mais perigosos à saúde humana.

Isso porque é a combinação de temperatura e umidade, entre outros fatores, que pode tornar clima de uma região mais seguro ou perigoso para a saúde.

O Vale da Morte é seco, com índices de umidade do ar que giram em torno de 7%. A baixa umidade permite que o corpo lide melhor com a alta temperatura e consiga regular sua própria temperatura com mais facilidade.

Em locais muito quentes e muito úmidos, o suor não evapora com tanta facilidade — a evaporação do suor é uma das principais formas de auto regulação da temperatura do corpo no calor.

Ondas de calor que surgem em momentos onde a umidade do ar está alta também podem ser muito perigosas. Com o calor e a umidade, o corpo pode superaquecer, e a velocidade do vento também pode intensificar os perigos de uma onda de calor.

Ar-condicionado

As pessoas da cidade no Vale da Morte têm ar-condicionado, o que mantém as casas frescas enquanto não houver falta de energia — o que pode acontecer quando todos estão tentando manter suas casas em uma temperatura confortável.
Vale da Morte é um grande deserto com dunas de areias e canyons — Foto: EPAVale da Morte é um grande deserto com dunas de areias e canyons — Foto: EPA

A maioria das pessoas que trabalha e vive no parque nacional mora na cidade de Furnace Creek, onde o recente recorde de temperatura foi registrado. A cidade está situada em um vale longo e estreito, cerca de 85 metros abaixo do nível do mar. É cercada por cadeias de montanhas altas e íngremes.

Jason Heser, nascido no Estado americano de Minnesota, mora em Furnace Creek e trabalha no campo de golfe. É o campo de golfe mais baixo do mundo, a 85 metros abaixo do nível do mar.

"Já estive no Iraque duas vezes. Se posso aguentar o Iraque, posso aguentar o Vale da Morte", diz o veterano de guerra.
Ele começa a trabalhar no campo de golfe pouco antes das 5h e vai até às 13h.

"Assim que começa a ficar mais quente, como agora, começamos a trabalhar às 4h, quando a temperatura ainda está abaixo de 40°", diz.
A água usada para manter o campo em funcionamento vem de uma fonte natural subterrânea. Heser faz parte de uma equipe que ajuda a manter a área em boas condições.
A cidade de Furnace Creek tem o campo de golfe mais baixo do mundo — Foto: Getty ImagesA cidade de Furnace Creek tem o campo de golfe mais baixo do mundo — Foto: Getty Images 

"Cortamos a grama todos os dias, aparamos, arrumamos os bancos de areia. Estamos retirando árvores que caíram porque estão muito secas com o calor. Elas estão ficando pesadas e quebrando. Passamos boa parte do dia recolhendo essas árvores."

Heser foi morar no vale em outubro de 2019 e diz adorar seu trabalho. Ele planeja ficar lá por alguns anos. O inverno compensa as altas temperaturas do verão, diz ele.

Durante o tempo livre, ele gosta de jogar golfe no campo que se esforça tanto para manter. Mas isso significa começar bem cedo, às 7h, para aguentar o calor, e passar por 18 buracos.

"Adoro golfe", diz ele. "Quando cheguei aqui, a temperatura estava ótima para shorts, polo, uma cerveja gelada ou um refrigerante gelado. Agora, se você abre uma bebida, já está quente quando você chega à parte do percurso com grama baixa. É preciso beber rápido, o que torna o golfe interessante!"

A temperatura de domingo foi descrita como possivelmente a mais quente já registrada "com segurança" na Terra. Existem duas temperaturas mais altas nos livros de registro - uma em Furnace Creek em 1913 (56°) e outra na Tunísia em 1931 (55°). Mas isso é contestado por especialistas em clima.

"Cientistas e meteorologistas modernos sugerem que essas duas leituras não eram precisas", explica Simon King, da BBC Weather (serviço de metereologia da BBC).

"Quando você tem uma temperatura enorme como esta [em Furnace Creek], a Organização Meteorológica Mundial investiga mais e analisa muitas informações diferentes para verificar o registro".

Christopher Burt, historiador do clima, afirma que a temperatura registrada em 1913 no Vale da Morte é suspeita devido a outras leituras na área naquela época. A leitura em Furnace Creek foi dois ou três graus mais alta do que em outras estações meteorológicas ao redor, diz ele.

Esta é uma das razões pelas quais o recorde de domingo, se confirmado, está sendo descrito por alguns especialistas dos EUA como o mais alto já "registrado de forma confiável".

A OMM diz que está procurando verificar, mas mesmo que o faça, ela classificará a temperatura como a terceira maior já registrada, atrás do recorde de 1913 em Furnace Creek e o recorde de 1931 na Tunísia — apesar das dúvidas sobre eles.

Também há o argumento que outros lugares podem ter tido temperaturas mais quentes do que o Vale da Morte, mas os climatologistas simplesmente não as conhecem por falta de estações próximas.

Por enquanto, Furnace Creek é o lugar com a temperatura mais alta já registrada.
"As pessoas me perguntam como é viver aqui", diz Heser. "Sabe quando você está preparando comida, abre o forno e vem aquele bafo de ar quente na sua cara? Essa é a sensação."

Os perigos do calor

O calor pode levar pessoas à desidratação, à exaustão e até a infartos, problemas que podem ter consequências fatais — especialmente para idosos, crianças e para quem tem problemas cardíacos, renais e doenças respiratórias.

Ondas de calor, que mudam a temperatura repentinamente, podem ser mais perigosas do que regiões onde o clima é constantemente quente, explica Timothy Hewson, meteorologista do Centro Europeu de Previsão do Tempo de Médio Alcance (ECMWF, na sigla em inglês). Isso porque a mudança brusca de temperatura.

Além disso, pessoas em situação de saúde mais frágil são as que mais sofrem se a temperaturas não caem para abaixo de 25º C durante a noite, explica Grahame Madge, meteorologista do Serviço de Meteorologia do Reino Unido.

Os diversos fatores fazem com que um outro tipo de medição seja importante, além da temperatura em si: a medição da "sensação térmica", que leva fatores como vento e umidade em consideração.

Que locais do mundo têm calor 'insuportável'?

Um estudo recente publicado na revista científica Science Advances relatou que o mundo já está sofrendo com mais extremos de temperatura do que no passado.

Os autores analisam a combinação de calor e umidade de 7,8 mil estações de meteorologia pelo mundo entre 1980 e 2019.

Eles dizem que a frequência de eventos meteorológicos extremos dobrou em algumas regiões subtropicais costeiras durante o período de estudo.

Esses eventos foram encontrados repetidamente em grande parte da Índia, Bangladesh e Paquistão, no noroeste da Austrália e ao longo das costas do Mar Vermelho e do Golfo da Califórnia no México.

As leituras mais altas foram observadas 14 vezes nas cidades de Dhahran e Dammam na Arábia Saudita, Doha no Qatar e Ras Al Khaimah nos Emirados Árabes Unidos, que têm populações combinadas de mais de dois milhões.

Partes do sudeste da Ásia, sul da China, África subtropical e Caribe também foram atingidas.

O sudeste dos Estados Unidos viu condições extremas dezenas de vezes, principalmente perto da Costa do Golfo, no leste do Texas, Louisiana, Mississippi, Alabama e o Panhandle da Flórida. As cidades de Nova Orleans e Biloxi foram as mais afetadas.

"Os valores mais altos que discutimos ainda são muito raros para ter uma tendência clara, mas ocorreram predominantemente desde 2000", diz o autor principal do estudo Colin Raymond, pesquisador do Observatório Terrestre Lamont-Doherty da Universidade de Columbia.

De acordo com Steven Sherwood, um climatologista da Universidade de New South Wales na Austrália, "essas medições implicam que algumas áreas da Terra estão muito mais próximas do que o esperado de atingir um calor intolerável constante".
"Antes, acreditava-se que tínhamos uma margem de segurança muito maior."

Quais são as áreas de maior risco?

A maioria desses incidentes tendeu a se agrupar em litorais ao longo de mares confinados, golfos e estreitos, onde a evaporação da água do mar fornece umidade abundante para ser sugada pelo ar quente.
É a combinação de temperatura da superfície do mar extraordinariamente alta (TSM) e intenso calor continental que pode causar calor úmido extremo.

Isso levanta preocupações sobre populações de áreas mais pobres, que se aquecem rapidamente, e que não conseguirão se proteger do calor.

"Muitas pessoas nos países mais pobres em risco não têm eletricidade, muito menos ar condicionado", diz Radley Horton, um cientista pesquisador de Lamont-Doherty e co-autor do artigo.

"Muitas pessoas lá dependem da agricultura de subsistência, exigindo trabalho pesado diário ao ar livre. Esses fatos podem tornar algumas das áreas mais afetadas basicamente inabitáveis."

'Impossível viver'

Pesquisadores da mudança climática há muito alertam que a Terra testemunhará temperaturas "quase impossíveis de sustentar vida humana" em 2070.

Mas as condições descritas neste estudo sugerem que as temperaturas extremas combinando calor e umidade já estão surgindo — embora brevemente e em áreas localizadas.
Também reafirma a ideia de que essas ondas de calor úmido (e extremamente quentes) são projetadas para se tornarem muito mais frequentes sem reduções de emissões.

"Estamos vendo as temperaturas globais mais altas na última década e veremos mais. Conforme o dióxido de carbono continua a aumentar, veremos as temperaturas globais aumentarem", diz a professora Liz Bentley, da Royal Meteorological Society, no Reino Unido.

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