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domingo, 15 de junho de 2025

Irã diz que usou novo míssil balístico manobrável em ataques contra Israel

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Armamento é movido a combustível sólido e tem um alcance de 1.200 quilômetros
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Brad Lendon, da CNN
15/06/25 às 00:49 | Atualizado 15/06/25 às 07:18
Postado em 15 de Junho de 2.025 às 07h35m

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Segundo a agência de notícias estatal FARS, Israel foi atingido pelo míssil balístico guiado Haj Qassem durante uma onda de ataques entre a noite de sábado (14) e a madrugada de domingo (15).

O Ministro da Defesa iraniano, general Aziz Nasirzadeh, disse à TV iraniana em 4 de maio que o novo míssil teria o poder de ultrapassar sistemas de defesa como o Terminal High Altitude Defense (THAAD) dos Estados Unidos, implantado em Israel, bem como os sistemas de defesa antimísseis Patriot e outros utilizados por Israel.

Leia Mais:

O Irã revelou o míssil no início de maio, afirmando que ele é movido a combustível sólido, tem um alcance de 1.200 quilômetros e está equipado com uma ogiva manobrável capaz de penetrar sistemas de defesa antimísseis, conforme a agência de notícias iraniana Tasnim.

O novo míssil balístico também é equipado com um sistema de navegação avançado que lhe permite atingir alvos com precisão e combater a guerra eletrônica, informou a Tasnim no início de maio.

O míssil recebeu o nome de Qassem Soleimani, ex-comandante da força Quds, a unidade de operações especiais da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, que foi morto em um ataque dos EUA no Iraque durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump.  

Esse conteúdo foi publicado originalmente em:

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sábado, 14 de junho de 2025

Como são as instalações nucleares do Irã e por que é difícil acessar

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Especialista destaca infraestrutura nuclear iraniana e afirma que instalações subterrâneas dificultam possíveis ataques israelenses
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Da CNN
14/06/25 às 13:52 | Atualizado 14/06/25 às 13:52
Postado em 14 de Junho de 2.025 às 14h25m

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O Irã possui urânio enriquecido suficiente para produzir até nove armas nucleares, segundo informações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A revelação foi feita pelo pesquisador de Harvard e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Vitelio Brustolin, em entrevista à CNN Brasil.

De acordo com o especialista, o Irã possui centros de enriquecimento de urânio subterrâneos em Natanz e Fordow, projetados para resistir a ataques aéreos. "Natanz, por exemplo, é um centro de enriquecimento de urânio que opera com centrífugas em cascata a 40 até 50 metros abaixo do solo", explicou Brustolin.

Instalações nucleares protegidas

O professor destacou que as instalações iranianas são construídas em profundidades que as tornam praticamente invulneráveis a ataques convencionais. "Fordow é um laboratório de enriquecimento de urânio cavado a 90 metros debaixo de uma montanha, justamente para evitar ataques aéreos de Israel", afirmou.

Leia mais

Brustolin ressaltou que a infraestrutura nuclear iraniana é projetada para resistir a ataques, com túneis reforçados e portas anti-explosão entre segmentos. "Os túneis também fazem curvas de 90 graus para evitar que as explosões se propaguem", acrescentou.

Tensões entre Irã e Israel

As informações sobre o programa nuclear iraniano surgem em um momento de escalada das tensões entre Irã e Israel. Recentemente, Israel realizou um ataque contra o território iraniano, atingindo 150 alvos durante a noite.

O professor Brustolin alertou que a situação atual torna o cenário internacional mais perigoso, com outros países manifestando interesse em desenvolver armas nucleares. "Olha para a Polônia, por exemplo, a Polônia quer armas atômicas para se defender da Rússia, a Ucrânia também", exemplificou.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.

Tópicos


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sexta-feira, 13 de junho de 2025

Sentado na poltrona 11A, sobrevivente de queda de avião na Índia contrariou duas estatísticas, apontam estudos

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Homem que sobreviveu ao acidente aéreo na Índia contou que estava sentado em uma poltrona cuja posição é apontada por estudos como menos segura em caso de acidente aéreo. Especialistas ouvidos pelo g1 explicam por que cada caso é único, apesar das probabilidades.
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Por Nayara Felizardo

Postado em 13 de Junho de 2.025 às 06h00m

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Vídeo mostra sobrevivente de voo da Air India após o acidente
Vídeo mostra sobrevivente de voo da Air India após o acidente

Vishwash Kumar Ramesh, que sobreviveu à queda de avião que matou mais de 240 pessoas na Índia nesta quinta-feira (12), estava sentado na poltrona 11A. O homem de 40 anos escapou da aeronave pela saída de emergência e contrariou duas estatísticas: a de mortes em acidentes aéreos e a de sobrevivência de passageiros sentados na parte dianteira do avião.

Especialistas em aviação ouvidos pelo g1 e estudos apontam que os assentos mais seguros, em geral, ficam na parte traseira, porque a maior probabilidade em um acidente aéreo é que o impacto seja frontal.

Em 2015, uma análise feita pela revista norte-americana TIME, com base em 35 anos de acidentes aéreos registrados pela Agência Federal de Aviação dos EUA, concluiu que passageiros sentados nos assentos de trás tiveram maior taxa de sobrevivência em acidentes aéreos.

Segundo o levantamento, a taxa de mortalidade era de 32% para passageiros sentados na traseira, contra 39% para os que estavam no meio e 38% para os que viajavam na frente da aeronave. O estudo ainda apontou que os assentos do meio da fileira, especialmente na parte traseira, tinham a menor taxa de mortalidade: 28%.

Hipóteses para a queda do avião da Air India
Hipóteses para a queda do avião da Air India

Um experimento realizado por uma equipe de televisão em 2012 reforça essa conclusão. Um Boeing 727-200 colidiu intencionalmente no deserto do México, com bonecos de teste distribuídos por toda a cabine. O impacto fez o avião se partir em seções, permitindo que os pesquisadores analisassem os efeitos em diferentes áreas da fuselagem.

O resultado foi claro: os manequins posicionados na cauda ficaram quase intactos, enquanto os que estavam na frente sofreram danos severos ou fatais. Os passageiros localizados na região das asas teriam sofrido ferimentos sérios, mas provavelmente sobreviveriam.

Ao sentar-se na poltrona 11A, o sobrevivente da tragédia na Índia ocupava um lugar bem à frente das asas, mas havia um ponto a seu favor. Segundo um estudo publicado em 2008 pela Universidade de Greenwich, os sobreviventes que estão perto de uma saída de emergência têm mais chances de sair vivos.

Estatísticas não são garantia de sobrevivência

Apesar das evidências estatísticas, especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que a natureza do acidente é um fator determinante.

Segundo Gerardo Portela, engenheiro doutor em gerenciamento de riscos aeronáuticos, a parte traseira leva vantagem, mas o lugar mais seguro depende muito do tipo de acidente. "Em um pouso na água, por exemplo, a posição sobre as asas pode ser mais vantajosa, porque elas flutuam, afirmou.

Destroços do avião da Air India que caiu nesta quinta-feira (12) — Foto: Reuters/Adnan Abidi
Destroços do avião da Air India que caiu nesta quinta-feira (12) — Foto: Reuters/Adnan Abidi

Já o instrutor de voo e piloto comercial George Rocha, que atua na aviação desde 1981, lembra que os tanques de combustível ficam perto das asas do avião. Portanto, em caso de incêndio, essa área é a mais perigosa.

Assentos quatro fileiras adiante das asas diminuem a possibilidade das chamas se direcionarem para frente, pois o movimento progressivo da aeronave, mesmo no impacto, empurra a direção das chamas para trás", explica o piloto.

Para a segurança dos seus familiares, Rocha leva em conta as estatísticas. Eu sempre oriento minhas filhas a se sentarem ou à frente das asas ou lá atrás, na cauda, afirmou o piloto.

Para os especialistas, o caso do sobrevivente ao acidente aéreo na Índia reforça que as estatísticas não são uma garantia individual de sobrevivência. "É uma referência, mas não é a verdade", disse Gerardo Portela.

Veja o modelo do avião Boeing 787-8 Dreamliner. — Foto: g1
Veja o modelo do avião Boeing 787-8 Dreamliner. — Foto: g1

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quinta-feira, 12 de junho de 2025

'O que Israel faz em Gaza não tem precedentes no século 21', diz historiador israelense especialista em holocausto

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Bartov é professor de estudos sobre Holocausto e genocídio na Universidade Brown, nos Estados Unidos. Ele é um dos maiores especialistas em genocídio mundialmente, de acordo com o site do Museu Memorial do Holocausto dos EUA.
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https://www.msn.com/
Há 2 dias • 
Postado em 12 de Junho de 2.025 às 22h30m


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Omer Bartov é professor de estudos sobre Holocausto e genocídio na Universidade Brown, nos EUA. Na década de 1970, ele foi soldado do Exército israelense
Omer Bartov é professor de estudos sobre Holocausto e genocídio na Universidade Brown, nos EUA. Na década de 1970, ele foi soldado do Exército israelense© Arquivo Omer Bartov

Bartov é professor de estudos sobre Holocausto e genocídio na Universidade Brown, nos Estados Unidos. Ele é um dos maiores especialistas em genocídio mundialmente, de acordo com o site do Museu Memorial do Holocausto dos EUA.

O historiador é cidadão israelense e americano e, na década de 1970, foi soldado do Exército israelense.

Inicialmente, Bartov não classificou como genocídio as ações militares de Israel em Gaza após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Agora, ele não hesita em fazer isso, e afirma que há um consenso neste sentido entre especialistas em genocídio.

Bartov explicou à BBC News Mundo por que mudou de posição e por que a ação israelense em Gaza "não tem equivalente" na história recente. Ele também refletiu sobre algo que descreve como "perturbador": a indiferença de muitos israelenses ao sofrimento dos palestinos.

Israel enfrenta uma acusação de genocídio na Corte Internacional de Justiça (CIJ), e o primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, tem um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por supostos crimes de guerra.

Netanyahu classifica as acusações de genocídio como "falsas" e "inaceitáveis".

O parlamentar israelense Boaz Bismuth, leal a Netanyahu e suas políticas, argumenta:

"Como podem nos acusar de genocídio quando a população palestina cresceu não sei quantas vezes? Como podem nos acusar de limpeza étnica quando estou deslocando a população dentro de Gaza para protegê-la? Como podem nos acusar quando estamos perdendo soldados para proteger nossos inimigos?"

Israel lançou uma campanha militar em Gaza em resposta ao ataque pela fronteira do Hamas em 7 de outubro de 2023, no qual cerca de 1,2 mil pessoas foram mortas e outras 251 foram feitas reféns.

Desde então, os ataques israelenses mataram pelo menos 54.470 pessoas em Gaza, incluindo mais de 17 mil crianças, de acordo com o Ministério da Saúde do território, administrado pelo Hamas.

A seguir, está a entrevista que a BBC News Mundo fez com Omer Bartov.

BBC News Mundo - Nos primeiros meses após o ataque do Hamas, você não usou a palavra genocídio para se referir às ações de Israel em Gaza. Quando e por que você mudou de posição?

Omer Bartov - Mudei de opinião e passei a acreditar que Gaza é inegavelmente um caso de genocídio no início de maio de 2024.

Em novembro de 2023, escrevi que havia evidências de crimes de guerra, possivelmente crimes contra a humanidade.

Eu ainda não tinha certeza de que havia provas suficientes de genocídio. Mas havia indícios de que poderia chegar a isso, porque havia declarações com conteúdo genocida.

Em maio de 2024, quando as Forças de Defesa de Israel (FDI) entraram em Rafah e desalojaram cerca de um milhão de pessoas para a região de Al-Mawasi, uma área sem infraestrutura à beira-mar, isso parecia indicar que se tratava de uma operação com intenções genocidas, intenções que já haviam sido manifestadas em outubro de 2023.

Grupo de homens com uniforme militar

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
O ex-ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, anunciou um bloqueio a Gaza em outubro de 2023, dizendo que não entraria 'nem eletricidade, nem comida, nem água, nem gás... estamos lutando contra animais humanos e agimos de acordo'© Getty Images

O padrão que levou à operação de Rafah em maio parecia indicar que esta não era simplesmente uma operação para, como afirmavam as FDI, destruir o Hamas e libertar os reféns, mas uma operação destinada a tornar toda Gaza inabitável.

Desde então, a situação, é claro, piorou consideravelmente.

Eles estão impondo bloqueio a Gaza há meses, esperando que as pessoas morram, saiam ou sejam aceitas em outros lugares. Como disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (em declarações a um comitê parlamentar israelense, vazadas para a imprensa em maio de 2025): "Nosso único problema é encontrar países que os aceitem".

Esta é claramente uma operação que visa expulsar toda a população da Faixa de Gaza.

BBC News Mundo - Em um artigo para o jornal britânico The Guardian em 2024, você afirmou que "a escala do que as FDI estão perpetrando em Gaza não tem precedentes". Você pode explicar isso?

Bartov - A única comparação possível é com a Nakba, ou seja, a expulsão dos palestinos em 1948. Naquela época, cerca de 750 mil palestinos foram expulsos das áreas que se tornaram o Estado de Israel. E milhares de pessoas morreram. Mas os números não eram tão altos quanto são agora.

Obviamente a população é maior agora, mas os números atuais são absolutamente extraordinários.

A destruição é em grande escala. A tonelagem de bombas lançadas em Gaza é maior que a das bombas lançadas sobre cidades alemãs durante a Segunda Guerra Mundial.

Ouvi falar de reservistas israelenses que voltaram de Gaza e disseram que o que viram os fez lembrar das imagens de Hiroshima. E são soldados que participaram disso. A destruição direcionada, intencional e deliberada de escolas, hospitais, mesquitas, edifícios públicos e universidades é absolutamente extraordinária.

Vista aérea da devastação em Jabalia, no norte de Gaza, em 30 de janeiro de 2025
Vista aérea da devastação em Jabalia, no norte de Gaza, em 30 de janeiro de 2025© Getty Images

Quando você considera quantos jornalistas foram mortos, quantas equipes médicas foram mortas, quando você lê relatos de crianças sendo baleadas por franco-atiradores na cabeça ou no peito* — eu estava, inclusive, lendo esta manhã outra reportagem sobre isso —, é difícil encontrar uma equivalência para isso que aconteceu em um espaço tão pequeno com uma população de mais de dois milhões de pessoas.

Costumávamos pensar que o que os russos faziam na Chechênia e Grozni era terrível. Mas isso é em uma escala maior. É difícil comparar com qualquer coisa. Para o século 21, certamente não há precedentes.

Na Síria, mataram 2% da população, mas isso aconteceu em 13 anos. Em Gaza, aconteceu em vários meses. Este percentual de 2% já foi alcançado no verão de 2024.

*Depoimentos de médicos publicados em veículos de imprensa como New York Times e Guardian contêm tais alegações. As FDI disseram em declarações citadas pelo Guardian que "rejeitam completamente" as acusações de que seus franco-atiradores disparam deliberadamente contra civis

'A única comparação possível é com a Nakba, ou seja, a expulsão dos palestinos em 1948'
'A única comparação possível é com a Nakba, ou seja, a expulsão dos palestinos em 1948'© Getty Images

BBC News Mundo - Até que ponto você vê no caso de Gaza os elementos-chave da definição contida na Convenção sobre Genocídio de 1948?

Bartov - Há uma definição de genocídio: atos cometidos com a intenção de destruir, total ou parcialmente, um grupo específico, seja étnico ou nacional, como tal.

Em outubro, logo após o ataque e o massacre do Hamas de 7 de outubro, os líderes políticos e militares israelenses deram declarações dizendo que isso era o que eles queriam fazer, queriam destruir Gaza. Também disseram que não havia ninguém em Gaza que não fosse responsável.

Portanto, a intenção genocida foi manifestada, e tem sido manifestada repetidamente. A questão é: podemos ver um padrão de operações que mostre que essa intenção está sendo implementada?

Esse padrão, a essa altura, é absolutamente claro, porque podemos ver que o que aconteceu foi uma tentativa coordenada de tornar Gaza inabitável para essa parte da população palestina que vive lá, de destruí-la como um grupo, destruindo edifícios, matando um grande número de pessoas.

Estamos falando de mais de 53 mil pessoas mortas, das quais metade são menores, e os números são provavelmente muito mais altos do que isso.

Também vemos a destruição de tudo o que permite que essa população, se sobreviver, se reconstrua como grupo, porque tudo relacionado à sua cultura, educação, saúde e religião foi sistematicamente destruído.

O que acontece em Gaza se encaixa na definição de genocídio de 1948, a tentativa de destruir um grupo como tal.

Criança ferida em ataque israelense sendo atendida no Hospital Al Awda, em Gaza, em maio de 2025
Criança ferida em ataque israelense sendo atendida no Hospital Al Awda, em Gaza, em maio de 2025© Getty Images

BBC News Mundo - Israel nega estar cometendo genocídio em Gaza, e diz que trava uma guerra contra o Hamas, a quem acusa de usar civis como escudos humanos. Como você responde a esse argumento?

Bartov - Um aspecto interessante é que todos usamos o termo "guerra" porque não sabemos como chamar o que acontece em Gaza de outra maneira, mas na realidade não há guerra. A guerra terminou, no mais tardar, em junho de 2024. Desde então, o Hamas não travou nada parecido com uma guerra contra as Forças de Defesa de Israel.

Obviamente, há vários milhares de homens, em sua maioria jovens recrutados após a morte de muitos dos combatentes originais. De vez em quando, eles saem de um túnel e disparam alguns foguetes. Mas as FDI estão usando tanques, artilharia, aviões e navios modernos para atacar Gaza. Não estão travando uma guerra, mas uma campanha de destruição. Então, chamar de guerra é totalmente inapropriado.

Quanto à afirmação de que o Hamas usa a população como escudo humano, não sou partidário do Hamas, acho que o Hamas foi uma catástrofe para os palestinos, e é uma organização assassina. Não há como defender o que eles fizeram em 7 de outubro. Mas eles estão lutando em uma das áreas mais urbanizadas e densamente povoadas do mundo. Se você luta em um lugar como esse, luta em áreas com alta concentração de civis.

A ironia é que há um grande número de reportagens no sentido de que as Forças de Defesa de Israel estão usando palestinos como escudos humanos em suas próprias operações**, pegando especificamente idosos e jovens, vestindo-os com uniformes das FDI e enviando-os a túneis para explodi-los, caso haja armadilhas explosivas. Isso foi amplamente divulgado.

** Nas acusações mais recentes, tanto a Associated Press quanto o jornal israelense Haaretz publicaram relatos sobre o uso de palestinos como escudos humanos. O Exército israelense negou as acusações e disse que suas regras proíbem essa prática.

'Quando você considera quantos jornalistas foram mortos, quantas equipes médicas foram mortas... é difícil encontrar uma equivalência para isso que aconteceu em um espaço tão pequeno com uma população de mais de dois milhões de pessoas'
'Quando você considera quantos jornalistas foram mortos, quantas equipes médicas foram mortas... é difícil encontrar uma equivalência para isso que aconteceu em um espaço tão pequeno com uma população de mais de dois milhões de pessoas'© Getty Images

BBC News Mundo - Em seu artigo no The Guardian, você diz: "Como ex-soldado das FDI e historiador sobre genocídio, me senti profundamente perturbado em minha recente visita a Israel". E fala da "indiferença total da maioria dos israelenses diante do que é feito em seu nome".

Uma pesquisa recente publicada no jornal israelense Haaretz afirma que 82% dos israelenses são a favor da expulsão dos palestinos de Gaza. Você poderia explicar por que falou sobre se sentir perturbado em sua viagem a Israel?

Bartov - Por um lado, há o que eu vi. Por outro lado, a pesquisa que você mencionou.

A maioria das pessoas com quem tenho contato em Israel não são de direita, não são colonos ou extremistas, mas pessoas que costumavam apoiar a esquerda, liberais.

Essas pessoas ficaram tão chocadas e traumatizadas com o que aconteceu em 7 de outubro, sentiram tanta insegurança que simplesmente não queriam saber o que estava acontecendo em Gaza. Se eu mencionava Gaza, elas tendiam a mudar de assunto. Estavam preocupadas com seu trauma. E é verdade. Muita gente, inclusive eu, tem familiares ou amigos que foram mortos em 7 de outubro.

Isso foi em uma visita em junho de 2024. Quando voltei para Israel em dezembro, acho que mais gente sabia o que estava acontecendo em Gaza; era impossível não saber, porque, embora a mídia israelense informe muito pouco sobre a matança em Gaza, as informações vazam, inclusive por meio de publicações nas redes sociais de soldados israelenses.

Portanto, as pessoas sabiam mais sobre o que estava acontecendo em Gaza, mas não se importavam mais. Em geral, eram bastante indiferentes.

Quanto à pesquisa, é devastadora. Na verdade, ela foi conduzida por dois professores israelenses que lecionam nos EUA. Conheço os dois, e é uma pesquisa confiável que mostra que a grande maioria dos israelenses gostaria de ver a população de Gaza transferida.

"Transferência" é um termo usado em Israel desde a década de 1930, desde antes da criação do Estado, o que significa "tirá-los de lá, não nos importamos onde estejam".

Assim, 82% parecem apoiar a transferência, que constitui uma limpeza étnica da Faixa de Gaza. E acho que os números seriam bastante altos se eles fossem questionados sobre a Cisjordânia, não apenas sobre Gaza.

Bartov observa que, quando visitou Israel em dezembro de 2024, 'era impossível' que os israelenses não soubessem o que estava acontecendo em Gaza. 'As informações vazam, inclusive por meio de publicações nas redes sociais feitas por soldados israelenses'
Bartov observa que, quando visitou Israel em dezembro de 2024, 'era impossível' que os israelenses não soubessem o que estava acontecendo em Gaza. 'As informações vazam, inclusive por meio de publicações nas redes sociais feitas por soldados israelenses'© Getty Images

BBC News Mundo - Você menciona a Cisjordânia. Como você vê a situação lá, onde, de acordo com a ONU, desde janeiro deste ano, mais de 40 mil pessoas foram desalojadas, e 22 novos assentamentos foram anunciados recentemente?

Bartov - O que está acontecendo na Cisjordânia é o desalojamento forçado das pessoas.

Muito disso acontece agora à sombra do que está acontecendo em Gaza, já que a maior parte da atenção está concentrada em Gaza.

Há também muita violência por parte de colonos apoiados pelo Exército; Muitas das unidades militares são recrutadas entre os próprios colonos, então nada mais são do que colonos uniformizados.

Há pogroms ali semanalmente. Portanto, este é o outro lado da moeda: esvaziar Gaza e, em seguida, tomar cada vez mais território na Cisjordânia.

BBC News Mundo - No caso dos genocídios em Ruanda e Srebrenica, na ex-Iugoslávia, não havia países ocidentais armando e apoiando abertamente um dos lados. Gaza é um caso excepcional?

Bartov - Isso pode ser visto sob duas perspectivas. Muitas pessoas em Israel diriam: por que você presta tanta atenção ao que Israel faz? Veja o que todos esses outros países fazem. Veja o que acontece na Síria, na China, na Rússia, no Sudão, etc. Esse é o ponto de vista israelense.

Mas o Sudão, a Rússia e a China não estão recebendo armas, suprimentos nem cobertura diplomática do Ocidente, enquanto Israel está.

80% das armas fornecidas a Israel são provenientes dos Estados Unidos, grande parte do restante vem da Alemanha, e esses países oferecem uma cobertura diplomática. O Conselho de Segurança não pode aprovar nenhuma resolução porque os Estados Unidos vetariam.

Por que eles fazem isso? É uma pergunta muito boa. Por que Israel pode agir com impunidade, apesar de depender em grande parte dos países ocidentais, dos Estados Unidos e da Europa? A Europa é seu principal parceiro comercial, não os Estados Unidos.

É uma pergunta complexa. Acho que isso, a propósito, está mudando. Acho que a longo prazo Israel vai pagar um preço muito alto pelo que fez. Mas isso não vai ajudar muito os palestinos; as pessoas que morreram, estão mortas. E isso é irreversível.

No caso da Europa, acho que isso tem a ver com Israel fazer todo o possível para lembrar os europeus do Holocausto, e garantir que eles ainda tenham um sentimento persistente de culpa pelo genocídio nazista contra os judeus.

E acredito que nos Estados Unidos, a influência de Israel é enorme, não apenas por meio da comunidade judaica, mas também de outros grupos dentro dos Estados Unidos que apoiam firmemente Israel.

Eu disse recentemente que o crédito que Israel está usando, o crédito do Holocausto, está se esgotando. Que não será mais possível usá-lo como desculpa não só para o que está acontecendo em Gaza, mas também para a ocupação e a opressão de milhões de pessoas durante décadas.

Um menino de 11 meses com desnutrição em Gaza em junho de 2025. Sem a entrada de ajuda em massa, mais de 70 mil crianças com menos de cinco anos vão sofrer de desnutrição grave nos próximos meses, informou a ONU em maio
Um menino de 11 meses com desnutrição em Gaza em junho de 2025. Sem a entrada de ajuda em massa, mais de 70 mil crianças com menos de cinco anos vão sofrer de desnutrição grave nos próximos meses, informou a ONU em maio© Getty Images

BBC News Mundo - Você disse que Israel vai pagar um preço alto no futuro. Você acha que haverá prestação de contas pelo que acontece em Gaza?

Bartov - Primeiro, a prestação de contas é fundamental, é claro. Porque se não houver responsabilização, por que outros Estados não sentiriam que podem fazer o que quiserem?

A grande tragédia aqui é que, após a Segunda Guerra Mundial, em grande parte devido a crimes nazistas, se estabeleceu todo um sistema de leis internacionais para impedir que essas coisas aconteçam novamente.

Esta foi a suposta lição do Holocausto. Agora Israel está cometendo crimes em massa de genocídio em Gaza. E alegar que o Holocausto é uma espécie de desculpa para agir desta maneira é, por si só, terrivelmente trágico.

Os indivíduos serão responsabilizados? Espero que sim. É muito difícil saber.

Na minha opinião, a principal prestação de contas virá com o que acontecer com o próprio Israel. Acho que o país está a caminho de perder seus principais aliados na Europa Ocidental. Está perdendo o apoio da opinião pública, especialmente nos Estados Unidos, Alemanha, França, Grã-Bretanha, etc.

Isso vai ter consequências a longo prazo para o país, a menos que uma nova liderança israelense, e especialmente líderes europeus e americanos, decidam impor uma solução política, porque não há solução militar para o que estamos vendo agora.

BBC News Mundo - Quero perguntar especificamente sobre a polêmica entidade privada criada por Israel com o apoio dos EUA para distribuir ajuda humanitária, a Fundação Humanitária Gaza. As autoridades locais denunciaram a morte de dezenas de pessoas em ataques israelenses perto dos centros de distribuição.

Como historiador sobre genocídio, o que você sente quando vê as imagens de pessoas esperando desesperadamente para receber um pouco de comida?

Bartov - Olha, passei boa parte da minha vida lendo e escrevendo sobre crimes, então fui exposto a muitas imagens deste tipo ao longo da minha vida. E devo dizer, antes de tudo, pessoalmente, como ser humano, que acho muito difícil ver essas imagens devido à absoluta falta de humanidade, absoluta crueldade, até mesmo da reação "alegre" das tropas israelenses, da mídia israelense, e vejo essas mídias todos os dias. É uma sociedade que não consigo reconhecer.

Não é o país em que cresci. É algo que foi a lugares que ninguém poderia imaginar.

Portanto, de uma perspectiva humana e individual, é muito difícil para mim processar essas imagens. Mas por trás disso há uma política. A direita israelense, que na verdade também representa Netanyahu, tenta criar, na minha opinião, uma situação em que a população morre de frio, fome, doenças ou desespero, ou foge, ou aconteça um desastre humanitário tão grande que algum outro país diga: "Ok, vamos cuidar deles se eles permitirem".

Está absolutamente claro. Israel foi pressionado, por isso criou uma maneira pela qual parece fornecer alimentos, mas nunca é suficiente.

Eles entregam comida em pouquíssimos lugares para criar exatamente o tipo de caos que surge quando pessoas que estão morrendo de fome são informadas que a dez quilômetros de distância, se correrem o mais rápido possível, podem obter uma caixa. Isso gera desespero, medo e violência.

Este sistema foi projetado para parecer que Israel fornece ajuda e, ao mesmo tempo, agravar o desastre humanitário que está acontecendo em Gaza. E isso é feito com a cooperação dos Estados Unidos. Algo que também me dói ver.

Centro de distribuição de alimentos em Gaza em maio de 2025. Para Bartov, o novo sistema 'foi projetado para parecer que Israel fornece ajuda e, ao mesmo tempo, agravar o desastre humanitário'
Centro de distribuição de alimentos em Gaza em maio de 2025. Para Bartov, o novo sistema 'foi projetado para parecer que Israel fornece ajuda e, ao mesmo tempo, agravar o desastre humanitário'© Getty Images

BBC News Mundo - O NRC, jornal holandês, entrevistou sete especialistas em genocídio de seis países, e todos disseram que Israel comete ações genocidas em Gaza. Você diria que há um consenso crescente entre os especialistas em genocídio neste sentido?

Bartov - Eu diria que sim. Obviamente, há alguns casos isolados, mas com o tempo se criou um consenso, e acho que a maioria dos pesquisadores de genocídio diria que isso é genocídio.

Embora tenha sido criado um consenso entre os pesquisadores de genocídio, os pesquisadores que dedicaram sua carreira a escrever sobre o Holocausto, que no fim das contas foi um genocídio, tem sido muito difícil para eles, com algumas exceções, incluindo eu, dizer abertamente que Gaza é um genocídio.

No momento, existe uma divisão entre pesquisadores de genocídio comparativo e pesquisadores do Holocausto em institutos dedicados a lembrar e documentar o Holocausto, que se negam a condenar o que Israel está fazendo.

Conheço muitas dessas pessoas há muito tempo, e isso para mim é extremamente perturbador.

Se acreditamos no princípio de "nunca mais", depois do Holocausto, é o momento de dizer em relação a Gaza: "Parem o que estão fazendo agora mesmo".

Bartov: 'Se acreditamos no princípio de 'nunca mais', depois do Holocausto, é o momento de dizer em relação a Gaza: "Parem o que estão fazendo agora mesmo'
Bartov: 'Se acreditamos no princípio de 'nunca mais', depois do Holocausto, é o momento de dizer em relação a Gaza: "Parem o que estão fazendo agora mesmo'© Gentileza Omer Bartov

BBC News Mundo - Tendo estudado genocídio e Holocausto por décadas, também como israelense e como ex-soldado das FDI, qual é a sua reflexão final sobre o que está acontecendo em Gaza?

Bartov - O horror que estamos vendo agora em Gaza é devastador e, ao mesmo tempo, previsível. Porque tudo isso é, em última análise, resultado de décadas e décadas de ocupação e opressão. Estamos falando de um território, como dizem, do rio ao mar, com o mesmo número de judeus e palestinos. Sete milhões de judeus, sete milhões de palestinos.

Mas apenas os judeus têm poder. Há dois milhões de palestinos que são cidadãos israelenses, mas que, de fato, têm apenas direitos limitados. Há três milhões de palestinos na Cisjordânia que não têm nenhum direito. E há dois milhões de palestinos em Gaza que enfrentam um genocídio.

E tudo isso é resultado da incapacidade do Estado de Israel de aceitar que deve encontrar uma maneira de conviver com os palestinos nessa terra, da maneira que palestinos e judeus decidirem que funciona para eles. Seja um Estado, dois Estados, tanto faz.

Tem a ver com a incapacidade de Israel aceitar que é impossível continuar com esse tipo de opressão e ocupação. Isso só vai gerar mais violência e mais desespero. Não apenas para os palestinos, é claro, mas também para milhões de israelenses que vivem em um estado de medo e insegurança, e cuja democracia desaparece dia após dia como resultado desta ocupação prolongada.

Também gostaria de mencionar que houve uma tentativa de silenciar as críticas às ações de Israel como antissemitas, e acho isso muito preocupante, porque o que Israel está fazendo agora é o principal fator desencadeador do aumento do antissemitismo em todo o mundo.

E a única maneira de deter isso é mudando essa política, não apenas interrompendo a guerra em Gaza obviamente, mas resolvendo de fato esta situação terrível que gradualmente se tornou o que finalmente foi depois de 7 de outubro.

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