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segunda-feira, 5 de maio de 2025

Volkswagen T-Cross é o SUV mais vendido até abril de 2025; veja a lista

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Segundo os dados da Fenabrave, foram 26.493 unidades do SUV alemão comercializadas no ano. A categoria é a que possui a maior participação de mercado com 53,81%.
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Por Vinicius Montoia, André Fogaça, g1

Postado em 05 de Maio de 2.025 às 16h15m

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Volkswagen T‑Cross Comfortline 2025 — Foto: divulgação/Volkswagen
Volkswagen T‑Cross Comfortline 2025 — Foto: divulgação/Volkswagen

O Volkswagen T-Cross foi o SUV novo mais emplacado do Brasil no primeiro quadrimestre, segundo dados da Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores (Fenabrave) publicados nesta segunda-feira (5).

Nos três primeiros meses de 2025, foram emplacadas 26.492 unidades do utilitário esportivo em todo o país. O vice-líder foi o Hyundai Creta, que vendeu 19.430 unidades.

Veja a lista de SUVs mais vendidos até abril de 2025.

  1. Volkswagen T-Cross: 26.493 unidades;
  2. Hyundai Creta: 19.430 unidades;
  3. Honda HR-V: 19.419 unidades;
  4. Toyota Corolla Cross: 19.242 unidades;
  5. Chevrolet Tracker: 17.914unidades;
  6. Jeep Compass: 17.298 unidades;
  7. Nissan Kicks: 16.199 unidades;
  8. Fiat Fastback: 15.421 unidades;
  9. Jeep Renegade: 13.615 unidades;
  10. Volkswagen Nivus: 13.279 unidades.

g1 testa o novo VW Nivus: é melhor que os rivais?

Vendas de abril

Em abril, o Volkswagen T-Cross também liderou o ranking, com mais de 8.114 emplacamentos. O Toyota Corolla Cross vem na cola, com 6.232 mil unidades vendidas no mês.

Veja abaixo a lista de abril.

  1. Volkswagen T-Cross: 8.114 unidades;
  2. Toyota Corolla Cross: 6.232 unidades;
  3. Honda HR-V: 5.259 unidades;
  4. Hyundai Creta: 4.905 unidades;
  5. Fiat Fastback: 4.676 unidades;
  6. Jeep Compass: 4.542 unidades;
  7. Chevrolet Tracker: 4.297 unidades;
  8. Nissan Kicks: 4.006 unidades;
  9. Volkswagen Nivus: 3.615 unidades;
  10. Jeep Renegade: 3.380 unidades.
Resultados do setor

No primeiro quadrimestre de 2025, os brasileiros compraram 760.288 veículos novos, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Um aumento de 3,41%.

Com 208.661 emplacamentos, a queda foi de 5,48% contra abril de 2024, quando foram firmadas 220.757 vendas.

"Todos os segmentos automotivos apresentaram números positivos. Já na comparação com abril do ano passado, que teve dois dias úteis a mais, o desempenho de automóveis e comerciais leves sofreu retração", disse Arcelio Junior, presidente da Fenabrave.

O cenário para carros eletrificados (elétricos e híbridos) continua favorável, pois registrou aumento de 37,06% no período. No primeiro quadrimestre de 2024, foram 50.835 unidades vendidas. Neste ano, 69.672 vendas (sendo 52.115 híbridos e 17.557 elétricos).

Veja abaixo os resultados por segmento

AUTOMÓVEIS:

  • 551.965 emplacamentos em 2025, aumento de 2,03% contra 2024.
  • 152. 286 emplacamentos em abril , queda de 7,31 % contra abril de 2024;
COMERCIAIS LEVES:

  • 162.820 emplacamentos em 2025, aumento de 8,31% contra 2024.
  • 44.790 emplacamentos em abril, aumento de 2,42% contra abril de 2024;
CAMINHÕES E ÔNIBUS:

  • 45.503 emplacamentos em 2025, aumento de 3,63 % contra 2024.
  • 11.585 emplacamentos em abril , aumento de 1,35% contra abril de 2024;
Projeções para 2025

A projeção da Fenabrave é de um crescimento menor para 2025, marcado em 5%. Alcançando um total de 2.765.906 veículos vendidos.

  • Automóveis e comerciais leves: alta de 5% (de 2.484.740 para 2.608.977);
  • Caminhões: alta de 4,5% (de 122.099 para 127.593);
  • Ônibus: alta de 6% (de 27.675 para 29.336).

A redução no crescimento esperado para 2025 está ligada em preocupações com os cenários internacional e nacional. Porém, se essa alta se confirmar, serão registrados 124.037 veículos a mais que em 2024.

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Cientistas usam sangue de homem picado por mais de 200 cobras para criar antídoto inédito

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Homem é colecionador de cobras e levou mais de 200 picadas intencionalmente, sem supervisão. Agora, pesquisadores analisaram seu corpo e descobriram resposta imunológica que poderia ser antídoto para picadas espécies diferentes de cobra, o que não existe hoje.
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Por Poliana Casemiro, g1

Postado em 05 de Maio de 2.025 às 09h10m

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Tom Friede foi picado mais de 200 vezes por cobras de várias espécies — Foto: AP
Tom Friede foi picado mais de 200 vezes por cobras de várias espécies — Foto: AP

Um grupo de cientistas desenvolveu um antídoto experimental contra venenos de cobra a partir dos anticorpos de um homem que foi picado centenas de vezes — muitas delas de forma proposital.

Tim Friede, um norte-americano que vive em Wisconsin, nos Estados Unidos, passou anos injetando em si mesmo pequenas doses de veneno de cobras altamente letais, como mambas e najas. A ideia, segundo ele, era simples: tentar desenvolver tolerância ao veneno.

Sem qualquer supervisão médica, Friede começou o experimento por conta própria, guiado pela curiosidade e pelo fascínio por serpentes e escorpiões. Ao longo dos anos, sofreu reações intensas, incluindo convulsões e febres altas — mas sobreviveu. E, involuntariamente, ajudou a ciência.

🔬 O que os cientistas fizeram:

  • Pesquisadores analisaram amostras de sangue de Friede e identificaram dois anticorpos gerados naturalmente por seu organismo após anos de exposição controlada ao veneno.
  • Esses anticorpos foram capazes de neutralizar toxinas de várias espécies diferentes de cobras.
  • Em testes com camundongos, os anticorpos ofereceram proteção contra o veneno de elapídeos, grupo que inclui mambas, najas e cobras-corais.


Medicamento contra hipertensão é feito do veneno de uma cobra; entenda

Os resultados foram publicados na revista iScience na semana passada e, segundo os especialistas, é uma descoberta promissora.

Hoje, os antivenenos contra picadas de cobra são um desafio. Isso porque cada antídoto funciona apenas para espécies específicas de cobras — e pode não ser eficaz em diferentes regiões do mundo, onde as toxinas variam.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 110 mil pessoas morrem todos os anos por picadas de cobras. O número pode ser ainda maior, já que muitos casos ocorrem em áreas rurais sem acesso a hospitais ou notificações oficiais.

Por isso, a possibilidade de criar um antídoto universal — eficaz contra vários tipos de veneno — é considerada uma das maiores promessas da pesquisa atual.

⚠️ A pesquisa, no entanto, ainda está em fase inicial e os testes foram feitos apenas em animais de laboratório. Os anticorpos identificados funcionaram apenas contra o grupo das elapídeas, e não demonstraram eficácia contra as víboras, como cascavéis e jararacas.

Mesmo assim, os cientistas acreditam que o caminho aberto com o sangue de Tim Friede pode levar, no futuro, a tratamentos mais eficazes e amplos contra picadas de cobra.

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domingo, 4 de maio de 2025

Quase 1 metro de diferença: maior e menor cachorro do mundo se encontram

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O dogue alemão Reginald mede 1,007 metro; Pearl é uma chihuahua da Flórida de que tem apenas 9,14 centímetros. Os dois se encontraram no começo de abril.
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Por Associated Press

Postado em 04 de Maio de 2.025 às 10h25m

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O cão mais alto e o menor do mundo do mundo se encontram

Os cães Reginald, macho, e Pearl, fêmea, tiveram um encontro especial no início de abril em Idaho, nos Estados Unidos. Eles são, respectivamente, o maior e menor cachorro do mundo, e têm quase 1 metro de diferença.

Reginald, ou Reggie, é um dogue alemão de 7 anos de Idaho que mede 1,007 metro; Pearl, uma chihuahua da Flórida de 4 anos que tem apenas 9,14 centímetros. A diferença entre os dois é de 91,56 centímetros.

Os dois são certificados pelo Guinness World Records, que promoveu o encontro.

Reggie, maior cachorro do mundo, e Pearl, a menor, se encontram — Foto: Guinness World Records
Reggie, maior cachorro do mundo, e Pearl, a menor, se encontram — Foto: Guinness World Records

Reginald é do tamanho de um cavalo pequeno, e Pearl, de uma maçã. Mas isso não os impediu de ficarem amigos.

Pearl vem de uma longa linhagem de cães de porte baixo. Sua tia Millie, detentora do recorde anterior na mesma categoria até sua morte em 2020, tinha 10,16 centímetros de altura.

Tanto Millie quanto Pearl pesavam apenas 28,35 gramas ao nascer.

A chihuahua Pearl, de 4 anos, tem apenas 9 centímetros — Foto: Guinness World Records
A chihuahua Pearl, de 4 anos, tem apenas 9 centímetros — Foto: Guinness World Records

"Eu não esperava bater o recorde novamente", disse Vanesa Semler, de Orlando, Flórida, tutora dos dois cachorrinhos. "Parecia inacreditável."

O Guinness organizou o encontro de dois dias entre Pearl e Reginald no mês na casa do segundo, em Idaho Falls.

Embora Pearl ame os outros cães, inclusive os grandes, sua tutora disse que estava ansiosa, por causa do tamanho de Reginald.

"Para mim, foi uma surpresa enorme e agradável desde o primeiro dia, porque Reggie é como Pearl, em tamanho maior", disse ela. "Ele é tão gentil, tão amigável."

Reggie e Pearl conseguiram se entender e encontrar algo em comum durante os dois dias que passaram juntos — Foto: Guinness World Records
Reggie e Pearl conseguiram se entender e encontrar algo em comum durante os dois dias que passaram juntos — Foto: Guinness World Records

Reggie, por sua vez, pareceu mais interessado na equipe de filmagem do Guinness do que na cachorrinha. "Eu diria que ele gosta um pouco mais de pessoas do que de outros cachorros", disse Sam Johnson Reiss, seu tutor.

O tamanho minúsculo de Pearl também pareceu estranho para o cachorrão.

"Ele ficou muito cauteloso, meio ansioso", disse Reiss. "Ele tomou muito cuidado, não pisou nela nem nada."

Diferença entre os cachorros Reggie e Pearl é de 91 centímetros — Foto: Guinness World Records
Diferença entre os cachorros Reggie e Pearl é de 91 centímetros — Foto: Guinness World Records

Pode até ter rolado um pouco de ciúmes por causa dos brinquedos e das camas, mas Reggie e Pearl conseguiram se entender e encontrar algo em comum durante os dois dias que passaram juntos na fazenda em Idaho.

"Acho que ela encontrou uma boa amiga", disse a tutora da cachorrinha.

Vanessa Semler disse que Pearl é sua prima donna. A chihuahua até escolhe as roupas que quer usar colocando a pata nas peças dispostas à sua frente.

"Para nós, ela sempre foi nossa diva", disse Semler. "Agora, ela é uma diva para todos."

Já o tutor de Reggie disse que ele também tem suas exigências. "Reggie é simplesmente atrevido, meio travesso e bobo, e definitivamente te diz quando quer alguma coisa", declarou Reiss.

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sábado, 3 de maio de 2025

Por que maioria dos economistas diz que tarifas não funcionam — e o que argumenta quem as defende

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Muitos economistas acreditam que o livre comércio é o modelo mais benéfico para a economia global; ainda assim, o protecionismo tem seus defensores.
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TOPO
Por Guillermo D Olmo, BBC

Postado em 03 de Maio de 2.025 às 05h05m

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Trump anuncia tarifas recíprocas — Foto: REUTERS/Carlos Barria
Trump anuncia tarifas recíprocas — Foto: REUTERS/Carlos Barria

Poucas ideias geram tanto consenso entre economistas quanto o fato de que tarifas de importação são uma má ideia.

Apesar de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar estar convencido de que a imposição de tarifas sobre importações de outros países vai gerar "resultados históricos" que tornarão seu país "rico de novo", a maioria dos economistas considera essa medida um obstáculo ao progresso.

Trump impôs tarifas pesadas e as transformou em uma das bandeiras do seu segundo mandato.

Mas a maioria dos especialistas aponta que essa medida vai ser prejudicial, e que os principais prejudicados provavelmente serão os consumidores e as empresas americanas.

Como a ciência econômica chegou a essa conclusão negativa sobre as tarifas?

O que são tarifas e o que dizem seus defensores?

Tarifas são impostos cobrados sobre produtos importados que são pagos na alfândega pelos importadores.

Por exemplo, se uma empresa americana quiser importar madeira no valor de US$100 (R$ 568) e o governo americano tiver aplicado uma tarifa de 10% sobre o país de origem do produto, a empresa vai ter que pagar US$ 110.

Durante décadas, as tarifas foram um instrumento de políticas econômicas protecionistas, usadas em diferentes países por governos que buscavam proteger a indústria local da concorrência externa.

Os defensores do protecionismo acreditavam que a imposição de tarifas favoreceria o desenvolvimento da indústria nacional, que eles consideravam fundamental para o desenvolvimento econômico, e que estaria sendo prejudicado pela entrada de produtos estrangeiros.

Foi essa lógica defendida, entre outros, por Alexander Hamilton, um dos "pais fundadores" dos Estados Unidos, que propôs a imposição de tarifas para frear as importações da Grã-Bretanha e permitir que a indústria da jovem república americana decolasse.

A teoria protecionista sustentava que as restrições à concorrência estrangeira ajudariam a indústria nacional, que, com menos concorrentes de fora, poderia aumentar seus lucros e empregar mais trabalhadores locais. Além disso, equilibraria a balança comercial e contribuiria para a capitalização do país.

É a mesma lógica aparentemente adotada por Trump mais de dois séculos depois, ao defender que os carros americanos sejam fabricados dentro dos Estados Unidos e que a receita gerada pelos impostos sobre importação compense a arrecadação perdida com a redução de tributos que ele prometeu.

Tarifas de Trump podem levar à enxurrada de produtos chineses no Brasil
Tarifas de Trump podem levar à enxurrada de produtos chineses no Brasil

O que dizem os economistas de hoje sobre as tarifas

Há décadas, a ideia de que tarifas sobre importações fazem mais mal do que bem é dominante.

Nas palavras de Erika York, analista da Tax Foundation, um centro de análises dos Estados Unidos, "barreiras comerciais, como as tarifas, têm demonstrado causar mais prejuízos econômicos do que benefícios".

"[As tarifas] aumentam os preços, reduzem a oferta de bens e serviços, o que resulta em queda na renda, redução de emprego e uma menor produção", diz York.

Atualmente, a principal preocupação é que as tarifas provoquem um efeito imediato de alta nos preços, em um momento em que os Estados Unidos e o mundo começam a superar a onda de inflação dos últimos anos.

As tarifas impactam as margens de lucro dos fabricantes e importadores, o que em muitos casos vai impactar no preço final dos produtos, contribuindo para uma possível queda do consumo e, consequentemente, do crescimento econômico.

"Quando um produto é mais caro para uma empresa, ele será vendido por um preço mais alto para o consumidor, e o consumidor vai ter que pagar mais ou decidir não comprar, o que vai desacelerar a economia", explica Sebnem Kalemli-Özcan, professora de economia da Universidade Brown.

Por isso, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, alertou que as tarifas propostas por Trump têm "alto risco de gerar mais desemprego e mais inflação".

Os especialistas também criticam a "obsessão" de usar a balança comercial como um indicador da prosperidade de um país.

Trump costuma dizer que o déficit comercial dos Estados Unidos é prova de que seu país está sendo explorado pelo resto do mundo há anos.

Contudo, a balança comercial é apenas um indicador que mede o fluxo de bens e serviços e de capital, o que reflete nos fluxos financeiros, mas não necessariamente na saúde da economia.

York dá um exemplo de por que se focar apenas na balança pode ser enganoso.

Imagine que uma empresa americana envia um carregamento no valor de US$ 100 milhões à França. Como a quantia está saindo do país, ela é registrada como déficit para os Estados Unidos.

Se após vender os produtos na França, esse mesmo navio volta com mercadorias francesas avaliadas em US$ 30 milhões para serem vendidas, há uma redução no déficit na balança comercial, mas ele ainda soma US$ 70 milhões.

Só que, no fim das contas, essa empresa americana vendeu um total de US$ 130 milhões entre os dois países.

Outro ponto levantado pelos especialistas é que o protecionismo foi abandonado devido à percepção de que, embora possa trazer benefícios a curto prazo para um determinado setor industrial, a longo prazo acaba sendo prejudicial para a economia no geral.

Os agricultores locais, por exemplo, podem aumentar suas vendas e sua participação de mercado quando não têm que enfrentar concorrência estrangeira.

Mas, em larga escala, a falta de concorrentes levará a um encarecimento dos preços dos produtos e, possivelmente, a uma queda da qualidade que acabará afetando todos os consumidores.

"À medida que os consumidores gastam mais em produtos sobre os quais foi imposto a tarifa de importação, eles têm menos dinheiro para gastar em outros. Assim, uma indústria é sustentada às custas de outras", explica York.

As tarifas também são consideradas um imposto pouco justo, uma vez que incidem sobre os produtos sem considerar o nível de renda dos consumidores.

Como geralmente resultam em aumento dos preços, acabam afetando mais as pessoas com menos renda.

Por exemplo, se o preço dos abacates sobe 15% como resultado das tarifas, o impacto será maior para as famílias que têm pouca ou nenhuma margem financeira para lidar com esse aumento.

Segundo um estudo publicado por um grupo de economistas na revista acadêmica Journal of Purchasing and Supply Management, as tarifas acabam sendo prejudiciais até mesmo para setores que deveriam ser protegidos por elas.

"Ainda que as tarifas possam oferecer alguma proteção a certas indústrias, elas também podem criar ineficiências" tanto para essas empresas quanto para seus parceiros e clientes na cadeia de suprimentos, afirma o estudo.

Trump admite 'problemas de transição' com tarifas
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O que a história nos ensina sobre as tarifas

A ideia de que o livre comércio é uma forma de prosperidade está presente entre os economistas clássicos há muitos séculos.

Adam Smith, considerado o pai da ciência econômica moderna, já defendia essa ideia em seu livro A riqueza das nações, de 1776.

Smith argumentou que o livre comércio permitiria a cada país se especializar nos produtos que lhe eram mais convenientes e com os quais obteria mais lucro, em vez de ter que produzir toda a demanda do seu mercado.

Várias experiências do passado levaram os economistas ao consenso atual sobre as tarifas e o protecionismo.

Robert Gulotty, professor de Ciência Política da Universidade de Chicago, lembra da Lei de Embargo de 1807, aprovada nos Estados Unidos para restringir o comércio com a Grã-Bretanha e a França.

"[A lei] teve como efeito uma redução drástica das importações e exportações dos Estados Unidos e a expansão do comércio britânico na América do Sul, o que levou à guerra de 1812", entre os Estados Unidos e sua antiga metrópole.

Recentemente, Joseph S. Stiglitz, Nobel de Economia, disse em uma conferência que o programa protecionista implementado pelos Estados Unidos na década de 1930, quando o país sofria uma grave crise econômica provocada pelo colapso da Bolsa em 1929, foi "um fator importante que contribuiu para a Grande Depressão".

"Não foi um programa de criação de emprego. Foi um programa de destruição de emprego", disse Stiglitz, alertando que a imposição de tarifas por um país pode desencadear medidas de retaliação de outros, algo que acontece há anos entre os Estados Unidos e China, as duas maiores economias do mundo.

"Sabemos que esse tipo de guerra comercial leva a uma redução nas condições de vida da população", afirmou Stiglitz.

Castigados por experiências como a da década de 1930, os líderes mundiais optaram, após o fim da Segunda Guerra, por remover barreiras comerciais no mundo todo, um movimento impulsionado, sobretudo, pelos Estados Unidos.

A assinatura em 1948 pelo Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT, na sigla em inglês) resultou em um sistema de maior abertura comercial e na eliminação generalizada de tarifas, o que levou à criação da Organização Mundial do Comércio em 1995, um legado que é visto positivamente pela maioria dos economistas.

Foi na era da globalização que, segundo Erika York, "o mundo abandonou as políticas comerciais protecionistas, movendo em direção a um sistema de comércio aberto baseado em regras", algo que "tem gerado benefícios, em geral, como aumento de renda, preços mais baixos e mais opções para os consumidores"

Após a Segunda Guerra Mundial, também se iniciou um processo de integração, que levou à criação da União Europeia, fundamental para a reconstrução do continente após o desastre deixado pela guerra e para o desenvolvimento que a Europa tem experimentado desde então.

Além disso, estudos sobre os episódios mais recentes, como as tarifas impostas a produtos chineses durante a primeira presidência de Trump, também revelaram mais prejuízos do que benefícios, e mostraram que quem acabou sofrendo o impacto dessa medida foram os consumidores americanos.

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