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quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Polaris Dawn: turistas fazem primeira caminhada espacial de missão privada

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Dos quatro tripulantes, o bilionário Jared Isaacman e a engenheira de operações espaciais da SpaceX, Sarah Gillis, foram selecionados para sair da nave para flutuar no espaço por alguns minutos.
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Por Darlan Helder, Aline Gomes, g1

Postado em 12 de setembro de 2024 às 08h25m

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Turistas fazem primeira caminhada espacial de missão privada

Dois tripulantes do programa Polaris Dawn, da SpaceX, caminharam no espaço na manhã desta quinta-feira (12).

A missão é considerada histórica porque é a primeira vez que uma empresa privada leva civis para andar no espaço.

Jared Isaacman bilionário que adquiriu a viagem, foi o primeiro passageiro a ter a experiência de sair da nave Crew Dragon para flutuar, às 7h52. Em seguida, às 8h05, foi a vez de Sarah Gillis, que é engenheira de operações espaciais da SpaceX.

Neste momento, eles sobrevoavam entre a Austrália e a Antártida, segundo a SpaceX. Após alguns minutos do lado de fora, a tripulação retornou à Crew Dragon e a porta da nave foi fechada por volta das 8h19.

"Em casa temos muito trabalho para fazer, mas desde aqui a Terra parece um mundo perfeito", disse Isaacman após sair a nave.

A caminhada estava programada para ocorrer a partir das 3h23 (horário de Brasília), mas ainda na madrugada, sem revelar o motivo, a SpaceX mudou o horário de início da preparação para 5h55.

Polaris Dawn: turistas fazem primeira caminhada espacial de missão privada

Antes da saída, a Crew Dragon foi despressurizada e exposta ao vácuo do espaço. A experiência espacial também exigiu trajes específicos, que foram desenvolvidos pela SpaceX para esta missão.

Os dois turistas espaciais saem amarrados por um equipamento de oxigênio, enquanto os demais permaneceram na cabine. A flutuação aconteceu a uma distância de cerca de 700 km da Terra.

Tripulação se preparando para sair da nave — Foto: Reprodução/SpaceX
Tripulação se preparando para sair da nave — Foto: Reprodução/SpaceX

No passado, somente astronautas altamente treinados e financiados pelo governo fizeram caminhadas espaciais. Foram realizadas cerca de 270 na Estação Espacial Internacional (ISS) desde a sua criação em 2000 e 16 por astronautas chineses na estação espacial Tiangong de Pequim, segundo a agência Reuters.

Antes dessa experiência, a equipe da Polaris Dawn já havia feito história. Nesta quarta (11), eles alcançaram 1.400 km de distância da superfície da Terra, a mais alta já atingida por humanos desde o programa Apollo, encerrado em 1972.

Para se ter uma ideia, a Estação Espacial Internacional (ISS) fica a 420 km da Terra.

🚀 Quem está na nave?

SpaceX realiza primeira missão privada com caminhada espacial

  • Jared Isaacman (comandante), presidente-executivo do serviço de pagamentos americano Shift4. Em 2021, ele bancou e participou da missão Inspiration4, também da SpaceX, em que tripulantes civis ficaram na órbita da Terra durante três dias, sem a presença de astronautas profissionais, sum feito histórico no turismo espacial.
  • Scott Poteet (piloto), tenente-coronel aposentado da Força Aérea americana.
  • Sarah Gillis (especialista de missão), engenheira de operações espaciais da SpaceX, responsável pelo programa de treinamento da empresa para astronautas.
  • Anna Menon (especialista de missão e médica), engenheira de operações espaciais da SpaceX e responsável por gerenciamento de missões.

Isaacman tem uma fortuna de quase US$ 2 bilhões (R$ 11 bilhões). Ele é o único da tripulação com experiência em voos espaciais – em 2021, ele financiou a Inspiration4, primeira missão espacial totalmente civil a orbitar a Terra.

O empresário também está financiando o programa Polaris e, apesar dele ter se recusado a dizer quanto gastou, estima-se que o valor tenha chegado a US$ 100 milhões (R$ 550 milhões), segundo a Reuters.

Os passageiros se prepararam durante dois anos para a missão, período em que treinaram paraquedismo, pilotagem de aeronaves, voo em gravidade zero, entre outras técnicas.

Esta reportagem está em atualização.

Detalhes da missão Polaris Dawn — Foto: Arte/g1
Detalhes da missão Polaris Dawn — Foto: Arte/g1

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segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Brasil tem a cidade mais poluída do mundo nesta segunda? Veja o que dizem os dados e a análise de especialistas

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Plataforma de empresa suíça mostra São Paulo oscilando no topo de ranking de 120 'grandes cidades'. Mesmo site, porém, aponta Porto Velho (RO) como o município mais poluído do país. No mundo, outras cidades que não estão no Brasil figuram no ranking de pior qualidade do ar.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 09 de setembro de 2024 às 17h40m

#.* Post. - Nº.\  11.339 *.#

Fumaça perdura há mais de uma semana em Rio Branco. — Foto: José Rodinei/Rede Amazônica
Fumaça perdura há mais de uma semana em Rio Branco. — Foto: José Rodinei/Rede Amazônica

A fumaça das queimadas tem encoberto cidades pelo país há dias. Mas será que o Brasil tem a cidade mais poluída do mundo nesta segunda-feira (9) por causa disso?

Segundo especialistas ouvidos pelo g1, apesar da poluição das últimas semanas, uma afirmação tão categórica do tipo é muito difícil de ser feita. Aliado a isso, dados de plataformas especializadas mostram o contrário.

Segundo a IQAir, uma empresa suíça de tecnologia de qualidade do ar, nesta segunda, a cidade de São Paulo está oscilando junto com Lahore, no Paquistão, no topo de um ranking que inclui apenas 120 "grandes cidades" ao redor do mundo. Veja abaixo:

  • 🔴 Lahore, Paquistão — IQA = 169
  • 🔴 São Paulo, Brasil — IQA = 160
  • 🔴 Dubai, Emirados Árabes Unidos — IQA = 158
  • 🔴 Addis Abeba, Etiópia — IQA = 154
  • 🟠 Jacarta, Indonésia — IQA = 147

⚠️ ENTENDA: O site da IQAir usa uma escala de cores para medir o Índice de qualidade do ar (IQA): 🟢 Bom (0-50), 🟡 Moderado (51-100), 🟠 Nocivo para alguns grupos (101-150), 🔴 Nocivo (151-200), 🟣 Muito nocivo (201-300) e 🟤 Extremamente perigoso (301-500), com recomendações que vão desde atividades ao ar livre até evitar sair e permanecer em casa de acordo com esses números.

A lista acima da empresa, porém, NÃO contabiliza todas as cidades do planeta, somente um seleto grupo de metrópoles. A título de comparação, atualmente, somente o Brasil tem mais de 5,5 mil municípios.

Em outra plataforma, dessa vez da empresa indiana Purelogic Labs, São Paulo, por exemplo, figura na 29º posição até o começo da tarde desta segunda-feira. Antes do município aparecem cidades como:

  1. Al Qurayyat (Arábia Saudita),
  2. Rameswaram (Índia),
  3. Bam (Irã),
  4. Lo Miranda (Chile),
  5. Et Tira (Israel).

A diferença acontece porque as plataformas, que NÃO são mantidas por órgãos oficiais, utilizam diferentes bases de dados.

Aliado a isso, Marco Aurélio de Menezes Franco, professor do departamento de Ciências Atmosféricas da USP, lembra que até mesmo a plataforma Suíça aponta Porto Velho (RO) como o município mais poluído do país nesta segunda-feira, e não São Paulo (SP). Nessa mesma lista, antes de São Paulo, figuram ainda no topo do ranking do Brasil Rio Branco (AC) e Campinas (SP). Veja abaixo:

  • 🟣 Porto Velho, Rondônia — IQA = 233
  • 🟣 Rio Branco, Acre — IQA = 202
  • 🔴 Campinas, São Paulo — IQA =168
  • 🔴 São Paulo, São Paulo — IQA =158
  • 🟡 Manaus, Amazonas — IQA = 64
  • 🟡 Recife, Pernambuco — IQA = 58

No mundo, outras cidades que não estão no Brasil também apontam no ranking de pior qualidade do ar da IQAir com índices maiores que o de municípios no país. Veja abaixo:

  • 🟣 Great Falls, Montana (EUA) — IQA = 249
  • 🟣 Kamiah, Idaho (EUA) — IQA = 247
  • 🟣 Burns, Oregon (EUA) — IQA = 236

"Mesmo considerando-o, o mapa mostra São Paulo em vermelho, indicando alta poluição, mas regiões como Rondônia e parte da Bolívia aparecem em roxo, sugerindo poluição ainda maior. Isso parece contraditório", destaca Fábio Luengo, meteorologista da Climatempo.

 Mapa de qualidade do ar da IQAir. — Foto: IQAir/Reprodução
Mapa de qualidade do ar da IQAir. — Foto: IQAir/Reprodução

Não bastasse essas divergências, Marco Aurélio destaca que a rede de medidas no Brasil é limitada e com uma cobertura deficiente, o que resulta em estimativas e não em dados precisos para todas as cidades do país (entenda mais abaixo).

"Fora isso, como esses valores variam com as condições atmosféricas locais, para determinar se uma cidade é a mais poluída do mundo, seria necessário analisar a média dos índices ao longo de um período de tempo", explica o professor.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, avalia a qualidade do ar usando um banco de dados que compila medições anuais da concentração de poluentes, como dióxido de nitrogênio (NO2) e partículas de poeira (PM10 e PM2.5).

📝 RELEMBRE: A fumaça das queimadas que tem encoberto cidades do Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul é composta por gases tóxicos, como monóxido de carbono (CO) e material particulado fino (PM2.5), ou seja, partículas minúsculas que são suspensas no ar. Todos esses componentes são altamente prejudiciais à nossa saúde, e podem agravar doenças respiratórias.

Esses dados representam a média das concentrações para uma cidade ou região, e não para estações individuais.

A média das concentrações é calculada para representar a exposição típica em uma cidade. A base de dados da OMS é atualizada a cada 2-3 anos e abrange mais de 7 mil localidades em mais de 120 países.

No entanto, a cobertura não é completa e varia devido a métodos de medição diferentes e disponibilidade de dados. 
Apenas 13 estados do país têm estações automáticas

O que dificulta esse cálculo também é o fato de que apenas 13 dos 26 estados do país contam com estações automáticas de qualidade do ar, equipamentos fundamentais para a avaliação da poluição atmosférica, de acordo com um estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA).

Segundo a publicação, a maioria das quase 250 estações de monitoramento automático do Brasil está na Região Sudeste (veja gráfico abaixo), e os seus quatro estados lideram - de longe - o ranking de quantidade de estações.

No topo da lista está o Rio de Janeiro, com 65 estações automáticas de monitoramento, seguido por São Paulo, com 62, Minas Gerais, com 54, e Espírito Santo, com 17.

"O primeiro problema de fazer um ranking de pior qualidade do ar é que as medições são diferentes em cada região. O estado de São Paulo é um dos que apresenta o maior número de estações no país - ainda muito baixo", pontua Beatriz Klimeck, doutora e mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ.

De acordo com o estudo do IEMA, quando critérios técnicos são levados em conta, mesmo estados com redes mais robustas, como São Paulo e Minas Gerais, apresentam déficit significativo de estações.

Isso acontece porque áreas com maior concentração de poluentes, alta densidade populacional e fontes potenciais de emissões (como o gás carbônico) exigem um monitoramento mais preciso.

"São Paulo é um estado que conta com outras variáveis de poluição ao longo do ano, então há naturalmente uma atenção maior para ele. O ranking produzido pelo site IQAir olha apenas para 120 cidades no mundo, sendo São Paulo uma delas, o que cria um resultado enviezado", destaca a pesquisadora.

Como a União Europeia e os Estados Unidos têm metodologias diferentes para avaliar esses números, no estudo do IEMA, os pesquisadores também comparam o cenário brasileiro com cada um desses quadros e viram que, considerando o critério americano, Santa Catarina lidera a lista com um déficit de seis estações, seguida por Goiás, Paraíba e Minas Gerais, cada um com três estações a menos do que deveria.

No entanto, quando o critério europeu é adotado, Santa Catarina passa a apresentar um déficit de 15 estações, enquanto Minas Gerais registra um déficit de dez, e São Paulo, de 22 (veja gráfico abaixo).

Conta impossível

Por causa dessa ausência de dados, Klimeck diz que não dá para afirmar qual cidade tem a pior qualidade do ar no mundo.

Ela lembra que a qualidade do ar é uma questão complexa e é calculada de formas variadas por diferentes países e empresas privadas.

"Sem dúvida, diferentes monitores estão reportando má qualidade do ar em todo o país, mas rankings são contraproducentes porque nossa cobertura de medição é terrível", diz

Para a pesquisadora, a estratégia, no entanto, precisa focar em outro ponto: a necessidade urgente de agir em relação aos cuidados com a qualidade do ar e com a fumaça das queimadas, uma mistura tóxica que, em geral, inclui os seguintes compostos:

  • Material particulado (PM2.5): partículas muito pequenas presentes no ar poluído, como o causado pela fumaça das queimadas.
  • Monóxido de carbono (CO): gás liberado principalmente pela queima incompleta de materiais como madeira, carvão e combustíveis.
  • Compostos Orgânicos Voláteis (COVs): durante uma queimada, os COVs são liberados no ar e podem aumentar o risco de problemas respiratórios e outros problemas de saúde.
  • Óxidos de nitrogênio (NOx) e ozônio: conhecidos poluentes atmosféricos. Os óxidos de nitrogênio (NOx) vêm de várias fontes, como vulcões, raios, queimadas, bactérias, além de carros e combustíveis. Já o ozônio se forma quando certos gases, como os de veículos e indústrias, reagem com a luz do sol. Mas queimadas também o liberam.
  • Metais pesados: elementos químicos densos que podem ser tóxicos, mesmo em pequenas quantidades. A fumaça pode conter metais pesados como chumbo e mercúrio, que são prejudiciais quando inalados

"A população precisa ser informada de que se trata de uma situação limite de emergência com a seriedade que queimadas são tratadas em partes do mundo mais acostumadas com essa realidade", pontua. 
Recomendações do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde divulgou orientações para evitar a exposição à fumaça intensa causada por queimadas.

Na publicação, a pasta recomenda as seguintes orientações para a população:

  • 🫗 Aumentar a ingestão de água e líquidos ajuda a manter as membranas respiratórias úmidas e, assim, mais protegidas.
  • 💨 Reduzir ao máximo o tempo de exposição, recomendando-se que se permaneça dentro de casa, em local ventilado, com ar-condicionado ou purificadores de ar.
  • 🪟 As portas e as janelas devem permanecer fechadas durante os horários com elevadas concentrações de partículas, para reduzir a penetração da poluição externa.
  • 🏋️ Evitar atividades físicas em horários de elevadas concentrações de poluentes do ar, e entre 12 e 16 horas, quando as concentrações de ozônio são mais elevadas.
  • 😷 Uso de máscaras do tipo cirúrgica, pano, lenços ou bandanas pode reduzir a exposição às partículas grossas, especialmente para populações que residem próximas à fonte de emissão (focos de queimadas) e, portanto, melhoram o desconforto das vias aéreas superiores. Enquanto o uso de máscaras de modelos respiradores tipo N95, PFF2 ou P100 são adequadas para reduzir a inalação de partículas finas por toda a população.
  • 🧒 Crianças menores de 5 anos, idosos maiores de 60 anos e gestantes devem redobrar a atenção para as recomendações descritas acima para a população em geral. Além disso, devem estar atentos a sintomas respiratórios ou outras ocorrências de saúde e buscar atendimento médico o mais rapidamente possível, caso necessitem.

"Para se proteger da fumaça de queimadas e incêndios, deve-se evitar a exposição ao ambiente externo, incluindo atividade física. Recomenda-se utilizar máscara padrão N95, sobretudo nos locais mais próximos à fumaça", pontua Pedro Genta, pneumologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Fora isso, pessoas com problemas cardíacos, respiratórios, imunológicos, entre outros, também devem, ainda segundo o Ministério da Saúde:  

  • 🏥 Buscar atendimento médico para atualizar seu plano de tratamento.
  • 💊 Manter medicamentos e itens prescritos pelo profissional médico disponíveis para o caso de crises agudas.
  • 🚑 Buscar atendimento médico na ocorrência de sintomas de crises.
  • ⚠️ Avaliar a necessidade e segurança de sair temporariamente da área impactada pela sazonalidade das queimadas.
Semana começa com qualidade do ar "muito ruim" em boa parte do estado de SP
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domingo, 8 de setembro de 2024

Cadeias de suprimentos globais enfrentam desafios, mas não estão quebrando; entenda

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As ameaças emergentes, rotas de transporte mais longas ou aumento nos custos de contêineres podem alimentar preocupações de outra quebra da cadeia de suprimentos
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Alicia Wallaceda CNN
03/09/2024 às 11:12
Postado em 08 de setembro de 2024 às 11h45m

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• 16/01/2017 REUTERS/Kim Kyung-Hoon

As cadeias de suprimentos globais, agora recuperadas há alguns anos dos problemas da era da pandemia, têm funcionado em um ritmo muito mais saudável.

Mas não foi nada fácil.

O tráfego através de duas importantes artérias marítimas internacionais ficou drasticamente congestionado: o Canal de Suez, devido aos ataques de militantes Houthis a embarcações que duraram meses ; e o Canal do Panamá, devido a uma seca histórica .

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Além da crescente incerteza das guerras em andamento e conflitos geopolíticos, outros perigos surgiram como um jogo de Whac-A-Mole: o colapso devastador e mortal da Ponte Key , que fechou o Porto de Baltimore por dois meses ; uma disputa trabalhista ferroviária canadense que paralisou temporariamente os trens e ainda permanece sem solução; e a iminente expiração do contrato em 30 de setembro que, se não for prorrogada, pode enviar estivadores das costas Leste e do Golfo para as linhas de piquete.



  • Um navio navega pelo Golfo de Suez, no Egito, em 18 de julho. • Xinhua/Shutterstock

As ameaças emergentes, rotas de transporte mais longas ou aumento nos custos de contêineres podem alimentar preocupações de outra quebra da cadeia de suprimentos no estilo de 2021 que interrompeu negócios globalmente e ajudou a acender a inflação alta de décadas. Mas economistas e especialistas em transporte dizem que desta vez é diferente — em boa parte por causa do que aconteceu três anos atrás.

O lado positivo da devastação causada pela interrupção da cadeia de suprimentos nos últimos anos é que as cadeias de suprimentos globais hoje são muito mais resilientes do que eram há uma década, disse Tim Quinlan, diretor administrativo e economista sênior do Wells Fargo, à CNN. A combinação de onshoring e nearshoring desempenha um grande papel, mas também o faz essa diversificação de fornecedores.

Empresas de transporte, fabricantes e comerciantes conseguiram se adaptar ao cenário de incertezas, optando por desviar navios para rotas mais longas, fazendo pedidos mais cedo do que o normal, armazenando mais estoque do que normalmente fariam e absorvendo a maior parte dos custos adicionais que vêm com essas decisões, disse ele.

Desde que não tenhamos muitos desses surtos simultaneamente, as lições aprendidas com dificuldade nos últimos quatro anos criaram alguns gerentes de compras e profissionais de aquisição experientes, disse ele.

“Um pouco de tecido cicatricial”

Esses profissionais de compras prudentes provavelmente querem dizer que a temporada de compras de fim de ano não deve trazer muitas faltas de estoque.

O volume mensal de cargas importadas tem atingido níveis quase recordes nos últimos meses, de acordo com a National Retail Federation e a Hackett Associates, que compilam um  relatório mensal do Global Port Tracker.

Os varejistas estão preocupados com a possibilidade de uma greve nos portos nas costas Leste e do Golfo porque as negociações de contrato estagnaram, disse Jonathan Gold, vice-presidente da NRF para cadeia de suprimentos e política alfandegária, em uma declaração. Muitos varejistas tomaram precauções, incluindo embarques antecipados e transferência de carga para portos da Costa Oeste.

O aumento da atividade de embarque também pode refletir varejistas e fabricantes se antecipando a um aumento esperado nas tarifas, disse Michael Skordeles, chefe de economia dos EUA para a Truist, à CNN. No entanto, ele acrescentou, outro impulsionador para níveis mais pesados ​​de embarques é a força mais pesada contínua do consumidor dos EUA, disse ele.

As vendas no varejo aumentaram 1% em julho, muito mais do que o esperado, e os gastos gerais do consumidor também superaram as expectativas, ficando 0,5% acima de junho , de acordo com dados recentes do Departamento de Comércio.

Apesar da onda de gastos de julho — provavelmente um reflexo do Amazon Prime Day e das vendas concorrentes, bem como das concessionárias de automóveis voltando a ficar online após uma grande interrupção de software — os gastos gerais com bens não foram arrasadores, disse Skordeles. E mesmo que isso possa significar uma temporada de férias relativamente silenciosa, os varejistas não querem ser pegos de surpresa, ele observou.

Há muito tecido cicatricial aí de [varejistas e fabricantes] sendo picados durante a pandemia, disse Skordeles. Acho que varejistas e fabricantes provavelmente estão um pouco pesados ​​[com seus níveis de estoque] em relação a onde estavam há um ou dois anos. Mas acho que eles estão bem com isso.

O pior já passou

Rotas mais longas, menos navios e pedidos mais cedo vêm com custos mais altos. E depois de mais de três anos de preços subindo muito mais rápido do que o normal, os temores de inflação persistem.

Os preços dos contêineres estão cerca de 150% mais altos do que no mesmo período do ano passado, disse Quinlan, do Wells Fargo.

No entanto, ao contrário dos últimos anos, fabricantes e varejistas estão achando muito mais difícil repassar os custos mais altos de frete aos consumidores, disse ele.

Em 2021 e 2022, você quase poderia se safar colocando uma sobretaxa de cadeia de suprimentos no custo de sua mercadoria, e os consumidores estavam tão animados em tirar suas máscaras e sair para o mundo que não se importaram, disse Quinlan.O ambiente de hoje é caracterizado por um consumidor muito mais exigente.

Poder de precificação diminuído é um eufemismo, ele acrescentou. Acho que nenhum poder de precificação é mais parecido com isso.


  • Vagões de trem nos trilhos do Thornton Yard da Canadian National Rail em Surrey, British Columbia, Canadá, em 22 de agosto • Darryl Dyck/The Canadian Press/AP

Os preços dos contêineres caíram após o pico em julho devido à maior demanda e capacidade limitada devido às rotas mais longas. A expectativa é que os preços e a atividade continuem a se normalizar nos próximos meses, disse Ryan Petersen, CEO da Flexport, em uma entrevista.

Acho que o pior já passou, disse ele. Não estou prevendo que o Mar Vermelho reabra [completamente], mas acho que, independentemente disso, haverá navios suficientes para ter capacidade suficiente para atender à demanda e não vemos os enormes picos de demanda que vimos antes.

Ainda assim, se os sindicatos da Aliança Marítima dos EUA e da Associação Internacional de Estivadores nas costas Leste e do Golfo não conseguirem chegar a um acordo sobre um contrato novo ou estendido, o fechamento de um porto seria devastador, disse Petersen, observando que outros portos ficariam completamente sobrecarregados.

No entanto, Petersen observou que está otimista de que uma greve pode ser evitada.

Isso é um mês antes da eleição presidencial dos EUA, ele disse. Não sou um analista político de forma alguma, mas seria difícil para mim imaginar que o governo Biden não interviria.

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