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sábado, 19 de março de 2022

Rússia usa mísseis hipersônicos na Ucrânia; entenda o poder de destruição

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Esse tipo de míssil desafia todos os sistemas de defesa antiaérea; Rússia nunca havia informado sobre o uso deste míssil balístico em nenhum dos dois conflitos em que participa - Ucrânia e Síria.
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TOPO
Por France Presse

Postado em 19 de março de 2022 às 09h40m

Post.- N.\ 10.251

Entenda o que é o míssil hipersônico, usado pela primeira vez pelos Russos contra a Ucrânia
Entenda o que é o míssil hipersônico, usado pela primeira vez pelos Russos contra a Ucrânia

A Rússia intensificou neste sábado (19) sua ofensiva na Ucrânia e confirmou o uso, pela primeira vez, de mísseis hipersônicos Kinzhal (vídeo acima). O ataque, de acordo a agência estatal Ria Novosti, teve o propósito de destruir um local de armazenamento de armas no oeste da Ucrânia. A seguir, entenda por que os mísseis hipersônicos são considerados mais destrutivos e perigosos que mísseis comuns:

  • Lançados de caças MiF-31, têm capacidade de atingir alvos a 2 mil quilômetros de distância
  • Atingem velocidade dez vezes maior que a do som e viajam a 6 mil quilômetros por hora
  • São capazes de realizar manobras.
  • Esse tipo de míssil desafia todos os sistemas de defesa antiaérea.
  • A Rússia nunca havia informado sobre o uso deste míssil balístico em nenhum dos dois conflitos em que participa - Ucrânia e Síria.

"Em 18 de março, o sistema de mísseis de aviação Kinzhal com mísseis aerobalísticos hipersônicos destruiu um grande armazém subterrâneo de mísseis e munição de aviação das tropas ucranianas na vila de Delyatyn, região de Ivano-Frankivsk", disse o major-general Igor Konashenkov, porta-voz do Ministério da Defesa russo.

Governo russo divulga imagens que seriam de ataque aéreo a depósito de armas ucranianoGoverno russo divulga imagens que seriam de ataque aéreo a depósito de armas ucraniano


Animação mostrada pela Rússia exibe míssil hipersônico Kinzhal — Foto: Reprodução
Animação mostrada pela Rússia exibe míssil hipersônico Kinzhal — Foto: Reprodução


Míssil é capaz de realizar manobras após lançamento — Foto: Reprodução
Míssil é capaz de realizar manobras após lançamento — Foto: Reprodução

Negociações

Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky faz pronunciamento em 18 de março de 2022 — Foto: Reprodução/Telegram/Zelensky
Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky faz pronunciamento em 18 de março de 2022 — Foto: Reprodução/Telegram/Zelensky

Enquanto isso, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou que era hora de Moscou aceitar "conversar" seriamente sobre a paz. Zelensky considerou que "as negociações sobre paz e segurança na Ucrânia são a única oportunidade que a Rússia tem de minimizar os danos causados por seus próprios erros".

"É hora de nos encontrarmos. É hora de conversar. É hora de restaurar a integridade territorial e a justiça para a Ucrânia", reiterou o chefe de Estado em um vídeo filmado à noite em uma rua deserta de Kiev e postado no Facebook. "Caso contrário, as perdas para a Rússia serão tais que levará várias gerações para se recuperar".

Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 24 de fevereiro, Kiev e Moscou realizaram várias rodadas de negociações, pessoalmente e por videoconferência. A quarta começou na segunda-feira. O chefe da delegação russa falou, na noite de sexta-feira, sobre uma "conciliação" de posições sobre a questão de um status neutro para a Ucrânia - semelhante ao da Suécia e da Áustria - e avanços na desmilitarização do país. No entanto, ele também disse que há "nuances" para discutir sobre as "garantias de segurança" exigidas pela Ucrânia.

Mas um membro da delegação ucraniana, o conselheiro presidencial Mikhailo Podoliak, alertou que as "declarações do lado russo são apenas o começo de suas exigências".

"Nossa posição não mudou: cessar-fogo, retirada das tropas (russas) e fortes garantias de segurança com fórmulas concretas", tuitou.

Mariupol, "o inferno"

Carros com vidros estilhaçados, marcas de tiro e bandeiras brancas deixam Mariupol nesta quinta-feira (17). — Foto: REUTERS/Alexander Ermochenko
Carros com vidros estilhaçados, marcas de tiro e bandeiras brancas deixam Mariupol nesta quinta-feira (17). — Foto: REUTERS/Alexander Ermochenko

O ministério da Defesa russo afirmou que destruiu centros de rádio e inteligência perto de Odessa, em Velikodolinske e Veliki Dalnik. A Ucrânia, por sua vez, admitiu neste sábado (19) que perdeu "temporariamente" o acesso ao Mar de Azov, apesar de a Rússia controlar de fato toda a costa desde o início de março e do cerco à cidade portuária estratégica de Mariupol.

Além disso, o Exército russo afirmou na sexta (18) que conseguiu entrar e lutar no centro da cidade ao lado de tropas da "república" separatista de Donetsk. Segundo o assessor do ministério do Interior ucraniano, Vadim Denisenko, citado pela agência Interfax-Ucrânia, a situação é "catastrófica" em Mariupol. "A luta acontece pela Azovstal", uma grande siderúrgica nos arredores da cidade. "Uma das maiores siderúrgicas da Europa está sendo arruinada de fato", lamentou.

As autoridades ucranianas acusaram também a Força Aérea russa de bombardear "deliberadamente" o teatro de Mariupol na quarta-feira, o que a Rússia negou. Em um abrigo antiaéreo sob este edifício havia "mais de mil" pessoas, principalmente "mulheres, crianças e idosos", segundo a prefeitura deste porto do Mar de Azov.

Zelensky disse que mais de 130 sobreviventes foram retirados dos escombros. "Infelizmente, alguns sofreram ferimentos graves. Mas, neste momento, não temos informações sobre mortes", declarou, explicando que "as operações de resgate continuam".

As famílias que conseguiram fugir da cidade contaram que os cadáveres ficavam dias nas ruas e que à noite se refugiavam nos porões, com temperaturas abaixo de zero, fome e sede. "Não é mais Mariupol, é o inferno", disse Tamara Kavunenko, de 58 anos. "As ruas estão cheias de cadáveres de civis", acrescentou.

Segundo Zelensky, graças aos corredores humanitários estabelecidos no país, mais de 180.000 ucranianos conseguiram escapar dos combates, incluindo mais de 9.000 pessoas de Mariupol. "Mas os ocupantes continuam a bloquear a ajuda humanitária, especialmente em áreas sensíveis. É uma tática bem conhecida. (...) É um crime de guerra", alertou.

Desde 24 de fevereiro, mais de 3,2 milhões de ucranianos partiram para o exílio, quase dois terços deles para a Polônia, às vezes apenas uma etapa antes de continuar seu êxodo.

Segundo contagem de 18 de março do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), ao menos 816 civis morreram no país e mais de 1.333 ficaram feridos. O organismos acredita, porém, que o número real seja superior.

Emergência humanitária

Refugiados deixam a Ucrânia pela fronteira da Moldávia — Foto: Arte g1
Refugiados deixam a Ucrânia pela fronteira da Moldávia — Foto: Arte g1

As necessidades humanitárias são "cada vez mais urgentes", com mais de 200.000 pessoas sem água na região de Donetsk e "grave escassez" de alimentos, água e remédios, disse o porta-voz do ACNUR, Matthew Saltmarsh, na sexta-feira. O prefeito de Mikolaiv (sul) indicou no Facebook que várias cidades vizinhas já estavam ocupadas pelos russos e que sua cidade havia sido fortemente atacada. "O dia foi difícil", lamentou Oleksandr Senkevich.

Segundo a mídia ucraniana, o Exército russo realizou um ataque em grande escala, matando pelo menos 40 soldados em seu quartel-general. Até agora, as autoridades ucranianas não ofereceram um balanço global de mortes no país.

Os bombardeios continuaram na sexta-feira em Kiev e Kharkiv (noroeste), a segunda maior cidade do país, onde pelo menos 500 pessoas foram mortas desde o início da guerra. A capital foi esvaziada de pelo menos metade de seus 3,5 milhões de habitantes. De acordo com a prefeitura, 222 pessoas morreram, incluindo 60 civis.

Quanto às baixas militares, Zelensky citou a morte de "cerca de 1.300" militares ucranianos em 12 de março, enquanto Moscou reportou quase 500 mortos em suas fileiras em 2 de março.O que aconteceu hoje, diretamente no seu e-mail

sexta-feira, 18 de março de 2022

O brasileiro que está construindo 'carro voador' no quintal de casa

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Ex-engenheiro da Embraer que mora nos Estados Unidos trabalha em eVTOL recreativo capaz de fazer voos curtos.
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Por Victor Hugo Silva, g1

Postado em 18 de março de 2022 às 10h10m

Post.- N.\ 10.250

Conheça o "carro voador" que um brasileiro está criando por conta própria
Conheça o "carro voador" que um brasileiro está criando por conta própria

Enquanto grandes empresas anunciam projetos de eVTOLs (sigla em inglês para "veículo elétrico de pouso e decolagem vertical"), um brasileiro trabalha para criar seu próprio veículo voador. A "linha de montagem" não está em uma fábrica, mas no quintal de sua casa nos Estados Unidos.

O engenheiro Marcelo Lavrador, de 56 anos, é o principal responsável pelo projeto e contou ao g1 que a proposta não é criar um meio de transporte para deslocamentos pela cidade, como o eVTOL planejado pela Embraer.

A ideia do Human Drone Project, como ele batizou, é oferecer um veículo com lugar para uma pessoa, que tenha fins recreativos e faça voos de aproximadamente 15 minutos.

O projeto começou como um passatempo em 2019, quando Marcelo trabalhava em um centro de engenharia da Embraer em Melbourne, nos Estados Unidos, voltado para aviões executivos.

Ele passou a desenvolver o seu próprio eVTOL com a ajuda do colega americano Álvaro Calvo, que também era engenheiro na empresa de aviação. O brasileiro explica que os dois não tiveram ligação com o projeto do eVTOL da Embraer.

Nos últimos anos, eles estão registrando em um site os avanços que conseguiram na criação do eVTOL. A página inclui desde fotos de uma maquete em miniatura do veículo até vídeos com os primeiros voos em escala real. Confira abaixo mais detalhes sobre o Human Drone Project.

Conheça o eVTOL desenvolvido por brasileiro — Foto: Wagner Magalhães/Arte g1
Conheça o eVTOL desenvolvido por brasileiro — Foto: Wagner Magalhães/Arte g1

Os primeiros voos do "drone humano" foram não tripulados e chegaram a contar até com um boneco que simulava uma pessoa. Os testes tripulados começaram em junho de 2021, na terceira versão de testes do veículo.

Até o momento, Lavrador voou seis vezes em seu eVTOL. Os testes acontecem no quintal de sua casa na cidade de Indian Harbour Beach, na Flórida, e em um campo aberto na região.

"Estou em uma fase de pesquisa e desenvolvimento que, por sinal, é o que eu sei", diz o engenheiro. "Ainda preciso garantir que essa aeronave será extremamente segura".

Um dos pontos que estão sendo analisados é o chamado "fail safe", um jargão da aeronáutica que trata das ações que serão realizadas por uma aeronave em caso de falha para evitar acidentes de grandes proporções.

Com oito motores – uma quantidade comum para eVTOLs –, o veículo poderia ser programado para pousar caso um deles deixe de funcionar, por exemplo.

Marcelo é uma das poucas pessoas que testaram eVTOL apelidado de "drone humano" — Foto: Arquivo Pessoal
Marcelo é uma das poucas pessoas que testaram eVTOL apelidado de "drone humano" — Foto: Arquivo Pessoal

eVTOL recreativo

Lavrador diz que o projeto de "carro voador" da Eve, subsidiária da Embraer, compete com empresas como Joby e Volocopter, que trabalham em modelos mais complexos.

"Eles estão, de fato, no mercado de UAM", afirma o engenheiro, referindo-se à sigla em inglês para "Mobilidade Aérea Urbana". O termo se refere ao sistema de transporte em cidades e deverá incluir terminais e um sistema de comunicação próprios.

Álvaro Calvo e Marcelo Lavrador com o eVTOL do Human Drone Project — Foto: Arquivo Pessoal
Álvaro Calvo e Marcelo Lavrador com o eVTOL do Human Drone Project — Foto: Arquivo Pessoal

"No meu caso, por enquanto, minha ambição é mais baixa. Quero fazer um veículo parecido mais com um jet ski, que a pessoa compra para se divertir", explica.

Nesse ramo de eVTOLs com fins recreativos, já existe uma empresa em um estágio mais avançado: a Jetson Aero.

A fabricante sueca criou um modelo batizado de One, que tem uma cabine inspirada em carros de corrida e pode ser controlado com um joystick, para direcionar um veículo, e uma alavanca, para acelerá-lo.

'Kart voador'? Conheça eVTOL da Jetson One, que já foi comprado por brasileiro'Kart voador'? Conheça eVTOL da Jetson One, que já foi comprado por brasileiro

O Jetson One atinge velocidade máxima de 102 km/h, que é limitada por computador, e consegue fazer voos de até 20 minutos. Ele tem 134 unidades reservadas por clientes que pagarão US$ 92 mil cada um.

Marcelo afirma que não tem um número exato sobre a velocidade máxima do "drone humano", mas estima que ele passe dos 100 km/h.

Assim como a Jetson, ele pretende limitar a velocidade por computador para o modelo se enquadrar na categoria "ultraleve" prevista pela regulação dos Estados Unidos, que é parecida com a do Brasil.

Procurada pelo g1, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) explicou que veículos como o Jetson One podem ser operados no Brasil, mas precisam seguir algumas regras para ultraleves.

A regulamentação determina, por exemplo, que a operação desses veículos deve ser feita por maiores de 18 anos fora de áreas densamente povoadas e ter fins esportivos ou recreativos.

Como será pilotado?

O eVTOL do Human Drone Project terá dois controles, que lembram joysticks de video games antigos. Segundo Marcelo, a ideia é não exigir um grande treinamento para uma pessoa começar a pilotar a aeronave.

O joystick da esquerda permitirá controlar a impulsão e fazer movimentos de guinada para os lados. O joystick da direita será usado para subir ou descer o "nariz" da aeronave e controlar o eixo horizontal com movimentos parecidos ao de inclinar as asas de um avião.

Rádio controle usado na versão de testes do eVTOL do Human Drone Project — Foto: Arquivo Pessoal
Rádio controle usado na versão de testes do eVTOL do Human Drone Project — Foto: Arquivo Pessoal

Por enquanto, a versão de testes ainda não conta com os joysticks. Ela é pilotada com ajuda de um rádio controle que é levado dentro do veículo e semelhante aos que são usados para controlar drones. Mas, esta ainda é uma solução provisória.

"É superperigoso, por isso também não faço voos longos, por enquanto. Imagine se o rádio perde conexão enquanto o veículo está subindo?", diz Lavrador. Segundo ele, o próximo passo é fazer a transição para joysticks que usam conexão com fio.

"Estou pesquisando joysticks de veículos industriais, como empilhadeiras, para testar como prova de conceito. Caso um dia o veículo se torne um produto comercial, obviamente teremos que colocar um de padrão aeronáutico", explica o engenheiro.

As diferenças entre helicóptero, eVTOL e avião elétrico — Foto: Daniel Ivanaskas/Arte g1
As diferenças entre helicóptero, eVTOL e avião elétrico — Foto: Daniel Ivanaskas/Arte g1

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Os buracos negros 'cabeludos' que explicam paradoxo identificado por Stephen Hawking, segundo cientistas

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Pesquisadores dizem ter resolvido um dos maiores paradoxos da ciência.
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Por Pallab Ghosh, BBC — Correspondente de ciência, BBC News

Postado em 18 de março de 2022 às 09h25m

Post.- N.\ 10.249

Os buracos negros se formam quando estrelas massivas ficam sem combustível e implodem — Foto: EHT via BBC
Os buracos negros se formam quando estrelas massivas ficam sem combustível e implodem — Foto: EHT via BBC

Cientistas dizem ter resolvido um dos maiores paradoxos da ciência, identificado pela primeira vez por Stephen Hawking.

Ele destacou que os buracos negros se comportam de uma maneira que coloca duas teorias fundamentais em conflito.

Buracos negros são estrelas mortas que entraram em colapso e possuem uma gravidade tão forte que nem sequer a luz consegue escapar.

Uma nova pesquisa afirma ter resolvido o paradoxo ao mostrar que os buracos negros possuem uma propriedade que eles chamam de "cabelo quântico".

"O problema foi resolvido!", diz com exclusividade à BBC News Xavier Calmet, da Universidade de Sussex, no Reino Unido.

Ele estava entre os cientistas que desenvolveram as técnicas matemáticas que eles dizem ter solucionado o paradoxo.

No cerne deste paradoxo está um problema que ameaça minar duas das teorias mais importantes da física. A teoria geral da relatividade de Einstein afirma que informações sobre o que entra em um buraco negro não podem sair, mas a mecânica quântica diz que isso é impossível.

Calmet e seus colegas afirmam ter mostrado que os componentes da estrela deixam uma marca no campo gravitacional do buraco negro.

Os cientistas chamaram a marca de "cabelo quântico" porque sua teoria suplantaria uma ideia anterior chamada "teorema da calvície", desenvolvida pelo professor John Archibald Wheeler, da Universidade de Princeton, em Nova Jersey, nos EUA, na década de 1960.

Wheeler sugeriu este nome porque transmite a descrição matemática de um buraco negro: uma entidade que tem massa, rotação e carga, mas de resto não apresenta outras características físicas — calva, se você preferir.

O "teorema do cabelo, sim" de Calmet, publicado na revista científica Physical Review Letters é revolucionário. Ele afirma resolver o paradoxo de Hawking, que intriga profundamente os físicos desde que foi apresentado na década de 1970.

Físico britânico Stephen Hawking esboçou algumas das teorias mais importantes sobre os buracos negros — Foto: Santi Visalli/Getty Images via BBC
Físico britânico Stephen Hawking esboçou algumas das teorias mais importantes sobre os buracos negros — Foto: Santi Visalli/Getty Images via BBC

O paradoxo levantou a possibilidade de que a mecânica quântica ou a relatividade geral poderiam ser falhas, o que é uma perspectiva aterrorizante para os físicos teóricos, porque são os dois pilares sobre os quais a maior parte da nossa compreensão do Universo se baseia.

O "teorema do cabelo, sim" afirma resolver o paradoxo preenchendo a lacuna entre a relatividade geral e a mecânica quântica. A noção de "cabelo quântico" permite que informações sobre o que entra em um buraco negro saiam novamente sem violar nenhum dos princípios importantes de qualquer teoria. É uma solução simples e elegante.

"Mas vai levar algum tempo para as pessoas aceitarem", diz Calmet.

Isso porque é uma grande questão no mundo da física teórica.

"Hawking apresentou o paradoxo no ano em que nasci", ele observa.

Desde então, vários físicos famosos ao redor do mundo têm trabalhado nisso, propondo coisas um tanto dramáticas para explicar o paradoxo, incluindo alguns que sugeriram que certos aspectos da mecânica quântica estão errados.

"Então vai demorar um pouco para as pessoas aceitarem que você não precisa de uma solução radical para resolver o problema", avalia.

Se o "teorema do cabelo, sim" resistir ao escrutínio, ele acredita que poderia ser o primeiro passo para conectar as teorias da relatividade — que diz respeito à gravidade — e da mecânica quântica, que se concentra principalmente nas outras três forças da natureza, que são o eletromagnetismo e as duas forças nucleares.

"Uma das consequências do paradoxo de Hawking era que a relatividade geral e a mecânica quântica eram incompatíveis. O que estamos descobrindo é que elas são bastante compatíveis."

A equipe de pesquisa, que também inclui o professor Roberto Casadio da Universidade de Bolonha, na Itália, e o professor Stephen Hsu da Michigan State University, nos EUA, se baseou no trabalho do professor Suvrat Raju do Centro Internacional de Ciências Teóricas, em Bangalore, na Índia.

Raju acredita que juntos eles resolveram o paradoxo de Hawking.

"Nos últimos anos, reconheceu-se que o teorema da calvície falha devido a efeitos quânticos e isso resolve o paradoxo de Hawking", diz ele.

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quinta-feira, 17 de março de 2022

Banco Central: 'prévia' do PIB recua 0,99% em janeiro, maior queda desde março de 2021

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Resultado foi divulgado nesta quinta (17) pelo BC. Nos últimos 12 meses até janeiro, indicador do nível de atividade econômica registrou crescimento de 4,73%.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 17 de março de 2022 às 10h15m

Post.- N.\ 10.248

O Banco Central informou nesta quinta-feira (17) que o Índice de Atividade Econômica (IBC-BR), considerado a "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB), registrou recuo de 0,99% em janeiro deste ano na comparação com dezembro de 2021.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. Em 2021, a economia brasileira registrou crescimento de 4,6%.

O resultado divulgado nesta quinta representa:

  • maior tombo do nível de atividade desde março de 2021, quando recuou 1,67%;
  • primeiro recuo mensal do indicador desde setembro do ano passado.

A queda divulgada nesta quinta-feira foi calculada após ajuste sazonal, uma "compensação" para comparar períodos diferentes.

EVOLUÇÃO DO IBC-Br
Resultados na comparação com o mês anterior (após ajuste sazonal)

Em %

5,075,073,263,262,082,081,441,441,41,4-0,31-0,310,180,180,540,541,61,6-1,67-1,670,270,270,060,060,170,17-0,11-0,110,110,11-0,57-0,570,060,060,470,470,320,32-0,99-0,99JUN/20JUL/20AGO/20SET/20OUT/20NOV/20DEZ/20JAN/21FEV/21MAR/21ABR/21MAI/21JUN/21JUL/21AGO/21SET/21OUT/21NOV/21DEZ/21JAN/22-4-20246
Fonte: Banco Central

Comparações

Na comparação com janeiro do ano passado, informou o Banco Central, o indicador do nível de atividade divulgado nesta quinta registrou estabilidade (+0,01%).

Ainda de acordo com o Banco Central, o indicador apresentou crescimento de 4,73% em 12 meses até janeiro. Nesse caso, foi calculado sem ajuste sazonal.

Com a queda em janeiro, o índice de atividade do BC atingiu 138,48 pontos, menor patamar desde dezembro de 2020, quando estava em 138,18 pontos.

Nível de atividade

O indicador do nível de atividade é divulgado em meio à desaceleração da economia, fruto da alta da inflação e da taxa básica de juros da economia, além da guerra na Ucrânia - que impacta a atividade mundial.

  • Para este ano, o mercado financeiro estima uma alta de 0,49%, com forte desaceleração em relação ao crescimento de 4,6% de 2021.
  • Para o Ministério da Economia, o último número, divulgado em novembro do ano passado, indica um crescimento de 2,1% em 2022 - mas este valor deve ser revisado para baixo.
PIB X IBC-Br

O IBC-Br do Banco Central é um indicador criado para tentar antecipar o resultado do PIB, mas os resultados nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais divulgados pelo IBGE.

O cálculo dos dois é um pouco diferente – o indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda (incorporado no cálculo do PIB do IBGE).

O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária.

Nesta semana, a taxa atingiu 11,75% ao ano, o maior nível em cinco anos, para tentar conter a alta de preços. Os analistas das instituições financeiras estimam que a taxa subirá mais nos próximos meses, atingindo 12,75% no fim de 2022.

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