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quinta-feira, 3 de março de 2022

175 nações assinam resolução 'histórica' que dá 1º passo para futuro acordo contra poluição por plásticos, diz ONU

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Representantes de 175 nações concordaram em Assembleia da ONU nesta quarta-feira (02) a desenvolver primeiro acordo global contra a poluição plástica. Expectativa é que tratado seja apresentado até o fim de 2024.
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TOPO
Por France Presse

Postado em 03 de março de 2022 às 19h00m

Post.- N.\ 10.233

Lixo que vem do oceano: plástico se acumula próximo de piscina natural de Fernando de Noronha — Foto: Fábio Tito/G1
Lixo que vem do oceano: plástico se acumula próximo de piscina natural de Fernando de Noronha — Foto: Fábio Tito/G1

A ONU concordou nesta quarta-feira (2) em iniciar as negociações para o primeiro acordo global contra a poluição plástica, uma iniciativa histórica na luta pela preservação da biodiversidade.

A Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ANUE), o máximo órgão internacional sobre o assunto reunido na capital queniana de Nairóbi, adotou uma moção que cria um "Comitê Intergovernamental de Negociação" encarregado de preparar um texto juridicamente vinculativo até 2024.

O documento foi aprovado por Chefes de Estado, ministros e ministras do Meio Ambiente e outros representantes de 175 nações.

"É um dia para entrar nos livros de história", disse o presidente da Assembleia, o ministro norueguês do Ambiente, na abertura do último dia de trabalho.

"Vamos iniciar o processo extremamente importante de negociação de um tratado forte para proibir a poluição plástica", acrescentou, lembrando o vínculo entre as crises climática e natural, "ambas tão importantes (...) que não devemos resolver uma em detrimento da outra".

O texto deve estabelecer uma agenda muito ampla e os negociadores vão focar, por exemplo, no "ciclo de vida" completo do plástico, ou seja, os impactos de sua produção, uso, descarte e reciclagem.

Implicitamente, podem existir medidas de limitação, em um momento em que cada vez mais países do mundo proíbem os sacos de plástico descartáveis, bem como outros produtos descartáveis.

O tratado também prevê a negociação de metas globais em números com medidas que podem ser obrigatórias ou voluntárias, mecanismos de controle, o desenvolvimento de planos de ação nacionais levando em conta as especificidades dos diferentes países e um sistema de ajuda aos países pobres.

Diz respeito a todas as formas de poluição terrestre ou marinha, incluindo microplásticos.

Maior avanço

Um pescador prepara a sua rede nas margens do Mar Arábico, cheio de sacos de plástico, em Mumbai, na Índia.  — Foto:  Rafiq Maqbool/AP
Um pescador prepara a sua rede nas margens do Mar Arábico, cheio de sacos de plástico, em Mumbai, na Índia. — Foto: Rafiq Maqbool/AP

As negociações devem começar no segundo semestre deste ano e estarão abertas a todos os países-membros da ONU.

Essa decisão "histórica" representa o maior avanço ambiental desde o acordo de Paris para combater o aquecimento global em 2015.

A inclusão nas negociações de todas as suas preocupações torna as ONGs cautelosamente otimistas, ainda que ressaltem, como muitos observadores e participantes, que será preciso monitorar.

O compromisso expresso por grandes multinacionais, inclusive algumas que utilizam muito embalagens plásticas, como Coca-Cola ou Unilever, em favor de um tratado que estabeleça regras comuns reforça o otimismo, apesar de essas empresas não terem se manifestado por medidas precisas.

O texto futuro deve dar visibilidade às regras sobre embalagens plásticas de grandes multinacionais e evitar distorções na concorrência de uma indústria que movimenta bilhões de dólares, segundo seus promotores.

Dos cerca de 460 milhões de toneladas de plásticos produzidos em 2019 em todo o mundo, menos de 10% são atualmente reciclados e 22% foram abandonados em aterros sanitários improvisados, queimados ao ar livre ou despejados no meio da natureza, de acordo com as últimas estimativas da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

"Estamos em um momento de mudança histórica, onde as decisões ambiciosas tomadas hoje podem impedir que a poluição plástica contribua para o colapso do ecossistema do nosso planeta", disse Marco Lambertini, diretor-geral da ONG WWF.

Graham Forbes, responsável pela questão no Greenpeace Estados Unidos, celebrou um "grande passo" que "reconhece que todo o ciclo de vida do plástico (...) causa poluição".

Mas a ONG promete não diminuir a pressão "desde que um tratado seja alcançado e assinado".

(VÍDEO: Jornal Nacional traz estudo que mostrou que poluição por plástico atingiu pontos mais profundos do oceano.)

Estudo mostra que poluição por plástico atingiu pontos mais profundos do oceanoEstudo mostra que poluição por plástico atingiu pontos mais profundos do oceano

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Café ☕ faz bem ou faz mal? Saiba quantas xícaras é possível tomar sem ter complicações

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Limite não é universal, muda de acordo com perfil do consumidor e pode ficar entre uma ou quatro xícaras por dia. Estudo de julho do ano passado com 17 mil pessoas aponta que consumo de seis xícaras foi associado ao aumento de risco de demência e derrame.
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Por g1*

Postado em 03 de março de 2022 às 07h05m

Post.- N.\ 10.232

Segundo especialistas, o ideal é consumir até 4 xícaras de café coado no dia. — Foto: Pixabay
Segundo especialistas, o ideal é consumir até 4 xícaras de café coado no dia. — Foto: Pixabay

Qual é a linha que separa os benefícios do café de eventuais efeitos prejudiciais sobre a nossa saúde? Em um caso que não tem relação direta com o consumo da bebida, mas com o uso da cafeína como um suplemento em pó, um personal trainer morreu após tomar o equivalente a 200 doses de café.

Para além do uso do suplemento, que deve ser visto com muitas ressalvas e ser evitado, o tradicional cafezinho é associado a efeitos benéficos para a saúde, sobretudo do coração e atuação contra doenças degenerativas. O excesso, como para todos os alimentos, é prejudicial. E, no caso do café o limite pode ser de uma até quatro xícaras por dia, de acordo com a pessoa.

Estudos já demonstraram que o café é capaz de proteger a saúde do coração e prevenir doenças degenerativas, como Alzheimer e Parkinson, apontou a médica Cíntia Cercato, endocrinologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Por outro lado, abusar do café pode causar arritmia, agitação, irritabilidade, nervosismo e insônia. Em gestantes, o consumo acima da quantidade segura pode causar atraso na formação cerebral do feto.

Um estudo da USP divulgado na revista "Clinical Nutrition" em julho de 2019 também concluiu que o consumo acima de 3 xícaras (720 ml) de café pode causar pressão alta em pessoas predispostas a desenvolver hipertensão. A dose vai variar conforme a constituição da pessoa.

Quantidade segura

Um estudo publicado em julho do ano passado que avaliou mais de 17 mil pessoas, conduzido pela University of South Australia, apontou que pessoas que tomaram mais de seis xícaras de café por dia tiveram um aumento de 53% no risco de demência ou derrame.

A endocrinologista Cercato afirma que não há problema tomar café todos os dias, mas alerta, citando a European Food Safe Authority, que a dose diária de cafeína depende de cada pessoa:

  • Adulto saudável com cerca de 70 kg: de 300 a 400 miligramas de cafeína (o equivalente a 4 xícaras de café coado)
  • Crianças (a partir de 2 anos) e adolescentes: 100 miligramas de cafeína (cerca de 1 xícara coado)
  • Gestantes e lactantes: 200 miligramas de cafeína (cerca de 2 xícaras coado)
  • Sensíveis à cafeína: de 100 a 200 miligramas de cafeína

O café expresso tem o triplo de cafeína que o coado. Para fazer o cálculo de quantas xícaras tomar, deve-se considerar que:

  • 125 ml (meia xícara) de café coado tem 85 mg de cafeína
  • Apenas 30 ml de café expresso tem 60 mg de cafeína

Vale lembrar que a cafeína está presente no cacau, no guaraná e em alguns chás. Por isso, não deve ser contabilizada somente a cafeína do café, mas de tudo o que consumimos no dia (por exemplo: chocolate, achocolatado, refrigerante à base de guaraná ou cola, chá etc).

Além de grávidas, sensíveis à cafeína e crianças e adolescentes, Cercato alerta que devem consumir café com moderação os cardiopatas e as pessoas que fazem uso de suplementos de academia, produtos ricos em cafeína.

O café não é proibido aos cardiopatas, mas eles devem fazer uso moderado para não sentirem seus efeitos colaterais, como a arritmia, explica a endocrinologista do HC da USP.

Café antes do esporte: pode?Café antes do esporte: pode?

Café vicia?

Segundo Cercato, não há estudos científicos que comprovem que o consumo do café pode causar vício.

Como adoçar

A nutricionista e doutora em Nutrição Humana pela Universidade de Brasília, Alessandra Gaspar Sousa, explica que o ideal é tomar o café puro, mas se quiser adoçar, deve-se substituir o açúcar branco por:

  • Melado de cana
  • Açúcar demerara
  • Açúcar de coco
  • Açúcar mascavo
  • Adoçantes à base de stévia

A barista Isabela Raposeiras explica que o café "não precisa ser amargo. O café de qualidade, aliás, não é amargo." Por isso, se você não tolera tomar café sem açúcar, pode ser culpa do tipo de café que toma.

Composição

Praticamente livre de contraindicações quando consumido puro e dentro do que os médicos chamam de quantidade segura, o café vai muito além da cafeína, famosa substância estimulante que aumenta a concentração, a disposição, a atenção, além de ajudar no desempenho esportivo.

O café é rico em antioxidantes, minerais, vitaminas e flavonoides, mesma substância encontrada no vinho, explica Cercato, endocrinologista do HC da USP.

Enquanto antioxidantes são substâncias químicas que ajudam a proteger nossas células de substâncias prejudiciais produzidas durante o metabolismo, os flavonoides ajudam na circulação sanguínea.

Além dessas substâncias, a ingestão de café ajuda nosso cérebro a liberar os seguintes estimulantes naturais:

  • Dopamina: popularmente conhecida como hormônio da felicidade, está relacionada com a motivação.
  • Adrenalina: hormônio relacionado com a euforia e a disposição.
Café engorda?

De acordo com o médico Audie Nathaniel Momm, nutrólogo do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, não há correlação de ganho de peso com o consumo de café puro, exceto se o mesmo for servido com açúcar."

O nutrólogo lembra que muitos associam o café a perda de peso por causa da sua ação termogênica e estimulante, o que acelera o metabolismo. "Isso é verdade, mas [para ajudar na dieta] seu consumo deve fazer parte de hábitos alimentares e exercícios físicos regulares", explica Momm, afirmando que somente o café não faz milagres.

Mitos e verdades sobre o caféMitos e verdades sobre o café

Crianças podem tomar café?

A resposta divide os especialistas, mas ainda não há estudos que comprovem malefícios do café aos pequenos.

A recomendação geral é que crianças menores de dois anos não tomem café. Acima disso, podem consumir, mas moderadamente. Por exemplo: não vemos problema em uma pequena quantidade de café misturada no leite no café da manhã. É melhor do que usar o achocolatado, recomenda Cercato.

Café tem mais de mil compostos que fazem bem para a saúde, diz estudoCafé tem mais de mil compostos que fazem bem para a saúde, diz estudo

Cuidado com o café velho

A nutricionista Sousa explica que o café deve ser consumido em até 30 minutos após o preparo.

"Após 30 minutos, o café fresco pode começar a ter um sabor ruim. Isso ocorre porque inicia-se o processo de oxidação do café, gerando a degradação das substâncias da bebida, alterando com isso o paladar e o aroma" diz Sousa.

Cuidado com o café velho, não é só questão de paladar, mas também de saúde.

"O café oxidado pode provocar efeitos prejudiciais na saúde, como problemas gastrointestinais e náuseas", explica a nutricionista.

(*Com informações de reportagem publicada em 09/06/2020)

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quarta-feira, 2 de março de 2022

Lavrov diz que 3ª guerra seria atômica e destrutiva, e Rússia inicia exercícios nucleares

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No último domingo (27), presidente russo deu ordem para colocar armas nucleares de represália em posição de alerta grave. Movimentação ocorre longe do campo de batalha na Ucrânia.
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Por g1

Postado em 02 de março de 2022 às 08h45m

Post.- N.\ 10.231

Sergei Lavrov, ministro de Relações Exteriores da Rússia, em imagem de 18 de fevereiro de 2022 — Foto: Maxim Shemetov / Pool / AFP
Sergei Lavrov, ministro de Relações Exteriores da Rússia, em imagem de 18 de fevereiro de 2022 — Foto: Maxim Shemetov / Pool / AFP

O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, disse nesta quarta-feira (2) que, se uma Terceira Guerra Mundial ocorresse, envolveria armas nucleares e seria destrutiva, informou a agência de notícias RIA.

Também nesta quarta-feira, as Forças Armadas do Kremlin iniciaram exercícios com submarinos nucleares e lança-mísseis terrestres em regiões na Rússiamas longe do campo de batalha na Ucrânia.

Onde as forças estão agindo

Os submarinos navegavam pelo Mar de Barents, ao leste da Finlândia, e os lançadores de mísseis percorriam estradas na Sibéria, no centro-norte russo.

A Frota do Norte da Rússia disse em um comunicado que vários de seus submarinos nucleares estavam envolvidos em exercícios projetados para treinar manobras em condições adversas. O comando informou ainda que vários navios de guerra encarregados de proteger o noroeste da Península de Kola, onde estão localizadas várias bases navais, se juntariam às manobras.

Já o Ministério da Defesa afirmou que unidades das Forças Estratégicas de Mísseis mobilizaram lançadores de mísseis balísticos intercontinentais Yars em florestas na região de Irkutsk, no leste da Sibéria.

Os militares não disseram se os exercícios estavam ligados à ordem de Putin no domingo para colocar as forças nucleares do país em alerta máximo em meio à guerra da Rússia na Ucrânia. Também não ficou claro se os exercícios representavam uma mudança nas atividades ou posturas normais de treinamento nuclear do país.

Entenda por que americanos não estão em alerta com a ameaça nuclear de Vladimir PutinEntenda por que americanos não estão em alerta com a ameaça nuclear de Vladimir Putin

Nesta terça, o Jornal Nacional ouviu estudiosos sobre as ameaças do presidente russo aos países que declararam apoio à Ucrânia.

No discurso em que anunciou a invasão à Ucrânia, o presidente russo mandou um recado para as potências ocidentais. Putin disse "para qualquer um de fora que considere interferir, se o fizer, enfrentará consequências maiores do que qualquer outra que já se enfrentou na história".

Agora, 60 anos depois, Vladimir Putin anunciou que colocou o arsenal nuclear russo em alerta especial. Foi uma ameaça aos países da Otan para tentar desencorajar o envio de armas ao Exército ucraniano e adoção de novas sanções econômicas à Rússia.

Historiador da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Rússia, Angelo Segrillo interpreta o anúncio de Putin como uma ameaça que não tem o objetivo de ser cumprida, mas de manter as tropas da Otan fora da guerra.

Se a Rússia não tivesse armas nucleares, talvez isso até entrasse no cálculo da Otan. Uma ajuda militar direta localizada na Ucrânia. Agora, com a Rússia tendo armas nucleares, isso não entra na cogitação deles porque isso seria um risco para os próprios países da Otan, explicou Segrillo.

Professora da Escola de Comando e Estado-maior do Exército, Mariana Carpes concorda que a intenção de Putin é aumentar a tensão na guerra contra a Ucrânia e não começar uma guerra mundial.

Eu quero crer que dentro do jogo político, por maior animosidade e agressividade que se veja no teatro de guerra, que o entendimento de que as armas nucleares são uma 'não arma'. Ou seja, são um armamento de não uso. Que ele prevaleça, disse Mariana. 
Debandada em discurso

Dezenas de diplomatas abandonam discurso de Lavrov durante Conferência da ONUDezenas de diplomatas abandonam discurso de Lavrov durante Conferência da ONU

Nesta terça (1º), mais de 100 diplomatas organizaram um boicote e deixaram a sala onde estava sendo realizada a Conferência sobre o Desarmamento da ONU, em Genebra, na Suíça, durante uma fala transmitida por vídeo de Lavrov (assista acima).

Os representantes de cerca de 40 países – ocidentais e aliados, incluindo o Japão – fizeram o ato como uma forma de protesto contra a invasão russa à Ucrânia. O diplomata que representava o Brasil não saiu da sala.

Em seu discurso, o ministro russo acusou a União Europeia de se envolver em um "frenesi russofóbico" por meio do fornecimento de armas letais para a Ucrânia durante a "campanha militar" iniciada pela nação liderada por Vladimir Putin na última quinta-feira (24).

"A Ucrânia ainda tem tecnologia soviética e meios de conseguir essas armas, nós não podemos deixar de responder a esse perigo real", afirmou Sergei Lavrov.

Segundo o chanceler russo, membros da União Europeia teriam feito uma espécie de "bloqueio aéreo" a seu trajeto à sede da ONU.

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terça-feira, 1 de março de 2022

Entenda por que americanos não estão em alerta com a ameaça nuclear de Vladimir Putin

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Jornal Nacional ouviu estudiosos sobre as ameaças do presidente russo aos países que declararam apoio à Ucrânia e sobre a declaração de que colocou as forças nucleares russas em alerta máximo.
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Por Jornal Nacional

Postado em 01 de março de 2022 às 23h20m

Post.- N.\ 10.230

Entenda por que americanos não estão em alerta com a ameaça nuclear de Vladimir Putin
Entenda por que americanos não estão em alerta com a ameaça nuclear de Vladimir Putin

O Jornal Nacional foi ouvir estudiosos sobre as ameaças de Vladimir Putin aos países que declararam apoio à Ucrânia e sobre a declaração de que colocou as forças nucleares russas em alerta máximo.

A frase teve um tom de ameaça. No discurso em que anunciou a invasão à Ucrânia, o presidente russo mandou um recado para as potências ocidentais. Vladimir Putin disse "para qualquer um de fora que considere interferir, se o fizer, enfrentará consequências maiores do que qualquer outra que já se enfrentou na história".

Imediatamente, o secretário-geral da Otan, Jen Stoltenberg, declarou que a aliança militar do ocidente não tem tropas na Ucrânia nem planos de enviar. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, também afirmou que nenhuma tropa americana será envidada para o conflito.

De um lado e do outro da guerra de palavras, estão líderes que controlam os botões vermelhos: o poder sobre a maior parte do arsenal nuclear mundial.

Segundo a Federação Americana de Cientistas, o mundo tem perto de 12.700 ogivas nucleares, 90% delas estão nos arsenais da Rússia e dos Estados Unidos. Os outros 10% pertencem à China, França, Reino Unido, Paquistão, Índia, Israel e Coreia do Norte.

A Ucrânia chegou a ser a terceira maior potência nuclear, com as ogivas que herdou com a dissolução da União Soviética, da qual fazia parte. Mas o país abriu mão dessas armas com o Memorando de Budapeste, em 1994. O tratado também foi assinado pela Rússia, e garantia o respeito à soberania e às fronteiras da Ucrânia.

Para entender o poder das armas de destruição em massa, basta dizer que uma ogiva nuclear moderna equivale a centenas - às vezes milhares - de bombas atômicas como as que foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, na Segunda Guerra Mundial.

Depois dos Estados Unidos, a antiga União Soviética também desenvolveu a bomba atômica, no início dos anos 1950. E as duas potências militares começaram uma corrida armamentista. No auge da Guerra Fria, nos anos de 1980, o mundo chegou a ter mais de 70 mil bombas. Mas o número começou a cair depois do acordo assinado pelos dois países em 1987.

O raciocínio por trás da corrida nuclear foi definido pela sigla em inglês mad que, traduzida, significa destruição mútua assegurada. Se dois lados de um conflito têm armas suficientes para se aniquilar, nenhum deles vai cometer a imprudência de lançar a primeira bomba.

A teoria foi posta à prova em 1962, na crise dos mísseis de Cuba. Os americanos descobriram que os soviéticos instalavam uma base de lançamento de mísseis na ilha e navios das duas potências ameaçaram começar uma guerra atômica no mar do Caribe. Na última hora, os dois recuaram.

Agora, 60 anos depois, Vladimir Putin anunciou que colocou o arsenal nuclear russo em alerta especial. Foi uma ameaça aos países da Otan para tentar desencorajar o envio de armas ao Exército ucraniano e adoção de novas sanções econômicas à Rússia.

O historiador da Universidade de São Paulo (USP), especialista em Rússia, Angelo Segrillo, interpreta o anúncio de Putin como uma ameaça, que não tem o objetivo de ser cumprida, mas de manter as tropas da Otan fora da guerra.

Se a Rússia não tivesse armas nucleares, talvez isso até entrasse no cálculo da Otan. Uma ajuda militar direta localizada na Ucrânia. Agora, com a Rússia tendo armas nucleares, isso não entra na cogitação deles porque isso seria um risco para os próprios países da Otan, explicou Angelo Segrillo.

A professora da Escola de Comando e Estado-maior do Exército, Mariana Carpes, concorda que a intenção de Putin é aumentar a tensão na guerra contra a Ucrânia e não começar uma guerra mundial.

Eu quero crer que dentro do jogo político, por maior animosidade e agressividade que se veja no teatro de guerra, que o entendimento de que as armas nucleares são uma 'não arma'. Ou seja, são um armamento de não uso. Que ele prevaleça, diz Mariana Montez Carpes.
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