Total de visualizações de página

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Como devastação e aquecimento podem fazer Brasil deixar de ser potência agrícola global

===+===.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   ----------____---.=.=.=.= +====


Brasileiros precisam se preparar para viver sob condições mais quentes e secas nas próximas décadas, com impacto direto no nosso cotidiano e na produção de alimentos, explica especialista climático.
===+===.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   ----------____---.=.=.=.= +====
TOPO
Por Paula Adamo Idoeta, BBC

Postado em 26 de agosto de 2021 às 19h35m


.|      .      Post.- N.\ 9.941       .      |.
 

24/08/21: Incêndio em vegetação atingiu 400 mil metros quadrados e formou nuvem gigante de fumaça em Junqueirópolis — Foto: Márcio Cabanhas
24/08/21: Incêndio em vegetação atingiu 400 mil metros quadrados e formou nuvem gigante de fumaça em Junqueirópolis — Foto: Márcio Cabanhas

O Brasil viverá, nas próximas décadas, secas cada vez mais prolongadas, temperaturas mais altas e extremos climáticos que terão um profundo impacto na forma como sobrevivemos e produzimos energia e comida.

Na prática, o clima vai mudar tanto a vida nas cidades grandes quanto a produção agrícola - causando o risco de o Brasil perder o status de gigante global na produção de alimentos.

E a responsabilidade disso recai sobre o avanço do desmatamento, aliado às (e potencializado pelas) mudanças climáticas no mundo inteiro.

A avaliação é do cientista do clima Carlos Nobre, que já foi pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), coordena o Instituto Nacional de Tecnologia para Mudanças Climáticas e é um dos principais especialistas do tema no Brasil.

Nobre conversou com a BBC News Brasil para comentar os dados recém-divulgados pela organização MapBiomas, que mostram que a superfície de área com água no Brasil ficou 15% menor desde o início dos anos 1990 - esses 3,1 milhões de hectares perdidos equivalem a uma vez e meia à superfície de água de todo o Nordeste.

A maior perda (absoluta e proporcional) de superfície de água na série histórica analisada pelo MapBiomas ocorreu no Mato Grosso do Sul, com uma redução de 57%.

‘Brasil: colapso ambiental’: Pantanal é o bioma que mais perdeu água no país
‘Brasil: colapso ambiental’: Pantanal é o bioma que mais perdeu água no país

Enquanto isso, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais identificou que os focos de incêndio neste ano até agora cresceram, em relação ao mesmo período no ano passado, na Mata Atlântica, no Cerrado e na Caatinga - neste último, o aumento foi mais de 100%.

Na Amazônia, o Instituto Imazon aponta que o acumulado do desmatamento na floresta nos últimos 12 meses até julho atingiu a pior marca dos últimos dez anos.

Todos esses dados estão interligados: quanto mais avança o desmatamento - em conjunto com o aumento das temperaturas globais -, menores ficam as temporadas de chuva no Brasil.

"Há estudos que mostram claramente que as chuvas estão diminuindo em áreas altamente desmatadas, e as estações secas estão mais longas", explica Nobre.

"No sul da Amazônia, as secas já estão de três a quatro semanas mais longas, com menos chuvas e temperaturas cerca de 3°C mais altas."

O grande problema é que, em áreas desmatadas, perde-se a capacidade de reciclar água, o que intensifica as secas. "Há menos vegetação e raízes para absorver a água, transpirá-la e jogá-la de volta à atmosfera", diz o cientista. 

Portanto, quanto mais incêndios e florestas derrubadas, mais seco e quente o clima ficará no curto e no longo prazo.

Embora ainda não seja possível saber se esses efeitos serão permanentes, a secura do clima vivida neste momento em grande parte do Brasil - parte de uma tendência já observada nos últimos anos - é uma espécie de "fotografia do que será o clima do Brasil no futuro", observa Nobre.

No "melhor dos cenários", diz ele, a redução das chuvas será de 10%.

"Mesmo que consigamos manter o máximo de aumento da temperatura (global) em 1,5°C, que é o plano mais ambicioso da Convenção das Mudanças Climáticas (o chamado Acordo de Paris), devemos estar preparados para uma estação de chuvas mais curta e uma estação de secas mais longa na maior parte do Brasil."

Os impactos disso foram observados pelo coordenador do MapBiomas água, Carlos Souza Jr.

"As evidências vindas do campo já indicam que as pessoas já começaram a sentir o impacto negativo com o aumento de queimadas, impacto na produção de alimentos, e na produção de energia, e até mesmo com o racionamento de água em grandes centros urbanos", afirmou Souza no comunicado emitido pela organização.

Semideserto no Nordeste e savana na Amazônia

As regiões do Brasil a serem mais afetadas pelas secas prolongadas serão o Norte, o Centro-Oeste e o Nordeste, segundo Nobre.

No Nordeste, caso a temperatura global continue aumentando, o perigo é "mais de 50% da região virar um semideserto", em vez do semiárido atual, explica o cientista.

O alerta já havia sido dado, no início de agosto, pelo relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC na sigla em inglês):

"O Nordeste brasileiro é a área seca mais densamente povoada do mundo e é recorrentemente afetado por extremos climáticos", destacou o texto.

O impacto será direto na vida de ao menos 10 milhões de pessoas que vivem atualmente na agricultura e pecuária nordestinas. Isso porque um Nordeste semidesértico "não terá agricultura como se pratica hoje. Poderia haver só um pouco de agricultura à beira do rio São Francisco, mas mesmo a vazão do São Francisco vai diminuir, afetando também o potencial de geração de energia elétrica", diz Nobre.

É um exemplo da crise hídrica vivida em todo o Brasil e que já impacta a produção de energia pelas hidrelétricas do país, leva a aumento nos custos das contas de luz pagas pelos consumidores e força o uso de usinas termelétricas - que, por sua vez, são mais poluentes e contribuem para mais emissão de gases do efeito estufa.

Enquanto isso, na Amazônia, o perigo identificado por pesquisadores como Carlos Nobre é com o iminente risco de a região virar uma savana - perdendo, portanto, as características únicas de uma floresta tropical.

"Vários estudos mostram que se continuarmos a desmatar, vamos passar do que chamamos de ponto de não retorno - um ponto irreversível de savanização", diz Nobre. Espécies animais e vegetais únicas do Brasil serão perdidas no processo. "Antes, víamos uma mega-seca a cada 20 anos na Amazônia; agora são duas secas por década."

Em julho, um estudo publicado na revista Nature, que teve participação do Inpe, apontou que, por conta do desmatamento e das queimadas, a Amazônia já está emitindo mais CO2 do que consegue absorver.

"Precisamos zerar o desmatamento a jato (rapidamente), em poucos anos, no que talvez seja o maior desafio que o Brasil pode enfrentar", opina Nobre.

GLOBO REPÓRTER: Amazônia tem a maior faixa contínua de manguezal do planeta
GLOBO REPÓRTER: Amazônia tem a maior faixa contínua de manguezal do planeta

Saúde humana e agricultura

Se sentimos (literalmente) no corpo os efeitos do clima mais seco na saúde, a produção agrícola também vai viver os impactos da escassez de água, explica Nobre.

"(Produção de) grãos, pecuária - toda essa estrutura que são importantes elementos econômicos (do Brasil) já está sendo prejudicada pelo aumento dos extremos climáticos", afirma.
Colheita de soja, em foto de arquivo; segundo Carlos Nobre, força agrícola brasileira é ameaçada pelas mudanças climáticas e pelo desmatamento — Foto: Reuters via BBC
Colheita de soja, em foto de arquivo; segundo Carlos Nobre, força agrícola brasileira é ameaçada pelas mudanças climáticas e pelo desmatamento — Foto: Reuters via BBC

"Por mais que empresas de pesquisas, universidades e Embrapa (agência de pesquisas agrícolas) tentem desenvolver variedades de grãos mais adaptadas a secas prolongadas e a temperaturas mais elevadas, o clima está ganhando a guerra. A agricultura tem que se preparar para isso", prossegue.

"E temos que torcer para (o aumento global da) temperatura não passar de 1,5°C, porque se nós continuarmos com este ritmo de emissões e não tivermos sucesso em zerá-las até 2050, na segunda metade do século, o Brasil tropical deixará de ser uma potência agrícola - ficará muito quente e seco e inapropriado para esse tipo de agricultura", prossegue.

Ele cita como exemplo a queda na produtividade da soja na região conhecida como Matopiba (que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) em decorrência do ar mais quente que tem sido soprado da Amazônia.

Boletim de julho da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontou efeitos mistos da crise hídrica no mês passado: de um lado, prejudicou a irrigação de lavouras; de outro, ajudou na maturação das safras de milho e algodão.

Eventos climáticos extremos

E se no centro e no norte do Brasil as chuvas ficarão mais escassas, a tendência é de que o mesmo não se repita em parte do Sudeste e Sul do país - que podem, na verdade, ver sua quantidade de chuvas aumentar nas próximas décadas, diz o pesquisador.

Com isso, essas regiões (onde o clima é, por si só, mais ameno que no restante do país, por sua localização geográfica) podem acabar ganhando força na produção agrícola nacional.

O que não significa, porém, que não sofrerão com os devastadores efeitos dos chamados eventos climáticos extremos, como chuvas torrenciais, secas prolongadas e ondas de calor.

Esses eventos climáticos têm se tornado mais frequentes em todo o mundo são também consequência direta do aquecimento global, como apontou o relatório do IPCC divulgado no início de agosto.

"Com o aumento gradual do nível do mar, os eventos extremos que ocorreram no passado apenas uma vez por século ocorrerão com mais frequência no futuro", disse, na ocasião do lançamento do relatório, Valérie Masson-Delmotte, copresidente do grupo de trabalho do IPCC que produziu o texto.

No Brasil, segundo Carlos Nobre, mesmo que - hipoteticamente - não houvesse um aquecimento global em curso no mundo, os sucessivos recordes de desmatamento na Amazônia e no Pantanal já estariam tendo impactos nocivos sobre o clima brasileiro.

Na prática, os dois fenômenos - desmatamento e aumento das temperaturas - têm ocorrido juntos, potencializando um ao outro.

"Mesmo no ano passado, quando a maioria dos países reduziu suas emissões (de gases do efeito estufa) por conta da pandemia, o Brasil aumentou suas emissões por culpa do desmatamento", diz Nobre.

Embora ele destaque que, nos últimos anos, o Brasil avançou em construir uma matriz energética mais limpa - cerca de 11% da nossa energia vem de fontes eólicas ou solares, diz ele -, o Brasil, até o momento, "está na contramão dos compromissos assumidos" de participar do esforço contra o aquecimento global.

G1 no YouTube



------++-====-----------------------------------------------------------------------=================--------------------------------------------------------------------------------====-++----- 

CoronaVac 75% e AstraZeneca 90%: estudo indica efetividade de vacinas contra internação e morte por Covid

===+===.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   ----------____---.=.=.=.= +====


Pesquisa analisou dados de 60,5 milhões de pessoas, das quais 21,9 milhões (36,2%) foram imunizadas com a CoronaVac e 38,6 milhões (63,8%) com a AstraZeneca.
===+===.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   ----------____---.=.=.=.= +====
Por G1

Postado em 26 de agosto de 2021 às 15h40m


.|      .      Post.- N.\ 9.940       .      |.
 

Profissional de saúde segura frasco com vacina produzida pelo Butantan contra a Covid-19. — Foto: Miva Filho/SES
Profissional de saúde segura frasco com vacina produzida pelo Butantan contra a Covid-19. — Foto: Miva Filho/SES

Um estudo realizado a partir da análise de dados de 60 milhões de brasileiros vacinados entre janeiro de junho deste ano aponta que a as vacinas CoronaVac e a AstraZeneca são efetivas na prevenção de casos graves de Covid-19, hospitalizações e mortes. A pesquisa aponta, porém, que a efetividade de ambas as vacinas cai na faixa acima dos 90 anos e sugere uma dose de reforço para esse público.

"A AstraZeneca ofereceu aproximadamente 90% de efetividade contra hospitalização, admissão na UTI e morte, enquanto CoronaVac forneceu aproximadamente 75% de proteção após vacinação", afirmam os pesquisadores no estudo.

Os dados foram publicados na quarta-feira (25) no formato de pré-print, ou seja, é uma prévia do estudo que ainda não passou pela revisão independente de outros cientistas e também não foi aprovado e publicado em uma revista científica.

O que é efetividade? É possível comparar vacinas?

É importante saliente a diferença entre os conceitos de taxa de efetividade e eficácia de uma vacina. A taxa de eficácia é medida em condições controladas nos estudos com voluntários, como nos testes de fase 3, enquanto que a efetividade é definida com base em dados da população vacinada.

Especialistas alertam que as taxas de efetividade das duas vacinas não podem ser comparadas para apontar qual é mais eficaz, pois elas foram aplicadas em públicos diferentes e em fases distintas da pandemia.

Estudo mostra efetividade da vacina AstraZeneca, no estudo identificada como Vaxzevria, e da CoronaVac contra internações e mortes por Covid. — Foto: Reprodução
Estudo mostra efetividade da vacina AstraZeneca, no estudo identificada como Vaxzevria, e da CoronaVac contra internações e mortes por Covid. — Foto: Reprodução

Pesquisa conjunta

A pesquisa atual sobre a vacina na população contou com o esforço conjunto de pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), da Universidade de Brasília (UNB), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), da London School of Hygiene & Tropical Medicine e da Fiocruz.

Ao todo, o estudo considerou os dados de 60,5 milhões de pessoas, das quais 21,9 milhões (36,2%) de pessoas foram imunizadas com a CoronaVac e 38,6 milhões (63,8%) com a AstraZeneca.

Veja abaixo os dados sobre a efetividade das vacinas:

CoronaVac

Efetividade em indivíduos de todas as idades e com o esquema vacinal completo (duas doses da vacina).

  • 54,2% apresentaram risco menor de infecção pelo coronavírus;
  • 72,6% menor risco de hospitalização;
  • 74,2% menor risco de admissão na UTI;
  • 74% menor risco de morte;
AstraZeneca

Efetividade em indivíduos de todas as idades e com o esquema vacinal completo (duas doses da vacina).

  • 70% apresentaram menor risco de infecção;
  • 86,8% menor risco de internação;
  • 88,1% menor risco de admissão na UTI;
  • 90,2% menor risco de morte;

Nos dois casos, a efetividade da vacina cai em indivíduos que não completaram o esquema vacinal e tomaram apenas uma dose da vacina.

Efetividade na população idosa

Dos 60,5 milhões de brasileiros que participaram da pesquisa, 26,8 milhões de pessoas (44,4% do total) tinham 60 anos ou mais.

Segundo os pesquisadores, os resultados foram semelhantes em todas as faixas etárias, com exceção do grupo acima de 90 anos.

Enquanto a redução no risco de hospitalização e morte em indivíduos completamente vacinados com CoronaVac entre 60 e 89 anos foi de 84,2% e 76,5%, respectivamente, esse percentual para 32,7% e 35,4% em pessoas acima dos 90 anos.

O mesmo se observa com a vacina feita pela Fiocruz. A taxa de efetividade contra hospitalizações (94,2%) e morte (93,3%) cai para 54,9% e 70,5% em maiores de 90 anos, respectivamente.

Em especial para esse grupo, os pesquisadores recomendam que seja aplicada uma terceira dose da vacina.

"Ambas as vacinas demonstraram eficácia contra a Covid-19 grave em pessoas com até 80 anos. Nossos resultados sugerem que indivíduos com 90 anos ou mais podem se beneficiar de um terceira dose ou dose de reforço", afirmam os pesquisadores.

------++-====-----------------------------------------------------------------------=================--------------------------------------------------------------------------------====-++----- 

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Molécula em veneno de cobra inibe o novo coronavírus, aponta pesquisa da Unesp de Araraquara

===+===.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   ----------____---.=.=.=.= +====


Após testes em laboratório, cientistas observaram que a molécula extraída do veneno do réptil inibiu em 75% a capacidade do vírus se multiplicar em células de macaco.
===+===.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   ----------____---.=.=.=.= +====
Por EPTV1

Postado em 25 de agosto de 2021 às 16h15m


.|      .      Post.- N.\ 9.939       .      |.
 

Pesquisadores descobrem que veneno de cobra brasileira pode ajudar no tratamento da Covid
Pesquisadores descobrem que veneno de cobra brasileira pode ajudar no tratamento da Covid

Pesquisadores do Instituto de Química (IQ) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara (SP), identificaram no veneno da cobra brasileira jararacuçu um peptídeo (pedaço de proteína) capaz de conter a reprodução do novo coronavírus.

A descoberta ocorreu após testes realizados em laboratório, nos quais os pesquisadores observaram que a molécula extraída do veneno do réptil inibiu em 75% a capacidade do vírus se multiplicar em células de macaco. Os resultados obtidos no trabalho foram publicados em um artigo na revista científica internacional Molecules.

A eficiência do peptídeo foi testada no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), onde uma amostra do coronavírus está isolada.

Pesquisadores estudaram proteínas do veneno da cobra jararacuçu — Foto: Miguel Nema/Parque Estadual Serra do Mar
Pesquisadores estudaram proteínas do veneno da cobra jararacuçu — Foto: Miguel Nema/Parque Estadual Serra do Mar

Medicamento eficiente

O estudo preliminar apresenta um caminho promissor na busca por medicamentos para tratar pacientes contaminados pela Covid-19.

O grande desafio para a criação de um novo fármaco é garantir que ele seja eficiente contra determinada patologia e, ao mesmo tempo, não gere reações adversas para quem for tomá-lo.

Nos ensaios iniciais realizados durante a pesquisa, os resultados foram animadores, segundo Eduardo Maffud Cilli, professor do IQ e um dos autores do trabalho.

Nós encontramos um peptídeo que não é tóxico para as células, mas que inibe a replicação do vírus. Com isso, se o composto virar um remédio no futuro, o organismo ganharia tempo para agir e criar os anticorpos necessários, já que o vírus estaria com sua velocidade de infecção comprometida e não avançaria no organismo, disse. 
Como o peptídeo atua?
Peptídeo que foi sintetizado no IQ e inibe a replicação do SARS-CoV-2 — Foto: Eduardo Cilli
Peptídeo que foi sintetizado no IQ e inibe a replicação do SARS-CoV-2 — Foto: Eduardo Cilli

O peptídeo encontrado na jararacuçu é uma molécula que interage e bloqueia a PLPro, uma das enzimas do novo coronavírus responsáveis por sua multiplicação nas células.

De acordo com o docente do IQ, esse mecanismo de ação é interessante porque todas as variantes do SARS-CoV-2 possuem a PLPro, então a tendência é de que a molécula do réptil mantenha sua eficácia contra diferentes mutações do vírus.

Embora diversas vacinas tenham sido aprovadas recentemente, a imunização completa da população mundial ainda levará tempo, o que, junto com o surgimento de novas variantes, reforça a importância da procura por tratamentos eficazes.

Veneno da serpente

Pesquisadores observaram que a molécula extraída do veneno de cobra inibiu em 75% a capacidade do vírus se multiplicar em células de macaco — Foto: Paulo Chiari/EPTV
Pesquisadores observaram que a molécula extraída do veneno de cobra inibiu em 75% a capacidade do vírus se multiplicar em células de macaco — Foto: Paulo Chiari/EPTV

A ideia de investigar o potencial do veneno da serpente contra o novo coronavírus surgiu quando, recentemente, cientistas do Instituto de Química da Unesp descobriram que o peptídeo da cobra tinha atividade antibacteriana, o que os motivou a realizar novos testes para avaliar se ele também poderia agir em partículas virais.

Inicialmente, os efeitos não foram tão elevados, mas após algumas pequenas modificações na estrutura química da molécula sintetizada no IQ, sua atividade antiviral começou a aumentar até inibir 75% da capacidade do vírus se multiplicar nas células.

Testes

Resumidamente, o ensaio é feito da seguinte forma: células de macaco cultivadas em laboratório recebem o peptídeo e, após uma hora, o vírus é adicionado na cultura.

Passados dois dias, os pesquisadores avaliam os resultados e, por meio de alguns cálculos, descobrem o quanto o vírus deixou de se reproduzir. Isso é possível porque os estudiosos já sabem previamente qual seria a multiplicação do vírus em condições normais, ou seja, se ele estivesse em contato apenas com as células.

Em uma segunda etapa do estudo, na qual os pesquisadores identificaram um dos mecanismos de ação do peptídeo da cobra, o composto foi testado especificamente contra a enzima PLPro, que foi obtida no Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP.

Próximos passos

Nos próximos passos do estudo os pesquisadores irão avaliar a eficiência de diferentes dosagens da molécula — Foto: Paulo Chiari/EPTV
Nos próximos passos do estudo os pesquisadores irão avaliar a eficiência de diferentes dosagens da molécula — Foto: Paulo Chiari/EPTV

Nos próximos passos do estudo os especialistas irão avaliar a eficiência de diferentes dosagens da molécula, bem como se ela pode exercer outras funções na célula, como a de proteção, evitando até mesmo que o vírus a invada.

Após o fim desses testes, o objetivo é que a pesquisa avance para a etapa pré-clínica, em que será estudada a eficácia do peptídeo para tratar animais infectados pelo novo coronavírus.

A pesquisa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Além do professor Cilli, fizeram parte do estudo pelo IQ os cientistas Paulo Sanches, Natália Bitencourt e Norival Santos Filho. O trabalho contou ainda com a participação de pesquisadores do ICB, IFSC, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

------++-====-----------------------------------------------------------------------=================--------------------------------------------------------------------------------====-++----- 

Estudo sul-coreano mostra que casos de delta têm carga viral 300 vezes maior do que cepa original

===+===.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   ----------____---.=.=.=.= +====


A carga mais elevada significa que o vírus se dissemina muito mais facilmente de pessoa para pessoa, aumentando as infecções e hospitalizações.
===+===.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   ----------____---.=.=.=.= +====
TOPO
Por Reuters

Postado em 25 de agosto de 2021 às 13h45m


.|      .      Post.- N.\ 9.938       .      |.
 

Pessoas infectadas com a delta, variante mais transmissível do novo coronavírus, apresentaram carga viral 300 vezes maior se comparado com os indivíduos infectados com a versão original do vírus nos primeiros dias dos sintomas da Covid-19, revelou um estudo da Coreia do Sul.

O valor da carga viral, entretanto, diminui gradualmente com o tempo - chegando a ser 30 vezes maior depois de quatro dias da infecção e pouco mais de 10 vezes após nove dias - se igualando aos níveis vistos em outras variantes depois de 10 dias, informou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia (KDCA) nesta terça-feira (24).

Veja 5 pontos sobre a variante delta
Veja 5 pontos sobre a variante delta

A carga mais elevada significa que o vírus se dissemina muito mais facilmente de pessoa para pessoa, aumentando as infecções e hospitalizações, disse Lee Sang-won, uma autoridade do Ministério da Saúde, em uma coletiva de imprensa.

"Mas isto não significa que a Delta é 300 vezes mais infecciosa... achamos que sua taxa de transmissão é 1,6 vez a da variante Alpha, e cerca de duas vezes a da versão original do vírus", disse Lee.

A variante delta do novo coronavírus foi identificada primeiramente na Índia, e a Alpha no Reino Unido.

Para evitar a disseminação da variante delta, agora a linhagem predominante em todo o mundo, a KDCA pediu às pessoas que façam exames imediatamente quando desenvolverem sintomas da Covid-19 e que evitem encontros pessoais.

A proliferação rápida da delta e as taxas baixas de vacinação pegam grande parte da Ásia de guarda baixa, especialmente em mercados emergentes, enquanto as economias da Europa e da América do Norte se reativam.

------++-====-----------------------------------------------------------------------=================--------------------------------------------------------------------------------====-++-----