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terça-feira, 17 de agosto de 2021

Inflação elevada e auxílio emergencial menor reduzem qualidade do prato feito dos mais pobres no Brasil

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Com alta dos preços, redução do auxílio emergencial e desemprego elevado, brasileiros têm dificuldades para comprar alimentos; cesta básica de julho em custou mais que a metade do valor do salário mínimo atual.
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Por Patrícia Basilio, G1

Postado em 17 de agosto de 2021 às 11h25m


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A vendedora de milho Liane de Souza: carne vermelha só aos fins de semana — Foto: Patrícia Basilio
A vendedora de milho Liane de Souza: carne vermelha só aos fins de semana — Foto: Patrícia Basilio

De segunda a sábado, Liane de Souza vende milho cozido com seus filhos, em frente a um açougue no centro de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. A rotina é cansativa e as vendas são imprevisíveis, principalmente neste inverno, considerado um dos mais frios no estado em quase uma década.

Com o dinheiro que recebe das vendas semanalmente, a ambulante segue direto ao supermercado para comprar alimento para a família. Na lista, cabem apenas itens essenciais, como arroz, feijão e carne de frango ou porco.

A carne vermelha, que Liane vê à venda no açougue atrás de sua barraca, ela afirma adquirir apenas aos domingos e só a de última qualidade.

"Só quem come carne agora é quem é rico. Nós que somos pobres agora só comemos frango e porco. Um quilo de carne vermelha está R$ 40. Com R$ 40, eu compro frango para uma semana. Faz muito tempo que tenho vontade de comer um bife", disse a vendedora de milho.

Segundo Liane, a carne vermelha não é o único peso de seu orçamento doméstico. O preço do gás de cozinha também está deixando as contas de casa pesadas e, pior, reduzindo o lucro de suas vendas, uma vez que o milho é cozido a gás.

"O movimento aqui varia muito e tem horas que fico só gastando gás. Eu pagava R$ 4 na manteiga que uso, agora pago R$ 8. A gente tem que fazer pouca dívida para pagar as que têm", afirmou.

Liane retrata um cenário cada vez mais comum no Brasil, após a pandemia da Covid-19: o de brasileiros que estão com menor poder de compra e, desta forma, têm dificuldades para adquirir itens essenciais da cesta básica, como arroz, feijão e carne — o famoso prato feito.

Queda do poder de compra do brasileiro — Foto: G1
Queda do poder de compra do brasileiro — Foto: G1

Pesquisa realizada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) aponta que a proporção entre o valor da cesta básica e do salário mínimo em julho foi de 58%. Ou seja, uma cesta custou em julho mais que a metade do valor do salário mínimo atual, de R$ 1.100 (veja gráfico acima).

Esse índice passou a subir em outubro do ano passado e em novembro e dezembro atingiu 60% (uma cesta custa 60% do salario mínimo), maior percentual mensal em 13 anos (julho de 2008).

Segundo Patrícia Costa, economista sênior do Dieese, itens básicos da alimentação estão mais pesados no orçamento do brasileiro desde o final do ano passado por diversos fatores. O principal foi a inflação.

Inflação segue acelerando

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – a inflação oficial do país acelerou a alta para 0,96% em julho, após ter registrado taxa de 0,53% em junho. A variação foi a maior registrada para o mês de julho desde 2002. Além da conta de luz, houve aumento também nos combustíveis, no gás de cozinha e, claro, nos alimentos. Em 12 meses, a inflação no país chegou a 8,99%.

A desvalorização do câmbio também contribuiu. Com as incertezas do país, os produtores optaram por exportar os alimentos, no lugar de vender para o mercado interno — aumentando o preço aos consumidores locais.

"Este mês, as consequências da geada vão aparecer com os preços dos alimentos mais caros, como o trigo. A questão é que as pessoas já não conseguem comprar com tantos aumentos. De um lado tem a oferta pressionando que os preços subam, de outro tem a demanda que está caindo", explicou a economista.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), no acumulado em 12 meses, o arroz teve alta de 39,69%, o feijao preto, de 19,13%, as carnes vermelhas, de 34,38%, o tomate, de 42,96%, e o óleo de soja, de 84,31%.

Ossos e fragmentos de arroz e feijão entram no prato do brasileiro
Ossos e fragmentos de arroz e feijão entram no prato do brasileiro

Para agravar o cenário, o Auxílio Emergencial 2021 passou a variar de R$ 150 a R$ 375, de acordo com a composição de cada família. Em 2002, era de R$ 300 a R$ 600.

Com a assistência financeira menor e inflação maior, brasileiros sem trabalho por conta da crise perderam o poder de compra para a própria subsistência, analisou Maria Andréia Parente Lameiras, técnica de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

"Para as pessoas mais pobres, essa alta de preços é mais pesada porque elas não têm de onde tirar o dinheiro. Ou elas pedem emprestado ou fazem trocas que não têm o mesmo valor nutricional", analisou Maria Andréia.

Inflação em alta no Brasil — Foto: G1
Inflação em alta no Brasil — Foto: G1

Fragmentos de arroz

Diferentemente de Liane — que consegue comer seu prato feito diário, ainda que sinta falta da carne vermelha — a classe social citada pela pesquisadora do Ipea substitui alimentos da cesta básica por outros pouco vendidos em supermercados, como fragmentos de arroz e de feijão e até ossos de boi.

Os fragmentos de arroz são grãos que quebraram durante a etapa de polimento e foram separados dos demais. Por conta de seu aspecto, 1 kg deste produto custa custa 12% menos que a mesma quantidade de arroz branco. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), apesar dos fragmentos serem utilizados em ração para animais, eles também são autorizados para consumo humano e têm os mesmos nutrientes de um grão inteiro.

A Rampielli Alimentos é uma das marcas que comercializa o produto. Nas redes sociais, empresa afirma que vende fragmentos de arroz desde 2016 para preparo de sopas e caldos.

Reportagem do Fantástico mostrou, em julho, pessoas formando filas para receber de pedaços de ossos com retalhos de carne em Cuiabá. O açougue, que distribui os ossos há dez anos, diz que isso acontecia antes apenas uma vez por semana e, agora, são três.

Inflação maior para os mais pobres

Os Índices de Preços ao Consumidor do Instituto Brasileiro de Economia da FGV mostram o peso da alimentação entre os mais pobres de forma estatística. A inflação em 12 meses é maior para famílias com renda per capita de até 2,5 salários mínimos (IPC-C1) do que para as que têm renda per capita de até 33 salários mínimos (IPC-DI).

Isso significa a alta de preços dos alimentos têm um peso maior para famílias que recebem até R$ 2.750, explicou Matheus Peçanha, economista da FGV.

"Está quase impossível fazer frente aos grandes aumentos com o Auxílio Emergencial de R$ 150. Quandos as políticas públicas não alcançam, as pessoas vão começar a depender de caridade", disse Peçanha.

Com pandemia e inflação, brasileiro passa a comer mais salsicha, pão com presunto e mingau
Com pandemia e inflação, brasileiro passa a comer mais salsicha, pão com presunto e mingau

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Poluição do ar mascara 0,5ºC do aquecimento global nos centros urbanos, diz pesquisador da USP em relatório da ONU

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Estudo mostra que ações melhoram a qualidade do ar, podem piorar aquecimento global, ou vice-versa. Cientista Paulo Artaxo diz que empresas, indivíduos e governos têm que se engajar, com cada um implementando ações da sua competência.
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Por G1 SP

Postado em 17 de agosto de 2021 às 10h00m


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Foto de arquivo mostra vista da Marginal Tietê junto à Ponte da Freguesia do Ó, na zona norte de São Paulo, com destaque para a poluição do ar — Foto: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo
Foto de arquivo mostra vista da Marginal Tietê junto à Ponte da Freguesia do Ó, na zona norte de São Paulo, com destaque para a poluição do ar — Foto: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo

A poluição do ar mascara o aquecimento global nos grandes centros urbanos e gera o efeito positivo de resfriamento do clima, de acordo com o mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, sigla em inglês) publicado na segunda-feira (9).

O cientista Paulo Artaxo, professor titular do Instituto de Física da USP e autor do capítulo do estudo dedicado os poluentes de vida curta emitidos em áreas urbanas, como os aerossóis, explicou ao G1 que a abordagem do mascaramento da temperatura e a quantificação disso estão entre as grandes novidades desta edição do relatório.

"Mascaram 0,5°C do aquecimento. Então se as mudanças climáticas causadas pelos seres humanos levaram a um aumento de 1,1°C na temperatura do planeta e existe esse mascaramento, o aumento é de 1,6°C nos centros urbanos", explicou Artaxo.
Enchentes, neve e calor extremo: como as mudanças climáticas afetam o planeta
Enchentes, neve e calor extremo: como as mudanças climáticas afetam o planeta

O estudo esclarece que mudança climática e qualidade do ar estão intimamente relacionadas, sendo a primeira um resultado da emissão de gases que impactam a atmosfera por séculos, enquanto a segunda é impactada por emissões cujos efeitos têm escala de tempo mais curta, durando dias ou anos, e, por isso, têm efeitos mais regionais.

De acordo com o relatório é possível implementar políticas "ganha-ganha", em que se limitam as mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que se melhora a qualidade do ar. No entanto, nem sempre essa relação é equilibrada, pois algumas ações são neutras e outras são de ganha-perde, que melhoram a qualidade do ar, mas causam aquecimento global, ou vice-versa.

"A eletrificação da frota veicular, o fim da queima de carvão, o investimento em energia eólica e solar são ações que diminuem a presença dos aerossóis e isso é bom para a qualidade do ar. Por outro lado, sem eles, a temperatura do planeta aumenta 0,5°C, já que removemos o componente que mascara 1/3 do problema. Ou seja, o estudo mostra que a questão do aquecimento global é um pouco pior do que observamos", disse Paulo Artaxo.

Paulo Artaxo, doutor em física atmosférica pela Universidade de São Paulo — Foto: Divulgação/USP Imagens
Paulo Artaxo, doutor em física atmosférica pela Universidade de São Paulo — Foto: Divulgação/USP Imagens

A maioria das atividades humanas, segundo o estudo, geram tanto alterações climáticas, quando degradação da qualidade do ar, como a produção de energia, a agricultura, o transporte, os processos industriais, o uso de aquecedores e ar-condicionados, ou mesmo acender a uma lareira. Desse modo, o que o relatório mostra é que a qualidade do ar e as mudanças climáticas representam as duas faces da mesma moeda, e devem ser abordadas em conjunto.

"O relatório já dá a receita: temos que reduzir as emissões já. Qual a data limite pra agir agressivamente? Foi ontem. As empresas, os indivíduos e os governos têm que se engajar, com cada um implementando ações da sua competência. Na cidade de São Paulo temos 33 mil ônibus, todos queimando combustíveis fosseis. Por que não ônibus elétricos ou de baixa emissão? É possível? É. É barato? É. É factível? É. É uma questão política relacionada a grupos econômicos", concluiu Paulo Artaxo.

O relatório da ONU indica que o impacto da ação humana já está perto do limite de 1,5ºC de aumento da temperatura global que foi definido em 2015 durante a COP21, no Acordo de Paris. À época, os países presentes se comprometeram com algumas metas para conseguir barrar as mudanças do planeta, incluindo o Brasil, que diz querer atingir a neutralidade nas emissões de gases causadores do efeito estufa até 2060.

O IPCC foi criado em 1988 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e pela Organização Meteorológica Mundial com o objetivo de sintetizar e divulgar o conhecimento mais avançado sobre as mudanças climáticas.
Relatório da ONU aponta ação humana no aquecimento global
Relatório da ONU aponta ação humana no aquecimento global

Perspectiva: 9 pontos do impacto

Abaixo, veja nove pontos do impacto do aumento da temperatura global na vida na Terra, segundo o relatório do IPCC:

  1. A temperatura da superfície terrestre subiu mais rapidamente desde 1970 do que em qualquer outro período de 50 anos visto nos últimos 2 mil anos;
  2. As ondas de calor se tornaram mais frequentes e mais intensas em quase todos os continentes do planeta desde 1950, enquanto frios extremos se tornaram menos frequentes e menos severos;
  3. Nas últimas 4 décadas, houve um aumento da proporção de ciclones tropicais;
  4. A influência humana aumentou a chance de eventos extremos desde 1950 e isso inclui a frequência da ocorrência de ondas de calor, secas em escala global, incidência de fogo e inundações.
  5. Em 2019, a concentração de CO² na atmosfera era maior do que em qualquer outro momento nos últimos 2 milhões de anos e a concentração de metano e óxido nitroso era a maior em 800 mil anos;
  6. As ondas de calor marítimas ficaram aproximadamente duas vezes mais frequentes desde 1980;
  7. Entre 2011 e 2020, a área média de gelo no Ártico atingiu seu número mais baixo desde pelo menos 1850 e era, no final do verão, menor do que em qualquer época nos últimos mil anos;
  8. O recuo das geleiras – com uma redução sincronizada em qualquer todas as geleiras do mundo desde os anos 50 — é sem precedentes pelo menos pelos últimos 2 mil anos;
  9. O nível médio do mar aumentou mais rápido desde 1900 do que em qualquer século em pelo menos nos últimos 3 mil anos.
Grande camada de poluição é vista no céu da região central de São Paulo na manhã desta segunda-feira (16)  — Foto: Nelson Antoine/Estadão Conteúdo
Grande camada de poluição é vista no céu da região central de São Paulo na manhã desta segunda-feira (16) — Foto: Nelson Antoine/Estadão Conteúdo

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segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Open banking no Brasil deve se desenvolver mais rápido que em outros países, diz Moody’s

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Agência aponta que uma parcela importante dos serviços financeiros no Brasil ainda está com os cinco principais bancos de varejo, mas a inovação disruptiva continua a adicionar novos entrantes ao sistema.
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TOPO
Por Valor Online

Postado em 16 de agosto de 2021 às 15h35m


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Entenda o que é Open Banking
Entenda o que é Open Banking

open banking no Brasil, cuja segunda fase começou na sexta-feira passada (13), dará aos concorrentes menores acesso aos dados coletados por grandes bancos dominantes.

Embora o open banking não mude o cenário de negócios imediatamente, a Moody’s acredita que esse novo ambiente para serviços bancários e financeiros se desenvolverá mais rapidamente no Brasil do que em outros países, porque muitos bancos e fintechs já têm trabalhado com o regulador local nos últimos dois anos e a demanda por serviços de menor custo é significativa.

"À medida que a digitalização traz novos desafios para o setor, a maioria das linhas de negócios de bancos tradicionais continua focada em defender seus resultados individuais e as tentativas de manter uma conexão digital com os clientes são normalmente vistas através de uma lente bancária", diz a Moody’s.

A agência aponta que uma parcela importante dos serviços financeiros no Brasil ainda está com os cinco principais bancos de varejo (Itaú, Bradesco, Caixa, Banco do Brasil e Santander), mas a inovação disruptiva continua a adicionar novos entrantes ao sistema à medida que a regulamentação financeira estimula mudanças profundas e promove novas formas de fazer negócios.

"Os serviços financeiros também continuam caros e disponíveis de forma desigual para pequenas e médias empresas e famílias."

De acordo com o relatório, o open banking certamente removerá barreiras importantes para acessar dados de clientes amplamente mantidos pelos grandes bancos de varejo, mas o desafio mais importante ainda está relacionado à mentalidade do cliente.

Embora o ecossistema open banking permita que os clientes comprem os melhores produtos e taxas de juros, explorando diferentes provedores de serviços financeiros antes de tomar sua decisão, o ritmo de expansão dependerá do consentimento do cliente com o compartilhamento de dados com outros pequenos players.

"Esse movimento deve ser gradual e lento, mas ainda à frente de outros países latino-americanos, o que também poderia servir de exemplo sobre a eficiência desse novo ecossistema em um país com informalidade de emprego elevada e lacuna de inclusão financeira. A oportunidade aumentará a profundidade financeira no médio prazo, mas uma ruptura dramática do setor bancário permanece improvável, pelo menos em um futuro próximo, à medida que os bancos tradicionais reagem à transformação em curso."

A Moody’s lembra que o Banco Central (BC) adotou a abordagem de aplicação de requisitos regulatórios proporcionais ao tamanho e à relevância de uma entidade. Ao mesmo tempo, tem inovado, mais recentemente o Pix, um sistema instantâneo de pagamento lançado em novembro de 2020.

Segundo o relatório, além do estímulo regulatório do BC, as taxas de juros mais baixas nos últimos anos apoiaram os mercados de crédito e a capacidade de pagamento dos tomadores de empréstimo. Além disso, o ambiente contou com uma redução gradual das barreiras de entrada, enquanto nichos não atendidos propiciaram o crescimento de negócios bancários digitais de baixo custo, bem como vendas ou parcerias com os grandes bancos.

Como parte dessa mudança geral do mercado, os principais bancos começaram a se afastar dos modelos tradicionais, acelerando programas de inovação que tiveram início com as incubadoras de fintechs e, em alguns casos, criaram neobancos separados, como foi o caso do Next (do Bradesco). Outros bancos têm se concentrado em complementar as operações com um ecossistema financeiro online universal mais completo, exemplificado pelos esforços do BTG.

"Embora essa estratégia possa ter algumas implicações negativas no curto prazo, pois requer altos investimentos e, muitas vezes, um número grande de aquisições de operações complementares, essa tem sido a maneira de lidar com a transformação bancária atual e as novas demandas dos clientes, que pressionaram os modelos tradicionais a perder valor e reduzir as margens."

Ao mesmo tempo, a Moody’s aponta que, embora até agora o crescimento das fintechs tenha sido apoiado por uma regulamentação mais branda, à medida que elas ganham escala e maior complexidade de negócios, o sistema regulatório será gradualmente reforçado. Ela lembra que o BC publicou uma solicitação de comentário sobre uma proposta de mudança regulatória que fortaleceria as regras que enquadram as fintechs focadas nas operações de pagamento. Essas mudanças aumentarão os custos operacionais dessas empresas e exigirão mais capital, provavelmente reduzindo seu custo de captação e, potencialmente, o ritmo de crescimento de seus negócios.

O relatório afirma que o Pix pressionou os resultados bancários provenientes de seu negócio tradicional de transferências (TED e DOC), um serviço caro para famílias e empresas menores e uma base de renda tarifária muito forte para os bancos. "A rápida adoção do sistema de pagamento do Pix, particularmente pelas famílias, que não pagam pelas transferências feitas através do Pix, já afetou a rentabilidade dos bancos tradicionais."

Em termos de pagamentos de boletos e processamento de pagamentos via cartões de débito e crédito, a Moody’s estima que o resultado das tarifas bancárias diminuirá aproximadamente 10% em 12 meses a partir de novembro de 2020, considerando o nível de tarifas obtidas antes do Pix.

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domingo, 15 de agosto de 2021

Por que ocorrem tantos terremotos no Haiti?

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Forte terremoto ocorrido neste sábado voltou a mostrar fragilidade geológica da ilha de Hispaniola, onde estão Haiti e República Dominicana, mas que atinge principalmente território haitiano.
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TOPO
Por BBC

Postado em 15 de agosto de 2021 às 19h50m


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Terremoto de magnitude 7,2 atingiu sul do Haiti, deixando pelo menos 724 mortos e 1,8 mil feridos — Foto: Reuters/BBC
Terremoto de magnitude 7,2 atingiu sul do Haiti, deixando pelo menos 724 mortos e 1,8 mil feridos — Foto: Reuters/BBC

Na manhã deste sábado (14), um forte terremoto de magnitude 7,2 atingiu o sul do Haiti, deixando pelo menos 724 mortos e mais de 1,8 mil feridos.

Tremores como esse não são novidade no pequeno país, um dos mais pobres do mundo e afundado em crises.

Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de magnitude semelhante devastou Porto Príncipe, capital do país, causando a morte de mais de 200 mil pessoas. Mais de 300 mil ficaram feridas.

E isso já havia acontecido em 1887, 1842, 1770 e 1751.

VÍDEO: Terremoto de 7,2 de magnitude deixa mortos no Haiti
VÍDEO: Terremoto de 7,2 de magnitude deixa mortos no Haiti

Mas por que tantos terremotos ocorrem no Haiti?

Uma das respostas pôde ser encontrada naquela tarde de 12 de janeiro de 2010, quando especialistas souberam imediatamente que o tremor seria um dos piores desastres naturais da história recente daquele país.

Além de ter atingido uma das nações mais pobres do Ocidente — e, portanto, uma das menos preparadas para enfrentar eventos desse tipo, o terremoto ocorreu em uma região onde se localiza uma complexa rede de placas tectônicas e falhas geológicas.

O Haiti está situado em meio a um vasto sistema de falhas geológicas que resultam do movimento da placa caribenha e da enorme placa norte-americana.

Como em outras áreas onde as placas tectônicas são contíguas, nos limites da placa do Caribe há uma atividade sísmica significativa devido a essas falhas.

VÍDEO: Veja imagens da destruição causada por terremoto no Haiti
VÍDEO: Veja imagens da destruição causada por terremoto no Haiti

E foi o súbito deslizamento de uma delas, a falha de Enriquillo-Plantain Garden, que levou ao desastre.

Estima-se que o epicentro do terremoto, de magnitude 7, ocorreu a cerca de 15 quilômetros de Porto Príncipe. E o hipocentro (local no interior da Terra onde se inicia a ruptura do material rochoso ocorrendo a libertação de energia sob a forma de ondas sísmicas) estava a apenas oito quilômetros da superfície.

Já o que foi registrado neste sábado tinha magnitude de 7,2 e a 10 quilômetros da superfície, mas teve seu epicentro no sul da ilha.

Essa proximidade com a superfície, dizem os especialistas, garantiu que as forças de choque do solo fossem mais intensas e destrutivas.

Sem amortecimento

Edifícios em zonas sísmicas em países desenvolvidos são construídos com sistemas de amortecimento que lhes permitem "resistir" aos tremores, não apenas deixando-os balançarem para frente e para trás, mas também fazendo-os girar junto com o movimento da terra.

Mas as estruturas simples de concreto das cidades haitianas desmoronam quando submetidas a essa pressão.

"A proximidade com a superfície é um dos fatores mais sérios que contribuem para a gravidade de um tremor causado por um terremoto de qualquer magnitude", disse David Rothery, cientista planetário da Open University no Reino Unido, à BBC.

"Além disso, o terremoto tende a ser maior se estiver mais perto da fonte. Nesse caso (o terremoto de 2010), o epicentro estava a apenas 15 quilômetros do centro da capital e por isso foi tão destrutivo."

Então, uma série de tremores secundários fortes — mais de 10, todos com magnitude superior a 5 — ampliou a devastação.

Mas, apesar do fato de que o Haiti está em uma área de alto risco para terremotos, o último grande terremoto antes da catástrofe de 2010 havia ocorrido 150 anos antes.

A costa norte do país está localizada no limite das grandes placas tectônicas do Caribe e da América do Norte, onde vastos blocos da superfície terrestre se movem esfregando-se uns contra os outros em um movimento horizontal.

Acredita-se que a placa do Caribe esteja se movendo para o leste a uma taxa de cerca de 2 centímetros a cada ano.

Esperado

E, como os especialistas apontam, antes de 2010, um deslizamento era esperado há muito tempo na falha de Enriquillo-Plantain Garden.

"Ela se manteve firme nos últimos 250 anos", disse Roger Busson, do Serviço de Pesquisa Geológica Britânica, à BBC sobre o terremoto de 2010.

"Todo aquele tempo estava armazenando pressão enquanto as placas deslizavam umas sobre as outras, e era realmente apenas uma questão de tempo para que essa liberação de energia ocorresse."

"A pergunta que nos fazíamos era se toda aquela energia ia ser liberada de uma vez ou em uma série de pequenos tremores. A resposta é que foi tudo de uma vez."

Em 2010, a superfície ao longo da falha estava, em algumas partes, separada por até um metro ou mais.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) afirma que a falha de Enriquillo-Plantain Garden pode ter sido a fonte de vários terremotos importantes ao longo da história: os de 1860, 1770, 1761, 1751, 1684, 1673 e 1618.

E também do que aconteceu neste sábado.

"Como no evento de 2010, o mecanismo que produz este terremoto indica uma falha de empuxo oblíqua ao longo da zona da falha Enriquillo-Plantain Garden", informou o USGS em seu site.

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