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segunda-feira, 26 de julho de 2021

Amazônia: Como El Niño ajudou a devastar 2,5 bilhões de árvores e cipós em meio a seca e incêndios

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Pesquisadores estudaram área afetada por El Niño em 2015 e 2016, descobrindo que seca e fogos causaram a morte de bilhões de plantas em área que representa apenas 1,2% de toda a Floresta Amazônica brasileira.
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TOPO
Por Juliana Gragnani, BBC

Postado em 26 de julho de 2021 às 09h40m


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Queimada de floresta amazônica ao lado da BR 163 no Pará deixou grande número de árvores mortas (na imagem, sem folhas e esbranquiçadas) — Foto: Queimada de floresta amazônica ao lado da BR 163 no Pará deixou grande número de árvores mortas (na imagem, sem folhas e esbranquiçadas)
Queimada de floresta amazônica ao lado da BR 163 no Pará deixou grande número de árvores mortas (na imagem, sem folhas e esbranquiçadas) — Foto: Queimada de floresta amazônica ao lado da BR 163 no Pará deixou grande número de árvores mortas (na imagem, sem folhas e esbranquiçadas)

A intensa seca e os incêndios florestais que atingiram a Amazônia em 2015 e 2016 mataram ao menos 2,5 bilhões de árvores e cipós em apenas uma pequena parte da floresta, descobriram pesquisadores.

O El Niño é um fenômeno climático que envolve um aquecimento incomum do Oceano Pacífico. Em 2015 e no início de 2016, provocou efeitos devastadores em diferentes regiões do mundo—- na Amazônia, houve redução de chuvas e intensa seca em uma mata que normalmente é úmida, além de favorecer a disseminação de fogos causados por humanos.

A área analisada pelos pesquisadores fica na região da cidade de Santarém, no Pará, e tem 6,5 milhões de hectares — maior que os Estados de Alagoas e Sergipe juntos. Essa "pequena" parte onde morreram bilhões de árvores representa apenas 1,2% da Amazônia brasileira.
Floresta afetada pela seca e fogos na região de Santarém durante o El Niño em 2015 — Foto: Erika Berenguer/Divulgação
Floresta afetada pela seca e fogos na região de Santarém durante o El Niño em 2015 — Foto: Erika Berenguer/Divulgação

Os pesquisadores também calcularam quanto carbono foi liberado na atmosfera em consequência da morte dessas bilhões de árvores: 495 milhões de toneladas de CO² — valor maior que o liberado pela floresta em um ano inteiro de desmatamento. E descobriram ainda que as árvores continuaram a morrer e a liberar mais carbono na atmosfera por causa da seca provocada pelo El Niño anos depois do fenômeno climático.

O estudo "Tracking the impacts of El Niño drought and fire in human-modified Amazonian forests" (monitorando os impactos da seca e incêndios do El Niño em florestas amazônicas com interferência humana) foi publicado nesta segunda (19/7) no periódico científico PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America).

Como monitorar tantas árvores?

Incêndios florestais na Amazônia são feitos de fogos bem pequenos, com chamas de 30 cm de altura que se movem muito devagar durante dias e dias de queima — Foto: Erika Berenguer/Divulgação
Incêndios florestais na Amazônia são feitos de fogos bem pequenos, com chamas de 30 cm de altura que se movem muito devagar durante dias e dias de queima — Foto: Erika Berenguer/Divulgação

Desde 2010, pesquisadores monitoram 21 parcelas de terra da Floresta Amazônica espalhadas com até 100 km de distância umas das outras na região do Baixo Tapajós.

Em 2015, observando a extrema seca causada pelo El Niño, resolveram verificar como o fenômeno impactaria as plantas daquela região.

Eles já tinham mapeado 6.117 delas — "como num jogo de batalha naval", explica a bióloga Erika Berenguer, das universidades de Oxford e Lancaster e autora principal do estudo. Cada árvore era registrada em quadrantes diferentes, com seu "X" e "Y" correspondente para facilitar sua identificação.

Ao longo de três anos, entre outubro de 2015 e outubro de 2018, os pesquisadores voltaram trimestralmente para cada uma daquelas 21 parcelas de terra e verificavam árvore por árvore para saber qual havia sido seu destino.

As árvores morrem pela seca ou pelo fogo causado por humanos. E esse fogo, por sua vez, pode ter diferentes origens. Uma delas, talvez a mais conhecida, é o desmatamento. Depois de derrubadas as árvores, o fogo é colocado para se livrar da floresta no chão. Outras origem são seu uso para a limpeza de pasto na Amazônia ou para incorporar os nutrientes da vegetação no solo — uma prática antiga que, no entanto, é afetada negativamente pela seca que deixa a paisagem mais inflamável.

Esses fogos controlados podem escapar da área designada e entrar dentro de áreas de floresta. Em um período de seca, isso é perigoso.

"A Amazônia é muito úmida. Normalmente esse fogo, se escapasse, morreria, igual fogo em um pedaço de pano molhado", explica Berenguer. Mas como, no período analisado por cientistas, o clima estava muito seco — foram oito meses de seca — "o fogo, quando escapava, entrava na floresta". "Ela estava como um pano seco parado no sol."

Brasil pode fazer mapa de risco de incêndio para evitar maiores perdas em eventos de seca — Foto: Erika Berenguer/Divulgação
Brasil pode fazer mapa de risco de incêndio para evitar maiores perdas em eventos de seca — Foto: Erika Berenguer/Divulgação

São fogos bem pequenos, com chamas de 30 cm de altura, e que se movem muito devagar durante dias e dias de queima. "É lerdo e de baixa intensidade. Mas quando cobre grandes áreas, fica difícil de apagar", diz a pesquisadora. Além disso, é difícil de ver, porque as árvores são altas. Sua fumaça, sim, é visível.

Então, pesquisadores voltavam para aquelas parcelas de mata para ver se as árvores haviam morrido. É possível descobrir se uma árvore na Amazônia morreu de acordo com diferentes fatores.

"Se não tem folha, é um sinal que já está morta, já que a maioria das árvores na Amazônia não perdem folhas em partes do ano", explica Berenguer. Outra técnica: fazer um corte com um facão. "Você tira um pedaço da casca para ver se ela está seca ou não."

Ela explica que, diferentemente de outros biomas, a Amazônia não evoluiu com o fogo. "As árvores não estão preparadas para lidar com o fogo, elas têm uma casca muito fina, sem o isolamento térmico que árvores do cerrado têm. A casca de árvores da Amazônia são iguais a uma folha de papel. Ela é superfina, sem proteção alguma", diz.

Depois de descobrirem quantas árvores e cipós tinham morrido em excesso, os cientistas extrapolaram esse resultado para a área maior do Baixo Tapajós, de 6,5 milhões de hectares. "A gente sabe o quanto de floresta tem nessa área grande e o quanto em média a gente perdeu de árvores nas parcelas. Se a gente perdeu em média tantas árvores nessas parcelas todas, o quanto a gente perdeu na região toda?", explica Berenguer.

O resultado foram os inacreditáveis 2,5 bilhões de árvores e cipós perdidos naquela região. Para Berenguer, os números surpreenderam ao mostrar a grandeza da mortalidade das árvores e a perda de carbono. "Quando você está andando na floresta, você sabe que a situação não está boa. Mas não sabíamos a magnitude disso."

Ver grande parte da floresta que monitorava havia anos de repente morta foi "difícil emocionalmente", diz Berenguer. "Você cria ligações com a floresta, como se fosse o quarteirão onde você mora, com a árvore que você gosta."

Os pesquisadores também descobriram que os efeitos da seca do El Niño duraram mais de três anos em florestas afetadas pela seca e dois anos e meio em florestas afetadas tanto pela seca quanto pelo fogo, com árvores ainda morrendo nesse período por conta do fenômeno climático.

O número menor para as florestas afetadas pela seca e pelo fogo parece, de início, contraintuitivo. Mas "não é porque fogo causa menos dano", explica Berenguer. "É porque já morreu tanta planta no início, que acaba não tendo mais o que matar."

As árvores localizadas em florestas que já sofreram impacto são muito mais vulneráveis ao próximo fogo, com maior chance de morrerem. A floresta fica aberta, com maior entrada de luz e vento, o que a deixa mais seca. "Se o fogo escapar em outros anos, é mais propício de se sustentar ali. Acaba criando um looping de feedback negativo", diz Berenguer.

Soluções

Autora principal do estudo, Erika Berenguer, monitora árvores em uma floresta amazônica queimada durante o El Niño de 2015 — Foto: Marizilda Cruppe/Rede Amazônia Sustentável
Autora principal do estudo, Erika Berenguer, monitora árvores em uma floresta amazônica queimada durante o El Niño de 2015 — Foto: Marizilda Cruppe/Rede Amazônia Sustentável

O El Niño acontece a cada dois a sete anos, em média, e há estudos que apontam que as mudanças climáticas podem agravar o fenômeno. Seu efeito na Amazônia, como se vê, é devastador. Mas há ações que podem ser feitas para evitar que seja tão destrutivo.

Um ponto fundamental é a prevenção, diz Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental e da Rede Amazônia Sustentável e uma das autoras do estudo. Por meio de satélites, cientistas já têm a capacidade de prever secas. "E já sabemos que a seca é altamente relacionada com queimadas. Uma vez que o fogo inicia é muito difícil controlar."

Quando o desmatamento em um ano é muito alto, é possível inferir, também, que isso poderá se refletir no ano seguinte com uma possibilidade maior de incêndios, já que regiões com áreas mais desmatadas e mais secas são mais vulneráveis a queimadas.

Por isso, diz Ferreira, o Brasil tem "toda a condição de fazer um mapa de risco de incêndio", como está sendo feito na região do Tapajós.

E há três pontos que podem ser endereçados. A seca, o fogo causado pela limpeza de pasto ou por comunidades para incorporar os nutrientes da vegetação ao solo e, claro, o fogo causado para "limpar" uma região desmatada.

Para diminuir as consequências de um evento de seca como o El Niño, a médio e longo prazo, é preciso investir na restauração florestal, diz Ferreira, para reduzir a degradação das florestas. Dessa maneira, as matas ficam menos secas e, assim, menos vulneráveis a secas.

Para controlar o fogo que pode escapar quando usado para limpar o pasto ou para incorporar nutrientes ao solo, gestores podem fazer regras mais rígidas, determinando certas condições para a realização dessas queimadas.

Podem determinar, por exemplo, a quantos dias de diferença da chuva esses fogos poderão ser feitos, impedir que sejam levados a cabo em horários de maior calor ou que sejam postos no contravento e não a favor do vento, entre outros.

O governo pode também disseminar técnicas agrícolas que dependam menos do fogo, diz Ferreira, e dar apoio para que populações tenham condições de usar essas outras técnicas.

 Por fim, é preciso combater o desmatamento — em sua maior parte, ilegal. "É uma questão de comando e controle. As instituições têm que ser mais fortalecidas, devem ser mais rigorosas nas multas, na regularização ambiental das propriedades e realmente fazer esforço para utilizar recursos que tem para responsabilizar quem faz as práticas ilegais", diz Ferreira.

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sábado, 24 de julho de 2021

Gripe ou Covid? Médicos de países com surto da variante delta explicam por que sintomas se confundem e como agir caso apareçam

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Variante que é conhecida por alta transmissibilidade também pode infectar crianças, jovens adultos e até mesmo pessoas que tomaram as duas doses da vacinas. Especialistas explicam que ter alta transmissão não significa que a variante será, necessariamente, mais fatal.
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Por Bruna de Alencar, G1 

Postado em 24 de julho de 2021 às 08h00m


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Imagem criada pela Nexu Science Communication em conjunto com o Trinity College, em Dublin, mostra um modelo estruturalmente representativo do coronavírus — Foto: NEXU Science Communication/via REUTERS
Imagem criada pela Nexu Science Communication em conjunto com o Trinity College, em Dublin, mostra um modelo estruturalmente representativo do coronavírus — Foto: NEXU Science Communication/via REUTERS

A variante delta do coronavírus é um dos principais aceleradores da pandemia no mundo no momento, inclusive nos países onde a vacinação está avançada. Isso acontece, entre outros motivos, porque os indivíduos costumam confundir os sintomas da delta com os da gripe.

Especialistas de países com surto da variante delta ouvidos pelo G1 explicam por que é tão difícil distinguir os sintomas da doença.

"Você não consegue diferenciar a variante delta de uma gripe", explica David Straim, consultor do sistema de saúde britânico (NHS) e pesquisador da faculdade de medicina da Universidade de Exeter, no Reino Unido.

LEIA TAMBÉM:
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Variante delta: transmissão, mutações e o que se sabe sobre a B.1.617

Os especialistas do Reino Unido, David Straim, e da Índia, Rajib Dasgupta, explicam por que os sintomas da gripe da infecção por delta se confundem — Foto: Arquivo pessoal | Reprodução
Os especialistas do Reino Unido, David Straim, e da Índia, Rajib Dasgupta, explicam por que os sintomas da gripe da infecção por delta se confundem — Foto: Arquivo pessoal | Reprodução

Nessa reportagem, médicos da Índia, país onde a delta gerou uma segunda onda mortal de infecções neste ano, e do Reino Unido, onde a variante está associada a mais de 99% dos novos casos de Covid no país, respondem as seguintes perguntas:

  1. É possível distinguir uma gripe de infecção pela variante delta apenas pelos sintomas?
  2. Quais sintomas são comuns tanto em casos de gripe como de infecção pela variante delta do coronavírus?
  3. Os sintomas da delta se manifestam da mesma forma em todas as faixas etárias?
  4. Como saber se estou contaminado pela delta ou com gripe?
  5. O que devo fazer caso sinta algum dos sintomas?
  6. A delta é mais transmissível do que as outras variantes da Covid?
  7. Mesmo pessoas vacinadas podem ser contaminadas com a delta?
  8. Qual a taxa de eficácia das vacinas contra a delta?

A variante delta do coronavírus já foi detectada em pelo menos 124 países, segundo o mais recente boletim epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado nesta terça-feira (20).

No Brasil, ela foi identificada no final do mês de maio e já provocou cinco mortes. De acordo com o Ministério da Saúde, até o dia 20 deste mês a pasta já havia identificado e notificado 110 casos de delta no país.

Veja 5 pontos sobre a variante delta
Veja 5 pontos sobre a variante delta

1. É possível distinguir uma gripe de infecção pela variante delta apenas pelos sintomas?

Não. De acordo com Rajib Dasgupta, chefe do centro de medicina social da Universidade Jawaharlal Nehru, em Nova Delhi, não é possível distinguir a delta das demais variantes da Covid (alfa, beta e gama) ou mesmo de uma gripe comum apenas pelos sintomas.

"A delta não tem sintomas distintos e poderia ser relacionada a qualquer outra variante da Covid porque todas as infecções causadas pela Covid começam como uma doença viral leve", explica Dasgupta. 
2. Quais sintomas são comuns tanto em casos de gripe como de infecção pela variante delta do coronavírus?

David Straim, consultor do sistema de saúde britânico (NHS) e pesquisador da faculdade de medicina da Universidade de Exeter, no Reino Unido, explica que tanto a gripe quanto a fase inicial de infecção pela variante delta podem estar associadas aos seguintes sintomas: dor de cabeça, mal estar, coriza, dor de garganta e febre.

É #FAKE que variante Delta do novo coronavírus não provoca febre nem tosse
É #FAKE que variante Delta do novo coronavírus não provoca febre nem tosse

3. Os sintomas da delta se manifestam da mesma forma em todas as faixas etárias?

Não. Segundo especialistas, alguns dos sintomas que se tornaram característicos da Covid-19 não são tão frequentes na variante delta, principalmente entre a população mais jovem, como crianças, adolescentes e jovens adultos.

"Os adultos mais velhos ainda apresentam os mesmos sintomas, no entanto, as crianças não apresentam sintomas tão graves e podem apresentar outros sintomas como diarreia, coriza, febre e mal estar. A mesma doença pode causar sintomas diferentes em grupos de distintas idades", afirma Straim. 
4. Como saber se estou contaminado pela delta ou com gripe?

De acordo com os especialistas, a única maneira de ter a confirmação do diagnóstico é por meio de um teste PCR, que tem por objetivo identificar o material genético do vírus no corpo humano.

"A única maneira de sabermos com certeza se você tem Covid ou não é fazendo um teste PCR", afirma Straim.

Para a realização desse exame, um profissional coleta material da garganta e do nariz do paciente através de um swab – instrumento parecido com um cotonete – que, em seguida, é encaminhado a um laboratório de análises.

5. O que devo fazer caso sinta algum dos sintomas?

"Se você apresentar algum dos sintomas, deve fazer um teste de Covid. Se o resultado for positivo, você deve, obviamente, manter o isolamento social e informar todas as pessoas com quem manteve contato na última semana do seu diagnóstico para que elas fiquem em alerta", explica Straim.

Ainda segundo Straim, é possível que nem todas as pessoas com os sintomas listados estejam contaminadas com a delta, ainda mais considerando que no inverno muitos desses sintomas não comuns. Entretanto, é necessário realizar a testagem para controlar a disseminação da variante, que possui um potencial de contaminação muito maior ao das demais cepas e tem potencial para provocar uma nova crise.

Caso o invidíduo realize o teste e dê negativo, ele pode continuar com seus hábitos normalmente - desde que respeitando as recomendações sanitárias para impedir a disseminação o vírus.

6. A delta é mais transmissível do que as outras variantes da Covid?

Sim. A dificuldade em identificar a doença pelos seus sintomas característicos aumenta as chances de transmissão do vírus, principalmente no caso da delta que, assim como as outras variantes de preocupação (alfa, beta e gama), é mais transmissível do que a cepa original.

"A variante delta é muito mais transmissível do que as outras variantes e há estimativas que apontam que ela seja cerca de 30 a 50% mais transmissível do que a cepa original", afirma Dasgupta.

Em um artigo publicado na revista científica Eurosurveillance, pesquisadores ligados à OMS e ao Imperial College London apontaram que a delta foi a variante que teve o maior aumento na taxa de reprodução em relação ao coronavírus original.

Isso significa que, enquanto cada pessoa contaminada pela cepa original transmitia o vírus da Covid para cerca de 2,6 pessoas ao seu redor, cada pessoa infectada pela delta pode transmitir o vírus para cerca de 8 novos invidíduos.

Potencial de transmissão da variante delta — Foto: Guilherme Luiz Pinheiro/Arte G1
Potencial de transmissão da variante delta — Foto: Guilherme Luiz Pinheiro/Arte G1

7. Mesmo pessoas vacinadas podem ser contaminadas com a delta?

Sim. De acordo com os especialistas, a delta também é capaz de infectar pessoas que foram totalmente vacinadas, ou seja, que tomaram as duas doses da vacina.

"Aqueles imunizados com duas doses de vacina permanecem vulneráveis ​​à infecção pela variante delta, mas a taxa de mortalidade após a imunização completa permanece baixa", afirma Dasgupta.

Isso acontece porque a vacina não impede que a pessoa venha a contrair o vírus. O que as vacinas fazem é preparar o sistema imune para que, quando em contato com o agente infeccioso, a doença encontre resistência, reduzindo às chances de evoluir para casos graves ou mesmo levar à morte.

8. Qual a taxa de eficácia das vacinas contra a delta?

Um estudo publicado na quarta-feira (21) reforça a importância de receber a segunda dose da vacina contra a Covid-19. A pesquisa, assinada por pesquisadores do sistema de saúde do Reino Unido, da Universidade de Oxford e do Imperial College London, aponta que a eficácia da primeira dose das vacinas da Pfizer/BioNTech e da AstraZeneca é de 30,7% contra a variante delta — com uma variação de 25,2% a 35,7%.

Ao completar o ciclo das duas doses, de acordo com a pesquisa, as taxas dos dois imunizantes duplicam e, em alguns casos, quase triplicam contra a delta. No caso da AstraZeneca, a eficácia chega a 67%, com resultados entre 61,3% a 71,8%. No caso da Pfizer/BioNTech, o mesmo índice chega a 88%, com variação entre 85,3% a 90,1%.

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sexta-feira, 23 de julho de 2021

Drones na abertura das Olimpíadas de Tóquio: entenda como funciona a tecnologia

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Show teve 1.824 drones controlados remotamente por computador. Movidos a eletricidade, aparelhos têm 4 hélices para se manterem no ar.
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Por Rafael Miotto e Alessandro Feitosa Jr, G1

Postado em 23 de julho de 2021 às 13h50m


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A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos ocorreu nesta sexta (23) em Tóquio
A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos ocorreu nesta sexta (23) em Tóquio

A abertura das Olimpíadas de Tóquio teve como um dos destaques desenhos formados por drones no céu. No show foram 1.824 desses aparelhos utilizados.

Imagens em movimento foram sendo formadas por luzes, em uma apresentação sincronizada, que mostrou um enorme globo acima no estádio olímpico.
Drones formam globo durante a cerimônia de abertura das Olimpíadas — Foto: Andrej Isakovic/AFP
Drones formam globo durante a cerimônia de abertura das Olimpíadas — Foto: Andrej Isakovic/AFP

Entenda como funciona a tecnologia:

Quantos drones foram utilizados?

  • 1.824 drones com luzes de LED fizeram essa coreografia coordenada.
  • O recorde atual de voo simultâneo com drones é da marca de carros Genesis, ligada à Hyundai, que usou 3.281 deles para celebrar sua chegada à China, em 29 de março de 2021.
Como eles voam?

  • Cada um dos drones têm 4 hélices, e usam energia elétrica para se movimentar.
Como formam desenhos?

  • O primeiro passo é a criação da apresentação em 3D a partir de um programa de computador. Com esse software, a equipe gera uma prévia dos movimentos e garante que os equipamentos não vão bater uns nos outros.
  • Os drones calculam a trajetória necessária para fazer aquelas imagens, como a do globo, com base nesses comandos.
  • Um único computador pode ser responsável por controlar até milhares de drones, diz a fabricante dos aparelhos, a Intel.
A empresa diz ainda que estuda as áreas seguras para o voo, a posição dos espectadores e os melhores ângulos de visão para o show.
Drones encerram a abertura das Olimpíadas de Tóquio — Foto: Reprodução/Globo
Drones encerram a abertura das Olimpíadas de Tóquio — Foto: Reprodução/Globo

Quanto custa essa apresentação?

Os valores específicos do show em Tóquio não foram divulgados, mas apresentações como essa podem custar mais de US$ 300 mil.

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quinta-feira, 22 de julho de 2021

Incêndio florestal na Califórnia atravessa para Nevada nos EUA

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Por outro lado, a melhora no clima tem ajudado no combate ao maior incêndio do país, no Oregon.
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Por Associated Press

Postado em 22 de julho de 2021 às 10h35m


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Avião lança retardante de fogo para combater incêndio no sul do Oregon, nos Estados Unidos, em 17 de julho de 2021 — Foto: Comando de Incidente de Fogo Bootleg via AP
Avião lança retardante de fogo para combater incêndio no sul do Oregon, nos Estados Unidos, em 17 de julho de 2021 — Foto: Comando de Incidente de Fogo Bootleg via AP

Um incêndio florestal no norte da Califórnia atingiu o estado vizinho de Nevada, causando novas evacuações na costa leste dos Estados Unidos. Por outro lado, a melhora no clima tem ajudado no combate ao maior incêndio do país, no Oregon.

As chamas na Califórnia começaram no dia 4 em Tamarack, ao sul do Lago Tahoe, e já queimaram mais de 176 km².

A fumaça dos incêndios florestais que estão devastando a Costa Oeste cruzou o país e deixou o céu encoberto a mais de 4 mil km de distância, em Nova York, na Costa Leste (veja no vídeo abaixo).


Fumaça de incêndio florestal no Oregon, na Costa Oeste dos EUA, atinge Nova York
Fumaça de incêndio florestal no Oregon, na Costa Oeste dos EUA, atinge Nova York

Mais de 1,2 mil bombeiros lutam contra o fogo no condado de Alpine, na divisa entre Califórnia e Nevada, e as chamas já destruíram pelo menos 10 prédios, forçaram a evacuação de várias comunidades e fecharam partes da rodovia federal 395.

Autoridades emitiram um pedido de evacuação voluntária em partes do Condado de Douglas, em Nevada, e um centro foi instalado em Gardnerville para receber a população.

Maior incêndio do país

No Oregon, autoridades proibiram na quarta-feira (21) todas as fogueiras em terras e acampamentos estaduais a leste da rodovia interestadual 5, que é considerada a linha divisória entre a parte úmida no oeste do estado e a seca no leste.

Filhote de urso se agarra a árvore no sul do Oregon, em 18 de julho de 2021, em meio ao maior incêndio florestal dos Estados Unidos — Foto: Bryan Daniels/Bootleg Fire Incident Command via AP
Filhote de urso se agarra a árvore no sul do Oregon, em 18 de julho de 2021, em meio ao maior incêndio florestal dos Estados Unidos — Foto: Bryan Daniels/Bootleg Fire Incident Command via AP

O estado enfrenta o maior incêndio florestal do país, que já atingiu uma área de 1,6 mil km² (equivalente ao tamanho da cidade de São Paulo).

As chamas foram desencadeadas por um raio e devastaram a parte sul do Oregon e se expandiram a uma velocidade de até 6 km por dia, impulsionadas por ventos fortes e um clima extremamente seco que transformaram árvores e vegetações rasteiras em uma "caixa de fogo".

Os bombeiros tiveram que se retirar do local por 10 dias consecutivos, enquanto bolas de fogo saltavam de uma árvore para outra e as brasas iniciavam novas chamas. Nuvens monstruosas de fumaça e cinzas subiram a até 10 km no céu e se tornaram visíveis por mais de 161 km.

Imagem de satélite mostra a fumaça dos incêndios florestais no Oregon, em Idaho e no norte da Califórnia em 18 de julho de 2021. Condições extremamente secas e ondas de calor associadas às mudanças climáticas tornaram os incêndios florestais mais difíceis de combater nos Estados Unidos. — Foto: Maxar Technologies via AP
Imagem de satélite mostra a fumaça dos incêndios florestais no Oregon, em Idaho e no norte da Califórnia em 18 de julho de 2021. Condições extremamente secas e ondas de calor associadas às mudanças climáticas tornaram os incêndios florestais mais difíceis de combater nos Estados Unidos. — Foto: Maxar Technologies via AP

O incêndio está sendo combatido por mais de 2,2 mil pessoas e está cerca de um terço contido. Mas autoridades dizem que os ventos e as temperaturas menores agora estão permitindo que as equipes possam trabalhar.

Ao menos 2 mil casas foram evacuadas durante o incêndio e outras 5 mil estavam em áreas ameaçadas. Cerca de 70 casas e mais de 100 edifícios foram queimados, mas ninguém morreu.

As condições extremamente secas e as recentes ondas de calor associadas às mudanças climáticas tornaram os incêndios florestais mais difíceis de combater nos EUA.

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