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terça-feira, 20 de abril de 2021

Brasília, 61 anos: vídeos do Lago Paranoá mostram ruínas de vila de operários e ônibus submersos

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Série de reportagens em homenagem ao aniversário da capital federal trazem outros ângulos do lago que é cartão postal da cidade. Em 1959, barracos que pertenciam a operários na Vila Amaury foram inundados.
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Por Marília Marques, G1 DF

Postado em 20 de abril de 2021 às 09h20m


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Imagens subaquáticas mostram ônibus submerso no Lago Paranoá
Imagens subaquáticas mostram ônibus submerso no Lago Paranoá

Construída para servir como um acampamento provisório, a extinta Vila Amaury abrigou 16 mil operários da construção de Brasília. O local que, até o ano de 1959 acomodava bares, restaurantes e até um miniparque de diversões, foi submerso e, hoje, está debaixo do Lago Paranoá – cartão postal da capital federal.

Imagens subaquáticas do lago dão o tom da segunda reportagem especial da série do G1 sobre os 61 anos de Brasília, comemorados na quarta-feira (21). Um vídeo feito por uma equipe de mergulhadores (veja acima) mostra ruínas do local e até um ônibus submerso.

A gravação, realizada em 2017, foi cedida pelo Arquivo Público do Distrito Federal e faz parte de uma exposição virtual do órgão. Apesar de não haver precisão sobre como o veículo foi parar sob a água, mergulhadores afirmam que o ônibus é da década de 1980 e está a 27 metros de profundidade.

À época da inundação, os trabalhadores da vila foram informados que, quando a obra da barragem do Lago Paranoá fosse encerrada e as comportas fechadas, precisariam sair do acampamento. Apesar do acordo, houve resistência por parte das famílias.

Durante oito meses, em 1959, as águas avançaram mansas e lentas sobre a terra seca. Por isso, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) precisou ordenar que os habitantes deixassem a região. Segundo historiadores ouvidos pelo G1, "a água já atingia a altura dos joelhos das pessoas".

Imagens subaquáticas mostram ruínas da Vila Amaury e pertences submersos no Lago Paranoá
Imagens subaquáticas mostram ruínas da Vila Amaury e pertences submersos no Lago Paranoá

Foi neste contexto de apreensão que muitas famílias da Vila Amaury foram transferidas para Taguatinga, Gama e Sobradinho – região construída para abrigar esses moradores.

Como as comportas da barragem foram fechadas no período em que as chuvas começavam a ficar mais fortes, o lago encheu muito rapidamente, e não houve tempo para remover os barracos da vila e limpar a área que seria inundada. Por isso, 62 anos depois, ainda é possível encontrar ruínas das edificações, pertences e brinquedos da época submersos no Lago Paranoá.

Operários trabalham na construção do Lago Paranoá — Foto: Arquivo Público-DF/Divulgação
Operários trabalham na construção do Lago Paranoá — Foto: Arquivo Público-DF/Divulgação 

Vila Amaury

O nome da vila homenageia um funcionário da Novacap, Amaury Almeida – engenheiro que participava da obra de construção de Brasília. Na época, ele conduzia o movimento pró-moradia e era o responsável por organizar a chegada dos novos migrantes e alojá-los.

Se a vila ainda existisse, hoje estaria situada no declive aos fundos do Iate Clube de Brasília e do Grupamento de Fuzileiros Navais, na Asa Norte.

Construção das comportas do Lago Paranoá — Foto: Arquivo Público-DF/Divulgação
Construção das comportas do Lago Paranoá — Foto: Arquivo Público-DF/Divulgação 

O lago que nem sempre existiu

A construção da barragem do Lago Paranoá começou em 1957, sob responsabilidade da construtora americana Raymond Concrete Pile of the Americas. Porém, o constante atraso nas obras impedia a concretização da promessa de campanha, feita em 1955 pelo presidente Juscelino Kubitschek, de que a inauguração de Brasília ocorreria em abril de 1960.

Por isso, à época, Juscelino rescindiu o contrato e transferiu o comando da construção da barragem para a Novacap, que dividiu o trabalho com as construtoras Camargo Corrêa, Rabello e Engenharia Civil e Portuária.

Para Kubistchek, era inconcebível a inauguração da nova capital do país sem o lago, segundo relatos guardados no Arquivo Público do DF.

"Como inaugurar Brasília sem o lago tão amplamente anunciado e que, além do mais, seria a moldura líquida da cidade?"

Mergulhadores entram em ônibus submerso no Lago Paranoá — Foto: Arquivo Público do DF/Coleção Fluid/Divulgação
Mergulhadores entram em ônibus submerso no Lago Paranoá — Foto: Arquivo Público do DF/Coleção Fluid/Divulgação 

Assim, por entre as matas recortadas, um vale de vegetação torta se torna um imenso canteiro de obras, sendo desbravado por operários vindos de todos os cantos do Brasil e fazendo do Lago Paranoá, hoje, um local de diversão, esporte e afeto para muitos brasilienses.

Capivaras do Paranoá

As capivaras habitam as margens do Lago Paranoá desde 1970, segundo relatos que constam no Arquivo Público do DF.

Pesquisadores afirmam que, por serem animais generalistas e não estarem em risco de extinção, elas competem com o homem pelo uso do espaço. E por isso, no calor, as vizinhas de gramado não pensam duas vezes em aproveitar as piscinas de moradores da região da orla.

Ilhas do lago

Uma das três ilhas do Lago Paranoá, em Brasília — Foto: Arquivo Público-DF/Divulgação
Uma das três ilhas do Lago Paranoá, em Brasília — Foto: Arquivo Público-DF/Divulgação 

O Lago Paranoá possui três ilhas, que são chamadas de Paranoá, Retiro e dos Clubes.

A Ilha do Paranoá é a maior do arquipélago e mede 1,54 hectares, com cerca de 110 metros de largura, segundo documentos registrados no Arquivo Público. Fica situada nas proximidades dos trechos 4 e 5 do Setor de Mansões do Lago Norte.

A Ilha Retiro está localizada nas proximidades do trecho 7 do Setor de Mansões do Lago Norte e possui área de 1 hectare, com altitude de 1.004 metros, distante 85 metros da margem do Lago Paranoá.

A Ilha dos Clubes é a menor e possui cerca de 6 metros quadrados. Fica situada próximo à ponte JK. As ilhas Paranoá e Retiro são declaradas como reserva ecológica por uma lei distrital de 1997.

Ponte JK

Imagem aérea da ponte JK, em Brasília — Foto: Arquivo Público-DF/Divulgação
Imagem aérea da ponte JK, em Brasília — Foto: Arquivo Público-DF/Divulgação 

Inaugurada em 15 de dezembro de 2002, a ponte Juscelino Kubitschek – a ponte JK ou Terceira Ponte –, impressiona pela beleza e arquitetura monumental. A estrutura tem 1,2 km de extensão e é considerada um dos mais belos cartões postais da capital federal.

O projeto que deu forma à estrutura foi escolhido dentre os trabalhos apresentados no Concurso Nacional de Estudos Preliminares de Arquitetura, em dezembro de 1998.

A ponte foi projetada pelo arquiteto carioca Alexandre Chan, que recebeu em 2003, durante a International Bridge Conference, a medalha Gustav Lindenthal, pelas qualidades estéticas e harmonização ambiental.

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segunda-feira, 19 de abril de 2021

Helicóptero da Nasa faz primeiro voo em Marte

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Voo motorizado e controlado, 1º do tipo em outro planeta, ajudará a agência espacial americana a coletar dados sobre as condições no Planeta Vermelho. Tentativa de voo anterior, na semana passada, falhou.
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Por G1

Postado em 19 de abril de 2021 às 15h00m


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VÍDEO: Helicóptero da Nasa faz primeiro voo em Marte
VÍDEO: Helicóptero da Nasa faz primeiro voo em Marte

O mini-helicóptero Ingenuity, da Nasa, realizou, nesta segunda-feira (19), seu primeiro voo em Marte. Foi o primeiro voo motorizado e controlado em outro planeta, que ajudará a agência espacial americana a coletar dados sobre as condições no Planeta Vermelho.

O Ingenuity, que se assemelha a um drone, pesa 1,8kg e chegou a Marte dobrado e acoplado à parte inferior do Perseverance, robô da Nasa que pousou no planeta em fevereiro.

Engenheiros da agência espacial americana comemoraram o sucesso do voo. "O Ingenuity relata ter realizado aceleração, decolagem, voo, flutuação, descida, pouso, aterrissagem", foi o anúncio ouvido no Centro de Controle de Missão da Nasa.

Engenheiros da Nasa comemoraram o sucesso do primeiro voo do Ingenuity — Foto: Reprodução - NASA/JPL-Caltech/ASU/Handout via Reuters
Engenheiros da Nasa comemoraram o sucesso do primeiro voo do Ingenuity — Foto: Reprodução - NASA/JPL-Caltech/ASU/Handout via Reuters

"Dados do altímetro confirmam que o Ingenuity realizou o primeiro voo de um helicóptero motorizado em outro planeta", veio a informação.

Imagens da câmera de navegação a bordo do helicóptero da Nasa mostraram a sombra do Ingenuity flutuando sobre o Planeta Vermelho. Logo depois, imagens feitas pelo Perseverance também mostraram o Ingenuity voando.

Imagem de câmera a bordo do helicóptero da Nasa mostra Ingenuity flutuando sobre o Planeta Vermelho — Foto: Reprodução
Imagem de câmera a bordo do helicóptero da Nasa mostra Ingenuity flutuando sobre o Planeta Vermelho — Foto: Reprodução

"Agora podemos dizer que os seres humanos voaram em uma nave roteada em outro planeta", anunciou a gerente do projeto do Ingenuity, a engenheira MiMi Aung.

Imagem feita pelo robô Perseverance – que também está em Marte – mostra o Ingenuity voando sobre Marte. — Foto: Nasa/JPL-Caltech/ASU /Handout via Reuters
Imagem feita pelo robô Perseverance – que também está em Marte – mostra o Ingenuity voando sobre Marte. — Foto: Nasa/JPL-Caltech/ASU /Handout via Reuters

A primeira viagem do Ingenuity foi inicialmente marcada para o dia 12, mas teve que ser adiada após o surgimento de um potencial problema durante um teste de alta velocidade dos rotores.

A operação era altamente arriscada: o voo é um desafio porque o ar em Marte é muito rarefeito, com menos de 1% da pressão da atmosfera da Terra.

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Brasil é o país com mais mortes por Covid das Américas em relação à população

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País passou EUA, México e Peru em abril e agora é também o 13º com mais óbitos proporcionais do mundo. Em termos absolutos, Brasil é o 2º com mais vítimas do planeta.
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Por Lucas Sampaio, G1

Postado em 19 de abril de 2021 às 14h15m


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Familiares lamentam a morte de David Ferreira Gomes, que morreu devido a complicações relacionadas à Covid-19, durante enterro no cemitério Campo da Esperança, em Brasília, na sexta-feira (16) — Foto: Eraldo Peres/AP
Familiares lamentam a morte de David Ferreira Gomes, que morreu devido a complicações relacionadas à Covid-19, durante enterro no cemitério Campo da Esperança, em Brasília, na sexta-feira (16) — Foto: Eraldo Peres/AP

O Brasil passou Estados Unidos, México e Peru nas últimas semanas e se tornou o país com mais mortes por Covid-19 do continente americano em relação à sua população, apontam dados do "Our World in Data".

Em termos absolutos, os EUA são o país com mais vítimas da Covid-19 do mundo (567 mil), seguido de Brasil (373 mil) e México (212 mil).

O Brasil tem atualmente 1.756 óbitos por milhão de habitantes e passou o México no dia 7 de abril, o Peru no dia 13 e os EUA no dia 14.

Os 10 países com mais óbitos proporcionais das Américas são:

  1. Brasil: 1.756 mortes a cada 1 milhão de habitantes
  2. Peru: 1.722
  3. EUA: 1.731
  4. México: 1.646
  5. Panamá: 1.434
  6. Colômbia: 1.342
  7. Chile: 1.317
  8. Argentina: 1.310
  9. Bolívia: 1.083
  10. Equador: 1.003

Até começo de fevereiro, quando registrava cerca de 1 mil mortes por dia (um terço do que registra atualmente), o Brasil era o 7º do continente óbitos proporcionais. Além de EUA, México e Peru, o país também estava atrás de Panamá, Colômbia e Argentina.

O país tinha também uma média de novas vítimas da Covid-19 em relação à sua população inferior à de EUA, México e Peru.

Com a escalada de mortes no país, que chegou a passar de 4,2 mil em um único dia, o Brasil viu a média de mortes passar de cerca de 5 vítimas do novo coronavírus a cada 1 milhão por dia em meados de fevereiro para cerca de 13 atualmente.

Agora, além de liderar a triste marca nas Américas, o Brasil é também o 13º país com mais mortes proporcionais do mundo.

Os 20 países com mais óbitos proporcionais do mundo são:

  1. República Tcheca: 2.654
  2. Hungria: 2.606
  3. San Marino: 2.563
  4. Bósnia e Herzegovina: 2.373
  5. Montenegro: 2.275
  6. Bulgária: 2.186
  7. Macedônia do Norte: 2.132
  8. Bélgica: 2.048
  9. Eslováquia: 2.034
  10. Eslovênia: 2.000
  11. Itália: 1.933
  12. Reino Unido: 1.878
  13. Brasil: 1.756
  14. Peru: 1.722
  15. Estados Unidos: 1.713
  16. Portugal: 1.661
  17. México: 1.646
  18. Espanha: 1.646
  19. Polônia: 1.639
  20. Croácia: 1.598

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domingo, 18 de abril de 2021

'Elite poluidora': ricos do mundo precisam reduzir consumo para conter mudanças climáticas, diz grupo científico

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Estilo de vida de altas emissões – com carros e casas grandes, e múltiplas viagens de avião – faz com que o 1% mais rico produza o dobro do carbono que os 50% mais pobres do mundo juntos.
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TOPO
Por Roger Harrabin, BBC

Postado em 18 de abril de 2021 às 12h00m


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Estilo de vida dos mais ricos inclui muitos voos de avião e carros grandes - resultando em uma emissão de carbono muito maior do que a população mais pobre — Foto: PA Media/BBC
Estilo de vida dos mais ricos inclui muitos voos de avião e carros grandes - resultando em uma emissão de carbono muito maior do que a população mais pobre — Foto: PA Media/BBC

O 1% mais rico da humanidade produz o dobro das emissões de carbono dos 50% mais pobres do mundo juntos e, por isso, precisa mudar radicalmente seu estilo de vida para ajudar no combate às mudanças climáticas, aponta um relatório britânico publicado na última semana.

Um grupo um pouco maior, o dos 5% mais ricos do mundo – a chamada "elite poluidora" –, contribuiu com mais de um terço (37%) do crescimento das emissões de carbono entre 1990 e 2015.

Por conta disso, os autores do relatório defendem reduções drásticas no "excesso de consumismo", desde evitar o uso de veículos utilitários esportivos (SUV) poluidores até redução nas múltiplas viagens aéreas em voos comerciais ou jatos particulares.

O relatório é da Comissão de Cambridge para Mudanças Comportamentais de Escala, um painel de 31 pesquisadores que estudam comportamento humano relacionado ao meio ambiente e que se dedicam a encontrar formas eficientes de escalonar iniciativas que combatam a emissão de carbono.

Críticos dessas conclusões afirmam que a melhor forma de conter as emissões de carbono é por melhorias tecnológicas, em vez de por medidas impopulares.

Mas o principal autor do estudo, Peter Newell, professor da Universidade de Sussex (Reino Unido), afirmou à BBC News que, embora seja "totalmente a favor de melhorias tecnológicas e produtos mais eficientes, está claro que será necessária uma ação mais drástica, porque as emissões (de carbono) continuam subindo".

Carros utilitários não só consomem muito mais combustível, como exigem muito mais emissões para serem fabricados — Foto: Getty Images/BBC
Carros utilitários não só consomem muito mais combustível, como exigem muito mais emissões para serem fabricados — Foto: Getty Images/BBC

"Temos de conter o excesso de consumo, e o melhor lugar para começar é com o excesso de consumo entre as elites poluidoras, que contribuem com muito mais de o que lhes caberia nas emissões de carbono", agregou.

Essas são as pessoas que mais viajam de avião, dirigem os carros maiores, vivem nas maiores casas, para as quais podem facilmente pagar o aquecimento, então não tendem a se preocupar muito quanto a se essas casas são bem isoladas (termicamente) ou não. E também são as pessoas que poderiam adquirir um bom isolamento térmico e painéis solares, se quisessem."

Newell afirmou que, para enfrentar o aquecimento global, todas as pessoas precisam se sentir parte de um esforço coletivo – o que significa que os ricos precisam consumir menos e dar o exemplo aos mais pobres.

"Ricos que viajam muito de avião podem achar que compensam suas emissões com projetos de plantio de árvores, para capturar o carbono do ar. Mas esses projetos são altamente contenciosos e não têm comprovação a longo prazo. [Os mais ricos] precisam simplesmente viajar menos de avião e dirigir menos. Mesmo que eles tenham um carro utilitário elétrico, ele ainda é um dreno ao sistema de de energia, e há todas as emissões emitidas na construção do veículo", prossegue o pesquisador.

Em resposta, Sam Hall, da Rede Ambiental Conservadora, afirmou que "é importante enfatizar a importância da igualdade [nos cortes de emissões] – e políticas podem facilitar que pessoas e negócios se tornem mais ambientalmente corretos por meio de incentivos e regulação direcionada. Mas encorajar tecnologias limpas é provavelmente mais eficiente e tem mais chance de conquistar consenso entre o público do que penalidades ou restrições ao estilo de vida".

No entanto, Newell argumenta que as estruturas políticas atuais permitem aos mais ricos fazer lobby contra mudanças necessárias na sociedade que possam interferir em seu estilo de vida.

Um exemplo recente é o da Assembleia do Clima do Reino Unido, iniciativa que propôs uma série de medidas para conter comportamentos de alta emissão de carbono – como desincentivos ao alto consumo de carne vermelha e derivados de leite, veto a utilitários poluidores e taxas a viajantes aéreos frequentes.

Um empecilho citado pela Secretaria do Tesouro britânica é que, para taxar viajantes frequentes, seria necessário que o governo coletasse e armazenasse dados pessoais dos passageiros, abrindo debates em torno da privacidade.

Mas, para a comissão de Cambridge, só será possível alcançar as metas do Acordo Climático de Paris com "mudanças radicais em estilos de vida e em comportamentos, especialmente entre os membros mais ricos da sociedade".

"Para haver mudanças na velocidade e na escala exigidas para o cumprimento das metas, precisamos encolher e dividir: reduzir o carbono e distribuir [a riqueza] mais igualmente".

O relatório é o mais recente dentro de um amplo debate em torno de o que significa ser "justo" no âmbito do combate às mudanças climáticas.

Países mais pobres, como a Índia, costumam argumentar que deveriam poder aumentar sua poluição, uma vez que sua emissão de carbono per capita é menor do que a de países ricos.

Essas questões são parte da intrincada negociação que fará parte da conferência climática marcada para a semana que vem e organizada pelo presidente americano, Joe Biden. E também da conferência COP, que será em novembro no Reino Unido.

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sábado, 17 de abril de 2021

Mundo chega a 3 milhões de mortes por Covid com piora da pandemia na América do Sul

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Foram registradas 1 milhão de óbitos em apenas 93 dias. Puxada pelo Brasil, região passou a Europa e é a que mais tem novas vítimas do novo coronavírus.
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Por Lucas Sampaio, G1

Postado em 17 de abril de 2021 às 09h35m


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Corpo de mulher que morreu por complicações relacionadas à Covid-19 é colocado em nicho por funcionários e parentes no cemitério de Inahuma, no Rio de Janeiro, em 13 de abril de 2021 — Foto: Silvia Izquierdo/AP
Corpo de mulher que morreu por complicações relacionadas à Covid-19 é colocado em nicho por funcionários e parentes no cemitério de Inahuma, no Rio de Janeiro, em 13 de abril de 2021 — Foto: Silvia Izquierdo/AP

O mundo chegou neste sábado (17) à triste marca de 3 milhões de mortes causadas pela Covid-19, em meio à piora da pandemia na América do Sul, principalmente por causa do Brasil, e também pela aceleração no número de óbitos na Ásia.

Foram 263 dias para atingir o primeiro milhão de vítimas da Covid, 108 dias para chegar aos 2 milhões de óbitos e apenas 93 dias para registrar mais um milhão de vítimas. Os números são do "Our World in Data", projeto ligado à Universidade de Oxford, e da Universidade Johns Hopkins.

A primeira morte causada pelo novo coronavírus (um homem de 61 anos com uma "misteriosa pneumonia viral") foi registrada oficialmente em 9 de janeiro de 2020 em Wuhan, na China, e desde então o vírus se espalhou pelo mundo.

O primeiro milhão de mortes foi marcado por uma forte onda na Europa, entre março e abril, que assustou o mundo e levou os países a adotarem severas medidas de restrição e a diminuir o impacto da proliferação do vírus.

O segundo milhão de vítimas foi marcado por uma aceleração constante no número de óbitos na Europa, impulsionada pela variante britânica no Reino Unido a partir de dezembro, e também nos EUA, o que levou o mundo a atingir o recorde de mortes diárias.

Já o terceiro milhão foi marcado por uma forte queda no número de mortes tanto nos EUA (com a aceleração da vacinação) quanto na Europa (após meses de pesadas medidas de restrição). Ao mesmo tempo, os óbitos começaram a crescer na América do Sul e na Ásia a partir de março.

Com 5,5% da população mundial, a América do Sul concentra atualmente cerca de um terço das novas vítimas do novo coronavírus do planeta. O Brasil tem cerca de 2,7% dos habitantes do mundo e é responsável por cerca de um quarto de todas as novas mortes (veja mais abaixo).

O mundo tem registrado cerca de 11,8 mil mortes causadas pelo novo coronavírus por dia, ainda abaixo do pico de 14,4 mil atingido em 26 de janeiro deste ano.

Além disso, tem registrado uma média de quase 750 mil casos confirmados por dia (eram menos de 360 mil em 20 de fevereiro), e com isso já são quase 140 milhões de infectados pelo novo coronavírus.

Regiões e países mais afetados

A Europa ainda é a região mais afetada pela pandemia (em números absolutos), com quase um milhão de mortes por Covid-19, seguida pela América do Norte e América do Sul.

  1. Europa: 972 mil (32,3% do total de óbitos do mundo)
  2. América do Norte: 830 mil (27,6%)
  3. América do Sul: 615 mil (20,4%)
  4. Ásia: 461 mil (15,3%)
  5. África: 117 mil (3,9%)
  6. Oceania: 1 mil (0,03%)
3 milhões de mortes por Covid-19 — Foto: Guilherme Luiz Pinheiro/G1
3 milhões de mortes por Covid-19 — Foto: Guilherme Luiz Pinheiro/G1

Entre os dez países com mais mortes, 5 são da Europa (Reino Unido, Itália, França, Alemanha e Espanha), 2 são da América do Norte (EUA e México), 2 são da Ásia (Índia e Rússia) e 1 é da América do Sul (Brasil):

  1. Estados Unidos: 566 mil
  2. Brasil: 368 mil
  3. México: 211 mil
  4. Índia: 175 mil
  5. Reino Unido: 127 mil
  6. Itália: 116 mil
  7. Rússia: 103 mil
  8. França: 100 mil
  9. Alemanha: 79 mil
  10. Espanha: 76 mil

Região mais populosa do mundo, com 59,6% dos habitantes do planeta, a Ásia tem apenas 15,3% dos óbitos, mas está passando por uma aceleração no número de mortes. O número de vítimas saltou de uma média de 900 por dia no começo de março para mais de 2,3 mil atualmente.

A África tem menos de 4% das mortes por Covid-19 confirmadas e a Oceania, região menos afetada pelo vírus, tem pouco mais de 1 mil mortes desde o início da pandemia.

Mundo chega a 3 milhões de mortes por Covid-19

Região Mortes % do total População % do total Mortes por 1 milhão
Mundo 3 milhões 100% 7,79 bilhões 100% 383
Europa 968 mil 32,3% 749 milhões 9,6% 1.294
América do Norte 829 mil 27,6% 592 milhões 7,6% 1.400
América do Sul 611 mil 20,4% 431 milhões 5,5% 1.419
Ásia 458 mil 15,3% 4,64 bilhões 59,6% 99
África 117 mil 3,9% 1,34 bilhão 17,2% 87
Oceania 1 mil 0,03% 42,7 milhões 0,05% 24

Apesar de serem as regiões mais afetadas (em número absolutos), Europa e América do Norte viram o número de óbitos recuarem desde o pico registrado em janeiro. Enquanto isso, a América do Sul, puxada pelo Brasil, se transformou na região na mais letal da pandemia.

O número diário de vítimas na Europa caiu de uma média de 5,6 mil por dia no fim de janeiro para cerca de 3,6 mil atualmente. O da América do Norte despencou de 4,9 mil para 1,5 mil na mesma base de comparação.

Escalada de mortes na América do Sul

No sentido contrário, o número diário de mortes na América do Sul disparou de 1,7 mil no meio de fevereiro para mais de 4,2 mil atualmente, em apenas dois meses. O Brasil é responsável por mais de 70% dos novos óbitos registrados na região.

Trabalhadores colocam caixões em carro funerário em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19) no Brasil em 9 de abril de 2021 — Foto: Pilar Olivares/Reuters
Trabalhadores colocam caixões em carro funerário em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19) no Brasil em 9 de abril de 2021 — Foto: Pilar Olivares/Reuters

Com a escalada da pandemia no Brasil, a região concentra atualmente cerca de um terço das novas vítimas da Covid-19 do mundo e o país, um quarto. Sendo que a América do Sul tem apenas 5,5% da população mundial e o Brasil, cerca de 2,7%.

Em termos proporcionais, a América do Sul é a mais afetada do mundo, com 1.419 mortes a cada 1 milhão de habitantes. Em seguida vêm América do Norte (1.400) e Europa (1.294). Ásia (99 mortes por milhão), África (87) e Oceania (24) estão em situação bem melhor.

A Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), que é o braço da OMS nas Américas, alertou que a situação da pandemia na América do Sul é a que mais preocupa no mundo (veja no vídeo abaixo).

Situação da Covid na América do Sul é a que mais preocupa no mundo, diz Opas
Situação da Covid na América do Sul é a que mais preocupa no mundo, diz Opas

Na quarta-feira (14), a diretora-geral da Opas, Carissa Etienne, afirmou que as Américas — não só a do Sul — não estão se comportando como um continente que vive um surto cada vez mais grave.

"Variantes altamente transmissíveis estão se espalhando e as medidas de distanciamento social não são tão estritamente observadas como antes", afirmou Etienne.

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