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sexta-feira, 19 de março de 2021

Brasil completa 2 semanas como o país com mais mortes diárias por Covid no mundo

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País ultrapassou os EUA no dia 5 e, desde terça, superou a União Europeia e a América do Norte em nº de novas vítimas. Brasil também se tornou a nação com mais novos casos no mundo.
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Por Lucas Sampaio, G1

Postado em 19 de março de 2021 às 12h00m


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Pacientes internados com Covid-19 no hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, durante a pandemia do novo coronavírus no Brasil. Foto de 11 de março de 2021 — Foto: Diego Vara/Reuters
Pacientes internados com Covid-19 no hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, durante a pandemia do novo coronavírus no Brasil. Foto de 11 de março de 2021 — Foto: Diego Vara/Reuters

O Brasil completou nesta sexta-feira (19) duas semanas como o país com mais mortes diárias por Covid-19 no mundo, apontam dados do Our World in Data, que é ligado à Universidade de Oxford.

O país ultrapassou os Estados Unidos na sexta-feira (5), quando registrou 1,8 mil novos óbitos (contra 1.763 dos EUA). Desde então, a diferença só aumentou (veja no gráfico abaixo).

Com o agravamento da pandemia no Brasil, desde terça-feira (16) o país também registra mais mortes diárias por Covid-19 do que a União Europeia (UE) inteira e também a América do Norte.

Número de novas mortes por Covid-19 no mundo

Fonte: Our World in Data

Em número de infectados, o Brasil se tornou também na terça o país com mais casos diários no mundo (83.926, contra 53.579 dos EUA), segundo o Our World in Data.

O Brasil tem menos de 3% da população mundial e, hoje, é responsável por 22% de todas as novas mortes e 16% de todos os novos casos de Covid-19 registrados no mundo.

O Brasil tem registrado mais mortes mesmo com uma população menor que a dos EUA (209 milhões contra 328 milhões) e da União Europeia (447 milhões).

O bloco europeu é uma união política e econômica de 27 países, entre eles Alemanha, França e Itália, que enfrenta uma terceira onda de Covid-19.

Ranking proporcional

No ranking proporcional, o Brasil é o 7º com mais mortes diárias na última semana (9,8 óbitos a cada 1 milhão de habitantes), atrás apenas de países da Europa Central e dos Bálcãs.

Lideram o ranking: República Tcheca (19,9), Hungria (16,7), Eslováquia (14,9), Bulgária (14,8), Montenegro (14,7) e Bósnia e Herzegovina (13,8). Os quatro primeiros fazem parte da UE.

Nesta quinta-feira (18), o diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Europa, Hans Klugee, alertou que os novos casos, hospitalizações e mortes na Europa Central e nos Bálcãs estão entre os maiores do mundo.

Vacinação

A escalada da pandemia no Brasil ocorre em meio à falta coordenação para adotar protocolos que diminuam a mortalidade nos hospitais e a curva de contágio, além da escassez de vacinas.

Os EUA têm visto seu número de casos e mortes caírem desde janeiro, em cenário de aceleração da vacinação no país, que já aplicou 115 milhões de vacinas contra a Covid.

O país é responsável por cerca 28% de todas doses administradas no mundo e, mesmo com uma grande população, é o 10º no ranking proporcional (34 doses aplicadas a cada 100 habitantes).

Israel (111) e Reino Unido (40), também têm registrado forte redução no número de casos e mortes com um rápido ritmo de vacinação e a adoção de medidas duras de restrição por várias semanas.

O Brasil é o quinto em doses aplicadas (13 milhões), mas é apenas o 58º no ranking proporcional de vacinação, que leva em conta o total da população, e o 62º no ritmo de imunização.

A UE também tem sofrido com uma vacinação lenta e escassez de vacinas, mas sua taxa de vacinação em relação à população (12,3 doses aplicadas a cada 100 habitantes) é o dobro da registrada no Brasil (6,1).

Vacinas contra Covid aplicadas a cada 100 habitantes

Fonte: Our World in Data

Segundo a Bloomberg, que tem um serviço para rastrear a aplicação de vacinas contra a Covid-19 em todo o mundo, os países estão aplicando uma média de quase 10 milhões doses por dia.

No atual ritmo (2,5 milhões de doses por dia), os EUA devem atingir 75% da população imunizada em 5 meses, a mesma previsão do Reino Unido. Israel deve levar mais 2 meses e a UE, 16.

o Brasil tem aplicado uma média de 357 mil doses por dia e, na atual velocidade de vacinação, deve imunizar 75% da população daqui a 2,3 anos, segundo a Bloomberg.

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quinta-feira, 18 de março de 2021

Nasa completa teste de foguete que pode levar os humanos de volta à Lua

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Teste de fogo e calor do núcleo do foguete SLS teve duração de oito minutos, para simular um lançamento e disparar os motores. Agência pretende levar astronautas à Lua até 2024, mas programa está três anos atrasado e com o orçamento estourado em quase US$ 3 bilhões; último homem a pisar na Lua foi Eugene Cernan, em dezembro de 1972.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 18 de março de 2021 às 23h20m


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Nasa completa teste de foguete que pode levar os humanos de volta à Lua
Nasa completa teste de foguete que pode levar os humanos de volta à Lua

A Nasa finalizou nesta quinta-feira (18) um teste de oito minutos dos motores de um foguete construído pela Boeing para as missões Artemis, que têm o objetivo de levar de volta astronautas à Lua até 2024, mais de meio século depois da última caminhada lunar.

A Nasa conduziu teste de fogo e calor do núcleo do foguete Sistema de Lançamento Espacial (SLS, na sigla em inglês) para simular um lançamento e disparar os motores enquanto o veículo estava ancorado em uma torre no Centro Espacial Stennis, no Estado norte-americano do Mississippi.

Os quatro motores RS-25 rugiram e se acenderam pelo tempo de duração do teste e preencheram os arredores e o céu com nuvens de fumaça branca. Depois que os motores foram desligados, foi possível escutar os funcionários da Nasa aplaudindo na transmissão ao vivo em vídeo.

Imagem retirada de vídeo divulgado pela NASA mostra trecho de teste de fogo e calor do núcleo do foguete Sistema de Lançamento Espacial (SLS, na sigla em inglês), no Stennis Space Center, em Mississippi, na quinta-feira (18) — Foto: NASA via AP
Imagem retirada de vídeo divulgado pela NASA mostra trecho de teste de fogo e calor do núcleo do foguete Sistema de Lançamento Espacial (SLS, na sigla em inglês), no Stennis Space Center, em Mississippi, na quinta-feira (18) — Foto: NASA via AP

Um teste anterior em janeiro foi encerrado após cerca de um minuto - tempo muito inferior aos quatro minutos necessários para que os engenheiros coletassem dados suficientes.

A Nasa almeja levar novamente os astronautas norte-americanos até a Lua até 2024, mas o programa SLS está três anos atrasado e com o orçamento estourado em quase US$ 3 bilhões. O último astronauta a caminhar na Lua foi Eugene Cernan, em dezembro de 1972.

O Sistema de Lançamento Espacial deve ir agora ao Centro Espacial Kennedy, na Flórida, para integração com a espaçonave Orion, da Lockheed Martin Corp.

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Mundo ultrapassa 400 milhões de doses de vacinas aplicadas

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Brasil é o 5º país que mais aplicou vacinas contra Covid-19, mas o 58º no ranking proporcional à população e o 62º em velocidade de aplicação das doses. EUA, Israel e Chile se destacam.
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Por G1

Postado em 18 de março de 2021 às 11h00m


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Chilenas mostram seus cartões de vacinação atualizados após receberem a 2ª dose da CoronaVac em asilo em Santiago, no Chile, no dia 5. Entre elas, sentado, está o Ministro da Saúde do país, Enrique Paris  — Foto: Esteban Felix/AP
Chilenas mostram seus cartões de vacinação atualizados após receberem a 2ª dose da CoronaVac em asilo em Santiago, no Chile, no dia 5. Entre elas, sentado, está o Ministro da Saúde do país, Enrique Paris — Foto: Esteban Felix/AP

O mundo ultrapassou a marca de 400 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 aplicadas, apontam dados do "Our World in Data" nesta quinta-feira (18).

Os países que mais se destacam são Estados Unidos, Israel e Chile. Os EUA são o país com mais doses aplicadas, Israel já administrou mais doses do que a população do país e o Chile é quem tem o maior ritmo de vacinação do planeta (veja os detalhes abaixo).

Os Estados Unidos lideram a corrida pela imunização em números absolutos, com 113 milhões de doses aplicadas. Na sequência vêm China (65 milhões), Índia (37 milhões), Reino Unido (27 milhões) e Brasil (12,6 milhões).

Completam o top 10: Turquia (12,1 milhões), Alemanha (9,8 milhões), Israel (9,5 milhões), Rússia (7,8 milhões) e Chile (7,7 milhões).

Doses de vacinas contra Covid aplicadas
Fonte: Our World in Data 

Apesar de ocupar a 5ª posição em total de doses aplicadas, o Brasil é apenas o 58º no ranking proporcional de vacinação, que leva em conta o total da população, e o 62º no ritmo de imunização.
Ranking proporcional

O Brasil aplicou 5,9 doses a cada 100 habitantes até o momento, patamar semelhante ao de República Dominicana (6,2), Panamá (6,1), Argentina (5,9) e Letônia (5,3).

Israel segue na liderança do ranking proporcional, com (110) vacinas aplicadas a cada 100 habitantes.

O país tem mais vacinas aplicadas do que habitantes porque cada pessoa precisa receber duas doses dos imunizantes (com exceção da vacina da Johnson & Johnson, que é dose única).

Completam o top 5 proporcional: Ilhas Seychelles (91 doses a cada 100 habitantes), Emirados Árabes Unidos (69), Chile (40) e Reino Unido (39).

Os EUA, que lideram em doses aplicadas, são o 10º país no ranking proporcional à população (33 doses a cada 100 habitantes).

Vacinas contra Covid aplicadas a cada 100 habitantes

Fonte: Our World in Data

Velocidade da vacinação

O Our World in Data, ligado à Universidade de Oxford, também acompanha o ritmo da vacinação nos países, medido pelo número de doses aplicadas por dia em relação à população.

Neste ranking o Brasil ocupa a 62ª posição, com 0,16 vacinas aplicadas por dia a cada 100 habitantes. O ritmo é semelhante ao de Croácia (0,18), Panamá (0,17) e Colômbia, México e Groelândia (0,14 cada um).

O país que proporcionalmente mais tem aplicado vacinas por dia é o Chile, com 1,51 dose aplicada por dia a cada 100 habitantes, quase dez vezes mais rápido que o Brasil.

Se destacam no top 10 também Israel (0,85), que ocupa a sétima posição, e os EUA (0,74), que estão em décimo.

Ritmo de vacinação em relação à população

Fonte: Our World in Data

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quarta-feira, 17 de março de 2021

Cientistas desenvolvem embriões de camundongos em útero mecânico

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Pesquisa com os resultados foi publicada nesta quarta (17) na revista científica 'Nature', uma das mais importantes do mundo.
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Por G1

Postado em 17 de março de 2021 às 17h30m


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Cientistas de Israel desenvolvem embriões de camundongos em útero mecânico
Cientistas de Israel desenvolvem embriões de camundongos em útero mecânico

Pela primeira vez, cientistas conseguiram fazer com que embriões de camundongos se desenvolvessem por um tempo relativamente longo fora do útero da mãe, em um útero mecânico. Os resultados da pesquisa, feita em Israel, foram publicados nesta quarta-feira (17) na revista científica "Nature", uma das mais importantes do mundo.

Uma gestação de camundongo dura cerca de 20 dias. No experimento, os camundongos foram concebidos naturalmente e ficaram no útero da mãe por 5 dias, quando foram retirados e colocados no útero mecânico – onde passaram mais 6 dias, até morrerem.

Segundo os pesquisadores, do Instituto Weizmann de Ciência, 20km ao sul de Tel Aviv, este foi o ponto da gestação em que a oxigenação ficou insuficiente. Além disso, o fluxo sanguíneo para os bichinhos passou a ser imprescindível – e, no útero mecânico, isso não existia. Cerca de 77% dos embriões sobreviveram após o quarto dia no útero mecânico.

"Após 4 dias, os embriões começam a apresentar anormalidades e morrem rapidamente durante a noite", dizem os cientistas.

Os pesquisadores constataram que, até esta etapa, os camundongos estavam se desenvolvendo normalmente, de forma compatível com embriões em um útero animal.

Cientistas desenvolvem embriões de camundongos em útero mecânico — Foto: Nature/Divulgação
Cientistas desenvolvem embriões de camundongos em útero mecânico — Foto: Nature/Divulgação

Possibilidades

Os cientistas queriam descobrir, ao colocar os embriões no útero mecânico, o que acontecia exatamente após a implantação deles no útero. Nessa etapa, as células dos embriões vão se diferenciando para formar tecidos e órgãos.

A sequência desses eventos em um determinado período de desenvolvimento do embrião, entretanto, ainda precisa ser totalmente entendida – e continua sendo difícil de manipular.

Um dos desafios era descobrir quais eram as condições ideais – de oxigenação e nutrição, por exemplo – que permitiriam aos embriões se desenvolver fora do útero da mãe camundongo. No experimento, os cientistas israelenses modularam as quantidades de oxigênio, gás carbônico e, ainda, pressão atmosférica para os embriões dentro do útero mecânico.

"Uma vantagem que esta plataforma de cultura fora do útero oferece é a capacidade de aplicar manipulações em embriões de camundongo pós-implantados e acompanhar o resultado nos mesmos embriões após vários dias de desenvolvimento", pontuaram os pesquisadores.

Ao discutirem os resultados da pesquisa, os cientistas avaliaram que "a capacidade de remover um embrião de mamífero do ambiente uterino e cultivá-lo normalmente em condições controladas constitui uma ferramenta poderosa" para caracterizar o efeito de perturbações no desenvolvimento embrionário.

Para eles, a pesquisa "prepara o terreno para a expansão da pesquisa com embriões sintéticos a partir de embriões agregados de células-tronco e de diferentes espécies de mamíferos".

Resultado 'espetacular'

Em entrevistas à revista científica "Science" e ao jornal americano "The New York Times", pesquisadores que não participaram do estudo classificaram o resultado como "espetacular" e "notável".

Parece muito espetacular, disse o biólogo Alexander Meissner, do Instituto Max Planck de Genética Molecular, em Berlim, na Alemanha, à revista "Science". O fato de [os pesquisadores] poderem cultivar esses embriões e mantê-los vivos por tanto tempo – é incrível.

Antes, de acordo com a reportagem, o máximo de tempo que os embriões podiam ser mantidos fora do útero animal era de 3 ou 4 dias.

A cientista Magdalena Zernicka-Goetz, bióloga do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), disse que o resultado abre novas portas para um estudo detalhado do desenvolvimento embrionário."Dará uma grande contribuição para o campo, que certamente planejamos explorar, afirmou Zernicka-Goetz.

Ao jornal "The New York Times", o biólogo Paul Tesar, da Universidade Case Western Reserve, no estado de Ohio, afirmou que o estudo é uma "conquista notável".

O Santo Graal da biologia do desenvolvimento é entender como uma única célula, um óvulo fertilizado, pode fazer todos os tipos específicos de células no corpo humano e se transformar em 40 trilhões de células, disse o Dr. Tesar. Desde o início dos tempos, os pesquisadores vêm tentando desenvolver maneiras de responder a essa pergunta", afirmou.

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De onde vem o que eu como: Brasil já faz hambúrguer, linguiça e até bolinho de 'siri' com plantas e grãos

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Consumidores 'flexitarianos' estão impulsionando este mercado ao diminuir a ingestão de proteína animal. Indústria de carne vegetal se prepara, agora, para tentar formular pedaços inteiros à base plantas, como filés e picanhas. Baixar o preço é outro desafio.
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Por Paula Salati*, G1

Postado em 17 de março de 2021 às 10h00m


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Hamburguer vegetal da empresa americana Beyond Meat — Foto: The Good Food Institute
Hamburguer vegetal da empresa americana Beyond Meat — Foto: The Good Food Institute

Com plantas e grãos, o Brasil e o mundo têm produzido carnes vegetais que procuram se assemelhar à animal em sabor, cor e textura. A lista está ficando cada vez mais variada: dos conhecidos hambúrgueres a almôndegas, carnes moídas, linguiça, nuggets e até bolinho de "siri" estão disponíveis em alguns mercados do país.

Especialistas consultados pelo G1 dizem que um dos grandes desafios, neste momento, é tentar entregar ao consumidor brasileiro pedaços inteiros de carne vegetal, como se fossem um bife, uma picanha, um filé de peixe.

Outra tarefa é tornar esses produtos mais baratos: uma caixa de hambúrguer comum, com 672 gramas, por exemplo, sai por R$ 27 em uma grande rede de supermercados. A embalagem de 230g do produto feito com plantas custa R$ 19.

Uma das apostas para reduzir o preço é utilizar mais ingredientes nacionais na produção. O Brasil importa, por exemplo, 100% da lentilha e a maior parte do grão-de-bico e da ervilha, segundo o Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe).

Junto com o feijão, esses alimentos são, geralmente, a base proteica da carne vegetal e fazem parte de um grupo chamado pulses (sopa grossa), que são as leguminosas altamente ricas em proteínas e fibras.

Outra base da carne vegetal é a soja que, apesar de ser o maior produto de exportação do Brasil, ainda é processada em outros países. É um mercado, portanto, que pode ser melhor aproveitado pelo agronegócio do Brasil.

Mercado de carne vegetal quer se aproximar à experiência da carne animal — Foto: Arte/G1
Mercado de carne vegetal quer se aproximar à experiência da carne animal — Foto: Arte/G1

Quem quer comer carne vegetal?

A resposta para essa pergunta parece óbvia, mas não são os veganos e nem os vegetarianos que estão impulsionando esse mercado, mas, sim, as pessoas que optaram por reduzir o consumo de carne animal, os chamados flexitarianos.

O estudante de educação física, Lucas William, de 21 anos, é um deles. Ele começou a consumir carne vegetal para cuidar melhor da saúde, sem perder o costume de comer carne, explica.

Para William, o sabor de algumas proteínas deste tipo se assemelha ao de origem animal, mas existem aquelas que são até mais gostosas.

O estudante conta que o gosto depende muito da marca e até mesmo do vegetal usado na produção. A soja, por exemplo, agrada mais o paladar dele.

A ONG The Good Food Institute, que promove alternativas vegetais para carne, ouviu 2 mil pessoas em todo o Brasil, em maio de 2020, e concluiu que:

  • Metade dos entrevistados disse ter diminuído o consumo de carne animal durante o dia ou na semana, nos 12 meses anteriores. Na pesquisa anterior, de 2018, esse percentual era de 29%;
  • Somente 1% disse que parou totalmente de comer carne animal;
  • A maioria dos flexitarianos é mulher (58%) e jovem, entre 18 a 34 anos (47%);
  • 37% dos que reduziram dizem estar substituindo a proteína animal por carnes à base de plantas.

Para a gerente de engajamento corporativo do GFI, Raquel Casselli, os motivos da diminuição da ingestão de carne animal no período da pesquisa são: preocupação com a saúde, alto custo e perda do poder aquisitivo.

O que é a carne vegetal?

A gerente do GFI explica que a carne vegetal é bem diferente dos substitutos de proteína animal que estão há bastante tempo no mercado, como a Proteína Texturizada de Soja (PTS). Aqui estamos falando de carne vegetal análoga à carne animal, diz Raquel.

No Brasil, este mercado é novo e existe desde abril de 2019, com o lançamento de produtos da startup brasileira Fazenda Futuro. Depois dela, frigoríficos grandes, como JBS, BRF e Marfrig, entraram no mercado com linhas plant-based.

Mas não basta apenas imitar carne. Segundo Marcos Leta, fundador da Fazenda Futuro, o mercado plant-based está em uma fase de produzir alimentos mais nutritivos e que contribuam para a saúde das pessoas, como produtos com menor teor de sódio.

"[Nosso hambúrguer, por exemplo] tem apenas apenas 178 miligramas de sódio, quando você vai ver um hambúrguer de supermercado, ele tem 700 miligramas, 580 miligramas de sódio", diz ele.

Raquel, do GFI, acrescenta que o mercado de carne vegetal tem um potencial de crescimento muito grande, porque a proposta é entregar para o consumidor a comida que ele já gosta.

"Eu não estou pedindo para ele mudar o hábito alimentar e trocar a carne por um PTS de soja, por um hambúrguer de grão de bico, que não entregam o sensorial que o flexitariano gosta, diz ela.

Segundo ela, até então, os produtos vegetais substitutos à proteína animal ficavam restritos ao público vegetariano e vegano, que representa 14% da população brasileira (30 milhões de pessoas), segundo uma pesquisa do Ibope.

Raquel afirma que não há dados consolidados do mercado de carne vegetal análoga à animal no Brasil. Os números disponíveis consideram todos os produtos substitutos de proteínas animais (veja no infográfico acima).

Mas há algumas indicações:

"O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, divulgou no ano passado que um terço das vendas deles de hambúrgueres congelados foi de vegetais. É um número impressionante para um mercado tão novo, diz.

No mundo, a previsão é de que, até 2035, o mercado de carne vegetal ocupe de 7% a 23% do total do mercado de carnes (de US$ 100 e US$ 370 bilhões).

O que já tem e o que falta no mercado?

Salsicha vegetal da empresa americana Beyond Meat — Foto: The Good Food Institute
Salsicha vegetal da empresa americana Beyond Meat — Foto: The Good Food Institute

A indústria nacional já consegue formular alimentos à base de produtos triturados, como os hambúrgueres, nuggets, kibes, linguiça, etc. O principal desafio agora é produzir o que a indústria chama de músculo íntegro.

Cortes inteiros são uma outra questão. Como produzir um pedaço de picanha de origem vegetal? Um camarão? Uma posta de peixe?, questiona Janice Ribeiro Lima, pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos do Rio de Janeiro.

Já existem técnicas para se obter esses produtos, mas o custo ainda é alto. "Então, o grande desafio é produzir esses cortes inteiros de análogos com qualidade sensorial que agrade o consumidor e com preço acessível, conta.

Siri vegetal com fibra de caju

Enquanto a indústria e os pesquisadores se preparam para produzir pedaços maiores, o consumidor já pode ir desfrutando da variedade de produtos existentes.

A Amazonika Mundi produz, em parceria com a Embrapa, um bolinho de "siri" feito com produtos 100% nacionais que leva o nome comercial de Siriju.

O bolinho é preparado como se fosse uma moqueca de siri: vai azeite de dendê, de coco, farinha de mandioca, de sacha inchi (planta nativa da Amazônia), urucum, entre outros ingredientes, explica o presidente-executivo da empresa, Thiago Rosolem.

Mas o que dá a textura parecida com a da carne é a fibra de caju, que também é utilizada pela empresa para produzir hambúrguer.

O bolinho de Siri chamado 'Siriju' leva fibra de caju em sua composição — Foto: Amazonika Mundi/Divulgação
O bolinho de Siri chamado 'Siriju' leva fibra de caju em sua composição — Foto: Amazonika Mundi/Divulgação

Essa fibra é obtida pelo bagaço do caju que representa de 10% a 15% dos produtos descartados pela indústria de suco.

A fibra de caju tratada, que tem características neutras de sabor e odor, foi usada como um dos ingredientes que compõem a formulação do hambúrguer, contribuindo em especial para a textura e para a melhoria do valor nutricional dos produtos, dando um aporte em fibra alimentar, diz Lima.

O que dá sabor, cor, textura e nutrição?

A pesquisadora da Embrapa e a Fazenda Futuro listam outras técnicas que podem ser usadas para fazer uma carne vegetal semelhantes à animal:

  • Base proteica: soja, ervilhas, feijões, lentilhas e grão de bico;
  • Gorduras: óleos de coco, girassol, canola, milho, soja, palma, entre outros;
  • Cor e sabor: extrato de romã, beterraba, urucum, leveduras, malte, condimentos preparados, entre outros;
  • Textura: além da fibra de caju, Leta explica que são usadas técnicas de extrusão para se chegar nas fibras e pedaços de carne.

Para a professora de português Rafaela Mancini, de 20 anos, que se tornou vegetariana no início da pandemia, a proteína vegetal não precisa ter o mesmo sabor da que é de origem animal.

Por causa disso ela acaba optando por fazer hambúrgueres de forma caseira, assim consegue ter mais controle em relação a quais ingredientes são utilizados.

Ainda assim, Rafaela já comeu o hambúrguer produzido pela startup Fazenda do Futuro ao pedir lanches por aplicativo, mas assume que não lhe agradou muito, exatamente por trazer a mesma sensação que a da carne de origem animal.

O gosto eu achei parecido sim, me despertou até bastante gatilho porque fazia muito tempo que eu não sentia. Tinha gosto de hambúrguer congelado, que a gente compra para fritar. A textura também era muito parecida, parecia até que estava malpassado, conta a professora.

Mas, apesar de Rafaela querer evitar este tipo de sabor, ela conta que muitos amigos consomem e gostam exatamente para saciar um pouco da saudade da carne de origem animal.

Gerar mais renda no campo

Mercado de carne vegetal pode movimentar cadeia do feijão no Brasil — Foto: Embrapa/Divulgação
Mercado de carne vegetal pode movimentar cadeia do feijão no Brasil — Foto: Embrapa/Divulgação

O potencial que o mercado de carne vegetal tem de gerar renda no campo brasileiro ainda é pouco aproveitado. Boa parte das matérias-primas e produtos prontos são comprados de outros países, mas poderiam ser desenvolvidos aqui, comenta Raquel, do Good Food Institute (GFI).

Um sinal de que a demanda dos brasileiros por proteínas vegetais vem aumentando é o avanço da importação de ervilha (+19%), lentilha (+47%) e grão-de-bico (+30%) em 2020, em relação a 2019.

A produção nacional dessas três leguminosas, mesmo que ainda tímida, tem aumentado nos últimos anos em nosso país. Considerando que a exportação desses grãos é muito baixa, pode-se concluir que o consumo interno tem subido, diz Warley Marcos Nascimento, pesquisador da Embrapa Hortaliças.

Daniel Trento, coordenador-geral de Inovação Aberta da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação (SDI) do Ministério da Agricultura, diz que o Brasil tem condições de impulsionar a cadeia produtiva das pulses (feijão, ervilha, lentilha e grão-de-bico) e afirma que, no momento, o governo está em uma fase inicial, de articulação com diferentes setores.

Nós estamos conversando com a indústria de base, agroindústria, academia e startups para ver como a gente pode coordenar para levar produtos de qualidade, a um custo acessível, diz.

O coordenador acrescenta que esse mercado pode revitalizar cadeias que perderam força.

Nós percebemos, por exemplo, que há uma queda do consumo do feijão e [o mercado de carne vegetal] pode se transformar em um segmento importante para os produtores que trabalham nestas cadeias, diz Trento. 
Como tornar mais acessível?

O hambúrguer vegetal tem um custo parecido com o de origem animal de uma linha "premium", segundo Raquel, do GFI.

E o desenvolvimento da produção nacional é um dos caminhos para baratear preço, diz Felipe Krelling, sócio da Enfini Ventures, um fundo de capital de risco que investe no mercado de proteínas alternativas na América Latina e nos EUA, principalmente.

Além das pulses, o Brasil ainda importa muitos aditivos, conservantes e gorduras. E, com o dólar alto, os produtos encarecem.

Outro ponto é apostar em tecnologias brasileiras e desenvolver infraestrutura nacional. [...] Um exemplo é a soja, em vez da gente processar essa soja no Brasil, a gente manda ela para fora para processar, conta Krelling.

É um mercado que tem apenas dois anos. [...] À medida que o interesse do consumidor avança, que a gente consegue ganhar escala, o preço vai caindo, reforça Raquel, do GFI. 
O que esperar para a frente?

Para a especialista do Good Food Institute, 2021 é um momento de realismo e de tentar entender os impactos da pandemia na economia.

O food-service está sofrendo bastante. Eles são um importante canal de distribuição desses produtos (proteínas alternativas), diz.

Já o varejo está operando bem, como mostrou o dado do Grupo Pão de Açúcar. Mas precisamos acompanhar para ver o que vai ocorrer neste ano", acrescenta.

A Fazenda do Futuro, por sua vez, cresce além das fronteiras. A empresa já exporta para 15 países, como Holanda, Inglaterra, Alemanha, Austrália, com escritórios no Brasil, Reino Unido e nos Estados Unidos.

Para o, fundador da startup, o mercado nacional de carne vegetal ainda está sendo formado e, no longo prazo, aposta em crescimento diante de um consumidor mais preocupado com a procedência dos alimentos, questões ambientais e de saúde.

* Colaborou: Vivian Souza

Carne vegetal amplia mercado para produtor agrícola
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