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quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Segunda onda de Covid? As cidades e regiões do Brasil que puxam o aumento da doença

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De acordo com a Fiocruz, os 15 estados com tendência moderada ou forte de alta de casos são: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. 
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TOPO
Por BBC  
19/11/2020 16h32 Atualizado há 3 horas
Postado em 19 de novembro de 2020 às 19h35m


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Coronavírus matou ao menos 167 mil pessoas no Brasil em 2020 — Foto: Getty Images via BBC
Coronavírus matou ao menos 167 mil pessoas no Brasil em 2020 — Foto: Getty Images via BBC

Enquanto cresce o debate sobre se o que ocorre no Brasil é uma segunda onda de Covid-19 ou repiques de uma primeira onda que nunca acabou, o número de pacientes internados com doenças respiratórias graves cresce em regiões de 15 estados brasileiros, incluindo 10 capitais.

Esses dados (de 8 a 14 de novembro) constam em levantamento semanal feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ligada ao Ministério da Saúde, a partir de registros oficiais de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), incluindo a Covid-19.

Esse indicador é um dos mais precisos para tentar entender situação da doença no país porque trata de pacientes graves hospitalizados e porque sofre menos distorção da falta de testes para detectar a Covid-19.

Neste ano, o país já registrou 371 mil casos de doenças respiratórias graves que tinham a febre entre os sintomas. Dos casos entre eles analisados em laboratório, 98% eram Covid-19 — média anual de casos gira em torno de 40 mil.

Há relatos e dados oficiais de hospitais públicos e privados lotados em diversas regiões do país, a exemplo de São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro e São Luís.

Além disso, pesquisadores apontam que a taxa de contágio da Covid-19 está acima de 1 em pelo menos 20 estados do país. Isso significa que no Ceará, por exemplo, onde a taxa é estimada em 1,26, um grupo de 100 pessoas infectadas transmite em média a doença para 126, e estas passam o vírus adiante na mesma proporção.

Onde a Covid-19 avança?

Segundo a Fiocruz, os 15 estados com tendência moderada ou forte de alta de casos são: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Mas é importante entender que há diversos níveis de espalhamento da doença. Por isso, a Fiocruz divide essas tendências em basicamente quatro grupos: curto prazo, longo prazo, moderada e forte.

Primeiro exemplo: uma tendência moderada de crescimento de curto prazo significa que a localidade registrou aumento de casos nas três semanas anteriores e a probabilidade dessa situação continuar assim vai de 75% a 95%. É o caso do noroeste de São Paulo, do nordeste de Goiás e do norte do Piauí, por exemplo.

Segundo exemplo: uma tendência forte de longo prazo significa que houve aumento em seis semanas anteriores e a probabilidade de a situação continuar assim passa de 95%. É o caso do Acre e de Santa Catarina praticamente inteiros, além da região do Jequitinhonha em Minas Gerais e do oeste do Rio Grande do Norte, entre outros.

Cada um desses 15 estados tem pelo menos uma macrorregião com aumento de notificações de doenças respiratórias (e por extensão, de Covid-19). Em Minas Gerais, há alta em 7 das 14 áreas do Estado. Em São Paulo, em 10 das 17. Em Santa Catarina, em 5 das 7. Na Bahia, em 1 das 9, mas esta é a mais populosa do Estado por incluir a capital Salvador.

As dez capitais com tendência de alta são: Belo Horizonte, Florianópolis, Goiânia, João Pessoa, Natal, Palmas, Rio Branco, São Luís, Vitória e região central do Distrito Federal.

É importante destacar que esses dados levam em conta a situação de 8 a 14 de novembro, e o espalhamento de uma doença tão contagiosa como essa pode mudar rapidamente.

E que esses dados mostram apenas um pedaço do retrato do que está acontecendo, não inclui as pessoas que não chegam a ser internadas, e a falta de informações confiáveis torna muito difícil entender a situação atual do país.

Um exemplo é a taxa de ocupação dos leitos que aparece em sites de governos estaduais. Alguns divulgam apenas os dados diários, então não é possível saber se aumentou ou diminuiu. Outros aumentam ou diminuem constantemente a oferta de leitos, então a taxa pode permanecer "baixa" enquanto a situação está piorando.

Por isso, a taxa mais "confiável" para entender o que está acontecendo de fato é o número de mortes por doenças respiratórias, mas há um descompasso porque geralmente leva quase um mês, em média, para alguém morrer de Covid-19.

Então, se hoje é difícil enxergar o impacto da nova onda de Covid-19 nas estatísticas de morte, é uma questão de tempo até isso começar a acontecer.

Até agora, o Ministério da Saúde registrou a morte de 167 mil pessoas por Covid-19.

Mas especialistas da Fiocruz apontam que morreram neste ano ao menos 220 mil pessoas de doenças respiratórias graves (basicamente por Covid-19). No ano passado, foram 5.324.

O que vem pela frente?

A avaliação de especialistas sobre a ocorrência de uma segunda onda de coronavírus no país, a exemplo do que acontece na Europa e nos Estados Unidos, se baseia na evolução da taxa de reprodução (Rt) do coronavírus no país, que indica que a pandemia voltou a crescer por aqui.

Essa taxa de contágio é calculada com base no aumento de novos casos e permite saber quantas pessoas são contaminadas por alguém que já está infectado.

Se o índice fica acima de 1, isso indica que a pandemia está se expandindo. Quando está abaixo, é um sinal de que a pandemia está perdendo intensidade.

De acordo com o Observatório de Síndromes Respiratórias da Universidade Federal da Paraíba, o Rt estava acima de 1 em 20 estados (Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins) e no Distrito Federal.

A situação estava mais crítica no Paraná, onde a taxa era de 1,62. Já em Santa Catarina a Rt está acima de 1 há mais tempo: desde 14 de outubro.

Enquanto esse número não cair para menos de 1, a doença não vai dar folga.

E como é possível reduzir essa taxa de contágio?

Sem vacinas disponíveis ainda, centenas de especialistas afirmam que isso envolve uma série de estratégias de combate à doença, como distanciamento social, uso de máscaras e rastreamento de pessoas que tiveram contato com alguém infectado.

Mas nenhuma dessas medidas sozinha é perfeita, e algumas são de responsabilidade de cada pessoas e outras são dos governantes ou da sociedade como um todo.

O modelo do queijo suíço para explicar como lutar contra o coronavírus — Foto: BBC
O modelo do queijo suíço para explicar como lutar contra o coronavírus — Foto: BBC

Por isso, o virologista Ian M. Mackay, da Nova Zelândia, encontrou uma ótima analogia para ajudar as pessoas a se protegerem contra a covid-19: o queijo suíço.

"Nenhuma medida isolada de prevenção que tentamos implementar para combater a Covid funciona 100%", mas, quando "começamos a juntar diferentes camadas (medidas), criamos uma barreira efetiva", disse o cientista à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

CORONAVÍRUS

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quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Em sete anos, brasileiro passou a beber mais álcool e a fumar menos, aponta IBGE

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Fatia que bebe uma vez por semana ou mais subiu de 23,9% da população para 26,4%; usuários de tabaco ou derivados caíram de 14,9% para 12,8%. 
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TOPO
Por Valor Online  
18/11/2020 20h24 Atualizado há 2 horas
Postado em 18 de novembro de 2020 às 22h35m


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Mulheres estão bebendo mais no Brasil, diz IBGE — Foto: Unsplash/Divulgação
Mulheres estão bebendo mais no Brasil, diz IBGE — Foto: Unsplash/Divulgação

De 2013 para cá, o Brasil registou um salto no consumo de bebidas alcoólicas, sobretudo entre as mulheres. O tabagismo, no entanto, recuou. É o que mostra a quarta etapa da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, publicada nesta quarta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o levantamento, 26,4% da população com 18 anos ou mais costumava consumir bebida alcoólica uma vez ou mais por semana em 2019. Em 2013, esse percentual era de 23,9%. A pesquisa foi realizada no segundo semestre de 2019, quando foi entrevistado pelo menos um morador com mais de 18 anos em 108 mil domicílios do país.

Desagregando o dado por sexo, o IBGE identificou que esse hábito prevalecia entre 37,1% dos homens, taxa que cai para 17% entre mulheres. Apesar da diferença, a edição anterior da PNS, de 2013, identificou que esse percentual era de apenas 12,9% para o público feminino.

"Embora o consumo de bebida alcóolica tenha aumentado em linha e ainda seja muito menor no caso das mulheres, o avanço desse hábito entre elas foi maior. Foi isso que puxou o número geral", explica o analista do IBGE Gustavo Fontes.

IBGE: 2 em cada 3 brasileiros consideram ter saúde boa ou muito boa
IBGE: 2 em cada 3 brasileiros consideram ter saúde boa ou muito boa

No caso do álcool, o especialista destaca, ainda, o fato de ser bem mais difundido entre as pessoas com maior nível de escolaridade, o que contraria a correlação entre informação e hábitos saudáveis. De fato, segundo o IBGE, 36% daqueles com ensino superior completo consomem bebida alcoólica uma vez ou mais por semana, percentual que cai a cada grau de instrução menor, até chegar a 19% para o público sem nenhuma instrução, ou ensino fundamental incompleto.

O IBGE também apurou que 17,1% das pessoas tinham praticado consumo abusivo de álcool nos 30 dias anteriores à realização da pesquisa e parcela parecida, 17% havia dirigido logo depois de beber nos 12 meses antes anteriores à abordagem do instituto.

Em trajetória diferente, o tabagismo caiu no Brasil. Segundo o IBGE, em 2019, cerca de 20,4 milhões de brasileiros, 12,8% da população com 18 anos ou mais, eram usuárias de produtos derivados de tabaco. Em 2013, esse percentual era de 14,9%.

No ano passado, 16,2% dos homens fumavam, ao passo que, entre as mulheres, esse número cai para 9,8%. Em 2013, esses percentuais foram de 19,1% e 11,2% respectivamente.

Para o tabaco prevaleceu a correlação entre nível de instrução e grau de consumo: só 7,1% dos mais instruídos fumavam em 2019, enquanto entre a faixa menos instruída, essa parcela chegou a 17,6%.

Para Fontes, a queda generalizada nos percentuais do tabagismo no Brasil reflete o acúmulo e sucesso de políticas públicas como propaganda antitabaco e restrição ao fumo em locais fechados.

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Polícia apreende na Alemanha fósseis do Ceará que eram vendidos por 100 mil euros

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Operação da polícia alemã foi solicitada pelo Ministério Público Federal no Ceará, que contou com colaboração internacional.  
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Por Lucas Falconery, G1 CE  
18/11/2020 13h00 Atualizado há uma hora
Postado em 17 de novembro de 2020 às 14h00m



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Fósseis achados no Ceará e contrabandeados na Europa são vendidos por até 100 mil euros — Foto: MPCE/Divulgação
Fósseis achados no Ceará e contrabandeados na Europa são vendidos por até 100 mil euros — Foto: MPCE/Divulgação

Material com 60 fósseis originários da Chapada do Araripe, na região do Cariri, foi apreendido nesta segunda-feira (16) na Alemanha, após um pedido do Ministério Público Federal no Ceará. Os exemplares eram comercializados ilegalmente em um site de leilões por 100 mil euros, cerca de R$ 630 mil, e devem retornar ao país após a conclusão da investigação.

Entre os animais fossilizados estavam um pterossauro, uma raia, insetos e aracnídeos que foram levados do Ceará. Conforme a Constituição brasileira, os fósseis pertencem à União. Conforme o Ministério Público, o responsável pelas vendas em site hospedado na Holanda já foi identificado.

Para verificar a procedência do material, a Universidade Regional do Cariri (Urca) fez análise nos exemplares e atestou que os animais viveram no estado há mais de 120 milhões de anos.

Cariri é uma das regiões mais ricas em fósseis do Brasil — Foto: EPTV/Reprodução
Cariri é uma das regiões mais ricas em fósseis do Brasil — Foto: EPTV/Reprodução

Ao observar as placas de calcário em que os insetos detalhados aqui estão preservados, é clara a identificação da pedra Cariri, variando de tonalidade acinzentada a creme e amarelada, com pequenos fragmentos de algas e por vezes, dendritos de manganês, configurando a característica típica desta rocha da Formação Crato e fartamente explorada nos municípios de Santana do Cariri e Nova Olinda, ambas no Estado do Ceará, detalha o laudo técnico.

Foi realizada parceria com o Ministério Público de Kariserslautern, na Alemanha, pela Secretaria de Cooperação Internacional da Procuradoria-Geral da República (SCI/PGR), para a apreensão preventiva do material após a conclusão dos especialistas.

A região do Cariri cearense é uma das mais ricas em fósseis no país. Crimes de contrabando desse tipo de material são comuns, e o Ministério Público tem reforçado a fiscalização na área. Em 2015, alemães descobriram uma espécie inédita de cobra com patas por meio de um fóssil extraído no Ceará.

Sítio arqueológico do Cariri preserva fósseis da região que ajudam a entender o passado
Sítio arqueológico do Cariri preserva fósseis da região que ajudam a entender o passado

Investigação

O processo de investigação iniciou quando dois biólogos reportaram ao Ministério Público Federal que um site de leilões de fósseis anunciava a venda do material de origem brasileira. O procurador Rafael Rayol, responsável pelo caso, solicitou análise dos exemplares e cooperação das autoridades alemãs.

Os sites foram retirados do ar, mas, antes disso, conseguimos preservar todas as provas e formalizamos o pedido de repatriação do material, que tem grande valor científico para o Brasil, destaca.

Foi solicitado à Urca, então, laudo técnico com detalhamento material e para confirmar a origem cearense. Os especialistas indicaram as características de todos os animais encontrados na operação.

A solicitação referente a data em que estas peças teriam sido extraídas é incerta, mas se sabe que a exploração do calcário Laminado de Nova Olinda-CE (Pedra Cariri, de onde a maioria dos fósseis deste processo são provenientes), só se iniciou comercialmente na década de 80, afirmam.

Com a constatação, o responsável pelo site de leilões alemão foi identificado e a apreensão preventiva do material foi solicitada pelas autoridades brasileiras. Também foi feito pedido de cooperação internacional dirigido à Alemanha para conclusão da investigação e devolução de todos os fósseis brasileiros.

Fósseis apreendidos pela PF em operação contra o tráfico na Chapada do Araripe, Sul do Ceará — Foto: Reprodução/PF
Fósseis apreendidos pela PF em operação contra o tráfico na Chapada do Araripe, Sul do Ceará — Foto: Reprodução/PF

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terça-feira, 17 de novembro de 2020

Pandemia aumenta desigualdade racial no mercado de trabalho brasileiro, apontam dados oficiais

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Os principais indicadores mostram que pretos e pardos foram os mais prejudicados pela crise provocada pela pandemia do coronavírus.  
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Por Daniel Silveira e Marta Cavallini, G1 — Rio de Janeiro e São Paulo  
17/11/2020 07h16 Atualizado há 8 horas
Postado em 17 de novembro de 2020 às 15h20m


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Racismo estrutural no mercado de trabalho brasileiro
Racismo estrutural no mercado de trabalho brasileiro

A desigualdade racial no mercado de trabalho brasileiro é histórica e se acentuou diante da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. É o que apontam dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Economia.

Os principais indicadores mostram que os pretos e pardos, que representam mais da metade da população do país (56,8%) foram os mais prejudicados pelos efeitos da crise no mercado de trabalho, sobretudo os pretos. Os dados apontam que:

  • O desemprego aumentou mais entre os pretos
  • A taxa de desemprego entre os pretos foi mais expressiva que entre os demais
  • O nível da ocupação entre os pretos ficou ainda menor que o dos brancos
  • A queda da taxa de ocupação entre os pretos foi mais intensa que entre os demais
  • Pretos têm menor proporção entre os trabalhadores com carteira assinada
  • A remuneração dos pretos é menor que a dos demais em todos os segmentos

"Sempre que saem os relatórios, os indicadores sociais relacionados à população negra dão conta de uma condição pior. A crise não traz uma nova causa, um novo motivo em si mesmo. Mas ela escancara mais essa precarização a qual está submetida, historicamente, a população negra", afirma o diretor do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, Daniel Teixeira.

Trabalhadores pretos foram os mais afetados no mercado de trabalho diante da crise provocada pela pandemia — Foto: Economia/G1
Trabalhadores pretos foram os mais afetados no mercado de trabalho diante da crise provocada pela pandemia — Foto: Economia/G1

O desemprego avançou entre todos os segmentos da população brasileira, mas foi entre os pretos que houve o maior salto.

De acordo com o IBGE, na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2020, que correspondem aos três primeiros meses de pandemia, a taxa de desemprego entre os pretos aumentou em 2,6 pontos percentuais (p.p.) e a dos pardos, 1,4 p.p. Já entre os brancos a alta foi de apenas 0,6 p.p..

A taxa de desemprego entre os pretos ficou em 17,8%, e entre os pardos, em 15,4%. A dos brancos, por sua vez, ficou em 10,4%, 2,9 p.p. abaixo da taxa geral do país, que ficou em 13,3%.

Assim, a diferença da taxa dos pretos em relação à dos brancos foi de 7,4 p.p., à dos pardos de 2.4 p.p., e de 4,5 p.p. em relação à média geral do país.

Além do avanço mais expressivo do desemprego entre pretos e pardos, o nível de ocupação destes grupos ficou abaixo do de brancos no 2º trimestre.

Na comparação com o 1º trimestre, o nível de ocupação dos pretos teve queda de 6.9 p.p. e o dos pardos de 6.1 p.p.. Já entre os brancos a queda foi de 4.9 p.p..

Apesar de os pretos terem o maior percentual de participação dentro da força de trabalho (que inclui pessoas em idade de trabalhar, ocupadas ou não), a queda na taxa de ocupação deles foi mais intensa que entre os pardos e brancos, tanto na comparação com o 1º trimestre deste ano quanto com o 2º trimestre do ano passado.

Na comparação com o 1º trimestre, a queda da taxa de ocupação entre os pretos foi de 2.9 p.p. e entre os pardos, de 1,7 p.p.. Já entre os brancos, o recuo foi de 1,1 p.p..

Segundo o economista da Fundação Getúlio Vargas Marcelo Neri, que é diretor do FGV Social, o maior aumento do desemprego e a maior queda da ocupação de pretos e pardos durante a pandemia podem ser explicados pelos efeitos do isolamento social sobre os setores de comércio e serviços, que foram os mais impactados.

"São setores heterogêneos, principalmente o de serviços. Esses setores tendem a ser mais intensivos para pretos e pardos que outros setores como a indústria, que é mais branca. Isso pode ter relação com a escolaridade também, mas são várias dimensões que se sobrepõem", apontou o pesquisador.

Neri enfatizou que a informalidade no mercado de trabalho também pode explicar os efeitos mais negativos para pretos e pardos no que se refere ao desemprego e à ocupação. Ele destacou que estes grupos formam a maioria entre os trabalhadores informais no Brasil.

Dados consolidados pelo IBGE em 2019 mostram que enquanto a taxa de informalidade entre os brancos foi de 30,1%, chegou a 39,9% para pretos, e a 43,5% para os pardos.

Já os dados mais recentes do IBGE, que avaliou os efeitos da pandemia no mercado de trabalho, mostraram que o número de trabalhadores informais no país teve queda de 9,4% em cinco meses de pandemia.

"Essa é uma recessão atípica em termos de informalidade, que geralmente funciona como colchão que amortece as quedas trabalhistas. Mas, desta vez a informalidade caiu porque o isolamento social foi mais impactante para esse setor, que emprega mais pretos e pardos", enfatizou Neri. 
Mercado formal

No mercado de trabalho com carteira assinada, os pretos e pardos têm menor participação em relação aos brancos.

De acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2019, enquanto os brancos representavam 38,92% do total de trabalhadores formais, pretos e pardos somavam 32,22%.

O restante fica entre os amarelos, indígenas, não identificados e servidores estatutários. Por setores, os negros têm maior participação na agropecuária e construção.

Pretos e pardos têm menor proporção de carteiras assinadas nos principais setores econômicos do Brasil — Foto: Economia/G1
Pretos e pardos têm menor proporção de carteiras assinadas nos principais setores econômicos do Brasil — Foto: Economia/G1

Remunerações mais baixas

Pretos e pardos também ganham menos em relação aos demais. Eles têm remuneração média real quase R$ 1 mil menor que a média geral do país. Em relação aos brancos, a diferença também fica em torno de R$ 1 mil a menos. Já em comparação com os amarelos, é cerca de R$ 2 mil menor.

A remuneração média das mulheres pardas e pretas é ainda menor que a dos homens pretos – a diferença entre os gêneros fica em torno de R$ 500.

No entanto, na comparação entre homens e mulheres, a diferença na remuneração dos pretos e pardos para brancos e amarelos é maior entre o sexo masculino - passa de R$ 1,2 mil em relação aos brancos e chega a R$ 2.100 em relação aos amarelos. Já as mulheres pretas e pardas chegam a ganhar R$ 860 a menos em relação às brancas e R$ 1,6 mil em relação às amarelas.

Pretos e pardos têm remureração de trabalho menor que brancos e amarelos — Foto: Economia/G1
Pretos e pardos têm remureração de trabalho menor que brancos e amarelos — Foto: Economia/G1

Em todos os setores analisados pela Rais, os pretos e pardos recebem remuneração menor que brancos e amarelos. A menor diferença no valor está justamente nos setores que mais empregam os negros: agropecuária e construção.

Em relação a 2018, os pretos e pardos só ficaram atrás dos indígenas (-5,61%) na queda da remuneração média. Pretos tiveram queda de 1,61% e pardos, de 1,68%, enquanto que entre os brancos o recuo foi menor, de 0,76%.

A única alta de rendimentos foi registrada entre os amarelos, de 0,49%. A redução entre os pardos e pretos foi maior que a queda média da remuneração no país, de 1,31%.

Os pretos e pardos também ganham menos em todos os níveis de escolaridade. No nível superior completo, a diferença fica em torno de R$ 4 mil em relação aos amarelos e de R$ 2 mil em relação aos brancos.

Entre os analfabetos, a diferença de salários para brancos e amarelos fica entre R$ 300 e R$ 400. No nível fundamental e médio, a diferença varia entre R$ 100 e R$ 400.

Educação X preconceito

Segundo o economista diretor da FGV Social, Marcelo Neri, há dois fatores preponderantes que explicam a desigualdade de renda no Brasil: a educação e o possível preconceito por parte das empresas empregadoras.

Os dados mais recentes sobre educação divulgados pelo IBGE, por exemplo, apontam que na faixa de 18 a 24 anos os brancos têm duas vezes mais chance de estar na universidade ou de já ter concluído o ensino superior do que os pretos e pardos. Os dados da Rais evidenciam que quanto maior o nível de instrução, maior a remuneração.

"A educação explica 30% da desigualdade de renda, mas o chamado efeito empresa no mercado formal tem um poder explicativo duas vezes maior ,segundo a literatura recente. Isso está ligado à política de diversidade das empresas. Se pegar um dado como a Rais, por exemplo, você vê que tem empresas mais favoráveis a pretos e pardos, que têm uma política de igualdade racial, uma área de diversidade e compliance mais desenvolvidos, então eu diria que o efeito firma pode explicar mais essa desigualdade", disse o pesquisador.

Questionado, Neri sugeriu que, além da criação de políticas públicas e privadas que possam favorecer a população negra no mercado de trabalho, faz-se necessário investir mais na qualidade da educação no país.

"É importante pensar em políticas que possam melhorar a qualidade escolar. Acho que é importante não premiar notas altas, mas a melhora de notas. Isso tenderia a ser mais pró-negros, porque os brancos [que têm mais acesso ao ensino de qualidade] têm mais facilidade de tirar melhores notas", sugeriu o pesquisador.

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Governo vê inflação maior neste ano; salário mínimo deve subir mais em 2021, para R$ 1.087,84

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Em agosto, governo divulgou proposta de orçamento de 2021 com salário mínimo no valor de R$ 1.067. Porém, com nova estimativa de inflação, valor deve ser maior.  
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Por Alexandro Martello, G1 — Brasília  
17/11/2020 12h28 Atualizado há uma hora
Postado em 17 de novembro de 2020 às 13h35m


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A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia informou nesta terça-feira (17) que elevou de 2,35% para 4,10% a estimativa de inflação de 2020 medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

O INPC baseia a correção anual do salário mínimo pelo governo. Se esse aumento previsto pelo governo se confirmar e não houver mudança no cálculo, o reajuste do salário mínimo de 2021 também será maior que o estimado anteriormente.

Atualmente, o salário mínimo está em R$ 1.045. Com a nova previsão para o INPC no acumulado de 2020, o valor subiria para R$ 1.087,84 no ano que vem. Esse valor está R$ 20,84 acima da última proposta oficial do governo para o salário mínimo em 2021, divulgada em agosto, de R$ 1.067.

De acordo com informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo serve de referência para 49 milhões de trabalhadores no Brasil.

O valor para o salário mínimo de 2021 pode sofrer novas alterações no decorrer deste ano, com base nas projeções de inflação para o ano de 2020 (utilizadas como parâmetro para correção).

A Constituição determina que o salário mínimo tem de ser corrigido, ao menos, pela variação do INPC do ano anterior.

Em setembro, a área econômica do governo informou apoiar que benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões, fossem desvinculados do reajuste do salário mínimo e congelados nos próximos dois anos. Porém, o estudo foi desautorizado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Puxada pelo preço dos alimentos, inflação avança em outubro e registra maior taxa de 2020
Puxada pelo preço dos alimentos, inflação avança em outubro e registra maior taxa de 2020

Sem aumento real

No projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) enviado pelo governo ao Congresso este ano, está prevista a correção do salário mínimo apenas pela inflação, com base na estimativa do INPC. Se isso for cumprido, não haverá "ganho real", ou seja, o poder de compra de quem recebe salário mínimo permanecerá inalterado.

Esse formato já foi adotado neste ano, quando a área econômica reajustou o salário mínimo somente com base na inflação de 2019.

Com isso, o governo mudou a política de aumentos reais (acima da inflação) implementada nos últimos anos e que foi proposta pela presidente Dilma Rousseff e aprovada pelo Congresso.

A política de reajustes pela inflação e variação do Produto Interno Bruto (PIB) vigorou de 2011 a 2019, mas nem sempre o salário mínimo subiu acima da inflação.

Em 2017 e 2018, por exemplo, foi concedido o reajuste somente com base na inflação porque o PIB dos anos anteriores (2015 e 2016) teve retração. Por isso, para cumprir a fórmula proposta, somente a inflação serviu de base para o aumento.

Impacto nas contas públicas

Ao conceder um reajuste maior para o salário mínimo, o governo federal também gasta mais. Isso porque os benefícios previdenciários não podem ser menores que o valor do mínimo.

De acordo com cálculos do governo, a cada R$ 1 de aumento do salário mínimo cria-se uma despesa em 2020 de aproximadamente R$ 355 milhões.

Assim, um reajuste R$ 20,84 maior para o salário mínimo em 2021 representaria uma queda de cerca de R$ 7,4 bilhões nas despesas criadas para o governo federal.

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