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quinta-feira, 12 de abril de 2018

Gigantes da internet sabem por onde você anda, que lugares frequenta e com quem fala; entenda

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Facebook, Apple, Google, Microsoft e Twitter coletam informações até do celular. 

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Por Helton Simões Gomes, G1 


Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, durante visita a parlamentares na véspera de audiências no Senado e na Câmara dos EUA. (Foto: Leah Millis/Reuters)Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, durante visita a parlamentares na véspera de audiências no Senado e na Câmara dos EUA. (Foto: Leah Millis/Reuters)

O Facebook pode até ser a bola da vez, devido ao vazamento dos dados de 87 milhões de seus usuários, mas não é a única empresa que coleta, processa e usa em plataformas conectadas as informações de bilhões de pessoas em todo o mundo.

Ele está acompanhado de outras gigantes de tecnologia como Apple, Google, Microsoft e Twitter, que não sabem só por onde você anda, que lugares frequenta ou com quem fala. Conhecem sua opinião sobre assuntos íntimos, da política à orientação sexual. E ainda trabalham para refinar mais suas lupas tecnológicas, para conseguir, por exemplo, definir a classe social de alguém usando detalhes como qualidade do celular usado.
Os serviços delas são gratuitos, são quase como se fossem um pote de mel. Em troca deles, damos os dados sobre nós, afirma Danilo Doneda, professor do Instituto de Direito Público (IDP) e especialista em privacidade e proteção de dados.
Fabio Malini, professor e pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cultura da Universidade Federal do Espírito Santo (LABIC/UFES), concorda com a ideia. Acrescenta, porém, que essas companhias não deixam de seguir seus usuários pelo mundo virtual quando seus aplicativo são fechados ou o celular é colocado no bolso.
Todo e qualquer movimento das pessoas deixa rastros digitais, desde o que acessa em um site de notícias até que tipo de gosto ela tem por algum produto.
Os especialistas consultados pelo G1 classificaram as informações usadas por essas empresas em três categorias:
  • Cedidas pelo usuário;
  • Coletadas a partir do que o usuário faz em serviços conectados;
  • Inferidas a partir das informações disponíveis.

O que você diz a seu respeito?

Ao criar uma conta em algumas das plataformas de grandes empresas, seja no Facebook ou no Twitter, qualquer pessoa cede informações corriqueiras sobre si, como nome, endereço de e-mail, endereço residencial, número de telefone. Em alguns casos, cedem também o número do cartão de crédito.

Quanto a isso há um certo nível de transparência, diz Doneda. Só que a coleta de dados não para por aí. Compreende ainda as informações tiradas dos aparelhos usados para navegar nesses serviços.

O que seu celular diz sobre você?
Todas essas empresas conseguem identificar onde uma pessoa está, usando sensores dos aparelhos, como o GPS, ou combinando uma série de recursos, como conexão via Bluetooth, o endereço IP do dispositivo e até conexões a redes de Wi-Fi ou a torres de celular. Sabem ainda o modelo de smartphone, computador ou TV usados, se os sistemas operacionais já foram atualizados e até a qualidade da rede móvel.
Twitter Places terá suporte para todos os browsers. (Foto: Divulgação)Twitter Places terá suporte para todos os browsers. (Foto: Divulgação)

O objetivo aqui, dizem as companhias, é permitir que algumas funções operem. Poderemos utilizar e armazenar informações sobre a sua localização para fornecer funcionalidades dos nossos serviços, tais como permitir a você tuitar com a sua localização, exemplifica o Twitter.

Aquelas que possuem plataformas mais abrangentes, como sistemas operacionais, exercem essa coleta de forma mais ampla. O Google, dono de Android (celulares e tablets) e ChromebookOS (computadores), sabe para quem você liga, a que horas foi e quanto durou a chamada. O mesmo vale para os envios de SMS. O Facebook também guardas essas informações, desde que chamadas e SMS tenham partido de seus aplicativos.

A Apple, dona do iOS (celulares e tablets), WatchOS (relógio) e MacOS (computadores), não deixa claro se faz isso, mas diz que se houver consentimento explícito pode coletar dados sobre como você usa seu dispositivo e os aplicativos. As duas, assim como a Microsoft, dona do Windows e do Office, sabem quais compromissos foram agendados pelas pessoas.

O que suas ações dizem sobre você?
Essas empresas também criam uma ideia sobre as pessoas analisando como se comportam em suas ferramentas.
Versão gigante do ícone Curtir, popularizado pelo Facebook, é exibido na entrada da nova sede da rede social em Menlo Park, na Califórnia (Foto: Robert Galbraith/Reuters)Versão gigante do ícone Curtir, popularizado pelo Facebook, é exibido na entrada da nova sede da rede social em Menlo Park, na Califórnia (Foto: Robert Galbraith/Reuters)

O Facebook coleta curtidas e reações dadas a publicações, assim como as páginas que os usuários escolhem seguir. O Google reúne, por exemplo, as pesquisas feitas na web, os endereços e trajetos buscados no Maps, informações sobre e-mails enviados e recebidos pelo Gmail, vídeos vistos e pesquisados no YouTube e até informações sobre as fotos guardadas em sua nuvem.

A Apple reúne todas as interações com o iCloud, iTunes Store, App Store, Mac App Store, App Store para Apple TV e iBooks Stores. Todas dispõem de cookies, códigos presentes em navegadores para registrar sites visitados na web.
A [assistente pessoal] Cortana pode fazer recomendações personalizadas com base em seu histórico de navegação e pesquisa, exemplifica a Microsoft uma das aplicações da lista de páginas visitadas por seus clientes.
Para dar mais nuance à visão que possuem de seus usuários, essas empresas costumam ainda fazer acordos com outras companhias que mantêm informações das quais não dispõem. Malini lembra que, até o fim de março, por exemplo, o Facebook mantinha uma parceria com a Serasa Experian, que também ocorria na Austrália, EUA e Reino Unido. A Serasa mantém, por exemplo, um banco de dados de pessoas que estão com o nome sujo e outras informações financeiras.

Alguns interesses, a própria plataforma consegue aferir. Para outros, a empresa vai ter que se associar a grandes bases de dados, como o Serasa, diz o professor. O objetivo era segmentar as pessoas por faixas de renda, a fim de melhorar o envio de anúncios.
Feirão Limpa Nome da Serasa; empresa reúne dados financeiros de pessoas e tem cadastro de inadimplentes (Foto: Fabio Tito/G1)Feirão Limpa Nome da Serasa; empresa reúne dados financeiros de pessoas e tem cadastro de inadimplentes (Foto: Fabio Tito/G1)

Inteligência
Só que essas empresas não se dão por satisfeitas apenas reunindo detalhes pessoais espalhados pelas pessoas internet afora. Elas também processam e estudam esses dados para produzir descobertas.
A gente usa essas plataformas de forma tão intensa que elas acabam tendo oportunidade de aprender coisas. Alguns estudos mostram que uma análise de curtidas é capaz de revelar a orientação política e até preferência sexual, diz Doneda.
Algumas das descobertas surpreenderiam os próprios donos dos dados. Eles conseguem inferir coisas muito íntimas como, por exemplo, que a grande maioria das pessoas gosta de Kitkat é de direita.

O estudo mencionado é o da Universidade de Cambridge que apontou ser possível chegar à orientação sexual ou política, religião, estabilidade emocional de uma pessoa, ou até se consome drogas ou bebidas alcóolicas em excesso, sem ter que perguntar a ela. Basta apenas um escrutínio de suas curtidas no Facebook.
O significado das ‘curtidas’ pode ser usado para entender a psicologia por trás do que as pessoas fazem, explicou à CNN o pesquisador David Stillwell, um dos autores do documento.
Os especialistas criaram um sistema que esquadrinhou perfis e curtidas de 58.466 pessoas. As previsões foram confrontadas com entrevistas e testes de personalidade.

Os acertos foram altos. Usar o modelo para identificar se alguém é cristão ou muçulmano apresentou 82% de assertividade. Adivinhar se um sujeito é democrata ou republicano chegou à resposta certa em 85% dos casos. Já a orientação sexual de um homem foi descoberta em 88% das vezes.

O modelo levava em conta muitos parâmetros, mas Stillwell deu exemplos sobre como a análise combinada de curtidas a páginas aparentemente desconexas os levou a ajudou em algumas conclusões.
O diretor Wes Anderson recebe o troféu de melhor roteiro original pelo filme "O Grande Hotel Budapeste" na premiação do Sindicato de Roteiristas dos Estados Unidos neste sábado (14) (Foto: Richard Shotwell/Invision/AP) O diretor Wes Anderson recebe o troféu de melhor roteiro original pelo filme "O Grande Hotel Budapeste" na premiação do Sindicato de Roteiristas dos Estados Unidos neste sábado (14) (Foto: Richard Shotwell/Invision/AP)

Curtir o musical Wicked e a atriz Kathy Griffin seriam um forte indicativo de que o homem é gay. Também foi possível descortinar ainda a personalidade dos entrevistados. Pessoas espontâneas curtiam Wes Anderson e tópicos como assassinato em série, enquanto as competitivas gostavam de Sun Tzu e “Eu odeio todo mundo”.
Minha maior preocupação é que as pessoas não percebem o que é possível, elas imaginam que comportamentos frívolos como curtir algo qualquer não tem poder de dizer o que quer que seja sobre elas”, diz.
O pesquisador adverte, no entanto, que julgar alguém por uma preferência isolada é um erro, já que sua equipe levou em conta a totalidade das curtidas das pessoas antes de tirar conclusões.

Sem liberdade
Enquanto uma pessoa normal teria dificuldade para concatenar tantas informações esparsas, as empresas não só já possuem seus dossiês sobre seus usuários como criam novas formas de tirar mais dos dados que já possuem.

O Facebook, por exemplo, pediu o registro da patente de um algoritmo que posiciona alguém em determinada classe social com base em informações como modelo do celular, uso de internet e histórico de viagens.

Apple, Facebook, Google, Microsoft e Twitter usam não só os dados que os usuários fornecem, mas todos os hábitos de consumo dos usuários para enviar conteúdo. Algumas delas tentam ir além e fazer essas sugestões com base no estado emocional das pessoas. Para os especialistas ouvidos pelo G1, isso pode limitar a liberdade de escolha.

A manipulação dos dados pessoais equivale à manipulação da própria pessoa, porque esses dados não são algo que podem ser separados dela, são uma projeção, diz Doneda.

Uma manipulação dos dados pessoais pode restringir a nossa liberdade a tal ponto de muitas das nossas opções e nossos direitos acabem sendo prejudicados.

Alphabet
Apple
Facebook

Google
Microsoft
Twitter 

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Panótia, o desconhecido antigo supercontinente da Terra

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Geólogos dizem ter encontrado evidências de supercontinente descrito pela primeira vez em 1997 e que existiu há 600 milhões de anos.

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BBC
Por BBC 
Postado em 12 de abril de 2018 às 11h00m 



Autor de teoria que encontrou grande aceitação entre geólogos diz que aglutinação de continentes e sua posterior separação é um movimento cíclico que ocorre a cada meio milhão de anos (Foto: Getty Images)

Antes de Pangeia, houve outros supercontinentes, que, segundo uma teoria surgida nos anos 80 e hoje amplamente aceita entre geólogos, se sucederam em ciclos de 400 a 500 milhões de anos.

Dois desses supercontinentes teriam sido os de Rondínia, que existiu há 1,1 bilhão de anos, e o de Columbia, formado e separado antes, há entre 1,8 e 1,5 bilhão de anos.

Mas um estudo recente publicado por um dos autores da teoria formulada nos anos 80 defende que entre Rondínia e Columbia existiu um supercontinente "intermediário", batizado de Panótia, descrito pela primeira vez em 1997.

A teoria do ciclo supercontinental foi proposta por Damian Nance e Tom Worsley, respeitados geólogos da Universidade de Ohio (Estados Unidos).

Eles sugeriram que em vários momentos da história da Terra os continentes se juntaram para formar um corpo que depois se separava, em um processo cíclico.

Segundo os acadêmicos, esse ciclo teve uma profunda influência no curso da história do planeta e da evolução de seus oceanos, atmosfera e biosfera. Além disso, é visto agora como a influência dominante sobre a circulação do manto terrestre, afetando profundamente o comportamento do campo magnético da Terra.
Com base no estudo de rochas e fósseis, geólogos tentam rastrear mudanças ocorridas no planeta (Foto: Getty Images)
Agora, em um estudo publicado na revista da Sociedade de Geologia em Londres, Nance e o colega Brendan Murphy, da Universidade de St. Francis Xavier, no Canadá, defendem a existência do supercontinente Panótia, há 600 milhões de anos.

A possibilidade de esse supercontinente ter existido havia sido mencionada em outros estudos anteriores, mas nunca foi bem aceita por causa de incongruências nas estimativas de seu surgimento e sua separação.

Mas Nance e Murphy dizem que o reconhecimento da existência de grandes massas terrestres passadas não pode depender unicamente de modelos de reconstrução continental baseada nos formatos dos continentes atuais e deveria explorar os vários fenômenos que acompanham sua formação e sua ruptura - como a criação montanhas na colisão entre continentes e de fendas e fissuras quando massas continentais se separam.
Gretas e rachaduras são sinais da separação do continente, segundo geólogos (Foto: Getty Images)

Além disso, a formação de supercontinentes fomenta extinções à medida que as condições na superfície e habitats são destruídos - enquanto que a separação fomenta migrações, à medida que novos habitats são formados.

O estudo diz que os supercontinentes também afetam o nível do mar, a química do oceano e o clima de maneiras previsíveis e deixam uma série de sinais isotópicos que podem ser identificados em rochas.
"Quando se examina o registro geológico na busca por evidências desses fenômenos, o argumento a favor de Panótia é inconfundível", dizem Nance e Murphy.
Nance e Murphy dizem que no intervalo de tempo atribuído à criação e ruptura de Panótia houve algumas das mais profundas mudanças na história do planeta, como a aparição generalizada de montanhas, seguida de rupturas continentais - e que estas afetaram os oceanos, o clima e a biosfera.

Segundo eles argumentam no estudo, são fortes evidências de que Panótia existia e "ignorá-los seria negligenciar algumas das mudanças mais profundas da história da Terra". 
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quarta-feira, 11 de abril de 2018

Antártica perde área submersa do tamanho de Londres desde 2010

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Até agora, região era tida como relativamente estável, mas um novo estudo sugere que a mudança climática atua numa escala muito maior do que constatada anteriormente – e com consequências devastadoras.

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Deutsche Welle
Por Deutsche Welle 
Postado em 11 de abril de 2018 às 20h30m 


Ilustração mostra as taxas de migração nas linhas de aterramento (Foto: ESA) 

Há tempos cientistas mantém ligado o sinal de alerta para a progressão do derretimento ao redor do Polo Norte. O Ártico pode ficar completamente sem gelo por volta de 2040 devido às mudanças climáticas. Mas a Antártica, a região ao redor do Polo Sul, do outro lado do globo terrestre, era até então considerada mais estável, já que seu gelo enfrenta um derretimento mais lento e num padrão menos regular.

Um novo estudo científico que examinou o estado atual da camada de gelo da Antártica mostrou que as geleiras estão recuando rapidamente e, consequentemente, contribuindo para o aumento do nível do mar. Na verdade, a Antártica poderá em breve ultrapassar a Groenlândia e se tornar a maior fonte responsável pelo aumento do nível do mar.

Até agora, o recuo dos glaciares era determinado principalmente pela observação de cima da extensão da massa de gelo nos dois polos. Mas as geleiras estão retrocedendo também abaixo da água.

Parte do gelo na Antártica se estende até dois quilômetros de profundidade. E o derretimento da camada submersa é especialmente perigoso. Pense nos glaciares como gigantescos cubos de gelo que ficam abaixo da superfície do oceano, com apenas uma pequena parte acima do nível da água.

O limite entre a placa de gelo flutuante e o gelo ancorado abaixo dela é chamado de linha de aterramento – e esse é o parâmetro que precisa ser examinado ao estabelecer quanto e quão rapidamente os níveis do mar estão realmente aumentando.

O encolhimento das geleiras abaixo da linha de aterramento pode ocorrer por derretimento ou ao se desprender do fundo do mar ou do leito rochoso do continente por serem finas demais. Isso aumenta o nível do mar, e com o recuo da linha de aterramento é diminuída a capacidade da camada de gelo da Antártica de bloquear a água doce dos oceanos e a consequente limitação na elevação das águas.

Recuo mais rápido de geleiras
Por essa razão, os cientistas da Universidade de Leeds, no Reino Unido, criaram um mapa subaquático da Antártica com base em sete anos de dados de satélite e de conhecimento sobre a geometria da camada de gelo.

"Criamos um novo método que nos permite mapear linhas de aterramento e estudar seu recuo em toda a Antártica", diz o autor principal do estudo, Hannes Konrad.
O cientista e seus colegas examinaram o quanto do gelo abaixo da superfície do mar tem diminuído devido à mudança climática e em qual velocidade. E ficaram chocados com as descobertas.


O aquecimento das águas fez com que a base de gelo perto do fundo do mar diminuísse significativamente. Segundo os pesquisadores, uma área de gelo submerso do tamanho da região metropolitana de Londres se tornou consideravelmente mais fina em apenas cinco anos e, consequentemente, descolou-se da bacia oceânica. Ou o gelo já derreteu debaixo d'água ou está se movendo mais rapidamente em direção ao oceano, onde os icebergs se rompem.

Isso ocorreu em meados de 2017, quando um iceberg com sete vezes o tamanho de Berlim se separou da plataforma de gelo Larsen C. Dois meses depois, a geleira Pine Island, no oeste da Antártica, perdeu um iceberg quatro vezes do tamanho de Manhattan. 

Uma imensa rachadura na plataforma de gelo Larsen C é vista em imagem aérea feita em novembro de 2016. A rachadura cresceu de tal forma em dezembro que agora apenas 20 km de gelo impedem o imenso bloco de 5 mil km² (o equivalente a 500 mil campos de futebol, ou à área do DF) de se soltar, como aponta um estudo divulgado nesta sexta-feira (6) (Foto: John Sonntag/Nasa)

Uma vez desprendidos, os icebergs deixam plataformas de gelo mais fracas para trás, levando a um fluxo mais veloz de geleiras do continente e, desta forma, a um aceleramento do aumento dos níveis do mar.

Os cientistas agora também são capazes de colocar o derretimento das geleiras num contexto mais amplo. Eles descobriram que quase um quarto das geleiras da Antártica Ocidental está recuando atualmente mais rápido do que a corrente média de gelo no final da última era glacial, há cerca de 20 mil anos, quando os níveis do mar ainda estavam 120 metros mais baixos do que estão hoje em dia.
"Isso é bastante alarmante, especialmente para as pessoas que vivem em áreas costeiras", diz Konrad.
Ameaça para ilhas e cidades costeiras
A Antártica é o maior reservatório de água doce do planeta e tem o potencial de elevar significativamente os níveis do mar em todo o mundo. Um perigo real para países insulares e cidades costeiras, que poderiam ser inundadas.


Estudos anteriores mostraram que o glaciar Thwaites, por exemplo, uma das geleiras mais importantes da Antártica e sob ameaça do aquecimento dos oceanos, está regredindo cerca de 400 metros por ano nas últimas décadas. 

"Confirmamos que esta taxa ainda está atualizada", afirma Konrad.  
Há indícios de que a geleira pode entrar em colapso nos próximos 500 a mil anos, segundo o cientista. "Se isso ocorrer, elevará em cerca de dois metros o nível de nossos oceanos", segundo Konrad.

"O problema é que, mesmo que consigamos parar o aquecimento dos oceanos ou até resfria-los novamente, não há como a geleira se estabilizar novamente. Isso significa que certas ilhas deixarão de existir."
De acordo com Konrad, a Antártica deverá ultrapassar a Groenlândia e se tornar o principal impulsionador do aumento do nível do mar no próximo século.


"A Antártica Ocidental pode adicionar 4,5 metros ao nível do mar nos oceanos, então imagine o que acontecerá a uma cidade como Londres, que fica a exatamente essa altitude do nível do mar", diz Konrad.
"Isso não ocorrerá imediatamente, então ainda há tempo para se ajustar, mas isso vai acontecer e temos que nos preparar e agir."


Outras pesquisas confirmam o motivo de preocupação. Anders Levermann, do Instituto para Pesquisa sobre o Impacto Climático (PIK, na sigla em alemão), em Potsdam, publicou um estudo semelhante em 2017. A pesquisa observou que as plataformas de gelo derretidas na Antártica podem ter um efeito sobre os fluxos de gelo e, consequentemente, acelerar o derretimento de gelo terrestre e elevar o nível marítimo.

"Isso mostra os riscos que corremos na Antártica, se não limitarmos o aquecimento do nosso planeta", afirmou Levermann após a publicação de seu estudo. "Limitar o aquecimento global é necessário para estabilizar as massas de gelo da Antártica, evitar muitos metros de aumento adicional do nível do mar e, portanto, proteger cidades como Nova York, Hamburgo, Mumbai e Xangai."
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