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terça-feira, 24 de junho de 2025

Ataque dos EUA atrasou programa nuclear do Irã por apenas alguns meses, diz jornal

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Relatório dos EUA obtido pelo "New York Times" contradiz o governo americano e diz que instalações nucleares do Irã não foram destruídas. País ainda pode enriquecer urânio e construir bomba rudimentar em até seis meses. Casa Branca nega.
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Por Redação g1

Postado em 24 de Junho de 2.025 às 17h45m

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Israel acusa Irã de violar cessar-fogo
Israel acusa Irã de violar cessar-fogo

O ataque dos Estados Unidos contra instalações do Irã no sábado (21) atrasou o programa nuclear do país "em apenas alguns meses", segundo reportagem do "The New York Times". O jornal cita um relatório preliminar americano obtido por fontes da inteligência sob condição de anonimato.

De acordo com o documento da Agência de Inteligência de Defesa (DIA, na sigla em inglês), obtido pelo jornal, os ataques selaram as entradas de dois dos três locais atingidos — Fordow, Natanz e Isfahan — mas não chegaram a colapsar suas estruturas subterrâneas, onde estão parte dos principais laboratórios do programa nuclear iraniano.

A eletricidade e parte do maquinário foram danificados, mas a estrutura física das instalações continua de pé, segundo fontes de defesa dos EUA e de Israel. Para que os danos fossem mais duradouros, seriam necessárias múltiplas rodadas de ataques, disseram militares americanos.

Logo após o bombardeio, o secretário de Defesa dos EUA, Peter Hegseth, disse que o ataque "foi concluído com sucesso" e que foi o "último golpe no programa nuclear iraniano". "Ficou claro que devastamos o programa nuclear iraniano", disse ele.

Segundo o relatório, diz a reportagem, antes dos bombardeios, as agências de inteligência estimavam que, caso decidisse produzir uma arma nuclear, o Irã levaria cerca de três meses para conseguir um "artefato básico". Após os ataques americanos e israelenses às instalações, essa previsão foi estendida para "um prazo inferior a seis meses".

A estimativa considera que o Irã ainda possui controle sobre quase todo o seu estoque de urânio enriquecido, que foi deslocado antes da ofensiva, aponta o "The New York Times". Fontes da inteligência americana afirmam que parte desse material pode ter sido transferida para instalações secretas de enriquecimento, fora do alcance das bombas.

Relatório contradiz governo americano

A reportagem afirma que o relatório indica que o impacto da operação foi menor do que o anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse ao "The New York Times" que a avaliação está completamente errada.

Todo mundo sabe o que acontece quando você joga 14 bombas de 30 mil libras perfeitamente nos alvos: destruição total, disse Leavitt em comunicado.

Apesar do discurso oficial, autoridades americanas admitem, nos bastidores, que os danos foram significativos, mas insuficientes para impedir o Irã de retomar seu programa nuclear em curto prazo.

No entanto, relatos de novos ataques em Teerã e declarações cruzadas entre os envolvidos colocaram o acordo sob incerteza logo nas primeiras horas.

Trump afirmou que tanto Israel quanto Irã violaram os termos da trégua, negociada com participação ativa do Catar, e que estava "insatisfeito com os dois lados".

Ataques de Israel no Irã — Foto: Vahid Salemi/AP
Ataques de Israel no Irã — Foto: Vahid Salemi/AP

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domingo, 22 de junho de 2025

Irã lança mísseis em Israel horas após ataque dos EUA em instalações nucleare

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https://www.msn.com/pt-br/channel/source/Itatiaia/
História de Enzo Menezes
 • 8 h • 
Postado em 22 de Junho de 2.025 às 010h00m

#.* --  Post. - Nº.\  11.692  --  *.#


Irã lança mísseis em Israel horas após ataque dos EUA em instalações nucleares

Mísseis iranianos atingiram três regiões de Israel, incluindo a cidade costeira de Tel Aviv, na manhã deste domingo (22), deixando ao menos 23 feridos. Os ataques acontecem horas depois dos Estados Unidos bombardearem três importantes instalações nucleares da República Islâmica.

Em Ramat Aviv, bairro de Tel Aviv, edifícios sofreram danos severos. O prefeito Ron Huldai, ao inspecionar os locais atingidos, afirmou que "as casas aqui foram atingidas com muita, muita gravidade". Ele ressaltou, no entanto, que uma das residências impactadas estava desocupada. "Aqueles que estavam no abrigo estão todos seguros e bem. Os danos são muito, muito extensos, mas em termos de vidas humanas, estamos bem", afirmou, conforme a AFP.

Ataques em Haifa e Ness Ziona

A polícia israelense confirmou em comunicado que equipes foram enviadas a outros dois pontos atingidos: um em Haifa, ao norte, e outro em Ness Ziona, ao sul de Tel Aviv.

Fotos da AFP em Haifa mostraram uma praça pública em área residencial coberta por escombros, com lojas e casas vizinhas danificadas.

Eli Bin, chefe do Magen David Adom, o equivalente israelense da Cruz Vermelha, informou que o total de feridos nos ataques em todo o país chegou a 27, sendo "duas (vítimas) em estado moderado e o restante com ferimentos leves".

O exército israelense reportou que duas salvas de mísseis foram disparadas contra Israel 

O exército israelense reportou que duas salvas de mísseis foram disparadas contra Israel por volta das 7h30 (1h30 no horário de Brasília). O ataque iraniano ocorre horas depois de os Estados Unidos entrarem no conflito por decisão de Donald Trump.

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sábado, 21 de junho de 2025

'Terras raras': jazida sobre vulcão inativo no Sul de MG pode colocar o Brasil na liderança da transição energética

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Área de 750 km² abrange quatro municípios. Potencial de exploração torna a Caldeira de Poços de Caldas competitiva em volume e custos com a mineração da China, líder no segmento desde 1990.
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Por Fabiana Assis, g1 Sul de Minas

Postado em 21 de Junho de 2.025 às 08h30m

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Vulcão inativo no Sul de MG abriga jazida de terras raras
Vulcão inativo no Sul de MG abriga jazida de terras raras

A possibilidade de exploração dos minérios conhecidos como "terras raras" na área de um vulcão extinto há 120 milhões de anos no Sul de Minas Gerais tem potencial para colocar o Brasil na posição de protagonista da transição energética. Este tipo de material ganhou importância estratégica em todo o mundo e virou, inclusive, alvo de disputas comerciais entre China e Estados Unidos.

🔎"Terras raras" são um conjunto de 17 elementos químicos essenciais na fabricação de compostos usados em tecnologias de energia limpa (veja infográfico abaixo). Apesar do nome, eles são abundantes na natureza. O termo raras se refere à dificuldade de separá-los dos minerais onde estão presentes.

O Brasil tem a segunda maior reserva de "terras raras" do mundo, com 21 milhões de toneladas, o equivalente a 23% do total global, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). Projetos de extração desses minérios já estão em andamento em Goiás e Minas Gerais, mas há jazidas também no Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo e Roraima.

Terras Raras: jazida sobre vulcão inativo no Sul de MG pode colocar o Brasil como protagonista na corrida global por energia limpa — Foto: Arte g1
Terras Raras: jazida sobre vulcão inativo no Sul de MG pode colocar o Brasil como protagonista na corrida global por energia limpa — Foto: Arte g1

O unicórnio do vulcão

O depósito de "terras raras" formado sobre a cratera do vulcão extinto no Sul de Minas Gerais se destaca pela extensão e alta concentração de minério. Ele também possui facilidades de extração não encontradas em outros locais do mundo, sendo considerada por algumas empresas de mineração "um unicórnio" - termo utilizado para ilustrar a sua raridade e a sua singularidade.

🌋A origem desse potencial todo é a rocha formada na época ativa do vulcão, que é alcalina — um tipo mais frágil e mais suscetível às ações do tempo, que ao longo de milhões de anos, se transformou em argila rica em íons de "terras raras".

A cratera de Poços de Caldas é a segunda maior ocorrência de rocha alcalina do mundo. Fica atrás apenas de uma jazida na Sibéria, mas que não tem as condições de clima e temperatura necessárias para a formação de argila iônica.

O grande diferencial é a rocha alcalina. O mundo inteiro está procurando e ainda não encontrou nada semelhante ao que nós temos aqui. Hoje nós somos a melhor jazida do mundo e a maior, afirmou o geólogo Álvaro Fochi, responsável pela descoberta do depósito.

Área de extração de "terras raras" na região da caldeira vulcânica de Poços de Caldas — Foto: Divulgação / Meteoric Resources
Área de extração de "terras raras" na região da caldeira vulcânica de Poços de Caldas — Foto: Divulgação / Meteoric Resources

A região também se destaca pela qualidade do minério. Enquanto a média global de "terras raras" na argila é de 1 mil ppm a 1,5 mil ppm (partes por milhão) por tonelada de óxidos de "terras raras" totais (TREO), na caldeira de Poços de Caldas este índice é 2,5 mil ppm/t, com um aproveitamento de 70% na sua separação do minério, contra 40% da média global.

A jazida da caldeira de Poços foi identificada em 2012 e comprovada por testes realizados em laboratórios do Rio de Janeiro e do Canadá, mas apenas em 2022 duas empresas australianas avançaram nos estudos e processo de licenciamento necessários para a extração dos minérios, que deve ter início entre 2026 e 2027.

  • Projeto Caldeira, em Caldas, da Meteoric Resources: a estimativa global de recursos minerais é de 740 milhões de toneladas e 2.572 ppm de TREO em uma área de 193 km².
  • Projeto Colossus, em Poços de Caldas, da Viridis: a estimativa global de recursos minerais é de 201 milhões toneladas e 2.590 ppm de TREO em uma área de 228,62 km² .

As estimativas acima, de acordo com essas empresas, correspondem apenas aos projetos iniciais de exploração. Os estudos foram feitos somente em 15% de toda a extensão da cratera e identificaram 2 bilhões de toneladas de argila com íons de "terras raras", o que garante 20 anos de mineração. Considerando as áreas ainda não estudadas, estima-se que essa quantidade pode chegar a 10 bilhões de toneladas.

Essas condições fazem da caldeira de Poços de Caldas a única jazida capaz de competir em volume e custos com a mineração realizada na China. Segundo as mineradoras, o preço de produção deve ser de cerca de US$ 6 por quilo — o mais baixo do mundo.

"A China domina grande parte da oferta global de 'terras raras', sendo que crises políticas e comerciais têm impactado diversas empresas ao redor do mundo. Nosso projeto se destaca pela capacidade de produzir até 7% da demanda global de Carbonato Misto de 'terras raras' a um valor altamente competitivo", diz o gerente regional da Viridis, Klaus Petersen.

Preocupação com os impactos ambientais

A mineração é um processo complexo que envolve diversas etapas. Após a extração, o minério bruto passa por processos de beneficiamento, como britagem, moagem e separação química, para concentrar o material de interesse.

Para cada tonelada de argila que é processada com ácido e sulfato de amônia, só um quilo é retirado do produto que será aproveitado na indústria, segundo o ambientalista Daniel Tygel, presidente da Aliança em Prol da APA da Pedra Branca, de Caldas. O restante é devolvido para as cavas abertas pela mineração.

Ambientalistas questionam sobre impactos da extração de terras raras
Ambientalistas questionam sobre impactos da extração de terras raras

"É necessária a realização de um estudo independente financiado pelas prefeituras de Poços de Caldas, Andradas, Caldas e Águas da Prata para poder compreender os impactos envolvidos. Não há garantia de que essa terra que é processada quimicamente, que vai voltar para as cavas, não gerará impactos para a saúde, para o solo, o ar e as águas", afirma Tygel.

A Prefeitura de Poços de Caldas diz que acompanha a implantação dos estudos de impacto ambiental realizados pela mineradora.

“Poços tem que se preparar de forma ordenada, de forma responsável para absorver esse crescimento, tanto com geração de emprego, capacitação de mão-de-obra, geração de recursos mesmo através dos impostos, tem uma gama de oportunidades, mas de forma responsável, tanto socialmente e ambientalmente”, afirmou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Franco Otávio Tobias Martins.

A Prefeitura de Caldas confirmou que emitiu a licença de uso e ocupação do solo, que faz parte do processo de licenciamento estadual.

“Essa certidão atesta que o empreendimento está em acordo com as leis e regulamentos municipais. Além disso, a prefeitura está estabelecendo juntamente com a Câmara de Vereadores um termo de compromisso para resguardar os interesses do município, da comunidade e, principalmente do meio ambiente”, afirmou a secretária municipal de Meio Ambiente, Ianka Oliveira.

Nos municípios de Andradas e Águas da Prata ainda não há projetos para extração de "terras raras".

Na superfície

As mineradoras dizem que um dos grandes diferenciais da cratera de Poços de Caldas é que os minérios que contêm "terras raras" estão na superfície, o que facilita a sua extração, pois não há necessidade de dinamitar ou abrir grandes cavas, o que diminui os impactos ambientais e torna o processo até cinco vezes mais barato.

“Nas minas de argila iônica, a natureza fez tudo. A natureza destruiu a rocha e a transformou em argila iônica”, afirma Fiochi.

O processo de extração e reabilitação ambiental da área ocorre de forma contínua em um sistema chamado de backfill, que ao mesmo tempo que uma nova cava é aberta, outra aberta antes vai sendo recuperada com o material retirado da anterior e assim por diante.

"É a tecnologia mais sustentável de mineração no mundo", explica o professor do Departamento de Engenharia de Minas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Roberto Galery.

➡️Veja as etapas do processo de mineração de terras taras:

  1. Remoção do Solo: retira-se uma camada de aproximadamente 30 metros de profundidade com retroescavadeiras.
  2. Lixiviação: a argila extraída é lavada com uma solução diluída de sulfato de amônia (usado em fertilizantes), que libera os íons das terras raras.
  3. Separação e precipitação: o líquido com os íons entra em um circuito fechado, onde os elementos são separados e transformados em carbonato, o produto final usado pela indústria.
  4. Lavagem e reutilização da argila: a argila é lavada novamente para remover impurezas e depois armazenada para ser usada na recuperação das cavas já exploradas.
  5. Recuperação ambiental: o terreno é reconstituído com vegetação semelhante à original, respeitando o ecossistema local.
  6. Gestão de rejeitos e água: não há acúmulo de rejeitos nem necessidade de barragens, pois o material escavado é reutilizado para preencher as cavas. A água usada vem de reservatórios agrícolas e é 80% reutilizada. Os 20% restantes correspondem à umidade natural da argila.

“Você não detona, não usa muita energia, não usa ácido forte, não usa temperatura. Então o processo é mais barato, você lava a argila e devolve ela para para a cava, ou seja, depois de um ano que você lavou, você não tem nem cicatriz e você consome pouca energia. E o Brasil tem as algumas vantagens, a energia é 100% renovável", afirma o diretor executivo da Meteoric, Marcelo Juliano de Carvalho.

Amostra de argila retirada de área formada sobre cratera de vulcão extinto no Sul de Minas rica em elementos conhecidos por terras raras — Foto: Viridis/Divulgação
Amostra de argila retirada de área formada sobre cratera de vulcão extinto no Sul de Minas rica em elementos conhecidos por terras raras — Foto: Viridis/Divulgação

Investimento estrangeiro e cadeia de produção

O potencial de terras raras no Brasil tem atraído investimentos estrangeiros, e a mineração deve gerar alta arrecadação com impostos. Pela lei, a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) desses elementos equivale a 2% da receita bruta da mineradora, sendo 65% desse montante destinado ao Município.

Em Poços de Caldas, a arrecadação anual pode chegar a R$ 23 milhões, dos quais R$ 15 milhões devem ser repassados ao Município. O valor corresponde a 15 anos de arrecadação com a mineração tradicional do município focada em bauxita e argila refratária.

O primeiro projeto começou a ser montado há 15 anos em Goiás, com capital americano e britânico e, por um bom tempo, foi o único. Mas nos últimos dois anos mais de duas dezenas de empresas solicitaram autorização para explorar jazidas.

Desafio na comercialização

Além da exploração, o Brasil enfrenta o desafio da comercialização. Existe um esforço para manter os elementos de "terras raras" no país e ajudar a criar uma cadeia produtiva nacional, algo inédito fora da China, para a transição energética e desenvolver uma indústria de transformação integrada.

O país asiático lidera a exploração de "terras raras" desde os anos 1990, quando tirou a hegemonia dos Estados Unidos, e, atualmente, detém quase 75% da mineração de "terras raras", 85% do processo de refino e 95% da produção de ímãs no mundo.

O neodímio é empregado para fabricar os poderosos ímãs usados em alto-falantes e discos rígidos de computadores — Foto: Getty Images via BBC
O neodímio é empregado para fabricar os poderosos ímãs usados em alto-falantes e discos rígidos de computadores — Foto: Getty Images via BBC

Em outra frente para este tipo de exploração mineral, o governo pretende criar uma cadeia completa de produção de ímãs de Neodímio, Ferro e Boro (NdFeB). O plano inclui desde a extração e beneficiamento mineral até a fabricação e reciclagem, com aplicações estratégicas nos setores automotivo, de energia renovável e eletrônico.

Para isso, foi inaugurado em maio um laboratório em Lagoa Santa (MG), o CIT SENAI ITR, com capacidade para produzir até 100 toneladas de ímãs por ano para projetos de pesquisa e inovação em parceria com empresas. No início da operação, a matéria-prima virá da China, mas o objetivo é que passe a utilizar o minério brasileiro.

“A proposta é que o CIT SENAI ITR se torne a maior planta de pesquisa aplicada na produção de ímãs permanentes na América do Sul e que o projeto MagBras seja o pontapé inicial para a produção de ímãs de terras raras no Brasil, com todo o ciclo de produção nacional, desde o processo de concentração e separação de terras raras até a produção final do ímã permanente, que é o produto de maior valor agregado”, diz, em nota, a Fiemg.

Laboratório de ímãs de terras raras é inaugurado pela Fiemg em Lagoa Santa, MG — Foto: Fiemg/Divulgação
Laboratório de ímãs de terras raras é inaugurado pela Fiemg em Lagoa Santa, MG — Foto: Fiemg/Divulgação


Solo de região do Sul de Minas que fica sobre uma cratera de vulcão extinto é rico em terras raras — Foto: Reprodução EPTV
Solo de região do Sul de Minas que fica sobre uma cratera de vulcão extinto é rico em terras raras — Foto: Reprodução EPTV

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sexta-feira, 20 de junho de 2025

Conheça o Estreito de Ormuz, crucial para o petróleo global e sob risco de fechamento pelo Irã

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Protegido pelos EUA, o estreito é a principal rota marítima para navios petroleiros no mundo — e responsável por cerca de 20% do transporte global da commodity. O bloqueio da passagem é uma retaliação cogitada pelo Irã em caso de ataque dos EUA no conflito com Israel.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 20 de Junho de 2.025 às 06h00m

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Petróleo chega a subir mais de 14% mas cotação perde força ao longo do pregão
Petróleo chega a subir mais de 14% mas cotação perde força ao longo do pregão

Diante de um possível ataque direto dos Estados Unidos contra o Irã, o governo iraniano ameaça fechar o Estreito de Ormuz, uma "artéria" da indústria petrolífera por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo do mundo.

O bloqueio da via marítima, localizada entre Omã e o Irã, seria uma das possíveis formas de retaliação do governo iraniano caso os EUA entrem de fato na guerra — a mídia americana indica que já há plano para ataque.

O presidente Donald Trump afirmou que irá decidir nas próximas duas semanas sobre o envolvimento direto do país no conflito.

Os EUA são os responsáveis por proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz. A região é monitorada pela 5ª Frota da Marinha americana, com base no Bahrein.

As ameaças de grupos políticos iranianos de bloquear o Estreito de Ormuz preocupam o mundo todo, já que isso poderia provocar a disparada no preço do barril de petróleo. Com o confronto entre Israel e Irã, navios petroleiros foram orientados por agências marítimas a redobrar a cautela na região.

O preço do petróleo já registra forte alta desde a última sexta-feira (13), quando começaram as ofensivas. Só no primeiro dia de conflito, o salto foi de 8%. Veja o acumulado:

  • ▶️ O barril tipo Brent (referência global) subiu de US$ 69,36 na última quinta-feira (12) para US$ 78,74 nesta quinta (19), avanço de 13,5%.
  • ▶️ O petróleo WTI (referência nos EUA) saltou de US$ 66,64 para US$ 73,88 no mesmo período, alta de 10,9%.
Navio passa pelo estreito de Ormuz — Foto: REUTERS/Hamad I Mohammed/File Photo
Navio passa pelo estreito de Ormuz — Foto: REUTERS/Hamad I Mohammed/File Photo

A disparada já no primeiro dia de conflito representou um dos maiores movimentos intradiários (que acontecem no mesmo dia) para ambos os contratos desde 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia provocou um salto nos preços da energia.

Analistas do JPMorgan afirmaram que, no pior cenário, o fechamento do estreito ou uma retaliação por parte dos principais produtores de petróleo da região poderia elevar os preços para a faixa de US$ 120 a US$ 130 por barril.

Ao longo dos últimos anos, o Irã já ameaçou bloquear o estreito em diversas ocasiões, mas nunca cumpriu a promessa.

Uma das vezes foi em 2019, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, retirou-se do acordo nuclear firmado com o país — o republicano, inclusive, busca atualmente um novo acordo com os iranianos.

Veja abaixo outros detalhes sobre o estreito.

Estreito de Ormuz — Foto: Arte/g1
Estreito de Ormuz — Foto: Arte/g1

'Artéria' do trânsito mundial de petróleo

O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico (ao norte) com o Golfo de Omã (ao sul), e "deságua" no Mar da Arábia. Na sua parte mais estreita, o estreito tem 33 km de largura, com canais de navegação de apenas 3 km em cada direção.

Cerca de um quinto de todo o consumo mundial de petróleo passa pelo estreito. Entre o início de 2022 e maio deste ano, aproximadamente 17,8 a 20,8 milhões de barris por dia de petróleo bruto, condensado ou combustível fluíram diariamente pelo local, segundo dados da plataforma de monitoramento marítimo Vortexa.

Membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque exportam a maior parte do seu petróleo através do estreito, principalmente para a Ásia.

Os Emirados Árabes e a Arábia Saudita buscam rotas alternativas para não depender do estreito.

O Catar, um dos maiores exportadores mundiais de gás natural liquefeito, envia quase toda sua produção através do estreito.

Segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA, havia cerca de 2,6 milhões de barris por dia de capacidade ociosa nos oleodutos existentes desses países, que poderiam ser usados para contornar Ormuz (dados de junho do ano passado).

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