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terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Momento Sputnik? Por que a IA chinesa DeepSeek é apontada como ameaça ao protagonismo dos EUA no setor

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Robô conversador superou rival ChatGPT em downloads nos EUA e fez gigantes de tecnologia perderem US$ 1 trilhão em valor de mercado por se apresentar como uma alternativa mais barata que os modelos de inteligência artificial mais famosos do mundo.
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Por Luciana de Oliveira, Lara Castelo, Victor Hugo Silva, g1

Postado em 28 de Janeiro de 2.025 às 04h50m

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Logo do Deepseek — Foto: Dado Ruvic/Reuters
Logo do Deepseek — Foto: Dado Ruvic/Reuters

"Momento Sputnik": esta foi uma das expressões usadas pelo mercado para resumir a reviravolta causada em poucos dias pelo DeepSeek, o rival chinês do ChatGPT.

A nova versão do robô conversador (chatbot) foi lançada ao público no dia da posse de Trump, 20 janeiro. Em uma semana, fez empresas gigantescas de tecnologia perderem US$ 1 trilhão na bolsa de Nova York, ao ultrapassar o ChatGPT em número de downloads nos EUA, na loja de aplicativos da Apple.

O que faz analistas e investidores compararem a novidade chinesa ao lançamento do satélite soviético Sputnik, em 1957, que pegou os americanos de surpresa e deu origem à corrida espacial durante a Guerra Fria

➡️ Parte do que preocupa observadores da indústria de tecnologia dos EUA é a ideia de que a startup chinesa está emparelhando com empresas americanas na corrida pelo domínio da inteligência artificial, só que com gastos bem menores.




Casa Branca anuncia acordo bilionário das big techs para desenvolver a Inteligência Artificial

Entenda mais abaixo.

O DeepSeek tem sido descrito como um ChatGPT de baixo custo. Pesquisadores da startup disseram que o investimento para treinar o chatbot chinês foi de US$ 6 milhões (cerca de R$ 35 milhões), uma quantia que parece irrisória frente aos bilhões de dólares gastos por empresas americanas.

Gigantes do setor treinam seus robôs de IA com supercomputadores que usam cerca de 16 mil chips, enquanto os engenheiros da DeepSeek disseram ter precisado de apenas 2 mil chips para realizar a mesma tarefa, informou o jornal The New York Times.

O custo muito inferior fez investidores questionarem a sustentabilidade de gastos no setor, daí as perdas na bolsa, que se concentraram sobre as "big techs".

A Meta, por exemplo, que recentemente incluiu sua IA em aplicativos como o WhatsApp, anunciou na última sexta (24) que prevê investir até US$ 65 bilhões (R$ 383 bilhões) neste ano no segmento, 50% a mais que em 2024.

"Este ano será definidor para a IA", afirmou o presidente da empresa, Mark Zuckerberg.

DeepSeek — Foto: Reuters/Dado Ruvic
DeepSeek — Foto: Reuters/Dado Ruvic

Os chineses, por sua vez, tiveram que buscar alternativas por não terem à disposição os chips mais avançados para IA, ao contrário de empresas como a Meta e da OpenAI, criadora do ChatGPT.

Isso porque, em 2022, sob o governo de Joe Biden, os EUA restringiram as exportações desses equipamentos para o país asiático. As limitações deveriam ser seguidas pela Nvidia e pela AMD, líderes globais em produção de chips para IA.

"Isso fará os chineses retrocederem anos", disse, na época, Jim Lewis, especialista em tecnologia e segurança cibernética do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), em Washington. Ele afirmou que as políticas remontavam aos rígidos regulamentos do auge da Guerra Fria.

Mas a fama repentina do DeepSeek está levando ao questionamento da eficácia dessas medidas. E colocou em dúvida o domínio ocidental no setor.

O projeto chamado de Stargate foi definido pelo presidente dos EUA como "o maior de infraestrutura de IA da história".

Donald Trump anunciou o plano de infraestrutura para inteligência artificial nos EUA. Ao lado dele estão Masayoshi Son, CEO do SoftBank, Larry Ellison, cofundador da Oracle, e Sam Altman, da OpenAI — Foto: AP/Julia Nikhinson
Donald Trump anunciou o plano de infraestrutura para inteligência artificial nos EUA. Ao lado dele estão Masayoshi Son, CEO do SoftBank, Larry Ellison, cofundador da Oracle, e Sam Altman, da OpenAI — Foto: AP/Julia Nikhinson

Mas foi um dos conselheiros de Trump, o investidor de risco do Vale do Silício Marc Andreessen, que classificou a chegada do DeepSeek como "o momento Sputnik da inteligência artificial".

"O DeepSeek é um dos avanços mais impressionantes que eu vi em toda minha vida", postou Andreessen.

"O que nós descobrimos é que o DeepSeek tem melhor desempenho, ou pelo menos igual, aos melhores modelos americanos", postou Alexandr Wang, da Scale AI, fornecedora de treinamento de inteligência artificial para gigantes como OpenAI, Google e Meta.

Wang disse no X que o DeepSeek representa um "alerta" para os EUA, que fez todos os grandes avanços em IA até então, mas não deve alterar o controle sobre a exportação de chips.

Domínio em risco

O crescimento da DeepSeek é um momento importante porque coloca em xeque a ideia de que os EUA vão manter sua liderança global por meio da infraestrutura de inteligência artificial, afirma o professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Álvaro Machado Dias.

Mas a disputa com a China não deve seguir os mesmos moldes da Guerra Fria, em que o mundo se dividiu entre aliados dos EUA e da União Soviética. Isso porque os outros países não devem apoiar esse modelo, avalia Machado Dias.

"Está muito mais no interesse americano criar essa dicotomia do que no interesse chinês. Os chineses não querem Guerra Fria nenhuma. Pelo contrário: eles querem ter os Estados Unidos como parceiro comercial, estratégico, tecnológico", afirma.

Donald Trump, presidente dos EUA, e Xi Jinping, presidente da China, em foto de 29 de junho de 2019 — Foto: Reuters/Kevin Lamarque

A possibilidade dos EUA perderem a liderança no domínio da IA para a China pode ter consequências geopolíticas relevantes, segundo Anderson Soares, coordenador Centro de Excelência em IA da Universidade Federal de Goiás (CEIA-UFG).

"Estamos falando de uma tecnologia generalista que tem se apresentado como o grande combustível da nova Revolução Industrial. Ela está presente em todos os eletrônicos usados hoje e dominá-la significa ter produtos melhores e mais baratos e, consequentemente, ter mais poder e influência", descreve.

 Mudança no mercado

O feito da China em produzir modelos de inteligência generativa avançados com menos recursos pode contribuir, inclusive, com a expansão desse mercado para além das duas potências, destaca Evandro Barros, fundador da Data-H, empresa de tecnologia com base no Canadá.

"Caso algum laboratório na Europa ou na América Latina atinja o mesmo resultado, isso vai mudar completamente a visão do mercado de IA e teremos uma desvalorização ainda mais agressiva das ações empresas que hoje dominam o setor", diz.

Alguns analistas acharam a reação do mercado exagerada. "Os modelos que eles (DeepSeek) constroem são fantásticos, mas não são milagrosos", observou Stacy Rasgon, da consultoria Bernstein, que acompanha a indústria dos chips.

O analista também questionou se a DeepSeek realmente gastou o montante informado. "A DeepSeek realmente montou uma OpenAI com US$ 5 milhões? Claro que não", disse à Reuters.

"Parece algo forçado, para dizer que as inovações lançadas pela DeepSeek são completamente desconhecidas pelos maiores pesquisadores de outros inúmeros laboratórios do setor em todo o mundo."

Além disso, o DeepSeek têm limitações em relação aos seus semelhantes americanos, aponta Carlos Souza, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-RIO).

"Ele não conseguir extrair informações de imagens e raciocina em cima delas, que é um atributo que o como o ChatGPT e o Grok [IA do X], conseguem fazer", diz Souza.

"De qualquer forma, com o DeepSeek, a China começa a mostrar o que um modelo chinês é capaz de fazer", pontua. "Até 2030, o país tem o plano de conseguir supremacia tecnológica global e o reloginho da segunda metade da década já começou a correr".

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segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Empresas de tecnologia perdem US$ 1 trilhão em valor de mercado com ‘ameaça’ de IA chinesa

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Modelo de inteligência artificial da startup DeepSeek, sediada na China, motivou a queda das ações de outras empresas do setor, como a gigante Nvidia, que atingiu perdas de US$ 600 bilhões.
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Por André Catto — São Paulo

Postado em 27 de Janeiro de 2.025 às 17h50m

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Logo do Deepseek — Foto: Dado Ruvic/Reuters
Logo do Deepseek — Foto: Dado Ruvic/Reuters

Um novo modelo de inteligência artificial (IA), produzido pela startup chinesa DeepSeek, fez empresas de tecnologia dos Estados Unidos e da Europa perderem cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado nesta segunda-feira (27). O cálculo é da agência Bloomberg.

As perdas aconteceram diante da disparada de downloads do assistente de IA da DeepSeek, que superou seu rival norte-americano ChatGPT na App Store. O aplicativo gratuito se tornou também o mais bem avaliado disponível na loja da Apple nos EUA.

O modelo de IA apresentado pela startup chinesa se destaca por ser uma alternativa viável e mais barata de inteligência artificial. (leia mais abaixo)

Isso fez investidores questionarem sobre a sustentabilidade de gastos e investimentos no setor por empresas dos Estados Unidos— incluindo a Microsoft, a Meta e a Alphabet. Também colocou em dúvida o domínio ocidental no setor.

Em outras palavras: o mercado se animou com o fato de a DeepSeek possivelmente igualar as capacidades dos modelos de IA dos EUA, mas com um orçamento muito menor.

Diante do cenário, o maior prejuízo do dia ficou com a companhia norte-americana Nvidia. A fabricante de chips e semicondutores para IA chegou a perder US$ 620 bilhões em valor de mercado nesta segunda-feira — um recuo de quase 18% —, informou o jornal britânico Financial Times.

No final do pregão, encerrou em queda de 16,9%, ou US$ 589 bilhões, perda recorde para um único dia. Até então, o pior resultado da Nvidia havia sido registrado em 3 setembro de 2024, quando caiu US$ 279 bilhões.

Os principais índices de ações dos Estados Unidos foram impactados pela novidade DeepSeek. O índice tecnológico Nasdaq fechou a sessão desta segunda em baixa de 3,07%. Já o S&P 500 recuou 1,45%, enquanto o Dow Jones avançou 0,65%.

"Os investidores estão desconcertados com esta nova reviravolta dos acontecimentos e pelo [temor] de que as empresas norte-americanas especializadas em IA percam influência", disse Sam Stovall, da consultoria financeira CFRA, à agência AFP.

Outras gigantes que fizeram grandes investimentos no setor de IA também sofreram os reflexos. A Oracle despencou 13,79%, enquanto a Alphabet (Google) recuou 4,03% e a Microsoft, 2,14%.

Enquanto isso, a Amazon contornou as perdas e finalizou a sessão com avanço de 0,24%. Já a Meta, que chegou a operar em baixa de mais de 2%, fechou em alta, de 1,91%.

Casa Branca anuncia acordo bilionário das big techs para desenvolver a Inteligência Artificial

Por que a DeepSeek causou alvoroço?

A empresa atraiu a atenção nos círculos globais de IA após escrever, em um artigo no mês passado, que o treinamento do DeepSeek-V3 exigiu em poder de computação dos chips Nvidia H800 um valor abaixo de US$ 6 milhões.

A popularidade do DeepSeek repercutiu no Vale do Silício, derrubando teorias sobre o protagonismo dos EUA em IA e a eficácia dos controles de exportação de Washington visando os recursos avançados de chip e inteligência artificial da China.

Os modelos de IA (do ChatGPT ao DeepSeek), exigem chips avançados para alimentar seu treinamento. A partir de 2021, o então presidente dos EUA, Joe Biden, ampliou o escopo das proibições para impedir que esses chips fossem exportados para a China e usados ​​para treinar os modelos de IA das empresas chinesas.

A startup chinesa alega que a qualidade e o custo eficiente dos modelos DeepSeek-V3 e DeepSeek-R1 renderam elogios de executivos do Vale do Silício e engenheiros de empresas de tecnologia dos EUA, colocando as tecnologias no mesmo nível dos modelos mais avançados da OpenAI e da Meta.

Mas alguns estão céticos sobre os custos totais de desenvolvimento da tecnologia. Analistas da gestora Bernstein, por exemplo, questionaram nesta segunda-feira a afirmação da empresa de que gastou US$ 5,58 milhões para os testes do modelo V3, dizendo que os custos teriam sido bem maiores.

É provável que os investidores questionem se os desenvolvimentos da DeepSeek têm o potencial de realmente desestabilizar o setor, diz Adam Sarhan, presidente-executivo da 50 Park Investments. Segundo ele, se isso acontecer, "todas essas ações de IA e o mercado como um todo serão reavaliados".

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domingo, 26 de janeiro de 2025

O que esperar das missões espaciais em 2025

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Novas pesquisas terão como objetivo medir a biomassa da Terra a partir do espaço, devolver astronautas ao planeta e preparar o pouso de humanos na Lua.
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TOPO
Por Matthew Ward Agius, Fred Schwaller

Postado em 26 de Janeiro de 2.025 às 07h00m

#.* Post. - Nº.\  11.483*.#

Entre os destaques espaciais de 2025 está a missão da Agência Espacial Europeia (ESA) para medir a saúde da biomassa vegetal da Terra a partir da órbita. — Foto: ESA/ATG
Entre os destaques espaciais de 2025 está a missão da Agência Espacial Europeia (ESA) para medir a saúde da biomassa vegetal da Terra a partir da órbita. — Foto: ESA/ATG

A ciência e a exploração espacial atingiram novos patamares no último ano. Entre as descobertas, cientistas identificaram que as galáxias são muito maiores do que se acreditava e o que acontece com o corpo de um astronauta quando ele fica preso no espaço. Nos últimos dias do ano, a sonda espacial Parker Solar Probe, da Nasa, conseguiu chegar mais próximo do Sol do que qualquer objeto já fabricado por humanos.

Agora, 2025 deve trazer novidades e acontecimentos inéditos para a pesquisa espacial em todo o mundo.

Astronautas "presos" da NASA retornarão à Terra na primavera

Suni Williams e Butch Wilmore retornarão à Terra em março de 2025. Os dois astronautas foram deixados na Estação Espacial Internacional (ISS) em junho de 2024, depois que problemas de propulsão com sua nave espacial, a Starliner, fizeram com que a missão de oito dias tivesse que ser estendida.

Embora não estejam tecnicamente presos, uma vez que existem viagens regulares de tripulação e suprimentos que poderiam trazê-los de volta em uma data posterior, a dupla foi forçada permanecer mais tempo na estação. Eles devem retornar à terra em março, a bordo de uma missão da SpaceX.

Medindo a vida na Terra do espaço

Em 2025, a agência Espacial Europeia (ESA) começará a analisar os ecossistemas da Terra a partir do espaço. A missão FLuorescence EXplorer (Flex) fornecerá mapas globais de saúde e estresse das plantas. A Flex tem uma duração de projeto de três anos e meio a partir do lançamento.

Butch Wilmore e Suni Williams permanecem na ISS desde junho e não retornarão à Terra até março de 2025. — Foto: NASA/Divulgação
Butch Wilmore e Suni Williams permanecem na ISS desde junho e não retornarão à Terra até março de 2025. — Foto: NASA/Divulgação

O satélite incluirá novos instrumentos capazes de medir a atividade fotossintética do espaço pela primeira vez. O instrumento conseguirá registrar a fotossíntese de plantas em larga escala, proporcionando uma melhor compreensão de como os ecossistemas vegetais afetam o ciclo global de carbono.

Uma missão separada da ESA, também prevista para 2025, analisará as florestas da Terra. A missão Biomass medirá informações sobre o estado dos biomas e como eles estão mudando. Os resultados de ambas as missões podem ajudar a orientar políticas relacionadas à proteção contra mudanças climáticas, gestão agrícola e segurança alimentar.

Próximos passos para a Artemis, mas sem ação em 2025

2025 será um ano crucial para os planos da Nasa de devolver os humanos à Lua como parte do programa Artemis.

Entusiastas do espaço acompanharão o progresso da agência americana na realização de marcos-chave para a missão Artemis 2.

Em 2022, o Artemis 1 testou com sucesso um voo não tripulado da Orion em órbita lunar. A Artemis 2 é a missão de acompanhamento, com o objetivo de enviar uma tripulação humana a bordo em 2026. A missão Artemis 3 colocará humanos de volta na superfície lunar pela primeira vez desde 1972.

Evento de divulgação dos nomes da tripulação da Artemis II, em Houston, no Texas. — Foto: NASA
Evento de divulgação dos nomes da tripulação da Artemis II, em Houston, no Texas. — Foto: NASA

A Artemis 2 estava prevista para ser lançada no final de 2025, mas foi adiada para abril de 2026, no mínimo, para dar mais tempo para resolver problemas detectados com a nave Orion em sua primeira missão.

O atraso também dá tempo para que os parceiros comerciais SpaceX e Axiom Space cumpram seus marcos-chave no desenvolvimento do módulo lunar Starship e dos novos trajes espaciais, respectivamente.

Os astronautas usarão a instalação Luna, na Alemanha, para treinar para futuras viagens à superfície da Lua.

Eclipses lunares e chuvas de meteoros

Também haverá muitos eventos próximos à Terra que poderão ser vistos a olho nu ou com telescópios.

A chuva de meteoros Quadrantídeos ocorre em meados de novembro a meados de janeiro de cada ano. O pico aconteceu no dia 3 de janeiro.

Já a chuva de meteoros Eta Aquáridas também será visível de 20 de abril a 21 de maio. O fenômeno pode ser melhor observado dos trópicos do sul, mas também pode ser visto ao norte do equador. O pico ocorre de 3 a 4 de maio.

Outra data importante no calendário espacial é 14 de março, quando um eclipse total da Lua será visível no Pacífico, nas Américas, na Europa Ocidental e na África Ocidental.

Haverá uma segunda chance em 2025, em 7 de setembro, quando um eclipse lunar será visível na Europa, África, Ásia e Austrália.

Ciência registra processo de ovulação em vídeo

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Estudos indicam redução de massa cerebral por uso excessivo de tela

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Consumo compulsivo de conteúdos de baixa qualidade está associado a redução no volume de massa cinzenta em regiões do cérebro responsáveis por tomada de decisões, apontam estudos.
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TOPO
Por Felipe Espinosa Wang

Postado em 26 de Janeiro de 2.025 às 05h45m

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O que é brain rot?

Embora possa parecer exagerado à primeira vista, o termo "cérebro podre" ou "podridão cerebral", da expressão em inglês "brain rot", pode ser mais literal do que pensamos. Eleita a palavra do ano de 2024 pelo Dicionário Oxford por mais de 37 mil pessoas, o termo descreve, de acordo com a Oxford University Press, a deterioração mental causada pelo consumo excessivo de conteúdo superficial, especialmente na internet. As citações ao termo em inglês aumentaram 230% entre 2023 e 2024, refletindo uma preocupação social crescente com esse fenômeno.

Assim, o que começou como uma expressão coloquial encontrou apoio na ciência. Pesquisas citadas pelo jornal britânico The Guardian indicam que o uso excessivo de mídias sociais e o consumo compulsivo de conteúdo de baixa qualidade – como notícias sensacionalistas, teorias da conspiração e entretenimento vazio – podem literalmente encolher a massa cinzenta, diminuir a capacidade de atenção e enfraquecer a memória. Uma combinação de efeitos que faz com que o termo "podridão" não pareça exagerado.

Do e-mail à rolagem infinita

Os primeiros sinais de alarme soaram no início do século com algo que hoje nos parece inofensivo: o e-mail. Como o jornal El País noticiou recentemente, citando um artigo do Guardian de 2005, uma equipe da Universidade de Londres, após 80 testes clínicos, descobriu que o uso diário de e-mail e telefone celular causava uma queda média de dez pontos no QI dos participantes, um impacto que eles descreveram como mais prejudicial do que o uso de maconha.

Imagine então o que acontece agora com a constante enxurrada de tweets, stories, reels, notificações, pushes e fluxos intermináveis de conteúdo.

Os aplicativos modernos são projetados especificamente para nos manter viciados, aproveitando o que Michoel Moshel, pesquisador da Universidade Macquarie, descreveu ao El País como "a tendência natural do nosso cérebro de buscar novidades, especialmente quando se trata de informações potencialmente prejudiciais ou alarmantes, uma característica que já nos ajudou a sobreviver".

Mudanças cerebrais preocupantes

Em geral, o quadro atual é preocupante. Uma meta-análise de 27 estudos de neuroimagem revelou que o uso excessivo de internet está associado a uma redução no volume de massa cinzenta em regiões críticas do cérebro responsáveis pelo processamento de recompensas, controle de impulsos e tomada de decisões. De acordo com Moshel, essas alterações são semelhantes às observadas em casos de dependência de substâncias como metanfetaminas e álcool.

Além do ambiente clínico, o "uso desordenado de tela" tem sido estudado em ambientes educacionais. Uma meta-análise citada em um artigo do The Conversation, do qual Moshel é um dos autores, lista 34 estudos que vinculam o uso compulsivo a um desempenho cognitivo significativamente inferior, especialmente no que diz respeito a atenção sustentada e controle de impulsos. O problema, de acordo com o relatório, não se limita aos mais jovens; ele também afeta adultos que passam muitas horas na frente de celulares e computadores.

Adolescentes passaram mais de 8 horas por dia em frente às telas em 2021, segundo ONG americana — Foto: Pexels
Adolescentes passaram mais de 8 horas por dia em frente às telas em 2021, segundo ONG americana — Foto: Pexels

Ainda assim, o problema é particularmente grave entre os jovens. De acordo com dados de 2021 da ONG americana Common Sense Media citados no The Conversation, pré-adolescentes passam 5 horas e 33 minutos por dia em frente às telas, enquanto esse tempo é de 8 horas e 39 minutos para adolescentes.

Na Austrália, por exemplo, uma pesquisa realizada em 2020 pelo Instituto Gonski da UNSW revelou que 84% dos educadores consideram tecnologias digitais uma distração na sala de aula. De acordo com uma pesquisa da organização australiana especializada em saúde mental Beyond Blue, citada pela emissora americana ABC, o tempo excessivo de tela está entre os principais desafios para os jovens, perdendo apenas para problemas de saúde mental.

Círculo vicioso da era digital

Eduardo Fernández Jiménez, psicólogo clínico do Hospital La Paz, em Madri, explicou ao El País que o cérebro ativa diferentes redes neurais para gerenciar diferentes tipos de atenção. O bombardeio constante de estímulos variáveis afeta particularmente nossa capacidade de atenção sustentada, que é fundamental para o aprendizado acadêmico.

O problema é agravado por um círculo vicioso difícil de romper: de acordo com um estudo publicado na revista Nature, pessoas com saúde mental debilitada têm maior probabilidade de consumir conteúdo de baixa qualidade, o que, por sua vez, piora seus sintomas. E quanto mais tempo se passa em frente à tela, mais difícil é reconhecer e limitar o problema.

Existe uma solução?

Pesquisadores apontam que uso excessivo de internet reduz a massa cinzenta em regiões do cérebro — Foto: Pexels
Pesquisadores apontam que uso excessivo de internet reduz a massa cinzenta em regiões do cérebro — Foto: Pexels

Especialistas recomendam uma abordagem em duas frentes: qualidade e quantidade. É fundamental estabelecer limites claros para o tempo de tela e fazer um esforço consciente para se desligar. Atividades que exigem presença física, como esportes ou reuniões com amigos, são essenciais para neutralizar os efeitos negativos do uso prolongado da tela, recomendou o psicólogo Carlos Losada em dezembro ao El País.

Também é importante dar prioridade a conteúdos educativos que evitem características viciantes e estabelecer intervalos regulares. Porque, como sugere a pesquisa, o "cérebro podre" pode ser mais do que uma metáfora, mas um processo real de deterioração cognitiva causada por nossos hábitos digitais.

Com as empresas de tecnologia projetando algoritmos para maximizar nosso tempo de tela e um público cada vez mais digitalizado, o desafio vai além do indivíduo. É preciso políticas públicas que incentivem a transparência e a educação digital crítica.

A ironia é que essa "podridão cerebral" pode estar alterando a forma como percebemos e respondemos ao mundo justamente quando mais precisamos de nossas capacidades cognitivas. Talvez seja hora de lembrar que existe um mundo além da tela, um mundo que nossos cérebros foram realmente projetados para explorar.

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