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quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Azeite: como usar para que faça bem para a saúde e quando você pode escolher alternativas mais baratas?

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O azeite extravirgem - suco de azeitona - é a única gordura vegetal extraída de uma fruta por inteiro e é um dos alimentos mais falsificados do mundo. Rico em nutrientes, ele pode ser usado em todas as refeições.
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Por Silvana Reis, g1

Postado em 30 de outubro de 2024 às as 06h05m

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Azeite: por que ele faz tão bem para a saúde e quando você pode usar alternativas mais baratas? — Foto: Adobe Stock
Azeite: por que ele faz tão bem para a saúde e quando você pode usar alternativas mais baratas? — Foto: Adobe Stock

Gordura pode ser saudável? Sim! E o azeite – de verdade - é uma prova disso. 🫒 Livre de aditivos químicos, o produto é o suco de uma fruta (a azeitona) e 100% natural. Para produzir um litro de azeite, são necessários dez quilos de azeitona e, por ter um processo de fabricação complexo e trabalhoso, ele não é barato. Mas uma garrafa pode ser usada em muitas refeições. Isso se for consumido principalmente na finalização de pratos. 🥗

Especialistas defendem que o azeite é versátil, podendo ser consumido até no café da manhã e no lanche da tarde.

O azeite extravirgem é a única gordura vegetal extraída de uma fruta por inteiro – somente a polpa e caroço, num processo exclusivamente mecânico. Extremamente rico em nutrientes, ele é um alimento funcional e a base de gordura da dieta mediterrânea, que é referência como uma das mais saudáveis do mundo.

Mas quando o azeite é usado no preparo de alimentos a mais de 180°C, o tipo extravirgem pode perder algumas propriedades nutricionais. Para frituras e refogados, é comum a recomendação do uso de azeite comum ou outros óleos, como de coco, gergelim e abacate.

O óleo misto ou composto acaba sendo usado por muitas famílias por questões financeiras, por ser mais barato. Mas ele costuma ter apenas 10% de azeite e é extremamente inferior ao azeite em termos nutricionais.

O azeite é um dos dez alimentos mais fraudados do mundo. No dia 22 de outubro, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou uma nova lista com 12 marcas de azeite de oliva que tiveram lotes reprovados para o consumo (veja quais). Seis marcas tiveram todos os seus lotes desclassificados. As análises do Ministério revelaram a presença de outros óleos vegetais misturados aos azeites, comprometendo a qualidade e a segurança dos produtos.

Diferente do vinho, quanto mais recente for a garrafa, mais qualidade terá o produto e mais caro ele tende a ser.

Azeite não se guarda. Não se faz adega de azeite. Temos que ter no máximo duas garrafas em casa: uma para cozinhar, outra para finalizar. E uma vez aberta, temos que usá-las em 30 dias no máximo, para que não se oxide. Os inimigos do azeite são a luz, o oxigênio, o calor. Ele não vai estragar, mas vai oxidar, perder valor nutricional e mudar suas características sensoriais para características oxidadas e rançosas, explica o azeitólogo Marcelo Scofano.

Abaixo, nesta reportagem você vai saber:

  1. Quais cuidados devem ser tomados ao escolher o azeite
  2. Dicas de como armazenar o azeite
  3. Como o azeite deve ser usado e as alterativas mais baratas
  4. Por que o azeite é bom para a saúde e por que outros óleos podem fazer mal?
  5. Por que o azeite está tão caro?
⚠️ Cuidados ao escolher o azeite

O azeite é um dos dez alimentos mais fraudados do mundo e a fraude se dá por mistura de outros óleos, inclusive impróprios para o uso culinário. Para fugir das fraudes, atente-se para as dicas:

  • Desconfie de produtos com valor muito abaixo do mercado;
  • Desconfie dos que têm origem em diferentes locais;
  • Dê preferência aos que são produzidos e envasados no mesmo lugar (o tempo entre a colheita e o envase deve ser o menor possível, para garantir o frescor)
  • Dê preferência aos que têm data de envase mais próxima a data da compra, para que o produto tenha atributos sensoriais e nutricionais preservados;
  • Aroma: o azeite extravirgem de qualidade tem um aroma semelhante ao de frutas frescas, ervas recém-cortadas ou flores do campo. Não pode conter aroma avinagrado. Se o azeite tiver um cheiro estranho, de mofo ou parecido com óleo de cozinha, pode ser falsificado;
  • Acidez: o azeite extravirgem deve ter no máximo 0,8% de acidez, o que é informado no rótulo
  • Provar: um azeite de oliva de qualidade tem sabor suave, com notas herbáceas ou frutadas, além de amargor e picância;
  • Buscar marcas confiáveis e garantir produtos certificados, com selos de qualidade de órgãos governamentais e de associações*
  • Dar preferência para o tipo extravirgem (de qualidade superior)
  • Dar preferência aos com embalagens escuras e com boas tampas para vedação
  • O azeite de oliva extravirgem verdadeiro solidifica no congelador e fica com a cor de manteiga. Se o azeite não congelar e ficar pastoso e embranquecido, pode ser falsificado. Mas especialistas não recomendam congelar o azeite para não precisar aquecê-lo quando for usar;
  • Atente-se a data de validade

*A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disponibiliza uma ferramenta de pesquisa onde o consumidor pode consultar se um determinado produto está irregular ou se é falsificado. Ao entrar no site, é preciso inserir no campo "Produto" o nome da marca do azeite.

Ao comprar um azeite, o consumidor não deve considerar o valor da compra e sim que aquele produto não acaba de imediato – como outros produtos que são consumidos em um par de horas. O azeite é um alimento rico não somente em aromas e sabores, mas também em compostos nutricionais que fazem bem a nossa saúde, afirma a azeitóloga Ana Belotto.

A gente vai desconfiar se o azeite tem uma embalagem plástica, que não protege dos raios ultravioletas. Todas as vezes que há investigação, percebe se que há muita fraude e às vezes não é nem um produto falsificado. Às vezes é um produto que se diz extravirgem, mas na verdade é um azeite misto, acrescenta o azeitólogo Marcelo Scofano.

O extravirgem é extremamente caro para ser produzido e mantido com as características originais até o consumidor final. Os cuidados vão desde o pomar, no manejo da árvore, na colheita até a gôndola.

Quanto maior o tempo entre a colheita e a extração do azeite, maior tende a ser a acidez do produto. Assim como o índice de peróxido, fruto da oxidação do azeite. A partir do momento que a fruta sai do pé, ela começa a oxidar e gerar peróxidos.

O índice de peróxidos é tão importante quanto o índice de acidez. No azeite extravirgem, o índice de peróxido tem que ser menor que 20 e a acidez precisa ser menor ou igual a 0,8.

A gente tem uma série de cuidados, como também a temperatura ao extrair o azeite, o tempo entre a colheita e a extração, a maneira de envasar o produto e o transporte até o local da venda. Qualquer erro nessa cadeia vai transformar o teu azeite extravirgem num azeite virgem. Além da análise química, precisamos fazer uma análise sensorial para saber realmente se é um azeite extravirgem. Quando ele tem um aspecto de pastoso, indica que tem óleo refinado e houve mistura, passou por um processo industrial, o que indica uma fraude, explica o azeitólogo Ricardo Abdala. 
Dica de como armazenar

O azeite possui três inimigos: luz, oxigênio e calor. Por isso, as embalagens devem ser escuras e com boas tampas para vedação. Recomenda-se: armazenar o produto em local escuro e longe de fontes de calor, como fogão e churrasqueira, e da luz solar.

Como o azeite deve ser usado e as alterativas mais baratas

O azeite extravirgem deve ser usado preferencialmente sem aquecer, para que a pessoa possa se beneficiar das suas propriedades nutricionais, segundo nutricionistas. Mas especialistas também afirmam que se ele for aquecido até 180°C, os nutrientes são preservados.

O azeite comum é mais indicado para refogar e preparar alimentos, pois na sua obtenção de refino já é utilizado o calor. Sendo assim, ele não possui as mesmas características nutricionais do azeite extravirgem, mas confere sabor e aroma às preparações.

Eu aconselho sempre ter dois azeites em casa: um com o perfil mais suave e um com perfil mais intenso de sabores e aromas. Porque azeites mais delicados harmonizam e combinar com receitas e pratos que levem menos condimento, que sejam também mais suaves e delicados. E azeites mais intensos pedem receitas com mais especiarias, com mais sabor. Em uma pizza meia marguerita e meia pepperoni, por exemplo, a pepperoni pede um mais intenso. E a margherita pede azeites mais delicados e suaves, aconselha a azeitóloga Ana Belotto.

Ana acrescenta ainda que, além de saladas, massas e pizza, o azeite pode ser usado também em sorvetes, mousse de chocolate e no café da manhã com a granola, a salada de fruta e substituindo a manteiga em pães e torradas, por exemplo.

Para quem não puder investir sempre na aquisição do azeite, por questões financeiras, há opções saudáveis, como os óleos de gergelim, coco, abacate ou algodão. Estes óleos também são mais resistentes ao calor, sendo opções mais saudáveis para frituras.

Se o foco é reduzir custo, os óleos de coco, gergelim e abacate são menos prejudiciais à saúde em relação a óleos como o de soja e canola. Seriam alternativas mais baratas em relação ao azeite, orienta a nutricionista Ramielle Calmon.

O óleo misto ou composto costuma ter apenas 10% de azeite e é uma mistura de diferentes óleos vegetais, como milho, soja e girassol (normalmente o de soja por ser mais barato). Por isso, ele é extremamente inferior ao azeite de oliva em termos nutricionais. O óleo misto é derivado de um processo industrial, enquanto o azeite é 100% natural. Seu uso não é recomendado na finalização de pratos, mas ele pode ser mais resistente ao aquecimento (com ponto de fumaça mais alto).

Uma dica para usar o azeite no revogado é não deixá-lo esquentar a ponto de sair fumaça. Quando chega neste ponto, indica que a temperatura passou dos 180°C e iniciou o processo de queima. Nesse momento, começa a haver diminuição dos compostos fenólicos , que têm propriedades antioxidantes.

Quando falamos de ponto de fumaça, este termo se relaciona à temperatura e tempo máximo que o óleo ou azeite pode ser aquecido antes de começar a se decompor. Na decomposição térmica, ocorre a liberação de acroleína e outros compostos nocivos à saúde. A acroleína é uma substância que dá ao óleo um sabor defumado e amargo e é irritante da mucosa gástrica, explica Luana Limoeiro, doutora em Ciência e Tecnologia dos Alimentos pela UFRRJ e diretora do Conselho Regional de Nutrição 4ª Região (CRN-4).

A temperatura da fritura fica entre 180 e 220°C. Confira o ponto de fumaça dos principais óleos da alimentação:

  • Azeite de oliva virgem: 200ºC
  • Azeite de oliva extravirgem: 180ºC
  • Óleo de abacate: 271ºC
  • Óleo vegetal refinado: 242ºC
  • Óleo de soja: 232ºC
  • Óleo de cártamo: 232ºC
  • Óleo de girassol: 232ºC
  • Óleo de amendoim: 232ºC
  • Óleo de milho: 226ºC
  • Óleo de canola: 204ºC
  • Óleo de semente de uva: 204ºC
  • Óleo de coco extravirgem: 176ºC
  • Óleo de gergelim: 176ºC
  • Óleo de nozes: 160ºC
  • Óleo de linhaça: 107ºC
👍⚠️ Por que o azeite é bom para a saúde e por que outros óleos podem fazer mal?

O azeite extravirgem contém:

  • Ácido graxo monoinsaturado (não há nenhuma outra fonte tão rica em ácido graxo monoinsaturado como o azeite na natureza)
  • Ácido oleico ?
  • Vitamina A
  • Vitamina E
  • Vitamina K
  • Polifenóis, que são antioxidantes naturais
  • Gorduras poli-insaturadas, como o ômega 3, 6 e 9

✅ O consumo do azeite extravirgem traz benefícios para a saúde, como:

  • Sua gordura boa é cardioprotetora e ajuda no controle do colesterol: o azeite ajuda a baixar o colesterol "ruim" (LDL) e a aumentar o colesterol "bom" (HDL);
  • Prevenção de doenças crônicas: as propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias do azeite podem reduzir o risco de doenças como o câncer e diminuir os níveis de glicose no sangue;
  • Alívio de sintomas inflamatórios: o azeite pode ajudar a aliviar sintomas de doenças como artrite e osteoartrite;
  • Prevenção de doenças cerebrais: o azeite pode ajudar a prevenir doenças cerebrais e degenerativas como o Alzheimer, mal de Parkinson e demência senil
  • É bom para o sistema gastrointestinal

O tipo extravirgem é obtido através da prensagem à frio apenas uma vez, sem altas temperaturas ou solventes químicos, preservando o teor doa ácidos graxos monoinsaturados. Assim, a recomendação é o seu consumo frio, sem aquecer, por cima das preparações, como salada ou legumes, destaca Limoeiro.

O ômega 6 é um ácido graxo poli-insaturado, que desempenha um papel importante no crescimento e desenvolvimento normais, na função cerebral e cardíaca. No entanto, seu consumo excessivo pode ser prejudicial à saúde, porque tende a estimular a produção de cortisol, hormônio relacionado ao enfraquecimento do sistema imunológico, ao diabetes, elevação do colesterol ruim e redução do bom. E a principal fonte alimentar de ômega 6 é o óleo de cozinha, como o de canola, milho, soja ou girassol.

🚫 O consumo excessivo de ômega 6 pode causar problemas de saúde, como:

  • Aumento de processos inflamatórios, que podem se manifestar como hipertensão, dor nas articulações e doenças inflamatórias intestinais
  • Elevação do LDL (colesterol ruim)
  • Alteração do sistema imunológico
  • Doenças cardíacas

A dieta ocidental é rica em ultraprocessados, o que faz com que a maioria das pessoas ultrapasse a recomendação de ingestão de ômega 6. A OMS recomenda que a proporção de ômega 6 em relação ao ômega 3 não ultrapasse 5:1, mas na dieta ocidental é de 20:1, destaca Limoeiro.

Para evitar problemas de saúde, recomenda-se consumir mais frutas, verduras, legumes e peixes e evitar produtos processados e consumo exagerado desses tipos de óleos nas preparações, como fritura, por exemplo, diz a nutricionista.

Azeite de qualidade pode ser usado em doces, massagens e faz bem ao sistema cardiovascular

Por que o azeite está tão caro?

O Brasil importa a maior parte do azeite que consome e o principal fornecedor é Portugal, que envia 53% de gorduras e óleos vegetas ao Brasil. O segundo maior fornecedor para o Brasil é a Espanha (15%).

O calor e a seca que atingem a Europa afetaram o preço do azeite no Brasil, que encareceu quase 50% no último ano, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Brasil reduziu em cerca de 39% o consumo de azeite de 2022 para 2023, de acordo com o Conselho Oleícola Internacional. Apesar desta redução, o consumo de azeite por pessoa no Brasil aumentou nos últimos 20 anos.

Em 2004 a gente tinha 30 ml como consumo por ano por pessoa. Nem chegavam a duas colheres de sopa aqui no Brasil. Atualmente são 500 ml. É praticamente uma garrafa por habitante no Brasil por ano, explica a azeitóloga Ana Belotto.

Hoje, uma garrafa de azeite de oliva extravirgem custa em média de R$40 a R$ 55 e uma de azeite virgem (tipo único) está na faixa de R$ 35 a R$ 45.

Conheça os diferentes tipos de azeite e como usar de forma saudável

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segunda-feira, 28 de outubro de 2024

'Boletim Focus': mercado financeiro passa a estimar IPCA acima de 4,5% neste ano, com estouro da meta de inflação

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Números foram divulgados pelo BC; é a primeira vez que a estimativa supera a meta de inflação para 2024. Se previsão for cumprida, BC tem de explicar motivos à Fazenda.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 28 de outubro de 2024 às 09h25m

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Em setembro, inflação subiu pressionada por questões climáticas — Foto: Getty Images via BBC
Em setembro, inflação subiu pressionada por questões climáticas — Foto: Getty Images via BBC

Os economistas do mercado financeiro elevaram a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para um valor acima de 4,5%, que é o teto do sistema de metas de inflação em 2024.

Para este ano, a expectativa de inflação do mercado financeiro avançou pela quarta semana seguida, passando de 4,50% para 4,55%.

Essa é a primeira vez que o mercado financeiro estima que o IPCA fique acima do teto da meta em 2024. Se confirmado, será o primeiro estouro da meta desde 2022, quando a inflação somou 5,79%.

As expectativas, fruto de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras na última semana, constam do relatório "Focus" divulgado nesta segunda-feira (28) pelo Banco Central (BC).

Estimativa do mercado financeiro para a inflação de 2024
Projeções para o IPCA, o índice oficial


Fonte: Banco Central

  • A meta central de inflação é de 3% neste ano – e será considerada formalmente cumprida se o índice oscilar entre 1,5% e 4,5% neste ano.
  • Caso a meta de inflação não seja atingida, o BC terá de escrever e enviar uma carta pública ao ministro da Fazenda explicando os motivos.

A projeção do mercado de que a inflação ficará acima do teto da meta neste ano acontece após a divulgação do IPCA de setembro, que veio pressionado por questões climáticas, como a seca, que impactou a energia elétrica e os alimentos.

Para 2025, a estimativa de inflação subiu de 3,99% para 4% na última semana.

E, para 2026, a expectativa permaneceu em 3,60%.

A partir de 2025, a meta de inflação é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.

  • Pelo sistema de metas, o BC tem de calibrar os juros para tentar manter a inflação dentro do intervalo existente.
  • Para isso, a instituição olha para frente, pois a Selic demora de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.
  • Neste momento, por exemplo, o BC já está mirando na expectativa de inflação calculada em 12 meses até meados de 2026.


Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra das pessoas, principalmente das que recebem salários menores. Isso porque os preços dos produtos aumentam, sem que o salário acompanhe esse crescimento.

Miriam Leitão analisa reação do mercado sobre inflação

Produto Interno Bruto

Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, a projeção do mercado subiu de 3,05% para 3,08%.

  • O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. O indicador serve para medir a evolução da economia.
  • Já para 2025, a previsão de alta do PIB do mercado financeiro permaneceu em 1,93%.
Taxa de juros

Os economistas do mercado financeiro continuaram prevendo aumento da taxa básica de juros da economia brasileira até o fim do ano.

  • Atualmente, a taxa Selic está em 10,75% ao ano, após um aumento em meados de setembro.
  • Para o fechamento de 2024, a projeção do mercado para o juro básico da economia continuou em 11,75% ao ano, o que pressupõe novas elevações até o fim do ano.
  • Para o fim de 2025, o mercado financeiro manteve a estimativa em 11,25% ao ano.
  • Isso quer dizer que os economistas continuam estimando corte dos juros ano que vem.

Análise: O que esperar da inflação no Brasil? 

Outras estimativas

Veja abaixo outras estimativas do mercado financeiro, segundo o BC:

  • Dólar: a projeção para a taxa de câmbio para o fim de 2024 subiu de R$ 5,42 para R$ 5,45. Para o fim de 2025, a estimativa permaneceu em R$ 5,40.
  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção permaneceu em US$ 78 bilhões de superávit em 2024. Para 2025, a expectativa para o saldo positivo avançou de US$ 76,1 bilhões para US$ 76,8 bilhões.
  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano ficou estável em US$ 72 bilhões. Para 2025, a estimativa de ingresso permaneceu em US$ 74 bilhões.

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sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Novos estudos mostram que a maioria das rochas espaciais que chega à Terra tem a mesma fonte

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Neste artigo, um professor da Universidade de Queensland detalha a origem das populares 'estrelas cadentes'. A cada ano, cerca de 17 mil bolas de fogo entram na atmosfera terrestre.
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TOPO
Por Trevor Ireland*

Postado em 25 de outubro de 2024 às 06h00m

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Fogo de artifício cósmico: a chuva de meteoros Geminídeos — Foto: Jakob Sahner/Astronomy Photographer of the Year
Fogo de artifício cósmico: a chuva de meteoros Geminídeos — Foto: Jakob Sahner/Astronomy Photographer of the Year

A visão de uma bola de fogo cruzando o céu, a popular estrela cadente, causa admiração e entusiasmo tanto em crianças quanto em adultos. É um lembrete de que a Terra faz parte de um sistema muito maior e incrivelmente dinâmico.

A cada ano, cerca de 17.000 dessas bolas de fogo não apenas entram na atmosfera da Terra, mas sobrevivem à perigosa jornada até a superfície. Isso dá aos cientistas uma oportunidade valiosa de estudar esses visitantes rochosos do espaço sideral.

Os cientistas sabem que, embora alguns desses meteoritos venham da Lua e de Marte, a maioria vem de asteroides. Mas dois estudos publicados recentemente, na revista Nature, deram um passo adiante. A pesquisa foi conduzida por Miroslav Brož, da Universidade Charles, na República Tcheca, e Michaël Marsset, do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile.

Eles traçaram a origem da maioria dos meteoritos até apenas um punhado de eventos de ruptura de asteroides - e possivelmente até mesmo asteroides individuais. Com isso, eles melhoraram nossa compreensão dos eventos que moldaram a história da Terra - e de todo o Sistema Solar.

Só quando uma bola de fogo atinge a superfície da Terra é que ela é chamada de meteorito. Eles são comumente classificados em três tipos: de pedra, de ferro e de ferro e pedra.

Os meteoritos de pedra, por sua vez, vêm em dois tipos básicos: os mais comuns são os condritos, que têm objetos redondos em seu interior que parecem ter se formado como gotículas de fusão de seus materiais. Eles perfazem 85% de todos os meteoritos que caem na Terra.

A maioria destes meteoritos de pedra é conhecida como condritos comuns. Eles são, então, divididos em três classes amplas - H, L e LL - com base no conteúdo de ferro e na distribuição de ferro e magnésio nos seus principais minerais, olivina e piroxênio.

Estes minerais silicatos são os blocos de construção mineral do nosso Sistema Solar e comuns na Terra, estando presentes no basalto (uma das rochas mais abundantes na crosta terrestre).

Os condritos carbonáceos são um grupo distinto entre os condritos. Eles contêm grandes quantidades de água em minerais argilosos e materiais orgânicos, como aminoácidos. Estes condritos nunca derreteram e são amostras diretas da poeira que originalmente formou o Sistema Solar.

O menos comum dos dois tipos básicos de meteoritos pedregosos são os chamados acondritos. Esses não têm as partículas redondas características dos condritos, pois seu processo de derretimento, fusão e formação se deu em corpos planetários.

Os asteroides são as principais fontes de meteoritos.

A maioria dos asteroides reside em um cinturão denso entre Marte e Júpiter. O próprio cinturão é composto por milhões de asteroides varridos e organizados pela força gravitacional de Júpiter.

As interações com Júpiter podem perturbar as órbitas dos asteroides e provocar colisões. Isso resulta em detritos, que podem se agregar em asteroides conhecidos comode pilha de detritos(compostos por pedaços de rochas e cascalho unidos pela gravidade). Esses asteroides, então, ganham vida própria.

São asteroides desse tipo que as recentes missões Hayabusa e Osiris-REx visitaram e coletaram amostras. Graças a isso, foi estabelecida a conexão entre tipos distintos de asteroides e os meteoritos que caem na Terra.

Os asteroides de classe S (semelhantes a meteoritos pedregosos) são encontrados nas regiões internas do cinturão, enquanto os asteroides carbonáceos de classe C (semelhantes a condritos carbonáceos) são mais comumente encontrados nas regiões externas do cinturão.

Mas, como mostram os dois estudos na Nature, podemos relacionar um tipo específico de meteorito ao seu asteroide específico de origem no cinturão principal.

Uma família de asteroides

Os dois novos estudos colocam as fontes dos tipos de condritos comuns em famílias específicas de asteroides - e, muito provavelmente, em asteroides específicos. Esse trabalho requer um minucioso rastreamento das trajetórias dos meteoróides (pedaços de matéria rochosa ou metálica que se deslocam no espaço exterior), observações de asteroides individuais e modelagem detalhada da evolução orbital dos corpos originais.

O estudo liderado por Miroslav Brož relata que os condritos comuns resultam de colisões entre asteroides com mais de 30 quilômetros de diâmetro que ocorreram há menos de 30 milhões de anos.

As famílias de asteroides Koronis e Massalia têm objetos com tamanhos adequados e estão em uma posição que leva à queda de material na Terra, com base em modelagens detalhadas em computadores. Nessas famílias, os asteroides Koronis e Karin são provavelmente as fontes dominantes de condritos H. As famílias Massalia (L) e Flora (LL) são, de longe, as principais fontes de meteoritos do tipo L e LL.

Já o estudo liderado por Michaël Marsset documenta, ainda mais, a origem dos meteoritos de condrito tipo L de Massalia.

Ele compilou dados espectroscópicos - ou seja, as intesidades de luz características que podem ser impressões digitais de diferentes moléculas - de asteroides no cinturão entre Marte e Júpiter. Isso mostrou que a composição dos meteoritos de condrito tipo L na Terra é muito semelhante à da família de asteroides Massalia.

Em seguida, os cientistas usaram modelagem computadorizada para mostrar que uma colisão de asteroides ocorrida há aproximadamente 470 milhões de anos formou a família Massalia. Por acaso, essa colisão também resultou em abundantes meteoritos fósseis encontrados em calcários do período Ordoviciano na Suécia.

Ao determinar o asteroide de origem, esses estudos fornecem as bases para missões que visitarão os asteroides que mais enviam meteoritos comuns do espaço exterior à Terra. Ao entender esses asteroides de origem dos meteoritos, podemos visualizar os eventos que moldaram nosso sistema planetário.

*Trevor Ireland é professor da Escola do Meio Ambiente da Universidade de Queensland.

**Este texto foi publicado originalmente no site da The Conversation Brasil.

Veja dicas para observar o cometa do século

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