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quarta-feira, 16 de outubro de 2024

País do chá, China descobre o café, e Brasil pega carona em 'hype' que tem até delivery por drones

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País abraça bebida diante de mudança de hábito de jovens chineses. Fenômeno fez Brasil mais que triplicar exportações do grão à China em 2023, e acelerar negociações para os próximos anos.
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Por Paula Salati, g1

Postado em 16 de outubro de 2024 às 06h30m

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Entrega por drone e café com leite de aveia: veja hábitos dos chineses no consumo do café

A China, que inventou o chá há milênios, começou a "descobrir" o café só na última década, e, mais recentemente, a bebida acabou virando moda entre os jovens chineses.

Até 2009, o consumo de café na China não passava de 300 mil sacas de 60 quilos por ano, número que, hoje, chega a 6 milhões, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

"Para os chineses, o café é uma bebida muito nova. A cultura deles de café foi criada nesses últimos anos", conta o barista campeão mundial Boram Um, brasileiro que tem parceria com uma cafeteria chinesa.

📈A mudança na China "bateu forte" no Brasil só em 2023, quando as vendas nacionais do produto dispararam 275% ao país asiático, em relação a 2022, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), que participa de novos acordos com o país.

Essa alta catapultou a China da 20ª para a 6ª posição no ranking dos principais importadores de café do Brasil, que é o maior produtor e exportador mundial do grão.

Volume de café do Brasil vendido para a China. — Foto: Arte/g1
Volume de café do Brasil vendido para a China. — Foto: Arte/g1

Tudo isso coincidiu com o ano em que a China se tornou líder mundial em número de cafeterias de marca, alcançando 49,6 mil lojas, segundo a consultoria britânica World Coffee Portal.

Os chineses ultrapassaram ninguém menos que os EUA (42,8 mil lojas), criador da Starbucks, cafeteria com o maior número de franquias do planeta.

☕Por trás desse marco, há vários motivos. Um deles é a expansão acelerada da cafeteria chinesa Luckin Coffee. Fundada em Pequim, em 2017, a empresa cresceu expressivamente no último ano, ao saltar de 8 mil lojas no início de 2023, para mais de 16 mil no final do mesmo ano, conta Fernando Maximiliano, analista de mercado de café da StoneX. Hoje, a Luckin já tem mais de 20 mil unidades em toda a China.

E os exportadores brasileiros conseguiram aproveitar essa onda. Hoje, 50% de todo o café que a Luckin Coffee compra é só do Brasil. O resto é dividido com outros países, diz o diretor-geral da Cecafé, Marcos Matos.

Até um dos embaixadores globais da marca chinesa é brasileiro: o próprio Boram Um, que também é um dos responsáveis por escolher os cafés que a Luckin compra, além de desenvolver novas bebidas para a empresa.

Barista brasileiro  Boram Um, filho de sul-coreanos, foi campeão mundial de barismo em 2023; ele colabora com a chinesa Luckin Coffee. — Foto: @boramum
Barista brasileiro Boram Um, filho de sul-coreanos, foi campeão mundial de barismo em 2023; ele colabora com a chinesa Luckin Coffee. — Foto: @boramum

Apesar da proximidade com o café brasileiro, os chineses têm outras formas de consumo. Para eles, o grão é mais um ingrediente de bebidas misturadas com leite ou água de coco (que fazem muito sucesso entre os jovens) e até mesmo com suco de limão ou "moutai", um tradicional licor chinês.

É bem diferente do brasileiro que se contenta com a apresentação solo do cafezinho na forma de um coado ou espresso.

Mas nem isso é uma barreira para o grão nacional: até um museu sobre o café brasileiro será inaugurado em novembro, na cidade chinesa de Kunshan, conta o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Jorge Viana, que participa de negociações com o país parceiro.

Imagem de dois jovens em uma cafeteria de Pequim. — Foto: Zhouxing Lu/unplash
Imagem de dois jovens em uma cafeteria de Pequim. — Foto: Zhouxing Lu/unplash

Além da Luckin, outras cafeterias chinesas estão crescendo no país, assim como fábricas de torrefação, o que aponta que a China vai continuar bebendo café por mais tempo, observa Matos.

Estrangeiras também estão presentes, como a própria Starbucks, que está na China desde 1999. Uma viajante brasileira conseguiu até que um pedido da loja fosse entregue por drone no meio de uma rua de Shenzhen (veja vídeo acima).

A seguir, veja:

Cénchi Coffe: imagem de uma cafeteria no bairro Dongsi, em Pequim, China. — Foto: @cenchicoffee
Cénchi Coffe: imagem de uma cafeteria no bairro Dongsi, em Pequim, China. — Foto: @cenchicoffee

A China começou a tomar café a partir de 2010, mas o consumo vem crescendo de forma mais progressiva nos últimos sete anos (veja info acima), período em que a demanda chinesa pelo grão dobrou, em meio a um crescimento de cafeterias no país.

Na visão da diretora-executiva da Câmara Chinesa de Comércio do Brasil (CCBB), Mariana Bahia, essa mudança é mais um episódio da abertura da China ao mundo ocidental, que começou há mais de 40 anos. "O fato de o chinês ter se globalizado, viajado mais e recebido mais empresas internacionais fez ele ter mais acesso a produtos de fora", conta Mariana.

"Os jovens da China veem o café como algo moderno", acrescenta Fernando Maximiliano, analista de café da StoneX.

Imagem mostra o barista Boram Um em uma cafeteria chinesa. — Foto: Reprodução Instagram/@boramum
Imagem mostra o barista Boram Um em uma cafeteria chinesa. — Foto: Reprodução Instagram/@boramum

Uma análise publicada pela Associação de Cafés Especiais (SCA) aponta, inclusive, que os chineses millennials (nascidos entre 1981 e 1996) e da geração Z (entre 1997 e 2012) são os grupos mais abertos a novas experiências, no país. Essas são, justamente, as gerações que saíram da China para estudar, trabalhar e viajar, diz Mariana.

Boram pontua que o fato de o café ser barato na China também ajuda a sustentar o consumo entre os jovens.

A viajante e criadora de conteúdo Marina Guaragna fez a mesma observação durante a sua passagem por 18 cidades chinesas, entre maio e julho deste ano.

"A gente tomou muito café na China. O café na rua é barato, a não ser os de cafeterias especiais", conta Marina, observando que, em algumas cidades, é possível ver uma cafeteria "a cada esquina" e, às vezes, "uma do lado da outra, uma na frente da outra, e sempre com gente tomando café".

Nada de espresso: café com 'licor' e água de coco

Na imagem, há bebidas com café misturadas com leite de coco, suco de laranja e chocolate. — Foto: Reprodução Instagra/@luckincoffeesg
Na imagem, há bebidas com café misturadas com leite de coco, suco de laranja e chocolate. — Foto: Reprodução Instagra/@luckincoffeesg

O barista Boram conta que a forma do chinês de tomar café é bem diferente do jeito brasileiro.

"Para você ter uma ideia, um dos campeões de vendas da Luckin foi o Coconut Latte. É um café com leite de coco e leite condensado", diz Boram. Só a água de coco misturada ao café também está entre os preferidos dos jovens.

Uma outra bebida que fez sucesso foi o Moutai latte. "O Moutai é um licor chinês, que tem um gosto meio doce e forte, parecendo uma cachaça, um rum. E eles lançaram essa bebida com café, algo muito diferente. O pessoal saía das cafeterias tomando isso às 10h da manhã", conta Boram.

 Imagem do Moutai, um licor chinês muito tradicional. — Foto: Javier Petrucci
Imagem do Moutai, um licor chinês muito tradicional. — Foto: Javier Petrucci

Os chineses também gostam muito de café gelado, com leite de aveia e não são muitos fãs de bebê-lo com a barriga vazia, pois pode "não fazer bem para o estômago", contou a influenciadora de cultura asiática Pri Jin, em uma postagem nas redes sociais (veja vídeo abaixo). Pri é filha de chineses e nasceu no Brasil.

A viajante brasileira Marina Guaragna conta que viu até café com suco de limão para vender em sua passagem pelo país.

Essas invenções são frequentes. Boram diz que a Luckin, por exemplo, tem três equipes de desenvolvimento de produtos que competem entre si para lançar novas bebidas todos os meses.

Os grupos são formados por diversos baristas campões mundiais como ele, que foi convidado para colaborar com a empresa uma semana depois de ter ganhado o World Barista Championship (WBC).

Cultura do delivery tem até drone

Entrega por drone e café com leite de aveia: veja hábitos dos chineses no consumo do café

Outra marca do consumo de café na China é o uso de serviços de entregas.

"Hoje eu diria que 70% dessas bebidas são consumidas por delivery. Você pode estar no meio de um parque que o motoboy vai te encontrar e vai te entregar sua bebida", diz o barista.

Marina Guaragna viajou por 18 cidades da China neste ano e conta que viu muitas cafeterias. — Foto: Reprodução Instagram/@marinaguaragna
Marina Guaragna viajou por 18 cidades da China neste ano e conta que viu muitas cafeterias. — Foto: Reprodução Instagram/@marinaguaragna

Foi o que aconteceu com a viajante brasileira e criadora de conteúdo Marina Guaragna. Mas, em vez de um motoboy, seu café da Starbucks foi entregue por drone, no meio de uma rua da cidade de Shenzhen (veja vídeo acima)

"A China em seu dia mais fraco", descreveu Marina, em uma postagem de um vídeo com mais de 3 milhões de visualizações no TikTok (veja vídeo acima).

Chinês está trocando chá pelo café?

De forma alguma.

"A bebida preferida dos chineses sempre foi o chá. Ele é visto como um ritual, como cultura. Então, se você vai servir chá e café em um lugar, os chineses vão se preocupar muito mais com a qualidade das ervas do que com a qualidade dos grãos de café. Pelo menos é o que eu vejo na minha família", relata a influenciadora Pri Jin, que visita a China todos os anos.

Imagem de Pri Jin em Xangai, China. Ela é filha de chineses e nasceu no Brasil. — Foto: Reprodução Instagram/@priscilajinn
Imagem de Pri Jin em Xangai, China. Ela é filha de chineses e nasceu no Brasil. — Foto: Reprodução Instagram/@priscilajinn

Contudo, ela diz que isso não significa que os chineses não estão prestando atenção na qualidade do café. "Eles vêm sim se interessando mais pelo plantio, pelos métodos [...]. Os chineses, quando gostam de alguma coisa, se aprofundam", relata.

Segundo Pri Jin, as reuniões de trabalho na China já contam com o cafezinho, além do tradicional chá.

Marina Guaragna também não deixou de notar o tradicional consumo de chá.

"Lá eles tomam chá verde o dia todo. Tu olha as pessoas na rua e acha que elas estão com uma garrafinha de água, mas elas estão com uma garrafinha de chá. Então, pra mim, os chineses podem ter essa tendência ao café por já tomarem uma bebida estimulante o dia inteiro", opina a viajante.

Cafeteria em Xangai, China. — Foto: Eirc Shi/Unplash
Cafeteria em Xangai, China. — Foto: Eirc Shi/Unplash

Cafeteria também é para tirar foto

Outra curiosidade é que, entre os jovens chineses, fazem sucesso as cafeterias "instagramáveis", com belas decorações. Tudo isso para tirar boas fotos.

"O que mais me chama atenção nas cafeterias da China é que não importa o tamanho, elas sempre têm uma arquitetura muito bonita, aconchegante. Se não aconchegante, muito futurístico", diz Pri Jin.

"Então, as cafeterias investem em ambientes que são fotogênicos para gerar uma repercussão on-line", conta.

O quanto o Brasil já vendeu em 2024?

Apesar da disparada das exportações em 2023, as vendas brasileiras de café para a China ficaram praticamente estáveis de janeiro a setembro de 2024, em 680 mil sacas, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Mas a Cecafé prevê que, no fechamento do ano, as vendas ao país cheguem a 2,5 milhões de sacas. Isso porque os maiores volumes serão embarcados agora no final do ano, com a entrada da safra do arábica.

Por outro lado, o congestionamento nos portos brasileiros está gerando atrasos e pode frustrar essa expectativa.

De qualquer forma, o cenário para os próximos anos é de aumento das exportações, diz o diretor-geral da Cecafé. Isso porque o Brasil e a China têm avançado em negociações.

Em junho, por exemplo, a Luckin fechou um acordo para importar US$ 500 milhões em café brasileiro e, em novembro, durante o G20, deve anunciar mais uma aquisição.

"A intenção da Luckin Coffee é anunciar uma compra para 4, 5 anos. Nós estamos calculando que vai dar cerca de US$ 2,5 bilhões. Imagina esse valor só pra uma cafeteria", conta Jorge Viana, presidente da Apex, uma agência do governo federal que promove as exportações brasileiras.

Além disso, Matos destaca que o aumento de fábricas de café na China sinaliza que o consumo da bebida deve se sustentar nos próximos anos. E o Brasil, como maior produtor e exportador de café, está dentro do jogo.

"A China está investindo em indústrias de torrefação. Talvez o que tem puxado ainda mais o consumo é justamente a indústria do torrado e moído. Temos o exemplo da Luckin Coffee, que já tem três fábricas e está inaugurando uma quarta", exemplifica.

Torrefação da Starbucks em Xangai, na China. — Foto: Aleksandr Buynitskiy/Unplash
Torrefação da Starbucks em Xangai, na China. — Foto: Aleksandr Buynitskiy/Unplash

Vai ter menos café no Brasil se a China comprar mais?

Por enquanto, não é isso que está acontecendo, dizem analistas. Hoje, a China toma bem menos café do que o Brasil e os principais importadores do grão nacional, como a União Europeia e os EUA (veja info abaixo).

Além disso, menos de um terço dos 1,4 bilhão de chineses têm conhecimento sobre o café, diz Matos.

Mas a demanda crescente pela bebida, em um país com uma população gigantesca, indica que a China pode sim se tornar mais um cliente de peso para o Brasil.

O café está sendo consumido exatamente por um grupo jovem. Isso é interessante, pois mostra que não é uma demanda pontual. Ela tende a se prolongar pelos anos", observa o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Celírio Inácio da Silva.

"Cada chinês consome 260 gramas de café por ano. No Brasil, são 6,4 quilos [por pessoa, anualmente]. Então tem um espaço gigante para crescer", acrescenta Maximiliano, da StoneX. "Por trás do consumo de café, há três pilares: população, renda e cultura. A China já tem os dois primeiros e está focada em desenvolver o terceiro".

Diante desse cenário, é possível que a indústria brasileira tenha, nos próximos anos, mais um forte concorrente externo, em meio a uma disputa já acirrada pelo grão do Brasil.

"Os Estados Unidos estão demandando bastante café. Os países árabes também", exemplifica o diretor da Abic.

Ao mesmo tempo em que a demanda global aumenta, há uma preocupação sobre os efeitos das mudanças climáticas no resultado das colheitas. Neste ano, por exemplo, quebras de safras no Brasil e no Vietnã, por causa de seca, diminuíram a oferta global, fazendo, inclusive, o preço do cafezinho disparar no Brasil.

Diante desse cenário, o avanço da China no mercado brasileiro gera um ponto de preocupação para a indústria, no futuro. "Ao mesmo tempo, não podemos deixar de ver que isso é uma grande oportunidade para o nosso agricultor", contrapõe Silva.

De onde vem o que eu bebo: o café especial que faz o Brasil ser premiado no exterior

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terça-feira, 15 de outubro de 2024

Dólar fecha em R$ 5,65 e tem maior patamar desde agosto, com petróleo e eleições dos EUA no radar; Ibovespa tem leve alta

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A moeda norte-americana teve alta de 1,33%, cotada a R$ 5,6565. Já o principal índice de ações da bolsa encerrou com um avanço de 0,03%, aos 131.043 pontos.
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Por g1

Postado em 15 de outubro de 2024 às 20h05m

#.* Post. - Nº.\  11.373 *.#

Cédulas de dólar — Foto: bearfotos/Freepik
Cédulas de dólar — Foto: bearfotos/Freepik

O dólar fechou em forte alta nesta terça-feira (15), encerrando o pregão no maior patamar desde 6 de agosto, quando encerrou a R$ 5,6561. Sem grandes destaques na agenda econômica, a principal pressão na moeda brasileira veio dos preços das commodities, principalmente do petróleo, que caiu mais de 4% na sessão.

O forte recuo nos preços da commodity veio na esteira das notícias de que Israel não atacaria as instalações nucleares ou petrolíferas do Irã, o que aliviou os temores de uma interrupção de oferta. A perspectiva de que a demanda pelo petróleo pode enfraquecer também teve influência no mercado.

Ainda no exterior, investidores seguiram atentos à corrida presidente norte-americana e repercutiram novos balanços corporativos no país, com destaque para os resultados do Bank of America, Citigroup e Goldman Sachs.

Já no Brasil, o destaque ficou com a notícia de que a equipe econômica do presidente Lula pode lançar um pacote de medidas para cortar gastos públicos após as eleições.

Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, encerrou em leve alta.

Veja abaixo o resumo dos mercados.

Ao final da sessão, o dólar subiu 1,33%, cotado a R$ 5,6565, no maior patamar desde 6 de agosto, quando fechou a R$ 5,6561. Na máxima do dia, chegou aos R$ 5,6648. Veja mais cotações.

Com o resultado, acumulou:

  • alta de 0,75% na semana;
  • avanço de 3,85% no mês;
  • ganho de 16,57% no ano.

No dia anterior, a moeda norte-americana caiu 0,58%, a R$ 5,5821.

Ibovespa

Já o Ibovespa encerrou com um avanço de 0,03%, aos 131.043 pontos.

Com o resultado, acumulou:

  • alta de 0,81% na semana;
  • perdas de 0,59% no mês;
  • recuo de 2,34% no ano.

Na véspera, o índice subiu 0,78%, aos 131.005 pontos.

O que está mexendo com os mercados?

Sem grandes destaques na agenda de indicadores, as atenções dos investidores se voltaram para o noticiário local e internacional nesta terça-feira.

No exterior, notícias de que Israel não vai atacar as instalações nucleares e petrolíferas do Irã aliviaram os temores de que uma escalada das tensões pudesse afetar a oferta de petróleo no país.

Além disso, tanto a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opepquanto a Agência Internacional de Energia cortaram suas previsões para o crescimento da demanda global pelo óleo em 2024, projetando uma menor demanda por parte da China.

Diante desse cenário, os preços do petróleo caíram mais de 4% nesta terça-feira — o que impulsionou a moeda norte-americana pelo mundo.

Ainda no exterior, novas pesquisas eleitorais sobre a corrida presidencial nos Estados Unidos ficaram no radar, com uma disputa acirrada entre o republicano Donald Trump e a democrata Kamala Harris.

Nesta terça-feira, o candidato republicano afirmou que, se eleito, terá o direito de dizer ao Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) o que fazer com as taxas básicas de juros dos Estados Unidos. Ele afirmou, no entanto, que não ordenará o ajuste.

No noticiário, destaque para o início da temporada de balanços nos Estados Unidos. Os bancos Bank of America, Citigroup e Goldman Sachs apresentaram resultados melhores que os projetados pelo mercado em seus balanços referentes ao terceiro trimestre, divulgados nesta manhã. Apesar de superarem as projeções, no entanto, alguns números vieram piores que os do ano passado.

Já no Brasil, as atenções seguiram voltadas para o quadro fiscal. Conforme mostrou o blog do Valdo Cruz, dados do Governo Federal mostram um aumento nos gastos com benefícios sociais, em um momento em que a economia está crescendo e gerando novas preocupações em relação à inflação.

Uma economia aquecida, com mais dinheiro na mão da população, tende a pressionar a inflação, que já vem subindo puxada pelos itens de preços monitorados, com destaque para energia elétrica.

Nesse sentido, o governo pode propor mudanças em regras de benefícios como abono salarial, BPC (Benefício de Prestação Continuada) e seguro-desemprego para corrigir falhas e distorções nestes programas.

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Seca extrema: rio Paraguai atinge menor nível desde 1900 em Ladário, MS

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Índice de -67 cm abaixo da régua de medição é o pior em 124 anos e supera nível registrado na semana passada, quando rio atingiu -62 cm.
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Por Loraine França, Rauã Araújo, g1 MS e TV Morena

Postado em 15 de outubro de 2024 às 19h30m

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Rio Paraguai registrou nesta terça-feira (15) o menor nível em 124 anos — Foto: Reprodução/TV Morena
Rio Paraguai registrou nesta terça-feira (15) o menor nível em 124 anos — Foto: Reprodução/TV Morena

O rio Paraguai, principal bacia do Pantanal, atingiu 67 cm negativos em Ladário (MS) nesta terça-feira (15), segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB). É o pior índice desde que a medição começou, em 1900.

A bacia do Rio Paraguai possui 18 réguas de medição distribuídas ao longo de 2.695 Km de extensão. Além de Ladário, outras oito réguas estão na classificação de seca extrema do SGB e apresentam níveis históricos. Veja abaixo os níveis registrados nesta terça-feira (15) pelo SGB:

  • Porto Murtinho: -60cm
  • Cáceres: -40cm
  • Barra dos Bugres: -36cm
  • Porto Esperança: -146cm
  • Porto Conceição: -164cm
  • Pousada Taiamã: -192cm
  • Forte Coimbra: -194cm
  • Bela Vista do Norte: -227cm

Segundo o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), o nível médio do rio Paraguai para esta época do ano é de 1,8 metro. Os índices registrados em outubro deste ano são os piores da história e revelam que o Pantanal vive a estiagem mais severa desde 1964.

Rio Paraguai atinge o menor nível da história em Ladário-MS

O Rio Paraguai passa também pela Bolívia, Paraguai e deságua na Argentina. É o principal rio do Pantanal, e tem registrado níveis baixíssimos desde o início de 2024 - em julho registrou o menor nível em quase 60 anos, cenário que se repete em outubro.

O rio abrange 48% do estado de Mato Grosso e 52% de Mato Grosso do Sul, atravessando os biomas Cerrado, Pantanal e também o Chaco, considerado bioma paraguaio semelhante ao Pantanal. Além disso, é considerado o oitavo maior rio da América do Sul.

Na Bolívia, o cenário de seca extrema também se repete e a Capitania de Puerto Mayor informou ao g1 MS que o nível no país vizinho, na fronteira com o Brasil, está em -50 cm. Os níveis registrados são históricos e há prejuízos para o comércio exterior, relata o órgão boliviano.

Chuvas abaixo do esperado

Pesquisadores do SGB vêm alertando desde fevereiro para a possibilidade de mínimas históricas no Rio Paraguai em decorrência do baixo volume de chuvas.

Essa seca vem sendo observada em razão das chuvas abaixo do normal durante toda estação chuvosa, desde outubro de 2023. Por isso, temos alertado sobre esse processo que se desenhava na bacia, explica o pesquisador Marcus Suassuna, do SGB.

Entre outubro de 2023 e setembro de 2024, a estimativa de chuva do SGB era de 1097mm, mas o total estimado foi de 702 mm, representando déficit de 395 mm. O órgão reforça que a recuperação dos níveis da Bacia do Rio Paraguai será lenta e a estimativa é de que o nível fique abaixo de zero até a segunda quinzena de novembro.

Com os baixos níveis, autoridades locais vêm recomendando aos navegantes cuidado redobrado durante o deslocamento. É muito importante que os navegantes tenham bastante cuidado durante a condução da embarcação porque eles podem se deparar com bancos de areia, baixas profundidades e canais estreitos, ressalta o Capitão-tenente da Marinha, Eduardo Pontual Dubeux.

Incêndios

Além da seca, o bioma enfrenta o problema dos incêndios florestais que só este ano já devastaram 12,7% de área do bioma (tanto em MS quanto em MT), segundo o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa-UFRJ). A temporada do fogo este ano começou mais cedo e de forma mais severa em razão das mudanças climáticas.

Nesta segunda-feira (14), incêndio de grandes proporções atingiu uma das regiões mais isoladas e preservadas do Pantanal, a Barra do São Lourenço, que fica na divisa entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. O PrevFogo, órgão vinculado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), mobilizou uma equipe de 28 brigadistas para combater o fogo na região. As chamas continuam pela região nesta terça-feira (15).

Grande incêndio atInge área de difícil acesso no Pantanal

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