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segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Nobel de Economia 2024 vai para Daron Acemoglu, Simon Johnson e James A. Robinson

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Vencedores receberam o prêmio por seus estudos sobre como as instituições são formadas e afetam a prosperidade entre as nações, gerando desigualdades.
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Por Bruna Miato, g1

Postado em 14 de outubro de 2024 às 07h15m

#.* Post. - Nº.\  11.370 *.#

Ilustrações de Daron Acemoglu, Simon Johnson e James A. Ronbinson — Foto: Divulgação/Niklas Elmehed © Nobel Prize Outreach
Ilustrações de Daron Acemoglu, Simon Johnson e James A. Ronbinson — Foto: Divulgação/Niklas Elmehed © Nobel Prize Outreach

O Prêmio Nobel de Economia de 2024 foi concedido a Daron Acemoglu (57), Simon Johnson (61) e James A. Robinson (64), por seus estudos sobre como as instituições são formadas e afetam a prosperidade, em cerimônia realizada nesta segunda-feira (14).

Acemoglu, que nasceu na Turquia, e Johnson, do Reino Unido, são pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Já Robinson, também britânico, é da Universidade de Chicago. Seus estudos ajudaram a entender as desigualdades entre as prosperidades entre as nações.

O comitê decisor do prêmio avaliou o porquê dos 20% de países mais ricos do mundo são, atualmente, cerca de 30 vezes mais ricos que os 20% mais pobres.

"Mais que isso, a diferença de renda entre os países mais ricos e mais pobres é persistente; embora os países mais pobres tenham enriquecido, eles não estão chegando perto dos mais prósperos", explicou a Academia Real das Ciências da Suécia, responsável pelo prêmio.

Segundo a Academia, os laureados deste ano "adicionaram uma nova dimensão às explicações anteriores para as diferenças atuais na riqueza dos países ao redor do mundo", mostrando que as diferenças regionais entre os climas, principalmente, não podem ser analisadas sem antes em entender quais instituições sociais foram implementadas em cada país.

"Instituições criadas para explorar as massas são ruins para o crescimento de longo prazo, enquanto aquelas que estabelecem liberdades econômicas fundamentais e um Estado de Direito são boas para tal".

Para entender essa disparidade, os laureados avaliaram os impactos da colonização europeia do século XVI em diante e perceberam a criação de dois principais tipos de colônias.

Em alguns países, os colonizadores chegaram com o objetivo principal de explorar os povos originários e os recursos naturais, gerando o que os pesquisadores classificam como "instituições extrativistas".

Essas regiões costumavam ser as mais ricas, por conta de sua forte e rápida oferta de recursos econômicos para os colonos.

Em outros, eles formaram sistemas políticos e econômicos que visavam beneficiar os migrantes europeus naquelas regiões no longo prazo. Esses países eram os mais pobres.

No entanto, a criação de instituições que visavam o bem-estar das pessoas que ali chegavam para habitar — enquanto nos outros países as instituições eram criadas para facilitar e manter a dinâmica extrativista — acabaram gerando uma "reversão de riqueza".

"A introdução de instituições inclusivas criaria benefícios de longo prazo para todos, mas as instituições extrativistas fornecem ganhos de curto prazo para as pessoas no poder", explica o comitê do prêmio.

Rendimento do 1% mais rico do Brasil é 40 vezes maior que dos 40% mais pobres

Densidade demográfica determinou o tipo de instituição imposta por colonizadores

Os estudos de Daron Acemoglu, Simon Johnson e James A. Robinson revelaram que, quanto maior a população originária das regiões colonizadas, piores eram as instituições impostas pelos colonizadores.

Os países com as maiores populações de indígenas geralmente eram, também, aqueles que ofereciam maior resistência para a colonização.

No entanto, uma vez derrotados, os povos originários eram obrigados a trabalhar para os colonizadores. Essa dinâmica fazia com que poucos migrantes europeus se interessassem em migrar para o país com a intenção de trabalhar e construir uma comunidade benéfica para o local.

Assim, as instituições criadas nessas regiões "se concentravam em beneficiar uma elite local às custas da população em geral. Não havia eleições e os direitos políticos eram extremamente limitados", explicou a Academia.

Em contrapartida, as colônias com uma população originária menor, embora oferecesse menos resistência para a colonização, não dava conta de toda a demanda por mão-de-obra. Isso fez com que os países colonizadores criassem "instituições econômicas inclusivas que incentivassem os colonos a trabalhar duro e investir em sua nova terra natal".

"Por sua vez, isso levou a demandas por direitos políticos que lhes dessem uma parte dos lucros. Claro, as primeiras colônias europeias não eram o que hoje chamaríamos de democracias, mas, em comparação com as colônias densamente povoadas para as quais poucos europeus se mudaram, as colônias de colonos forneciam direitos políticos consideravelmente mais extensos", destacou a Academia.

Essa dinâmica foi a responsável por gerar a reversão de riqueza entre os países, identificada pelos pesquisadores. Os países com as instituições mais fortes e inclusivas foram capazes de avançar de forma mais próspera que aqueles com instituições extrativistas, focadas nos ganhos dos colonos no curto prazo.

Os avanços tecnológicos trazidos pelas revoluções industrias, também, tiveram mais espaço para nascer e se desenvolver em países com as instituições fortes, provocando mais desigualdade econômica entre as nações, segundo os estudos.

Um exemplo analisado pelos pesquisadores é o de Nogales, uma cidade que tem parte localizada no Arizona, nos Estados Unidos, e parte em Sonora, no México. O clima da cidade em ambos os países é o mesmo, assim como os elementos culturais, o que faz com que as principais fontes para o enriquecimento sejam as mesmas.

No entanto, a região nos Estados Unidos, que foi colonizado pelos ingleses num esquema de "colônia de colonos" — ou seja, onde os migrantes trabalhavam e viviam — é mais próspera em todas as áreas. Já a região mexicana, que foi colonizada pela Espanha numa lógica extrativista, sobretudo, e hoje convive com o crime organizado, é mais repleta de incertezas e tem menos riquezas.

Gráfico mostra a reversão de riqueza ao longo do tempo, principalmente com a Revolução Industrial, que foi mais presente nos países que eram "colônias de colonos" — Foto: Johan Jarnestad/The Royal Swedish Academy of Scienses
Gráfico mostra a reversão de riqueza ao longo do tempo, principalmente com a Revolução Industrial, que foi mais presente nos países que eram "colônias de colonos" — Foto: Johan Jarnestad/The Royal Swedish Academy of Scienses

A mortalidade dos colonos também foi um fator determinante para o desenvolvimento de cada tipo de instituição dentro das colônias, mostraram os estudos.

"Os lugares onde as doenças eram mais perigosas para os europeus são onde agora encontramos sistemas econômicos disfuncionais e a maior pobreza, bem como a maior corrupção e o estado de direito mais fraco. Uma razão importante para isso são as instituições extrativistas que os colonizadores europeus estabeleceram ou escolheram manter, se isso os beneficiasse", pontuou a Academia.

Por fim, os pesquisadores demonstraram que a democracia também é um fator essencial para a possibilidade de um país desenvolver sistemas econômicos benéficos para toda a população no longo prazo.

As elites governantes que ficaram no poder conforme as colônias cresciam eram as mais beneficiadas pelas instituições impostas naqueles locais. A insatisfação da população com suas condições econômicas, porém, e a incapacidade das elites de fazer "promessas confiáveis" fizeram com que muitos países migrassem para os sistemas democráticos.

Veja os vencedores dos últimos 10 anos do Nobel de Economia:

  • 2023: Claudia Goldin, por seus estudos sobre mulheres no mercado de trabalho
  • 2022: Ben Bernanke, Douglas Diamond e Philip Dybvig (Estados Unidos), por seus estudos sobre bancos e sua relação com as crises financeiras.
  • 2021: David Card, Joshua D. Angrist e Guido W. Imbens, por seus estudos para entender os efeitos de salário mínimo, imigração e educação no mercado de trabalho.
  • 2020: Paul R. Milgrom e Robert B. Wilson (Estados Unidos), por seus trabalhos na melhoria da teoria e invenções de novos formatos de leilões.
  • 2019: Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer (Estados Unidos), por seus seus trabalhos no combate à pobreza.
  • 2018: William D. Nordhaus e Paul M. Romer (Estados Unidos), por seus estudos sobre economia sustentável e crescimento econômico a longo prazo.
  • 2017: Richard Thaler (Estados Unidos), por sua pesquisa sobre as consequências dos mecanismos psicológicos e sociais nas decisões dos consumidores e dos investidores.
  • 2016: Oliver Hart (Reino Unido/Estados Unidos) e Bengt Holmström (Finlândia), por suas contribuições à teoria dos contratos.
  • 2015: Angus Deaton (Reino Unido/Estados Unidos) por seus estudos sobre "o consumo, a pobreza e o bem-estar".
  • 2014: Jean Tirole (França), por sua "análise do poder do mercado e de sua regulação".
  • 2013: Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Shiller (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre os mercados financeiros.
O prêmio

O prêmio de Economia, oficialmente chamado de "Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel", foi criado em 1968 e concedido pela primeira vez em 1969.

A homenagem não fazia parte do grupo original de cinco prêmios estabelecidos pelo testamento do industrialista sueco Alfred Nobel, criador da dinamite. Os outros prêmios Nobel (Medicina, Física, Química, Literatura e Paz) foram entregues pela primeira vez em 1901.

O Nobel de Economia é o último concedido este ano. Os prêmios de Medicina, Física, Química, Literatura e Paz já foram anunciados nos últimos dias.

Embora seja o prêmio de maior prestígio para um pesquisador em economia, o prêmio não adquiriu o mesmo status das disciplinas escolhidas por Alfred Nobel em seu testamento de fundação (Medicina, Física, Química, Paz e Literatura) - seus detratores zombam dele como um "falso Nobel" que representa economistas ortodoxos e liberais.

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domingo, 13 de outubro de 2024

O tsunami do tamanho de um arranha-céu que chacoalhou o planeta e ninguém viu

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Neste artigo, pesquisadores discutem como tsunamis de grandes proporções podem vir a se tornar mais comuns, por conta das mudanças climáticas.
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Por Stephen Hicks*, Kristian Svennevig*

Postado em 13 de outubro de 2024 às 07h00m

#.* Post. - Nº.\  11.369 *.#

O Fiorde Dickson em agosto de 2023: apenas algumas semanas depois da captura desta imagem, um grande pedaço da montanha deslizou para o oceano, provocando uma gigantesca onda que reverberou 10 mil vezes durante nove dias dentro do fiorde e fez a Terra inteira vibrar. — Foto: Wieter Boone / Flanders Marine Institute
O Fiorde Dickson em agosto de 2023: apenas algumas semanas depois da captura desta imagem, um grande pedaço da montanha deslizou para o oceano, provocando uma gigantesca onda que reverberou 10 mil vezes durante nove dias dentro do fiorde e fez a Terra inteira vibrar. — Foto: Wieter Boone / Flanders Marine Institute 

O Fiorde Dickson em agosto de 2023: apenas algumas semanas depois da captura desta imagem, um grande pedaço da montanha deslizou para o oceano, provocando uma gigantesca onda que reverberou 10 mil vezes durante nove dias dentro do fiorde e fez a Terra inteira vibrar.

Cientistas especialistas em terremotos detectaram um sinal incomum nas estações de monitoramento usadas para detectar atividade sísmica em setembro de 2023, entre eles nós. Vimos este sinal nos sensores em todos os lugares, do Ártico à Antártica.

Ficamos perplexos - o sinal era diferente de qualquer outro registrado anteriormente. No lugar do estrondo rico em frequências típico dos terremotos, tratava-se de um zumbido monótono, contendo apenas uma frequência de vibração. Ainda mais intrigante foi o fato de o sinal ter continuado por nove dias.

Inicialmente classificado como um objeto sísmico não identificado (USO, na sigla em inglês), a fonte do sinal acabou rastreada até um enorme deslizamento de terra no remoto Fiorde Dickson, na Groenlândia.

Um volume impressionante de rocha e gelo, suficiente para encher 10 mil piscinas olímpicas, mergulhou no fiorde, desencadeando um megatsunami de 200 metros de altura e um fenômeno conhecido como seiche: uma onda no fiorde gelado que continuou a se deslocar para frente e para trás, cerca de 10 mil vezes em nove dias.

Para contextualizar o tsunami, essa onda de 200 metros tinha o dobro da altura da torre que abriga o Big Ben em Londres, e era muitas vezes maior do que qualquer coisa registrada após terremotos submarinos de grandes proporções na Indonésia em 2004 (o tsunami do Boxing Day) ou no Japão em 2011 (o tsunami que atingiu a usina nuclear de Fukushima). Talvez tenha sido a onda mais alta em qualquer lugar da Terra desde 1980.

Nossa descoberta, agora publicada na revista Science, contou com a colaboração de 66 outros cientistas de 40 instituições em 15 países.

Assim como em uma investigação de acidente aéreo, a solução desse mistério exigiu a junção de diversas evidências, desde um grande número de dados sísmicos até imagens de satélite, monitores de nível de água em fiordes e simulações detalhadas da evolução da onda de tsunami.

Tudo isso evidenciou uma cadeia de eventos catastrófica e em cascata, de décadas a segundos antes do colapso. O deslizamento de terra desceu por uma geleira muito íngreme em uma ravina estreita antes de mergulhar em um fiorde estreito e confinado.

No final das contas, foram décadas de aquecimento global que afinaram a geleira em várias dezenas de metros, o que significa que a montanha que se erguia acima dela não podia mais se manter de pé.

Mas além da estranheza dessa maravilha científica, esse evento ressalta uma verdade mais profunda e inquietante: as mudanças climáticas estão remodelando nosso planeta e nossos métodos científicos de maneiras que apenas estamos começando a entender.

É um lembrete claro de que estamos navegando em águas desconhecidas. Há apenas um ano, a ideia de que um maremoto poderia persistir por nove dias teria sido considerada absurda.

Lisboa, com mais de 3 mil anos de história, foi reconstruída após terremoto de 1755, mas ainda guarda relíquias

Da mesma forma, há um século, a noção de que o aquecimento global poderia desestabilizar as encostas do Ártico, levando a deslizamentos de terra e tsunamis em grande escala quase todos os anos, teria sido considerada exagerada. No entanto, esses eventos antes impensáveis agora estão se tornando nossa nova realidade.

À medida que nos aprofundamos nesta nova era, podemos esperar testemunhar mais fenômenos que desafiam nossa compreensão anterior, simplesmente porque nossa experiência não abrange as condições extremas que estamos encontrando agora. Vimos uma onda de nove dias que antes ninguém poderia imaginar que pudesse existir.

Tradicionalmente, as discussões sobre as mudanças climáticas têm se concentrado em olharmos para cima e para fora, para a atmosfera e para os oceanos, com mudanças nos padrões climáticos e aumento do nível do mar. Mas o Fiorde Dickson nos obriga a olhar para baixo, para a própria crosta sob nossos pés.

Talvez pela primeira vez, as mudanças climáticas tenham desencadeado um evento sísmico com impactos globais. O deslizamento de terra na Groenlândia enviou vibrações através da Terra, chacoalhando o planeta e gerando ondas sísmicas que percorreram todo o globo, uma hora após o evento. Nenhuma parte do solo sob nossos pés ficou imune a essas vibrações, abrindo - metaforicamente - fissuras em nossa compreensão desses eventos.

Embora deslizamentos de terra e tsunamis já tenham sido registrados antes, o de setembro de 2023 foi o primeiro a ser visto no leste da Groenlândia, uma área que parecia imune a esses eventos catastróficos induzidos pelas mudanças climáticas.

E esse certamente não será o último megatsunami de deslizamento de terra. Como o permafrost (solo permanentemente congelado) em encostas íngremes continua a se aquecer e as geleiras continuam a derreter, podemos esperar que esses eventos ocorram com mais frequência e em escala ainda maior em todas as regiões polares e montanhosas do mundo.

Os declives instáveis recentemente identificados no oeste da Groenlândia e no Alasca são exemplos claros de desastres iminentes.

À medida que enfrentamos esses eventos extremos e inesperados, está ficando claro que nossos métodos científicos e ferramentas existentes talvez precisem ser totalmente reformados para lidar com eles. Não tínhamos um fluxo de trabalho padrão para analisar o evento de 2023 na Groenlândia. Também precisamos adotar uma nova mentalidade, pois nosso entendimento atual é moldado por um clima quase extinto e anteriormente estável.

À medida que continuamos a alterar o clima do nosso planeta, precisamos estar preparados para fenômenos inesperados que desafiam nosso entendimento atual e exigem novas formas de pensar. O solo abaixo de nós está tremendo, tanto literal quanto figurativamente. Embora a comunidade científica deva se adaptar e preparar o caminho para decisões informadas, cabe aos tomadores de decisão agir.

Stephen Hicks é pesquisador associado em Sismologia Computacional na UCL.

Kristian Svennevig é pesquisador sênior do Departamento de Mapeamento e Recursos Minerais de Pesquisas Geológicas da Dinamarca e Groenlândia.

** Este texto foi publicado originalmente no site do The Conversation Brasil.

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sábado, 12 de outubro de 2024

Elon Musk perde R$ 66 bilhões de sua fortuna após lançamento de robotáxi da Tesla

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Carro autônomo, sem volante nem pedais, foi apresentado na noite de quinta (10). O evento, no entanto, não agradou o mercado, que apontou 'falta de detalhes'. Apesar das perdas, Musk continua sendo o homem mais rico do mundo, com patrimônio de R$ 1,38 trilhão.
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Por g1

Postado em 12 de outubro de 2024 às 06h30m

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Elon Musk, presidente-executivo da Tesla, Paris, França 16/06/2023 — Foto: REUTERS/Gonzalo Fuentes
Elon Musk, presidente-executivo da Tesla, Paris, França 16/06/2023 — Foto: REUTERS/Gonzalo Fuentes

Elon Musk perdeu US$ 11,8 bilhões (R$ 66 bilhões) nesta sexta-feira (11). A fortuna do dono da Tesla diminuiu após a empresa dele lançar o robotáxi Cybercab — um carro sem volante nem pedais, desenvolvido para transportar passageiros sem motorista. (conheça o modelo mais abaixo)

As perdas de Musk acompanharam a desvalorização das ações da montadora de veículos elétricos, que recuaram 8,8% nesta sexta. Em valor de mercado, o tombo da companhia foi de US$ 68 bilhões (R$ 382,5 bilhões).

Apesar das cifras, Musk continua sendo o homem mais rico do mundo, com patrimônio de US$ 248,8 bilhões (R$ 1,38 trilhão), segundo o ranking de bilionários da revista Forbes.

Ele está na frente do dono da Oracle, Larry Ellison, que tem uma fortuna de US$ 212 bilhões (R$ 1,2 trilhão) e do fundador da Amazon, Jeff Bezos, que possui US$ 206,6 bilhões (R$ 1,16 trilhão).

Mas o que explica as perdas?

Os papéis da empresa de Musk começaram a despencar na manhã de sexta, logo após a apresentação do Cybercab, que ocorreu na noite de quinta-feira (10), em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Para analistas do mercado, o evento de lançamento do robotáxi teve menos informações do que o esperado. O tema foi destacado em relatórios enviados por instituições financeiras a clientes.

Conforme a Forbes, o analista Adam Jonas, do banco Morgan Stanley, apontou decepção com os detalhes do robotáxi. Toni Sacconaghi, analista da gestora de patrimônios Bernstein, chamou a apresentação de "surpreendentemente ausente em detalhes".

Dan Levy, do banco Barclays, destacou que "não houve atualizações indicando oportunidades de curto prazo", enquanto Nancy Tengler, CEO da Laffer Tengler Investments, afirmou ter sido um evento "muito vago" para o gosto do mercado.

Já Dan Ives, analista do Wedbush, destacou que "Musk e a Tesla deveriam ter gastado mais tempo em detalhes".

Por outro lado, apesar da reação negativa e da queda nas ações da empresa, também houve reações positivas. Dan Ives, do Wedbush, ponderou que "discorda fortemente" de que o evento tenha sido uma decepção.

John Murphy, do Bank of America, disse que "o evento correspondeu ao hype".

O lançamento do robotáxi Cybercab

Cybercab é o robotáxi da Tesla, carro sem volantes e pedais, lançado em Los Angeles; imagem foi retirada de vídeo — Foto: Tesla/Divulgação via Reuters
Cybercab é o robotáxi da Tesla, carro sem volantes e pedais, lançado em Los Angeles; imagem foi retirada de vídeo — Foto: Tesla/Divulgação via Reuters

A fabricante de carros elétricos de Elon Musk apresentou na noite de quinta-feira o protótipo do robotáxi Cybercab, um carro sem volante nem pedais, desenvolvido para transportar passageiros sem a necessidade de um motorista.

O modelo tem dois lugares e portas que abrem para cima. A produção do veículo deve começar em 2026, segundo anúncio no evento de lançamento, em Los Angeles, nos Estados Unidos, informou a agência Reuters.

Musk, que chegou ao palco em um dos robotáxis, disse que os veículos estarão disponíveis para compra por menos de US$ 30 mil — cerca de R$ 170 mil.

"A grande maioria do tempo, os carros estão apenas parados", disse Musk no palco. "Mas se forem autônomos, podem ser usados cinco vezes mais, talvez dez vezes mais."

O Cybercab é o primeiro lançamento da Tesla desde o Cybertruck, apresentado como um carro quase indestrutível em 2019. Naquele ano, Musk também prometeu revelar um robotáxi.

Robotáxi da Tesla é exibido em um evento de lançamento em Los Angeles, na Califórnia — Foto: Tesla/Divulgação via Reuters
Robotáxi da Tesla é exibido em um evento de lançamento em Los Angeles, na Califórnia — Foto: Tesla/Divulgação via Reuters

O lançamento foi adiado mais de uma vez, e a tentativa anterior estava prevista para agosto. Segundo o bilionário, o evento não aconteceu na data prevista devido a uma mudança de última hora no visual do carro.

Ele disse que os carros dependem de inteligência artificial e câmeras, não necessitando de outro hardware como o que os concorrentes de robotáxi usam — uma abordagem que investidores e analistas consideram desafiadora tanto do ponto de vista técnico quanto regulatório.

"O futuro autônomo está aqui," disse Musk. "Temos 50 carros totalmente autônomos aqui esta noite. Você verá os Model Ys e o Cybercab. Todos sem motorista."

O plano de Musk é operar uma frota de táxis autônomos da Tesla que os passageiros possam chamar por meio de um aplicativo. Proprietários individuais também poderão ganhar dinheiro no aplicativo, listando seus veículos como robotáxis.

Além do carro, Musk apresentou um robovan, que é um veículo maior e autônomo capaz de transportar até 20 pessoas. Ele também mostrou o robô humanoide Optimus da Tesla.

Robovan da Tesla é apresentado em evento em Los Angeles — Foto: Tesla/Divulgação via Reuters
Robovan da Tesla é apresentado em evento em Los Angeles — Foto: Tesla/Divulgação via Reuters


Robô Optimus da Tesla caminha durante o evento de lançamento em Los Angeles — Foto: Tesla/Divulgação via Reuters
Robô Optimus da Tesla caminha durante o evento de lançamento em Los Angeles — Foto: Tesla/Divulgação via Reuters

Investidores desapontados

Segundo a Reuters, investidores que esperavam detalhes concretos sobre a rapidez com que a Tesla pode aumentar a produção de robotáxis, garantir aprovação regulatória e implementar um plano de negócios sólido para superar concorrentes ficaram desapontados.

"Tudo parece legal, mas não muito em termos de prazos. Sou acionista e estou bastante decepcionado. Acho que o mercado queria prazos mais definitivos," disse Dennis Dick, trader de ações da Triple D. Trading. "Não acho que ele disse muito sobre nada. Ele não deu muitas informações.

'Caixa-preta'

A direção autônoma do Cybercab é baseada na técnica de "aprendizado de máquina e ponta-a-ponta", em que o sistema é treinado para tomar decisões com base em dados brutos.

Depois de receber as informações, o sistema não tem interferência humana, o que faz ele ser apontado como uma "caixa-preta" que dificulta a responsabilização em caso de erros.

O método torna "quase impossível ver o que deu errado quando ele se comporta mal e causa um acidente", disse um engenheiro da Tesla ouvido pela Reuters na condição de anonimato.

Rivalidade com Alphabet e Uber

O Cybercab deverá concorrer com os carros autônomos de empresas como Waymo, (da Alphabet, controladora do Google), Cruise (da General Motors) e Uber.

As adversárias costumam ter mais sensores redundantes, isto é, que funcionam como camadas extras de proteção para garantir segurança e a aprovação de reguladores para seus veículos.

Já a Tesla quer carros com câmeras mais simples que usam inteligência artificial para analisar o que está ao redor. A tática tem o objetivo de tornar os carros mais baratos, mas pode dificultar a autorização de reguladores.

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