Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Números do Caged foram divulgados pelo Ministério do Trabalho, nesta terça-feira (30). Na comparação com 2022, houve queda de 26,3% na criação de postos de trabalho com carteira assinada. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Alexandro Martello, Lais Carregosa, g1 — Brasília Postado em 30 de janeiro de 2024 às 14h45m #.*Post. - N.\ 11.097*.#
A economia brasileira gerou 1,48 milhão de empregos com carteira assinada em 2023, informou nesta terça-feira (30) o Ministério do Trabalho.
Ao todo, segundo o governo federal, no ano passado foram registradas:
23,257 milhões de contratações;
21,774 milhões de demissões.
Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged),
os números representam uma queda de 26,3% em relação ao ano de 2022,
quando foram gerados 2,01 milhões de postos de trabalho.
Segundo o ministro, a meta não se concretizou por um saldo menor que o esperado nos meses de setembro, outubro e novembro.
"Relutei
muito ano passado em projetar quanto que seria o número de empregos e,
do jeito que vinha, os juros e tal, temia que que a gente não chegasse
no patamar que chegamos. Acabamos falando na ordem de 2 milhões um pouco
para mostrar: 'vamos vender boas notícias para estimular o conjunto da
população, o empresariado enfim'", declarou.
O ministro, contudo, disse considerar o resultado de 2023 como
"razoável". De acordo com Marinho, o nível da taxa básica de juros na
economia, a taxa Selic, e o endividamento são fatores que afetaram a
criação de empregos no ano.
Os números oficiais mostram que, somente em dezembro do ano passado, as demissões superaram as contratações em 430.159 vagas formais.
Normalmente, há demissões no último mês de cada ano por causa da
sazonalidade do comércio. O governo também tem observado demissões no
setor público, principalmente nas áreas de educação e saúde, com o
encerramento de contratos temporários.
Ao final de 2023, ainda conforme os dados oficiais, o Brasil tinha saldo de 43,92 milhões de empregos com carteira assinada.
O resultado representa alta na comparação com dezembro do ano anterior (42,44 milhões).
Empregos por setor
Os números do Caged de 2023 mostram que foram criados empregos formais nos cinco setores da economia.
Empregos por setor
Abertura de vagas em em 2023
Total
Fonte: Ministério do Trabalho
Regiões do país
Os dados também revelam que foram abertas vagas em todas regiões do país no ano passado.
Empregos por região
Vagas criadas em 2023
Em milhares
Fonte: Ministério do Trabalho
Salário médio de admissão
O governo também informou que o salário médio de admissão foi de R$ 2.026,33 em dezembro do ano passado, o que representa redução em relação a novembro (R$ 2.032,85).
Na comparação com dezembro de 2022, também houve aumento no salário
médio de admissão. Naquele mês, o valor foi de R$ 1.986,15.
Caged x Pnad
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados consideram os
trabalhadores com carteira assinada, e não incluem os informais.
Com isso, os resultados não são comparáveis com os números do
desemprego divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), coletados por meio da Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios Continua (Pnad).
Os números do Caged são coletados das empresas e abarcam o setor
privado com carteira assinada, enquanto os dados da Pnad são obtidos por
meio de pesquisa domiciliar e abrangem também o setor informal da
economia.
Em 24 de janeiro de 1984, o computador pessoal Apple Macintosh 12 <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Chris Baraniuk 30/01/2024 03h00 Atualizado há 03 horas Postado em 30 de janeiro de 2024 às 06h00m #.*Post. - N.\ 11.096*.#
O lançamento do Macintosh 128K acaba de completar 40 anos — Foto: Alamy via BBC
David Blatner preserva até hoje praticamente todos os computadores
Macintosh que já comprou. Mas um deles merece destaque: o primeiro.
Ele se lembra da forma da disposição da tela; do volumoso manual; e dos
tutoriais em fitas cassete, ensinando como usar a máquina. Era tudo o
que ele achava que um computador devia ser.
Ele já havia observado versões anteriores de computadores pessoais quando era criança.
Blatner costumava ir de bicicleta até o Centro de Pesquisa da Xerox em
Palo Alto, na Califórnia (Estados Unidos), onde seu padrasto trabalhava
nos anos 1970. Ali, ele conseguiu operar os primeiros computadores
pessoais, como o Alto, que tinha uma interface gráfica e um mouse.
"Um computador que funcionaria para uma única pessoa — a própria ideia era extraordinária", lembra Blatner.
Hoje, ele é presidente do portal CreativePro Network, dedicado a profissionais da área de criação.
Mas Blatner precisou esperar ainda mais uma década até conseguir seu próprio computador, com a chegada do Macintosh da Apple.
No dia 24 de janeiro de 1984, um homem chamado Steve Jobs(1955-2011) subiu em um palco e retirou uma caixa bege de uma maleta de
transporte. Ele introduziu um disco flexível na caixa e ficou
esperando.
Ao som da música-tema de Carruagens de Fogo, a palavra “Macintosh” varreu a minúscula tela daquele computador e surgiu uma série de imagens monocromáticas. A plateia formada por acionistas da Apple ficou encantada e enlouquecida.
Pelos padrões da tecnologia atual, a tela minúscula, o formato de caixa
e os elementos gráficos rudimentares do Macintosh original parecem
ridículos.
Aquele aparelho não foi nem mesmo o primeiro computador pessoal. Mas, sem dúvida, foi o primeiro a mudar o mundo.
O pomposo lançamento feito por Steve Jobs
no Centro Flint em Cupertino, na Califórnia, passou a servir de modelo
para suas muitas apresentações posteriores de aparelhos da Apple, incluindo o iMac e o iPhone.
Hoje, o Mac 128K — assim chamado porque vinha com 128 KB de RAM (na
sigla em inglês, memória de acesso aleatório) — é uma peça de museu. A Appledeixou de produzir o aparelho em outubro de 1985 e suspendeu sua assistência de software em 1998.
Mas um punhado de obstinados admiradores ainda usa seus computadores
Mac 128K até hoje, apesar das frustrações. Afinal, essas máquinas são
extremamente limitadas devido à sua pouca capacidade de memória.
Steve Jobs queria que o Macintosh fosse um computador pessoal
acessível, usado por qualquer pessoa — Foto: Getty Images via BBC
Criativo e duradouro
Mesmo com sua memória diminuta, gráficos rudimentares, ausência de modem e sem possibilidade de conexão à internet, existe uma comunidade de ávidos fãs que se divertem operando esse equipamento aparentemente antiquado.
O historiador da computação David Greelish, da Flórida (EUA), lançou em janeiro um documentário sobre o predecessor do 128K, o Apple Lisa.
Ele destaca a criatividade da placa-mãe original do 128K.
"Ela tem tudo: ROM, RAM, processador e todas as entradas e saídas", conta.
"Tudo está ali em uma pequena e bela placa quadrada integrada. Para 1984, era incrível."
E, para os colecionadores, ele é uma parte da história da computação,
com as assinaturas da equipe que o construiu inscritas na parte de trás
do gabinete de plástico, no lado interno.
Mas alguns
donos de Mac 128K usam suas valiosas máquinas para jogar games
curiosos, como Frogger ou Lode Runner — tudo em preto e branco. O Macintosh II, primeiro Macintosh com tela colorida, só foi lançado em 1987.
O Centro da História da Computação de Cambridge, no Reino Unido, é uma das muitas coleções que apresentam um 128K funcionando.
"Ele tem 40 anos de idade e ainda funciona", conta a diretora do centro, Lisa McGerty.
Ela se lembra do lançamento dos computadores Macintosh como um
desenvolvimento "de massa" para pessoas do setor editorial e gráfico. A
impressora gráfica da Apple, ImageWriter, foi lançada pouco antes do 128K.
Adrian Page-Mitchell, colega de McGerty e responsável pelas coleções, afirma que nem sempre é fácil manter esses antigos Macintoshes funcionando.
Ele conta que um outro 128K que ficou em exibição por muito tempo no
Centro da História da Computação acabou quebrando e "não pôde ser
consertado".
Às vezes, os Macs demonstram sua idade de formas estranhas.
O YouTuber e colecionador de computadores Steven Matarazzo conta que um dos capacitores da máquina, às vezes, pode se degradar com o tempo. Com isso, a tela do 128K não irá funcionar corretamente — ela irá parecer levemente comprimida.
Em 2023, ele postou um vídeo no YouTube sobre um aparente protótipo do
128K. Ele não estava funcionando e seu dono pediu a Matarazzo que desse
uma olhada no aparelho. Em pouco tempo, Matarazzo fez o computador
voltar a funcionar.
Ele estudou detalhadamente cada centímetro daquele Mac. E ficou
entusiasmado com as minúsculas diferenças entre aquele aparelho e a
versão que chegou ao mercado.
Havia no protótipo, por exemplo, pequenos logos da Apple
impressos sobre os pés de borracha, que não estavam presentes no design
final. Essas descobertas são um pouco como uma arqueologia dos
aparelhos eletrônicos.
"Você tenta juntar as peças: qual era o processo aqui, qual a idade
disso, qual a idade daquilo", explica ele. "É isso que, especialmente
para mim, é realmente interessante."
O Apple II e oApple Lisa, lançados antes do 128K, também pretendiam ser aparelhos
intuitivos com alta capacidade. Mas cada um deles tinha suas próprias
falhas ou limitações.
O AppleII, por exemplo, não tinha uma interface gráfica de usuário ou mouse. Já o Lisa era muito mais caro que o 128K.
Na época do lançamento do 128K, Blatner estava no final do ensino
médio. Ele procurava um computador para levar para a faculdade que
tivesse a mesma capacidade das máquinas que ele havia visto na Xerox
anos antes.
Seus pais o levaram às compras e eles logo encontraram um 128K à venda em uma loja no centro de Palo Alto.
"Ele
tinha menus, tinha pastas, tinha uma interface gráfica de usuário,
tinha um mouse", relembra ele. "Era tudo o que eu achava que um
computador deveria ser."
Blatner ainda guarda a nota fiscal da compra. Seus pais pagaram pelo aparelho, em 1984, US$ 2.495.
Na faculdade, Blatner logo estaria mostrando o aparelho para seus
colegas. Eles costumavam formar filas atrás dele no dormitório,
aguardando uma chance de usar o computador.
"Tenho um arquivo com todas aquelas coisas malucas que imprimíamos na
faculdade", ele conta. "As pessoas simplesmente adoravam."
Não foi por coincidência que aquela tecnologia refletiu as experiências anteriores de Blatner com computadores na Xerox.
Jef Raskin, que começou o projeto do Macintosh
— e deu ao computador o nome da sua variedade preferida de maçã —,
também havia observado a mesma tecnologia da Xerox, que serviu de
inspiração.
Mais do que isso: em dezembro de 1979, Jobs e um grupo de engenheiros da Apple visitaram diversas vezes a Xerox. Eles conseguiram ideias que, mais tarde, seriam usadas no Lisa e no Macintosh.
Em troca dessas importantes demonstrações, a Xerox recebeu uma grande quantidade de ações daApple,
que foram rapidamente vendidas. A empresa perdeu a possibilidade de
ganhar bilhões de dólares se tivesse mantido as ações em seu poder.
Como se sabe, Jobs acabou assumindo o projeto do Macintosh iniciado por Raskin, depois de ser excluído da equipe do Lisa.
Naquela época, ele já havia desenvolvido a visão do computador pessoal
acessível e decidiu que o Macintosh o ajudaria a tornar esse aparelho
uma realidade.
Um dos pontos que diferenciava o Macintosh era sua apresentação. Ele
não era apenas um computador pessoal — ele tinha personalidade.
A designer gráfica Susan Kare criou ícones que pareciam sair de
desenhos animados e que praticamente qualquer pessoa conseguiria
compreender. Ela também colaborou com a coleção de fontes digitais do
Macintosh.
O Macintosh 128K ocupa até hoje um lugar especial no coração dos
primeiros funcionários da Apple que trabalharam na época do seu
desenvolvimento — Foto: Getty Images via BBC
Mas grande parte do impacto causado pelo Mac foi alimentado pelo marketing e pela propaganda.
O cineasta e historiador Jason Scott trabalha no Internet Archive, uma
plataforma de arquivo digital sem fins lucrativos. Ele se lembra de ter
visto o anúncio original do Mac 128K na televisão quando era
adolescente.
A estranha propaganda foi dirigida por Ridley Scott e ilustrava um
futuro distópico inspirado pelo romance de George Orwell, 1984.
O que nos salvaria daquele futuro sombrio? O Mac 128K, é claro!
"Aquele
comercial começou a passar e parecia algo totalmente vindo de Marte",
relembra Scott. "Alguma coisa estava acontecendo, mas eu não entendia
muito bem o quê."
Não muito tempo depois, Scott testou um Macintosh pela primeira vez e
ficou maravilhado. Era, segundo ele, como observar outro mundo por um
telescópio.
Ainda assim, o Mac não foi o sucesso de vendas que alguns esperavam.
"Ele não foi vendido para pessoas de negócios, como Steve acreditava
que seria", relembra Andy Cunningham, que trabalhou na campanha de
marketing do aparelho.
"Foi por isso, em última instância, que Steve acabou sendo despedido daApple."
Jobs saiu da empresa em 1985, mas retornou no final dos anos 1990.
Foi apenas em 1988 que o total de vendas dos aparelhos Macintosh, incluindo diversas de suas versões posteriores, superou o do Apple II, lançado em 1977.
Macintosh SE usado entre 1988 e 1994 por Steve Jobs, cofundador da Apple — Foto: Reprodução
Mas os Macs realmente chamaram a atenção de muitas pessoas, especialmente jovens e profissionais de áreas criativas.
Cunningham e sua colega Jane Anderson ajudaram a impulsionar a
publicidade do Macintosh original. Eles ofereceram seis horas com
pessoas da Apple,
incluindo Jobs, a jornalistas individualmente — e fizeram diversas
demonstrações do aparelho para ter certeza de que eles compreenderiam o
objeto das suas reportagens.
"Observei todos eles brincando com o computador e seus olhos simplesmente brilhavam", relembra Cunningham.
Seria
errado afirmar que o Mac 128K era um computador perfeito. Na verdade,
ele tinha sérias limitações e seu sucesso comercial inicialmente foi
limitado. Mas ele deixou uma marca indelével.
A ascensão do computador pessoal, sem dúvida, foi um divisor de águas.
Os computadores com gabinetes ridiculamente grandes, que você só
conseguia conectar com um terminal desajeitado, agora parecem
irremediavelmente antiquados.
Hoje em dia, temos máquinas portáteis, divertidas e acessíveis, que quase qualquer pessoa consegue usar.
Mas o engraçado é que a era dos computadores individuais iniciada pelo
Macintosh original, de certa forma, está chegando ao fim.
No século 21, estamos ficando cada vez mais dependentes de fazendas de
servidores, processamento em nuvem, grandes volumes de dados e sistemas
em rede. Os computadores de outras pessoas são cada vez mais
indispensáveis para podermos operar o nosso próprio equipamento.
"Estamos agora do outro lado", reflete Blatner. "Nós realmente
precisamos desse período de 40 anos para capacitar e empoderar as
pessoas."
Regulamentação reduziu em 80% o teor de enxofre permitido no combustível dos navios, evitando 30 mil mortes por ano, mas esse tipo de poluição também ajuda a esfriar o planeta ao refletir a luz solar <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Laura Paddisonda CNN 27/01/2024 às 11:20 | Atualizado 27/01/2024 às 11:27 Postado em 29 de janeiro de 2024 às 07h35m #.*Post. - N.\ 11.095*.#
Nuvens longas e estreitas chamadas "rastros de navios" contra o pano de
fundo de nuvens marinhas sobre o Oceano Pacífico Norte em 26 de agosto
de 2018. Essas nuvens distintas se formam quando o vapor de água se
condensa em torno das minúsculas partículas emitidas pelos navios em
suas chaminés Lauren Dauphin/NASA Earth Observatory/MODIS data from LANCE/EOSDIS Rapid Response
Os enormes navios
de carga que cruzam os oceanos do mundo por vezes deixam “rastros” no
seu caminho – nuvens longas e finas que percorrem o céu, durando até
alguns dias antes de desaparecerem.
Essas nuvens fantasmas são lindas, mas são um sinal visível de poluição
atmosférica mortal. Elas se formam quando pequenas partículas de
dióxido de enxofre expelidas das chaminés dos navios interagem com o
vapor de água na atmosfera, criando nuvens baixas e altamente
reflexivas.
A poluição por enxofre dos navios causa dezenas de
milhares de mortes prematuras por ano. Mas no que pode parecer uma
reviravolta cruel – especialmente vindo de uma indústria responsável por
cerca de 3% das emissões globais de gases efeito de estufa – esse tipo de poluição também ajuda a arrefecer o planeta, iluminando
as nuvens e refletindo a energia do sol para longe da Terra.
Então,
quando em 2020 a Organização Marítima Internacional (IMO), o órgão das
Nações Unidas que regula o transporte marítimo, reduziu em 80% o teor de
enxofre permitido no combustível dos navios, foi uma vitória para a
saúde humana. É estimado que 30 mil mortes prematuras serão agora
evitadas todos os anos.
Mas era “uma nuvem prateada com um
revestimento escuro”, disse Michael Diamond, professor assistente do
Departamento de Ciências da Terra, Oceanos e Atmosféricas da
Universidade Estadual da Flórida. Os regulamentos encerraram um vasto e
acidental projeto de geoengenharia. Os rastros dos navios reduziram
drasticamente e, com eles, o impacto de resfriamento dessa poluição.
À
medida que as temperaturas globais aumentam, os cientistas tentam
desvendar se essas regulamentações marítimas podem estar
inadvertidamente alimentando uma aceleração alarmante doaquecimento global – uma hipótese controversa que dividiu alguns especialistas.
Esse é um debate que se tornou mais urgente devido ao calor recorde
do ano passado. “Os cientistas estão surpresos com o calor atípico que
foi 2023”, disse Olaf Morgenstern, cientista do Instituto Nacional de
Pesquisa Hídrica e Atmosférica da Nova Zelândia.
O calor foi
especialmente acentuado em algumas partes dos oceanos, onde as
temperaturas da água em áreas como o Atlântico Norte dispararam
descontroladamente.
Temperaturas recordes do oceano do ano passado continuam em 2024
Temperatura média global diária da superfície do mar, 1981 a 2024
Nota: A média global é de 60°S – 60°N. Dados de 23 de janeiro de 2024. Fonte: Reanalisador Climático Gráfico: Krystina Shveda e Amy O’Kruk, CNN
Os
cientistas dizem que o aumento da temperatura global foi impulsionado
principalmente por dois fatores: os impactos do El Niño, um fenômeno
climático natural que tende a ter um impacto no aquecimento global,
combinado com o cenário de aquecimento global a longo prazo causado pela
queima de combustíveis fósseis.
Mas alguns especularam que o
calor aumentou tão anormalmente que outras influências também podem
estar em jogo. As teorias incluem a falta de poeira do Saara que reflete
a luz solar, uma mudança nos padrões do vento e a erupção do vulcão
subaquático Hunga Tonga em janeiro de 2022, que injetou vapor de água
para aquecer o planeta na atmosfera suficiente para encher 58 mil
piscinas olímpicas.
De todas as teorias, no entanto, o impacto das
regulamentações marítimas está rapidamente tornando uma das mais
discutidas. Os cientistas sabem há muito tempo que a redução dessa
poluição por partículas teria um efeito de aquecimento, mas o quanto “é
onde começa a controvérsia”, disse Morgenstern.
Em novembro, o
proeminente cientista climático James Hansen foi coautor de um artigo
que argumentava que a redução da poluição marítima era o principal fator
de uma aceleração alarmante do aquecimento global que vai além do que
os modelos climáticos previam.
Os regulamentos de transporte marítimo da IMO foram “uma experiência científica não intencional”, disse Hansen à CNN.
A sua pesquisa previu que as temperaturas globais ultrapassariam 1,5
graus Celsius de aquecimento acima dos níveis pré-industriais na década
de 2020 e 2 graus na década de 2050 – um nível catastrófico de
aquecimento que poderia desencadear uma série de pontos de inflexão
climáticos.
Mas outros cientistas pediram cautela, até porque a
relação entre as partículas de poluição e as nuvens é extremamente
complexa. Desvendá-la é “um dos maiores desafios da ciência climática”,
disse Diamond.
Navio porta-contêineres atracado nos portos de Los Angeles e Long Beach, Califórnia / 06/02/2015 REUTERS/Bob Riha Jr
Piers
Forster, professor de física climática na Universidade de Leeds, no
Reino Unido, disse que a redução da poluição marítima provavelmente terá
uma influência muito pequena no aquecimento.
De acordo com os
cálculos de Forster, as regulamentações aumentarão o aquecimento global
em cerca de 0,01 graus Celsius, o que poderá aumentar para cerca de 0,05
graus até 2050 – o equivalente a cerca de dois anos adicionais de
emissões causadas pelo homem.
No entanto, acrescentou, o efeito
incerto da poluição nas nuvens significa que existe a possibilidade do
impacto do aquecimento ser muito maior – mais 0,1 ou 0,2 graus até 2050.
Diamond,
cujo próprio trabalho estima que as regulamentações trarão níveis de
aquecimento entre 0,05 e 0,1 graus nas próximas décadas, disse que esse
calor não será “um empecilho”, mas é importante. Cada fração de grau é
importante quando o mundo se aproxima de níveis de aquecimento aos quais
até os humanos terão cada vez mais dificuldade em se adaptar.
Diamond, assim como a maioria dos outros cientistas com quem a CNN conversou, não acredita que o declínio na poluição marítima tenha sido
um fator importante no calor global do ano passado, até porque
geralmente há um intervalo de tempo antes que as mudanças na atmosfera
se reflitam na temperatura da Terra.
“Mas acho que isso poderia
ter sido um pouco mais importante regionalmente”, disse ele. O
transporte marítimo está distribuído de forma desigual, estando grande
parte concentrado entre a Europa, a América do Norte e a Ásia, o que
significa que os impactos da poluição atmosférica também serão
provavelmente distorcidos.
Em áreas como o Atlântico Norte, onde
as temperaturas subiram vários graus acima do normal em 2023, disse
Diamond, “o transporte marítimo é uma explicação decente para parte do
motivo pelo qual estava tão quente”.
Navio
com contêineres atravessa Golfo de Suez em direção ao Mar Vermelho
antes de entrar no Canal de Suez, em Al-‘Ain al-Sokhna, no Egito /
30/07/2023 REUTERS/Mohamed Abd El Ghany
Existem
apenas alguns anos de dados até agora, e levará algum tempo para os
cientistas desvendarem o impacto exato da queda na poluição marítima.
Mas
é claro que a poluição por partículas provenientes de todas as fontes,
incluindo a queima de combustíveis fósseis, teve um impacto de
arrefecimento. Sem ela, o mundo seria cerca de 0,4 graus mais quente, de
acordo com um relatório de 2021 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. E a diminuição da poluição no futuro poderá ter um grande impacto.
Annica
Ekman, professora de meteorologia na Universidade de Estocolmo, na
Suécia, disse que a sua pesquisa descobriu que a diminuição da poluição
por partículas causada pelo homem entre 2015 e 2050 poderia aquecer o
planeta até 0,5 graus.
Mas esse não é um argumento contra a
redução da poluição atmosférica, disse Diamond, é um argumento para
combatê-la juntamente com a redução das emissões de carbono.
O
impacto de resfriamento da poluição atmosférica é largamente compensado
pelo impacto do aquecimento da queima de combustíveis fósseis. É quando a
poluição atmosférica é combatida sem reduzir também as emissões de
carbono que “podemos ter problemas”, disse Diamond.
É isso que
está acontecendo nessa indústria naval, onde enormes navios de
contêineres ainda são impulsionados através dos oceanos por centenas de
milhões de toneladas de combustíveis fósseis.
“Não devemos
esquecer por que existe a regulamentação”, disse Forster. “Ela existe
para salvar vidas da poluição do ar”. Embora a redução dessa poluição
tenha um pequeno impacto no aquecimento, a ação imediata para reduzir as
emissões reduzirá a taxa de aquecimento global e melhorará a qualidade
do ar, disse ele. Não estamos “em uma trajetória condenada”,
acrescentou.