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terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Criação de empregos formais desacelera pelo segundo ano seguido e soma 1,48 milhão em 2023

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Números do Caged foram divulgados pelo Ministério do Trabalho, nesta terça-feira (30). Na comparação com 2022, houve queda de 26,3% na criação de postos de trabalho com carteira assinada.
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Por Alexandro Martello, Lais Carregosa, g1 — Brasília

Postado em 30 de janeiro de 2024 às 14h45m

#.*Post. - N.\ 11.097*.#

A economia brasileira gerou 1,48 milhão de empregos com carteira assinada em 2023, informou nesta terça-feira (30) o Ministério do Trabalho.

Ao todo, segundo o governo federal, no ano passado foram registradas:

  • 23,257 milhões de contratações;
  • 21,774 milhões de demissões.

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), os números representam uma queda de 26,3% em relação ao ano de 2022, quando foram gerados 2,01 milhões de postos de trabalho.

Criação de empregos formais
-191.943-191.9432.780.1552.780.1552.013.2612.013.2611.483.5981.483.5982020202120222023-500k0500k1.000k1.500k2.000k2.500k3.000k
Fonte: Ministério do Trabalho

Segundo o ministro, a meta não se concretizou por um saldo menor que o esperado nos meses de setembro, outubro e novembro.

"Relutei muito ano passado em projetar quanto que seria o número de empregos e, do jeito que vinha, os juros e tal, temia que que a gente não chegasse no patamar que chegamos. Acabamos falando na ordem de 2 milhões um pouco para mostrar: 'vamos vender boas notícias para estimular o conjunto da população, o empresariado enfim'", declarou.

O ministro, contudo, disse considerar o resultado de 2023 como "razoável". De acordo com Marinho, o nível da taxa básica de juros na economia, a taxa Selic, e o endividamento são fatores que afetaram a criação de empregos no ano.

A comparação dos números com anos anteriores a 2020, segundo analistas, não é mais adequada porque o governo mudou a metodologia.

Os números oficiais mostram que, somente em dezembro do ano passado, as demissões superaram as contratações em 430.159 vagas formais.

Normalmente, há demissões no último mês de cada ano por causa da sazonalidade do comércio. O governo também tem observado demissões no setor público, principalmente nas áreas de educação e saúde, com o encerramento de contratos temporários.

  • Ao final de 2023, ainda conforme os dados oficiais, o Brasil tinha saldo de 43,92 milhões de empregos com carteira assinada.
  • O resultado representa alta na comparação com dezembro do ano anterior (42,44 milhões).
Empregos por setor

Os números do Caged de 2023 mostram que foram criados empregos formais nos cinco setores da economia.

Empregos por setor
Abertura de vagas em em 2023
Total

886.223886.223127.145127.145158.940158.940276.528276.52834.76234.762ServiçosIndústriaConstruçãoComércioAgropecuária0200k400k600k800k1.000k
Fonte: Ministério do Trabalho

Regiões do país

Os dados também revelam que foram abertas vagas em todas regiões do país no ano passado.

Empregos por região
Vagas criadas em 2023
Em milhares

726.327726.327298.188298.188197.659197.659155.956155.956106.375106.375SudesteNordesteSulCentro-OesteNorte0200k400k600k800k
Fonte: Ministério do Trabalho

Salário médio de admissão

O governo também informou que o salário médio de admissão foi de R$ 2.026,33 em dezembro do ano passado, o que representa redução em relação a novembro (R$ 2.032,85).

Na comparação com dezembro de 2022, também houve aumento no salário médio de admissão. Naquele mês, o valor foi de R$ 1.986,15.

Caged x Pnad

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados consideram os trabalhadores com carteira assinada, e não incluem os informais.

Com isso, os resultados não são comparáveis com os números do desemprego divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), coletados por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (Pnad).

Os números do Caged são coletados das empresas e abarcam o setor privado com carteira assinada, enquanto os dados da Pnad são obtidos por meio de pesquisa domiciliar e abrangem também o setor informal da economia.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada no fim do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no Brasil foi de 7,5% no trimestre móvel terminado em novembro. Foi a menor desde fevereiro de 2015.

Desemprego cai para 7,5% no trimestre encerrado em novembro

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O primeiro computador Mac faz 40 anos – e continua em uso

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Em 24 de janeiro de 1984, o computador pessoal Apple Macintosh 12
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TOPO
Por Chris Baraniuk

Postado em 30 de janeiro de 2024 às 06h00m

#.*Post. - N.\ 11.096*.#

O lançamento do Macintosh 128K acaba de completar 40 anos — Foto: Alamy via BBC
O lançamento do Macintosh 128K acaba de completar 40 anos — Foto: Alamy via BBC

David Blatner preserva até hoje praticamente todos os computadores Macintosh que já comprou. Mas um deles merece destaque: o primeiro.

Ele se lembra da forma da disposição da tela; do volumoso manual; e dos tutoriais em fitas cassete, ensinando como usar a máquina. Era tudo o que ele achava que um computador devia ser.

Ele já havia observado versões anteriores de computadores pessoais quando era criança.

Blatner costumava ir de bicicleta até o Centro de Pesquisa da Xerox em Palo Alto, na Califórnia (Estados Unidos), onde seu padrasto trabalhava nos anos 1970. Ali, ele conseguiu operar os primeiros computadores pessoais, como o Alto, que tinha uma interface gráfica e um mouse.

"Um computador que funcionaria para uma única pessoa — a própria ideia era extraordinária", lembra Blatner.

Hoje, ele é presidente do portal CreativePro Network, dedicado a profissionais da área de criação.

Mas Blatner precisou esperar ainda mais uma década até conseguir seu próprio computador, com a chegada do Macintosh da Apple.

No dia 24 de janeiro de 1984, um homem chamado Steve Jobs (1955-2011) subiu em um palco e retirou uma caixa bege de uma maleta de transporte. Ele introduziu um disco flexível na caixa e ficou esperando.

Ao som da música-tema de Carruagens de Fogo, a palavra Macintosh varreu a minúscula tela daquele computador e surgiu uma série de imagens monocromáticas. A plateia formada por acionistas da Apple ficou encantada e enlouquecida.

Pelos padrões da tecnologia atual, a tela minúscula, o formato de caixa e os elementos gráficos rudimentares do Macintosh original parecem ridículos.

Aquele aparelho não foi nem mesmo o primeiro computador pessoal. Mas, sem dúvida, foi o primeiro a mudar o mundo.

O pomposo lançamento feito por Steve Jobs no Centro Flint em Cupertino, na Califórnia, passou a servir de modelo para suas muitas apresentações posteriores de aparelhos da Apple, incluindo o iMac e o iPhone.

Hoje, o Mac 128K — assim chamado porque vinha com 128 KB de RAM (na sigla em inglês, memória de acesso aleatório) — é uma peça de museu. A Apple deixou de produzir o aparelho em outubro de 1985 e suspendeu sua assistência de software em 1998.

Mas um punhado de obstinados admiradores ainda usa seus computadores Mac 128K até hoje, apesar das frustrações. Afinal, essas máquinas são extremamente limitadas devido à sua pouca capacidade de memória.

Steve Jobs queria que o Macintosh fosse um computador pessoal acessível, usado por qualquer pessoa — Foto: Getty Images via BBC
Steve Jobs queria que o Macintosh fosse um computador pessoal acessível, usado por qualquer pessoa — Foto: Getty Images via BBC

Criativo e duradouro

Mesmo com sua memória diminuta, gráficos rudimentares, ausência de modem e sem possibilidade de conexão à internet, existe uma comunidade de ávidos fãs que se divertem operando esse equipamento aparentemente antiquado.

O historiador da computação David Greelish, da Flórida (EUA), lançou em janeiro um documentário sobre o predecessor do 128K, o Apple Lisa.

Ele destaca a criatividade da placa-mãe original do 128K.

"Ela tem tudo: ROM, RAM, processador e todas as entradas e saídas", conta.

"Tudo está ali em uma pequena e bela placa quadrada integrada. Para 1984, era incrível."

E, para os colecionadores, ele é uma parte da história da computação, com as assinaturas da equipe que o construiu inscritas na parte de trás do gabinete de plástico, no lado interno.

Mas alguns donos de Mac 128K usam suas valiosas máquinas para jogar games curiosos, como Frogger ou Lode Runner — tudo em preto e branco. O Macintosh II, primeiro Macintosh com tela colorida, só foi lançado em 1987.

O Centro da História da Computação de Cambridge, no Reino Unido, é uma das muitas coleções que apresentam um 128K funcionando.

"Ele tem 40 anos de idade e ainda funciona", conta a diretora do centro, Lisa McGerty.

Ela se lembra do lançamento dos computadores Macintosh como um desenvolvimento "de massa" para pessoas do setor editorial e gráfico. A impressora gráfica da Apple, ImageWriter, foi lançada pouco antes do 128K.

Adrian Page-Mitchell, colega de McGerty e responsável pelas coleções, afirma que nem sempre é fácil manter esses antigos Macintoshes funcionando.

Ele conta que um outro 128K que ficou em exibição por muito tempo no Centro da História da Computação acabou quebrando e "não pôde ser consertado".

Às vezes, os Macs demonstram sua idade de formas estranhas.

O YouTuber e colecionador de computadores Steven Matarazzo conta que um dos capacitores da máquina, às vezes, pode se degradar com o tempo. Com isso, a tela do 128K não irá funcionar corretamente — ela irá parecer levemente comprimida.

Em 2023, ele postou um vídeo no YouTube sobre um aparente protótipo do 128K. Ele não estava funcionando e seu dono pediu a Matarazzo que desse uma olhada no aparelho. Em pouco tempo, Matarazzo fez o computador voltar a funcionar.

Ele estudou detalhadamente cada centímetro daquele Mac. E ficou entusiasmado com as minúsculas diferenças entre aquele aparelho e a versão que chegou ao mercado.

Havia no protótipo, por exemplo, pequenos logos da Apple impressos sobre os pés de borracha, que não estavam presentes no design final. Essas descobertas são um pouco como uma arqueologia dos aparelhos eletrônicos.

"Você tenta juntar as peças: qual era o processo aqui, qual a idade disso, qual a idade daquilo", explica ele. "É isso que, especialmente para mim, é realmente interessante."

O Apple II e o Apple Lisa, lançados antes do 128K, também pretendiam ser aparelhos intuitivos com alta capacidade. Mas cada um deles tinha suas próprias falhas ou limitações.

O Apple II, por exemplo, não tinha uma interface gráfica de usuário ou mouse. Já o Lisa era muito mais caro que o 128K.

Na época do lançamento do 128K, Blatner estava no final do ensino médio. Ele procurava um computador para levar para a faculdade que tivesse a mesma capacidade das máquinas que ele havia visto na Xerox anos antes.

Seus pais o levaram às compras e eles logo encontraram um 128K à venda em uma loja no centro de Palo Alto.

"Ele tinha menus, tinha pastas, tinha uma interface gráfica de usuário, tinha um mouse", relembra ele. "Era tudo o que eu achava que um computador deveria ser."

Blatner ainda guarda a nota fiscal da compra. Seus pais pagaram pelo aparelho, em 1984, US$ 2.495.

Na faculdade, Blatner logo estaria mostrando o aparelho para seus colegas. Eles costumavam formar filas atrás dele no dormitório, aguardando uma chance de usar o computador.

"Tenho um arquivo com todas aquelas coisas malucas que imprimíamos na faculdade", ele conta. "As pessoas simplesmente adoravam."

Não foi por coincidência que aquela tecnologia refletiu as experiências anteriores de Blatner com computadores na Xerox.

Jef Raskin, que começou o projeto do Macintosh — e deu ao computador o nome da sua variedade preferida de maçã —, também havia observado a mesma tecnologia da Xerox, que serviu de inspiração.

Mais do que isso: em dezembro de 1979, Jobs e um grupo de engenheiros da Apple visitaram diversas vezes a Xerox. Eles conseguiram ideias que, mais tarde, seriam usadas no Lisa e no Macintosh.

Em troca dessas importantes demonstrações, a Xerox recebeu uma grande quantidade de ações da Apple, que foram rapidamente vendidas. A empresa perdeu a possibilidade de ganhar bilhões de dólares se tivesse mantido as ações em seu poder.

Como se sabe, Jobs acabou assumindo o projeto do Macintosh iniciado por Raskin, depois de ser excluído da equipe do Lisa. Naquela época, ele já havia desenvolvido a visão do computador pessoal acessível e decidiu que o Macintosh o ajudaria a tornar esse aparelho uma realidade.

Um dos pontos que diferenciava o Macintosh era sua apresentação. Ele não era apenas um computador pessoal — ele tinha personalidade.

A designer gráfica Susan Kare criou ícones que pareciam sair de desenhos animados e que praticamente qualquer pessoa conseguiria compreender. Ela também colaborou com a coleção de fontes digitais do Macintosh.

O Macintosh 128K ocupa até hoje um lugar especial no coração dos primeiros funcionários da Apple que trabalharam na época do seu desenvolvimento — Foto: Getty Images via BBC
O Macintosh 128K ocupa até hoje um lugar especial no coração dos primeiros funcionários da Apple que trabalharam na época do seu desenvolvimento — Foto: Getty Images via BBC

Mas grande parte do impacto causado pelo Mac foi alimentado pelo marketing e pela propaganda.

O cineasta e historiador Jason Scott trabalha no Internet Archive, uma plataforma de arquivo digital sem fins lucrativos. Ele se lembra de ter visto o anúncio original do Mac 128K na televisão quando era adolescente.

A estranha propaganda foi dirigida por Ridley Scott e ilustrava um futuro distópico inspirado pelo romance de George Orwell, 1984.

O que nos salvaria daquele futuro sombrio? O Mac 128K, é claro!

"Aquele comercial começou a passar e parecia algo totalmente vindo de Marte", relembra Scott. "Alguma coisa estava acontecendo, mas eu não entendia muito bem o quê."

Não muito tempo depois, Scott testou um Macintosh pela primeira vez e ficou maravilhado. Era, segundo ele, como observar outro mundo por um telescópio.

Ainda assim, o Mac não foi o sucesso de vendas que alguns esperavam.

"Ele não foi vendido para pessoas de negócios, como Steve acreditava que seria", relembra Andy Cunningham, que trabalhou na campanha de marketing do aparelho.

"Foi por isso, em última instância, que Steve acabou sendo despedido da Apple."

Jobs saiu da empresa em 1985, mas retornou no final dos anos 1990.

Foi apenas em 1988 que o total de vendas dos aparelhos Macintosh, incluindo diversas de suas versões posteriores, superou o do Apple II, lançado em 1977.

Macintosh SE usado entre 1988 e 1994 por Steve Jobs, cofundador da Apple — Foto: Reprodução
Macintosh SE usado entre 1988 e 1994 por Steve Jobs, cofundador da Apple — Foto: Reprodução

Mas os Macs realmente chamaram a atenção de muitas pessoas, especialmente jovens e profissionais de áreas criativas.

Cunningham e sua colega Jane Anderson ajudaram a impulsionar a publicidade do Macintosh original. Eles ofereceram seis horas com pessoas da Apple, incluindo Jobs, a jornalistas individualmente — e fizeram diversas demonstrações do aparelho para ter certeza de que eles compreenderiam o objeto das suas reportagens.

"Observei todos eles brincando com o computador e seus olhos simplesmente brilhavam", relembra Cunningham.

Seria errado afirmar que o Mac 128K era um computador perfeito. Na verdade, ele tinha sérias limitações e seu sucesso comercial inicialmente foi limitado. Mas ele deixou uma marca indelével.

A ascensão do computador pessoal, sem dúvida, foi um divisor de águas. Os computadores com gabinetes ridiculamente grandes, que você só conseguia conectar com um terminal desajeitado, agora parecem irremediavelmente antiquados.

Hoje em dia, temos máquinas portáteis, divertidas e acessíveis, que quase qualquer pessoa consegue usar.

Mas o engraçado é que a era dos computadores individuais iniciada pelo Macintosh original, de certa forma, está chegando ao fim.

No século 21, estamos ficando cada vez mais dependentes de fazendas de servidores, processamento em nuvem, grandes volumes de dados e sistemas em rede. Os computadores de outras pessoas são cada vez mais indispensáveis para podermos operar o nosso próprio equipamento.

"Estamos agora do outro lado", reflete Blatner. "Nós realmente precisamos desse período de 40 anos para capacitar e empoderar as pessoas."

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segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Mundo acaba com poluente perigoso; mas será que aqueceu o planeta no processo?

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Regulamentação reduziu em 80% o teor de enxofre permitido no combustível dos navios, evitando 30 mil mortes por ano, mas esse tipo de poluição também ajuda a esfriar o planeta ao refletir a luz solar
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Laura Paddisonda CNN
27/01/2024 às 11:20 | Atualizado 27/01/2024 às 11:27
Postado em 29 de janeiro de 2024 às 07h35m

#.*Post. - N.\ 11.095*.#

Nuvens longas e estreitas chamadas "rastros de navios" contra o pano de fundo de nuvens marinhas sobre o Oceano Pacífico Norte em 26 de agosto de 2018. Essas nuvens distintas se formam quando o vapor de água se condensa em torno das minúsculas partículas emitidas pelos navios em suas chaminés
Nuvens longas e estreitas chamadas "rastros de navios" contra o pano de fundo de nuvens marinhas sobre o Oceano Pacífico Norte em 26 de agosto de 2018. Essas nuvens distintas se formam quando o vapor de água se condensa em torno das minúsculas partículas emitidas pelos navios em suas chaminés Lauren Dauphin/NASA Earth Observatory/MODIS data from LANCE/EOSDIS Rapid Response
Os enormes navios de carga que cruzam os oceanos do mundo por vezes deixam rastros no seu caminho – nuvens longas e finas que percorrem o céu, durando até alguns dias antes de desaparecerem.





Essas nuvens fantasmas são lindas, mas são um sinal visível de poluição atmosférica mortal. Elas se formam quando pequenas partículas de dióxido de enxofre expelidas das chaminés dos navios interagem com o vapor de água na atmosfera, criando nuvens baixas e altamente reflexivas.

A poluição por enxofre dos navios causa dezenas de milhares de mortes prematuras por ano. Mas no que pode parecer uma reviravolta cruel – especialmente vindo de uma indústria responsável por cerca de 3% das emissões globais de gases efeito de estufa – esse tipo de poluição também ajuda a arrefecer o planeta, iluminando as nuvens e refletindo a energia do sol para longe da Terra.

Então, quando em 2020 a Organização Marítima Internacional (IMO), o órgão das Nações Unidas que regula o transporte marítimo, reduziu em 80% o teor de enxofre permitido no combustível dos navios, foi uma vitória para a saúde humana. É estimado que 30 mil mortes prematuras serão agora evitadas todos os anos.

Mas era uma nuvem prateada com um revestimento escuro, disse Michael Diamond, professor assistente do Departamento de Ciências da Terra, Oceanos e Atmosféricas da Universidade Estadual da Flórida. Os regulamentos encerraram um vasto e acidental projeto de geoengenharia. Os rastros dos navios reduziram drasticamente e, com eles, o impacto de resfriamento dessa poluição.

À medida que as temperaturas globais aumentam, os cientistas tentam desvendar se essas regulamentações marítimas podem estar inadvertidamente alimentando uma aceleração alarmante do aquecimento global – uma hipótese controversa que dividiu alguns especialistas.

Esse é um debate que se tornou mais urgente devido ao calor recorde do ano passado. Os cientistas estão surpresos com o calor atípico que foi 2023, disse Olaf Morgenstern, cientista do Instituto Nacional de Pesquisa Hídrica e Atmosférica da Nova Zelândia.

O calor foi especialmente acentuado em algumas partes dos oceanos, onde as temperaturas da água em áreas como o Atlântico Norte dispararam descontroladamente.

Temperaturas recordes do oceano do ano passado continuam em 2024

Temperatura média global diária da superfície do mar, 1981 a 2024


Nota: A média global é de 60°S – 60°N. Dados de 23 de janeiro de 2024.
Fonte: Reanalisador Climático
Gráfico: Krystina Shveda e Amy O’Kruk, CNN

Os cientistas dizem que o aumento da temperatura global foi impulsionado principalmente por dois fatores: os impactos do El Niño, um fenômeno climático natural que tende a ter um impacto no aquecimento global, combinado com o cenário de aquecimento global a longo prazo causado pela queima de combustíveis fósseis.

Mas alguns especularam que o calor aumentou tão anormalmente que outras influências também podem estar em jogo. As teorias incluem a falta de poeira do Saara que reflete a luz solar, uma mudança nos padrões do vento e a erupção do vulcão subaquático Hunga Tonga em janeiro de 2022, que injetou vapor de água para aquecer o planeta na atmosfera suficiente para encher 58 mil piscinas olímpicas.

De todas as teorias, no entanto, o impacto das regulamentações marítimas está rapidamente tornando uma das mais discutidas. Os cientistas sabem há muito tempo que a redução dessa poluição por partículas teria um efeito de aquecimento, mas o quanto é onde começa a controvérsia, disse Morgenstern.

Em novembro, o proeminente cientista climático James Hansen foi coautor de um artigo que argumentava que a redução da poluição marítima era o principal fator de uma aceleração alarmante do aquecimento global que vai além do que os modelos climáticos previam.

Os regulamentos de transporte marítimo da IMO foram uma experiência científica não intencional, disse Hansen à CNN. A sua pesquisa previu que as temperaturas globais ultrapassariam 1,5 graus Celsius de aquecimento acima dos níveis pré-industriais na década de 2020 e 2 graus na década de 2050 – um nível catastrófico de aquecimento que poderia desencadear uma série de pontos de inflexão climáticos.

Mas outros cientistas pediram cautela, até porque a relação entre as partículas de poluição e as nuvens é extremamente complexa. Desvendá-la é um dos maiores desafios da ciência climática, disse Diamond.


Navio porta-contêineres atracado nos portos de Los Angeles e Long Beach, Califórnia / 06/02/2015 REUTERS/Bob Riha Jr

Piers Forster, professor de física climática na Universidade de Leeds, no Reino Unido, disse que a redução da poluição marítima provavelmente terá uma influência muito pequena no aquecimento.

De acordo com os cálculos de Forster, as regulamentações aumentarão o aquecimento global em cerca de 0,01 graus Celsius, o que poderá aumentar para cerca de 0,05 graus até 2050 – o equivalente a cerca de dois anos adicionais de emissões causadas pelo homem.

No entanto, acrescentou, o efeito incerto da poluição nas nuvens significa que existe a possibilidade do impacto do aquecimento ser muito maior – mais 0,1 ou 0,2 graus até 2050.

Diamond, cujo próprio trabalho estima que as regulamentações trarão níveis de aquecimento entre 0,05 e 0,1 graus nas próximas décadas, disse que esse calor não será um empecilho, mas é importante. Cada fração de grau é importante quando o mundo se aproxima de níveis de aquecimento aos quais até os humanos terão cada vez mais dificuldade em se adaptar.

Diamond, assim como a maioria dos outros cientistas com quem a CNN conversou, não acredita que o declínio na poluição marítima tenha sido um fator importante no calor global do ano passado, até porque geralmente há um intervalo de tempo antes que as mudanças na atmosfera se reflitam na temperatura da Terra.

Mas acho que isso poderia ter sido um pouco mais importante regionalmente, disse ele. O transporte marítimo está distribuído de forma desigual, estando grande parte concentrado entre a Europa, a América do Norte e a Ásia, o que significa que os impactos da poluição atmosférica também serão provavelmente distorcidos.

Em áreas como o Atlântico Norte, onde as temperaturas subiram vários graus acima do normal em 2023, disse Diamond, o transporte marítimo é uma explicação decente para parte do motivo pelo qual estava tão quente.

Navio com contêineres atravessa Golfo de Suez em direção ao Mar Vermelho antes de entrar no Canal de Suez, em Al-'Ain al-Sokhna, no Egito
Navio com contêineres atravessa Golfo de Suez em direção ao Mar Vermelho antes de entrar no Canal de Suez, em Al-‘Ain al-Sokhna, no Egito / 30/07/2023 REUTERS/Mohamed Abd El Ghany

Existem apenas alguns anos de dados até agora, e levará algum tempo para os cientistas desvendarem o impacto exato da queda na poluição marítima.

Mas é claro que a poluição por partículas provenientes de todas as fontes, incluindo a queima de combustíveis fósseis, teve um impacto de arrefecimento. Sem ela, o mundo seria cerca de 0,4 graus mais quente, de acordo com um relatório de 2021 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. E a diminuição da poluição no futuro poderá ter um grande impacto.

Annica Ekman, professora de meteorologia na Universidade de Estocolmo, na Suécia, disse que a sua pesquisa descobriu que a diminuição da poluição por partículas causada pelo homem entre 2015 e 2050 poderia aquecer o planeta até 0,5 graus.

Mas esse não é um argumento contra a redução da poluição atmosférica, disse Diamond, é um argumento para combatê-la juntamente com a redução das emissões de carbono.

O impacto de resfriamento da poluição atmosférica é largamente compensado pelo impacto do aquecimento da queima de combustíveis fósseis. É quando a poluição atmosférica é combatida sem reduzir também as emissões de carbono quepodemos ter problemas, disse Diamond.

É isso que está acontecendo nessa indústria naval, onde enormes navios de contêineres ainda são impulsionados através dos oceanos por centenas de milhões de toneladas de combustíveis fósseis.

Não devemos esquecer por que existe a regulamentação, disse Forster. Ela existe para salvar vidas da poluição do ar. Embora a redução dessa poluição tenha um pequeno impacto no aquecimento, a ação imediata para reduzir as emissões reduzirá a taxa de aquecimento global e melhorará a qualidade do ar, disse ele. Não estamos em uma trajetória condenada, acrescentou.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

versão original

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