Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Imagem feita por um robô ejetável foi publicada pela Agência Espacial Japonesa nesta quinta-feira (25). Cientistas estão analisando outros dados enviados pelo módulo 'SLIM'. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por g1 Postado em 25 de janeiro de 2024 às 06h25m #.*Post. - N.\ 11.089*.#
Foto mostra solo lunar após pouso de módulo — Foto: JAXA/Takara Tomy/Sony Group Corporation/Doshisha University
O Japão
divulgou uma imagem inédita do solo lunar, capturada por sua sonda
não-tripulada "SLIM", nesta quinta-feira (25). O módulo pousou na Lua na
sexta-feira (19), consagrando o Japão como o 5º país do mundo a conseguir esse feito.
A Agência Espacial Japonesa (Jaxa) informou que a sonda conseguiu
fotografar e transmitir dados usando um robô ejetável. Outros dados
ainda estão sendo analisados pelos cientistas.
O pouso do SLIM (Módulo de Pouso Inteligente para Investigar a Lua, na
sigla em inglês) foi feito a poucos metros do alvo estipulado pelos
japoneses.
A título de comparação, pousos mais convencionais têm uma precisão de
quilômetros, algo que limita a exploração em locais específicos, com
muitas rochas, por exemplo.
A agência afirmou que conseguiu receber dados do módulo pouco menos de 3
horas após o pouso na Lua. O envio das informações foi feito antes que a
sonda perdesse energia.
Ainda segundo a Jaxa, os painéis solares do SLIM não conseguiram gerar
eletrecidade devido a um possível posicionamento incorreto do
equipamento. No entanto, uma mudança na direção da luz solar pode
corrigir o problema.
Sonda compacta
Em missão histórica, Japão se torna o 5º país do mundo a pousar na Lua
O SLIM tem cerca de 1,7 metro de comprimento, 2,7 metros de largura e
2,4 metros de altura. Ou seja, é bem compacto. Por isso, a brincadeira
com o seu nome em inglês, que também pode ser traduzido como "magro".
Após o lançamento, quando já se aproximava da Lua, o módulo começou sua
trajetória de descida acionando seus "olhos inteligentes" — um sistema
que utiliza algoritmos, imagens e mapas pré-carregados para determinar
exatamente onde ela estava acima da superfície lunar.
Isso foi crucial, já que o terreno de pouso é bem inclinado, e a missão precisava evitar obstáculos. Veja na imagem abaixo.
Como foi o pouso do módulo. — Foto: JAXA/Divulgação
A sonda possui dois mini-robôs ejetáveis: um veículo saltador do
tamanho de um forno de micro-ondas e um rover do tamanho de uma bola de
beisebol, desenvolvidos em colaboração com a gigante de tecnologia Sony.
Estes dispositivos serão responsáveis por capturar imagens do módulo, proporcionando uma nova perspectiva da superfície lunar.
Pesquisadores descobriram o mecanismo vital que permite que esses pequenos animais sobrevivam em condições extremas. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por BBC 23/01/2024 12h30 Atualizado há um dia Postado em 24 de janeiro de 2024 às 09h00m #.*Post. - N.\ 11.088*.#
A aparência amigável do tardígrado esconde uma incomparável capacidade de sobrevivência — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Com aparência rechonchuda e surreal, os tardígrados intrigam pesquisadores há anos.
Esse animal de oito patas cuja extensão não ultrapassa um milímetro pode ser encontrado em quase todos os habitats do mundo, e tem uma capacidade insuperável de sobreviver nas situações mais extremas.
Nem
a falta de oxigênio ou de água, nem as temperaturas escaldantes ou
geladas e tampouco a radiação do espaço abalam os chamados "ursos
d'água".
Eles sobrevivem a essas condições entrando num estado profundo de animação suspensa.
Essa aptidão permite que eles habitem a Terra há pelo menos 600 milhões de anos, superando com sucesso os cinco eventos de extinção em massa do planeta.
Mas como eles fazem isso?
Conforme descobriu uma equipe de pesquisadores, o mecanismo chave que contribui para a sua resistênciaé uma espécie de interruptor molecular que inicia o estado de animação suspensa.
Esse sensor molecular detecta condições prejudiciais no ambiente e diz ao invertebrado quando deve entrar em estado de dormência e quando pode retomar a vida normal.
O estudo — liderado pelos pesquisadores Derrick R. J. Kolling, da
Universidade Marshall, e Leslie M. Hicks, da Universidade da Carolina do
Norte em Chapel Hill, Estados Unidos — foi publicado na revista PLOS ONE.
O experimento
Para compreender o mecanismo, os pesquisadores expuseram os
tardígrados, também conhecidos popularmente pelo carinhoso apelido de
"leitões de musgo", a temperaturas congelantes, altos níveis de água oxigenada, sal e açúcar.
Em
resposta a essas condições extremas, as células dos animais produziram
moléculas danosas altamente reativas chamadas radicais livres.
Os radicais livres logo reagiram com outras moléculas, disse Hicks à revista New Scientist.
Assim, descobriram que os radicais livres oxidam um aminoácido chamado
cisteína, um dos componentes básicos das proteínas do corpo.
Essas reações fazem com que as proteínas alterem a sua estrutura e função, e isto envia um sinal para iniciar a dormência.
Nas experiências em que os pesquisadores usaram substâncias químicas para bloquear a cisteína, os ursos d'água não conseguiram detectar os radicais livres e, portanto,não conseguiram entrar em dormência.
"A
cisteína atua como uma espécie de sensor regulatório", diz Hicks. "Isso
permite que os tardígrados sintam o que os rodeia e reajam ao
estresse."
Quando as condições externas melhoraram, eles descobriram que a
cisteína não estava mais oxidada. Isso dava aos tardígrados o sinal
verde para acordarem de seu estado de animação suspensa.
O resultado da pesquisa mostra quea oxidação da cisteína é um mecanismo regulatório vital que contribui para a notável resiliência dos ursos d'água e os ajuda a sobreviver em ambientes em constante mudança.
Os pesquisadores esperam que, a longo prazo, a pesquisa ajude a compreender melhor o processo de envelhecimento,
assim como o impacto das viagens espaciais no corpo, uma vez que ambos
são influenciados pelos danos causados pelos radicais livres às
máquinas celulares vitais como o DNA e as proteínas.
Em sítio arqueológico de Rosário do Sul, pesquisadores da Unipampa descobriram fóssil de anfíbio anterior aos dinossauros. Espécie semelhante só havia na Rússia. Novo achado pode colocar em xeque o que se sabe sobre a teoria da Pangeia, diz paleontólogo. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Camila Freitas, g1 RS 23/01/2024 04h00 Atualizado há 03 horas Postado em 23 de janeiro de 2024 às 07h00m #.*Post. - N.\ 11.087*.#
Anfíbio mais antigo que os dinossauros é encontrado no RS
Em rochas de uma fazenda na área rural do município de Rosário do Sul, na Fronteira Oeste do estado, foi encontrado umfóssil do crânio de uma espécie de anfíbio gigante, identificado como "mais antigo que os dinossauros", conforme análise de pesquisadores do Laboratório de Paleobiologia do Campus São Gabriel da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) envolvidos na descoberta.
O achado paleontológico, segundo estudiosos, destaca uma possível conexão entre a fauna do pampagaúcho e a da Rússia, o que pode colocar à prova o que se sabe sobre o ecossistema da época da Pangeia(teoria sobre os continentes serem um só bloco). Entenda abaixo.
Reconstituição digital do anfíbio gigante Kwatisuchus rosai em seu hábitat — Foto: Divulgação / Márcio Castro
O grupo localizou a ossatura em agosto de 2022. Somente após uma
recente análise, envolvendo etapas de limpeza e desacoplamento do fóssil
da rocha, avaliação documental, coleta de dados e registros, os
pesquisadores puderam concluir que o animal viveu há, aproximadamente, 250 milhões de anos na Terra, anterior à presença dos dinossauros.
Nas instalações da Unipampa, a nova espécie recebeu o nome Kwatisuchus rosai– Kwati em referência ao termo Tupi para "focinho comprido" e rosai em homenagem ao paleontólogo Átila Stock Da-Rosa, da Universidade Federal de Santa Maria, pioneiro na área.
O anfíbio pertence aoinício do período Triássico. Naquela época, o ecossistema se recuperava de uma extinção massiva.
Local onde foi encontrado o fóssil fica no pampa do RS, em Rosário do Sul — Foto: Divulgação / Alice Dias
A descoberta integra um projeto do Laboratório de Paleobiologia da
Unipampa. A fim de popularizar a ciência, a equipe de pesquisadores realizará uma exposição com réplicas dos animais e fósseis, impressas em 3D. Previsto para o segundo semestre deste ano, o evento vai ocorrer em São Gabriel.
'Anfíbios modernos'
O anfíbio encontrado integra o grupo de animais dominantes no ecossistema do período Triássico e chegava a tamanhos gigantescos, possuindoaparência e modo de vida parecidos ao dos crocodilos.
Crânio do anfíbio gigante Kwatisuchus rosai — Foto: Divulgação / Felipe Pinheiro
"Nesse
tempo, havia, por exemplo, grupos terrestres de quatro patas, anfíbios e
peixes. No final do Triássico tinha algumas espécies de dinossauros,
mas não como as do Jurássico, período posterior ao Triássico", explica
Arielli Machado, pesquisadora do projeto e doutora em ecologia pela
Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Estudos sobre história evolutiva apontam que o grupo ao qual o Kwatisuchus rosaipertence tenha originado os anfíbios modernos– como os sapos, as salamandras e as cobras-cegas.
"Trata-se de uma espécie completamente nova do grupo dos anfíbios temnospôndilos.
Ele tem corpo comprido. Passava a maior parte na água e tinha um
estágio girino, como os atuais anfíbios", conta o professor da Unipampa e
doutor em paleontologia Felipe Pinheiro.
No entanto, o que surpreendeu os pesquisadores foi encontrá-lo na
América do Sul, pois até então era um animal cuja a ocorrência "acreditávamos existir apenas na Rússia", diz Pinheiro.
Ainda segundo o professor, o fóssil é uma peça de um quebra-cabeça
muito maior, "que estamos montando sobre como eram as faunas do
Triássico Inferir", após extinção ocorrida no período Permiano, "evento
mais catastrófico da história do planeta".
No caso do Kwatisuchus, o que aponta a origem anterior aos primeiros dinossauros são, principalmente, as rochas.
As rochas onde o crânio foi encontrado "mostram evidências de um
período completamente inóspito e árido, que sofria enxurradas
ocasionais", conta Pinheiro. Já as datações do fóssil são realizadas a
partir de "comparação com outras regiões" e por "métodos químicos" –
"tais como a mensuração de elementos radioativos".
Relação entre Pampa do RS e Rússia
O fóssil achado em Rosário do Sul, no pampa do RS, mostra uma intrigante conexão entre as faunas do Sul e da Rússia.
"Isso é muito estranho, que os nossos animais se pareçam mais com os
animais russos do que com os sul-africanos – os quais estavam muito mais
próximos", destaca Felipe Pinheiro.
De acordo com o pesquisador, essa conexão pode "mostrar que nossas hipóteses sobre a geografia do supercontinente Pangeia estão inacuradas". Essa possibilidade será estudada a partir de modelos computacionais.
Pesquisadores da Unipampa encontram crânio de animal mais antigo que dinossauro — Foto: Divulgação / Alice Dias
A descoberta, explica Felipe Pinheiro, aumenta a diversidade de organismos fósseis no Sul do país e ajuda a compreender os intervalos temporais mais enigmáticos da história da Terra.
"As
evidências de conexões entre as faunas brasileira e russa mostram que
ainda temos muito a aprender sobre geografia e a distribuição dos
organismos naquele passado remoto", reflete.
O estudo realizado pelo laboratório da Universidade Federal do Pampa
(Unipampa) é apoiado por um financiamento de pesquisa Lemann-Brasil,
concedido à professora da universidade norte-americana Harvard,
Stephanie Pierce, em colaboração com o cientista brasileiro e professor
da Unipampa, Felipe Pinheiro, e Tiago Simões, pós-doutor pela
universidade de Harvard.
Estudo do INPE em parceria com o Cemaden identificou trechos de clima árido numa região de quase 6 mil km² no norte da Bahia. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Roberto Peixoto, g1 21/01/2024 05h00 Atualizado há 02 horas Postado em 21 de janeiro de 2023 às 07h00m #.*Post. - N.\ 11.086*.#
Como a recente descoberta de um clima árido na Bahia pode impactar o restante do Brasil
Pela primeira vez, especialistas identificaram uma região declima árido no Brasil, um dado surpreendente e alarmante que tem uma explicação clara: as mudanças climáticas causadas pelo homem.
📝 Contexto:A aridez
é a falta crônica de umidade no clima, indicando um desequilíbrio
constante entre a oferta e a demanda de água. Ela é permanente e, por
isso, difere da seca, período temporário de condições anormalmente secas.
Além desse dado inédito, o estudo feito por pesquisadores do Centro
Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) em
parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelou também que o avanço do semiárido vem ocorrendo num nível acentuado pelo país.
Macururé, no norte da Bahia, uma das cidades identificadas no estudo. — Foto: Arquivo pessoal
Nos últimos 60 anos, a cada duas décadas, a taxa média de crescimento dessas regiões é de 75 mil km².
E, segundo especialistas ouvidos pelo g1, as consequências dessa expansão são bastantes preocupantes, pois mostram que, se nada for feito, não apenas a disponibilidade hídrica, mas também as atividades agrícolas e pecuárias do nosso país estarão ameaçadas.
1ª região árida encontrada no Brasil. — Foto: Arte g1
Em resumo, as principais conclusões dos estudos são as seguintes:
A aridez está aumentando em todo o país, exceto no Sul, devido ao aumento da evaporação associada ao aquecimento global. Ou seja, o clima está secando em muitos lugares do Brasil.
No caso específico do semiárido, essas regiões estão se expandindo de forma acentuada, com uma taxa média superior a 75 mil km².
Já no centro-norte da Bahia,pela 1ª vez, foi identificada uma região árida, ou seja, com uma escassez forte de chuvas.
Tudo isso indica que processos de desertificação, ou seja, a degradação de áreas semiáridas, podem se acelerar nas próximas décadas. Segundo os pesquisadores, até mesmo em outras regiões do país, como o Centro-Oeste.
Num país como o Brasil, esse é um dado preocupante, pois pode trazer impactos significativos para a produção de energia e agropecuária nacional.
Moradores
de cidades com clima árido na BA relatam dificuldades na criação de
animais e consumo de água: 'produção não deu para nada'
Seca x aridez
Ana Paula Cunha, pesquisadora do Cemaden e uma das autoras do estudo, explica que a seca é um fenômeno gradual que acumula seus impactos ao longo de um extenso período, persistindo por anos, mesmo após o fim de eventos do tipo.
🚨 Ou seja, a seca, que nada mais é que um termo para uma estiagem
prolongada provocada pela deficiência de chuva, deixa uma marca
duradoura, com impactos que perduram por muito tempo e que podem ser
investigados por pesquisadores.
Por isso, quando falamos de clima, seca e mudanças climáticas, é
crucial ter em mente que precisamos de, no mínimo, 30 anos de dados para
uma análise abrangente.
— Ana Paula Cunha, pesquisadora do Cemaden
E foi justamente esse período de análise utilizado na pesquisa do Cemaden e do Inpe.
Para evitar interpretações equivocadas, por exemplo, de um período com
uma seca significativa como 2015, que estava com forte influência do El Niño, os pesquisadores analisaram blocos entre os anos de 1960 e 1990, 1970 e 2000, 1980 e 2010 e, finalmente, 1990 e 2020.
Dessa forma, uma compreensão mais precisa das tendências climáticas nestes últimos anos era possível de ser traçada.
Com dados da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet)
sobre precipitação, temperatura máxima e mínima, radiação solar,
velocidade do vento e umidade relativa, foi possível, então, calcular oíndice de aridez(IA)de todo o Brasil e desenhar o mapa do começo desta reportagem, referente às décadas de 1990 e 2020.
👉 De forma resumida, dá para dizer que esse índice é umindicador numérico do grau de secura do clima. Quanto menor o número, mais seca é a região. Ou seja, há uma falta crônica de umidade no clima, não apenas uma seca isolada.
Assim, o índice de aridezde 0.2 indica uma região árida, com chuvas muito escassas.
Entre 0.2 e 0.5, a região é semiárida, com chuvas um pouco mais abundantes, mas ainda insuficientes.
Entre 0.5 e 0.65, a região é subúmida seca, com condições de chuva relativamente melhores.
Com todas essas informações em mãos, os pesquisadores compararam as
áreas que são consideradas semiáridas, e viram que elas aumentaram em
média 75 mil km2 por década (olhando numa média móvel de 30 anos).
Fora isso, quando observaram os períodos de 1970 a 2000 e de 1980 a
2010, perceberam um aumento nas áreas semiáridas às custas das áreas
subúmidas secas. No entanto, no período de 1990 a 2020, todas as três
classificações de áreas mostraram aumento, indicando uma aceleração
nessa tendência.
🚨 Somando todas as áreas juntas (áridas, semiáridas e subúmidas secas), o aumento médio foi de 65 mil km2 por década.
Javier Tomasella, pesquisador do Inpe e coordenador do estudo, explica
um ponto importante: sua pesquisa não apenas revela mudanças
geográficas, mas também realça a necessidade de o Brasil desenvolver estratégias adaptativas, especialmente nas áreas urbanas e na agricultura, onde a eficiência no uso dos recursos hídricos se torna crucial.
A adaptação a esse novo panorama climático requer a participação ativa
de todos os setores econômicos e níveis governamentais. As consequências
climáticas se interconectam em todo o país.
— Javier Tomasella, pesquisador do Inpe e coordenador do estudo
Para se ter ideia, segundo dados da Associação Internacional de Energia Hidrelétrica (IHA, na sigla em inglês), o Brasil fica em segundo lugar no ranking dos países com a maior capacidade hidrelétrica instalada do mundo: com 109.4 gigawatts.
Aliado a isso, ainda de acordo com a IHA, o nosso país depende de reservatórios hidrelétricos para gerar mais de 60% da sua eletricidade.
"Infelizmente,
a desertificação e a expansão de áreas semi-áridas ou áridas é uma
realidade, não só no Brasil, mas também em outros climas, como é o caso
do Mediterrâneo. A má distribuição da chuva, com grandes períodos
prolongados de seca e a ocorrência de eventos extremos de chuva forte,
isolados, parece estar alterando os biomas de forma mais rápida do que
prevíamos", avalia Marcio Cataldi, professor do Departamento de
Engenharia Agrícola e Ambiental da Universidade Federal Fluminense
(UFF).
Impactos
Cataldi é autor de outro estudo que chamou atenção para a necessidade
de um plano nacional de gestão hídrica, publicado na prestigiada revista
Natura e intitulado "O Brasil está numa crise hídrica e precisa de um plano contra seca".
No artigo, ele explica que o declínio na disponibilidade de água para irrigação e o aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos vem prejudicando safras e a criação de animais em boa parte do Brasil, levando a uma redução na produção e, consequentemente, a um aumento nos preços dos produtos agropecuários.
Como mostrou og1 Bahia,
em Chorrochó, uma das cidades com registro de clima árido, as safras de
milho, feijão e melancia de agricultores apresentaram baixo rendimento
no último ano, justamente por causa do clima mais quente e menos
chuvoso, que também trouxe impactos na alimentação do gado de
pecuaristas locais.
Provavelmente, isso está ocorrendo porque, além das alterações no
regime de chuva e, consequentemente nas quantidades de calor e umidade
destas regiões, a alteração do tipo e uso do solo, com as práticas de
queimadas e de desmatamento, está acelerando processos que,
naturalmente, duravam centenas ou milhares de anos, para poucas décadas.
— Marcio Cataldi, professor do Departamento de Engenharia Agrícola e Ambiental da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Necessidade de ações integradas
No estudo, Cataldi alerta ainda para aurgência de ações integradas,
incluindo medidas de monitoramento climático, investimentos em
tecnologias sustentáveis, como energia solar e eólica, e a implementação
do plano nacional para lidar com a crise hídrica e seus impactos
socioeconômicos.
"Investimentos em ciência e tecnologia são essenciais para a busca e
implementação de medidas que reduzam impactos socioeconômicos e criem
resiliência climática. Sem investimentos em áreas estratégicas
para o desenvolvimento do país, o Brasil continuará sofrendo com os
efeitos dos cada vez mais frequentes eventos extremos, como
secas, enchentes e ondas de calor", alerta Augusto Getirana, pesquisador
da Nasa e doutor em hidrologia pela UFRJ, que também colaborou com o
estudo.
Ao g1, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima disse que planeja lançar umPlano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB Brasil) no primeiro semestre de 2024.
"O processo demandará que os diferentes setores repensem projetos de desenvolvimento para o semiárido,
com medidas e investimentos para recuperação das áreas, recuperação e
proteção da Caatinga e gestão das águas, como uso e revitalização das
bacias hidrográficas", disse a pasta em nota.
O ministério afirmou "também buscará reforçar o diálogo com os governos da Bahia e de Pernambucopara a construção conjunta de um plano de ação para o enfrentamento da aridez".
Ainda de acordo com o MMA, o texto prevê ações para os próximos 20 anos. Isso incluirá metas específicas de curto, médio e longo prazos, além de arranjos institucionais envolvendo diversos setores.
A pasta informou ainda que o plano terá umsistema de monitoramento para acompanhar o progresso e fornecer resultados à sociedade, sem dar mais detalhes.
Só conseguiremos nos preparar para o que está por vir, do ponto de
vista climático, se diminuirmos as nossas emissões e se formos capazes
de criar planos de resiliência que contemplem toda a sociedade, sem
exceções, já que todos, também sem exceções, poderão sofrer as graves
consequências do que pode estar por vir.