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terça-feira, 1 de março de 2022

Guerra na Ucrânia: sanções financeiras à Rússia podem levar mundo à recessão?

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Retaliações econômicas devem ter consequências negativas aos próprios países que estão impondo as sanções e à economia global como um todo. Para o Brasil, podem resultar em mais juros e menos crescimento.
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TOPO
Por BBC

Postado em 01 de março de 2022 às 13h40m

Post.- N.\ 10.229

Sanções fazem russos correrem aos bancosSanções fazem russos correrem aos bancos

A nova rodada de sanções financeiras à Rússia pode levar o mundo de volta à recessão menos de dois anos após a contração da economia global resultante da pandemia de covid-19?

Analistas avaliam neste momento que não. Mas acreditam que as retaliações econômicas à invasão da Ucrânia por Vladimir Putin devem ter consequências negativas aos próprios países que estão impondo as sanções e à economia global como um todo.

Sob forte estresse, o sistema financeiro russo pode não ser capaz de honrar suas obrigações, alertou o banco J.P. Morgan em relatório nesta segunda-feira (28/2). Isso teria consequência sobre instituições financeiras de outros países, credores de dívidas russas.

Além disso, a nova rodada de sanções mantém a pressão sobre o preço de commodities como petróleo, gás natural, trigo e milho, com impacto adicional sobre uma inflação global que já vinha muito pressionada pelos efeitos da pandemia.

Segundo Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, esse cenário pode levar os bancos centrais de todo o mundo a elevar juros de forma mais rápida, numa tentativa de conter uma escalada inflacionária. Com mais juros, a economia global tende a crescer menos do que os 4% a 4,5% anteriormente esperados por organismos internacionais como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial.

No Brasil, as exportações podem ser afetadas caso esse cenário todo resulte em um crescimento menor na China, avalia Vale. E, com as pressões inflacionárias adicionais, o Banco Central do Brasil pode ser levado a elevar a Selic (taxa básica de juros da economia brasileira) acima dos 12,25% esperados atualmente, ampliando as chances de recessão em 2022 para um PIB que já era esperado próximo de zero.

As sanções financeiras impostas à Rússia

União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido e outros países anunciaram no fim de semana um conjunto sem precedentes de sanções financeiras à Rússia, em resposta à invasão do país à Ucrânia.

Entre as medidas estão a exclusão de bancos russos do sistema de transferências financeira internacionais Swift e o congelamento de boa parte das reservas do Banco Central da Rússia mantidas no exterior.

As sanções têm por objetivo levar a economia russa à recessão, pressionando a opinião pública contra a ação militar de Putin no país vizinho.

Como consequência da nova leva de retaliações econômicas, o rublo russo desabou nesta segunda-feira (28/2), chegando a perder 30% do valor em relação ao dólar. Para conter a queda, a autoridade monetária russa elevou a taxa básica de juros local de 9,5% para 20%.

Diante do temor de restrições aos saques, filas se formaram em bancos e caixas eletrônicos na Rússia. O Banco Central Russo, no entanto, pediu calma e disse ter "os recursos necessários e ferramentas para manter a estabilidade financeira".

"Este conjunto de sanções está atingindo os russos comuns de uma forma que as sanções anteriores não atingiram e as pessoas agora estão se conscientizando disso", diz Chris Weafer, executivo-chefe da consultoria Micro-Advisory, baseado em Moscou.

"As pessoas estão com muito mais medo. Já se fala que algumas empresas terão que reduzir o horário de trabalho ou até suspender a produção porque não conseguem acessar partes importantes do Ocidente devido a sanções ou limitações comerciais, então há uma grande preocupação nas ruas", relata o analista.

Russos fazem fila para sacar dinheiro em caixa eletrônico em São Petersburgo no domingo (27) — Foto: Anton Vaganov/Reuters
Russos fazem fila para sacar dinheiro em caixa eletrônico em São Petersburgo no domingo (27) — Foto: Anton Vaganov/Reuters

Possíveis impactos das sanções

Banir os bancos russos do sistema de transferências internacionais Swift pode ter efeitos colaterais para empresas e instituições financeiras que têm dinheiro a receber de contrapartes russas.

Em 2018, os Estados Unidos impuseram restrições ao uso do sistema Swift por bancos iranianos, mas tratava-se de uma economia muito menor do que a russa e, na ocasião, a medida enfrentou oposição de diversos governos europeus.

A Alemanha está em posição particularmente sensível no cenário atual, pois depende da Rússia para obter cerca de dois terços das suas necessidades de gás natural. Assim, o país impôs um sacrifício a si mesmo, ao suspender a certificação do gasoduto Nord Stream 2, construído para transportar gás da Rússia à Alemanha.

Autoridades nos Estados Unidos, Europa e Reino Unido esperam minimizar os efeitos das sanções sobre suas próprias economias permitindo a continuidade de transações financeiras internacionais russas ligadas ao setor de energia e alimentos. Mas como essa filtragem será feita, ainda não está claro.

Apesar de a exclusão do sistema Swift provavelmente ter forte impacto para a Rússia, há um sistema alternativo chamado SPFS (sigla para Sistema para Transferência de Mensagens Financeiras), criado pela Rússia após a crise da Crimeia em 2014.

A China também possui um sistema secundário chamado CIPS, ou Sistema de Pagamento Interbancário Transfronteiriço.

Efeitos sobre a inflação, economia mundial e Brasil

Para Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, o principal risco da "guerra econômica" contra a Rússia continua sendo o de uma maior pressão inflacionária que leve os bancos centrais de todo o mundo a uma alta de juros mais enérgica.

"São sanções em cima de um país que tem um peso econômico frágil, mas que tem um peso em commodities relevante", observa Vale.

Nesta segunda-feira, os contratos futuros de trigo na bolsa de Chicago chegaram a subir 3,7%, os de milho 3% e os de soja, 2,5%. Rússia e Ucrânia respondem por cerca de 29% das exportações globais de trigo, 19% da oferta de milho e 80% das vendas mundiais de óleo de girassol, que compete com o óleo de soja.

Já o petróleo do tipo Brent chegou a superar os US$ 105 por barril no início das negociações nesta segunda-feira, posteriormente amortizando a alta para US$ 101. O petróleo WTI, referência para o mercado americano, bateu em US$ 99 o barril, depois indo a US$ 95.

"Estamos colocando um choque inflacionário em cima de uma inflação já muito pressionada no Brasil, Estados Unidos e Europa. Isso coloca dificuldades importante para a condução da política monetária", avalia o analista.

Para Vale, a asfixia econômica de instituições financeiras russas via exclusão do sistema Swift pode resultar em calotes e quebra de bancos, mas o impacto disso para a economia mundial é limitado.

"A asfixia rápida e intensa pode matar vários dos bancos russos, porque foi usada uma 'arma nuclearque é o sistema Swift. Mas não estamos falando de China, EUA ou Europa, não há impacto para gerar uma recessão mundial", afirma.

Segundo o analista, uma outra consequência pode ser uma busca mais ativa dos países europeus pela transição energética, visando uma menor dependência do petróleo e gás natural e das exportações russas.

Para Vale, a possibilidade de uma recessão global só se tornaria mais palpável caso o conflito se generalize, deixando a esfera restrita da Ucrânia, caso a Rússia se sinta empoderada a estender sua ação rumo a outros países. Mas, diante da resposta dos países à invasão da Ucrânia e do poder de advertência das graves sanções financeiras impostas, o economista avalia que essa escalada é por ora improvável.

"A guerra da Ucrânia pode tirar pontos de crescimento [da economia mundial em 2022], por conta desse impacto de inflação e juros. É provável que a gente escorregue para um crescimento que fique abaixo dos 4% a 4,5% estimados pelo FMI e Banco Mundial, para algo mais próximo de 3% a 3,5%. Mas precisaremos ver ainda os impactos adicionais."

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Mais de 2 bilhões de mulheres têm menos oportunidades e direitos econômicos que homens no mundo

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Relatório do Banco Mundial mostra disparidade em salários, direitos e condições de trabalho em 190 países. Brasil precisa melhorar remuneração, cuidados parentais, pensão e aposentadoria.
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Por g1

Postado em 01 de março de 2022 às 12h00m

Post.- N.\ 10.228

Falar que as mulheres têm menos direitos e salários mais baixos que os homens não dá a real dimensão da disparidade mundial. Um exemplo de trilhões: ao longo da vida e em todo o mundo, o rendimento esperado das mulheres é de US$ 172 trilhões (R$ 886,8 trilhões) a menos que os homens – valor equivalente a duas vezes o PIB global.

Além deste, são vários os indicadores que mostram como as mulheres ainda estão atrás dos homens quando se trata de direitos:

  • Cerca de 2,4 bilhões de mulheres têm menos oportunidades e direitos econômicos que homens no mundo;
  • 178 países (93,6%) mantêm barreiras legais que impedem a participação econômica plena das mulheres;
  • 95 países (50%) não garantem a remuneração igualitária para trabalhos de igual valor;
  • 86 países (45%) têm restrição ao mercado de trabalho;
  • Apenas 12 países (6,3%) têm condições iguais para homens e mulheres em todas as áreas.

Os dados são do Banco Mundial e estão no relatório Mulheres, Empresas e o Direito 2022 divulgado nesta terça (1). O órgão traduz as condições econômicas em pontos, com pontuação máxima de 100. Destes, as mulheres possuem 76,5 pontos, o que significa que elas têm apenas três quartos dos direitos dos homens.

Apesar dos resultados, alguns países tiveram, em 2021, esforços para melhorar as condições legais das mulheres: 23 deles promoveram reformas nas leis. A maioria estava relacionada a parentalidade (aumento do tempo e melhoria das condições de licenças maternidade e paternidade)remuneração trabalho (contra restrições à entrada de mulheres em determinados trabalhos, assédio moral, sexual e discriminação de gênero).

"As mulheres não conseguirão conquistar a igualdade no ambiente de trabalho se houver desigualdade dentro de casa. Isso significa nivelar as condições de igualdade e garantir que as mulheres com filhos não sejam excluídas de sua plena participação na economia e possam cumprir suas expectativas e ambições", afirmou Carmen Reinhart, Vice-Presidente Sênior e Economista-chefe do Grupo Banco Mundial, no relatório.

Salários entre homens e mulheres continuam muito desigual na mesma funçãoSalários entre homens e mulheres continuam muito desigual na mesma função

E o Brasil?

A região da América Latina e do Caribe teve a terceira maior pontuação no levantamento, com média de 80,4. Entre os 39 países com mais de 90 pontos, que equivalem a maior igualdade entre homens e mulheres, só dois estão na região: nossos vizinhos Peru e Paraguai.

Brasil tem nota 85 de 100 no índice do Banco Mundial. Estamos no mesmo nível da Venezuela e atrás de outros 11 países da região, incluindo Bolívia, México, Paraguai e República Dominicana. Quando se leva em conta os países do mundo todo, há 60 com pontuações maiores que a nossa.

As áreas em que o país está bem são mobilidade, ambiente de trabalho, casamento e bens. Já as áreas em que ainda temos muito o que melhorar são remuneração, cuidados parentais, empreendedorismo e pensão e aposentadoria.

No Brasilos direitos das trabalhadoras incluem licença-maternidade de 120 dias (4 meses), tempo para amamentação até que a criança atinja seis meses e dispensa para consultas médicas. Já a licença-paternidade dura só cinco dias e ainda é um desafio no país.

No ano passado, um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a participação das mulheres no mercado de trabalho aumentou, mas elas seguiram ganhando menos que os homens e ocupando, cada vez menos, cargos gerenciais.

Ao longo do relatório, o país é utilizado como exemplos - positivos e negativos - em alguns aspectos. Entre os pontos positivos, estão o acesso público à abertura de processos e a prioridade de vagas em creches públicas para famílias de baixa renda.

Já o ponto negativo é a informalidade das empreendedoras no país. Há mais mulheres não registradas do que homens quando se trata de negócio próprio.

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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Coquetel Molotov: a arma criada para combater russos agora usada na Ucrânia

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O artefato químico é uma espécie de bomba caseira. Foi usado pelo Exército finlandês durante a Segunda Guerra Mundial , quando o país foi atacado pela União Soviética, em novembro de 1939.
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Por g1

Postado em 28 de fevereiro de 2022 às 15h15

Post.- N.\ 10.227

População da Ucrânia prepara coquetéis molotov para enfrentar tropas russas
População da Ucrânia prepara coquetéis molotov para enfrentar tropas russas

No último sábado (26), autoridades ucranianas pediram à população que preparasse coquetéis molotov para ajudar no enfrentamento às tropas russas, que avançavam em direção à capital Kiev. Assista no vídeo acima.

No Twitter, o Ministério da Defesa fez uma postagem pedido que ucranianos se defendessem:

Pedimos aos cidadãos que informem sobre a circulação dos equipamentos! Faça coquetéis molotov, neutralize o ocupante! Moradores pacíficos, tenham cuidado! Não saiam de casa.

Uma rede de TV da Ucrânia, inclusive, ensinou como preparar os artefatos explosivos.

O que é o coquetel molotov?

Voluntário ensina com coquetéis molotov na cidade de Lviv, na Ucrânia, em 27 de fevereiro de 2022 — Foto: Daniel Leal/AFP
Voluntário ensina com coquetéis molotov na cidade de Lviv, na Ucrânia, em 27 de fevereiro de 2022 — Foto: Daniel Leal/AFP

O coquetel molotov é uma espécie de bomba caseira feita com algum combustível, como gasolina ou álcool. É uma mistura líquida inflamável e perigosa, uma arma química incendiária.

Como mostram os arquivos dos museus "Imperial War", durante a Guerra de Inverno (1939-1940), "o minúsculo exército finlandês enfrentou o poder do gigantesco Exército Vermelho da União Soviética". Apesar da desvantagem numérica, os finlandeses conseguiram resistir aos ataques por três meses.

Coquetel Molotov usado durante a Segunda Guerra Mundial pelo Exército da Finlândia — Foto: SA-kuva
Coquetel Molotov usado durante a Segunda Guerra Mundial pelo Exército da Finlândia — Foto: SA-kuva

Os finlandeses responsabilizaram o ministro das Relações Exteriores soviético Vyacheslav Molotov pela eclosão da Guerra Russo-Finlandesa e nomearam uma granada incendiária improvisada em sua homenagem. "O coquetel molotov provou ser uma arma antitanque primitiva, mas eficaz, contra as forças soviéticas", aponta o documento.

Eles atacavam, principalmente, os motores dos tanques soviéticos.

Em Dnipro, a quarta maior cidade da Ucrânia, civis foram vistos se preparando para a chegada de soldados russos. A correspondente da BBC no leste europeu, Sarah Rainsford, encontrou um grupo de mulheres confeccionando coquetéis molotov, que diziam diziam tentar não pensar muito no que estavam fazendo por se tratar de algo "assustador". Leia na reportagem.

No Brasil, a fabricação, posse e uso do artefato é considerado crime. A pena de reclusão é de, no mínimo 3 anos até o máximo de 6 anos e multa, conforme na Lei 10 826/03, Art.16, Inciso 3°.

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domingo, 27 de fevereiro de 2022

Maior aeronave do mundo, Antonov-225 Mriya, é destruída em ataque russo na Ucrânia

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O maior avião de carga do mundo, o Antonov-225 Mriya, de fabricação ucraniana, foi queimado em um ataque russo ao aeroporto Hostomel, perto de Kiev. Fabricante diz que restauração custaria mais de US$ 3 bilhões e levaria muito tempo.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 27 de fevereiro de 2022 às 13h50m

Post.- N.\ 10.226

Foto tirada em 3 de agosto de 2020 da aeronave de carga aérea estratégica Antonov An-225 Mriya, de fabricação soviética, o maior avião de carga do mundo, ao pousar no Aeroporto Internacional Ben Gurion de Israel em Lod, a leste de Tel Aviv — Foto:  Jack Guez/AFP/Arquivo
Foto tirada em 3 de agosto de 2020 da aeronave de carga aérea estratégica Antonov An-225 Mriya, de fabricação soviética, o maior avião de carga do mundo, ao pousar no Aeroporto Internacional Ben Gurion de Israel em Lod, a leste de Tel Aviv — Foto: Jack Guez/AFP/Arquivo

O maior avião de carga do mundo, o Antonov-225 Mriya, de fabricação ucraniana, foi queimado em um ataque russo ao aeroporto Hostomel, perto de Kiev, disse a fabricante de armas estatal ucraniana Ukroboronprom neste domingo (27).

"Os ocupantes russos destruíram o carro-chefe da aviação ucraniana — o lendário An-225 Mriya. Aconteceu no aeródromo de Antonov em Hostomel, perto de Kiev", disse Ukroboronprom em sua página no Facebook.

Ele disse que a restauração do avião custaria mais de US$ 3 bilhões e levaria muito tempo.

A informação foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, nas redes sociais. "Esta foi a maior aeronave do mundo, AN-225 'Mriya' ('Dream' em ucraniano). A Rússia pode ter destruído nosso Mriya. Mas nunca poderão destruir o nosso sonho de um Estado europeu forte, livre e democrático. Vamos prevalecer!"

Veja imagens do Antonov 255, o maior avião do mundoVeja imagens do Antonov 255, o maior avião do mundo

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PIX e fim do auxílio emergencial tiram de circulação R$ 45 bilhões em cédulas e moedas, indica BC

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No ano passado, foi registrada pelo Banco Central a primeira queda no chamado 'meio circulante' desde o início do plano Real, em 1994.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 27 de fevereiro de 2022 às 08h00m

Post.- N.\ 10.225

Com o fim do auxílio emergencial e o início do PIX, o chamado "meio circulante" brasileiro — que engloba cédulas em circulação — encolheu cerca de R$ 44,8 bilhões desde o fim de 2020, segundo dados do Banco Central.

No fechamento do ano retrasado, R$ 370,4 bilhões em cédulas e moedas circulavam pela economia brasileira, valor que caiu para R$ 339 bilhões no fim de 2021. O recuo registrado no último ano, o primeiro desde o plano Real (1994), foi de R$ 31,4 bilhões.

Além disso, mais R$ 13,3 bilhões foram retirados de circulação na parcial deste ano. Em 22 de fevereiro, última posição divulgada pelo BC, o meio circulante havia recuado para R$ 325,6 bilhões.

CÉDULAS E MOEDAS NA ECONOMIA
em R$ bilhões (fim de período)
151,1151,1162,7162,7187,4187,4204204220,8220,8225,4225,4232,1232,1250,3250,3264,9264,9280,6280,6370,4370,4339339325,6325,620102011201220132014201520162017201820192020202122/FEV/20220100200300400
Fonte: Banco Central

Segundo o BC, a busca dos bancos por recursos, motivados pela demanda da população e do comércio, é o que determina a variação do dinheiro em circulação.

"A fabricação de cédulas e moedas visa atender à variação da demanda, mas também à substituição de cédulas desgastadas e à manutenção de estoques adequados", segundo o banco.

Auxílio emergencial

O Banco Central observou que em 2020, em parte devido a efeitos causados pela crise sanitária da Covid-19, o meio circulante apresentou "crescimento atípico, bastante superior ao crescimento anual médio observado nos últimos anos antes deste período".

Naquele ano, o governo pagou mais de R$ 290 bilhões em auxílio emergencial, parte desse valor em espécie, para combater os efeitos da pandemia. O valor do benefício era de R$ 600. Entre abril e dezembro de 2020, o crescimento do meio circulante foi de R$ 110,905 bilhões.

Em 2021, com queda no valor do auxílio emergencial (benefícios de R$ 150 a R$ 375) e todos recursos sendo transferidos por meio de conta poupança digital da Caixa aos beneficiários, a demanda por papel-moeda começou a cair.

Início do PIX

Além disso, também entrou em funcionamento, em novembro de 2020, o PIX — sistema de transferência em tempo real, disponibilizado pelo BC —, que aumentou o volume de pagamentos eletrônicos e diminuiu a necessidade de recursos em espécie para pagamentos à vista.

"O surgimento de novos meios de pagamento sempre apresenta impactos sobre os hábitos de uso dos meios de pagamento anteriormente existentes, sendo necessário algum tempo para que a evolução desses impactos possa ser claramente mapeada", avaliou o BC.

Desde o início do novo sistema de pagamentos, porém, foram registrados três vazamento de dados dos clientes. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, admitiu que esses vazamentos vão acontecer "com alguma frequência", mas que as ocorrências registradas até o momento "não são sensíveis".

PIX completa um ano e ganha novas medidas de segurança
PIX completa um ano e ganha novas medidas de segurança

Recursos em circulação

Em 18 de fevereiro deste ano, dos R$ 325,7 bilhões em recursos em circulação no país, R$ 318,158 bilhões referem-se a cédulas e R$ 7,6 bilhões a moedas.

Os últimos números do BC mostram que, das 450 milhões cédulas de R$ 200 impressas em 2020, 93,9 milhões (o equivalente a cerca de 21%) estavam em circulação até 18 de fevereiro, segundo dados do Banco Central.

O montante das cédulas que não está nas mãos da população fica em poder do governo. O Banco Central explicou que libera as cédulas de R$ 200 para circulação de acordo com a demanda das instituições financeiras.

A nota de R$ 200 foi lançada no ano passado (vídeo abaixo), em meio à pandemia de Covid-19. É a sétima da família do Real, e a primeira cédula de um novo valor em 18 anos. A mais recente até então, a de R$ 20, tinha sido lançada em 2002.

Banco Central lança nota de R$ 200, com imagem de um lobo-guaráBanco Central lança nota de R$ 200, com imagem de um lobo-guará

Fiscalização

De acordo com o Banco Central, as "movimentações eletrônicas são mais rastreáveis que transações em espécie", o que favorece a fiscalização.

"Por exemplo, o Judiciário pode bloquear mais facilmente recursos mantidos em conta bancária do que apreender dinheiro em espécie", explicou o BC.

No fim de 2020, a Receita Federal confirmou que está acompanhando "de perto" as movimentações financeiras efetuadas pelos brasileiros e pelas empresas por meio do PIX.

"As informações sobre movimentação financeira dos contribuintes permanecem sendo importantes para identificar irregularidades e dar efetividade ao cumprimento das leis tributárias", informou a Receita Federal ao g1, naquela ocasião.

A Receita lembrou que, desde 2015, as instituições financeiras informam ao órgão os valores globais a débito e crédito consolidados mensalmente por conta e por contribuinte.

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