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domingo, 29 de agosto de 2021

Jeff Bezos e Elon Musk: a corrida bilionária para salvar a humanidade com 'civilização galáctica'

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Muitas das viagens espaciais que ganharam as manchetes nos últimos anos têm um motivação pouco conhecida — explorar a viabilidade de espalhar colônias humanas flutuantes pelo cosmos.
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TOPO
Por BBC

Postado em 29 de agosto de 2021 às 14h45m


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Podemos nos tornar uma 'civilização galáctica'? — Foto: MARCO DEL MAZO/GETTY IMAGES via BBC
Podemos nos tornar uma 'civilização galáctica'? — Foto: MARCO DEL MAZO/GETTY IMAGES via BBC

Em meados da década de 1970, o físico Gerard O'Neill estava refletindo sobre o futuro da humanidade no espaço — e concluiu que seus colegas estavam pensando sobre isso de forma errada.

Muita gente falava sobre colonizar outros planetas, mas ele percebeu que não havia muitos "lotes" adequados dentro do Sistema Solar.

Grande parte da superfície planetária para a construção de colônias está localizada em atmosferas hostis e com condições adversas e, como os mundos rochosos e as luas têm gravidade, ir e vir demandaria muito combustível.

Em vez disso, O'Neill imaginou enormes colônias flutuantes, não muito longe da Terra, em forma de cilindros.

As pessoas viveriam em seu interior, dentro de cidades verdes com campos, lagos e florestas.

Era uma ideia rebuscada, mas graças às visualizações inspiradoras que a acompanharam — como a que está abaixo — os sonhos de O'Neill influenciariam uma geração.
A visão de Gerard O'Neill de como seria uma colônia espacial — Foto: NASA AMES RESEARCH CENTER via BBC
A visão de Gerard O'Neill de como seria uma colônia espacial — Foto: NASA AMES RESEARCH CENTER via BBC

E uma dessas pessoas ganhou as manchetes internacionais recentemente.

Na década de 1980, havia um estudante nos seminários de O'Neill na Universidade de Princeton, nos EUA, que tomava nota cuidadosamente das ideias de seu professor.

Ele aspirava ser um "empreendedor espacial" e via as colônias fora da Terra como uma forma de garantir o futuro da humanidade no longo prazo.

"A Terra é finita", ele havia dito ao jornal de seu colégio, "e se a economia e a população mundiais continuarem se expandindo, o espaço é a única saída".

Ele iria acumular uma enorme fortuna, que um dia começaria a gastar para dar o pontapé inicial nessa ambição.

O nome do aluno? Jeffrey Preston Bezos.

Para entender por que bilionários como Bezos querem ir ao espaço, você precisa entender suas influências.

Para observadores desatentos, os esforços da Blue Origin e de suas concorrentes podem parecer nada mais do que projetos presunçosos de alguns homens extremamente ricos, com foguetes extremamente caros.

E, para muitas outras pessoas, o momento dessas viagens espaciais não poderia ser mais equivocado, em meio a mudanças climáticas, uma pandemia, desigualdade crescente e muitos outros graves problemas globais.

Mas, sustentando esses esforços, está uma motivação mais ampla que merece uma análise mais aprofundada: a ideia de salvação de longo prazo por meio do espaço.

Bezos não é o primeiro a propor que se expandir pelo cosmos é a única forma de garantir o futuro da humanidade.

As pessoas sonham em criar uma civilização além da atmosfera da Terra há bem mais de um século, e as gerações futuras provavelmente continuarão a fazer isso por muito tempo depois que Bezos e sua turma tiverem partido.

Então, o que esses objetivos galácticos podem nos dizer sobre este último capítulo?

O universo despovoado

A crença de que a colonização galáctica poderia ajudar a garantir o futuro da humanidade remonta há algumas centenas de anos.

É difícil imaginar hoje, mas as pessoas nem sempre acreditaram que o Universo era despovoado e aberto a uma potencial colonização.

Até o fim dos anos 1800 e início do século 20, os acadêmicos "sentiam que o Universo era cheio de valor e humanoides", diz Thomas Moynihan, que estuda história intelectual na Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Como ele escreveu recentemente, se as pessoas imaginavam outros mundos, elas imaginavam outras civilizações vivendo lá, em vez de planetas estéreis dentro de um vácuo sombrio e vazio.

"Não havia motivação para nos imaginar indo para qualquer outro lugar e ocupando espaços que de outro modo seriam desabitados", diz ele.

"Há histórias de viagens à Lua e a outros planetas, e até mesmo menção de conflitos, mas são apenas isso: viagens. Viagens para ver os curiosos, mas, definitivamente, muito humanos ocupantes."

A ideia de que o cosmos é quase certamente predominantemente vazio — uma vasta região para a qual poderíamos nos expandir — é, portanto, uma constatação relativamente recente na história da humanidade, explica Moynihan.

Extinção da espécie humana

O que levou os acadêmicos a pensarem mais seriamente sobre a colonização do Sistema Solar e além foi também o despertar da consciência de que nossa espécie poderia um dia se extinguir, por meio da morte do Sol ou de algum outro destino.

Por um tempo, imaginar o fim de tudo estava associado a um pessimismo taciturno, mas no início dos anos 1900, a descoberta de que o átomo armazena enormes quantidades de energia desencadeou uma nova onda de otimismo de que a colonização galáctica poderia ser a solução no longo prazo, conta Moynihan.

Uma das propostas mais pitorescas veio do cientista de foguetes russo Konstantin Tsiolkovsky, que imaginou colonizar asteroides com espaçonaves movidas a energia nuclear.

"A melhor parte da humanidade, muito provavelmente, nunca morrerá, mas migrará de sol a sol à medida que eles se apagam", escreveu Tsiolkovsky em 1911.

Este "cosmismo" russo de Tsiolkovsky e seus pares tinha uma religiosidade, enquadrando a colonização do Universo como uma grande narrativa do destino humano, convocando nossa espécie a propagar a vida pelo cosmos estéril.

Mas, como Moynihan destaca, esta definitivamente não era uma visão capitalista.
Só recentemente na história da humanidade percebemos o quão despovoado o Universo é — Foto: NASA/TOBY ORD via BBC
Só recentemente na história da humanidade percebemos o quão despovoado o Universo é — Foto: NASA/TOBY ORD via BBC

Em 1902, o mentor de Tsiolkovsky, Nikolai Fedorov, temia que "'milionários' pudessem 'infectar' outros planetas com sua exploração extrativa", diz ele.

No Ocidente, no entanto, visões mundanas da salvação galáctica também começaram a surgir.

Outra figura influente foi o engenheiro americano Robert Goddard, que criou o primeiro foguete movido a combustível líquido.

Em 1918, ele escreveu um pequeno ensaio pouco conhecido chamado "Migração Final: Uma Nota para Otimistas", que ele circulou entre amigos.

"Lá ele diz que se conseguirmos abrir o átomo, podemos enviar humanos para além do Sistema Solar", diz Moynihan.

Goddard imaginou expedições que levassem todo o conhecimento da humanidade para que, em suas palavras, "uma nova civilização pudesse começar onde a antiga terminava".

E se isso não fosse possível, ele propôs a ideia radical de lançar um "protoplasma", que um dia semearia novos seres humanos em mundos distantes.

Tudo isso levou à ideia de que se a humanidade pudesse colonizar a Via Láctea, ela poderia sobreviver por dezenas de trilhões de anos, diz Moynihan.

E, de várias maneiras, essas crenças têm sustentado visões de colônias galácticas até hoje — incluindo as de Bezos e de outro bilionário espacial, Elon Musk.

A visão de Bezos e Musk

Quando adolescente, Bezos via suas ambições como um caminho para obter energia e recursos infinitos que seriam impossíveis se continuássemos na Terra.

E pouco mudou: ele enxerga a ideia de colônias espaciais como uma rota para salvar nossa espécie de sua sede insaciável por crescimento e recursos.

Se dependesse dele, a humanidade moveria toda a indústria pesada e poluente para fora do planeta e, no longo prazo, se espalharia pelos cilindros de O'Neill.

Ele reconhece que não vai criar esse futuro, mas se vê como um "construtor de estradas", fornecendo a infraestrutura para que as gerações futuras o façam.

Musk é mais direto sobre o risco de extinção, argumentando que se nos tornarmos multiplanetários — nos estabelecendo em Marte, em particular — então uma catástrofe na Terra não precisa destruir toda a nossa espécie.

O bilionário da SpaceX é influenciado pela ideia de transcender o "Grande Filtro", a proposta de que todas as civilizações do cosmos se deparam com um ponto de corte em sua evolução que as aniquila.

Musk espera que possamos ser os primeiros na galáxia a passar por esse "filtro".

Moynihan destaca, no entanto, que o argumento "vá para o espaço, salve a humanidade" não é tão forte quanto os bilionários o apresentam, sobretudo neste momento específico no tempo.

Neste século, enfrentamos inúmeras ameaças existenciais que não são localizadas e podem facilmente se espalhar, desde pandemias criadas por bioengenharia até inteligência artificial desajustada.

É possível que essas ameaças vão além da Terra.

"Correr para se tornar multiplanetário pode não fornecer uma proteção contra todos os piores riscos", diz Moynihan.

"No curto prazo, provocar uma conversa mundial sobre a questão dos riscos extremos pode ser mais vantajoso do que correr para Marte."

E quanto às mudanças climáticas?

Embora seja improvável que haja um risco existencial, as mudanças climáticas prometem causar uma enorme quantidade de sofrimento a bilhões de pessoas no curto prazo — e não há muito o que o turismo espacial, tampouco um projeto de colônias galácticas no futuro distante, possam fazer para ajudar a evitar isso hoje.
No filme 'Viagem à Lua', de George Melies, de 1902, astrônomos fazem uma visita ao satélite, que já está povoado, mas não se instalam por lá — Foto: GETTY IMAGES via BBC
No filme 'Viagem à Lua', de George Melies, de 1902, astrônomos fazem uma visita ao satélite, que já está povoado, mas não se instalam por lá — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Em meio a inundações, incêndios florestais e ondas de calor, há muitos críticos da era das bilionárias viagens espaciais.

Com base na gravidade dos problemas que enfrentamos, há quem hoje possa preferir abandonar totalmente as visões de colônias galácticas — pelo menos no curto prazo.

Esse sentimento foi capturado em um ensaio recente do escritor de ficção científica Sim Kern, que sugeriu que o espaço pode oferecer o ideal sedutor de salvação e começar do zero, mas, na verdade, "não há como deixar nossa bagunça para trás, não importa quantos anos luz de distância viajarmos".

E, seja como for, Kern escreve, já temos um boa colônia orbital:

"É enorme, grande o suficiente para levar todos os nossos amigos e familiares. Tem excelente proteção contra radiação e gravidade na forma de uma atmosfera respirável. Vem com uma fonte de energia renovável quase ilimitada — o Sol — que deve durar mais uns bilhões de anos antes de ficar muito quente e nos queimar."

"Nossa espaçonave é povoada por mais de oito milhões de formas de vida alienígena diferentes para estudarmos, cujos comportamentos, linguagens e inteligências estamos apenas começando a entender. Esses amigos de outras espécies nos fornecem ar, comida, remédios, filtragem de água — alguns até cantam para nós, perfumam nosso ar e tornam nossa nave de uma beleza de tirar o fôlego."

Se nossos descendentes no futuro concordarem, ela seria conhecida como "Cenário Bullerby", em homenagem à idílica vida rural da Suécia nos livros infantis de Astrid Lindgren.

Ele imagina que a humanidade vai acabar decidindo ignorar o espaço e, em vez disso, focar na Terra, construindo uma sociedade estável com energia verde, agricultura sustentável e assim por diante.

Se civilizações extraterrestres inteligentes também fizeram essa escolha, isso pode explicar por que ainda não encontramos nenhuma: talvez estejam vivendo a vida de Bullerby.

E quanto ao longo prazo?

Se estamos falando de centenas de milhares de anos, então a disseminação pelo Sistema Solar e pela Via Láctea pode ser levada mais a sério como um argumento para garantir o futuro da humanidade.

Mesmo aqueles que discordam em iniciar o projeto agora teriam dificuldade em justificar atrasá-lo até pouco antes do colapso da humanidade — seria um desastre de escala inimaginável.

As espécies de mamíferos têm em média uma expectativa de vida de 1 milhão de anos, o que sugere que em algum momento nossa hora vai chegar, se não fizermos nada para evitar isso.

O foguete de Bezos decola, deixando para trás a superfície verdejante da Terra — Foto: GETTY IMAGES via BBC
O foguete de Bezos decola, deixando para trás a superfície verdejante da Terra — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Catástrofes que podem nos exterminar são inevitáveis no tempo profundo.

Mas, diferentemente de outros animais, temos inteligência avançada, por isso muitos pesquisadores acreditam que seguir o caminho "astronômico" além da Terra promete um futuro muito mais longevo para nossa espécie.

Se tivermos colônias em toda a galáxia, a humanidade se tornará muito mais robusta.

"Gosto muito de não ter todos os ovos nas mesmas cestas relativamente frágeis", diz Anders Sandberg, também da Universidade de Oxford.

"As colônias espaciais são muito mais frágeis do que os planetas, e vulneráveis, mas você pode construir mais delas."

"Quando você for realmente capaz de construir algumas grandes, também será capaz de construir várias pequenas. E, neste ponto, parece que você pode reduzir os riscos", completa.

Moynihan concorda. "É verdade que, para a humanidade cumprir seu potencial de longo prazo, ela deve ir além", ele escreve.

"A Terra acabará se tornando inabitável à medida que nosso Sol envelhecer. Mas o Universo mais amplo permanecerá capaz de manter a vida — e a riqueza da consciência — por éons além."

O problema é que, até mesmo no futuro distante, sempre haverá motivos para não iniciar o projeto. Sempre haverá problemas urgentes que precisamos resolver na Terra.

"Tornar-se multiplanetário é uma grande visão e uma coisa boa no longo prazo, mas pode nunca ser realmente uma coisa racional a se fazer", diz Sandberg.

"Acho que pode até haver um tipo estranho de seleção pelo ligeiramente exuberante e o irracional."

Ele cita a máxima de que "todo progresso depende do homem insensato".

"Pode ser que não seja razoável o que Bezos ou Musk estão fazendo, mas ainda pode ser uma coisa boa." (No longo prazo, pelo menos.)

O que quer que você pense sobre a atual geração de bilionários — suas prioridades, personalidades, riqueza, atitudes em relação à desigualdade ou à mudança climática ou como tratam seus funcionários — não há como negar que eles fizeram um progresso significativo nas viagens espaciais em um curto espaço de tempo.

Poderiam ter deixado isso para as futuras gerações? Talvez. Mas isso não torna suas contribuições sem valor.

Sandberg se lembra de uma conversa com Musk, muitos anos antes de a SpaceX ter enviado foguetes ao espaço, quando o empresário o visitou no Instituto do Futuro da Humanidade da Universidade de Oxford.

"[Ele] estava literalmente fazendo desenhos em um guardanapo no Grand Cafe aqui em Oxford para me explicar como achava que poderia perfeitamente fazer algo bem mais barato do que o que a Nasa estava fazendo", recorda Sandberg.

"Eu ficava balançando a cabeça e dizendo: 'Espero que você esteja certo'. E ele provou que estava."

No entanto, Sandberg destaca que se a humanidade continuar a construir uma civilização galáctica que salvará seu futuro de longo prazo, ela não precisa ser construída de acordo com os caprichos e desejos de um ou dois bilionários do início do século 21.

"Se não quisermos que o espaço seja definido pelas visões de algumas pessoas em particular, o resto de nós também deve tornar nossos desejos conhecidos", diz ele.

Projeto só para ricos e bilionários?

Aqueles que criticam a geração de bilionários temem que suas visões não levem em conta muitas preocupações atuais, como justiça social e desigualdade.

No entanto, pode haver oportunidades de integrar algumas dessas questões nos planos de exploração espacial.

Por exemplo, a linguista Sheri Wells-Jensen defende há muito tempo a integração de astronautas com deficiência nos programas espaciais.

Neste ano, a Agência Espacial Europeia aparentemente seguiu seu conselho, lançando uma convocação para recrutar "para-astronautas".

E embora muitas pessoas possam querer concentrar suas energias nas mudanças climáticas e em outros problemas no curto prazo, as futuras gerações que serão ajudadas por seus esforços podem decidir se juntar novamente ao projeto espacial no futuro mais profundo.

Afinal, nem sempre as prioridades dos exploradores espaciais e dos ambientalistas foram desencontradas.

As imagens da Terra como um "ponto azul claro" ajudaram a mostrar o que valia a pena preservar em nosso planeta, e Sandberg lembra que, sem os satélites, teríamos uma compreensão científica muito mais fraca das mudanças climáticas.

No longo prazo, a expansão para o espaço pode ser um projeto para toda a humanidade, ao invés de algo decidido por um punhado de pessoas no Vale do Silício.

Uma civilização galáctica pode muito bem fazer parte do nosso futuro um dia. Talvez os sonhos de Bezos de um cilindro de O'Neill se tornem realidade.

Talvez possa ajudar a salvar nossa espécie.

Mas, seja onde for, esse futuro será moldado pelos cidadãos da Via Láctea com suas próprias prioridades e desejos — e que viverão muito tempo depois que os homens mais ricos do século 21 tiverem partido.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.

Quando será nossa vez de ir ao espaço? Confira no vídeo abaixo:


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Moradores de Salto registram água preta no rio Tietê: 'Parece petróleo'

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Tonalidade escura da água foi registrada neste domingo (29), em trecho que passa pela cidade no interior de São Paulo.
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Por TV TEM

Postado em 29 de agosto de 2921 às 13h35m


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Água do rio Tietê fica escura em trecho que passa por Salto — Foto: Gilberto Esquerdo/ Arquivo Pessoal
Água do rio Tietê fica escura em trecho que passa por Salto — Foto: Gilberto Esquerdo/ Arquivo Pessoal

Moradores registraram neste domingo (29) a tonalidade escura da água no trecho do rio Tietê que passa por Salto, no interior de São Paulo.

O cenário chegou a preocupar os moradores por causa da mudança de cor da água. Em um dos vídeos enviados à TV TEM, um dos moradores fica impressionado com a cor da água e chega a dizer que "parece petróleo" (assista abaixo).

Moradores de Salto registram água preta no rio Tietê neste domingo
Moradores de Salto registram água preta no rio Tietê neste domingo

Não é a primeira vez que a água do rio Tietê fica escura. Em agosto de 2017, a mesma situação foi registrada.

Além disso, um pouco antes, em novembro de 2014, o rio ficou com cor escura e provocou a morte de 40 toneladas de peixes, que foram retirados do córrego do Ajudante, um afluente que desagua no rio Tietê.

Neste sábado (28), após um mês de estiagem, foi registrada chuva em cidades do interior e na capital do estado de São Paulo. Segundo o Satélite Somar da Defesa Civil Estadual de São Paulo, a chuva que ocorreu é considerada uma das mais volumosas de 2021.
Rio Tietê em Salto volta a ficar com a água escura neste domingo — Foto: William Silva/ TV TEM
Rio Tietê em Salto volta a ficar com a água escura neste domingo — Foto: William Silva/ TV TEM

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sábado, 28 de agosto de 2021

Carne wagyu, a mais cara do mundo, ganha versão artificial criada com impressora 3D

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Cientistas japoneses usaram células-tronco isoladas de vacas para criar estruturas como músculos e gordura. A partir de registros da carne, a pesquisa chegou a um pequeno tecido que lembra um bife real.
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Por G1

Postado em 28 de agosto de 2021 às 13h45m


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À esquerda, foto de carne wagyu real; à direita, imagens de carne artificial criada em impressora 3D — Foto: Rafael Miotto/G1; Reprodução/Universidade de Osaka
À esquerda, foto de carne wagyu real; à direita, imagens de carne artificial criada em impressora 3D — Foto: Rafael Miotto/G1; Reprodução/Universidade de Osaka

A carne wagyu, conhecida por ser a mais cara do mundo, ganhou uma versão artificial criada em uma impressora 3D. Ela foi desenvolvida por cientistas na Universidade de Osaka, no Japão, onde a versão real é mais produzida.

Os cientistas isolaram de vacas wagyu dois tipos de células-tronco. Elas foram modificadas em laboratório para se transformarem nos tipos de células necessários para criar a carne.

A pesquisa chegou à criação de estruturas, como músculos, gordura e vasos sanguíneos. Elas foram organizadas para produzir um pedaço de carne sintética.

Porém, ainda não é possível fazer um churrasco com essa criação. O pedaço de carne produzido pelos cientistas se aproxima do tamanho de um grão de feijão: 5 milímetros de diâmetro, 10 milímetros de comprimento e 5 milímetros de espessura. Além disso, ele ainda não é comestível.

A carne wagyu é conhecida pelo chamado marmoreio, a gordura intramuscular que dá um visual de mármore para a peça e garante sua maciez.

Conheça o boi wagyu, que tem a carne mais cara do mundo
Conheça o boi wagyu, que tem a carne mais cara do mundo

No artigo, os cientistas explicaram, para reproduzir essa estrutura, registraram um tipo de imagem capaz de diferenciar com detalhes o músculo da gordura. A partir desse registro, foi possível criar um exemplar com o número necessário de cada tipo de célula.

Depois de organizar os componentes celulares em um tecido para que ele se parecesse com a carne wagyu, eles foram tratados por dois dias a uma temperatura de 4ºC com uma enzima chamada transglutaminase, usada para alterar a consistência de alimentos.

Segundo os pesquisadores, ainda será necessário realizar outros estudos para fazer com que o tecido se torne comestível e possa ser produzido em maior escala.

Os cientistas também acreditam que, no futuro, o método permitirá que a carne sintética seja criada com modificações em componentes de gordura e músculo para atender as necessidades de cada pessoa.

As pesquisas sobre carne sintética têm se tornado mais comuns nos últimos anos, com projetos para criar alternativas para hambúrguer, carne de frango e até foie gras.

Em dezembro de 2020, Singapura se tornou o primeiro país a autorizar a venda de carne artificial. O país deu o sinal verde após o pedido de uma empresa americana, que teve seu produto declarado próprio para consumo.

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Expedição da Groenlândia descobre a 'ilha mais ao norte do mundo'

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A porção de terra fica próxima a Oodaaq, considerado até então o ponto mais setentrional. Com 30 metros de largura, a ilha é formada pelo acúmulo de sedimentos de geleiras e lama.
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Por G1

Postado em 28 de agosto de 2021 às 12h00m


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VÍDEO: Expedição da Groenlândia descobre a 'ilha mais ao norte do mundo'
VÍDEO: Expedição da Groenlândia descobre a 'ilha mais ao norte do mundo'

Cientistas e exploradores da Groenlândia anunciaram nesta sexta-feira (27) terem descoberto a ilha mais ao norte do mundo. A porção de terra fica próxima a Oodaaq, considerado até então o ponto mais setentrional – ou boreal – do planeta.

"Não era nossa intenção descobrir uma nova ilha", disse o explorador dinamarquês Morten Rasch à agência de notícias Reuters. "Só fomos lá para coletar amostras."

Com 30 metros de largura, a pequena ilha apareceu por conta de uma movimentação na camada de gelo do ártico. Ela tem um pequeno pico de três metros de altura e é formada pelo acúmulo de lama e sedimentos que se desprenderam das geleiras.
Mapa apresenta a localização aproximada de Qeqertaq Avannarleq, a ilha mais ao norte do mundo — Foto: G1 Mundo
Mapa apresenta a localização aproximada de Qeqertaq Avannarleq, a ilha mais ao norte do mundo — Foto: G1 Mundo

Descoberta por engano

Inicialmente, os cientistas pensaram ter chegado a Oodaaq – ilha que havia sido descoberta em 1978. Foi só mais tarde, ao verificar a localização exata, que eles perceberam que haviam visitado uma outra ilha, a 780 metros de distância, em direção noroeste.

Christiane Leister, uma das responsáveis por financiar a expedição, comemorou a descoberta e disse ter se sentido "como os exploradores do passado", que pensavam ter chegado a um lugar, mas na verdade, encontraram um lugar "totalmente diferente".

Os pesquisadores resolveram chamar a ilha de Qeqertaq Avannarleq, que significa "a ilha mais ao norte" no idioma local. Para se tornar parte da Groenlândia, ainda é preciso que o governo dinamarquês reconheça o território, o que poderá ser feito se a ilha continuar visível mesmo com a maré alta.
Christiane Leister, membro da expedição, em ilha mais ao norte do mundo  — Foto: Julian Charriere/Reuters
Christiane Leister, membro da expedição, em ilha mais ao norte do mundo — Foto: Julian Charriere/Reuters

Embora tenha sido exposta pelo deslocamento da camada de gelo, os cientistas disseram que o aparecimento da ilha não é uma consequência direta do aquecimento global, que tem reduzido a camada de gelo da Groenlândia.

No mês passado, uma onda de calor no ártico, com temperaturas de mais de 10 graus acima das esperadas para esta época do ano, desencadeou um episódio de derretimento maciço do manto de gelo que cobre o território.

Entre os dias 28 e 31 de julho, a calota polar derreteu cerca de 8 bilhões de toneladas por dia, o dobro da taxa média do verão, de acordo com dados do Portal Polar, uma ferramenta de modelagem administrada por institutos de pesquisa dinamarqueses.
Ilha mais ao norte do mundo descoberta próxima da Groenlândia — Foto: Julian Charriere/Reuters
Ilha mais ao norte do mundo descoberta próxima da Groenlândia — Foto: Julian Charriere/Reuters

Ilha pode desaparecer

Rene Forsberg, especialista em geofísica do Instituto Espacial Nacional da Dinamarca, disse à Reuters que Qeqertaq Avannarleq, neste momento, pode ser considerado o ponto de "terra mais ao norte do mundo", mas que isso pode não ser definitivo.

Ela atende aos critérios de uma ilha. Esta é atualmente a terra mais ao norte do mundo", afirmou o cientista. "Mas essas pequenas ilhas vêm e vão.

Ele explicou também que toda a área ao norte da Groenlândia é coberta por uma espessa camada de gelo polar – que pode chegar até 3 metros de altura durante o verão. Em 1978, quando Oodaaq foi descoberta, a camada de gelo chegava a alcançar os 4 metros.
Ilha apareceu após uma mudança na camada de gelo do Ártico — Foto: Julian Charriere/Reuters
Ilha apareceu após uma mudança na camada de gelo do Ártico — Foto: Julian Charriere/Reuters

Disputa pelo Ártico

A descoberta ocorre no momento em que as nações do Ártico – Estados Unidos, Rússia, Canadá, Dinamarca e Noruega – começam a disputar o controle da região.

Isso porque, com o derretimento de parte do Pólo Norte por conta das mudanças climáticas, novas rotas de navegação e áreas de pesca começam a surgir.

Várias expedições dos EUA, por exemplo, têm procurado novos territórios nas últimas décadas. Em 2007, uma ilha parecida com Qeqertaq Avannarleq foi encontrada por exploradores.
Ilha mais ao norte foi descoberta por expedição da Groenlândia — Foto: Julian Charriere/Reuters
Ilha mais ao norte foi descoberta por expedição da Groenlândia — Foto: Julian Charriere/Reuters

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Tartaruga-aligátor, que tem mordida mais forte do que a de um leão, é encontrada em Presidente Prudente

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Animal é originário das américas do Norte e Central e não tem registro no Oeste Paulista. Espécie é considerada uma das maiores e mais agressivas do mundo.
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Por G1 Presidente Prudente

Postado em 28 de agosto de 2021 às 10h00m


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Tartaruga-aligátor é encontrada em Presidente Prudente — Foto: Polícia Ambiental
Tartaruga-aligátor é encontrada em Presidente Prudente — Foto: Polícia Ambiental

Uma tartaruga-aligátor (Macrochelys temminckii), originária das américas do Norte e Central, foi encontrada em um acostamento próximo à represa do Rio Santo Anastácio, em Presidente Prudente (SP).

De acordo com a Polícia Militar Ambiental, não há registro da presença do réptil no Oeste Paulista. O animal foi encontrado por uma pessoa que o levou até a sede da Polícia Ambiental nesta quinta-feira (26).

Conforme a polícia, o que chama a atenção no animal é a força de sua mordida, que pode ultrapassar 600 quilos, enquanto a de um leão gira em torno dos 400 quilos.

Além disso, é uma das maiores e mais agressivas tartarugas do mundo, podendo pesar até 159 quilos, ainda segundo a corporação.

As mandíbulas da tartaruga-aligátor são tão fortes que podem quebrar ossos humanos com facilidade, conforme a Polícia Ambiental.
Tartaruga-aligátor é encontrada em Presidente Prudente — Foto: Polícia Ambiental
Tartaruga-aligátor é encontrada em Presidente Prudente — Foto: Polícia Ambiental

A Polícia Ambiental ainda informou que tudo indica que o animal foi abandonado, pois é originário da América do Norte e da América Central e não poderia estar na região.

A tartaruga foi encaminhada para o Zoológico da Cidade da Criança, onde permanece aos cuidados dos profissionais que trabalham no parque ecológico.

Segundo a polícia, esse tipo de prática é considerado crime e, se alguém tiver alguma informação sobre quem teria abandonado a tartaruga-aligátor, deve entrar em contato com a corporação pelo telefone (18) 3906-9200.

De acordo com a médica veterinária Érica Silva Pellosi, da Cidade da Criança, esse é um animal exótico, que não faz parte da fauna brasileira.

"Ele é encontrado na América do Norte e América Central. Ele é um cágado, um animal semiaquático, que se alimenta de peixes, lagartos e pequenas aves. Ele é um animal extremamente perigoso, agressivo. A sua mordida é muito forte, podendo arrancar um pedaço de um membro", explicou.
Tartaruga-aligátor é encontrada em Presidente Prudente — Foto: Polícia Ambiental
Tartaruga-aligátor é encontrada em Presidente Prudente — Foto: Polícia Ambiental


Tartaruga-aligátor é encontrada em Presidente Prudente — Foto: Polícia Ambiental
Tartaruga-aligátor é encontrada em Presidente Prudente — Foto: Polícia Ambiental

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