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segunda-feira, 26 de abril de 2021

'Cidades-fantasma': Brasil tem municípios abandonados como o que 'Nomadland' mostra nos

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Filme vencedor do Oscar começa com protagonista deixando Empire, que sumiu de verdade após fábrica de gesso falir. Conheça cidades brasileiras que tiveram destino semelhante.
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Por G1

Postado em 26 de abril de 2021 às 10h00m


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Acima, a 'cidade-fantasma' americana de Empire, no filme 'Nomadland'. Abaixo, as 'cidades-fantasma' brasileiras de Cococi-CE, Fordlândia-PA, Igatu-BA, Velho Airão-AM e São João Marcos-RJ — Foto: André Teixeira/G1, Reprodução/Globo e Divulgação
Acima, a 'cidade-fantasma' americana de Empire, no filme 'Nomadland'. Abaixo, as 'cidades-fantasma' brasileiras de Cococi-CE, Fordlândia-PA, Igatu-BA, Velho Airão-AM e São João Marcos-RJ — Foto: André Teixeira/G1, Reprodução/Globo e Divulgação

"Nomadland" começa quando a cidade de Empire termina. A personagem principal do filme, Fern, fica sem casa e vira "nômade" depois que o lugar no qual ela morava deixa de existir. A fábrica de gesso que fornecia quase todos os seus empregos faliu e arrastou a cidade junto.

Esta reportagem reconta a história de cidades brasileiras que também desapareceram. São lugares onde hoje restam apenas ruínas devido à decadência econômica, a disputa política e até para garantir abastecimento de água e luz. Abaixo, fotos e vídeos mostram vestígios de construções que nos levam de volta para desde o século 17, com histórias que revelam um Brasil que deixou de existir.

A história de Frances McDormand, de "Nomadland" é ficcional, mas o caso de Empire aconteceu de verdade em 2011 - para a tristeza das 800 pessoas que já chegaram a morar lá. Só ficaram as construções vazias e duas lhamas pastando para evitar que o mato tomasse conta muito rápido.

Fábrica desativada em Empire na cena do filme 'Nomadland' — Foto: Reprodução
Fábrica desativada em Empire na cena do filme 'Nomadland' — Foto: Reprodução

Em 2016, a fábrica retomou poucas atividades e atualmente moram lá cerca de 70 pessoas. Mas Empire continua sendo um lugar esquecido, que perdeu até o número do código postal.

O Brasil tem vários casos semelhantes de cidades-fantasma. Veja a lista com histórias de "Empire brasileiras", documentadas em reportagens do G1 e da TV Globo:

Cococi - CE

Distrito fica a 27 quilômetros da Zona Urbana de Parambu. O único acesso é por estrada piçarra — Foto: André Teixeira/G1
Distrito fica a 27 quilômetros da Zona Urbana de Parambu. O único acesso é por estrada piçarra — Foto: André Teixeira/G1

Empire, em Nevada, tinha a fábrica United States Gypsum. Cococi, no Ceará, tinha a família Feitosa. A ex-cidade no sertão dos Inhamuns surgiu no século 18 e já teve hotel, cartório, praça e casas grandes para abrigar a família de coronéis. Hoje tem ruínas invadidas pela vegetação do semiárido.

O distrito de Cococi perdeu o status de cidade em 1979 e hoje pertence ao município de Parambu. A estiagem e um suposto desentendimento entre os Feitosa e o governo militar por causa das verbas destinadas à cidade são apontados como motivos da decadência e da saída da família de lá.

A igreja é a única grande construção que ficou de pé. É lá que acontece um novenário todo fim de ano. O distrito recebe cerca de 300 pessoas por dia na igreja de Nossa Senhora.

''Não acontece nada na maior parte do ano”, resumiu Maria Lobo, uma das poucas moradoras do distrito ao G1 em 2012. "A vegetação destruiu a câmara municipal e a prefeitura. O telhado da maior parte das casas já desabou e o moinho de vento não puxa mais água para os sete moradores que ainda habitam o local", descreve a reportagem.

Em 2016, ainda com a contagem de sete moradores em duas casas restantes, a cidade foi tema de uma exposição de fotos em Fortaleza. Veja abaixo:

Dragão do Mar apresenta exposição de fotografias da cidade cearense fantasma, Cococi
Dragão do Mar apresenta exposição de fotografias da cidade cearense fantasma, Cococi

Fordlândia - PA

Empresa chegou a fundar em 1928 uma cidade no interior do Pará, a Fordlândia, para explorar as seringueiras que abasteceriam suas fábricas com borracha — Foto: Divulgação/Ford
Empresa chegou a fundar em 1928 uma cidade no interior do Pará, a Fordlândia, para explorar as seringueiras que abasteceriam suas fábricas com borracha — Foto: Divulgação/Ford

Às margens do rio Tapajós, no Pará, o magnata Henry Ford tentou produzir borracha para os pneus dos carros na década de 1920. Os erros começaram por grandes desmatamentos. Sem os inimigos naturais da floresta, pragas dizimaram as plantações de seringueiras.

As casas para os trabalhadores, com jeitinho de Hollywood, eram quentes demais. Bebidas alcoólicas eram proibidas e até a comida americana a empresa tentou impor.

O projeto chegou a reunir 3 mil funcionários e acabou em abandono nos anos 1950. Fordlândia é hoje um distrito do município de Aveiro. O projeto de Henry Ford morreu, mas a cidade até ficou viva na fronteira agrícola da soja - bem menor que o sonho inicial. O Censo de 2010 contou 1,2 mil habitantes.

Em 2010, o Jornal Nacional contou a história de Fordlândia. Veja abaixo:

Projetos ambiciosos fracassam por falta de conhecimento da floresta
Projetos ambiciosos fracassam por falta de conhecimento da floresta

Igatu - BA

Exposição Vagalume, por Rafael Martins, retratou as ruínas de Igatu em 2014 — Foto: Rafael Martins / Divulgação
Exposição Vagalume, por Rafael Martins, retratou as ruínas de Igatu em 2014 — Foto: Rafael Martins / Divulgação

A "Machu Picchu baiana" tem ruínas que até lembram a cidade perdida dos Incas no Peru, mas são mais simples e recentes. Elas remetem à breve opulência do ciclo do diamante na Chapada Diamantina, na Bahia, no século 19.

Igatu, que hoje é distrito de Andaraí, contava 360 habitantes no censo de 2010. Os grandes garimpos são apenas lembranças dos bons tempos de fartura.

“Muito diamante. E muita gente vindo de todos os lugares para aqui. Meu pai veio de Portugal”, contou Marcionilio Sergio Machado, aposentado, ao Globo Repórter em 2014.

Em um prédio em ruínas funcionava um cassino. Seu Marcionílio não se esquece das festas. Veja a reportagem abaixo:

Moradores recordam a riqueza que brotava nas pedras de Igatu
Moradores recordam a riqueza que brotava nas pedras de Igatu

Velho Airão - AM

Velho Airão — Foto: Reprodução / Fantástico
Velho Airão — Foto: Reprodução / Fantástico

Primeiro povoado fundado pelos europeus às margens do Rio Negro, em 1694, Velho Airão recebeu padres missionários que viviam da caça e da pesca e foi um lugar pobre durante cerca de 200 anos.

O local só saiu do isolamento quando uma linha de navegação a vapor foi instalada por Visconde de Mauá no século 19, transformando o Velho Airão em um porto fluvial.

Mas o que marcou seu ápice foi o ciclo da borracha. Na década de 1920, ele viveu o seu melhor momento. Na euforia, as casas eram construídas com material europeu. Hoje, são ruínas luxuosas invadidas pela floresta.

O motivo, claro, foi o fim abrupto do ciclo da borracha. Os moradores resistiram até os anos 1960. O povoado quase desabitado deu lugar a outra cidade, o Novo Airão. O Fantástico visitou as ruínas em 2020. Veja abaixo:

'Quem Vive Ali?': a cidade que sumiu do mapa em meio à Floresta Amazônica
'Quem Vive Ali?': a cidade que sumiu do mapa em meio à Floresta Amazônica

São João Marcos - RJ

Parque Arqueológico Ambiental de São João Marcos — Foto: Reprodução/TV Rio Sul
Parque Arqueológico Ambiental de São João Marcos — Foto: Reprodução/TV Rio Sul

São João Marcos foi fundada em 1739 e já chegou, no auge do ciclo do café, a ter hospital, teatro, clubes e escolas. Hoje é apenas um parque arqueológico e ambiental.

Construída em meio à Mata Atlântica, no século 18, e próxima à barragem de Ribeirão das Lajes, a cidade precisou ser desapropriada durante o governo Getúlio Vargas, em 1940, para que a capacidade do reservatório de água e energia da então capital do país, Rio de Janeiro, pudesse ser aumentada.

O Rio garantiu água e luz, mas foi preciso desapropriar o conjunto urbano e setenta fazendas dos arredores de São João Marcos. Veja abaixo a reportagem da TV Rio Sul:

Conheça o parque arqueológico São João Marcos, em Rio Claro, RJ
Conheça o parque arqueológico São João Marcos, em Rio Claro, RJ

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sábado, 24 de abril de 2021

Crise reduz poder de compra e muda perfil de consumo da classe média

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Renda disponível para consumo da classe C cai quase 10% em cinco anos e, ao mesmo tempo, gastos básicos pesam mais no bolso por conta do alto índice de inflação e crise econômica do país.
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Por Patrícia Basilio, G1

Postado em 24 de abril de 2021 às 10h00m


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Renda disponível para consumo da classe C caiu quase 10% em cinco anos — Foto: Edson Chagas/ A Gazeta
Renda disponível para consumo da classe C caiu quase 10% em cinco anos — Foto: Edson Chagas/ A Gazeta

A classe média brasileira encolheu – e tem menos dinheiro para gastar. Nos últimos cinco anos, a renda disponível para consumo da classe C caiu quase 10%, passando de R$ 286 milhões para R$ 259 milhões, segundo levantamento realizado pela consultoria Tendências.

O orçamento mais apertado – além das restrições provocadas pela pandemia – levou a mudanças nos hábitos de consumo, que ficaram mais limitados e enxutos: roupas, carro zero, eletrodomésticos e até plano de saúde saíram do radar de muitas famílias de classe média no país.

Além da redução de renda, as famílias também sentiram no bolso a alta dos preços dos alimentos: o índice "Custo de Vida por Classes Sociais" de março aponta que a variação dos custos de alimentação das famílias da Região Metropolitana de São Paulo da classe C, em 12 meses, foi de 12,4%. Para as da classe A, foi de 9,34%, segundo dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) divulgados ao G1.

Gastos maiores, consumo menor

Com menos renda disponível e maior peso em gastos básicos, como alimentação e transporte, a grande parte da classe C tem de cortar despesas importantes, mas insustentáveis financeiramente diante do atual quadro econômico de inflação acima do teto da meta, dólar elevado, alto índice de desemprego e o chamado risco fiscal.

"Houve uma deterioração do poder de compra da classe média. Algumas famílias tiveram de fazer escolhas para pagar as contas, como reduzir a qualidade do plano de saúde, cortar o lazer e cancelar a TV por assinatura. Nem poupança elas estão conseguindo fazer mais", afirmou Guilherme Dietze, assessor econômico da FecomercioSP.

Critério de classificação econômica — Foto: Economia G1
Critério de classificação econômica — Foto: Economia G1

Na avaliação de Márcio Pochmann, professor de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a pandemia aumentou a polarização entre a classe média alta e a classe média baixa — gerando um lacuna entre a classe média tradicional.

"Com investimento público, a gente poderia reaver parte do poder de compra que perdemos. O país deve recompor parte do setor produtivo das empresas. Desde 2015, não voltamos a crescer", analisou o economia, que já foi presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Classe média compra menos e gasta mais — Foto: G1
Classe média compra menos e gasta mais — Foto: G1

Isabela Tavares, economista da Tendências Consultoria, acrescenta que 88% da classe C é composta por trabalhadores — profissionais que foram duramente impactados pelo desemprego e pelo agravamento da pandemia em 2021.

No trimestre encerrado em janeiro, por exemplo, o desemprego no Brasil ficou em 14,2%, a maior taxa já registrada para o período desde o início da pesquisa, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Com a crise, a massa da classe C deve cair 2,7% em 2021, em relação a 2020. A classe média deve ter recuperação lenta porque todo esse quadro de pandemia deve atrasar a retomada do mercado de trabalho", avaliou a economista. 
Impacto no consumo

Na hora reajustar os gastos, Isabela afirma que roupas, carro zero, alimentação fora do lar, viagens, entretenimento e eletrodomésticos acabam sendo eliminados dos gastos da "nova classe média".

De acordo com a Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores (Fenabrave), a venda de veículos novos de 2008 para 2020 caiu 23% por conta da pandemia, passando de 2 milhões para 1,6 milhão em 2020. Do primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, a retração é de 6,5% (confira gráfico abaixo).

Com o mercado de veículos novos em baixa e a economia sem previsão para retomada, a classe média está optando por carros usados e seminovos — quando essa aquisição ainda cabe no orçamento.

Impacto da 'nova classe média' no consumo — Foto: G1
Impacto da 'nova classe média' no consumo — Foto: G1

Em 2020, quando ocorreu a primeira onda da pandemia, tínhamos estoques e a indústria trabalhava sem problemas de abastecimento. Hoje, os estoques praticamente não existem, analisou Alarico Assumpção Júnior, presidente da federação.

No turismo, o número de brasileiros que viajaram por agências do setor caiu durante a crise financeira de 2015, voltou a se recuperar em 2018 e 2019, mas sofreu uma queda novamente com as restrições causadas pela pandemia da Covid-19, segundo a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa).

"O volume de passageiros transportados nos últimos dez anos foi mais regular, com reduções nos períodos mais conturbados (2015 e 2016). Ainda assim, houve um aumento de 35,83% no período, saindo de R$ 4,8 milhões em 2010 para R$ 6,52 milhões em 2019", informou a associação, em seu anuário 2021, divulgado na terça-feira (20).

Para Dietze, da FecomercioSP, será difícil recompor o poder de compra da classe média, uma vez que saímos de uma crise [de 2015] e "levamos um novo nocaute com a Covid-19". No entanto, assim que o país avançar com a vacinação em massa, ele acredita que os primeiros efeitos positivos começarão a ser sentidos na economia.

"Os efeitos serão positivos quando tivermos mais previsibilidade. Precisamos entender que uma economia de 200 milhões de habitantes não vai se recuperar de uma hora para outra. Até porque ano que vem teremos eleições. Em dois ou três anos, o cenário será mais favorável para a classe média", disse.

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sexta-feira, 23 de abril de 2021

Piscina transparente suspensa liga prédios de luxo em Londres

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A piscina externa transparente de 25 metros de comprimento, conhecida como Sky Pool, permitirá que os moradores nadem de um prédio para o outro, 10 andares acima do solo.
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Por G1

Postado em 3 de abril de 2021 às 13h00m


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Uma modelo nada em uma piscina de acrílico transparente fixada entre dois blocos de apartamentos em Embassy Gardens, em Londres.  — Foto: Justin Tallis/AFP
Uma modelo nada em uma piscina de acrílico transparente fixada entre dois blocos de apartamentos em Embassy Gardens, em Londres. — Foto: Justin Tallis/AFP

Uma piscina de acrílico transparente foi instalada entre dois blocos de um conjunto de prédios de luxo no sudoeste de Londres. O modelo inédito foi chamado de Sky Pool (piscina do céu, em tradução livre). Veja mais imagens no vídeo abaixo:

VÍDEO: Piscina transparente suspensa liga dois blocos em empreendimento na Inglaterra
VÍDEO: Piscina transparente suspensa liga dois blocos em empreendimento na Inglaterra

A instalação está no décimo andar dos dois blocos, a 35 metros de altura, e os moradores poderão passar de um edifício para o outro nadando. As laterais de acrílico têm 20 cm de espessura e a estrutura toda da piscina pesa o equivalente a 50 toneladas, além de comportar 148 mil litros de água. A fabricação foi feita no estado do Colorado, nos Estados Unidos. Confira o making of da produção da estrutura no vídeo a seguir:

VÍDEO: Veja o 'making of' da construção da piscina transparente suspensa
VÍDEO: Veja o 'making of' da construção da piscina transparente suspensa

A piscina será inaugurada oficialmente em 19 de maio.

Fotos:

Modelo nada em uma piscina de acrílico transparente fixada entre dois blocos de apartamentos em Embassy Gardens, em Londres. — Foto: Justin Tallis/AFP
Modelo nada em uma piscina de acrílico transparente fixada entre dois blocos de apartamentos em Embassy Gardens, em Londres. — Foto: Justin Tallis/AFP


Piscina de acrílico transparente fixada entre dois blocos de apartamentos em Embassy Gardens, em Londres — Foto: Justin Tallis/AFP
Piscina de acrílico transparente fixada entre dois blocos de apartamentos em Embassy Gardens, em Londres — Foto: Justin Tallis/AFP


Uma modelo nada em uma piscina de acrílico transparente fixada entre dois blocos de apartamentos em Embassy Gardens, em Londres — Foto: Justin Tallis/AFP
Uma modelo nada em uma piscina de acrílico transparente fixada entre dois blocos de apartamentos em Embassy Gardens, em Londres — Foto: Justin Tallis/AFP


Uma modelo nada em uma piscina de acrílico transparente fixada entre dois blocos de apartamentos em Embassy Gardens, em Londres — Foto: Justin Tallis/AFP
Uma modelo nada em uma piscina de acrílico transparente fixada entre dois blocos de apartamentos em Embassy Gardens, em Londres — Foto: Justin Tallis/AFP

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quinta-feira, 22 de abril de 2021

Oxigênio de submarino que sumiu com 53 a bordo pode acabar amanhã

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Equipes fazem buscas para tentar encontrar a embarcação, que desapareceu ao norte de Bali. Especialistas alertam para o risco de o KRI Nanggala-402 ter se partido.  
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Por G1  
22/04/2021 11h00 Atualizado há 36 minutos
Postado em 22 de abril de 2021 às 11h40m


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Foto de 6 de outubro de 2014 do submarino KRI Nanggala-402, da Marinha da Indonésia, navegando nas águas de Tuban, em Java Oriental — Foto: Eric Ireng/AP
Foto de 6 de outubro de 2014 do submarino KRI Nanggala-402, da Marinha da Indonésia, navegando nas águas de Tuban, em Java Oriental — Foto: Eric Ireng/AP

Em uma luta contra o tempo, a Marinha da Indonésia continua as buscas nesta quinta-feira (22) para tentar encontrar o submarino KRI Nanggala-402, que desapareceu com 53 pessoas a bordo.

"As reservas de oxigênio do submarino durante uma queda de energia são de 72 horas", informou à imprensa o comandante do Estado-Maior da Marinha indonésia, Yudo Margono.

O KRI Nanggala-402 perdeu contato com a Marinha do país enquanto realizava manobras de treinamento nas águas ao norte da ilha de Bali, após receber autorização para submergir.

Como o navio solicitou a autorização por volta das 3h de quarta no horário local (às 16h de terça em Brasília), as reservas de oxigênio podem se esgotar às 3h de sábado (16h de sexta no Brasil).

"Espero que os encontremos antes", afirmou o comandante do Estado-Maior da Marinha do país.

A Indonésia é o maior arquipélago do mundo, formado por mais de 17 mil ilhas. Bali é uma ilha e província do país, entre as ilhas de Java (a oeste) e Lombok (a leste).

O submarino KRI Nanggala-402 pesa 1.395 toneladas e foi construído na Alemanha em 1977. Ele foi incorporado à frota indonésia em 1981 e passou por uma reforma de dois anos na Coreia do Sul que foi concluída em 2012.

Vazamento de óleo no local do sumiço

Ontem, equipes de resgate encontraram um vazamento de óleo perto do local onde o submarino perdeu contato. É nessa área que as buscas se concentram.

A mancha de óleo pode sinalizar danos ao tanque do submarino, mas também pode ser uma forma de enviar uma mensagem de socorro, segundo o porta-voz da Marinha indonésia, Julius Widjojono.

Foto aérea mostra manchas de óleo no local onde o submarino emitiu seu último sinal antes de desaparecer. Operação de busca se concentra no local. — Foto: Eric Ireng/AP
Foto aérea mostra manchas de óleo no local onde o submarino emitiu seu último sinal antes de desaparecer. Operação de busca se concentra no local. — Foto: Eric Ireng/AP

Vários países ofereceram ajuda, incluindo Estados Unidos, Austrália, Índia, França e Alemanha. Os vizinhos Malásia e Singapura já enviaram barcos de apoio.

O ministro da Defesa australiano, Peter Dutton, alertou que as informações disponíveis aumentam "o medo de uma terrível tragédia".

Submarino pode ter se partido

O comandante das Forças Armadas do país, Hadi Tjahjanto, afirmou que o submarino poderia estar a 700 metros de profundidade.

O comandante das Forças Armadas da Indonésia, Hadi Tjahjanto (à esquerda), e o ministro da Defesa do país, Prabowo Subianto (à direita) durante entrevista coletiva nesta quinta (22) sobre o desaparecimento do submarino KRI Nanggala-402 — Foto: Firdia Lisnawati/AP
O comandante das Forças Armadas da Indonésia, Hadi Tjahjanto (à esquerda), e o ministro da Defesa do país, Prabowo Subianto (à direita) durante entrevista coletiva nesta quinta (22) sobre o desaparecimento do submarino KRI Nanggala-402 — Foto: Firdia Lisnawati/AP

Um porta-voz da Marinha sugeriu a hipótese de um acidente. "É possível que tenha ocorrido uma queda de energia, o que deixou o submarino fora de controle e impediu o lançamento de medidas emergenciais".

Analistas militares alertam para o risco de o submarino ter se partido caso tenha afundado a essa profundidade, pois a embarcação é capaz de descer a até 250 metros.

Antoine Beausssant, vice-almirante francês, afirmou à agência de notícias France Presse que os submarinos têm "um coeficiente de segurança". "Se ele afundou a 700 metros, há uma boa chance de que tenha se partido".

Frank Owen, diretor do Australian Submarine Institute, mostrou-se pessimista sobre as chances de resgate. "Se o submarino estiver no fundo do mar e a profundidade for grande, poucos são os meios de tirar a tripulação de lá", explicou o especialista à imprensa australiana.

Foto de arquivo do submarino da Marinha da Indonésia que desapareceu na quarta-feira (21) em Bali — Foto: Handout/INDONESIA MILITARY/AFP
Foto de arquivo do submarino da Marinha da Indonésia que desapareceu na quarta-feira (21) em Bali — Foto: Handout/INDONESIA MILITARY/AFP

Incidentes com submarinos

A Indonésia nunca havia registrado incidentes graves com seus submersíveis, mas outros países, sim.

Uma das tragédias mais conhecidas ocorreu em 2000, quando o submarino nuclear russo "Kursk" afundou enquanto fazia manobras no Mar de Barents com 118 tripulantes a bordo.

Um dos torpedos explodiu, destruindo todo o depósito de munição. Mais de 20 marinheiros sobreviveram à explosão, mas morreram porque não foram resgatados a tempo.

Em 2017, o submarino argentino San Juan desapareceu a cerca de 400 km da costa com 44 marinheiros a bordo. Ele só foi encontrado um ano depois, e todos os tripulantes morreram (veja no infográfico abaixo).

Em 2019, os restos do submarino francês Minerva, que naufragou em 1968 com 52 homens a bordo, foram encontrados no Mediterrâneo.

Ele fazia manobras a 30 km da costa de Toulon, no sudeste da França, e afundou em quatro minutos. O submergível se rompeu no fundo do mar por motivos até agora desconhecidos.

Submarino argentino é localizado  — Foto: Juliane Souza/G1
Submarino argentino é localizado — Foto: Juliane Souza/G1

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