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quinta-feira, 25 de março de 2021

IPCA-15: prévia da inflação oficial acelera para 0,93% em março

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É o maior resultado para um mês de março desde 2015. Em 12 meses, alta acumulada chega a 5,57%. Gasolina foi o item que mais pressionou a inflação no mês, com alta de 11,18%.
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Por Darlan Alvarenga, G1

Postado em 25 de março de 2021 às 11h10m


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Gasolina foi o item que mais pressionou a inflação no mês de março, com alta de 11,18%. — Foto: Pilar Olivares/Reuters
Gasolina foi o item que mais pressionou a inflação no mês de março, com alta de 11,18%. — Foto: Pilar Olivares/Reuters

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que é uma prévia da inflação oficial do país, saltou para 0,93% em março, segundo divulgou nesta quinta-feira (25) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Trata-se do maior resultado para um mês de março desde 2015 (1,24%) e da maior taxa mensal desde dezembro (1,06%).

IPCA-15: prévia da inflação oficial acelera para 0,93% em março
IPCA-15: prévia da inflação oficial acelera para 0,93% em março

O indicador teve uma forte aceleração na comparação com fevereiro, quando ficou em 0,48%.

Em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 5,57%, acima dos 4,57% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores e da meta de inflação para 2021.

IPCA-15, prévia da inflação oficial (variação mensal)   — Foto: Economia G1
IPCA-15, prévia da inflação oficial (variação mensal) — Foto: Economia G1

O resultado ficou levemente abaixo das projeções de analistas de consultorias e instituições financeiras consultados pelo Valor Data, que projetavam alta de 0,96% em março. O intervalo das estimativas era de 0,83% a 1,06%.

gasolina foi o item que mais pressionou a inflação no mês, com alta de 11,18%, representando sozinha um impacto de 0,56 ponto percentual no índice. Foi o nono mês consecutivo de alta.

Também houve alta nos outros combustíveis: etanol (16,38%), óleo diesel (10,66%e gás veicular (0,39%).

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, 8 tiveram alta em março. A maior taxa foi verificada em Transportes (3,79%), que aceleraram em relação a fevereiro (1,11%), sobretudo em decorrência do aumento nos preços dos combustíveis.

A segunda maior pressão no resultado do IPCA-15 de março veio do grupo Habitação, com alta de 0,71%. O destaque foi o gás de botijão, que aumentou 4,60% e registrou o 10º mês consecutivo de alta.

Em um ano, etanol teve alta maior que gasolina, segundo ANP
Em um ano, etanol teve alta maior que gasolina, segundo ANP

Veja o resultado para cada um dos grupos pesquisados:

  • Alimentação e bebidas: 0,12%
  • Habitação: 0,71%
  • Artigos de residência: 0,55%
  • Vestuário: 0,03%
  • Transportes: 3,79%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,24%
  • Despesas pessoais: 0,10%
  • Educação: -0,51%
  • Comunicação: 0,02%
Preço das carnes sobe 1,72%

Entre os alimentos, o destaque de alta foram as carnes (1,72%).

O grupo de alimentação e bebidas subiu 0,12% em março, desacelerando em comparação com fevereiro (0,56%). Os alimentos para consumo no domicílio caíram 0,03% após 7 meses consecutivos de alta, sobretudo por conta das quedas nos preços do tomate (-17,50%), a batata-inglesa (-16,20%), o leite longa vida (-4,50%e o arroz (-1,65%).

O custo da alimentação fora do domicílio também desacelerou em comparação com o mês anterior, registrando 0,49% em março frente 0,56% de fevereiro. O índice foi influenciado pelo lanche (0,64%) e pela refeição (0,33%), itens que, em fevereiro, aumentaram 1,20% e 0,37%, respectivamente.

Todas as regiões pesquisadas tiveram alta em março

Todas as regiões pesquisadas pelo IBGE apresentaram alta no mês. A maior foi na região metropolitana de Belém (1,49%). A menor foi na região metropolitana do Rio de Janeiro (0,52%).

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 12 de fevereiro a 15 de março de 2021 e comparados com aqueles vigentes de 15 de janeiro a 11 de fevereiro de 2021. O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e do município de Goiânia.

A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.

Perspectivas e meta de inflação

A meta central do governo para a inflação em 2021 é de 3,75%, e o intervalo de tolerância varia de 2,25% a 5,25%. Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), que agora está em 2,75% ao ano.

Os analistas das instituições financeiras projetam uma inflação de 4,71% no ano, acima da meta central do governo, conforme aponta a última pesquisa Focus do Banco Central. O mercado também elevou a expectativa para taxa Selic ao final de 2021, de 4,5% para 5% ao ano.

Em 2020, a inflação fechou em 4,52%, acima do centro da meta do governo, que era de 4%. Foi a maior inflação anual desde 2016.

Metas para a inflação estabelecidas pelo Banco Central — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1
Metas para a inflação estabelecidas pelo Banco Central — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1 


Carne bovina para o consumidor sobre quase seis vezes mais do que a inflação
Carne bovina para o consumidor sobre quase seis vezes mais do que a inflação

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quarta-feira, 24 de março de 2021

FOTOS: vulcão em erupção vira 'atração turística' na Islândia

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Curiosos têm se dirigido à Península de Reykjanes para se aproximar dos fluxos de lava do Fagradalsfjall. Erupção no sábado gerou brilho incandescente visível até na capital Reykjavik.
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Por G1

Postado em 24 de março de 2021 às 15h15m


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Mulher tira foto de lava jorrando de vulcão em erupção na península de Reykjanes, no sudoeste da Islândia, na terça-feira (23) — Foto: Marco Di Marco/AP
Mulher tira foto de lava jorrando de vulcão em erupção na península de Reykjanes, no sudoeste da Islândia, na terça-feira (23) — Foto: Marco Di Marco/AP

A erupção de um vulcão na Islândia tem atraído curiosos na Península de Reykjanes, no sudoeste do país.

Uma multidão tem tentado chegar perto dos fluxos de lava em Geldingadalur, perto da capital Reykjavik.

A erupção do vulcão Fagradalsfjall na noite de sexta-feira (19) gerou imagens impressionantes e um brilho incandescente visível até na capital (veja abaixo).

Vista aérea do domingo (21) do vulcão Fagradalsfjall, na Península de Reykjanes, na Islândia — Foto: Cat Gundry-Beck/Reuters
Vista aérea do domingo (21) do vulcão Fagradalsfjall, na Península de Reykjanes, na Islândia — Foto: Cat Gundry-Beck/Reuters


Vulcão entra em erupção perto da capital da Islândia
Vulcão entra em erupção perto da capital da Islândia

O serviço meteorológico alertou o público no sábado (20) sobre queda de pedras e deslizamentos de terra quando começou a erupção, que não é vista como uma ameaça às cidades vizinhas.

Ela começou após a área ter registrado mais de 50 mil tremores nas últimas três semanas. Poucas horas antes, um terremoto de magnitude 3,1 foi identificado a 1,2 km do vulcão.

Curiosos assistem e tiram fotos de vulcão na Islândia enquanto a lava flui da erupção na península de Reykjanes na terça-feira (23) — Foto: Marco Di Marco/AP
Curiosos assistem e tiram fotos de vulcão na Islândia enquanto a lava flui da erupção na península de Reykjanes na terça-feira (23) — Foto: Marco Di Marco/AP


Lava de erupção de um vulcão na Península de Reykjanes, no sudoeste da Islândia, no sábado (20) — Foto: Marco Di Marco/AP
Lava de erupção de um vulcão na Península de Reykjanes, no sudoeste da Islândia, no sábado (20) — Foto: Marco Di Marco/AP

O vulcão Fagradalsfjall estava há muito tempo adormecido e sua erupção não deve interferir nos voos, segundo o serviço meteorológico.

Em 2010, a erupção de outro vulcão, o Eyjafjallajokull, interrompeu o tráfego aéreo em toda a Europa.

Pessoa em frente ao local do vulcão na Península de Reykjanes no domingo (21), na Islândia, após a erupção de sexta-feira (19) — Foto: Cat Gundry-Beck/Reuters
Pessoa em frente ao local do vulcão na Península de Reykjanes no domingo (21), na Islândia, após a erupção de sexta-feira (19) — Foto: Cat Gundry-Beck/Reuters

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Meganavio encalha no Canal de Suez e causa congestionamento naval; veja vídeo

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Um cargueiro de 220 mil toneladas e 400 metros de comprimento foi atingido por uma rajada de vento e encalhou em uma das principais passagens náuticas do mundo.
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Por G1

Postado em 24 de março de 2021 às 11h00m


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VÍDEO: Meganavio encalha e causa trânsito náutico no Canal de Suez, no Egito
VÍDEO: Meganavio encalha e causa trânsito náutico no Canal de Suez, no Egito

Um grande navio de carga encalhou na terça-feira (24) no Canal de Suez, no Egito, depois de ter sido atingido por uma rajada de vento, e causou um grande congestionamento naval no canal, uma das passagens mais importantes para o comércio mundial.

O canal seguia bloqueado nesta quarta-feira. Oito barcos menores tentavam rebocar o cargueiro.

Detalhe do meganavio que encalhou no Canal de Suez, no Egito, em 23 de março de 2021 — Foto: Suez Canal Authority/Reuters
Detalhe do meganavio que encalhou no Canal de Suez, no Egito, em 23 de março de 2021 — Foto: Suez Canal Authority/Reuters

O navio chama-se Ever Given, pesa 220 mil toneladas e tem 400 metros de comprimento e, por essas dimensões, é considerado um meganavio.

O Ever Given, que foi construído em 2018 tinha como destino o porto de Rotterdam, na Holanda.

Imagem aérea mostra cargueiro encalhado no Canal de Suez, em 23 de março de 2021 — Foto: Planet Labs Inc./AP
Imagem aérea mostra cargueiro encalhado no Canal de Suez, em 23 de março de 2021 — Foto: Planet Labs Inc./AP

O Ever Given está encalhado no sul do canal. Já houve tentativas de recolocá-lo em flutuação, mas isso não aconteceu.

Inicialmente, pensou-se que o navio tinha ficado sem energia, mas a empresa que o opera, a Evergreen Marine Corp, afirmou que o cargueiro encalhou depois de uma rajada de vento.

Imagem do barco que está encalhado no Canal de Suez — Foto: Suez Canal Authority/AP
Imagem do barco que está encalhado no Canal de Suez — Foto: Suez Canal Authority/AP

Meteorologistas do Egito afirmaram que, de fato, houve fortes ventos na terça-feira, que chegaram a 50 km/h.

A tripulação está segura, disse nesta quarta-feira a empresa Bernhard Schulte Shipmanagement, que gerencia o cargueiro. Não houve vazamento de óleo.

Foto do cargueiro Ever Given, que encalhou no Canal de Suez — Foto: Axel Rutte/AP
Foto do cargueiro Ever Given, que encalhou no Canal de Suez — Foto: Axel Rutte/AP

Canal bloqueado

O navio bloqueou o canal. Isso pode ter um efeito significativo no tráfego entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho, afirmou, na quarta-feira, Salvatore Mercogliano, um ex-marinheiro mercantil e professor de história da Universidade Campbell, nos Estados Unidos.

"Todos os dias, cerca de 50 navios passam pelo canal", disse ele. O professor afirma que cada dia que o canal fica fechado implica atrasos na entrega de comida, combustível e produtos industrializados que são comercializados entre a Europa e a Ásia.

Imagem do site Vesselfinder mostra trânsito no Canal de Suez na quarta-feira (24) — Foto: Reprodução/Vesselfinder.com
Imagem do site Vesselfinder mostra trânsito no Canal de Suez na quarta-feira (24) — Foto: Reprodução/Vesselfinder.com

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terça-feira, 23 de março de 2021

Arqueólogos descobrem mural pré-hispânico de 3,2 mil anos no Peru

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Descoberta ocorreu por acaso há 2 semanas em um terreno agrícola no norte do país. Parte do patrimônio foi destruído por agricultores que semearam abacates e cana-de-açúcar no terreno.
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TOPO
Por France Presse

Postado em 23 de março de 2021 às 12h15m


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Mural foi encontrado em terreno agrícola da região de La Libertad, no norte do Peru — Foto: Andina/AFP
Mural foi encontrado em terreno agrícola da região de La Libertad, no norte do Peru — Foto: Andina/AFP

Um mural pré-hispânico de mais de 3,2 mil anos foi descoberto em um centro cerimonial parcialmente destruído por agricultores no norte do Peru, anunciaram arqueólogos peruanos.

"Encontramos casualmente um mural de mais de 3,2 mil anos de idade em uma 'huaca' pré-hispânica, situada em um terreno agrícola da região de La Libertad", disse o arqueólogo Feren Castillo à agência de notícias France Presse.

A pintura fica sobre um fundo branco e os desenhos das figuras se destacam pelas cores ocre, amarela, cinza e branca.

"O mural com a figura de uma aranha com uma faca se encontra em um edifício de aproximadamente 15 metros de diâmetro por 5 metros de altura'", detalhou Castillo.

Arqueólogos descobrem mural feito há 3,2 mil anos no Peru — Foto: Andina/ AFP
Arqueólogos descobrem mural feito há 3,2 mil anos no Peru — Foto: Andina/ AFP

A aranha é uma divindade própria da cultura Cupisnique e aparece com mais frequência em seus vasos e pratos de pedra. A imagem é associada à fertilidade.

Descoberta por Rafael Larco em 1930, a cultura Cupisnique se desenvolveu durante a Época Formativa, há 3 mil anos, nos vales de Virú e na região de Lambayeque.

"Uma das evidências desta estrutura arqueológica é que sua localização é estratégica por estar perto do rio. A iconografia que estamos observando a olho nu, porque ainda não foram feitas pesquisas, é que foi um templo dedicado às divindades da água", disse à agência Andina o arqueólogo Régulo Franco.

Franco é conhecido por encontrar o fardo funerário da Senhora de Cao, considerada uma das mulheres mais poderosas do período pré-hispânico.

Patrimônio sendo destruído

A descoberta ocorreu por acaso há duas semanas, em um terreno agrícola em um vale na província de Virú, na região de La Libertad, a 500 km ao norte de Lima.

No terreno, com apoio de máquinas, agricultores semearam abacates e cana-de-açúcar, destruindo parte do patrimônio.

"Nós pedimos ao ministério da Cultura que intervenha, mas com a pandemia é difícil", afirmou Castillo.

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domingo, 21 de março de 2021

Com aumento de incertezas, pessimismo com a economia já atinge estimativas para 2022

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Alguns analistas apontam que economia brasileira terá dificuldade para crescer mais de 2% no próximo ano. País enfrenta quadro de piora fiscal, lida com aumento de juros e incerteza política e vê cenário externo mais desafiador.
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Por Luiz Guilherme Gerbelli, G1
21/03/2021 10h29 
Postado em 21 de março de 2021 às 13h30m


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Depois do tombo de 4,1% no PIB no ano passado, a expectativa era que a economia mostrasse uma recuperação significava este ano e no próximo. Mas o pessimismo está se alastrando, e não se restringe a este ano: nas últimas semanas, parte dos bancos e das consultorias começou a revisar para baixo a projeção para o desempenho para 2022.

No relatório Focus, do Banco Central, os analistas consultados projetam que a atividade econômica deve crescer 2,5% no ano que vemMas já há economistas que avaliam que o PIB deve ter dificuldade para superar o patamar de 2% no próximo ano.

O banco Itaú, por exemplo, reduziu a projeção de crescimento de 2022 de 2,5% para 1,8%. Num movimento similar, a consultoria MB Associados diminuiu de 2,4% para 1,8% a previsão de alta do PIB.

A dificuldade prevista para 2022 se soma a um cenário de bastante cautela já presente neste ano diante do descontrole da pandemia de coronavírus. Com a disparada de mortes provocadas pela Covid-19 e o lento ritmo de vacinação, os economistas avaliam que o PIB deve crescer pouco mais de 3% em 2021, sem recuperar as perdas de 2020.

São vários os fatores que têm contribuído para uma visão mais pessimista para o Brasil no médio prazo. Nessa lista estão a piora fiscal enfrentada pelo país, o aumento da taxa de juros, a incerteza com a eleição presidencial do próximo ano e o comportamento da economia global.

Por ora, os efeitos diretos da pandemia de coronavírus, como a abertura e fechamento de atividades consideradas não essenciais, não são vistos como uma grande ameaça para 2022. A expectativa é que a economia comece um processo de reabertura mais consistente a partir do segundo semestre de 2021. Mas, se o Brasil falhar no ritmo de vacinação, o cenário para o próximo ano pode ser ainda mais difícil.

Piora fiscal

A situação das contas públicas tem preocupado analistas desde 2014, quando o endividamento do país passou a crescer.

No ano passado, com todas as medidas adotadas para mitigar o avanço da pandemia de coronavírus, a dívida bruta do Brasil chegou a 89,3% do PIB – o patamar é considerado elevado para uma economia emergente como brasileira.

Com o descontrole da pandemia e a lenta vacinação, a dívida bruta deve crescer ainda mais em 2021 diante da necessidade do governo de socorrer famílias e empresas afetadas pela crise sanitária. Embora haja espaço no orçamento, a equipe econômica decidiu, por exemplo, bancar a nova rodada do Auxílio Emergencial com crédito extraordinário, ou seja, com mais endividamento. Neste ano, o benefício deve custar R$ 44 bilhões.

A expectativa de piora das contas públicas e a falta de clareza com o futuro das finanças do país preocupam e afastam os investidores. Como consequência, a percepção de risco sobre a economia brasileira cresce, desencadeando uma desvalorização do real e um aumento da inflação.

"O principal ponto é o problema fiscal do Brasil", diz Luka Barbosa, economista do banco Itaú. "O país tem uma dívida pública muito elevada para um país emergente. Esse problema eleva o prêmio de risco da economia brasileira, faz a taxa de câmbio depreciar, aumenta a inflação e torna necessária a subida de juros." 
Alta dos juros

Na quarta-feira (17), o BC deu início ao ciclo de alta da taxa básica de juros. O Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu boa parte dos analistas e aumentou a Selic em 0,75 ponto percentual, para 2,75% ao ano – a aposta majoritária era de uma subida de 0,50 ponto.

Juros mais alto encarem a tomada de crédito, afetando o consumo das famílias e os investimentos das empresas.

Copom eleva taxa básica de juros de 2% para 2,75% ao ano
Copom eleva taxa básica de juros de 2% para 2,75% ao ano

Mesmo com uma atividade enfraquecida, o Banco Central tem sido pressionado pela inflação. Em fevereiro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 5,2% em 12 meses e ficou próximo do teto da meta do governo, que é de 5,25%.

Nas projeções da consultoria MB Associados, a Selic deve encerrar este ano em 5,5% e vai chegar a 6,5% em 2022.

"O aumento dos juros tira efeitos de crescimento especialmente de consumo e investimento", afirma o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale. "O setor imobiliário, por exemplo, que se beneficiou da taxa de juros a 2% terá na taxa de 5,5% e 6,5% um momento mais difícil para vendas financiadas." 
Dúvida eleitoral

Com tantos problemas na economia, o Brasil caminha para a próxima a eleição presidencial com uma serie de desequilíbrios. No debate político, a principal dúvida será como o país vai encaminhar uma agenda de reformas, sobretudo na área fiscal, para acertar as contas públicas.

Por ora, na leitura dos analistas, os principais candidatos serão o atual presidente Jair Bolsonaro e o petista Luiz Inácio Lula da Silva, que passou a ser elegível no início deste mês.

"O cenário eleitoral deve se consolidar numa disputa entre Bolsonaro e Lula. A gente acha bastante difícil uma construção de centro porque não está fácil achar um nome", afirma Alessandra Ribeiro, economista e sócia da consultoria Tendências.

Os dois candidatos despertam incerteza. Depois de mudar o comando da Petrobras, o mercado passou a questionar se Bolsonaro vai adotar uma posição intervencionista na economia e, para o futuro, qual será a cara da equipe econômica num eventual segundo mandato. Na quinta-feira (18), uma nova névoa sobre o rumo da política econômica. Foi a vez de André Brandão deixar o cargo de presidente do Banco do Brasil.

André Brandão renuncia e governo indica diretor de consórcios à presidência do BB
André Brandão renuncia e governo indica diretor de consórcios à presidência do BB

Com Lula, a dúvida também é qual deve ser a cara do programa econômica apresentado pelo petista se ele participar da disputa.

"O cenário de 2022 vai ser de bastante volatilidade e de aumento de riscos, seja por essas potenciais novas políticas (econômicas) do Bolsonaro e, claro, pela disputa eleitoral, com uma dúvida de qual será a política apresentada pelo Lula", diz Alessandra.

A consultoria Tendências projeta que o PIB de 2022 deve crescer 2,5%, mas, diante de todas as incertezas, avalia que há um risco dessa previsão ser revisada para baixo.

"A questão é se haverá uma condução da política minimamente responsável", afirma Marcelo Fonseca, economista do Opportunity Total. "O sistema político tem de entender que é a solvência do estado brasileiro que está em xeque." 
Cenário externo

O Brasil também lida com um cenário internacional mais desafiador.

Com a economia dos Estados Unidos dando sinais de aquecimento, o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) pode promover um aumento das taxas de juros antes do esperado pelo mercado com o objetivo de controlar a inflação.

FED mantém taxa de juros e faz previsões otimistas para a econmia dos EUA
FED mantém taxa de juros e faz previsões otimistas para a econmia dos EUA

Uma alta dos juros nos EUA tem potencial para atrair recursos aplicados em economias consideradas mais arriscadas, como a brasileira.

"É mais um fator de incerteza, e os países que apresentam riscos maiores vão sofrer muito mais", diz Alessandra, da Tendências.

O governo do presidente Joe Biden conseguiu aprovar um pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão, o que deve dar um fôlego extra para a economia norte-americana.

Na quarta-feira (19), o Fed decidiu manter as taxas de juros próximas de zero até 2024 e aumentou a projeção de crescimento para este ano de 4,5% para 6,5%.

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