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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Economistas do mercado elevam estimativa de inflação para 3,20% em 2020

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Projeção anterior era de 3,02%. Economistas ouvidos pelo Banco Central ainda reduziram a previsão de queda do PIB neste ano, para 4,80%.  
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Por Alexandro Martello, G1 — Brasília  
09/11/2020 08h35 Atualizado há 3 horas
Postado em 09 de novembro de 2020 às 11h40m


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Os economistas do mercado financeiro elevaram sua estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, de 3,02% para 3,20% em 2020. Essa foi a décima terceira alta seguida no indicador.

A expectativa faz parte do boletim de mercado conhecido como relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Banco Central (BC). Os dados foram levantados na semana passada em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

No decorrer do ano, com a pandemia do novo coronavírus e a recessão na economia brasileira, o mercado baixou a estimativa de inflação. Nos últimos meses, porém, com a alta do dólar e com a retomada da economia, os preços voltaram a subir.

Em setembro, a inflação oficial do país avançou 0,64%, a maior alta para o mês desde 2003. Em outubro, subiu para 0,86%, a maior desde 2002.

Apesar da alta, a expectativa de inflação do mercado para este ano segue abaixo da meta central, de 4%, e acima do piso do sistema de metas, que é de 2,5% em 2020.

Pela regra vigente, o IPCA pode oscilar de 2,5% a 5,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. Quando a meta não é cumprida, o BC tem de escrever uma carta pública explicando as razões.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).

Para 2021, o mercado financeiro subiu de 3,11% para 3,17% sua previsão de inflação. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Retração da economia

Sobre o comportamento da economia brasileira em 2020, os economistas do mercado financeiro baixaram sua estimativa de tombo do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,81% para 4,80% na semana passada.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

PREVISÕES DO MERCADO PARA O PIB DE 2020
(EM %)
04/01/201929/03/201905/06/201901/08/201920/11/201919/02/202013/03/202027/03/202009/04/202024/04/202008/05/202022/05/202005/06/202019/06/202003/07/202017/07/202031/07/202014/08/202028/08/202011/09/202025/09/202009/10/202023/10/202006/11/20200-7,5-5-2,52,55
Fonte: BANCO CENTRAL

Na última semana, o mercado baixou de 3,34% para 3,31% a estimativa de expansão do PIB para 2021.

A expectativa para o nível de atividade foi feita em meio à pandemia do novo coronavírus, que tem derrubado a economia mundial e colocado o mundo no caminho de uma recessão. Nos últimos meses, porém, indicadores têm mostrado uma retomada da economia brasileira.

  • Taxa básica de juros

Após a manutenção da taxa básica de juros em 2% ao ano no fim de outubro, o mercado segue prevendo estabilidade na Selic neste patamar até o fim deste ano.

Para o fim de 2021, a expectativa do mercado ficou estável em 2,75% ao ano. Isso quer dizer que os analistas seguem estimando alta dos juros no ano que vem.

Outras estimativas

  • Dólar: a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2020 permaneceu estável em R$ 5,45. Para o fechamento de 2021, continuou em R$ 5,20 por dólar.
  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção em 2020 caiu de US$ 58,70 bilhões para US$ 57,90 bilhões de resultado positivo. Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado permaneceu em US$ 55 bilhões de superávit.
  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano continuou em US$ 50 bilhões. Para 2021, a estimativa permaneceu estável em US$ 65 bilhões.
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Após vitória de Biden, dólar tem dia de volatilidade e fecha estável

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Nesta segunda-feira (9), moeda dos EUA fechou estável, com recuo de 0,08%, cotada a R$ 5,3877.  
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Por G1  
09/11/2020 09h04 Atualizado há 25 minutos
Postado em 09 de novembro de 2020 às 10h00m



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Notas de dólar — Foto: REUTERS/Dado Ruvic
Notas de dólar — Foto: REUTERS/Dado Ruvic

O dólar teve um dia de volatilidade nesta segunda-feira (9) e fechou estável (recuo de 0,08%), cotado a R$ 5,3877, com a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais americanas, apesar da recusa de Donald Trump a reconhecer a derrota. Também impactou análise preliminar que apontou que a vacina da Pfizer contra Covid-19 é mais de 90% eficaz.

Na mínima do dia, a moeda norte-americana chegou a R$ 5,2247 e na máxima, a R$ 5,4252. Veja mais cotações.

Na parcial do mês, o dólar acumula queda de 6,10%. No ano, ainda tem alta de 34,36%.

 
Cenário externo e local

"Há coisas boas e ruins (para os mercados financeiros) com a vitória de Biden, mas ao menos o risco de um processo eleitoral prolongado desapareceu", declarou Shoji Hirakawa, estrategista do Instituto de Pesquisas Tokai Tokio.

Os mercados repercutiam também o anúncio da Pfizer, informando que sua vacina experimental é mais de 90% eficaz na prevenção à Covid-19, segundo dados iniciais do estudo da fase 3.

"Isto é muito importante (notícia) porque valida a visão do mercado de que a economia e os resultados podem voltar àquele caminho de crescimento que tinham antes da crise (COVID-19) ter ocorrido", disse Andrea Cicione, chefe de estratégia da TS Lombard de Londres.

O otimismo vem dominando os mercados desde quarta-feira da semana passada, com os investidores aliviados com os resultados das eleições nos Estados Unidos, diante da percepção de que o equilíbrio de poder que se perfila entre republicanos e democratas no Congresso dificultará a execução de grandes mudanças, incluindo um aumento de impostos, um endurecimento das regulamentações ou controle mais rigoroso de grandes empresas.

Entre os investidores, há também a percepção de que as políticas de Biden colaborariam para um dólar globalmente mais fraco, principalmente com a expectativa de aprovação de novas medidas de auxílio fiscal na maior economia do mundo, o que pode dar apoio a moedas de países emergentes.

Embora o índice do dólar contra uma cesta de moedas fortes apresentasse leve alta de 0,12%, a divisa norte-americana apresentava amplas perdas contra algumas das principais moedas arriscadas, como peso mexicano, lira turca, rand sul-africano e dólar australiano.

Biden disse que convocará uma força-tarefa sobre coronavírus nesta segunda-feira para examinar o problema número 1 que enfrentará quando assumir o cargo em janeiro.

Na agenda de indicadores domésticos, os economistas do mercado financeiro elevaram sua estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, de 3,02% para 3,20% em 2020. Já a projeção para tombo do PIB no ano foi revisada de 4,81% para 4,80%. O mercado segue prevendo estabilidade na Selic em 2% ano até o fim de 2020 e taxa de câmbio de R$ 5,45 no final do ano.

Por aqui, permanecem, porém preocupações em torno da trajetória da dívida pública, com os investidores à espera de uma indicação clara sobre se o governo respeitará ou não seu teto de gastos. A principal dúvida é sobre como um pacote de auxílio social seria financiado diante de um orçamento apertado para 2021, e se o governo conseguirá dar prosseguimento à agenda de reformas estruturais.

Esse cenário, somado ao patamar extremamente baixo da taxa Selic e a um crescimento econômico fraco, ajudam a explicar a forte alta dólar no ano ante o real.

Biden promete criar força-tarefa para combater a nova onda de Covid-19 nos EUA
Biden promete criar força-tarefa para combater a nova onda de Covid-19 nos EUA


Variação do dólar em 2020 — Foto: G1
Variação do dólar em 2020 — Foto: G1

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sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Inflação acelera para 0,86% em outubro, maior alta para o mês desde 2002

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No acumulado no ano, IPCA registra avanço de 2,22% e, em 12 meses, de 3,92%, ainda abaixo da meta central do governo para o ano, que é de 4%. Alta no mês foi puxada por alimentos como arroz (13,36%) e óleo de soja (17,44%), e pelas passagens aéreas (39,83%).  
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Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1 
06/11/2020 09h01 Atualizado há uma hora
Postado em 06 de novembro de 2020 às 10h15m


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Inflação sobe 0,86% em outubro
Inflação sobe 0,86% em outubro

Puxado pela alta nos preços dos alimentos e das passagens aéreas, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, avançou 0,86% em outubro, acima da taxa de 0,64% registrada em setembro, divulgou nesta sexta-feira (6) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Trata-se da maior alta para o mês desde 2002, quando a taxa foi de 1,31%, e também da maior taxa desde dezembro de 2019, quando avançou 1,15%. Em outubro de 2019, a variação havia sido de 0,10%.

No acumulado em 2020, o IPCA passou a registrar alta de 2,22% e, em 12 meses, de 3,92%, acima dos 3,14% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Com a forte aceleração, a inflação de 12 meses está agora apenas 0,08 ponto percentual abaixo do centro da meta de inflação do governo para este ano, que é de 4%.

IPCA - Inflação oficial mês a mês — Foto: Economia G1
IPCA - Inflação oficial mês a mês — Foto: Economia G1

O resultado ficou ligeiramente acima do esperado. A mediana das projeções de 35 consultorias e instituições financeiras consultadas pelo Valor Data era de uma taxa de 0,84%.

Alimentos seguem pressionando

A maior variação (1,93%) e o maior impacto (0,39 ponto percentual) na inflação vieram, mais uma vez, do grupo alimentação e bebidas, embora tenha desacelerado sobre o avanço de 2,28% registrado em setembro. No ano, a inflação dos alimentos acumula alta de 9,37%.

Entre os itens que mais subiram, destaque para alimentos como o arroz (13,36%, após alta de 17,98% em setembro), óleo de soja (17,44%, após avanço de 27,54% em setembro) e carnes (4,25%, após alta de 4,53% em setembro).

Houve aceleração na variação de itens como tomate (de 11,72% em setembro para 18,69% em outubro), frutas (de -1,59% para 2,59%) e batata-inglesa (de -6,30% para 17,01%). No lado das quedas, os destaques foram os preços da cebola (-12,57%), da cenoura (-6,36%) e do alho (-2,65%).

O que tem puxado a inflação nesses dois últimos meses principalmente são os alimentos. Alguns alimentos, em particular, têm pressionado essa alta, que são o arroz e o óleo de soja, mas tem também as carnes. Em geral, [essa alta] está relacionada à oferta, com influência da alta do dólar sobre as exportações, disse o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov, citando também a contribuição do auxílio emergencial do governo na renda das famílias.

O segundo maior impacto (0,24 ponto percentual) no IPCA de outubro veio dos transportes (1,19%), enquanto a segunda maior variação veio dos artigos de residência (1,53%), com a alta de 2,38%, nos preços dos eletroeletrônicos e dos artigos de informática, influenciados pelo dólar.

Veja o resultado para cada um dos 9 grupos pesquisados

  • Alimentação e bebidas: 1,93%
  • Habitação: 0,36%
  • Artigos de residência: 1,53%
  • Vestuário: 1,11%
  • Transportes: 1,19%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,28%
  • Despesas pessoais: 0,19%
  • Educação: -0,04%
  • Comunicação: 0,21%
Alta de preços fica mais generalizada

Dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados, 8 apresentaram alta em outubro. A única queda foi no grupo educação (-0,04%).

"Podemos dizer que as altas de preços estão mais difundidas entre os componentes do IPCA", destacou Kislanov, citando o índice de difusão do IPCA, que avançou de 63% em setembro para 68% em outubro.

O índice de difusão indica o espalhamento da alta de preços entre os produtos pesquisados pelo IBGE. Em maio, esse indicador era de 43% e desde então mantém trajetória ascendente.

IPCA de serviços em outubro — Foto: Economia/G1
IPCA de serviços em outubro — Foto: Economia/G1

Já a inflação dos serviços avançou de 0,17% em setembro para 0,55% em outubro, a maior variação desde fevereiro, quando o indicador foi de 0,68%, reforçando a leitura de uma alta de preços mais disseminada pela economia.

"Pode ser que a gente esteja em um momento de retomada econômica, por causa de alguns indicadores, como o da indústria, que zerou as perdas da pandemia. Mas, ainda estamos em um cenário muito incerto, a exemplo da taxa de desemprego acima de 14%. Então, ainda precisamos aguardar", ponderou o pesquisador. 
Passagens aéreas sobem 39,83%

No grupo dos transportes, a maior variação veio das passagens aéreas (39,83%), que representaram o impacto individual no índice do mês (0,12 p.p.) e o maior fator de pressão na aceleração da inflação de serviços.

A alta nas passagens aéreas parece estar relacionada à demanda, já que com a flexibilização do distanciamento social, algumas pessoas voltaram a utilizar o serviço, o que impacta a política de preços das companhias aéreas, afirmou Kislanov.

A segunda maior contribuição no grupo (0,04 p.p.) veio da gasolina, cujos preços subiram 0,85%, desacelerando em relação à alta de 1,95% observada no mês anterior. Outro destaque foi o seguro voluntário de veículo, com aumento de 2,21%, após sete meses consecutivos de quedas.

Inflação tem alta em todas as regiões

O IPCA avançou, na passagem de setembro para outubro, em todas as 16 regiões pesquisadas pelo IBGE. Em apenas seis delas, o avanço foi menor que a média nacional. A maior alta foi registrada em Rio Branco (1,37%).

Segundo o IBGE, a inflação na capital acreana foi puxada pelos alimentos, sobretudo das carnes (9,24%) e do arroz (15,44%). Já o menor índice foi observado na região metropolitana de Salvador (0,45%), que sofreu influência da queda nos preços da gasolina (-2,32%).

Inflação tem alta em outubro em todas as regiões pesquisadas pelo IBGE — Foto: Economia/G1
Inflação tem alta em outubro em todas as regiões pesquisadas pelo IBGE — Foto: Economia/G1

Perspectivas e meta de inflação

Embora o índice de inflação oficial permaneça sob controle no país, a alta do custo de vida tem pesado mais no bolso dos mais pobres. O índice da FGV que mede a variação de preços de produtos e serviços para famílias com renda entre um e 2,5 salários mínimos, por exemplo, acumula alta de 3,86% no ano e 4,54% nos últimos 12 meses.

Apesar da disparada nos alimentos nos últimos meses, a expectativa de inflação para este ano ainda segue abaixo da meta central do governo, de 4%, embora acima do piso do sistema de metas, que é de 2,5% em 2020.

"Chama atenção a elevada dispersão da inflação. Cada vez mais produtos apresentam alta em relação ao mês anterior, sugerindo assim que os preços estão mais contaminados pelos choques que ocorreram este ano e que se espraiam agora de maneira mais disseminada", escreveu em nota para clientes o economista André Perfeito, da Necton.

Os analistas das instituições financeiras projetam um IPCA de 3,02% em 2020, conforme a última pesquisa Focus do Banco Central.

Já o Itaú passou a estimar inflação de 3,41% no ano. "As próximas leituras do IPCA devem seguir pressionadas pela inflação de alimentos e de alguns itens industriais, com destaque para artigos de casa, eletroeletrônicos e vestuário. Projetamos variação de 0,47% em novembro e 0,70% em dezembro", informou o banco em relatório..

Pela regra vigente, o IPCA pode oscilar de 2,5% a 5,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), atualmente em 2% – mínima histórica.

Nos últimos meses, com a alta do dólar e recuperação da atividade econômica, os preços passaram a subir num ritmo mais acelerado, principalmente alimentos.

Na ata da última reunião do Copom, o Banco Central avaliou que pressão sobre a inflação é 'temporária' e espera 'reversão' na alta de preços. O BC endureceu, porém, a mensagem sobre o eventual espaço para cortar a taxa básica de juros e frisou estar atento à piora do quadro fiscal do país e as implicações do aumento da dívida pública para a política monetária.

Para 2021, o mercado financeiro subiu de 3,10% para 3,11% sua previsão de inflação. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Metas para a inflação estabelecidas pelo Banco Central — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1
Metas para a inflação estabelecidas pelo Banco Central — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1


Copom diz que pressão sobre a inflação é 'temporária'
Copom diz que pressão sobre a inflação é 'temporária'

INPC de outubro sobe 0,89

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), índice de referência para reajustes salariais e benefícios previdenciários, subiu 0,89%, acima dos 0,87% registrados em setembro. Trata-se do maior resultado para um mês de outubro desde 2010, quando o índice foi de 0,92%.

No ano, o INPC acumula alta de 2,95% e, nos últimos 12 meses, de 4,77%, acima dos 3,89% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em outubro de 2019, a taxa foi de 0,04%.

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quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Trump x Biden: as disputas e polêmicas de outras eleições presidenciais nos EUA

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TOPO
Por BBC  
05/11/2020 12h53 Atualizado há 41 minutos
Postado em 05 de novembro de 2020 às 13h45m


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Em 1960, Richard Nixon perdeu a eleição para o senador democrata John F. Kennedy — Foto: Getty Images/BBC
Em 1960, Richard Nixon perdeu a eleição para o senador democrata John F. Kennedy — Foto: Getty Images/BBC

Independentemente do resultado da eleição presidencial nos Estados Unidos, parece provável que o pleito entre democratas e republicanos acabe no tribunal.

Ao se declarar vencedor em um discurso durante a madrugada, ainda sem o resultado oficial das urnas, o presidente Donald Trump disse que vai contestar os resultados das eleições. Também afirmou que está convencido de que a Suprema Corte americana tomará a decisão final. Enquanto isso, o candidato presidencial democrata, Joe Biden, tem uma equipe de advogados preparada para travar uma possível batalha judicial.

As mudanças sem precedentes nos procedimentos de votação devido à pandemia do coronavírus criaram oportunidades para os candidatos suspeitarem de fraudes. Os republicanos argumentaram que estender os prazos para recebimento e contagem das cédulas levará a uma confusão e fraude, enquanto os democratas acreditam que os republicanos estão trabalhando ativamente para privar os eleitores do direito de votar.

Se algum dos candidatos se recusar a aceitar os resultados, não será a primeira vez que confusão e alegações de fraude dominam os dias e semanas subsequentes às eleições dos Estados Unidos.

Os pleitos de 1876, 1888, 1960 e 2000 estão entre os mais disputadas da história do país. Em cada caso, o candidato e o partido perdedores reagiram aos resultados de maneira diferente.

1876: um acordo que teve um preço

Em 1876, onze anos após o fim da Guerra Civil americana, todos os Estados confederados foram readmitidos na União e a reconstrução do país estava em pleno andamento. Os republicanos tinham mais apoio nas áreas sindicalizadas do norte e nas regiões afro-americanas do sul, enquanto a força democrata se concentrava nos Estados brancos do sul e nas áreas do norte que não apoiaram a guerra civil.

Naquele ano, os republicanos escolheram como candidato à presidência o então governador de Ohio, Rutherford B. Hayes, e os democratas nomearam o governador de Nova York, Samuel Tilden, como seu candidato presidencial.

Mas no dia da eleição houve episódios generalizados de intimidação contra eleitores republicanos afro-americanos no sul. Três Estados do sul, Flórida, Louisiana e Carolina do Sul, tinham conselhos eleitorais dominados pelos republicanos. Nesses três Estados, alguns resultados iniciais pareciam indicar vitórias do candidato democrata Tilden.

Porém, por causa de acusações generalizadas de intimidação e fraude, as juntas eleitorais invalidaram votos suficientes para dar os Estados — e seus votos — a Hayes. Com votos de todos os três Estados, Hayes conquistaria a maioria do Colégio Eleitoral.

Rutherford B. Hayes venceu as eleições depois de uma disputa mediada pelo Congresso — Foto: Getty Images/BBC
Rutherford B. Hayes venceu as eleições depois de uma disputa mediada pelo Congresso — Foto: Getty Images/BBC

Assim, em janeiro de 1877, o Congresso recebeu duas contagens diferentes, com resultados opostos, de modo que a Câmara votou pela criação de uma comissão bipartidária: 15 membros do Congresso e magistrados do Supremo Tribunal Federal determinariam como atribuir os votos eleitorais dos três Estados em disputa. Sete comissários seriam republicanos, sete democratas e haveria um juiz independente, David Davis, de Illinois.

Davis, que havia sido escolhido pelos democratas de Illinois para servir no Senado (na época, os senadores ainda não eram eleitos diretamente pelos eleitores), renunciou à comissão. Ele foi substituído pelo juiz republicano Joseph Bradley, que se juntou a uma maioria republicana de 8-7 que concedeu todos os votos disputados a Hayes.

Os democratas optaram por não lutar contra esse resultado final por causa do "Compromisso de 1877". Esse acordo permitia que, em troca da entrega da Casa Branca a Hayes, fosse finalizada a reconstrução e a ocupação militar do Sul.

O resultado final foi um único mandato presidencial de Hayes, considerado ineficaz, enquanto qualquer possibilidade de influência política afro-americana no Sul foi destruída. No século seguinte, os Estados do Sul, livres da supervisão do Norte, promulgariam leis que discriminavam os negros e restringiam sua capacidade de votar.

1888: Suborno cinco por cinco

Em 1888, o presidente democrata Grover Cleveland, de Nova York, concorreu à reeleição contra o ex-senador de Indiana Benjamin Harrison.

Naquela época, os boletins de voto eram impressos na maioria dos Estados, distribuídos por partidos políticos, e a votação era pública. Certos eleitores (chamados de "flutuantes") eram conhecidos por vender seus votos a quem desse o lance mais alto.

O candidato republicano, Benjamin Harrison, indicou um advogado de Indiana, William Wade Dudley, para ser tesoureiro do Comitê Nacional Republicano. Pouco antes da eleição, Dudley enviou uma carta aos líderes republicanos locais em Indiana com os fundos prometidos e instruções sobre como dividir os eleitores receptivos em "blocos de cinco" para receber subornos em troca de votar em Harrison. As instruções descreviam como cada ativista republicano seria responsável por cinco desses "flutuadores".

Os democratas obtiveram uma cópia da carta e a divulgaram amplamente nos dias que antecederam a eleição. Harrison acabou vencendo Indiana por cerca de 2 mil votos. Ele teria vencido a eleição mesmo se tivesse perdido no Estado, pois já havia conquistado maioria no Colégio Eleitoral.

Na verdade, o candidato democrata Cleveland ganhou no voto popular em todo o país por quase 100 mil votos a mais. Mas ele perdeu seu Estado natal, Nova York, por cerca de 1% dos votos, colocando Harrison como o vencedor no Colégio Eleitoral. Acredita-se que a derrota de Cleveland em Nova York também pode estar relacionada à compra de votos.

Cleveland não contestou o resultado do Colégio Eleitoral e se vingou de Harrison quatro anos depois, tornando-se o único presidente a servir mandatos não consecutivos. Enquanto isso, o escândalo de cinco blocos levou à adoção do voto secreto em todo o país.

1960: Nixon x Kennedy

Em 1960, John Kennedy ganhou as eleições presidenciais, mas também enfrentou acusações de fraude eleitoral — Foto: Getty Images/BBC
Em 1960, John Kennedy ganhou as eleições presidenciais, mas também enfrentou acusações de fraude eleitoral — Foto: Getty Images/BBC

As eleições de 1960 foram disputadas entre o então vice-presidente republicano, Richard Nixon, e o senador democrata John F. Kennedy.

A votação popular foi a mais apertada do século 20, com Kennedy derrotando Nixon por cerca de 100 mil votos, uma diferença de menos de 0,2%.

Por causa dessa diferença estreita, quando Kennedy derrotou Nixon por menos de 1% em cinco estados (Havaí, Illinois, Missouri, Nova Jersey, Novo México) e por menos de 2% no Texas, muitos republicanos não aceitaram a derrota.

Eles se voltaram para dois locais em particular: O sul do Texas e a capital de Illinois, Chicago, onde a máquina política liderada pelo prefeito democrata Richard Daley teria produzido votos suficientes para dar a Kennedy a vitória no Estado. Se Nixon tivesse vencido no Texas e em Illinois, ele teria a maioria no Colégio Eleitoral.

Embora os jornais de tendência republicana tenham investigado o caso e concluído que ocorrera fraude eleitoral em ambos os Estados, Nixon não contestou os resultados. Seguindo o exemplo de Cleveland em 1892, ele concorreu novamente à presidência em 1968 e venceu.

2000: os votos perdidos na Flórida

Em 2000, muitos Estados ainda usavam a cédula perfurada, um sistema de votação criado na década de 1960. Apesar de essas cédulas terem uma longa história de mau funcionamento e de votos perdidos, os americanos de repente perceberam que a tecnologia desatualizada criou um problema na Flórida.

No dia da eleição, a mídia nacional descobriu que uma "cédula borboleta" (uma cédula de cartão perfurado com um desenho que violava a lei estadual da Flórida) confundiu milhares de eleitores no condado de Palm Beach.

George W. Bush e Al Gore disputaram voto a voto o colégio eleitoral da Flórida, e a eleição foi decidida na Justiça — Foto: Reuters/BBC
George W. Bush e Al Gore disputaram voto a voto o colégio eleitoral da Flórida, e a eleição foi decidida na Justiça — Foto: Reuters/BBC

O desenho da cédula em questão fez com que alguns eleitores escolhessem o candidato do Partido Reformista Pat Buchanan pensando que haviam votado no candidato democrata Al Gore. Estima-se que Pat Buchanan recebeu cerca de 3 mil votos de eleitores que provavelmente pretendiam votar em Gore.

O fato é que Gore acabou sendo derrotado na Flórida para George Bush por 537 votos e, ao perder este Estado, perdeu a eleição.

O processo para determinar o vencedor das eleições presidenciais durou um mês.

Na Flórida, os leitores de cédulas eletrônicas não registraram nenhum voto para presidente em mais de 60 mil cédulas. No entanto, em muitos dos cartões perfurados, os pequenos pedaços de papel que são jogados fora quando alguém vota com esses tipos de cartões, conhecidos como chads, ainda ficam pendurados em um, dois ou três cantos e não são contados.

Gore foi ao tribunal para que as cédulas fossem contadas manualmente para tentar determinar a intenção dos eleitores, conforme permitido pela lei estadual. Bush apelou contra o pedido de Gore. Embora Gore tenha vencido na Suprema Corte do Estado da Flórida, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, no dia 12 de dezembro, que o Congresso havia estabelecido um prazo para os Estados escolherem eleitores, então não houve mais tempo para contar os votos.

Gore aceitou os resultados no dia seguinte. O drama nacional e o trauma que se seguiu ao dia da eleição em 1876 e 2000 podem se repetir neste ano. Claro, vai depender da diferença entre as votações dos candidatos e como ele reagem aos resultados.

A maioria dos olhos estará em Trump.

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