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segunda-feira, 11 de maio de 2020

Coronavírus: aumento das infecções na Alemanha e Coreia do Sul põe em dúvida volta à normalidade pós-isolamento

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Novos casos também foram registrados na França e no Irã; autoridades temem segunda onda de infecções.
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 Por BBC  

 Postado em 11 de maio de 2020  às 14h00m  
      Post.N.\9.266  
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Médicos usando roupa protetora e equipamento realizam testes de Covid-19 em laboratório em sistema drive-in em Berlim, na Alemanha, em foto de 23 de março — Foto: John MacDougall/AFP Médicos usando roupa protetora e equipamento realizam testes de Covid-19 em laboratório em sistema drive-in em Berlim, na Alemanha, em foto de 23 de março — Foto: John MacDougall/AFP

Novos surtos de coronavírus começam a pôr em dúvida o retorno à normalidade em países que recentemente flexibilizaram as medidas de isolamento social, como Alemanha e Coreia do Sul, levantando temores sobre uma segunda onda de infecções.

Já Wuhan, cidade chinesa onde a pandemia teve origem, informou que registrou o primeiro caso em semanas.

Na França, onde o confinamento começaria a ser flexibilizado a partir desta segunda-feira (11 de maio), as autoridades anunciaram a descoberta de pelo menos nove casos relacionados a um funeral em Dordogne, no sudoeste do país.
Países da Europa relaxam medidas de isolamento e iniciam processo de volta à normalidade
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E no Irã, uma província voltou a decretar o confinamento de sua população após registrar um aumento acentuado no número de pacientes com o vírus.

Os novos casos ilustram as dificuldades que governos de todo o mundo devem enfrentar nos próximos meses.

'Infecções em alta'
Na Alemanha, segundo o Instituto Robert Koch (RKI), a taxa de reprodução — o número estimado de pessoas um caso confirmado de coronavírus pode infectar — voltou a superar 1.
Isso significa que o número de infecções está aumentando no país.
O relatório foi divulgado quando milhares de alemães protestavam, no último sábado, pedindo o fim das duras medidas de isolamento social.

Poucos dias antes, na quarta-feira (6 de maio), a chanceler Angela Merkel anunciou uma ampla flexibilização das restrições nacionais, após conversas com os líderes dos 16 Estados da Alemanha.

Lojas vão poder reabrir, alunos voltarão gradualmente às aulas e a Bundesliga — a principal liga de futebol da Alemanha — será reiniciada neste próximo fim de semana.
Mas houve protestos em todo o país, com muitos manifestantes pedindo que medidas fossem suspensas ainda mais rapidamente.

A Alemanha tem o sétimo maior número de casos confirmados no mundo. São 169.218 casos confirmados e um número de mortes superior a 7 mil.
Chanceler alemã Angela Merkel chega para entrevista coletiva sobre reunião virtual que manteve com governadores nesta quarte-feira (6), em que foram acertados detalhes sobre medidas de relaxamento do confinamento devido à pandemia de coronavírus — Foto: Reuters/Michael SohnChanceler alemã Angela Merkel chega para entrevista coletiva sobre reunião virtual que manteve com governadores nesta quarte-feira (6), em que foram acertados detalhes sobre medidas de relaxamento do confinamento devido à pandemia de coronavírus — Foto: Reuters/Michael Sohn

Incerteza
O número de reprodução é uma maneira de avaliar o grau de contágio de uma doença. Não é um número fixo porque varia à medida que nosso comportamento muda ou à medida que a imunidade de uma população se desenvolve.

Trata-se de uma das três medidas importantes para monitorar um surto, sendo as demais a gravidade dos sintomas e o número de casos.
O relatório da agência de saúde pública do país, divulgado no sábado, informou que o número de reprodução foi estimado em 1,1. No domingo, essa taxa subiu para 1,13. O número havia ficado abaixo de 1 na maior parte das últimas três semanas.

A agência disse que essa estimativa envolve "um certo grau de incerteza", e a taxa deve ser observada de perto nos próximos dias.

Ainda não foi possível avaliar "se a tendência decrescente no número de casos de incidentes observados nas últimas semanas continuará ou se os números de casos aumentarão novamente", acrescentou.

A Alemanha ganhou elogios por sua resposta ao surto. Testes em massa e restrições efetivas à circulação de pessoas ajudaram a manter o número de mortos muito menor do que em outros países europeus.

Mas alguns criticaram a decisão de Merkel de relaxar essas medidas depois de falar com os chefes dos Estados na quarta-feira.

A chanceler impôs um "freio de emergência", exigindo que as autoridades locais restabelecessem restrições se os casos ultrapassarem o limite de 50 por 100 mil pessoas.

Foi o que aconteceu nos Estados da Renânia do Norte-Vestfália e de Schleswig-Holstein, que registraram surtos em fábricas de processamento de carne.

E um distrito no Estado da Turíngia registrou mais de 80 infecções por 100 mil pessoas — que se acredita estarem ligadas a surtos em unidades de saúde.

Enquanto alguns temem que o país esteja abrandando suas restrições muito cedo, outros protestam contra a continuidade do isolamento social.

No último sábado, milhares de pessoas se reuniram em importantes cidades do país — incluindo Berlim, Frankfurt, Munique e Stuttgart, para reivindicar a flexibilização das medidas.

Autoridades de Berlim prenderam cerca de 30 pessoas do lado de fora do Parlamento por não obedecerem às medidas de distanciamento social. Alguns manifestantes jogaram garrafas em direção à polícia.

Grupos de direita e teóricos da conspiração também participaram de alguns dos protestos.
Manifestante usa saco de papel com a mensagem 'Sou burro e acredito em tudo!' durante protesto em Hamburgo, na Alemanha — Foto: Fabian Bimmer/ReutersManifestante usa saco de papel com a mensagem 'Sou burro e acredito em tudo!' durante protesto em Hamburgo, na Alemanha — Foto: Fabian Bimmer/Reuters

Contágio em casas noturnas
Na Coreia do Sul, 34 novos casos de coronavírus foram confirmados, o maior número diário em um mês, muitos dos quais ligados a um homem que visitou várias casas noturnas em uma só noite.

Desses novos casos, anunciados no domingo, 26 foram infecções transmitidas internamente e oito foram importados, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia (KCDC).

Foi o número mais alto registrado em um só dia desde 9 de abril. Depois de ter sido o primeiro país a combater a pandemia fora da China, a Coreia do Sul registrou zero ou muito poucos casos domésticos nos últimos 10 dias, com a contagem diária pairando em torno de 10 ou menos nas últimas semanas.

O ressurgimento ocorreu após um homem em torno de 20 anos ter visitado várias casas noturnas antes de ser diagnosticado com o coronavírus.

O surto levou a cidade de Seul a impor uma paralisação temporária imediata de todas as instalações de entretenimento noturno no sábado. As autoridades disseram que estão buscando localizar 1,5 mil pessoas que foram às boates. Pediram também que qualquer que tenha ido a esses locais se isolasse por 14 dias e realizasse um teste para confirmar seu diagnóstico.
Segurança controla temperatura de jornalistas na entrada da fábrica da Ford em Colônia, na Alemanha. Montadora norte-americana reinicia a produção nesta segunda-feira (4)  — Foto: Martin Meissner/AP Segurança controla temperatura de jornalistas na entrada da fábrica da Ford em Colônia, na Alemanha. Montadora norte-americana reinicia a produção nesta segunda-feira (4) — Foto: Martin Meissner/AP

Os novos casos ocorrem em um momento em que a Coreia do Sul começava a flexibilizar algumas restrições de isolamento social, buscando reabrir totalmente escolas e empresas.

O presidente Moon Jae-in alertou para uma segunda onda da epidemia no final deste ano, dizendo que o novo surto evidencia os riscos de que o vírus possa se espalhar amplamente a qualquer momento.

"Não acabou até acabar. Nunca devemos baixar nossa guarda em relação à prevenção de epidemias", disse ele em um pronunciamento na TV marcando o terceiro aniversário de sua posse.

"Estamos em uma guerra prolongada. Peço a todos que cumpram as precauções e regras de segurança até que a situação termine, mesmo depois de retomar a vida cotidiana."

Testes em massa e rastreamento de contatos de pacientes infectados ajudaram a quarta maior economia da Ásia a conter a epidemia em grande parte sem recorrer ao confinamento generalizado de sua população.

Violação das regras
25 de abril: mulheres com máscaras e equipamento de proteção contra a Covid-19 fazem compras em Teerã, no Irã. — Foto: Atta Kenare/AFP25 de abril: mulheres com máscaras e equipamento de proteção contra a Covid-19 fazem compras em Teerã, no Irã. — Foto: Atta Kenare/AFP

No Irã, a província do Cuzistão teve que confinar novamente sua população, segundo a agência de notícias Tasnim.

De acordo com o governador da província, Gholamreza Shariati, as pessoas não estavam praticando o isolamento social após a flexibilização das medidas.

"Por causa disso, o número de pacientes com coronavírus triplicou e a internação de pacientes aumentou 60%", disse Shariati.

O Irã, um dos países do Oriente Médio mais atingido pela covid-19, começou a retomar a normalidade para tentar reavivar sua economia, já duramente afetadas pelas sanções dos EUA.

CORONAVÍRUS

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Economistas do mercado financeiro passam a estimar tombo de 4,11% para o PIB em 2020

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Analistas das instituições financeiras, ouvidos pelo Banco Central na semana passada, também reduziram de 1,97% para 1,76% previsão de inflação para este ano. 
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 Por Alexandro Martello, G1 — Brasília  

 Postado em 11 de maio de 2020 às 09h35m  

      Post.N.\9.265  
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Os analistas das instituições financeiras reduziram novamente a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e também a estimativa para a inflação.

As projeções fazem parte do boletim de mercado, conhecido como relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira (11) pelo Banco Central (BC). Os dados foram levantados na semana passada em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

Para o PIB de 2020, a expectativa de redução passou de 3,76% para 4,11%. Essa foi a 13ª semana seguida de revisão para baixo do indicador.

PREVISÕES DO MERCADO PARA O PIB DE 2020
(EM %)
Fonte: BANCO CENTRAL

Apesar da nova queda, a previsão do mercado para a contração do PIB brasileiro em 2020 ainda está abaixo da divulgada pelo Banco Mundial, que estima um tombo de 5%, e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê queda de 5,3%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

A nova redução da expectativa para o nível de atividade foi feita em meio à pandemia do novo coronavírus, que tem derrubado a economia mundial e colocado o mundo no caminho de uma recessão.

Em 2019, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB cresceu 1,1%. Foi o desempenho mais fraco em três anos.
Para o próximo ano, a previsão do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) continuou em 3,20%.

FMI prevê queda de 5,3% do PIB brasileiro em 2020
FMI prevê queda de 5,3% do PIB brasileiro em 2020

Inflação abaixo de 2%
Segundo o relatório divulgado pelo BC, os analistas do mercado financeiro reduziram,de 1,97% para 1,76%, a estimativa de inflação para 2020. Foi a nona redução seguida do indicador.

A expectativa de inflação do mercado para este ano segue abaixo da meta central, de 4%, e também do piso do sistema de metas, que é de 2,5% neste ano.

Pela regra vigente, o IPCA pode oscilar de 2,5% a 5,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. Quando a meta não é cumprida, o BC tem de escrever uma carta pública explicando as razões.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).

Para 2021, o mercado financeiro reduziu de 3,30% para 3,25% sua previsão de inflação. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Taxa básica de juros
O mercado passou a prever corte maior da taxa básica de juros da economia brasileira neste ano. Atualmente, a taxa Selic está em 3% ao ano.

A previsão dos analistas para a taxa Selic, no fim de 2020, passou de 2,75% para 2,50% ao ano.

Para o fim de 2021, a expectativa do mercado caiu de 3,75% para 3,50% ao ano. Isso quer dizer que os analistas seguem estimando alta dos juros no ano que vem, embora em menor intensidade.

Outras estimativas
  • Dólar: a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2020 permaneceu estável em R$ 5. Para o fechamento de 2021, subiu de R$ 4,75 por dólar para R$ 4,83 por dólar.
  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção em 2020 subiu de US$ 42 bilhões para US$ 42,50 bilhões de resultado positivo. Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado continuou em US$ 42 bilhões.
  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil, em 2020, subiu de US$ 70 bilhões para US$ 70,75 bilhões. Para 2021, a estimativa dos analistas recuou de US$ 80 bilhões para US$ 79 bilhões.

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domingo, 10 de maio de 2020

Estudo canadense investiga se variedade específica de maconha pode proteger contra o coronavírus

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Na busca por uma vacina ou medicamento contra o novo coronavírus, cientistas canadenses pesquisam variedades medicinais específicas da Cannabis que poderiam bloquear a penetração do Sars-cov-2 - os estudos ainda estão em fase de aprovação.  
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 Por Deutsche Welle    
 10/05/2020 18h27  Atualizado há 2 horas  
 Postado em 10 de maio de 2020 às 20h35m  


      Post.N.\9.264  
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Cientistas canadenses supõem que variedades medicinais da Cannabis sativa bloqueiem a penetração do Sars-cov-2. Seus resultados partem de pesquisas sobre tratamento de câncer e artrite, e necessitam validação independente.
Folhas da planta cannabis sativa, conhecida como maconha, que dá origem ao canabidiol — Foto: UnsplashFolhas da planta cannabis sativa, conhecida como maconha, que dá origem ao canabidiol — Foto: Unsplash

A lista de medicamentos promissores já tem alguns candidatos entre os cientistas que avançam na busca por tratamentos menos ortodoxos.

Um deles é o Remdesivir, originalmente desenvolvido para o tratamento do ebola. Na Alemanha, transcorrem os primeiros testes clínicos de uma vacina da covid-19, usando um produto criado para a imunologia do câncer. Um realizado na França indica que a nicotina – o alcaloide inalado durante a distração, frequentemente letal, do fumo – talvez proteja contra o novo vírus.

E agora parte do Canadá a informação de que determinados princípios ativos da maconha também podem ter um efeito análogo ao da nicotina, elevando a proteção das células contra o coronavírus. No entanto o estudo ainda não foi submetido a avaliação independente por outros pesquisadores (peer review), que constitui uma espécie de selo de qualidade nos meios científicos.

Princípio ativo
Segundo revelou à DW Igor Kovalchuck, professor de ciências biológicas da Universidade de Lethbridge, os resultados relativos à Covid-19 se originam em pesquisas sobre a artrite, Morbus Crohn, câncer e outras enfermidades. Em artigo no site Preprints.org, ele e sua equipe sugerem que alguns componentes químicos da uma variedade especialmente desenvolvida de cannabis reduziriam a capacidade do vírus de chegar até as células pulmonares, onde se instala, reproduz e propaga.

Para ocupar uma célula hospedeira humana, o Sars-cov-2 necessita um receptor, a enzima conversora da angiotensina 2 (ECA2), que se encontra no tecido pulmonar, na mucosa bucal e nasal, nos rins, testículos e trato digestivo. Sem essa enzima, o patógeno não tem como penetrar.

A teoria de Kovalchuck é que canabinoides modificariam os níveis de ECA2 nesses "portais", tornando o hospedeiro humano menos vulnerável ao vírus e essencialmente reduzindo o risco de infecção.

Erva controversa
Diversos médicos indicam a cannabis medicinal para o tratamento de afecções que vão da náusea à demência. No entanto, ela é diferente da erva utilizada como droga recreativa, a qual se destaca pela alta concentração de tetra-hidrocanabinol (THC), seu principal princípio psicoativo.

Em contrapartida, os pesquisadores canadenses se concentraram em cepas da espécie Cannabis sativa com um alto teor de canabidiol (CBD), um canabinoide anti-inflamatório. Eles cultivaram mais de 800 dessas variantes da maconha, identificando 13 extratos que seriam capazes de modular as taxas da ECA2.

"Nossas variedades têm uma alta taxa de CDB ou uma taxa equilibrada de CBD/THC, para que se possa ministrar uma dose mais alta sem que os pacientes sejam afetados pelas propriedades psicoativas do THC", explica Kovalchuck.

Ele dirige a firma Inplanta juntamente com Darryl Hudson, formado pela Universidade de Guelph, em Ontário, onde também se pesquisa o emprego de canabinoides na medicina. Porém "ainda é difícil" obter financiamento para esse tipo de pesquisa, comenta Kovalchuck, e não só no Canadá.

Segundo cientistas do Reino Unido, tanto a opinião pública quanto a política têm uma visão equivocada da cannabis medicinal. Além disso, os médicos temem que os cidadãos se tornem dependentes ou tentem se automedicar, utilizando qualquer variedade da erva que tenham a à disposição.

"Diante da volatilidade sociopolítica do consumo medicinal de cânabis, os pesquisadores têm que ser especialmente cuidadosos com a divulgação de seus resultados", alerta Chris Albertyn, diretor do setor de pesquisas do King's College London e especialista em canabinoides e demência.

Em busca de validação
Certo está que sem financiamento suficiente e aprofundamento das pesquisas, não haverá o conhecimento necessário sobre os canabinoides, adverte Kovalchuck. Mas "pelo menos agora há um interesse difundido", e ele está seguro que está ocorrendo uma mudança de postura.

Embora admitindo que mesmo seus extratos de cannabis mais potentes necessitam de validação científica abrangente, Kovalchuck e seus coautores asseguram que o canabidiol pode ser um "complemento seguro" no tratamento da Covid-19 – paralelamente a outros métodos, frisam os cientistas.

Assim, até uma avaliação conclusiva, a maconha medicinal poderá desenvolver-se como um "tratamento preventivo de fácil aplicação", análogo, por exemplo, aos antissépticos bucais no uso clínico ou doméstico.

CORONAVÍRUS


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    sábado, 9 de maio de 2020

    Coronavírus tem avançado mais rápido em cidades pequenas, mostra levantamento

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    Estudo da Fiocruz aponta aumento em torno 50% de novos casos nos municípios com até 20 mil habitantes nas duas últimas semanas.   
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     Por BBC    
     09/05/2020 15h28  Atualizado há 2 horas  
     Postado em 09 de maio de 2020 às 17h35m  

     
        Post.N.\9.263  
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    Familiares acompanham enterro de vítima do coronavírus no Rio de Janeiro — Foto: REUTERS/Pilar OlivaresFamiliares acompanham enterro de vítima do coronavírus no Rio de Janeiro — Foto: REUTERS/Pilar Olivares

    Depois de se disseminar pelas metrópoles e grandes centros urbanos do país, o coronavírus começa a chegar e a fazer vítimas numa velocidade preocupante nas pequenas cidades do país. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que, nas duas últimas semanas, houve um aumento muito grande, em torno de 50% de novos casos, nos municípios que têm até 20 mil habitantes.

    Segundo os pesquisadores, o avanço da Covid-19 em direção às cidades menores revela uma situação preocupante em razão da menor disponibilidade e capacidade de seus serviços de saúde.

    "O impacto do avanço da doença nos pequenos municípios está ligado ao fluxo de mais pessoas que precisam de atendimento especial", explica Mônica Magalhães, especialista em Geoprocessamento Aplicado à Saúde e Ambiente e pesquisadora do MoitoraCovid-19, projeto de monitoramento da pandemia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

    De acordo com ela, o fluxo de pessoas de cidades menores em direção às maiores em busca de serviços médicos sempre existiu, sendo mapeado por estudos como o da pesquisa Regiões de Influência das Cidades (REGIC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
    "O que está acontecendo nesta pandemia é que o volume desse fluxo cresceu muito", diz.
    "Já vemos muito mais gente saindo dos municípios pequenos para os maiores, porque o número de casos de urgência é muito mais elevado do que a gente costuma acompanhar pelos indicadores de saúde, de uma maneira geral. Ou seja, está aumentando drasticamente a procura por serviços de internação e de UTI, que já vinham funcionando no limite durante o ano todo em situações normais."

    Para fazer o levantamento, os pesquisadores levaram em conta as regiões de saúde da REGIC e dividiram os municípios brasileiros em "redes de atendimento em saúde".

    "São grupos de cidades que apresentam forte interação entre si, considerando atendimentos a pacientes e serviços médicos", explica o geógrafo da saúde Raphael Saldanha, também pesquisador do MonitoraCovid-19.

    De acordo com ele, basicamente, a pesquisa levantou quais municípios ou concentrações urbanas são procurados pela população quando tem de sair daquele em que mora para buscar atendimento médico.

    "As regiões divulgadas agora são uma primeira aproximação e podem sofrer ajustes até o relatório final da pesquisa ser lançado", diz. "Dessa forma, enquanto as regiões de saúde do Ministério da Saúde são ditadas pelos entes federativos, as da REGIC se aproximam mais da do que é realizado em prática, pela população."

    Depois essas redes foram classificadas como de baixa, média e alta complexidade, de acordo com três parâmetros: número de médicos, de leitos de UTI e de respiradores e ventiladores.

    "Para cada um deles, buscamos um valor de referência", explica Mônica Magalhães. "Esses valores podem ser dados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) ou pelo Ministério da Saúde. Nesta análise, utilizamos valores de mais de uma fonte."

    Em seguida eles verificaram as regiões que estavam acima ou abaixo desses valores de referência.

    Considerando a totalidade das regiões de saúde, 70% delas já apresentam caso de contaminação pelo novo coronavírus e 30% já têm mortes. Outro dado preocupante é que metade daquelas para onde a covid-19 está se difundindo tem recursos de atendimento abaixo dos parâmetros recomendados para situações de normalidade — o que significa dizer que, para casos de pandemia, elas estão menos preparadas ainda.

    Os pesquisadores avaliaram a evolução temporal da presença de casos de covid-19 por regiões de média e baixa complexidade, em dois períodos específicos, de 27 de março a 2 de abril e de 17 a 23 de abril.
    No total das 758, o número daquelas com casos da doença saltou de 20,8% para 71,5% delas (158 para 542).

    Nas 54 regiões com até 20 mil habitantes, o índice passou de 3,7% para 22,2% (de duas para 12); nas 192 com população entre 20 e 50 mil, a elevação foi 7,3% para 48,4% (de 14 para 93); nas 171 de 50 a 100 mil moradores, a porcentagem subiu 15,8% para 68,4% (27 para 117), nas 265 de 100 a 500 mil habitantes houve um incremento de 34,1% para 92,1% (de 92 para 244), e nas 76 com mais 500 mil moradores, o aumento foi de 30,3% para 100% (de 23 para 76%).

    Transmissão do coronavírus em cidades brasileiras
    Classes populaçãoTotal de regiõesRegiões com casos 27/03 a 02/04 (número e %)Regiões com casos 17/04 a 23/04 (número e %)
    Até 20 mil542 (3,7%)12 (22,2%)
    20 a 50 mil19214 (7,3%)93 (48,4%)
    50 a 100 mil17127 (15,8%)117 (68,4%)
    100 a 500 mil26592 (34,7%)244 (92,1%)
    Mais de 500 mil7623 (30,3%)76 (100%)
    Total758158 (20,8%)542 (71,5%)
    Na nota técnica que divulgaram, os pesquisadores observam "que grande parte da região litorânea e do norte do país já apresenta mais de 70% dos municípios com casos de covid-19 no último período de análise. (...) Observa-se que poucas regiões no centro do país no norte de Minas Gerais e Mato Grosso, no Tocantins e Piauí ainda não apresentaram casos da doença no último período analisado".

    O grupo do MonitoraCovid-19 também levantou as regiões onde já ocorreram mortes. De acordo com eles, a comparação entre os dois períodos analisados (de 27 de março a 2 de abril e de 17 a 23 de abril) deixa evidente a interiorização da ocorrência de óbitos pela doença no país.
    "Com exceção do interior da Bahia, norte do Mato Grosso, sul do Pará e sul do país, o restante das regiões de saúde já apresentavam mortes por Covid-19 no primeiro período analisado", escrevem na nota técnica.
    "Já no segundo período, observa-se a ampla dispersão de regiões com óbitos, tanto no entorno das regiões que apresentaram no primeiro período, quanto para áreas mais interioranas do país."

    Papa manifesta preocupação com covid-19 em São Paulo
    Papa manifesta preocupação com covid-19 em São Paulo

    Como os municípios pequenos estão tendo um aumento de casos nestas duas últimas semanas, a preocupação dos pesquisadores foi em relação às recomendações de isolamento que estão sendo aplicadas de diferentes formas em cada localidade.
    "Não é possível pensar isso de maneira isolada, porque as cidades não são isoladas", diz Magalhães. "Todas têm uma conexão muito grande entre elas, principalmente pelo fluxo de pessoas."
    Por isso, de acordo com ela, quando se pensa em abertura ou liberação da mobilidade das pessoas nos municípios é preciso prestar atenção sempre ao entorno. "Será que essas outras cidades terão condições de atender nos serviços de saúde todos os seus habitantes?", indaga.

    "Será que a população desta localidade procura outros centros urbanos para serem atendidos? Para pensar as políticas de isolamento para prevenção da Covid-19 é preciso entender essas redes que são criadas pelas próprias necessidades da população, porque diferentes fatores fazem as pessoas transitarem por esses espaços, e nem sempre esses municípios tem capacidade de atender os próprios habitantes."

    Pelos dados de mobilidade da REGIC, se vê que as pessoas, assim como os vírus, não se prendem aos limites territoriais. Fora das capitais, é comum sair do município em busca de serviços.

    "No caso de saúde, pode ocorrer também a procura por outros Estados", explica Magalhães. "Um exemplo muito típico é na bacia do rio São Francisco, a divisão entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). São cidades vizinhas onde o fluxo de população é muito intenso, mas em estados diferentes."

    Nesse contexto, diz a pesquisadora, a equipe do MonitoraCovid-19 procura mostrar que as medidas de isolamento precisam ser pensadas em conjunto, pois não adiantará um município ou Estado pensar em políticas de saúde separadamente.

    "As cidades precisam se organizar para conseguir uma contenção, que possa ser efetiva para a diminuição de novos casos da infecção de Covid-19", recomenda.

    CORONAVÍRUS


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