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terça-feira, 29 de outubro de 2019

Pesquisa que pode reduzir danos de óleo encontrado no litoral do Nordeste é apresentada pela UFV

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Segundo professor, a tecnologia foi desenvolvida para ser aplicada em locais oceânicos contaminados por moléculas que não se misturam à água, como hidrocarbonetos do petróleo. Entenda como funciona.
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 Por G1 Zona da Mata  

 Postado em 29 de outubro de 2019 às 21h40m  

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Mancha de óleo é vista na praia de Peroba, em Maragogi (AL) — Foto: Diego Nigro/ReutersMancha de óleo é vista na praia de Peroba, em Maragogi (AL) — Foto: Diego Nigro/Reuters

Uma tecnologia desenvolvida na Universidade Federal de Viçosa (UFV), na Zona da Mata mineira, pode ajudar a eliminar diminuir os danos provocados pelo óleo, que desde o final de agosto atinge mais de 200 localidades de nove estados do Nordeste do Brasil.

A substância que tem sido encontrada nas praias nordestinas é a mesma em todos os locais: o petróleo cru. A composição tem afetado a vida de animais e causado impactos nas cidades litorâneas, afetando reservas, turismo e comunidades pesqueiras. A origem do poluente ainda está sob investigação.

De acordo com o coordenador da pesquisa, o professor Marcos Rogério Tótola, uma das soluções mais eficazes e menos danosas ao meio ambiente, está na biodegradação, ou seja, na desintegração das manchas por micro-organismos.
"Trata-se de uma emulsão com gotículas de óleo que carregam dentro delas água fertilizada, para ser pulverizada nas manchas de petróleo sobre a água e rochas contaminadas", revelou.
O desenvolvimento da pesquisa foi feito no laboratório de Biotecnologia e Biodiversidade para o Meio Ambiente da instituição. Além do coordenador, o estudo contou com o ex-orientado de doutorado Edmo Montes Rodrigues e o professor Alvaro Vianna Novaes de Carvalho Teixeira, do Departamento de Física da UFV.

Desenvolvimento
De acordo com a UFV, "a tecnologia diz a respeito a emulsões duplas compostas por água/óleo/água, que contêm nutrientes inorgânicos, gelatina, óleo vegetal e surfactantes". Ela foi pensada para ser aplicada em locais oceânicos contaminados por moléculas orgânicas hidrofóbicas - que não se misturam à água - como hidrocarbonetos do petróleo, a mesma substância que afeta o litoral nordestino.
Para o professor Tótola, da UFV, a biodegração é uma das soluções menos danosas ao meio ambiente — Foto: UFV/DivulgaçãoPara o professor Tótola, da UFV, a biodegração é uma das soluções menos danosas ao meio ambiente — Foto: UFV/Divulgação

Segundo o Tótola, quando acontece um vazamento de óleo no mar, uma parte do petróleo é perdida por volatilização, ou seja, vai para o ar, e outra por fotodegradação, devido à exposição da luz. Conforme o pesquisador, o petróleo é composto por moléculas de hidrocarbonetos, que só contêm carbono e hidrogênio.

O professor explicou ainda que quando ocorre uma contaminação, como a que está acontecendo no Nordeste, muitas vezes, ela é acompanhada de uma carência nutricional, especialmente de elementos como nitrogênio, fósforo e ferro.
"Embora haja hidrocarbonetos, uma fonte fantástica de energia para os micro-organismos, eles não conseguem se multiplicar e aproveitar essa fonte potencial de energia e de carbono. Portanto, não conseguem transformar isso em novas células microbianas, porque faltam outros nutrientes.
A partir desse entendimento, Tótola e os pesquisadores perceberam que a solução seria o uso de fertilizantes, assim como acontece na agricultura, onde são aplicados em solos pobres de nutrientes. Mas como não é possível fertilizar o mar inteiro e nem utilizar fertilizantes solúveis, pela previsível dissipação, eles começaram a pesquisar formas de grudar os nutrientes nas manchas de óleo, de modo que pudessem explorar o potencial de micro-organismos para degradar os contaminantes.
Voluntários para removem óleo de pedras na Praia de Itapuama, no Cabo de Santo Agostinho — Foto: Mônica Silveira/TV GloboVoluntários para removem óleo de pedras na Praia de Itapuama, no Cabo de Santo Agostinho — Foto: Mônica Silveira/TV Globo

Pesquisa
As pesquisas e testes foram realizados a partir de um projeto de estudos de ilhas oceânicas. Eles estudaram a Ilha da Trindade, localizada a cerca de 1.200 quilômetros a leste de Vitória (ES). No local e nas águas do entorno, pesquisaram a biodiversidade e o potencial dos micro-organismos degradarem hidrocarbonetos de petróleo.

Fizemos isso exatamente pensando numa situação como a que estamos vivenciando no Nordeste; de se ter uma contaminação na ilha e prever a partir daí estratégias que poderiam ser adotadas para minimizar o dano ambiental, conta o professor Tótola.

Um dos objetivos do estudo foi obter micro-organismos com alta eficiência de degradação dos vários tipos de moléculas que compõem o petróleo. Dois deles foram identificados pela fenomenal capacidade metabólica, capazes de utilizar todos os hidrocarbonetos avaliados.

Apesar desse grande potencial, os pesquisadores sabiam que ele não poderia ser explorado em um ambiente contaminado, em função da indisponibilidade natural de nutrientes no local. A emulsão surge, portanto, como uma alternativa para minimizar a escassez nutricional e estimular a biodegradação.

Feita só com compostos naturais, ela contém gelatina, coco glicosídeo, surfactante gras - que pode ser usado como aditivo alimentar -, óleo de canola, fontes de fósforo e de potássio e nitrato de amônia como fonte de nitrogênio. Há óleo dentro de água e água dentro de óleo disperso em água. Por isso, a emulsão dupla.
Óleo na Praia Formosa, em Aracaju — Foto: Kedma Ferr/TV SergipeÓleo na Praia Formosa, em Aracaju — Foto: Kedma Ferr/TV Sergipe

Com diferentes dimensões, essas esferas vão se desfazendo em diferentes tempos, liberando continuamente os nutrientes e transformando os hidrocarbonetos de petróleo em gás carbônico e água e em novas células microbianas. Com uma fonte de nutrientes minerais contínua, o processo de biodegradação das moléculas ocorre continuamente até serem totalmente eliminadas.

A elaboração é muito simples. É preciso ter apenas agitadores, pulverizadores e um apoio logístico para que a emulsão seja produzida e transportada para os locais contaminados", explicou.

Com quase 20 anos de estudo em microbiologia do petróleo, o professor Tótola constatou que a biodegradação é o caminho para a solução do problema no litoral nordestino e que a emulsão desenvolvida no laboratório que coordena é a tecnologia mais eficiente, inclusive sob o ponto de vista de impactos para o Meio Ambiente.

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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

O misterioso esqueleto antigo 'sequestrado' por nazistas e soviéticos

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A identidade de um esqueleto do século 10, usada para validar teorias nazistas e soviéticas, até hoje ainda fascina arqueólogos e cientistas.
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 Por BBC  

 Postado em 28 de outubro de 2019 às 18h00m  

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Imagem de 1928 mostra o esqueleto como ele foi encontrado — Foto: Instituto de Arqueologia de Praga/BBCImagem de 1928 mostra o esqueleto como ele foi encontrado — Foto: Instituto de Arqueologia de Praga/BBC

Durante décadas, arqueólogos lidaram com o mistério envolvendo a identidade de um esqueleto do século 10, descoberto no Castelo de Praga, na República Tcheca. Os restos dele foram explorados por nazistas e soviéticos com fins ideológicos.

Mas as tentativas de definir um rótulo étnico claro em um cadáver de mil anos talvez revelem mais sobre nós mesmo do que sobre o esqueleto.

O guerreiro foi encontrado deitado, com a cabeça inclinada para a esquerda e a mão direita apoiada em uma espada de ferro. Perto da mão esquerda há um par de facas, e os dedos esqueléticos estão estendidos quase como se fossem tocá-las.
A seus pés estão os restos de um pequeno balde de madeira, semelhante aos usados ​​como vasos cerimoniais pelos vikings, e a cabeça de um machado de ferro.

Mas é a espada que chama atenção. Com menos de um metro de comprimento, ela ainda é um objeto de poder e beleza, apesar de 10 séculos de corrosão.

Ele era um viking?
"A espada é de boa qualidade e, provavelmente, foi fabricada na Europa Ocidental", diz Jan Frolik, arqueólogo medievalista da Academia Tcheca de Ciências.

Esse tipo de espada era usado pelos vikings no norte da Europa, na Alemanha, na Inglaterra e na Europa Central, além de outros locais.

"Portanto, a maioria de seus equipamentos é viking ou, pelo menos, semelhante aos usados pelos vikings. Mas sua nacionalidade ainda é uma questão aberta", acrescentou.
Ivan Borkovsky desenterrou o esqueleto, mas seu estudo foi manipulado por nazistas e soviéticos — Foto: Instituto de Arqueologia de Praga/BBCIvan Borkovsky desenterrou o esqueleto, mas seu estudo foi manipulado por nazistas e soviéticos — Foto: Instituto de Arqueologia de Praga/BBC

A origem do esqueleto é uma pergunta que intriga e confunde historiadores desde que os restos do guerreiro foram desenterrados no Castelo de Praga pelo arqueólogo ucraniano Ivan Borkovsky, em 1928.

Na época da descoberta, Borkovsky, um exilado da guerra civil na Rússia, poderia ser o encarregado pela escavações. Mas, como ele era um mero assistente do chefe de arqueologia do Museu Nacional de Praga, acabou impedido de publicar suas próprias conclusões sobre o achado.

Como o esqueleto foi usado por nazistas e soviéticos
Quando os nazistas ocuparam Praga em 1939, eles rapidamente se apegaram à teoria de que o esqueleto era de um viking, o que se encaixava perfeitamente na narrativa alemã de pureza racial.

Afinal, os vikings eram nórdicos e, portanto, germânicos. Para os nazistas, essa relação um tanto forçada era uma propaganda útil, pois reforçava a ideia de Adolf Hitler de que, na guerra, a raça alemã estava simplesmente reocupando terras antigas que pertenciam a ela.

Mais tarde, Borkovsky foi pressionado pelos nazistas, sob ameaça de ser enviado para um campo de concentração. Seu trabalho, bastante editado, acabou sendo publicado com um conteúdo que justificava as demandas históricas alemãs.

Imediatamente após o fim da Segunda Guerra Mundial, quando a influência da União Soviética sobre Praga se tornou cada vez mais opressiva, Borkovsky foi forçado a fazer uma mudança drástica e apressada em seu material de pesquisa, informando que havia sido pressionado pelos nazistas a adotar a teoria de que o guerreiro era um viking.

Ele então adotou a interpretação de seu ex-chefe: o esqueleto pertenceria a um membro importante da dinastia Slav Premyslid, que governou a Boêmia por mais de 400 anos até 1306.

Sob nova ameaça, dessa vez de ser levado a campos de prisão soviéticos, o arqueólogo acabou mudando novamente seus estudos.

Afinal, de onde é o esqueleto?
Setenta anos depois, diferentemente de seu antecessor Ivan Borkovsky, arqueólogos como Jan Frolik são livres para fazer julgamentos baseados exclusivamente na ciência, e não na ideologia dominante.

"Temos certeza de que ele não nasceu aqui na Boêmia", diz Frolik, explicando que a análise de isótopos radioativos de estrôncio nos dentes do guerreiro provou que ele havia crescido no norte da Europa, provavelmente em algum lugar na costa sul do mar Báltico, ou talvez na Dinamarca.

Esse é o principal território viking, não?
"Sim, mas só porque ele nasceu no Báltico não significa automaticamente que ele era um viking. Naquela época, a costa sul do mar Báltico também abrigava eslavos e outras tribos", diz Frolik.

Ele acredita que o guerreiro do norte, que morreu de causas desconhecidas por volta dos 50 anos de idade, foi a Praga no início da idade adulta, provavelmente para servir no séquito de Borivoj I, o primeiro duque da Boêmia e o progenitor da dinastia Premyslid. Mas ele também pode ter trabalhado para Spytihnev I, filho mais velho e sucessor de Borivoj.

Os Premyslids estabeleceram o Castelo de Praga como o centro do incipiente Estado da Boêmia. O local de sepultamento do guerreiro, bem no meio do castelo, indica que ele era um homem de destaque.

Olhando o esqueleto do soldado desconhecido, envolto em vidro nos corredores subterrâneos do antigo Palácio Real, é difícil não fazer a pergunta que por ora ainda não tem resposta: quem exatamente era esse homem, nascido no Mar Báltico, e que tinha uma espada viking e mestres boêmios?

"Assim como hoje as pessoas podem ter múltiplas identidades de acordo com sua situação, o mesmo pode ter ocorrido com o guerreiro", diz o professor Nicholas Saunders, especialista em conflitos, arqueologia e antropologia do século 20 na Universidade de Bristol, na Inglaterra.

Saunders publicou recentemente um artigo sobre o esqueleto, juntamente com o Frolik e Volker Heyd, um arqueólogo da Universidade de Helsinque, na Finlândia, que atualmente está trabalhando na análise de DNA que pode revelar mais sobre as origens étnicas do guerreiro. Mesmo assim, ainda restarão dúvidas.

"A coleção heterogênea de objetos desse esqueleto refletia suas múltiplas personalidades, algo maior do que dizer que ele era viking ou eslavo", diz Saunders.

"As pessoas inventam suas próprias identidades de acordo com o local onde estão no tempo e no espaço, mas esse homem era obviamente uma pessoa importante."

Em outras palavras, os objetos que ficaram com ele em sua morte refletiam sua vida.
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Norte de Botsuana é o lar ancestral do homem moderno, aponta estudo

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Estudo afirma que "lar ancestral" do homem moderno, o 'Homo sapiens sapiens', seria onde hoje é o deserto de Kalahari, na época uma savana exuberante.
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 Por G1  

 Postado em 28 de outubro de 2019 às 14h45m  

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Cientista Vanessa Hayes conversa com caçadores do grupo Juǀ’hoansi na Namíbia. — Foto: Divulgação/Chris Bennett/Evolving PictureCientista Vanessa Hayes conversa com caçadores do grupo Juǀ’hoansi na Namíbia. — Foto: Divulgação/Chris Bennett/Evolving Picture

Pesquisadores da Universidade de Sydney dizem ter descoberto o berço do homem moderno no norte da Botsuana. Em estudo publicado pela "Nature" nesta segunda-feira (28), a região teria abrigado há 200 mil anos, o Homo sapiens sapiens.

Ainda de acordo com os cientistas, a região foi habitada por esta espécie de hominídeo durante 70 mil anos. À época uma savana exuberante, a área é hoje o deserto de Kalahari.
A equipe de pesquisadores baseou seu trabalho na genealogia genética, que permite rastrear os modelos de migração.
"Sabemos há algum tempo que o homem moderno apareceu na África cerca de 200.000 anos atrás. Mas até agora não sabíamos exatamente onde", declarou Vanessa Hayes, principal autora do estudo, em entrevista coletiva.
O grupo analisou 200 genomas mitocondriais, marcadores genéticos da genealogia materna, extraídos de populações que atualmente vivem na Namíbia e na África do Sul, uma região da África há muito considerada um dos berços do homem moderno.
Localização de Botsuana, na África — Foto: Arte G1 
Localização de Botsuana, na África — Foto: Arte G1

"Olhando para essa linhagem, nos perguntamos de onde essas pessoas vieram, onde elas moravam? Depois estudamos a dispersão geográfica dessa linhagem", explicou Hayes à agência AFP.

Os testes de DNA revelaram a rara presença da linhagem genética materna mais antiga, chamada "L0", que ainda é conservada nessas populações.

"Fizemos análises espaciais para voltar no tempo, porque toda vez que ocorre uma migração, ela é registrada em nosso DNA, que muda. É como um relógio da nossa história", explicou a geneticista.

'Todos éramos khoisan'
Ao comparar os genomas, os pesquisadores conseguiram isolar um ancestral comum que era um khoisan, um povo caçador-coletor que existe ainda hoje.

Segundo o estudo, todos os homens que vivem atualmente na África e fora da África compartilham o mesmo ancestral.
"Acredito que todos nós fomos khoisan em um dado momento", disse Hayes.
Esses khoinsan, que formaram a primeira comunidade humana moderna, viveram na mesma região por 70.000 anos, sem se mover. Como ter certeza disso? Porque o genoma permaneceu idêntico, sem divergência, de 200 mil anos atrás a 130 mil anos atrás.

A comunidade prosperou nessa região (tão grande quanto a Nova Zelândia), localizada ao sul do rio Zambeze, no norte do atual Botsuana. Hoje deserto, o Kalahari era na época úmido, verde e exuberante.

Análises geológicas, combinadas com modelos climáticos, mostraram que abrigava um enorme lago, duas vezes o lago Victoria, chamado Makgadikgadi, que desapareceu desde então.
Membros de comunidade de 'bosquímanos', grupos tradicionais de caçadores e coletores do Sul da África. No deserto do Kalahari já são menos de 85 mil pessoas — Foto: Siphiwe Sibeko/ReutersMembros de comunidade de 'bosquímanos', grupos tradicionais de caçadores e coletores do Sul da África. No deserto do Kalahari já são menos de 85 mil pessoas — Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters

Um deserto outrora fértil
O clima começou a mudar devido a uma "modificação da órbita da Terra", disse Axel Timmermann, oceanógrafo e co-autor do estudo.
O lago desapareceu, a região secou gradualmente e as populações começaram a migrar através de "corredores verdes", na direção nordeste e depois sudoeste.

Essas primeiras saídas abriram o caminho para a futura migração de homens modernos fora da África.

Mas alguns ficaram e se adaptaram à seca. Seus descendentes vivem ali e ainda são caçadores-coletores.

Por causa desse modo de vida ancestral, Hayes suspeitava que esses khoisan carregavam a linhagem antiga. Outro sinal: falam um idioma que faz algumas consoantes clicarem com a língua.
"A linguagem com clique é a mais antiga", ressalta a pesquisadora.
"Os khoisan que vivem aqui nunca deixaram a pátria ancestral. Eles sabem que sempre estiveram aqui, contam isso de geração em geração. Eu tinha que provar isso cientificamente para o resto do mundo", comemora Hayes, que levou dez anos para descobrir essa genealogia genética.

"É como olhar para uma grande árvore, na qual europeus e asiáticos seriam pequenos galhos no topo", concluiu.
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