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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Cadastro positivo: entenda o que muda

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Consumidor que paga suas contas em dia vai entrar automaticamente na lista de 'bons pagadores'; antes, inclusão era opcional.

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Por Taís Laporta, G1 

Postado em 08 de abril de 2019 às 17h05m 
GIPOPE - GARIBA'S Logística for 2012 - 2013



O presidente Jair Bolsonaro sancionou sem vetos nesta segunda-feira (8) o projeto que altera o cadastro positivo. As mudanças devem entrar em vigor daqui a seis meses. O texto já havia recebido aprovação no Senado no último dia 13, após ter passado por mudanças na Câmara.

O cadastro positivo funciona como um banco de dados para reconhecer os consumidores que são bons pagadores. Ele já existe desde 2011 e entrou em vigor em 2013, mas tem pouca adesão. Agora, os bancos e outras instituições financeiras podem incluir o nome de consumidores nessa lista sem a necessidade de autorização prévia. Isso já acontece com o cadastro negativo – ou seja, a lista de inadimplentes.
Senado aprova novas regras para Cadastro PositivoSenado aprova novas regras para Cadastro Positivo
Veja abaixo perguntas e respostas sobre o cadastro positivo e entenda o que muda:

O que é o cadastro positivo?
É um banco de dados que reúne informações de consumidores com um bom histórico de pagamentos. Ou seja, aqueles que costumam pagar suas dívidas em dia e não estão inadimplentes. É uma espécie de currículo financeiro do bom pagador.

Para que serve?
O cadastro positivo serve como referência para varejistas e credores (bancos ou financeiras) identificarem quem são os bons pagadores que buscam crédito. De posse dessas informações, o objetivo é que eles consigam separar quem atrasa as contas de quem paga os boletos em dia e, assim, decidir para quem vão emprestar dinheiro. Quando o risco de calotes é mais baixo, eles podem cobrar juros menores do consumidor.

Esse ‘selo de bom pagador’ já funciona no Brasil?
Sim. A Lei do Cadastro Positivo entrou em vigor em agosto de 2013, mas a adesão foi bem menor que o previsto. Hoje, a inclusão nesse cadastro é opcional, e quem quiser entrar precisa pedir para ser incluído.

O que muda com a aprovação do projeto?
A modificação faz com que os consumidores com bom histórico de dívidas sejam incluídos automaticamente.

Então a participação no cadastro positivo agora é obrigatória?
Não. Quem não quiser fazer parte pode pedir para sair.

Quais os principais pontos do texto que foi aprovado?

  1. Cadastro aberto: os gestores do banco de dados podem compartilhar as informações com empresas e bancos;
  2. Nota de crédito: quem tem as contas em dia recebe uma pontuação.
  3. Comunicação: quem for adicionado no cadastro deve ser comunicado da inclusão e dos canais disponíveis para sair do banco de dados em até 30 dias;
  4. Saída do cadastro: cancelamento e reabertura do cadastro somente serão feitos com um pedido do próprio consumidor. O gestor do cadastro terá dois dias úteis para atender ao pedido;
  5. Acesso aos dados: o consumidor poderá ver seu histórico e pontuação e pedir que informações erradas sejam corrigidas em até 10 dias;
  6. Proteção de dados: o projeto determina que a quebra do sigilo bancário pode levar a prisão de um a quatro anos.
Quem é responsável por coletar as informações?
Empresas especializadas em análise de crédito, como Serasa, Boa Vista e SPC. Hoje, essas empresas compartilham as informações com varejistas, financeiras e bancos, que vão avaliar se concedem crédito e sob quais taxas de juros, de acordo com a capacidade de pagamento dos clientes.

Quais informações estão nesse cadastro?
Não está claro como as empresas obtêm estes dados, mas sabe-se que lá está o histórico de pagamentos de dívidas, desde faturas de cartão de crédito, contas de luz e telefone, internet, empréstimos e financiamentos. Esse cadastro traz a data do início da dívida, o valor das prestações com datas de vencimento e a informação de que a dívida foi paga.

O que é nota de crédito (score)?
O score serve para medir o risco do consumidor em não pagar uma dívida aos credores. Ela é dividida entre baixo, médio e alto risco de inadimplência, de acordo com o histórico de pagamento de cada consumidor. Quanto mais alta a nota, maiores as chances de obter crédito a um custo mais baixo. Os dados no cadastro positivo influenciarão esse score.

O que faz a nota de crédito subir ou cair?
Cada bureau de crédito (Serasa, SPC etc) pode estabelecer seus critérios para essa nota. De modo geral, quando o consumidor paga as contas em dia e tem menos de 30% de sua renda comprometida com empréstimos, o score sobe. Na outra direção, quem atrasa o pagamento de dívidas, está com o nome sujo e comprometeu boa parte de seus ganhos com crédito tem sua pontuação reduzida.
Entenda o score de crédito, nota que inclui o histórico de pagamento e o cadastro positivo. — Foto: Igor Estrella/G1Entenda o score de crédito, nota que inclui o histórico de pagamento e o cadastro positivo. — Foto: Igor Estrella/G1

Qual a diferença para o cadastro negativo?
As empresas no Brasil trabalham com a lógica inversa do cadastro positivo: avaliam o histórico de mau pagamento de consumidores e empresas (inadimplência ou atraso nas dívidas) para decidir se vão negar crédito ou cobrar taxas mais altas de quem estiver na lista negra. Hoje, quem tem o nome sujo entra automaticamente nessa base de dados.

O que dizem os defensores do cadastro positivo?
Espera-se que o consumidor que esteja na lista de bons pagadores tenha mais chances de obter taxas menores e prazos mais longos quando pedir empréstimo ou financiar um bem. É esperada ainda uma queda na inadimplência e o aumento do volume de crédito na economia.

O que defendem os críticos ao cadastro?
Órgãos de defesa do consumidor chegaram a ser opôr ao projeto de lei, alegando que não há transparência sobre como as informações serão coletadas, e que as empresas terão acesso a dados privados sem o prévio consentimento do cliente. Contudo, a aprovação da Lei de Proteção de Dados, que exige o prévio consentimento para o uso de informações pessoais, exclui a proteção de crédito dessa exigência, fortalecendo o argumento do “novo” cadastro positivo.

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domingo, 7 de abril de 2019

O passarinho que ajudou a transformar o famoso trem-bala do Japão

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Engenheiros solucionaram problema ao observarem anatomia do bico do guarda-rios, uma pequena ave mergulhadora.

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Por BBC 

Postado em 07 de abril de 2019 às 18h30m 
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O passarinho que ajudou a transformar o famoso trem-bala do Japão — Foto: Reprodução/BBC

Trinta anos atrás, o trem-bala japonês enfrentava um problema.
Isso porque o ar se acumulava em sua dianteira quando o trem entrava no túnel. Essa massa de ar comprimido criava uma onda sonora que estourava quando ele saía, prejudicando a saúde de animais, passageiros e pessoas que viviam nos arredores.

O barulho era parecido ao de um tiro. O ar também reduzia a velocidade do trem, assim como quando caminhamos dentro d'água. Mas como solucionar esse problema?

A solução veio a partir do estudo da anatomia do bico do guarda-rios, uma pequena ave mergulhadora. Os engenheiros se deram conta de que o bico longo, afiado e pontiagudo desse pássaro é ideal para um mergulho perfeito.

O bico, que se parece a dois triângulos arredondados, aumenta em diâmetro da ponta à cabeça. Isso minimiza o impacto quando o pássaro atinge a água. Ou seja, ao mergulhar, a água flui ao redor do bico, em vez de de acumular na frente dele, exatamente o contrário do trem-bala.

Foi assim que o guarda-rios ajudou os engenheiros a projetar o novo nariz do trem-bala japonês. Ao ser testado, o novo trem foi mais rápido, silencioso e mais potente, com uma resistência ao ar 30% inferior à do modelo antigo.

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Estudo contesta teoria de que beber de forma moderada pode trazer benefícios à saúde

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Pesquisa publicada na revista científica The Lancet conclui que qualquer nível de consumo de álcool aumenta risco de acidente vascular cerebral.

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Por BBC 

Postado em 07 de abril de 2019 às 16h25m 
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Estudo acompanhou 500 mil chineses por uma década — Foto: Unsplash

Você já ouviu falar que beber uma taça de vinho por dia pode fazer bem à saúde?
Um estudo publicado na revista científica The Lancet contesta essa e outras teorias que afirmam que beber com moderação pode proteger o corpo de algumas doenças.

A pesquisa, conduzida por especialistas do Reino Unido e da China que acompanharam 500 mil adultos chineses durante 10 anos, destaca que mesmo a ingestão moderada de álcool pode aumentar a pressão arterial e o risco de acidente vascular cerebral, o popular derrame.
A doença é a que mais mata no Brasil e a que mais causa incapacidade no mundo.

Segundo os cientistas, as conclusões são a evidência mais segura até então sobre os efeitos diretos do álcool no organismo e valem para qualquer sociedade no planeta.
Mas pesquisadores com quem a BBC conversou e que não participaram do estudo fizeram ressalvas.

Já é sabido que o consumo excessivo de bebidas alcoólicas é nocivo à saúde e eleva o risco de derrame. Alguns estudos, entretanto, afirmam que a ingestão de pequenas quantidades podem fazer bem ao organismo, enquanto outros defendem que não há nível seguro para o consumo de álcool.

Aumento do risco de AVC
Os pesquisadores, ligados à Universidade de Oxford, à Universidade de Pequim e à Academia de Ciências Médicas da China, verificaram que uma ou duas doses por dia aumentariam o risco de derrame entre 10% e 15%, percentual que saltaria para cerca de 35% com o consumo de quatro doses por dia.

Uma dose é definida como uma taça de vinho ou uma garrafa de cerveja ou uma medida padrão de destilado.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) estima que 2,3 bilhões de pessoas no mundo consumam bebidas alcoólicas, com uma média de 33g por dia, o que aquivale a aproximadamente duas taças de 150 ml de vinho, uma garrafa de cerveja de 750 ml ou duas doses de 40 ml de destilado.

O estudo não encontrou nenhum indício de que a ingestão de bebidas, ainda que de forma reduzida, tivesse efeito "protetor".

"As alegações de que o vinho e a cerveja têm efeitos protetores mágicos não se sustentam", diz Richard Peto, coautor do estudo e professor de estatísticas médicas e epidemiologia na Universidade de Oxford.
Sobre a relação entre o risco de ataque cardíaco e o consumo de álcool, os pesquisadores afirmaram que os dados eram inconclusivos e que seria necessária uma análise mais aprofundada.

Por que a China?
A análise se concentrou no país asiático porque um percentual significativo da população dessa região tem variantes genéticas que limitam sua tolerância ao álcool.

Dado que sua composição genética tem grande efeito sobre o consumo de bebidas, mas não sobre outras variáveis, como a dieta e o consumo de tabaco, ela pode ser usada pelos cientistas como parâmetro para determinar as consequências da ingestão de álcool.

Os pesquisadores ressaltam que, ao comparar os resultados dos testes realizados entre chineses que consomem álcool e aqueles que são abstêmios de acordo com seu perfil genético, conseguiram estabelecer de forma mais precisa os efeitos diretos do álcool sobre o risco de ocorrência um acidente vascular cerebral.
Pesquisa foi feita com base em análises genéticas — Foto: PixabayPesquisa foi feita com base em análises genéticas — Foto: Pixabay

"Utilizar a genética é um caminho novo para esclarecer se beber de forma moderada nos protege realmente ou se pode também nos fazer mal", ponderou Iona Millwood, da Universidade de Oxford, também coautora do estudo e especialista em epidemiologia.

"A análise genética nos ajudou a entender as relações de causa e efeito."
Para os pesquisadores, a principal mensagem do trabalho é a de que nenhum nível de consumo de álcool nos protege de um AVC - ou seja, que mesmo beber uma pequena quantidade eleva as chances de um derrame - e que, portanto, se deveria manter o consumo de bebidas ao mínimo. 

O que dizem outros especialistas?
O estudo levantou algumas dúvidas na comunidade científica.
Stephen Burgess, da Universidade de Cambridge, ponderou que a análise tem algumas limitações, entre elas o fato de só ter se debruçado sobre a população chinesa e ter se concentrado especialmente sobre o consumo de destilados e de cerveja, mas não de vinho.

O especialista reconheceu, contudo, que os resultados são reflexo de muitos anos de pesquisa da comunidade científica sobre o impacto de consumo de álcool sobre o corpo.
"Ele aponta de forma contundente que não há benefício cardiovascular na ingestão de forma moderada e que o risco de AVC aumenta mesmo com o consumo reduzido de bebidas."

"O risco de derrame cresce na mesma proporção que a quantidade de álcool consumida. Assim, se uma pessoa decide beber, deveria limitar o consumo."
Para alguns especialistas estudo 'não responde a todas as perguntas' — Foto: UnsplashPara alguns especialistas estudo 'não responde a todas as perguntas' — Foto: Unsplash

Para Kevin McConway, professor emérito de estatística aplicada da britânica Open University, a pesquisa não responde a "todas" as perguntas.

"Aumenta o que sabemos sobre o papel do álcool sobre certas doenças, mas pode não ser a última palavra", considerou.
"Ele não esclarece exatamente como o álcool eleva o risco de AVC, mas não de ataque cardíaco."

De qualquer forma, pontua David Spiegelhalter, professor da disciplina de Compreensão Pública de Risco na Universidade de Cambridge, o estudo ajudou a relativizar teorias até pouco tempo amplamente aceitas.

"Sempre estive razoavelmente convencido de que o consumo moderado de álcool nos protegia de doenças cardiovasculares, mas agora tenho minhas dúvidas."

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