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Guerra no Oriente Médio pressiona três importantes passagens marítimas que concentram ⅓ do fluxo global de petróleo
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Por Yoanna Stavracas, tv globo
Postado em 16 de Abril de 2.026 às 06h00m
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Tensão aumenta com bloqueio dos EUA ao Irã
Juntos, esses corredores concentram cerca de um terço do fluxo global de petróleo. Na prática, quem controla essas passagens exerce influência direta sobre o ritmo da economia mundial – um sistema que, por décadas, operou sob o princípio do livre comércio marítimo e agora está sob forte pressão.
Na avaliação de Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense e pesquisador de Harvard, o aumento da tensão já levanta comparações com momentos críticos do passado, como o choque do petróleo de 1973, a Revolução Iraniana de 1979, a guerra dos petroleiros entre Irã e Iraque nos anos 1980 e a Guerra do Golfo no início dos anos 1990.
“Neste momento, estamos mais próximos dos cenários dos anos 1980 e 1990. Mas a intensificação da guerra e a possibilidade de fechamento também do Bab-el-Mandeb podem nos aproximar dos choques das décadas de 70”, avalia Brustolin.Como funcionam os 3 gargalos
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Como funcionam os 3 gargalos — Foto: Sarah Follador/ Arte
O Estreito de Ormuz é hoje o principal foco de tensão. Desde que passou a ser alvo de ataques dos EUA e de Israel, o Irã vem restringindo a passagem de embarcações na região, inclusive com cobrança de pedágios.
Em resposta, o presidente Donald Trump ameaça atingir navios ligados ao país. Na prática, o que se desenha é um jogo de bloqueio contra bloqueio, elevando o risco sobre uma das rotas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.
O segundo ponto de pressão é o Estreito de Bab-el-Mandeb, que vem sofrendo ameaças constantes de ataques e escalada militar. É por ali que os navios acessam o Mar Vermelho e, consequentemente, o Canal de Suez — uma das principais ligações marítimas entre Europa e Ásia.
A dependência entre essas rotas é direta: o Canal de Suez não funciona isoladamente, já que depende do fluxo que vem do sul. Se o de Bab-el-Mandeb é interrompido, Suez passa a operar como um “refém logístico” desse estreito. O impacto vai além do petróleo.
“Pelo Estreito de Ormuz passa cerca de 20% do petróleo mundial. Pelo Bab-el-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho e ao Canal de Suez, passa mais 12%. Mas não é só isso: também está em jogo uma rota essencial para o comércio entre o Oriente e a Europa”, explica o professor.
Um exemplo dessa vulnerabilidade é a Arábia Saudita. Para reduzir a dependência do Estreito de Ormuz, o país investiu em um oleoduto que cruza seu território, levando petróleo do Golfo até o Mar Vermelho. O Oleoduto Leste-Oeste (Petroline) tem capacidade de transportar até 7 milhões de barris de petróleo por dia.
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Arábia Saudita investiu em um oleoduto que cruza seu território — Foto: Imagem: Sarah Follador/ Arte
A alternativa, no entanto, não elimina o risco. O próprio oleoduto já foi alvo de ataques durante o conflito e, acima disso, o petróleo ainda precisa passar pelo Estreito de Bab-el-Mandeb para seguir viagem. Na prática, desvia-se de um gargalo, mas se cai em outro.
Papel do Iêmen
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Papel do Iêmen — Foto: Sarah Follador/ Arte
Embora não tenha controle direto sobre o Mar Vermelho, como acontece no entorno do Estreito de Ormuz, o Irã projeta influência sobre a região por meio de aliados. No Iêmen, grupos armados ligados a Teerã estão posicionados ao lado do Estreito de Bab-el-Mandeb. Na prática, isso permite ao Irã ampliar a capacidade de pressão também sobre essa rota estratégica.
Esse papel é exercido principalmente pelos Houthis, milícia aliada que já demonstrou capacidade de interferir diretamente no fluxo marítimo. “Os Houthis já fecharam o Estreito de Bab-el-Mandeb, não faz muito tempo, em resposta à guerra entre Israel e o Hamas. Foi necessária uma coalizão de dez países para reabrir o estreito”, relembra Brustolin .
A atuação do grupo faz parte de uma estratégia mais ampla do Irã de apoio a forças aliadas na região.
“Os Houthis foram treinados e financiados por forças iranianas. Isso faz parte da arquitetura do Irã, que vem desde a era do general Qasem Soleimani, morto durante o primeiro mandato de Donald Trump. É o que se chama de ‘arco da resistência’, que inclui também o Hezbollah, no Líbano, além de grupos como o Hamas e a Jihad Islâmica na Palestina”, completa.
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