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Conheça detalhes do projeto cujo investimento foi anunciado nesta sexta (11) pelo governo federal. Estrutura batizada de Orion ficará junto ao Sirius, acelerador de partículas brasileiro.<<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Fernando Evans, g1 Campinas e Região
Postado em 12 de agosto de 2023 às 7h00m
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Perspectiva artística do Orion, complexo laboratorial de máxima
contenção biológica que será construído no CNPEM, em Campinas (SP), como
parte do novo PAC do governo federal — Foto: Reprodução/CNPEM
Com investimento previsto de R$ 1 bilhão, como parte do novo Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), do governo federal, o laboratório de biossegurança máxima (NB4) que será construído no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), terá uma característica única no mundo: é a primeira vez que a estrutura estará conectada a uma fonte de luz síncrotron, o Sirius. Conheça, abaixo, detalhes do projeto.
🧪 O complexo laboratorial de máxima contenção biológica representa um avanço para o Brasil, que permitirá pesquisas com patógenos capazes de causar doenças graves e com alto grau de transmissibilidade (das chamadas classes 3 e 4) - estrutura essa que não existe até hoje em toda a América Latina.
💉Possuir um laboratório de biossegurança máxima (NB4) oferece condições ao país de monitorar, isolar e pesquisar os agentes biológicos para desenvolver métodos de diagnóstico, vacinas e tratamentos.
🧫No caso do Brasil, mais do que armazenar e manipular essas amostras biológicas, o laboratório de biossegurança máxima terá acesso exclusivo a três linhas de luz (estações de pesquisa) do Sirius, o que não existe em nenhum outro lugar do mundo.
🌟 É por conta dessa conexão com o Sirius que vem o nome do projeto, Orion, em homenagem à constelação que possui três estrelas apontadas para a estrela que batizou o acelerador de partículas brasileiro.
👩🔬 O projeto prevê a capacitação de cientistas brasileiros para lidar com agentes infecciosos desses tipos. Essa formação já integra o custo previsto de R$ 1 bilhão.
🏗 O complexo laboratorial terá cerca de 20 mil metros quadrados, e sua construção está prevista para ficar pronta até 2026. Após essa etapa, o Orion passará pelo chamado comissionamento técnico e científico, e também por certificações internacionais de segurança, para que possa entrar em operação regular.
O Orion será único no mundo, uma vez que o complexo laboratorial de
máxima contenção biológica estará conectado ao Sirius, fonte de luz
síncrotron de 4ª geração — Foto: CNPEM/Divulgação
Vírus circulantes na mira
De acordo com o CNPEM, existem cerca de 60 laboratórios de máxima contenção no mundo, com estrutura e certificados para manipular amostras biológicas classificados como "classe 4" - nenhum deles na América do Sul, Central ou Caribe.
🥼 E o que isso permite? Para se ter uma ideia, o primeiro e único vírus desta categoria já identificado no Brasil, o Sabiá (SABV), que causa a febre hemorrágica brasileira, doença diagnosticada em humanos pela primeira vez na década de 1990, tem amostras isoladas armazenadas no exterior.
Pesquisas mais aprofundadas sobre a doença não são realizadas hoje em solo brasileiro por falta de infraestrutura adequada. Segundo Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, a doença teve recentes notificações.
😷 Veja exemplos de outros vírus que poderão ser manipulados no Orion e que são circulantes na América Latina:
- Junín: causador da febre hemorrágica argentina
- Guanarito: causador da febre hemorrágica venezuelana
- Machupo: causador da febre hemorrágica boliviana
No mundo, estruturas como essa são as responsáveis por análises e estudos de vírus como o Ebola, por exemplo, que são mais perigosos que o Sars-Cov-2, causador da Covid-19.
E a própria Covid-19 serve de alerta sobre a necessida de monitoramento de agentes conhecidos, em constante mutação, e novas ameaças - crescimento populacional e desmatamento, por exemplo, são apontados como fatores de desequilíbrio em áreas que podem ser reservatórios naturais de doenças ainda desconhecidas.
“A pandemia recolocou no centro do debate a importância do domínio nacional de uma base produtiva em saúde, bem como o papel do Estado na coordenação de agentes e investimentos no enfrentamento da crise sanitária. Nesse contexto, a implantação do laboratório de biossegurança nível 4 é estratégica para o país. E a conexão entre o NB4 e a fonte de luz síncrotron abrirá grandes oportunidades de pesquisa e desenvolvimento na área de patógenos, posicionando o Brasil como liderança global”, afirmou a ministra Luciana Santos.
Por que o Orion será único no mundo?
De acordo com Antonio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, além de instalações laboratoriais em NB3 e NB4 e das estações de pesquisa com técnicas de luz síncrotron, junto ao Sirius, o projeto deve ainda reunir laboratórios de pesquisa básica, técnicas analíticas e competências avançadas para imagens biológicas, como microscopias eletrônicas e criomicroscopia.
"Todas essas competências científicas reunidas em um unico complexo é algo que o diferencia de toda infraestrutura disponível no Brasil e no mundo", destaca.
Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM — Foto: Fernando Evans/G1
📝Um dos pontos-chave do projeto está na capacitação de pessoal, que contará com parcerias com instituições internacionais de referência e treinamentos no exterior. O programa prevê atividades práticas em ambiente-modelo (Laboratório Mockup), no próprio CNPEM.
Segundo Silva, as equipes enfrentrão condições simuladas, sem a manipulação de materiais infecciosos ou risco de contágio, sob supervisão de profissionais capacitados.
"Paralelamente às obras e aos desenvolvimentos tecnológicos do Projeto Orion, o CNPEM irá conduzir um programa nacional de treinamento e capacitação em infraestruturas de alta e máxima contenção biológica, voltado à formação de recursos humanos em competências ainda pouco desenvolvidas no Brasil e nos demais países da América Latina", detalha o diretor.
Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, reforça a ciência no enfrentamento do novo coronavírus — Foto: Nelson Kon
Sirius, fase 2
Considerado o principal projeto científico brasileiro, o Sirius é um laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, que atua como uma espécie de "raio X superpotente" que analisa diversos tipos de materiais em escalas de átomos e moléculas.
Ele foi projetado para abrigar até 38 linhas de luz (estações de pesquisa), sendo 14 delas previstas na primeira fase. Agora, com o novo PAC, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai destinar mais R$ 800 milhões para avançar no projeto, com a construção de mais 10 novas linhas.
Junto as novas estações previstas, outras três serão construídas e conectadas ao complexo Orion (dentro do orçamento do laboratório). As linhas no Sirius são batizadas com nomes inspirados na fauna e flora brasileira, e essas serão a Hibisco, Timbó e Sibipiruna.
As três linhas, segundo o diretor do CNPEM, devem ser entregues justamente com toda a estrutura voltada para pesquisa básica, técnicas analíticas e competências de bioimagens previstas para o Orion.
"Essas estações de pesquisa permitirão extrair informações estruturais quantitativas a respeito dos sistemas infectados com patógenos de classe 3 e 4, desde o nível subcelular até o nível de organismo. Com isso, geraremos imagens 3D que permitirão, por exemplo, o estudo celular em escala nanométrica, passando pela dinâmica de inflamação nos tecidos e danos aos órgãos, até o acompanhamento do processo de infecção no organismo. Juntamente com as outras técnicas avançadas que serão integradas no Orion, teremos condições para que patógenos, células, tecidos e organismos sejam pesquisados de forma segura, o que tornará possível a compreensão dos fenômenos biológicos relacionados ao desenvolvimento das doenças e guiará o desenvolvimento de futuros métodos de diagnóstico, vacinas e tratamentos", detalha Silva.
❓ Como funciona o Sirius? Para observar as estruturas, os cientistas aceleram os elétrons quase na velocidade da luz, fazendo com que percorram o túnel de 500 metros de comprimento 600 mil vezes por segundo. Depois, os elétrons são desviados para uma das estações de pesquisa, ou linhas de luz, para os experimentos.
🧲 Esse desvio é realizado com a ajuda de ímãs superpotentes, e eles são responsáveis por gerar a luz síncrotron. Apesar de extremamente brilhante, ela é invisível a olho nu. Segundo os cientistas, o feixe é 30 vezes mais fino que o diâmetro de um fio de cabelo.
Além da construção do Orion e a fase 2 do Sirius, o governo federal anunciou investimentos em diferentes áreas na região de Campinas, como a expansão da Replan, maior refinaria de petróleo do Brasil, e investimento no Trem Intercidades. Veja mais detalhes abaixo.
- Aumento da capacidade de refino da Replan
- Trem Intercidades (TIC)
- Saúde, educação, habitação e mais
As obras previstas incluem construção e ampliação de unidades para aumento da capacidade de refino. Atualmente, o local tem capacidade para processar 69 mil m³ de petróleo por dia, o equivalente a 434 mil barris, e atende a 30% do território brasileiro.
Na planta são produzidos derivados como gasolina, diesel, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo (GLP, o gás de cozinha), óleo combustível, asfalto, propeno e bunker, entre outros.
Replan, a maior refinaria de petróleo da Petrobras, fica em Paulínia (SP) — Foto: Júlio César Costa/g1
Trem Intercidades (TIC)
🚈 O Trem Intercidades São Paulo-Campinas (TIC) deve percorrer os 101 km entre São Paulo e Campinas no tempo previsto de 1 hora e 4 minutos, atendendo também as cidades de Jundiaí, Louveira, Vinhedo e Valinhos.
O edital prevê aporte de R$ 12,8 bilhões para a infraestrutura, incluindo a construção e modernizações. O montante que será repassado pelo novo PAC não foi confirmado até esta publicação.
Rafael Benini, Secretário de Parcerias em Investimentos (SPI), informou que o serviço intermetropolitano estará em funcionamento até 2029, enquanto o trem expresso, que prevê apenas uma parada de dois minutos em Jundiaí, deve começar a operar até 2031.
Área da estação ferroviária central, em Campinas, terá uma estação do Trem Intercidades — Foto: Carlos Bassan/PMC
Saúde, educação, habitação e mais
O novo PAC também prevê aportes destinados a obras nas áreas da saúde, educação, habitação, saneamento e cultura (veja detalhes na tabela acima). O programa Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, deve construir novas unidades habitacionais em 16 cidades da região.
Veja, abaixo, o resumo dos empreendimentos previstos por área:
- Abastecimento de água: obras em Campinas, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Pedreira, Indaiatuba, Sumaré e Americana;
- Esgotamento sanitário: obras em Campinas, Mogi Guaçu e Sumaré;
- Minha Casa, Minha Vida: obras em Águas de Lindoia, Americana, Amparo, Artur Nogueira, Campinas, Espírito Santo do Pinhal, Estiva Gerbi, Hortolândia, Indaiatuba, Jaguariúna, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Monte Mor, Sumaré, Valinhos e Vinhedo;
- Urbanização de favelas: retomada das obras do Córrego Taubaté, em Campinas;
- Educação básica: obras em Americana, Indaiatuba, Mogi Guaçu, Monte Mor e Santo Antônio de Posse;
- Inovação e pesquisa: obras em Campinas e Jaguariúna, incluindo aquisições de equipamentos para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa);
- Serviços postais: implantação de sistema de triagem automatizado em Valinhos;
- Cultura: retomada das obras do Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) em Artur Nogueira;
- Atenção primária: retomada das obras na Unidade Básica de Saúde de Monte Mor;
- Combustíveis de baixo carbono: produção de combustíveis com percentual renovável em Paulínia;
- Eficiência energética: obras de iluminação pública (IP) em Campinas;
- Transmissão de energia: obras de linhas com 388 km de extensão na subestação de Campinas.
Embrapa Informática Agropecuária, em Campinas — Foto: Lilian Alves
A nova versão do PAC foi coordenada pela Casa Civil, que selecionou projetos de infraestrutura nas 27 unidades da federação.
Lula aposta no retorno do programa para incentivar a geração de emprego e renda com grandes obras em diferentes áreas, com empreendimentos executados pelo governo federal e parcerias com o setor privado.
O PAC foi criado em 2007, no segundo mandato de Lula, e mantido até o final da gestão de Dilma Rousseff, em 2016. Nas edições anteriores do programa, o governo gastou R$ 666,5 bilhões, em valores atualizados pela inflação até junho deste ano.
Apesar dos altos valores de investimento, o PAC teve baixa execução de obras. Um relatório do TCU de 2019 aponta que o PAC 1 (2007 a 2010) concluiu somente cerca de 9% das ações previstas no período. Já o PAC 2 (2011 a 2014) entregou 26% das medidas previstas.
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