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sábado, 28 de março de 2026

Como era o Sistema Solar há 4,5 bilhões de anos?

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Telescópio pode ter a resposta — e as imagens Astrônomos flagraram dois planetas nascendo ao mesmo tempo ao redor da estrela jovem WISPIT 2; estrutura do sistema lembra os modelos do nosso Sistema Solar em sua fase inicial.
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Por Redação g1

Postado em 28 de Março de 2.026 às 06h00m
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Sistema planetário em formação ao redor da estrela jovem WISPIT 2 revela dois planetas gigantes gasosos, identificados em meio ao disco de gás e poeira onde novos mundos estão surgindo. — Foto: ESO/C. Lawlor, R. F. van Capelleveen et al.
Sistema planetário em formação ao redor da estrela jovem WISPIT 2 revela dois planetas gigantes gasosos, identificados em meio ao disco de gás e poeira onde novos mundos estão surgindo. — Foto: ESO/C. Lawlor, R. F. van Capelleveen et al.

Uma equipe internacional de astrônomos conseguiu algo raro: observar, em tempo real, dois planetas nascendo ao mesmo tempo em torno de uma mesma estrela jovem.

O feito foi anunciado nesta última terça-feira (24) na revista científica "The Astrophysical Journal Letters" e envolveu telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile.

A estrela em questão se chama WISPIT 2.

Ao seu redor, um enorme disco de gás e poeira ainda está em processo de se transformar em planetas — e o sistema se parece tanto com o que os modelos científicos descrevem como o estágio inicial do nosso Sistema Solar que os próprios pesquisadores o chamaram de "a melhor vista que temos, até agora, do nosso próprio passado".

"O WISPIT 2 é a melhor vista que temos, até agora, do nosso próprio passado", disse em um comunicado Chloe Lawlor, doutoranda da Universidade de Galway, na Irlanda, e autora principal do estudo.

Esta é apenas a segunda vez que a ciência consegue observar diretamente dois planetas se formando ao redor de uma estrela ao mesmo tempo.

O único caso anterior era o sistema PDS 70. Mas o novo sistema tem uma diferença importante: o disco de material ao redor de WISPIT 2 é muito maior e mais estruturado do que o de PDS 70, com anéis e espaços vazios bem definidos, o que sugere que ainda mais planetas podem estar nascendo ali.

"O WISPIT 2 proporciona-nos um laboratório perfeito para observar não apenas a formação de um planeta individual, mas também a de um sistema planetário completo", afirmou Christian Ginski, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Galway. 
Como os planetas foram encontrados

O primeiro planeta do sistema — chamado WISPIT 2b — havia sido detectado no ano passado.

Ele tem uma massa quase cinco vezes maior que a de Júpiter e orbita a estrela a uma distância equivalente a cerca de 60 vezes a distância entre a Terra e o Sol.

Depois disso, indícios de um segundo objeto apareceram próximo à estrela.

Para confirmar se era mesmo um planeta, a equipe usou dois instrumentos potentes do ESO: o SPHERE, acoplado ao Very Large Telescope (VLT), que capturou uma imagem direta do objeto; e o GRAVITY+, ligado ao Interferômetro do VLT, que confirmou sua natureza planetária.

O resultado: um segundo planeta, batizado de WISPIT 2c, quatro vezes mais próximo da estrela central do que o primeiro e com o dobro de sua massa. Ambos são gigantes gasosos, do mesmo tipo que Júpiter e Saturno no nosso Sistema Solar. 

"O nosso estudo utilizou a recente atualização GRAVITY+, sem a qual não teríamos conseguido obter uma detecção tão clara de um planeta tão próximo da sua estrela", explicou Guillaume Bourdarot, pesquisador do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, na Alemanha, e coautor do trabalho.

Imagem do telescópio VISTA mostra a região ao redor da estrela jovem WISPIT 2, vista no centro do campo. — Foto: ESO/VHS team
Imagem do telescópio VISTA mostra a região ao redor da estrela jovem WISPIT 2, vista no centro do campo. — Foto: ESO/VHS team

Um terceiro planeta a caminho?

Agora imagine um enorme redemoinho de poeira e gás girando ao redor de uma estrela recém-nascida.

Com o tempo, partículas desse material começam a se aglomerar, atraindo mais e mais matéria pela força gravitacional, como uma bola de neve que cresce enquanto rola.

Quando esse aglomerado atinge massa suficiente, nasce um protoplaneta: o embrião de um planeta. O material que sobra ao redor desse espaço se organiza em anéis, deixando uma lacuna visível no disco.

É exatamente isso que os astrônomos estão vendo ao redor de WISPIT 2: dois espaços vazios no disco, cada um ocupado por um planeta em formação, cercados por anéis de poeira bem definidos. 

E além dos dois espaços onde WISPIT 2b e WISPIT 2c foram encontrados, há pelo menos mais uma lacuna no disco, ainda mais distante da estrela — e menor.

"Suspeitamos que exista um terceiro planeta em formação nesse espaço", disse Lawlor, "possivelmente com a massa de Saturno, dado que o espaço é mais estreito e menos profundo." A equipe pretende investigar essa região com mais detalhes.

Com o futuro Extremely Large Telescope do ESO, ainda em construção no deserto chileno do Atacama, os pesquisadores esperam conseguir imagens diretas desse possível terceiro planeta.

Mapa indica a posição da estrela jovem WISPIT 2 na constelação de Águia, destacada por um círculo vermelho entre estrelas visíveis a olho nu. — Foto: ESO, IAU and Sky & Telescope
Mapa indica a posição da estrela jovem WISPIT 2 na constelação de Águia, destacada por um círculo vermelho entre estrelas visíveis a olho nu. — Foto: ESO, IAU and Sky & Telescope

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