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sábado, 29 de junho de 2024

O mar pode congelar? Entenda fenômeno que 'parou ondas' no sul da Argentina; vídeo viralizou

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Embora as imagens pareçam impressionantes, o fenômeno do gelo marinho é comum em regiões de alta latitude, além de ser essencial para a biodiversidade dos oceanos, explica especialista em clima da UFGRS.
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Por Fernanda Giacomassi

Postado em 29 de junho de 2024 às 09h00m

#.*Post. - N.\ 11.250*.#


Temperaturas extremas congelam ondas do mar na Terra do Fogo, na Argentina

Na última terça-feira (25), um vídeo que mostra uma praia com o "mar congelado" viralizou nas redes sociais (veja acima). O episódio aconteceu na região de San Sebastián, na Patagônia Argentina, que pertence ao arquipélago conhecido como Terra do Fogo.

Embora as imagens pareçam impressionantes, o fenômeno do gelo marinho é comum em regiões de alta latitude, onde estão localizados o Ártico e a Antártica. Além de ser essencial para a manutenção da biodiversidade dos oceanos.

Ao g1, o professor Francisco Aquino, climatologista e pesquisador do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS), explicou as condições necessárias para que ele ocorra:

  • Estar em região costeira, rasa e isolada;
  • Ter temperaturas abaixo de 0°C (entre -2°C e -3°C);
  • Temperatura ambiente também deve ser baixa, e sem vento;
  • E águas devem ser calmas, ou seja, sem ondas.

Naturalmente, o sal presente na água do mar impede o arranjo da estrutura cristalina que forma o gelo. Mas, quando todas as condições meteorológicas são favoráveis, ocorre a expulsão gradual do sal, possibilitando a formação congelada.

"Isso significa que, se nesta região o mar congelasse durante o inverno, não derretesse no verão e no próximo inverno ele expandisse a sua espessura, cada vez mais você teria gelo marinho de água doce. Trata-se de uma água que pode ser consumida, inclusive", explica o pesquisador.

🤔 Mas, então, não são ondas congeladas?

Não. Na verdade, o que vemos congelado é a ondulação do mar, que acontece naturalmente em áreas costeiras do oceano.

"Quando vídeos assim viralizam, o comentário que as pessoas fazem das imagens é de que as ondas congelaram. É importante destacar isso: se tivesse onda rompendo naquela praia, o mar não congelaria, a dinâmica interromperia o processo lento e sutil necessário para o congelamento", explica Francisco Aquino.

Segundo o especialista, a espessura da camada de gelo na região onde o vídeo foi gravado tem, em média, de 15 a 20 centímetros. Como é extremamente delicada, ela dura no máximo alguns dias ou semanas.

Nas regiões mais próximas aos polos, no entanto, esta camada de gelo marinho é mais espessa e pode durar anos. O que significa que pesquisadores e animais caminham sobre o mar, literalmente, para chegar ao oceano aberto ou ao centro dos continentes.

❄️O fenômeno na Argentina tem relação com as mudanças climáticas?

O gelo marinho é um acontecimento natural que pode acontecer em períodos de inverno severo. No caso que viralizou na Argentina, ele se deu em decorrência de uma massa de ar mais fria que se descolou do Mar de Weddell em direção à Patagônia.

"O que podemos dizer, no entanto, é que as mudanças climáticas, somadas ao El Niño, foram responsáveis por mudar o padrão de circulação atmosférica e tornar ele mais intenso nos últimos meses. Por isso, vimos mais nevascas em um curto espaço do tempo", afirmou Francisco Aquino.

Algumas partes congeladas no Mar de Weddell, que influenciou a formação em San Sebastián, foram maiores em maio de 2024 em relação aos anos anteriores. Na imagem abaixo, a parte branca representa o gelo marinho formado ao redor da Antártica durante o mês e a linha vermelha representa a média esperada pelos cientistas.

Camada de gelo marinho foi maior em maio de 2024 do que a esperada pelos cientistas — Foto: National Snow and Ice Data Center
Camada de gelo marinho foi maior em maio de 2024 do que a esperada pelos cientistas — Foto: National Snow and Ice Data Center

🐧 O gelo marinho atrapalha a vida dos animais?

Segundo o professor da UFRGS, o fenômeno não causa nenhum problema aos animais.

"Aliás, ele é até necessário. A formação de gelo marinho cria condições, tanto no Ártico, mas especificamente na Antártica, de água um pouco mais fria, um pouco mais salgada, e que vai estar rica em oxigênio", diz.

"Essa água mais rica vai afundar, alimentando a cadeia da biodiversidade marinha de todos os oceanos do planeta Terra".

Temperaturas extremas congelam ondas do mar na Terra do Fogo — Foto: Reprodução/ X
Temperaturas extremas congelam ondas do mar na Terra do Fogo — Foto: Reprodução/ X

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sexta-feira, 28 de junho de 2024

Desemprego cai a 7,1% no trimestre terminado em maio, diz IBGE

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Desocupação atinge 7,8 milhões de pessoas, mas população ocupada bate recorde ao passar dos 101 milhões. É a menor taxa de desocupação para este trimestre desde 2014 (7,1%).
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Por Raphael Martins, g1

Postado em 28 de junho de 2024 às 11h00m

#.*Post. - N.\ 11.249*.#


Desemprego cai a 7,1% no trimestre terminado em maio, diz IBGE

A taxa de desemprego no Brasil foi de 7,1% no trimestre encerrado em maio, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em relação ao trimestre imediatamente anterior, encerrado em fevereiro, houve queda de 0,7 ponto percentual na taxa de desocupação, que era de 7,8%. No mesmo trimestre de 2023, a taxa era de 8,3%.

Trata-se do melhor resultado para um trimestre encerrado em maio desde 2014 (7,1%).

Com os resultados, o número absoluto de desocupados teve queda de 8,8% contra o trimestre anterior, atingindo 7,8 milhões de pessoas. Na comparação anual, o recuo é de 13%.

No trimestre encerrado em maio, também houve alta de 1,1% na população ocupada, estimada em 101,3 milhões de pessoas — novo recorde da série histórica iniciada em 2012. No ano, o aumento foi de 3%, com mais 2,9 milhões de pessoas ocupadas.

Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, o resultado reflete uma tendência de aumento de procura por trabalhadores em diversas atividades econômicas. Mas há também um fator sazonal de recuperação em setores como a Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que voltam a contratar após as dispensas de trabalhadores na virada de ano.

O percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar — chamado de nível da ocupação — foi estimado em 57,6%, aumento de 0,5 p.p. do trimestre anterior. Em relação ao mesmo período do ano anterior, a alta é de 1,2 p.p.

Já o número de pessoas dentro da força de trabalho (soma de ocupados e desocupados), teve alta de 1,6%, estimado em 109,1 milhões. A população fora da força totalizou 66,8 milhões, estável em relação ao período anterior.

Veja os destaques da pesquisa

  • Taxa de desocupação: 7,1%
  • População desocupada: 7,8 milhões de pessoas
  • População ocupada: 101,3 milhões
  • População fora da força de trabalho: 66,8 milhões
  • População desalentada: 3,3 milhões
  • Empregados com carteira assinada: 38,326 milhões
  • Empregados sem carteira assinada: 13,7 milhões
  • Trabalhadores por conta própria: 25,5 milhões
  • Trabalhadores domésticos: 5,8 milhões
  • Trabalhadores informais: 39,1 milhões
  • Taxa de informalidade: 38,6%

Carteira assinada e sem carteira batem recorde

Com o número de ocupados em patamares recorde, acima dos 101 milhões de brasileiros, o IBGE registrou novamente recordes nos números de trabalhadores com e sem carteira assinada.

Entre os empregados com carteira assinada, o número absoluto de profissionias chegou a 38,326 milhões, maior patamar da série histórica da PNAD Contínua, iniciada 2012.

Contra o trimestre anterior, a alta foi de 0,9%, agregando 330 mil pessoas ao grupo. Contra o mesmo trimestre do ano passado, o ganho é de 4,1%, o que equivale a 1,5 milhão de trabalhadores a mais.

"Esse recorde é fruto de acumulação de expansão trimestre a trimestre. A última queda trimestral para a carteira assinada no setor privado foi em 2020, em função da pandemia e os prejuízos que ela trouxe ao mercado de trabalho", diz Adriana Beringuy, do IBGE.

Já os empregados sem carteira são 13,7 milhões, também recorde. A alta para o trimestre foi de 2,9%, com aumento de 383 mil trabalhadores no grupo. No comparativo com 2023, houve aumento de 5,7%, ou de 741 mil pessoas.

"A expansão do mercado de trabalho como um todo teve uma participação importante da parcela de trabalhadores informais, tanto que a taxa de informalidade ainda é de 38,6%, mas é um crescimento mais impulsionado pelo ramo formal", afirma Beringuy.

A taxa de subutilização, que faz a relação entre desocupados, quem poderia trabalhar mais e quem não quer trabalhar com toda a força de trabalho, segue em tendência de baixa. São 19,4 milhões de pessoas subutilizadas no país, o que gera uma taxa de 16,8% de subutilização.

Esse é o menor número para o trimestre desde 2014. Ela registra queda de 1 p.p. contra o trimestre anterior e de 1,3 p.p. na comparação anual.

Por fim, a população desalentada caiu a 3,327 milhões, em seu menor contingente desde o trimestre encerrado em agosto de 2016 (3,337 milhões). Há recuo de 9,4% no trimestre e de 10,7% contra o mesmo período de 2023.

Rendimento estável no trimestre

O rendimento real habitual ficou estável frente ao trimestre anterior, e passou a R$ 3.181. Na comparação anual, o crescimento foi de 5,6%.

Já a massa de rendimento real habitual foi estimada em R$ 317,9 bilhões, mais um recorde da série histórica do IBGE. O resultado teve ganho de 2,2% frente ao trimestre anterior, e cresceu 9% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.

Carteira de Trabalho e Previdência Social — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Carteira de Trabalho e Previdência Social — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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VÍDEO: testamos a primeira Tesla Cybertruck do Brasil, ao lado de Danielzinho Grau

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O g1 dirigiu a primeira unidade da picape elétrica a desembarcar no Brasil e traz, com exclusividade, uma entrevista com o funkeiro e dono da caminhonete.
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Por Vinicius Montoia, g1

Posado em 28 de junho de 2024 às 06h25m

#.*Post. - N.\ 11.248*.#


g1 testou: a primeira Tesla Cybertruck que veio para o Brasil

Basta uma volta no quarteirão para ver que é impossível passar despercebido a bordo de uma picape cromada, com quase 6 metros de comprimento e linhas de design exóticas — mesmo no trânsito de São Paulo.

A cada semáforo, uma enxurrada de celulares era sacada do bolso de pedestres e motociclistas para registrar o momento. Não é para menos: o g1 testou com exclusividade a primeira picape Tesla Cybertruck a desembarcar em solo brasileiro.

veículo pertence ao influenciador digital e funkeiro Danielzinho Grau, conhecido por rifas promovidas nas redes sociais e por suas canções e funks ostentação, como "Set tá jogado pretão".

A caminhonete desembarcou no Brasil em maio de 2024. E chama tanta atenção que um dos primeiros passeios de Danielzinho por Cotia (SP) viralizou. O vídeo já tem quase 20 milhões de visualizações nas redes sociais.

Eu quis comprar o carro porque ele tem o desempenho de um esportivo, tamanho e comodidade de uma picape e uma segurança inigualável, resumiu Danielzinho.

O primeiro proprietário brasileiro, que ficou esperando o carro chegar dos Estados Unidos e passou por todo o processo e burocracia, foi um importador. Ele me ofereceu a Cybertruck por intermédio de outras pessoas. Aí eu falei: pode mandar que é minha!

O único defeito do carro, segundo o cantor, é justamente não passar despercebido.

Nesta reportagem, há uma análise do primeiro contato com o carro, e uma entrevista com o influenciador, que conta por que decidiu gastar milhões para colocar a Tesla Cybertruck na garagem.

A picape foi apresentada em 2019, mas foi somente no final de 2023 que as primeiras unidades chegaram aos compradores americanos. Demorou cerca de seis meses para que uma delas colocasse seus pneus em asfalto brasileiro.

A Cybertruck tem três versões:

  • Rear-Wheel Drive (entrada), que parte de US$ 60.990 (ou R$ 340 mil);
  • All-Wheel Drive (intermediária), que custa US$ 79.990 (R$ 440 mil);
  • Cyberbeast (topo de linha), por US$ 99.990 (aproximadamente R$ 550 mil).

As duas primeiras têm 608 cv de potência. Em comparação, isso se traduz em uma potência 8,5 vezes superior a de um Renault Kwid, por exemplo. O torque é de 102 kgfm, cerca de 10 vezes maior que o Kwid.

As duas versões aceleram de 0 a 100 km/h em apenas 4,1 segundos, com velocidade máxima de 180 km/h. A principal diferença entre elas é a tração nas rodas: a Rear-Wheel Drive tem tração traseira, enquanto a All-Wheel Drive a possui nas quatro rodas.

Já a configuração topo de linha, a Cyberbeast, tem potência e torque elevados para 857 cv (249 cv a maise 142 kgfm (adição de 40 kgfm). Seria, em termos práticos, como se adicionasse mais 4 Kwids, totalizando 12 compactos da Renault em potência e 14 em torque em relação às versões anteriores.

O tempo até 100 km/h cai 1,5 segundo. Ou seja, a picape atinge a marca em apenas 2,6 segundosTambém é mantida a tração integral nesta versão.

Contudo, como dito no início da reportagem, o que mais chama atenção no carro é o seu visual. Além do formato triangular, a carcaça de inox ofusca a visão de pedestres e motoristas ao redor — ideal para quem gosta de chamar atenção.

Veja a galeria de fotos abaixo.

Confira fotos da picape de Danielzinho Grau

Tesla Cybertruck
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Tesla Cybertruck — Foto: Fabio Tito | g1

Tesla Cybertruck
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A marca americana Tesla, que pertence ao empresário Elon Musk, produz uma gama de veículos 100% elétricos, como os Model S, 3, X e Y. Nada, porém, causou tanta controvérsia como a picape Cybertruck.

Uma das polêmicas envolvendo o carro vem da sua estrutura de aço inox. A fama de “inquebrável” surgiu quando o dono da Tesla garantiu que os vidros não quebrariam ao serem atingidos 

Polêmicas

por uma bolada de beisebol, arremessada a 112 km/h. Ainda de acordo com a fabricante, o aço que reveste o carro é à prova de balas.

São essas características que cativam compradores como Danielzinho Grau. Mas também há críticas aos materiais escolhidos e às linhas do veículo, de formatos muito retilíneos.

Ainda não há testes conclusivos dos institutos oficiais de segurança, que atestam os riscos de uma batida com a picape, mas especialistas preveem que um automóvel com ângulos tão pronunciados pode representar um risco maior para pedestres e outros veículos que se envolverem em acidentes com uma Cybertruck.

Um carro que não apresenta zonas deformação programada pode representar ameaças também ao motorista e ocupantes. Essas peças são delineadas para absorver o impacto durante uma batida, passando o mínimo possível para quem está na cabine do veículo. O capô, ao deformar, se dobra em algumas partes envitando, assim, que seja lançado contra o parabrisa.

Por fim, vídeos nas redes sociais mostram como a tampa do porta-malas dianteiro, que tem fechamento elétrico e não possui sistema antiesmagamento, pode ferir um usuário que esquecer um dedo na fresta.

Como ela anda

A Cybertruck testada pelo g1 é da versão All-Wheel Drive (tração integral), intermediária. A série especial Foundation Series (série de fundação, em tradução livre) identifica através de uma inscrição próximo à caixa de roda da dianteira as primeiras unidades fabricadas mundialmente.

Apesar de Danielzinho Grau não revelar, estima-se que, somando todos os custos e taxas de importação, o valor da picape ultrapasse a casa dos R$ 2,5 milhões.

Ao volante, o que mais salta aos olhos nas primeiras impressões é o torque instantâneo de um sistema elétrico de propulsão. Diferentemente dos motores tradicionais a combustão, que possuem um pico específico de torque e potência, os motores elétricos disponibilizam toda a sua força desde o início.

A outra, certamente, é o típico silêncio a bordo dos elétricos. Exceto pelo leve ruído de funcionamento do motor elétrico, quase não se percebe que o carro está ligado.

À frente do motorista, apenas os pedais de freio, acelerador e um volante que lembra o de um carro de corrida, como o da Fórmula 1.

A dirigibilidade é super-responsiva e o volante multiplica a força que o motorista faz para manobrar. A peça da direção não dá "voltas", pelo contrário. Ela vira apenas 90° para a direita e para a esquerda, o suficiente para manobrar a picape com tranquilidade.

É na tela multimídia de 18,5 polegadas que se controla a maior parte das funções da picape elétrica — Foto: Fabio Tito | g1
É na tela multimídia de 18,5 polegadas que se controla a maior parte das funções da picape elétrica — Foto: Fabio Tito | g1

E isso se deve ao sistema Steer-by-whire, que é a direção por cabos. Esse sistema elimina um comando físico conectado diretamente do volante para as rodas (barra de direção), deixando essa função a cargo de sinais eletrônicos e um motor elétrico. E não há risco de perder o controle do veículo porque o sistema de cabos tem redundância, garantindo que os sinais cheguem às rodas.

O primeiro ponto negativo da picape de Elon Musk é o excesso de minimalismo. O painel é limpo e com traços bem definidos. O ambiente se completa com uma iluminação customizável de led de ponta a ponta na cabine.

Mas os consoles deixaram de lado qualquer botão físico e absolutamente tudo deve ser comandado através da tela multimídia de 18,5 polegadas no centro do painel. Não é nada fácil intuir se o carro está ligado/on ou desligado/off pela tela.

Comandos do ar-condicionado, que deveriam ser de fácil acesso através de botões físicos, não existem fora da tela. E pior: não dá para acessar essas informações de forma rápida sem olhar para o display. Esse desvio de atenção pode comprometer a concentração do motorista.

A falta de botões é levada ao extremo na Cybertruck: nem haste para seta e limpador de para-brisa existe no modelo, assim como nos outros carros da Tesla (exceto o Model Y). A mudança de direção é indicada por meio de parcos botões no volante.

Também é pela tela que funciona o câmbio automático (de apenas uma marcha à frente e outra à ré). Basta arrastar o cursor para cima, como se faz em um smartphone, para que a Cybertruck fique pronta para arrancar.

O conforto dos bancos é um dos pontos altos da cabine. Eles abraçam e não deixam o corpo rolar em curvas acentuadas. O toque do couro dos assentos, portas e painel completam a sensação de estar em um carro de luxo.

Entre o motorista e passageiro, há um porta-objetos com apoio de braço. Nele, é possível deixar o celular carregando sem fio, por meio do carregador por indução.

Espaço na caçamba da Tesla Cybertruck — Foto: Fábio Tito/g1

Na parte de trás, há espaço suficiente para três adultos viajarem com conforto. Apesar da queda pronunciada do teto, que acompanha o formato triangular da picape, até pessoas mais altas viajam sem bater a cabeça no vidro — sim, o teto é de vidro, como de praxe nos carros da Tesla.

Os espaços para bagagem — no plural, pois são dois compartimentos — somam 1.900 litros. Como comparativo, a RAM 3500, maior picape à venda oficialmente no Brasil, tem 1.628 litros de espaço na caçamba.

O segredo da Cybertruck é ter um compartimento a mais onde seria o motor. Nos carros elétricos convencionais, os motores estão instalados nos eixos das rodas. Ou seja, a força e velocidade do propulsor é transmitida diretamente para a roda, sem peças intermediárias (como uma transmissão). E a construção da Cybertruck segue essa mesma lógica.

A suspensão a ar permite configurações manuais, o que facilita a transposição de obstáculos e rios quando ela está mais alta, sem perder a esportividade quando está na altura mínima. Essa característica traz diferentes personalidades para a picape, que não deixa de ser confortável em nenhuma condição.

Porta-malas dianteiro do Tesla Cybertruck — Foto: Fabio Tito | g1
Porta-malas dianteiro do Tesla Cybertruck — Foto: Fabio Tito | g1

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