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A moeda americana teve a maior alta diária desde 1999, com avanço de 8,21%, a R$ 5,4027. Já o Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608 pontos, no pior resultado desde março de 2020, durante a pandemia de Covid-19.
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Por Redação g1 — São Paulo
Postado em 26 de Outubro de 2.026 às 10h20m
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Bolsa de Valores aciona 'circuit breaker'
O dólar fechou em alta nesta segunda-feira (26), com um avanço de 8,21%, cotado a R$ 5,4027. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,6048. Foi a maior alta percentual da moeda em um único dia desde 18 de janeiro de 1999, quando a moeda disparou 11,35%.
Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve as negociações interrompidas por 30 minutos após registrar queda de mais de 10% nos primeiros minutos do pregão. Quando os negócios foram retomados, o índice chegou a recuar mais de 17%. Ao fim do dia, fechou em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos. Foi a maior baixa percentual diária desde 16 de março de 2020, no início da pandemia de Covid-19, quando o indicador caiu 13,92%.
🔎 Circuit breaker é um mecanismo utilizado pela bolsa para interromper temporariamente as negociações quando o mercado de ações registra quedas muito bruscas. O objetivo é dar tempo para que os investidores reavaliem suas decisões e reduzir o risco de movimentos desordenados de compra e venda. Após a interrupção, os negócios são retomados. Saiba mais.
O resultado do 2º turno das eleições presidenciais é o principal destaque da sessão. Com a reeleição de Lula (PT), a expectativa é que os investidores reavaliem suas projeções para os juros, o câmbio e as contas públicas. O Boletim Focus e novos dados econômicos também ficam no radar. Entenda por que as eleições mexem tanto com o dólar e a bolsa.
▶️ A vitória de Lula (PT) muda o cenário esperado pelo mercado. Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas. Veja as maiores altas e baixas do Ibovespa e do dólar na história.
- Os juros futuros, que mostram as expectativas do mercado para as taxas de juros nos próximos meses e anos, registravam forte alta nos contratos mais longos.
▶️ Na agenda econômica, o Boletim Focus fica no centro das atenções. O documento, que reúne as projeções do mercado para a economia brasileira, ainda não incorporou uma reação do mercado à vitória de Lula no domingo (25), uma vez que as expectativas foram coletadas até sexta-feira. Dados de confiança do investidor e investimento estrangeiro direto também ficam no radar.
▶️ No exterior, investidores continuam a acompanhar os preços do petróleo, em meio aos esforços diplomáticos para aliviar a guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Ainda assim, preocupações sobre possíveis novas interrupções no fornecimento da commodity continuam a pairar no mercado.
- Em meio ao noticiário, o barril do Brent, referência internacional, subiu, cotado a US$ 117.12. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, teve perdas de 0,34%, a US$ 102,92 o barril.
▶️ Ainda no cenário internacional, reuniões de juros de vários bancos centrais ficam na mira. A principal expectativa dos investidores é pela decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), prevista para quarta-feira, e que pode trazer mais uma alta de juros no país. Para o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ), a projeção do mercado é de manutenção das taxas.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
- Acumulado da semana: -8,21%;
- Acumulado do mês: -4,41%;
- Acumulado do ano: -1,57%.
- Acumulado da semana: -0,17%
- Acumulado do mês: +10,06%;
- Acumulado do ano: +27,28%.
A vitória do presidente Lula (PT) para um quarto mandato traz uma forte pressão de baixa nos ativos locais nesta segunda-feira (26).
Lula venceu a disputa pelo Planalto com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), considerando quase 100% das urnas apuradas.
Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas.
Com as fortes oscilações, a B3 acionou o circuit breaker e interrompeu as negociações do Ibovespa já nos primeiros minutos do pregão.
"O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos", disse Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
Ainda assim, especialistas destacam que o governo pode tentar ganhar de volta a confiança do mercado.
"Em paralelo, a equipe econômica sinaliza uma PEC com revisão de gastos obrigatórios e busca do centro da meta fiscal", afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM.
Pelas regras da B3, o circuit breaker é acionado quando o Ibovespa cai mais de 10% em relação ao valor de fechamento anterior, com interrupção da negociação por 30 minutos. Após reabertura, se a queda atingir um recuo de 15%, o mecanismo é novamente acionado, com interrupção por uma hora.
Especificamente nesta segunda-feira, no entanto, a B3 anunciou um novo limite de 20% para que o mecanismo seja acionado pela segunda vez.
- Mercados argentinos despencam após reeleição de Lula
Os ativos argentinos registravam uma forte queda nesta segunda-feira, acompanhando o recuo nos mercados de seu principal parceiro econômico, o Brasil, após a confirmação da reeleição de Lula. O MSCI Merval, índice de ações do país, caía 4,50% perto das 12h.
“O contágio desse clima de pessimismo aos ativos argentinos parece irreversível e pode ser igualmente significativo [...] num mundo que enfrentará sucessivas eleições importantes nos próximos meses — entre elas, em Israel, nos Estados Unidos e na França —, uma lição para os investidores volta a ser que toda previsão pode falhar”, disse o economista Gustavo Ber.
A Argentina realizará eleições presidenciais em 2027, nas quais o presidente Javier Milei buscará a reeleição.
- Risco de disputa na Justiça
Alguns profissionais também acreditam que a vitória do petista não será o único fator para a volatilidade nos mercados financeiro. Isso porque a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação das 17h às 19h, em função de problemas no deslocamento de eleitores em várias cidades, deve gerar questionamentos na Justiça.
Em pronunciamento após a derrota, Flávio não reconheceu o resultado e disse que pedirá anulação do pleito.
“Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, à Reuters.
As maiores quedas do Ibovespa
Entre as ações com maiores perdas, Magazine Luiza liderou a lista, com queda de 58,23%, seguida por Vamos (-56,79%) e Hapvida (-54,93%). Papéis de empresas ligadas ao consumo, ao varejo e ao mercado imobiliário também registravam baixas expressivas.
A onda de perdas na bolsa atingiu também algumas das maiores empresas do mercado brasileiro, cujas ações têm peso relevante no Ibovespa.
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As 10 maiores quedas do Ibovespa em 26 de outubro — Foto: Arte/g1
Conhecidos como “blue chips”, esses papéis incluem os de grandes bancos, da Petrobras e da Vale, mas tiveram desempenhos diferentes no pregão desta segunda-feira.
Entre os bancos, o Banco do Brasil registrou a maior queda, de 27,31%. As ações preferenciais do Bradesco recuaram 21,70%, enquanto as ordinárias caíram 20,65%. O BTG Pactual perdeu 24,83%, e o Itaú Unibanco teve baixa de 13,66%.
A Petrobras também fechou em queda, com recuo de 8,18% nas ações preferenciais e de 6,81% nas ordinárias.
👉 O desempenho dessas empresas tem impacto importante sobre o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, porque cada ação tem um peso diferente em sua composição. Quanto maior essa participação, maior a influência da variação do papel sobre o resultado do indicador.

Ibovespa desaba após reeleição de Lula e ações recuam até 58%; veja as maiores quedas
Quando foi a última vez que o circuit breaker foi acionado?
A última vez que a B3 precisou ativar o mecanismo de interrupção de negócios do Ibovespa, conhecido como "circuit breaker", foi durante a pandemia de Covid-19, em 2020.
Naquele momento, o índice chegou a cair mais de 14% em um dia, em meio à preocupação com os desdobramentos do coronavírus e a deterioração dos mercados financeiros globais.
Essa, no entanto, não foi a única vez que a B3 acionou esse mecanismo. Entre os episódios marcantes em que o circuit breaker foi acionado, estão:
- 1997 - Crise asiática: queda de 10,19% no Ibovespa.
- 1999 - Desvalorização do real: Ibovespa caiu 10,29% no dia.
- 2008 - Crise do subprime nos EUA: houve seis interrupções em menos de um mês.
- 2020 - Pandemia de covid-19: o circuit breaker foi acionado seis vezes em março, algo inédito na história da bolsa brasileira.
Alguns outros momentos de forte queda do Ibovespa foram:
- 24/04/2020: -5,45% após saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça;
- 28/10/2020: -4,25%, com aumento dos casos de Covid-19 e proximidade das eleições nos EUA;
- 22/02/2021: -4,87% após intervenção do governo de Jair Bolsonaro na Petrobras;
- 05/12/2025: -4,31% após pré-candidatura de Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026.
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Quedas da bolsa em dia de Circuit Breaker — Foto: Arte g1
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Histórico do dólar e do Ibovespa de 1994 a 2026. — Foto: Arte/g1
* Com informações da agência de notícias Reuters.
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Dólar. — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
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