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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Negociador iraniano diz que EUA estão "pressionando" o Irã por concessões

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"Parem de esperar que a trupe de palhaços tire um coelho da cartola e conserte a bagunça que vocês criaram", afirmou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf
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Mitchell McCluskey, da CNN
18/08/26 às 18:01 | Atualizado 18/08/26 às 18:01
Postado em 19 de Agosto de 2.026 às 10h00m

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Presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf  • Morteza Nikoubazl/NurPhoto via Getty Images

O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador de Teerã, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os EUA de tentarem forçar mais concessões por parte do Irã.

"Os americanos acham que pressionar o Irã com mais força garantirá concessões que nunca fizeram parte do acordo", escreveu Ghalibaf, que é o principal negociador do Irã, em uma publicação na rede social X nesta terça-feira (18).

A autoridade também afirmou que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, estão "muito além de sua capacidade".

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"Parem de esperar que a trupe de palhaços tire um coelho da cartola e conserte a bagunça que vocês criaram", disse Ghalibaf.

Na semana passada, Bessent afirmou que os EUA aplicariam medidas contra o Irã "nunca antes vistas". O presidente dos EUA, Donald Trump, também indicou que planeja exercer mais pressão econômica sobre Teerã.

Trump diz que não há negociações em andamento

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta terça-feira (18) que não há conversas em andamento com o Irã, nem nenhuma agendada, acrescentando que o bloqueio naval do Estreito de Ormuz permanece em pleno vigor e efeito.

Ele fez os comentários em uma publicação no Truth Social.

"Não há negociações ou conversas em andamento, nem agendadas, com a República Islâmica do Irã. O bloqueio naval permanece em pleno vigor e efeito. O Estreito de Ormuz está aberto e operacional. Todas as minas aquáticas foram removidas ou detonadas", disse ele.

Mais cedo nesta terça-feira, Trump publicou uma imagem nas redes sociais que mostra o Estreito de Ormuz identificado como "Novo Território dos EUA".

A publicação do presidente no Truth Social foi feita um dia depois de ele ter dito que declarar o Estreito um território dos EUA era uma "ótima ideia".

"Quero dizer que nós o controlamos", disse Trump a repórteres no Salão Oval, ao ser questionado sobre o que quis dizer na semana passada, quando afirmou que logo declararia Ormuz como um território dos Estados Unidos.

"Nós o controlamos com o bloqueio, e gosto da ideia de declará-lo um território", acrescentou o presidente.

Estreito de Ormuz surgiu como uma importante moeda de troca na guerra com o Irã. Essa via, de importância estratégica vital, foi efetivamente fechada pelo Teerã desde o início dos combates, no final de fevereiro, interrompendo uma rota fundamental para o transporte global de petróleo.

Especialistas afirmaram que nenhum dos lados tem controle total da via navegável.

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EUA não oferecem contrapartida equivalente ao que a China oferece, diz Arko

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Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice Internacional, aponta, ao WW, que Washington superestima o valor de sua validação política e não consegue competir com os investimentos chineses na América Latina
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Da CNN Brasil
19/08/26 às 08:50 | Atualizado 19/08/26 às 08:50
Postado em 19 de Agosto de 2.026 às 09h20m

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Os Estados Unidos não conseguem oferecer uma contrapartida equivalente ao que a China proporciona à América Latina, segundo avaliação do CEO da Arko Advice Internacional, Thiago de Aragão, ao WW. Segundo o especialista, Washington parte de premissas equivocadas ao tentar ampliar sua influência no hemisfério.

De acordo com Aragão, há uma leitura por parte de Donald Trump de que todos os países da região teriam um desejo intrínseco e de alto nível de expandir suas relações com os Estados Unidos. "Isso pode ser certo, pode ser errado, pode variar de país a país", afirmou. O problema, segundo ele, está no mecanismo de aproximação adotado por Washington.

Washington superestima o valor de sua validação

Aragão explica que Washington interpreta, com frequência, que governantes e líderes da oposição latino-americanos buscam validação norte-americana e que essa validação teria um valor muito alto.

Na prática, porém, haveria uma discrepância significativa entre o que Washington imagina que essa validação vale e o que as capitais latino-americanas efetivamente percebem. "O preço dessa validação seria feito de uma forma onde você abriria mão de vários níveis de relacionamento com a China", disse o especialista.

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Diferença estrutural entre EUA e China

Um ponto central destacado por Aragão é a diferença estrutural entre as duas potências. "Como uma democracia, os Estados Unidos não conseguem obrigar as suas indústrias a investir em determinado país", afirmou.

A China, por outro lado, consegue pressionar suas empresas a investir em nações específicas, mesmo que isso implique perdas financeiras recorrentes. Como exemplo, Aragão citou o caso do presidente argentino, Javier Milei, que, na mesma semana em que recebeu um cheque de US$ 25 bilhões do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, realizou exportações recorde de carne e trigo para a China.

Limpeza da imagem chinesa na região

O especialista também destacou que a China vem passando por uma espécie de "limpeza" em sua imagem em diversos países da América Latina, inclusive naqueles governados pela direita.

Aragão lembrou que, há alguns anos, havia grande repercussão sobre questões como direitos humanos em Xinjiang e repressão por parte do governo chinês — temas que, segundo ele, praticamente deixaram de ser discutidos.

Na China, Trump é chamado de "Chuan Jianguo", que significa "o grande construtor da nação", justamente porque os chineses interpretam que tanto as tarifas quanto a pressão norte-americana tornam líderes da região cada vez mais pragmáticos em relação a Pequim.

"Os Estados Unidos não conseguem oferecer uma contrapartida equivalente ao que a China oferece", concluiu Aragão.

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