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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Análise: Trump vincula acordo com Irã a Acordos de Abraão

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Analistas avaliam as condições impostas por Trump para um acordo com Teerã e a expansão militar israelense no Líbano
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Da CNN Brasil
28/05/26 às 11:10 | Atualizado 28/05/26 às 11:15
Postado em 28 de Maio de 2.026 às 12h00
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a vincular um eventual acordo com o Irã à adesão de países árabes aos Acordos de Abraão, que visam normalizar as relações desses países com Israel. A declaração foi feita em uma publicação extensa na rede social do líder americano e reacende o debate sobre as reais possibilidades de um entendimento diplomático na região.

Segundo o que foi divulgado, Trump já havia indicado no início da semana que países como Catar e Arábia Saudita deveriam estabelecer relações diplomáticas com Israel como parte de um acordo entre Washington e Teerã.

A TV estatal iraniana chegou a divulgar o que seria um memorando de entendimento em discussão entre os dois países, no qual o bloqueio militar americano a portos iranianos seria suspenso em troca da retomada do tráfego pré-guerra no Estreito de Ormuz em até 30 dias. A Casa Branca, porém, classificou a reportagem como uma "invenção completa".

Possibilidade próxima de zero para Acordos de Abraão

O professor de Relações Internacionais da ESPM e da Unifa Gunther Rudzit avalia que a Arábia Saudita vinha se afastando progressivamente de qualquer normalização com Israel desde o início dos conflitos na região.

Recentemente, o país assinou uma aliança militar com o Paquistão e declarou que não há como firmar um acordo de normalização enquanto não houver a criação de um Estado palestino. "Diante da postura do governo de Benjamin Netanyahu, o Estado palestino não vai existir. Portanto, sim, a possibilidade é zero", afirmou Rudzit.

Mãos atadas: os limites de Trump diante do conflito

Lourival Sant'Anna também destacou que os americanos têm se contido militarmente. Apesar de terem derrubado quatro drones iranianos recentemente, a ação ainda não representa uma retomada dos bombardeios.

Segundo o analista, Trump enfrenta restrições legais, políticas e econômicas que limitam suas opções. Lourival acrescentou que, pela Constituição americana, sem aprovação do Congresso, após 60 dias — prazo encerrado em 28 de abril —, o governo americano não pode lançar uma nova ofensiva contra o Irã. "Seria uma clara violação da lei americana", disse.

No campo estratégico, Rudzit aponta que o conflito está redesenhando a ordem energética global. "Está em andamento um rearranjo regional que ainda vai ter repercussões globais, tanto em termos estratégicos quanto energéticos", afirmou.

O professor destacou ainda o envio recente de 6 mil soldados e um esquadrão de caças pelo Paquistão à Arábia Saudita como um sinal da aproximação entre um Paquistão nuclear com a  Arábia Saudita, olhando para Israel. "Isso é só a ponta do iceberg dessas mudanças que virão pela frente", concluiu.

Leia mais

Paralelamente às negociações diplomáticas, Israel continua ampliando sua atuação militar no território libanês, apesar do cessar-fogo em vigor. As forças de defesa de Israel passaram a considerar toda a região abaixo do rio Zahrani como zona de combate contra o Hezbollah.

A área corresponde a cerca de 2 mil quilômetros quadrados, representando aproximadamente 20% do território libanês — mais que o dobro do que havia antes.

A foz do rio Zahrani fica a menos de 10 quilômetros de Sidon, terceira cidade mais populosa do Líbano, para onde parte da população deslocada do sul do país tem buscado refúgio. Já são mais de 1,2 milhão de libaneses deslocados por ataques israelenses e ordens de evacuação desde 2 de março, o equivalente a cerca de 20% da população do país.

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Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.

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Salão de Pequim: carros chineses já dirigem quase sozinhos nas cidades; g1 testou como funciona

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Com mapas hiperdetalhados, sensores internos e conectividade constante, o sistema mostrou como a indústria chinesa avança na automação, mesmo com o motorista no controle.
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Por André Fogaça, g1 — Baoding, China

Postado em 28 de Maio de 2.026 às 06h00m
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Testamos um carro semiautonomo na China
Testamos um carro semiautonomo na China

A China ainda não permite a circulação de carros totalmente autônomos, como acontece em algumas regiões dos Estados Unidos. Mesmo assim, as montadoras do país vêm testando e adotando recursos de assistência à condução cada vez mais avançados e próximos dessa proposta.

O g1 testou um desses sistemas em um percurso totalmente urbano na cidade de Baoding, a cerca de 180 quilômetros de Pequim.

A tecnologia usada se chama NOA, sigla em inglês que significa navegação em piloto automático. Testes com o sistema já são realizados em algumas cidades, como Pequim, Xangai, Shenzhen e Wuhan.

As montadoras chinesas — inclusive aquelas que já vendem carros no Brasil — vêm deixando os sistemas de assistência à direção cada vez mais completos e atuantes, embora o motorista ainda precise manter as mãos no volante.

Em nenhum momento do teste foi possível deixar o banco do motorista vazio, como ocorre nos carros da Waymo, que operam serviços de táxi totalmente autônomos em algumas cidades americanas.

Ainda assim, foi possível observar que o motorista seguiu as regras municipais para o uso desse sistema, principalmente a exigência de permanecer atento ao trânsito e com as mãos no volante — mesmo quando o carro faz os movimentos sozinho.

Durante o teste, enquanto a equipe da reportagem seguia no banco do passageiro, o motorista mantinha apenas um dedo apoiado no volante e o rosto voltado para a frente, para que os sensores internos do carro não identificassem uma possível falta de atenção à via.

Sistema de piloto semiautônomo NOA na China — Foto: André Fogaça/g1
Sistema de piloto semiautônomo NOA na China — Foto: André Fogaça/g1

É dessa forma que a regra municipal é cumprida, com a ajuda de sensores que também estão presentes em carros vendidos no Brasil. É o caso do Volvo EX30 e do Leapmotor B10, que dão bronca no motorista quando ele desvia o olhar da via ou vira o rosto.

Além dos sensores voltados para o interior do carro, há uma série de fatores que permitem que o NOA funcione de forma precisa e confiável.

Entre eles estão:

  • Conexão do carro à internet móvel, seja por 4G ou 5G;
  • Sistema de mapas com GPS — que, na China, usa um sistema próprio chamado Beidou;
  • Radares e sensores a laser (LiDAR), usados para identificar a posição dos veículos ao redor.

Com a rota definida, o NOA passa a funcionar. No carro testado, o sistema era exibido nas telas do veículo.

Na central multimídia, o mapa mostrava a rota e reunia diversas informações do trajeto, como o tempo para abertura ou fechamento dos semáforos, a indicação de faixas de pedestres e até quais infrações de trânsito podem ser registradas por radares fixos.

A lista inclui infrações como a falta do cinto de segurança, o desrespeito aos pedestres, o excesso de velocidade e o uso do celular ao volante.

Tela do NOA mostra tempo do semáforo, cones e outros veículos — Foto: Arte/g1
Tela do NOA mostra tempo do semáforo, cones e outros veículos — Foto: Arte/g1

Ao lado do mapa, era exibida uma representação tridimensional da via, com todas as faixas. O nível de detalhamento é muito maior do que o oferecido por aplicativos como Google Maps ou Waze no Brasil.

Os sensores do veículo conseguiam identificar obstáculos na via, como carros, caminhões, ônibus, bicicletas, motos e até pedestres. Cada um aparecia com uma representação própria, ocupando o espaço à frente do carro, mas também atrás e nas laterais.

Com base nas faixas indicadas no mapa e na posição de cada objeto, pessoa ou veículo, o carro conseguiu, sozinho, decidir se mudaria ou não de faixa e chegou até a desviar de uma bicicleta caída na rua.

Carro muda de faixa sozinho — Foto: André Fogaça/g1

O sistema identificou com seta a aproximação de uma saída à esquerda e começou a desacelerar o veículo antes da esquina. Durante todo esse processo, os pés do motorista permaneceram afastados dos pedais.

O carro acionava a seta e mudava de faixa sozinho, mas também permitia intervenções manuais. Bastava o motorista indicar a intenção com a seta para que o NOA avaliasse se a manobra era segura e se a faixa ao lado permitia o tráfego — identificando, por exemplo, faixas exclusivas de ônibus ou de conversão.

NOA se perdeu em retorno complexo

O sistema funcionou bem e exigiu raríssimas intervenções do motorista. No entanto, em uma situação específica, o trajeto previa um retorno em U, no qual o carro sairia de uma pista com quatro faixas para acessar as quatro faixas do sentido oposto.

NOA fica perdido em retorno — Foto: André Fogaça/g1

O veículo desacelerou, acionou a seta e iniciou a conversão quando o trânsito permitiu a manobra, mas demonstrou menos precisão ao lidar com veículos mais rápidos que trafegavam pelas faixas da direita da via oposta.

Nesse momento, o motorista assumiu o volante e concluiu o retorno que havia sido iniciado pelo NOA.

Mesmo após esse episódio, o NOA reagiu sozinho a uma moto que cruzou à frente do carro, apesar de o sinal não estar verde para ela. O sistema desacelerou, aguardou a passagem da moto e seguiu o trajeto — sem buzinar, vale dizer.

Também lidou com uma ultrapassagem entre dois caminhões, que desviavam de cones na pista.

Carro desvia sozinho de caminhões, em meio a cones — Foto: André Fogaça/g1

No fim do trajeto, o mapa indicava a saída de uma avenida mais larga para virar à direita em uma via menos movimentada. O NOA iniciou a manobra, mas o motorista assumiu o controle para concluí-la.

Com isso, fica claro que o NOA reúne mais sistemas e combina um volume maior de informações do que o Autopilot da Tesla, por exemplo. O sistema americano se baseia principalmente em inteligência artificial e nas imagens captadas pelas câmeras do carro.

A principal diferença entre os sistemas está na redundância de informações usada pelo NOA. Ele depende de mapas mais detalhados das vias, conexão constante com a internet, câmeras e radares extras de olho em tudo, além de um motorista atento, com as mãos no volante — mesmo sem aplicar força sobre ele.

Esse sistema se assemelha ao Super Cruise, tecnologia da Chevrolet usada nos Estados Unidos e no Canadá. Nesses países, as exigências são maiores e o recurso de condução semiautônoma é limitado a estradas e vias expressas, com marcações de faixas bem definidas.

Direção semiautônoma avisa pedestres e outros carros

Há ainda um detalhe externo que diferencia o NOA do Autopilot: uma luz de tom verde-claro posicionada em áreas próximas às lanternas do carro.

Quando essa luz está acesa, indica que o NOA está tomando decisões e conduzindo o carro durante o trajeto, seja em estradas ou em áreas urbanas.

Luz verde-clara em carros chineses — Foto: André Fogaça/g1

Não há uma regra nacional que obrigue o uso desse sinal, mas as montadoras passaram a adotar esse padrão para alertar pedestres e outros motoristas de que um sistema semiautônomo está em funcionamento.

A proposta é fazer com que as pessoas ao redor fiquem mais atentas e redobrem os cuidados.

Em outros veículos expostos no Salão do Automóvel de Pequim, o tamanho e a disposição dessa luz variavam. Em alguns modelos, ela era maior nas lanternas e incluía até pontos luminosos adicionais nas laterais; em outros, aparecia apenas como um pequeno traço brilhante.

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