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quinta-feira, 7 de maio de 2026

A crise da BioNtech, criadora da 1ª vacina contra a covid‑19

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Antes celebrada por desenvolver em tempo recorde junto com a Pfizer o 1º imunizante de mRNA contra a covid‑19, farmacêutica alemã agora enfrenta prejuízo bilionário, cortes de centenas de vagas e fechamento de unidades.
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TOPO
Por Nik Martin

Postado em 07 de Maio de 2.026 às 18h25m
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O logotipo da BioNTech em Marburg, Alemanha. Foto de 2 de fevereiro de 2023. — Foto: REUTERS/Fabian Bimmer
O logotipo da BioNTech em Marburg, Alemanha. Foto de 2 de fevereiro de 2023. — Foto: REUTERS/Fabian Bimmer

Há seis anos, uma empresa farmacêutica alemã quase desconhecida desenvolveu a primeira vacina contra a covid‑19 baseada em RNA mensageiro (mRNA) e mudou o rumo de uma pandemia global.

Anteriormente, a BioNTech havia passado mais de uma década pesquisando imunizantes desse tipo para tratar câncer sem despertar grande interesse comercial. Com a experiência acumulada, a empresa se uniu à Pfizer em 2020 para concluir exames clínicos e lançar a vacina Comirnaty em tempo recorde.

Em dezembro daquele ano, a britânica Margaret Keenan recebeu a primeira dose. Anteriormente, Rússia e China haviam aplicado imunizantes de vetor viral de forma emergencial, mas ainda sem estarem concluídas todas as fases de avaliação.

Hoje, porém, a empresa de biotecnologia sediada na cidade alemã de Mainz enfrenta um duro acerto de contas. A companhia que um dia distribuiu bilhões de doses de vacina, creditada por evitar milhões de mortes por covid e permitir a reabertura de economias em lockdown, agora corre risco pela aposta em um produto único.

Na terça‑feira (05/04), a BioNTech anunciou um amplo corte de custos após registrar prejuízo líquido trimestral de 532 milhões de euros (R$ 3 bilhões).

Unidades de produção na Alemanha e em Singapura serão fechadas, e seus fundadores, Ugur Sahin e Özlem Türeci, devem deixar a empresa. No total, cerca de 1.860 empregos devem ser afetados.

Por que a BioNTech está em crise?

Analistas financeiros dizem que os problemas da BioNTech decorrem do fim previsível de um ganho temporário com a covid, que gerou dezenas de bilhões de euros em receita desde o fim de 2020.

Isso, combinado com a natureza de alto risco da pesquisa e desenvolvimento no setor de biotecnologia, evidenciou o risco de depender de um único produto. Os problemas econômicos atuais da Alemanha, como os altos custos de mão de obra e energia, além da burocracia, contribuem para o cenário.

Uma enfermeira segura um frasco da vacina da Pfizer-BioNTech contra a Covid-19 no Guy's Hospital, em Londres. — Foto: ASSOCIATED PRESS
Uma enfermeira segura um frasco da vacina da Pfizer-BioNTech contra a Covid-19 no Guy's Hospital, em Londres. — Foto: ASSOCIATED PRESS

A demanda pela vacina contra a covid da BioNtech, a Comirnaty, evaporou mais rápido do que o esperado, com a receita do primeiro trimestre de 2026 caindo para 118 milhões de euros (R$ 684 milhões) – um recuo de 35% em relação ao mesmo período do ano passado.

Ao anunciar os resultados, a empresa afirmou que "antecipa receitas menores com vacinas contra a covid‑19 em comparação com 2025, impulsionadas por quedas tanto nos mercados europeu quanto dos Estados Unidos".

Analistas dizem que a companhia ampliou em excesso sua capacidade produtiva durante o boom e agora enfrenta fábricas ociosas. Como resultado, a Biontech afirma que transferirá toda a produção da vacina contra a covid para a Pfizer.

Cortes miram a CureVac após aquisição

A empresa também se envolveu em controvérsia com a aquisição de 1,25 bilhão de dólares (R$ 6,16 bilhões) da rival CureVac, em dezembro de 2025.

A concorrente havia desenvolvido seu próprio imunizante candidato contra a covid, que apresentou baixa eficácia e foi abandonado. Ainda assim, isso não a impediu de processar a BioNTech e a Pfizer em 2022, alegando que a vacina Comirnaty infringia várias de suas patentes de mRNA.

Ao comprar a rival — e suas patentes —, a farmacêutica conseguiu encerrar todos os litígios e evitar potenciais indenizações de vários bilhões de euros.

Mas, em mais um golpe, quando a BioNTech anunciou nesta semana a reestruturação e os fechamentos, a antiga fábrica da CureVac em Tübingen, perto de Stuttgart, foi uma das incluídas na lista de cortes.

O prefeito de Tübingen, Boris Palmer, acusou a empresa de adotar uma estratégia de "comprar primeiro e depois matar", acrescentando que o fechamento da planta foi um "golpe duro" para os "muitos funcionários altamente qualificados que sustentaram a CureVac por anos".

A medida foi classificada como uma "abordagem planejada de terra arrasada" pela organização sindical IG BCE, que criticou o que chamou de "razões financeiras de curto prazo que prejudicariam a resiliência do polo de biotecnologia da Alemanha".

A câmara de comércio local (IHK Reutlingen) alertou, em comunicado, que "know‑how tecnológico na forma de mentes brilhantes, patentes e resultados de pesquisa e desenvolvimento será perdido" com o fechamento da fábrica.

Fundadores da Biontech vão deixar chefia da empresa. — Foto: Christoph Hardt/Future Image/IMAGO
Fundadores da Biontech vão deixar chefia da empresa. — Foto: Christoph Hardt/Future Image/IMAGO

A BioNTech consegue prosperar sem seus fundadores?

Sahin e Türeci, que em março anunciaram que deixarão a empresa até o fim do ano para lançar um novo empreendimento de biotecnologia, não eram apenas os fundadores da Biontech, mas a principal força motriz por trás do sucesso da companhia.

Como sinal de seu papel central, as ações da empresa despencaram cerca de 18% após o anúncio, com o banco de investimentos Leerink Partners, sediado em Boston e focado em saúde, questionando se a empresa conseguirá manter sua vantagem inovadora sem eles.

"A empresa consegue efetivamente repetir e expandir sua abordagem sem a visão de seus fundadores?", questionaram analistas da Leerink em uma nota de pesquisa.

A farmacêutica agora retoma seu foco em tratamentos de mRNA contra o câncer, incluindo novas terapias desenvolvidas com a Bristol Myers Squibb para câncer de mama, pulmão e outros tipos.

Em sua atualização trimestral mais recente, a empresa disse que espera ter 15 ensaios clínicos de Fase 3 decisivos em andamento até o fim do ano.

Sahin afirmou que a BioNTech "continuará focada em acelerar nossos principais programas estratégicos, enquanto permanecemos firmes em nossa visão de traduzir nossa ciência em sobrevivência para pacientes que vivem com câncer".

Ao transferir a produção da vacina contra a covid para a Pfizer e fechar algumas fábricas, a BioNTechpretende economizar cerca de 500 milhões de euros (R$ 2,8 bilhões) por ano até 2029.

A empresa diz que manterá uma pequena participação na nova startup que está sendo lançada por seus fundadores, que trabalhará em tecnologia de mRNA de próxima geração.

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Brasil lidera investimentos chineses no mundo; veja os principais setores

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País recebeu US$ 6,1 bilhões em aportes da China no ano, impulsionados por energia, mineração e carros elétricos, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).
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Por Micaela Santos, g1 — São Paulo

Postado em 07 de Maio de 2.026 às 17h40m
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O Brasil foi o país que mais recebeu dinheiro de empresas chinesas para novos negócios e projetos em 2025, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (7) pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

Os aportes somaram US$ 6,1 bilhões no ano, impulsionados principalmente pelos setores de energia, mineração e mobilidade elétrica.

De acordo com o levantamento, o Brasil respondeu por 10,9% de todos os investimentos chineses realizados no exterior em 2025, à frente de países como Estados Unidos, Indonésia e Cazaquistão.

O relatório mostra ainda que o Brasil foi o único país a permanecer entre os cinco destinos que mais receberam investimentos chineses nos últimos cinco anos.

💡O setor de eletricidade liderou os aportes, com US$ 1,79 bilhão (aproximadamente R$ 8,8 bilhões) — cerca de 29,5% do total investido — concentrados em projetos de energia renovável e transmissão.

🔨 Já a mineração foi o grande destaque do ano, segundo o estudo, com investimentos que mais que triplicaram em relação a 2024 e atingiram US$ 1,76 bilhão (cerca de R$ 8,6), impulsionados pelo interesse chinês em minerais críticos ligados à transição energética, como níquel, cobre e ouro.

🚘 A mobilidade elétrica também avançou. O setor automotivo recebeu US$ 965 milhões (cerca de R$ 4,7 bilhões) em investimentos, alta de 66% na comparação anual, puxado pela expansão de montadoras chinesas no país.

O relatório cita a inauguração das fábricas da BYD, na Bahia, e da GWM Brasil, em São Paulo, além da parceria entre a Geely Auto e a Renault Brasil.

O setor de petróleo permaneceu entre os principais destinos dos investimentos chineses no Brasil em 2025, com aportes de US$ 804 milhões (cerca de R$ 3,9 bilhões). Apesar da queda de 24% em relação a 2024, a área respondeu por 13,3% do total investido pela China no país e ficou em segundo lugar em número de projetos.

O principal movimento do ano foi a entrada da China National Petroleum Corporation (CNPC) na Foz do Amazonas. A estatal chinesa adquiriu nove blocos exploratórios na região, em consórcio com a Chevron, ampliando a presença chinesa no Norte do país. O avanço ajudou a região a alcançar participação recorde na atração de projetos chineses em 2025.

O que explica a atratividade do Brasil

Segundo o diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC e autor do estudo, Tulio Cariello, o avanço é resultado de uma combinação de fatores internos e externos.

Esse quadro reflete um cenário de maior atratividade relativa dos ativos brasileiros, em especial para investidores chineses, devido a fatores internos, como a depreciação do real frente ao dólar, o tamanho do mercado consumidor brasileiro, a abundância de recursos minerais e energéticos e a matriz elétrica limpa do país, afirmou.

  • 🔎 A depreciação do real frente ao dólar significa que os ativos brasileiros ficam mais baratos para investidores estrangeiros. Como os investimentos são feitos em dólar, um câmbio mais alto aumenta o poder de compra das empresas chinesas no Brasil, reduzindo o custo relativo de fábricas, empresas, terras e projetos de infraestrutura. Isso tende a tornar o país mais atrativo para o capital externo.

O relatório também aponta que as tensões geopolíticas e as restrições a investimentos chineses nos mercados dos Estados Unidos e da Europa têm contribuído para redirecionar parte do capital ao Brasil.

Para os próximos anos, a expectativa é de continuidade dos aportes em setores ligados à transição energética, tecnologia da informação, petróleo, mineração e manufaturas avançadas.

Fábrica da BYD em Camaçari (BA) — Foto: divulgação/BYD
Fábrica da BYD em Camaçari (BA) — Foto: divulgação/BYD

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Balança comercial tem superávit de US$ 10,5 bilhões em abril, novo recorde para o mês

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Mês registrou aumento de vendas externas e alta menor de importações. No acumulado do ano, saldo positivo avançou 43,5%, para US$ 24,78 bilhões.
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Por Alexandro Martello, Thiago Resende, g1 — Brasília

Postado em 07 de Maio de 2.026 às 16h00m
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A balança comercial registrou superávit de US$ 10,53 bilhões em abril, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta quinta-feira (7).

🔎 O resultado é de superávit quanto as exportações superam as importações. Quando acontece o contrário, o resultado é deficitário.

  • O saldo positivo registrou alta de 37,5% em relação ao mesmo período ano passado, quando somou US$ 7,66 bilhões.
  • Esse também foi o melhor resultado para meses de abril desde o início da série histórica, em 1989.

💵 Segundo o governo, em abril:

  • As exportações somaram US$ 34,1 bilhões, com aumento de 14,3% pela média diária;
  • As importações somaram US$ 23,6 bilhões, com aumento de 6,2% pela média diária.
Acumulado do ano

Nos quatro primeiros meses deste ano, a balança comercial registrou superávit de US$ 24,78 bilhões, informou o governo.

Nos quatro primeiros meses deste ano, a balança comercial registrou superávit de US$ 24,78 bilhões, informou o governo — Foto: Foto/divulgação
Nos quatro primeiros meses deste ano, a balança comercial registrou superávit de US$ 24,78 bilhões, informou o governo — Foto: Foto/divulgação

Com isso, houve aumento de 43,5% na comparação com o mesmo período de 2025, quando o saldo positivo somou US$ 17,27 bilhões.

  • No acumulado deste ano, as exportações somaram US$ 116,55 bilhões – alta 9,2% na comparação com o mesmo período do ano passado, pela média diária.
  • Já as importações somaram US$ 91,77 bilhões nos quatro primeiros meses de 2026, com alta de 2,5% em relação ao mesmo período de 2025, também pela média diária.
Exportações em abril

Os destaques das vendas externas em abril seguem sendo produtos básicos, como a soja, petróleo e minérios:

  • Soja: US$ 6,96 bilhões, com aumento de 18,8%
  • Óleos brutos de petróleo: US$ 4,79 bilhões, com alta de 10,6%
  • Minério de ferro: US$ 2,46 bilhões, com aumento de 19,5%
  • Carne bovina: US$ 1,57 bilhão, com crescimento de 29,4%
  • Óleos combustíveis: US$ 1,17 bilhão, com alta de 19,1%
  • Café não torrado: US$ 1,07 bilhão, com queda de 14,2%

Já os principais consumidores de produtos vendidos pelo Brasil para o exterior seguem sendo China e a União Europeia, com Estados Unidos na terceira posição:

  • China: alta de 32,5%, para US$ 11,61 bilhões;
  • União Europeia: queda de 1,7%, para US$ 4,69 bilhões;
  • Estados Unidos: queda de 11,3%, para US$ 3,12 bilhões
  • Mercosul: queda de 14,2%, para US$ 1,91 bilhões;
  • Asean: alta de 36,6%, para US$ 2,7 bilhões;
  • África: alta de 34,9%, para US$ 1,17 bilhão;
  • Oriente Médio: queda de 3,5%, para US$ 1,05 bilhão;
  • México: crescimento de 6%, para US$ 745 milhões.
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