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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Brasil lidera investimentos chineses no mundo; veja os principais setores

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País recebeu US$ 6,1 bilhões em aportes da China no ano, impulsionados por energia, mineração e carros elétricos, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).
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Por Micaela Santos, g1 — São Paulo

Postado em 07 de Maio de 2.026 às 17h40m
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O Brasil foi o país que mais recebeu dinheiro de empresas chinesas para novos negócios e projetos em 2025, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (7) pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

Os aportes somaram US$ 6,1 bilhões no ano, impulsionados principalmente pelos setores de energia, mineração e mobilidade elétrica.

De acordo com o levantamento, o Brasil respondeu por 10,9% de todos os investimentos chineses realizados no exterior em 2025, à frente de países como Estados Unidos, Indonésia e Cazaquistão.

O relatório mostra ainda que o Brasil foi o único país a permanecer entre os cinco destinos que mais receberam investimentos chineses nos últimos cinco anos.

💡O setor de eletricidade liderou os aportes, com US$ 1,79 bilhão (aproximadamente R$ 8,8 bilhões) — cerca de 29,5% do total investido — concentrados em projetos de energia renovável e transmissão.

🔨 Já a mineração foi o grande destaque do ano, segundo o estudo, com investimentos que mais que triplicaram em relação a 2024 e atingiram US$ 1,76 bilhão (cerca de R$ 8,6), impulsionados pelo interesse chinês em minerais críticos ligados à transição energética, como níquel, cobre e ouro.

🚘 A mobilidade elétrica também avançou. O setor automotivo recebeu US$ 965 milhões (cerca de R$ 4,7 bilhões) em investimentos, alta de 66% na comparação anual, puxado pela expansão de montadoras chinesas no país.

O relatório cita a inauguração das fábricas da BYD, na Bahia, e da GWM Brasil, em São Paulo, além da parceria entre a Geely Auto e a Renault Brasil.

O setor de petróleo permaneceu entre os principais destinos dos investimentos chineses no Brasil em 2025, com aportes de US$ 804 milhões (cerca de R$ 3,9 bilhões). Apesar da queda de 24% em relação a 2024, a área respondeu por 13,3% do total investido pela China no país e ficou em segundo lugar em número de projetos.

O principal movimento do ano foi a entrada da China National Petroleum Corporation (CNPC) na Foz do Amazonas. A estatal chinesa adquiriu nove blocos exploratórios na região, em consórcio com a Chevron, ampliando a presença chinesa no Norte do país. O avanço ajudou a região a alcançar participação recorde na atração de projetos chineses em 2025.

O que explica a atratividade do Brasil

Segundo o diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC e autor do estudo, Tulio Cariello, o avanço é resultado de uma combinação de fatores internos e externos.

Esse quadro reflete um cenário de maior atratividade relativa dos ativos brasileiros, em especial para investidores chineses, devido a fatores internos, como a depreciação do real frente ao dólar, o tamanho do mercado consumidor brasileiro, a abundância de recursos minerais e energéticos e a matriz elétrica limpa do país, afirmou.

  • 🔎 A depreciação do real frente ao dólar significa que os ativos brasileiros ficam mais baratos para investidores estrangeiros. Como os investimentos são feitos em dólar, um câmbio mais alto aumenta o poder de compra das empresas chinesas no Brasil, reduzindo o custo relativo de fábricas, empresas, terras e projetos de infraestrutura. Isso tende a tornar o país mais atrativo para o capital externo.

O relatório também aponta que as tensões geopolíticas e as restrições a investimentos chineses nos mercados dos Estados Unidos e da Europa têm contribuído para redirecionar parte do capital ao Brasil.

Para os próximos anos, a expectativa é de continuidade dos aportes em setores ligados à transição energética, tecnologia da informação, petróleo, mineração e manufaturas avançadas.

Fábrica da BYD em Camaçari (BA) — Foto: divulgação/BYD
Fábrica da BYD em Camaçari (BA) — Foto: divulgação/BYD

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