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Alexandre Coelho avalia que, seis meses após o início da guerra contra o Irã, os EUA não obtiveram vitória estratégica e enfrentam desgaste crescente
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Da CNN Brasil
Postado em 30 de Agosto de 2.026 às 14h30m
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Em entrevista ao CNN AGORA, Alexandre Coelho, professor de Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), avaliou o cenário atual e as perspectivas para o conflito. Segundo ele, até o momento, nenhum dos lados pode ser considerado vencedor.
Perdas estratégicas para todos os lados
Para Alexandre Coelho, tanto os Estados Unidos quanto Israel e o Irã acumularam perdas expressivas ao longo dos seis meses de conflito. "Nós poderíamos dizer que até agora, tanto Israel, tanto Estados Unidos quanto o Irã têm demonstrado que perderam, praticamente perderam a guerra até aqui", afirmou. No caso americano, o professor destacou que, embora tenham ocorrido vitórias táticas, não houve avanço estratégico concreto. Já a população civil iraniana enfrenta uma economia "mais do que devastada", com inflação sobre a moeda local e perdas nas exportações de petróleo.
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O professor ressalvou, no entanto, que do ponto de vista estritamente estratégico, o regime iraniano seria, por enquanto, o lado que estaria levando alguma vantagem no conflito. Um dos fatores que contribui para isso é o bloqueio do Estreito de Ormuz imposto pelo Irã, que gerou um grave problema geoeconômico para os americanos. "Os Estados Unidos, até o momento, simplesmente não conseguiu atingir os seus objetivos militares ou de guerra", declarou Coelho.
Aliados históricos se afastam dos EUA
Alexandre Coelho também chamou atenção para o impacto do conflito sobre os aliados tradicionais de Washington. Países do Golfo Pérsico, como Kuwait e Arábia Saudita, passaram a questionar a confiabilidade do chamado "guarda-chuva protetor" americano após sofrerem ataques iranianos em retaliação às ofensivas dos Estados Unidos. Segundo o professor, esse cenário teria acelerado a formação do chamado Acordo de Meca, envolvendo Paquistão, Turquia e Arábia Saudita — embora a Turquia tenha negado essa ligação.
No leste asiático, Japão e Coreia do Sul também demonstram crescente vulnerabilidade. O Japão passou a debater o conteúdo do artigo 9º de sua Constituição, que estabelece um perfil pacifista em relação a questões militares, enquanto a Coreia do Sul enfrenta escassez de munições norte-americanas. Além disso, um porta-aviões que habitualmente operava na região do Pacífico foi deslocado para o Oriente Médio. "O Indo-Pacífico está sendo deixado muito mais vulnerável, enquanto isso o Oriente Médio hoje é, de fato, o calcanhar de Aquiles dos Estados Unidos", concluiu Coelho.
Impacto interno e sanções econômicas
O professor avaliou ainda os efeitos políticos da guerra dentro dos próprios Estados Unidos. De acordo com Coelho, o conflito contribuiu para o aumento do custo de vida, incluindo a alta no preço da gasolina, impactando negativamente o humor do eleitorado. Ele lembrou que, durante suas campanhas, Donald Trump prometeu encerrar guerras, e não criá-las. "Mais da metade do eleitorado americano é contra essa guerra", afirmou. Com isso, Coelho avaliou que, mantido o cenário atual até novembro, é provável que haja perda de apoio no Congresso americano, com avanço dos democratas.
Sobre a estratégia de sanções econômicas anunciada contra o Irã — incluindo as chamadas sanções secundárias contra países como China e Rússia —, o professor mostrou ceticismo quanto à sua eficácia. Segundo ele, o Irã já demonstrou capacidade de resistência econômica, ainda que de forma dolorosa para sua população civil.
Quanto à China, Coelho alertou para o risco de retaliação por meio do controle das exportações de minerais críticos e terras raras, o que impactaria diretamente a indústria de defesa americana. "Essas sanções econômicas, além de estarem no momento errado, não devem produzir resultados concretos para minimizar ou mitigar essa guerra", concluiu.



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