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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Gotas de tinta, aranha com pólen e neurônios vencem prêmio internacional de fotografia científica; veja imagens

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Concurso Nikon Small World recebeu 1.803 fotos de 69 países. Imagem vencedora mostra, em detalhes, gotas saindo de uma impressora a jato de tinta.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 22 de Outubro de 2.026 às 12h35m
 
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1º lugar: Gotas de tinta são lançadas por uma impressora sobre o papel em imagem feita com lente de microscópio. — Foto: Ole Bielfeldt/Nikon Small World
1º lugar: Gotas de tinta são lançadas por uma impressora sobre o papel em imagem feita com lente de microscópio. — Foto: Ole Bielfeldt/Nikon Small World

Gotas de tinta suspensas no ar, uma aranha coberta de pólen e neurônios dentro do cérebro de um camundongo estão entre as imagens vencedoras de um dos principais concursos de fotografia feita com microscópios.

A edição de 2026 do Nikon Small World recebeu 1.803 imagens de 69 países e premiou 76 registros. O concurso chegou neste ano à sua 52ª edição.

O primeiro lugar ficou com o estudante e fotógrafo experimental alemão Ole Bielfeldt, que registrou gotas de tinta no interior de uma impressora enquanto elas eram lançadas sobre o papel.

Para conseguir a foto, ele adaptou o equipamento e usou uma lente de microscópio.

Em segundo lugar ficou uma imagem de uma aranha-saltadora coberta de pólen, feita por John-Oliver Dum.

O terceiro prêmio foi para Kaelin Wulf e Rachel Flannery, que fotografaram neurônios no cérebro de um camundongo.

Veja abaixo mais imagens do top 20 da edição de 2026:

2º lugar: Aranha-saltadora (Salticus scenicus) aparece coberta de grãos de pólen. — Foto: John-Oliver Dum/Nikon Small World
2º lugar: Aranha-saltadora (Salticus scenicus) aparece coberta de grãos de pólen. — Foto: John-Oliver Dum/Nikon Small World


3º lugar: Neurônios aparecem em imagem ampliada do cérebro de um camundongo. — Foto: Kaelin Wulf e Rachel Flannery/Nikon Small World
3º lugar: Neurônios aparecem em imagem ampliada do cérebro de um camundongo. — Foto: Kaelin Wulf e Rachel Flannery/Nikon Small World


4º lugar: Ponta de uma caneta esferográfica vista ao microscópio. — Foto: Justin Theodore Benttinen/Nikon Small World
4º lugar: Ponta de uma caneta esferográfica vista ao microscópio. — Foto: Justin Theodore Benttinen/Nikon Small World


5º lugar: Interior de uma margarida ainda fechada aparece em detalhes. — Foto: Mike Crutchley/Nikon Small World
5º lugar: Interior de uma margarida ainda fechada aparece em detalhes. — Foto: Mike Crutchley/Nikon Small World


6º lugar: Estruturas produtoras de esporos de um fungo mucilaginoso do gênero Hemitrichia. — Foto: Eric Epstein/Nikon Small World
6º lugar: Estruturas produtoras de esporos de um fungo mucilaginoso do gênero Hemitrichia. — Foto: Eric Epstein/Nikon Small World


7º lugar: Neurônios humanos produzidos a partir de células da pele crescem em uma pequena câmara de laboratório. — Foto: Bruno Cisterna e Eric Vitriol/Nikon Small World
7º lugar: Neurônios humanos produzidos a partir de células da pele crescem em uma pequena câmara de laboratório. — Foto: Bruno Cisterna e Eric Vitriol/Nikon Small World


8º lugar: Grafite de lápis é atingido por uma descarga elétrica de alta tensão. — Foto: Marcel Clemens/Nikon Small World
8º lugar: Grafite de lápis é atingido por uma descarga elétrica de alta tensão. — Foto: Marcel Clemens/Nikon Small World


9º lugar: Célula do revestimento de um vaso sanguíneo do fígado vista ao microscópio. — Foto: Francisco Lázaro-Diéguez/Nikon Small World
9º lugar: Célula do revestimento de um vaso sanguíneo do fígado vista ao microscópio. — Foto: Francisco Lázaro-Diéguez/Nikon Small World


10º lugar: Vespa parasitoide emerge da crisálida de uma borboleta. — Foto: Michael Parra Puentes/Nikon Small World
10º lugar: Vespa parasitoide emerge da crisálida de uma borboleta. — Foto: Michael Parra Puentes/Nikon Small World

  1. LEIA TAMBÉM:
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11º lugar: Larva de ouriço-do-mar com 20 dias aparece com os núcleos das células destacados em azul. — Foto: Svenja Carolin Kling/Nikon Small World
11º lugar: Larva de ouriço-do-mar com 20 dias aparece com os núcleos das células destacados em azul. — Foto: Svenja Carolin Kling/Nikon Small World


12º lugar: Tardígrado troca de pele e deposita um ovo dentro da camada antiga. — Foto: Gonzalo Quiroga Artigas/Nikon Small World
12º lugar: Tardígrado troca de pele e deposita um ovo dentro da camada antiga. — Foto: Gonzalo Quiroga Artigas/Nikon Small World


13º lugar: Cristais de estrogênio recristalizado vistos sob luz polarizada. — Foto: Sebastian Sparenga/Nikon Small World
13º lugar: Cristais de estrogênio recristalizado vistos sob luz polarizada. — Foto: Sebastian Sparenga/Nikon Small World


14º lugar: Fungos do gênero Pilobolus crescem sobre fezes de ovelha. — Foto: Mike Crutchley/Nikon Small World
14º lugar: Fungos do gênero Pilobolus crescem sobre fezes de ovelha. — Foto: Mike Crutchley/Nikon Small World


15º lugar: Traqueia de camundongo mostra pequenas estruturas semelhantes a pelos, além de nervos e músculos. — Foto: Julien Resseguier/Nikon Small World
15º lugar: Traqueia de camundongo mostra pequenas estruturas semelhantes a pelos, além de nervos e músculos. — Foto: Julien Resseguier/Nikon Small World


16º lugar: Células da pele de embrião de Xenopus aparecem com diferentes estruturas destacadas por cores. — Foto: Pierre Nouaux, Laurent Kodjabachian e Camille Boutin/Nikon Small World
16º lugar: Células da pele de embrião de Xenopus aparecem com diferentes estruturas destacadas por cores. — Foto: Pierre Nouaux, Laurent Kodjabachian e Camille Boutin/Nikon Small World


17º lugar: Tecido intestinal humano cultivado em laboratório mostra as conexões entre as células que formam sua barreira de proteção. — Foto: Gauri Kulkarni/Nikon Small World
17º lugar: Tecido intestinal humano cultivado em laboratório mostra as conexões entre as células que formam sua barreira de proteção. — Foto: Gauri Kulkarni/Nikon Small World


18º lugar: Neurônios do hipocampo de um camundongo com 14 dias aparecem com núcleos em verde e proteínas em vermelho. — Foto: Bilal Akhtar/Nikon Small World
18º lugar: Neurônios do hipocampo de um camundongo com 14 dias aparecem com núcleos em verde e proteínas em vermelho. — Foto: Bilal Akhtar/Nikon Small World


19º lugar: Corte do olho de um camundongo mostra vasos sanguíneos da retina e o nervo óptico. — Foto: Satu Paavonsalo e Sinem Karaman/Nikon Small World
19º lugar: Corte do olho de um camundongo mostra vasos sanguíneos da retina e o nervo óptico. — Foto: Satu Paavonsalo e Sinem Karaman/Nikon Small World


20º lugar: Concha de abalone, um molusco marinho, vista em detalhes ao microscópio. — Foto: Justin Theodore Benttinen/Nikon Small World
20º lugar: Concha de abalone, um molusco marinho, vista em detalhes ao microscópio. — Foto: Justin Theodore Benttinen/Nikon Small World

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Arrecadação federal sobe para R$ 239 bilhões em setembro, novo recorde para o mês

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Recorde está relacionado ao crescimento da economia brasileira, aumentos de impostos pela equipe econômica do governo e com a tributação e aumento no preço do petróleo.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 22 de Outubro de 2.026 às 12h00m
 
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A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 239,4 bilhões em setembro deste ano, informou nesta quinta-feira (22) a Receita Federal.

O resultado representa um aumento real de 5,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando a arrecadação somou R$ 226,6 bilhões (valor corrigido pela inflação).

➡️O valor também é o maior já registrado para meses de setembro desde o início da série histórica da Receita Federal em 1995 — ou seja, em 32 anos.

➡️O recorde na arrecadação está relacionado com o crescimento da economia brasileira, com os aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo e, também, com a alta no preço do petróleo.

Relembre alguns aumentos de impostos ao longo do terceiro mandato do presidente Lula:

  • alta na tributação de fundos exclusivos (alta renda) e das "offshores" (exterior);
  • mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados;
  • aumento de impostos sobre combustíveis feitos em 2023 e mantido desde então;
  • reoneração gradual da folha de pagamentos;
  • fim de benefícios para o setor de eventos (Perse);
  • aumento do IOF sobre crédito e câmbio;
  • alta na tributação dos juros sobre capital próprio.

➡️Com um preço mais alto, resultado da guerra entre Estados Unidos e Irã, também subiram as receitas do governo com o produto, como "royalties" e participação na extração. Além disso, o Executivo estabeleceu uma taxação extra sobre exportações.

Parcial do ano

Nos nove primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, a arrecadação federal somou R$ 2,35 trilhões — sem a correção pela inflação.

Em valores corrigidos pela variação dos preços, a arrecadação totalizou R$ 2,38 trilhões de janeiro a setembro, o que representa um crescimento real (acima da inflação) de 7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando somou R$ 2,23 trilhões.

➡️O montante também é o recorde para a arrecadação federal no período.

Meta fiscal em 2026

Assim como nos últimos anos, o governo espera contar com o aumento da arrecadação para tentar atingir a meta para as suas contas em 2026.

Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.

  • De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
  • Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões.

O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 57,8 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais).

  • Na prática, portanto, a previsão é que o governo tenha um rombo de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026 – mesmo que, para o cálculo oficial da meta, apresente um resultado positivo.
  • Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Lula.
Recorde na arrecadação também foi puxado pela tributação sobre o petróleo, cujo preço está em alta. — Foto: Petrobras/Divulgação
Recorde na arrecadação também foi puxado pela tributação sobre o petróleo, cujo preço está em alta. — Foto: Petrobras/Divulgação

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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

8 em cada 10 focos de fogo no Amazonas estão em imóveis rurais privados; queimadas disparam após o 1º turno

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Levantamento feito pelo Inpe a pedido do g1 analisou os 1.639 focos registrados no estado entre 1º e 15 de outubro e mostra maior parte em áreas privadas. Alta de incêndios começa em 4 de outubro, dia do primeiro turno das eleições, aponta Ipam.
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Por Poliana Casemiro, g1

Postado em 21 de Outubro de 2.026 às 06h00m
 
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8 em cada 10 focos de fogo no Amazonas estão em imóveis rurais, mostram dados do Inpe
8 em cada 10 focos de fogo no Amazonas estão em imóveis rurais, mostram dados do Inpe

De cada dez focos de fogo detectados em outubro no Amazonas, oito estão dentro de imóveis rurais privados com Cadastro Ambiental Rural (CAR). É o que mostra uma análise exclusiva do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) a pedido do g1.

Entre 1º e 15 de outubro, o satélite de referência do Inpe registrou 1.639 focos no estado. Desses, 79,1% ficaram em propriedades privadas cadastradas.

Dados do Inpe mostram que maior parte dos focos de incêndio estão em propriedades privadas — Foto: Infográfico/g1
Dados do Inpe mostram que maior parte dos focos de incêndio estão em propriedades privadas — Foto: Infográfico/g1

O Amazonas vive uma crise com o fogo, com incêndios que vêm sufocando cidades, incluindo a capital, Manaus. No acumulado geral do ano, apenas no entorno da capital, os focos estão 109% acima da média histórica para o período, segundo os dados do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

  • E quando foi que a explosão do fogo começou? A análise do instituto da Amazônia mostra que eles começam em setembro, param e voltam com uma explosão de focos a partir de 4 de outubro, dia do 1º turno das eleições. (Leia mais aqui)

A análise do Inpe que filtra o tipo de área afetada pelos incêndios reforça o que a polícia, o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente vêm dizendo: as chamas são causadas pela ação humana e são criminosas.

Para você entender melhor: para que uma propriedade possa usar o fogo para o manejo do solo, como limpeza de pastagem, por exemplo, é preciso autorização caso a caso do governo estadual – o que não há.

Além disso, desde 9 de setembro, quando as chamas começaram a sufocar a região, o governo estadual proibiu o fogo no estado. Ainda assim, os incêndios continuaram.

Queimadas no Amazonas — Foto: Divulgação/Ibama
Queimadas no Amazonas — Foto: Divulgação/Ibama

O Amazonas enfrenta as consequências da seca fortalecida pelo El Niño. Com isso, muitos focos se alastram pela vegetação ressecada e se transformam em incêndios de grandes proporções.

O presidente do Ibama, Jair Schmitt, explica que o fogo pode ocorrer com a seca, mas a ação no Amazonas é humana e é justamente dessa configuração que aqueles que cometem crimes vêm se aproveitando.

Como tem muito incêndio, as pessoas vão colocando fogo, ampliando o problema até pela dificuldade que se pode ter em um momento de crise como esse de identificar o crime. (...) e há uma hipótese considerada de que elas se valem do momento político para tensionar o caos.
— Jair Schmitt, presidente do Ibama

Maior parte dos incêndios no Amazonas vem de áreas com cadastro rural, aponta Inpe — Foto: Divulgação/Ibama
Maior parte dos incêndios no Amazonas vem de áreas com cadastro rural, aponta Inpe — Foto: Divulgação/Ibama

Em uma ação de combate a incêndios, o Ibama flagrou garrafas com combustíveis sendo jogadas ao longo das estradas. O órgão aplicou R$ 2 milhões em multas desde a última semana.

Além disso, as ações criminosas também vêm sendo investigadas pela Polícia Federal e pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência). De acordo com a Polícia Civil do Amazonas, já são mais de 120 procedimentos criminais para investigar o uso criminoso do fogo.

A análise mostra que a maior parte do fogo está em áreas privadas. Ou seja, pessoas que usam o fogo sem permissão para manejo do solo. É fogo usado fora do contexto da lei.
— Luiz Aragão, pesquisador e especialista no monitoramento de biomas por satélite.

Fogo também está em áreas que já foram desmatadas

Os incêndios acontecem ao mesmo tempo em que o governo anuncia uma queda recorde no desmatamento. Na última semana, os dados do Inpe apontaram o menor índice desde 1988. Como as duas coisas podem ser verdade?

Os dados da plataforma TerraBrasilis, do Inpe, analisados por Aragão, ajudam a responder. A maior parte do fogo não está na floresta em pé, e sim em terras onde as árvores já foram derrubadas.

É fato que o desmatamento caiu, mas ele ainda existe, e os dados foram divulgados: foram 3.335 km² de agosto de 2025 a julho de 2026 – período de análise para a inclusão da série anual. E isso ainda se soma ao que já foi derrubado em anos anteriores e que, agora, a floresta luta para reconstruir – o que chamamos de vegetação secundária.

Uma análise observando o uso do solo ajuda a entender o que está acontecendo. Segundo os dados, em outubro:

  • 52,8% dos focos estavam em áreas desmatadas nos últimos três anos
  • Outros 30,6% em áreas abertas há mais tempo
  • 15,9% atingiram vegetação nativa.
Imagens mostram área de vegetação após queimada — Foto: Divulgação/Ibama
Imagens mostram área de vegetação após queimada — Foto: Divulgação/Ibama

➡️ E o que isso significa? É preciso entender que desmatamento e fogo são fenômenos diferentes. O desmatamento mede quanta floresta foi derrubada. O fogo, na maior parte dos casos, é usado depois, para limpar a área que já foi destruída, computada em algum momento nos levantamentos ou para renovar o pasto.

Por isso, mesmo que haja menos floresta sendo derrubada, a terra aberta nos últimos anos continua sendo queimada.

“A pessoa desmata no passado e para manter a vegetação morta ali, para limpar a área já devastada que ela usa como pasto, ela usa o fogo. É o processo contínuo de quem desmata”, explica Aragão.

A menor parte está em áreas de vegetação nativa: 15,9% atingiram vegetação nativa. Porém, elas estão sendo afetadas pelos incêndios.

De acordo com Aragão, isso acontece porque, com a seca, reflexo do El Niño, o fogo fica incontrolável e invade áreas a quilômetros depois do foco inicial do fogo.

A chuva na região quase sumiu. De julho até hoje, Manaus acumulou 104 milímetros, cerca de um terço dos 316 milímetros esperados, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Agosto terminou sem chuva registrada, quando a média do mês é de 56 mm.

Com isso, a floresta, que também é afetada pela seca, acaba sendo atingida pela ação ilegal do uso do fogo.

De acordo com o presidente do Ibama, o órgão flagrou casos assim e tem feito fiscalizações na região, além de contar com reforços em ações de combate às chamas para evitar que novas áreas protegidas sejam atingidas.

“Nós já autuamos aqui nessa região próxima a Manaus 19 pessoas nessa última semana. R$ 2 milhões de multa e mais de 250 hectares embargados. São pessoas que iniciam fogo na sua propriedade sem autorização e, em alguns casos, esse fogo acaba avançando em territórios protegidos, inclusive em territórios indígenas”, explica.

As autuações foram feitas a partir do dia 12 de outubro nas cidades de Autazes e de Careiro da Várzea, na região metropolitana de Manaus.

De acordo com o Ibama, apesar disso, a fiscalização sobre o uso do fogo nas propriedades é de responsabilidade do governo estadual. O g1 acionou o governo estadual, mas aguardava o retorno até a publicação.

Dados do Ipam mostram que focos de fogo subiram no primeiro turno das eleições — Foto: Infográfico/g1
Dados do Ipam mostram que focos de fogo subiram no primeiro turno das eleições — Foto: Infográfico/g1

Aumento dos focos no 1° turno das eleições

O fogo se acelerou no entorno de Manaus a partir de 4 de outubro, dia do primeiro turno das eleições. É o que mostra um levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) que inclui 19 cidades das regiões metropolitana e central do Amazonas.

O comportamento foge do padrão da região. O fogo costuma começar em agosto, quando produtores passam a usá-lo no manejo do solo, como a limpeza de pasto, a maior parte de forma irregular. Geralmente, recua a partir do fim de setembro.

A análise foi feita usando dados do sensor VIIRS, a bordo do satélite Suomi NPP, divulgados pelo Inpe. O sensor tem resolução mais alta e detecta mais focos que o satélite de referência.

De acordo com os dados, no acumulado do ano, de 1º de janeiro a 14 de outubro, os 19 municípios somaram 15.674 focos, 109% acima da média histórica para o período. Entre os anos analisados, só 2023 teve mais, ano de uma seca histórica na região.

Os registros começaram a subir em agosto e chegaram ao pico em setembro, como é esperado, com 6.861 focos. Outubro já soma 6.183 até o dia 14.

Até o fim de setembro, 2026 seguiu o padrão. Segundo o pesquisador Newton Monteiro, responsável pelo levantamento, os focos chegaram ao auge por volta do dia 20, quando já haviam rompido o limite histórico, e depois arrefeceram.

No entanto, a partir de 4 de outubro, dia do primeiro turno das eleições, os incêndios voltaram a crescer e atingiram um pico ainda maior nos dias seguintes. (Veja o gráfico abaixo)

Entre 4 e 14 de outubro, foram 5.598 focos de calor, 37 vezes mais que os 149 do mesmo período de 2025. O número supera até os 4.385 registrados em 2023, quando a Amazônia enfrentou uma seca extrema.

“Quando analisamos os dados do fogo, não vemos um crescimento em outubro nesses patamares. Escalou muito rápido, em poucos dias. Só tivemos um outubro ruim assim em 2023, durante uma seca histórica no Amazonas, cenário que não se repete agora”, explica Monteiro.

Para o Ibama, a causa ainda é incerta e depende de investigação, mas as ações em campo mostram que há um sentimento de impunidade no período eleitoral.

“Isso sim é uma hipótese que deve ser considerada, de se valer do momento político para ampliar, tensionar mais ainda o caos e o cometimento desses incêndios. O que a gente tem de relato das nossas equipes em campo, brigadistas, é desse sentimento de impunidade. Independentemente do cenário político, de determinado candidato vitorioso, as pessoas têm uma expectativa de impunidade e de não sofrerem nenhum tipo de consequência”, explica Schmitt.

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